Os anjos não são mais do que homens evoluídos. São Espíritos humanos depurados, aperfeiçoados, que se desprenderam dos planos inferiores da criação e conseguiram desenvolver as suas potencialidades internas, a sua inteligência, a sua afetividade, a sua vontade, num plano extremamente superior, extremamente elevado.
7 de novembro de 2009
A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO
“Se existem mundos melhores do que este, por que vivemos aqui: Deus tem os seus privilegiados, que vivem em mundos melhores?”
O senhor está encarando o problema dentro de uma concepção estreitamente humana, que respeita, inclusive, o condicionamento social em que nós vivemos. Não. Deus não é um chefe político. Deus não é um administrador de empresas, que possa ter os seus privilegiados. Deus é a suprema inteligência do Universo, causa primária de todas as coisas. Ele é o Criador. Ele impulsiona na sua criação o desenvolvimento de todas as criaturas num mesmo e único sentido.
Nós todos temos de evoluir, de progredir. Mas se aqui estamos na Terra e outras criaturas habitam mundos superiores, é porque ainda não atingimos, na nossa evolução, a condição necessária para habitar esses mundos mais elevados. A vida é uma ascensão contínua. Bastaria isso para nos mostrar a sua grandeza e a grandeza do poder de Deus. Nós subimos, desde os planos inferiores da criação, através da evolução, e quando chegamos ao homem nós partimos para o mundo superior, o que no Espiritismo chamamos de angelitude, quer dizer, o plano dos anjos.
Os anjos não são mais do que homens evoluídos. São Espíritos humanos depurados, aperfeiçoados, que se desprenderam dos planos inferiores da criação e conseguiram desenvolver as suas potencialidades internas, a sua inteligência, a sua afetividade, a sua vontade, num plano extremamente superior, extremamente elevado.
Os anjos não são mais do que homens evoluídos. São Espíritos humanos depurados, aperfeiçoados, que se desprenderam dos planos inferiores da criação e conseguiram desenvolver as suas potencialidades internas, a sua inteligência, a sua afetividade, a sua vontade, num plano extremamente superior, extremamente elevado.
As religiões os chamam de anjos, mas para nós, espíritas, esses anjos são os Espíritos puros, que já desenvolveram os seus mais elevados sentimentos. Na proporção em que os Espíritos se elevam, eles passam a habitar mundos superiores. Mas ninguém está privado de habitar esses mundos. Todos caminhamos para lá.
**************
“Por que temos que renascer neste mundo? Não progrediremos melhor nos planos espirituais onde, segundo o Espiritismo, tudo é melhor?”
A evolução é um progresso contínuo. Nós temos que conceber o problema não apenas através da nossa concepção humana das coisas. Precisamos ir um pouco além. Precisamos compreender que estamos lidando com um processo universal, cósmico, e que todo o Cosmo está implicado nesse processo. Assim, quando estamos aqui na Terra, passando por uma evolução necessária, é porque o nosso Espírito, dotado de potências que ainda não foram desenvolvidas, precisa, na vida terrena, dos choques da vida material, do contato, ainda, com as condições dos reinos inferiores, de que ele partiu.
O senhor pode ler na Bíblia aquele trecho alegórico, bastante importante, que diz assim: “Deus fez o homem do barro e da terra”. Ora, esta expressão nos coloca diante de uma verdade que o Espiritismo comprova pela experiência. Deus tira o Espírito humano do princípio inteligente do Universo, que é um motivo de organização e de estruturação de todas as formas da matéria, desde o reino mineral até o reino hominal. Assim sendo, esse princípio inteligente tem potências que vão sendo desenvolvidas, através desses reinos. Portanto, se ainda estamos aqui na Terra é porque não estamos em condições, não poderíamos viver num mundo superior, onde nossa inteligência e nossa sensibilidade não estariam em condições de se relacionarem com as coisas circundantes.
Não teríamos sensibilidade para captarmos as sutilezas desse mundo, para percebermos as coisas que nele existem e para convivermos com os seus habitantes. É por isso que continuamos a nos preparar na Terra até que atinjamos a condição necessária para subirmos a mundos elevados.
J. Herculano Pires – No Limiar do Amanhã
4 de novembro de 2009
A PRECE
EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DE NASCIMENTO DE CARLOS PASTORINO
Luc. 18:1-8
1. Narrava-lhes então (Jesus) uma parábola, quanto a eles deverem orar sempre e jamais negligenciar,
2. dizendo: "Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens.
3. Também, naquela cidade, havia uma viúva que vinha a ele constantemente, