8 de fevereiro de 2010
COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DE CHICO XAVIER TEM INICIO EM PEDRO LEOPOLDO
O “Projeto Centenário de Chico Xavier”, coordenado pela Federação Espírita Brasileira, foi iniciado com comemorações em Pedro Leopoldo (MG), terra natal do médium. Na manhã do dia 1o de janeiro, houve alvorada com apresentação da Banda da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, na Praça Chico Xavier. Numa promoção conjunta da Federação Espírita Brasileira e da União Espírita Mineira (UEM), na noite do mesmo dia ocorreu a abertura das comemorações no Centro Espírita Luiz Gonzaga, fundado pelo médium. A Mesa foi coordenada pela dirigente deste Centro, Célia Diniz Rodrigues, ocorrendo apresentação de grupo musical da UEM, prece de abertura por Juselma Maria Coelho (de Belo Horizonte), saudação pelo presidente da UEM,Marival Veloso de Matos, e a palestra proferida pelo presidente da FEB, Nestor João Masotti. Após leitura de poema pelo presidente da UEM, foram lidas as mensagens psicografadas por Wagner Gomes da Paixão: “Mediunidade sublimada”, de Irmão X e “Sob a tutela de Ismael”, de Manuel Quintão, as quais serão publicadas em próximas edições de Reformador. A prece de encerramento, com manifestações de gratidão a Chico Xavier, foi proferida por Jaques Albano da Costa (diretor do Centro-sede de 1971 a 1988). Integraram a Mesa o vice-presidente da FEB Altivo Ferreira, os diretores da FEB Antonio Cesar Perri de Carvalho e João Pinto Rabelo, o presidente da Fundação Cultural Chico Xavier, os presidentes das Alianças Municipais Espíritas das cidades de Pedro Leopoldo e Uberaba, e Wagner Gomes da Paixão.
Na manhã do dia 2 houve uma caminhada, coordenada pelo presidente da Aliança Municipal Espírita de Pedro Leopoldo, John Harley Marques, saindo da Praça Chico Xavier e visitando a Casa de Chico Xavier (sua residência de 1948 a 1958, agora um museu), o Centro Espírita Luiz Gonzaga, o Centro Espírita Meimei (também fundado por Chico Xavier). Neste local, onde estava montada uma mostra de fotos sobre o médium, houve saudação pelo dirigente Eugênio Eustáquio dos Santos e apresentação sobre a campanha publicitária do Centenário e do 3o Congresso Espírita Brasileiro, feita por Ricardo Mesquita, assessor da FEB. Às 18 horas do mesmo dia, os visitantes compareceram à reunião que habitualmente se realiza na Casa de Chico Xavier, e, às 20 horas, ocorreu um sarau musical no Lar Espírita Chiquinho Carvalho, local em que Chico Xavier, muitas vezes, participava da confraternização de passagem de ano. Em vários locais compareceram sobrinhos do homenageado e, neste último evento, esteve presente sua irmã Cidália Xavier de Carvalho. Informações sobre o Centenário de Chico Xavier e o 3o Congresso Espírita Brasileiro:
A PRÁTICA DO ABORTO
“Hoje vim aqui para cuidar de um assunto que me foi incumbido pelos mentores deste trabalho. Estou em tratamento, recuperando-me em uma cidade transitória próxima deste orbe e tive uma experiência de vida que não desejaria para o meu pior inimigo.
Fui uma mulher abastada em minha última existência terrena. Trabalhava meus dons intelectuais de forma digna até parte de minha vida, quando uma oportunidade me acenou para uma situação de mais posses. Só que para isso eu teria que burlar as leis de Deus.
Desempenhava a profissão de enfermeira prática em uma conceituada clínica, numa grande cidade brasileira. Tinha o respeito dos meus colegas, pois naquela época não se dispunha de muitas escolas de enfermagem no país e as profissionais eram respeitadas pela boa prática de sua profissão, adquiridas muito mais pelo dom de que algumas eram aquinhoadas desde a mocidade. Assim foi comigo, que desde cedo manifestei afinidade pela prática do cuidado aos enfermos.
Com mais ou menos 10 anos de vida dedicados à prática do bem, no desempenho de minha profissão com responsabilidade e amor, me deparei com um convite para trabalhar em um serviço particular onde se praticaria o aborto. A princípio aquilo me pareceu estranho, mas logo a oferta de melhores condições de vida material em curto espaço de tempo me fez esquecer os ensinos morais que me foram dados por minha mãe, na sua incansável tarefa de falar do catecismo católico. Lembrei-me de que falara muitas vezes que evitar a vinda de um ser era terrível crime. Entretanto, minha consciência embotou-se deliberadamente pelo amor ao vil metal e logo eu estava morando em grande casa, vivendo uma vida de abastança, proporcionada por ganhos materiais que vinham da prática criminosa.
O dono do estabelecimento deu a mim toda a gerência do negócio e, além de administrar a casa, eu era o principal instrumento da estranha prática. Por mais de quinze anos pratiquei o aborto em milhares de mulheres. Ricas e pobres, jovens e maduras. Todas com a intenção de interromper o santo ato do nascimento. Algumas inconscientes do que faziam, pois eram trazidas por suas mães, senhoras da sociedade, querendo encobrir a vergonha de ver suas filhas gerando filhos de pais desconhecidos e indesejáveis socialmente. A maioria, entretanto, embora casadas, ao cometer o adultério geravam filhos do erro, não querendo com isso manchar seu próprio nome. Achavam que praticando o aborto livrar-se-iam do problema. E assim foi por longos anos.
Um dia, ainda jovem, doença fatal acometeu-me, levando-me ao leito de morte em menos de 5 anos. Durante o tempo em que permaneci doente recebi muita solidariedade dos meus cúmplices, pois nessa vida de marginal eu aquilatara muitos "amigos". Claro, amigos que "amavam-me" porque eu sabia de seus segredos. Em meu desespero por ver próxima a morte, refleti enormemente sobre meus atos. Um dia, gentil senhora, amiga de minha mãe, visitou-me trazendo em mãos um exemplar do Novo Testamento. Ali, aos 47 anos de idade, entrei em contato com o conhecimento da verdade pela primeira vez. Chorei amargamente nos meus últimos dias de vida, pois só vim a despertar para os valores da alma nos últimos 6 meses de minha existência terrena.
Ao deixar o corpo já tinha consciência dos meus débitos e de quanto sofreria no mundo espiritual. E assim permaneci por longos anos, com extremo remorso em meu o peito, envolvida em pesadas nuvens de vibrações deletérias a adornar-me a alma. Por muito tempo permaneci assim. Punia-me por conta de minha grande vergonha. Não compreendia que a minha atitude mental levava-me a ser prisioneira de mim mesma. Orava, mas penitenciando-me, querendo permanecer naquela situação achando que ficaria ali eternamente, a purgar para sempre meu pecado.
Um dia, ao elevar meu pensamento aos céus, vi tênue luz a aproximar-se de mim. Era a senhora que me presenteara com o Evangelho de Jesus. Chorei copiosamente e adormeci ali mesmo para acordar mais tarde em leito limpo e ambiente harmonioso, com ela a velar-me o sono. Chamava-se Dalva. Instruía-me sobre os dons da vida e sobre todas as vidas que havia ceifado irresponsavelmente. Falo a todos desta casa da grande responsabilidade que assumimos ao entrar na vida. Não só o aborto é grave crime mas todos os outros que ferem as leis divinas.
Sofrem os aborteiros como eu, da mesma forma que sofrem os suicidas, os assassinos, os adúlteros, os ladrões. Enfim, os que de uma forma ou de outra fazem deliberadamente o mal para locupletar-se com os bens materiais que ele proporciona. Em tudo está o egoísmo e orgulho da criatura que cava o próprio destino, estimulado pelas tortas linhas de conduta materialista, ensinando que nada mais resta além da morte. Triste engano que leva pessoas como eu a caminhos tortuosos de sofrimentos no futuro". - Um Espírito endividado.
Espírito: Um Espírito endividado
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec
7 de fevereiro de 2010
FAZER
Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”, perguntou o doutor da lei a Jesus, que devolveu a questão indagando: “Que está escrito na lei? Como lês?”. Este, de pronto, esclareceu que a lei determina: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. Ouvindo isto, Jesus afirmou: “Respondeste bem; faze isso e viverás”. O diálogo continuou, com o doutor da lei perguntando: “E quem é o meu próximo?”. Jesus, então, narrou a Parábola do Bom Samaritano, a qual levou o doutor da lei a reconhecer que o “próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores” foi “o que usou de misericórdia para com ele”. Concluiu Jesus:
“Vai e faze da mesma maneira.”
Este diálogo do doutor da lei com Jesus, aqui resumido, destaca a importância, em nossas vidas, do verbo fazer, constantemente citado no Evangelho. Em outra parábola, referindo-se aos justos, o Mestre afirma: “[...] todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes”.
O Evangelho é, para nós, consolação, orientação e bálsamo: demonstra a nossa imortalidade, fortalece a nossa esperança e a nossa fé, mostra-nos o caminho a seguir, desvenda a bondade e a justiça de Deus junto a nós, mas deixa claro, também, que a felicidade e a paz que pretendemos alcançar dependem, fundamentalmente, da nossa vontade e da nossa ação direta na execução da Lei de Amor, que emana de Deus.
Na questão 642 de O Livro dos Espíritos,Allan Kardec pergunta: “Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?” E os Espíritos superiores afirmam: “Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”. Diante deste alerta, é importante permanecermos atentos para com as nossas tarefas na Seara Espírita, uma vez que poderemos estar fazendo tão-somente uma pequena parte do bem que temos condições de fazer, sentindo, posteriormente, a falta do que deixamos de fazer.
Tem sido comum, nas reuniões mediúnicas, a manifestação de espíritas desencarnados que muito realizaram aqui na Terra, mas que lamentam não
Reformador Fev.10
6 de fevereiro de 2010
DOAÇÕES TARDIAS
Amigo, você nos solicita indicar o destino mais aconselhável para os seus bens, depois de sua libertação do corpo físico.
Indaga você:
"Se devo facear a sobrevivência, diga, por obséquio, qual o melhor modo de deixar os recursos que acumulei? Tenho algum dinheiro, ações em companhias diversas, terrenos vagos, dois sítios caprichosamente montados e alguns apartamentos para alugar. Será mais justo entregar esse patrimônio a determinados amigos, através de testamentos e recomendações especiais? Ou será mais razoável confiar meus bens a instituições de beneficência?".
A sua consulta nos falou ao coração e aqui estamos para a resposta possível, que você não é obrigado a aceitar.
Usufruindo a luz da prece, você mesmo obterá a inspiração dos benfeitores espirituais que o assistem, a fim de adotar a melhor conduta.
Esquecer o seu livre arbítrio, seria privá-lo da liberdade de escolha.
Entretanto, permitimo-nos recordar um episódio, que se perde nos acontecimentos históricos do segundo milênio que estamos terminando no mundo.
O rei de Bizâncio, Manuel I, da dinastia dos Commenos, mantinha os seus assessores e soldados numa guerra civil contra os persas, que se defendiam ardorosamente.
Na batalha última em que seus súditos encontraram pesada derrota, o próprio rei foi atingido no peito por fina lâmina ajustada à ponta de uma flecha. O sangue lhe jorrava do tórax, quando foi cautelosamente retirado da alimária que o servia; mas deposto no chão, eis que o soberano pressentiu a própria morte e encontrou forças para falar em voz alta:
"Companheiros e soldados amigos; temos vinte canastras na expedição, transportando ouro e prata, jóias e pedras preciosas, em quantidade suficiente para enriquecer-vos a todos. Retirai de minha armadura as chaves capazes de abri-las e apossai-vos de toda a riqueza que vos entrego por brinde de amizade e gratidão."
Num momento, as chaves trabalharam movendo as complicadas fechaduras e todo um montão de preciosidades surgiu aos olhos deslumbrados de todos os circunstantes.
O monarca estava agora inerte, chamado que foi ao reino da morte e aqueles que o seguiam passaram a partilhar da fortuna de que se reconheciam detentores.
Os inimigos, porém, se mantinham vigilantes e caíram sobre os vencidos e, em minutos breves, os herdeiros do rei acordaram para a realidade, sendo muitos deles degolados ou escravizados.
Nem um só dos companheiros do rei escapou do massacre ou da escravidão, enquanto que os adversários, além da vitória fácil, surrupiaram todos os bens que se lhe revelavam à vista.
Rogo-lhe atenção para este tópico da verdade histórica, para que observe quão difícil se faz a previsão, com respeito a benefícios marcados para depois da morte...
O rei Manuel I, que viajava conduzindo grande tesouro, efetivamente fez a doação de tudo quanto possuía, à frente da morte, com a desvantagem de colocar os amigos sob a ira dos adversários que os arrasaram e espoliaram à vontade, sobretudo para satisfazer os apetites de ambição e pilhagem de que se sentiam acometidos.
Em vista do exposto, se você deseja beneficiar pessoas ou instituições, não deixe as sua providências para depois, quando as suas riquezas entrarem no campo dos inventários, difíceis de serem deslindados.
Se o prezado amigo já despertou para a grandeza do bem aos semelhantes e quer fazer essa ou aquela doação, não deixe isso para amanhã. Faça isso agora.
Livro: Fotos da Vida. - Psicografia: Francisco C. Xavier. - Espírito: Augusto Cezar.
5 de fevereiro de 2010
A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO
(Lucas, capítulo 10º, versículos 25 a 37)
Um dia, um pobre homem descia da cidade de Jerusalém para uma outra cidade, Jericó, a trinta e três quilômetros daquela capital, no vale do Rio Jordão.
A estrada era cheia de curvas. Nela havia muitos penhascos, em cujas grutas era comum se refugiarem os salteadores de estradas, que naquele tempo eram muitos e perigosos.
O pobre viajante foi assaltado pelos ladrões. Os salteadores usaram de muita maldade, pois, além de roubarem tudo o que o pobre homem trazia, ainda o espancaram com muita violência, deixando-o quase morto no caminho.
Logo depois do criminoso assalto, passou por aquele mesmo lugar um sacerdote do Templo de Salomão. Esse sacerdote vinha de Jerusalém, onde possivelmente terminara seus serviços religiosos, e se dirigia também para Jericô. Viu o pobre viajante caido na estrada, ferido, meio morto. Não se deteve, porém, para socorrê-lo. Não teve compaixão do pobre ferido, abandonado no chão da estrada. Apesar dos seus conhecimentos da Lei de Deus, era um homem de coração muito frio. Por isso, continuou sua viagem, descendo a montanha, indiferente aos sofrimentos do infeliz...
Instantes depois, passa também pelo mesmo lugar um levita. Os levitas eram auxiliares do culto religioso do Templo. Esse levita não procedeu melhor do que o sacerdote. Também conhecia a Lei de Deus, mas, na sua alma não havia bondade e ele fez o mesmo que o padre, seu chefe. Viu o ferido e passou de largo.
Uma terceira pessoa passa pelo mesmo lugar. Era um samaritano, que igualmente vinha de Jerusalém. Viu também o infeliz ferido da estrada, mas, não procedeu com: o sacerdote e o levita. O bom samaritano desceu do seu animal, aproximou-se do pobre judeu e se encheu de grande compaixão, quando o contemplou de perto, com as vestes rasgadas e sangrentas e o corpo ferido pelas pancadas que recebera.
Imediatamente, o bondoso samaritano retirou do seu saco de viagem duas pequenas vasilhas. Uma era de vinho, com ele desinfetou as feridas do pobre homem; outra, de azeite, com que lhe aliviou as dores.
Atou-lhe os ferimentos e levantou o desconhecido, colocando-o no seu animal. Em seguida, conduziu-o para uma estalagem próxima e cuidou dele como carinhoso enfermeiro, durante toda a noite.
Na manhã seguinte, tendo de continuar sua viagem, chamou o dono do pequeno hotel, entregou-lhe dois denários (*) e recomendou-lhe que cuidasse bem do pobre ferido:
— Tem cuidado com o pobre homem. Se gastares alguma coisa além deste dinheiro que te deixo, eu te pagarei tudo quando voltar.
*
Jesus contou esta parábola a um doutor da lei que Lhe havia perguntado:
— Mestre, que devo fazer para possuir a Vida Eterna?
Jesus lhe respondeu que era necessário amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todas as forças e de todo o entendimento; e também amar ao próximo como a si mesmo.
O doutor da lei, apesar de sua sabedoria, perguntou ao Divino Mestre quem é o próximo. Então, Jesus lhe contou a Parábola do Bom Samaritano. Terminada a história, o Senhor perguntou ao sábio judeu:
— Qual dos três (o sacerdote, o levita ou o samaritano) te parece que foi o próximo do pobre homem que caiu em poder dos ladrões?
— Foi o que usou de misericórdia para com ele —respondeu o doutor.
— Vai e faze o mesmo — disse-lhe o Divino Mestre.
*
Entendeu, filhinho, a Parábola do Bom Samaritano?
O doutor da lei queria saber quem ele deveria considerar seu próximo, a fim de amar esse mesmo próximo. Mas, Jesus lhe respondeu indiretamente àpergunta, com outra questão: “Quem foi o próximo do homem ferido?” Jesus indagou do doutor da lei quem soube ter amor no coração para o desconhecido padecente da estrada. E o doutor, que era um judeu (os judeus odiavam os samaritanos), confessou que foi o samaritano.
“Vai e faze o mesmo” — é a ordem eterna do Mestre. O nosso próximo, filhinho, é qualquer pessoa que esteja em nosso caminho; é qualquer alma necessitada de auxílio; é aquele que tem fome, que tem sede, que está desamparado, que está sofrendo na prisão ou no leito de dor...
Que você, meu filho, imite sempre o Bom Samaritano. Esteja sempre pronto para socorrer quem sofre, como o bondoso samaritano fez, sem qualquer indagação ao necessitado.
Que você faça o mesmo, como Jesus pediu. Nunca pergunte, nunca procure saber coisa alguma daquele que você pode e deve auxiliar. Não se interesse em saber se o pobre, se o doente, se o orfãozinho necessitado é espírita ou católico, se é judeu ou protestante, se é pessoa branca ou de cor. Não se interesse em saber quais as idéias que ele professa ou a política que ele acompanha. Não cultive no coraçãozinho os odiosos preconceitos de raça, de religião ou de cor. Que você olhe apenas as feridas de quem sofre, para pensá-las. Que você enxergue somente a dor do próximo, para aliviá-la.
Imite o Bom Samaritano, filhinho. É Jesus quem pede ao seu coraçãozinho: “Vá e faça o mesmo”, sempre, em toda parte, com quem quer que seja.
Este é o caminho da Vida Eterna, com Jesus.
(*) O denário era uma moeda romana, em curso na Palestina no tempo de Jesus.
4 de fevereiro de 2010
O OUTRO LADO DA FESTA
Os preparativos para a grande festa estão sendo providenciados há meses.
As escolas de samba preparam, ao longo do ano, as fantasias com que os integrantes irão desfilar nas largas avenidas, em meio às arquibancadas abarrotadas de espectadores.
Os foliões surgem de diversos pontos do planeta, trazendo na bagagem um sonho em comum: “cair na folia”.
Pessoas respeitáveis, cidadãos dignos, pessoas famosas, se permitem “sair do sério”, nesses dias de carnaval.
Trabalhadores anônimos, que andam as voltas com dificuldades financeiras o ano todo, gastam o que não têm para sentir o prazer efêmero de curtir dias de completa insanidade.
Malfeitores comuns se aproveitam da confusão para realizar crimes nefastos, confundidos com a massa humana que pula freneticamente.
Jovens e adultos se deixam cair nas armadilhas viscosas das drogas alucinantes.
Esse é o lado da festa que podemos observar deste lado da vida. Mas há outro lado dessa festa tão disputada: o lado espiritual.
Narram os Espíritos superiores que a realidade do carnaval, observada do além, é muito diferente e lamentavelmente mais triste. Multidões de Espíritos infelizes também invadem as avenidas num triste espetáculo de grandes proporções. Malfeitores das trevas se vinculam aos foliões pelos fios invisíveis do pensamento, em razão das preferências que trazem no mundo íntimo.
A sintonia, no Universo, como a gravitação, é lei da vida. Vive-se no lugar e com quem se deseja psiquicamente. Há um intercâmbio vibratório em todos e em tudo. E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências acalentados na intimidade do ser e não de acordo com a embalagem exterior.
E é graças a essa lei de afinidade que os espíritos das trevas se vinculam aos foliões descuidados, induzindo-os a orgias deprimentes e atitudes grotescas de lamentáveis conseqüências.
Espíritos infelizes se aproveitam da onda de loucura que toma conta das mentes, para concretizar vinganças cruéis planejadas há muito tempo.
Tramas macabras são arquitetadas no além túmulo e levadas a efeito nesses dias em que momo reina soberano sobre as criaturas que se permitem cair na folia.
Nem mesmo as crianças são poupadas ao triste espetáculo, quando esses foliões das sombras surgem para festejar momo.
Quantos crimes acontecem nesses dias...quantos acidentes, quanta loucura...
Enquanto nossos olhos percebem o brilho dos refletores e das lantejoulas nas avenidas iluminadas, a visão dos espíritos contempla o ambiente espiritual envolto em densas e escuras nuvens criadas pelas vibrações de baixo teor.
E as conseqüências desse grotesco espetáculo se fazem sentir por longo prazo. Nos abortos realizados alguns meses depois, fruto de envolvimentos levianos, nas separações de casais que já não se suportam mais depois das sensações vividas sob o calor da festa, no desespero de muitos, depois que cai a máscara...
Por todas essas razões vale a pena pensar se tudo isso é válido. Se vale a pena pagar o alto preço exigido por alguns dias de loucura.
Os noticiários estarão divulgando, durante e após o carnaval, a triste estatística de horrores, e esperamos que você não faça parte dela.
Você sabia?
Você sabia que muitas das fantasias de expressões grotescas são inspiradas pelos espíritos que vivem em regiões inferiores do além?
É mais comum do que se pensa, que os homens visitem esses sítios de desespero e loucura durante o sono do corpo físico, através do que chamamos sonho.
Enquanto o corpo repousa o espírito fica semiliberto e faz suas incursões no mundo espiritual, buscando sempre os seres com os quais se afina pelas vibrações que emite.
Assim, é importante que busquemos sintonizar com as esferas mais altas, onde vivem espíritos benfeitores que têm por objetivo nos ajudar a vencer a difícil jornada no corpo físico.
Equipe de redação do Momento Espírita, baseado nos capítulos 6 e 23 do livro “Nas Fronteiras da Loucura”, ed. Leal.
3 de fevereiro de 2010
O PORQUÊ DO ESPIRITISMO NO BRASIL
Quando se estruturava a programática da reencarnação do Missionário Allan Kardec, em Lyon, na França, como Embaixador do Cristo, para dar início à Era do Espírito Imortal, considerando-se as tarefas que ali desenvolvera, dezenove séculos atrás, na condição de sacerdote druida, tiveram em mente, os Instrutores da Humanidade, eleger Paris para tal advento, levando-se em conta o elenco dos obreiros da latinidade que o acompanhariam, antecipando-o e dando prosseguimento ao extraordinário acontecimento.
Graças às vivências anteriores, em que amadurecera as experiências relevantes e acurara a sabedoria, mártir, mais de uma vez, sacrificado em holocausto dos ideais humanistas, filosóficos e cristãos, Allan Kardec mergulharia na densa névoa carnal, após a França retirar dos ombros a hegemonia política dos Bourbons, quando as aspirações máximas da humanidade, que a revolução de 89 viera implantar, abrissem campo aos supremos anseios da felicidade.
Nenhuma país reunia condições, naquele momento histórico, que pudessem rivalizar com as ali conquistadas, e lugar algum, exceto Paris, dispunha dos requisitos culturais e tradições da inteligência para o tentame ímpar.
En douceur1, os gênios benfeitores do homem estabeleceram que a França, mais uma vez, hospedaria o Missionário, a fim de que dali partissem, pulcras e imbatíveis, as diretrizes para o pensamento em relação ao futuro.
Laboratório de idéias que fermentavam ante a força dos elementos em debate, estavam presentes, então, todos os recursos para a avaliação dos conceitos expostos, no momento em que a Ciência, libertando-se das algemas dogmáticas e dos preconceitos do magister dixit2, alicerçava os seus fundamentos na insuperável linguagem dos fatos testados nas experimentações incessantes.
Ao mesmo tempo, a Filosofia arrebentara os grilhões das escolas ancestrais e abria campo a novos cometimentos, aliando-se, no futuro, ao materialismo dialético, histórico e mecanicista, num afã de destruir o passado para edificar o futuro em bases inteiramente descomprometidas com quaisquer vinculações precedentes.
Nesse ínterim, a Religião, dividida em ortodoxias, rivais que se digladiavam reciprocamente, apresentava a paisagem desvitalizada do Cristianismo, numa Instituição formal e de superfície, que em nada recordava o Revolucionário do Amor, que libertara as consciências para um reino sem fronteiras, onde pudessem viger a fraternidade sem limite e a paz sem qualquer convulsão.
As idéias, em conseqüência, nesse campo de batalha, muitas vezes nasciam ao amanhecer, envelheciam ao meio-dia e morriam à noite, sepultadas, logo depois, nos jazigos do esquecimento.
"Melhor ser vaiado em Paris - afirmava-se, então - e no mundo inteiro ignorado, do que aplaudido em toda parte, mas, em Paris, desconhecido."
Não era jactância, nem presunção, e sim o retrato vivo de uma cidade que se sabia iluminada, de um povo ateniense que a habitava consciente das próprias conquistas. C'est tout dire3.
Ora, esperava-se que o impacto de uma ciência nova, de cujos alicerces ressumasse um conteúdo filosófico, no barátro das escolas de pensamento as mais proeminentes, deveria ser amortecido pelo choque decorrente do atrito com as demais áreas ideológicas, conforme havia sucedido antes e acontecia continuamente. Isto, porém, não se deu em relação ao Espiritismo.
Incontestado na sua origem - o fenômeno da imortalidade da alma, confirmado através da comunicação mediúnica -, porque todas as contradições que se levantaram careciam de estrutura experimental e as aguerridas acusações de que padecera resvalavam pela rampa do fanatismo, religioso ou do materialista sem os subsídios dos fatos, sobreviveu, adquirindo cidadania científica.
Concomitantemente, o seu contexto filosófico, remontando às mais antigas doutrinas do reencarnacionismo oriental, do pitagorismo e do idealismo grego, constitui a única forma cultural de compreender Deus e a origem da vida, o homem e as causas das aflições, o destino e a finalidade do ser na Terra...
Ao mesmo tempo, afirmando que Jesus é o "Ser mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para servir-lhe de Modelo e Guia"4, ressuscita a Sua Doutrina, em toda a sua grandeza moral, cujos princípios dividiram a História, trazendo as linhas mestras do comportamento ético-social do indivíduo em relação a Deus, a si próprio e ao seu próximo.
Resistindo a todas objurgatórias, assim como demonstrando-as falsas, o Espiritismo venceu os acanhados dom-quixotes das lutas inglórias e saiu dos arraiais sitiados onde parecia submetido, para ganhar as léguas do mundo...
Religião do amor, empreendia a batalha da transformação do mundo por meio da renovação e aprimoramento ético do homem, que se utiliza do progresso intelectual para adquirir o moral, definitivo, religando, em perfeita união, o Criador à Sua criatura.
Quando Allan Kardec desencarnou, a Doutrina permaneceu e firmou os seus pilotis no cerne da cultura adversa que, lentamente, o absorveu e aceitou, face ao desempenho dos seus adeptos e à fortaleza dos conceitos apresentados, que decorrem da demonstração experimental, resistente a quaisquer suspeitas e indisposições adredemente estabelecidas.
Entretanto, quando se organizavam os roteiros para o advento do Consolador na Terra, mediante a Doutrina Espírita, os abnegados e sábios Mentores da França foram informados de que ali se iniciaria o programa, que, todavia, se iria fixar, por algum tempo, em outro país, de onde se dilataria, abraçando todo o planeta ao largo dos séculos...
A alma francesa contribuiria com o tesouro cultural para os primórdios da "fé raciocinada", contudo, seria num continente jovem, num povo em formação, no qual se caldeavam raças e caracteres, que mais ampla e facilmente se desenvolveria, especialmente, levando-se em conta a falta de carmas coletivos naquela nacionalidade.
A França, onde renasceram os atenienses, estava assinalada por glórias e misérias, guerras externas e lutas intestinas que lhe não permitiriam, por enquanto, a dilatação dos ensinamentos cristãos nos enfoques da vivência moderna, demonstrando moralmente a grandeza do Espiritismo.
Desse modo, tão logo estivesse implantado o ideal espírita, seria trasladada a árvore evangélica, de cuja seiva a ciência se sustentaria para os arrojados cometimentos futuros e em cuja filosofia racional as criaturas se nutririam, adquirindo o vigor para as existências enobrecidas.
O Brasil, porque destituído de débitos coletivos mais graves, houvera sido escolhido para esse segundo período da realização e crescimento espiritista.
Sem comentar os acontecimentos de menor gravidade histórica, a escravatura negra e a guerra do Paraguai pesam-lhe na economia evolutiva.
A primeira, como herança dos colonizadores, que a Princesa Isabel encerrou, mediante a Lei Áurea, e a segunda, a nação, no futuro se reabilitaria, por meio de inestimável auxílio ao progresso do país irmão, que lhe fora vítima, após a provocação perpetrada pelo seu então ditador Rosas...
Convencionou-se, desse modo, que muitos franceses fossem transferidos, em Espírito, para as terras novas, a fim de receberem a Doutrina, oportunamente, quando para o Continente americano do sul fosse transportada.
Esse acordo precedeu ao renascimento de Allan Kardec, em Lyon, que anuíra de boa mente com o estabelecido.
Sem embargo, porque na psicosfera da nacionalidade francesa permanecessem dezenas de milhares de revolucionários frustrados, infelizes, vitimados pela arma de José Guillotin, que os ventres das mulheres aturdidas se negavam a receber em maternidade redentora, assim abortando em larga escala, foi concertado que o Brasil receberia esses Espíritos sofridos, de modo a auxiliá-los no processo da evolução, reparando as faltas e ajustando-se ás linhas do progresso intelecto-moral, ao mesmo tempo que contribuiriam para a fraternidade e a liberdade de consciência de que o Espiritismo se faz paradigma por excelência.
O método dialético e o cartesiano utilizados por Allan Kardec para estruturar a Codificação no cimento da lógica e do fato, exigem atenção e discernimento para de início serem penetrados.
Dessa forma, tão logo os reflexos doutrinários da Mensagem alcançaram as praias brasileiras da cultura, nos primórdios dos anos 60, do século XIX, a sintonia filosófica dos antigos revolucionários, dos lidadores da latinidade gaulesa, reencontrou o pensamento, de imediato adotando a sua ética e aceitando os seus postulados que, ao tempo que lhe falavam à mente arguta, sensibilizavam-nos, acalmando-lhes os sentimentos controvertidos e angustiados...
Não seja, pois, de estranhar-se a predestinação do Brasil para o labor espírita nem a sua aceitação ampla e profunda por todos os segmentos da sua sociedade desde o princípio, salvadas raras exceções.
Após a desencarnação de Allan Kardec, companheiros seus de lide e médiuns que cooperaram na realização da Obra colossal, retornaram ao corpo, na pátria brasileira, para darem continuação ao programa estabelecido com entranhada fidelidade aos postulados que exigem dedicação, renúncia até ao sacrifício, e fé estribada na razão.
Renasceram, portanto, em número expressivo, espíritas por segunda vez, alguns outros que conheceram a Doutrina antes do retorno ao corpo, a fim de promoverem a grande arrancada da divulgação e da realização doutrinária, capacitando-se a devolvê-la ao berço de origem e ao mundo, na mesma pureza e limpidez com que a herdaram do insigne Missionário.
Não que tudo transcorresse em clima de facilidade e mesmo de harmonia, porque onde se encontra o homem, aí se fazem presentes as suas paixões.
O trabalho se apresentava e prossegue gigantesco.
Faze derrubar velhas e arcaicas estruturas do comportamento ancestral, utilitarista e apaixonado, para dos escombros emergir uma nova mentalidade aberta à vida, que faculte espaços à solidariedade e ao amor, constitui um desafio dos mais expressivos. Ainda mais, se for examinado que muitos dos modernos trabalhadores da seara espírita são antigas personagens comprometidas com facções religiosas beligerantes, bem como partidos políticos exaltados, ora aprendendo disciplina e submissão, transferidas das posições relevantes para as de serviço, que o mergulho no corpo não pôde obnubilar completamente as anteriores impressões que lhes caracterizavam antes a conduta.
Penetrando no espírito do Espiritismo, ressumam, inevitavelmente, em todas as criaturas, as suas antigas predisposições, seja na área da informação científica, ou da filosófica, ou da religiosa. Todavia, na síntese perfeita em que se apresenta a Doutrina, como campo de harmonia desses três fundamentos do conhecimento humano, é que se expressa o conteúdo do Espiritismo que não pode nem deve ter dissociado nenhum dos seus membros.
Objetivando, porém, essencialmente, preparar o homem para a continuação da vida além do túmulo com todas as responsabilidades que lhe dizem respeito, é inevitável que a feição moral, rica de religiosidade, desperte-lhe os sentimentos superiores, plasmando-lhe a conduta evangélica, conseqüência natural da comprovação científica e da compreensão filosófica.
Outrossim, porque consoladora, alcança de imediato o ser perdido nos abismos do desespero, da angústia e da saudade, liberando-o dos tormentos, por atingir o âmago das questões que desencadeiam os sofrimentos e acenar-lhe com as esperanças felizes, mediante a ação do trabalho e a experiência auto-iluminativa da caridade.
Eis por que os litigantes de ontem, os delinqüentes do passado, que arrastam pelos séculos os caprichos e efeitos dos crimes, vieram reencontrar-se no pequeno burgo interiorano da comunidade brasileira, cenário novo para as lutas de redenção. Formavam no grupo dos que haviam sido transferidos, reencarnando-se ou não, para as plagas onde não tinham compromisso infelizes e poderiam com melhores probabilidades redimir-se, purificando-se no crisol das aflições que o encontra com o Espiritismo decantaria, na sucessão das experiências da evolução.
(Espírito de Victor Hugo - Divaldo Pereira Franco - Obra: Árdua Ascensão).
Notas do compilador: 1 - En douceur = devagar, sem pressa; 2 - Magister dixit = expressão dogmática com que os escolásticos da Idade Média ofereciam, como argumento sem réplica, a opinião do mestre (Aristóteles), como também diziam os discípulos de Pitágoras. Modernamente, diz-se de todo chefe de escola, doutrina ou partido; pode, também, ser dita a expressão ipso dixit (grego: Autos ephe); 3 - C'est tout dire = É quanto basta; 4 - "Jesus é o Ser mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para servir-lhe de Modelo e Guia" - resposta dos Espíritos Superiores à pergunta 625 de "O Livro dos Espíritos".
Obs. do compilador: Fatos importantes são esclarecidos por Victor Hugo neste artigo. Todos personagens proeminentes (revolucionários e filósofos) que criaram as condições para as mudanças nos séculos 18 e 19, foram antigos atenienses reencarnados. Ele também afirma que Allan Kardec em encarnações anteriores havia sido mártir e sacrificado em holocausto (Em outras informações de Espíritos sabemos que Kardec havia sido Jan Huss).
2 de fevereiro de 2010
A PÉTALA
Se a maldade te fere, cruel, não guardes a pretensão de removê-la imediatamente do caminho.A pregação inoportuna de virtudes, ainda potenciais, em tua alma poderia provocar nova desesperação contra ti.
Não te precipites.
Lança no espírito do teu irmão a pétala sutil da renuncia que sabe calar e espera...
Se a dureza do próximo te magoa,contundente, não admitas a possibilidade de desintegrar a tonelada de pedra, simplesmente ao preço de tuas palavras apresentadas em louvor às benções divinas que ainda não aclimatastes de todo no próprio espírito, porque a tua indignação mal conduzida talvez te multiplique os problemas inquietantes da estrada.
Não te revoltes.
Lança no entendimento do companheiro a pétala delicada do perdão e espera...
Se a maledicência te busca, perturbadora, não creias seja possível transformá-la em verbo santo, simplesmente porque te faças inopinado veiculo de protestos quase sempre inúteis de teu incipiente amor às coisas sagradas, porquanto, atua manifestação intempestiva provavelmente envenenará o pensamento do amigo em teu desfavor.
Não reproves.
Lança, na alma do teu interlocutor, a pétala da bondade oculta, numa frase pequenina de solidariedade verdadeiramente humana, e espera...
Não desejes construir, de uma vez, a fortaleza de tua santificação ou o castelo de tua felicidade.
Eleva-se a casa, tijolo a tijolo.
O século conhece a importância de cada dia.
Semeia as pétalas da fraternidade e da paz em teus minutos mais insignificantes e a vida te responderá, com a graça do tempo, coroando-te nos cimos do mundo, com a glória da sabedoria e do amor no teu próprio engrandecimento.
ESCREVAMOS COM LUZ
No livro da existência, cada dia é uma página em branco que confiarás ao tempo, gravada com os teus atos, palavras e pensamentos.
Faze da bondade o motivo central de tua movimentação diária, a fim de que a página sublime não se envileça.
As horas te convidam à escrituração divina.
Cada frase que imprimas no papel dos minutos falará por ti em milhares de seres.
O teu gesto de compreensão e carinho criará simpatia em teu favor em centenas de criaturas.
A tua palavra de estimulo e entendimento será o apoio abençoado de muitos.
O teu pensamento de auxilio a fraternidade constituirá o amparo de muita gente.
A árvore que plantas será refúgio de reconforto a quem passa.
A fonte que protege representará uma bênção para os viajores do caminho.
A casa que edificas revelar-se-á refúgio e consolo, hoje e amanhã.
O livro de nossa vida influi no destino da comunidade inteira.
Não adotes a perturbação ou a sombra como elementos de materialização de tuas atitudes e resoluções no curso das horas. A breve tempo, a treva dominaria as paginas de tua jornada e te perderias sem luz por tempo indeterminável.
Foge do labirinto.
Escreve com luz a historia viva de tua romagem pela Terra em caracteres claros e acessíveis, porque amanhã, quando a imortalidade exigir as contas de tua passagem pelo mundo, poderás apresentar-te como aluno aprovado pelo Mestre, à frente do Supremo Senhor.
JOSÉ DE CASTRO
1 de fevereiro de 2010
RECEITA PARA MELHORAR
Dez gramas de juízo na cabeça.
Serenidade na mente.
Equilíbrio dos raciocínios.
Elevação nos sentimentos.
Pureza nos olhos.
Vigilância nos ouvidos.
Lubrificante na cerviz.
Interruptor na língua.
Amor no coração.
Serviço útil e incessante nos braços.
Simplicidade no estômago.
Boa direção dos pés.
- Uso diário em temperatura de boa-vontade.
JOSÉ GROSSO
30 de janeiro de 2010
TRÊS ALMAS
Na antecâmara do Céu, três almas se reuniam, à espera do anjo da Passagem, que, por fim, veio atende-las no etéreo limiar.
Uma em veste branca, outra em traje dourado e a última em roupagem escura.
A primeira, ostentando nívea túnica, ataviada de linfas guirlandas, erguia a desassombrada cabeça e dizia sem palavras: - “quem mostrará maior pureza que a minha?”.
O mensageiro acolheu-a com bondade e abriu-lhe a porta de acesso; contudo, ao transpô-la, como que aturdida por invisíveis raios, a entidade recuou, exclamando:
- Não posso! Não posso!...
Disparando interrogações ao vigilante fiscal, explicou-se este, afetuoso:
- Realmente, envergas o manto lirial, mas o teu coração permanece pesado e escuro. A beleza de tua veste não representa virtude, porque te acovardaste ante a luta. Salvaste as aparências, à custa do suor alheio. Outros choraram e sofreram, para que te mantivesses na pureza externa. Volta ao mundo e santifica o vaso do sentimento.
Adiantou-se a segunda entidade, exibindo dourada coroa na fonte. De aspecto grave, na bela túnica jalde em que se envolvia, pensava: - “quem saberá mais do que eu?”
Do sagrado pórtico, no entanto, retrocedeu, com expressão de terror, e, fazendo perguntas ao anjo, dele ouviu novos esclarecimentos:
- Mostras a glória do saber, mas o teu coração jaz inerte e enregelado. Adquiriste a palma da ciência; todavia, como pudeste esquecer o labor dos que padecem pela exaltação do bem? Torna à casa dos homens e acorda para a compaixão, para o auxílio e para a caridade.
- Logo após, a terceira aproximou-se hesitante, atendendo ao chamado que o emissário do alto lhe dirigia.
Trazia a fronte humilhada e a vestidura coberta de lama e cinza. Abeirou-se, em lágrimas, do milagroso portal, exclamando consigo: - “Senhor, que será de mim?”
Em se colocando, porém, à frente das forças que fluíam da abertura, claridade radiosa se fez em torno dela e o que era barro e fuligem transformou-se em luz que parecia nascer-lhe do peito, no imo do coração transformado em sol.
A alma extática e venturosa partiu, demandando os resplandecentes cimos.
E, porque as duas almas incapazes da subida lhe dirigissem novas inquirições, o funcionário angélico esclareceu:
- Vimos agora um coração diligente na obra do amor universal. Aquele viajante, que ora se dirige para o Trono Eterno, veio até nós em condições que nos pareciam desfavoráveis; no entanto, a lama que lhe extravasava das mãos e dos pés, a nuvem de pó que lhe cobria o rosto e os braços, enegrecendo-lhe as vestes, eram os remanescentes da calúnia, da ironia, da maldade e da ingratidão que lhe foram atiradas na Terra por muitos e que ele suportou, com paciência, durante longo tempo, na obra da fraternidade entre as criaturas. As úlceras que se lhe abriram na alma ditosa, porém, transubstanciaram-se em pontos de sintonia com a luz celestial, que nele se inflamou, vigorosa e sublime, descortinando-lhe o caminho da imortalidade. Determina a justiça receba cada um de acordo com as suas obras.
E enquanto o obreiro aprovado se elevava, célere, no Infinito, a alma branca e a alma dourada volviam ao mundo de matéria espessa, a fim de diplomarem, convenientemente, no aprendizado divino do “fazer e servir”.
Livro “Falando à Terra” – Psicografia Francisco Candido Xavier – Espíritos Diversos
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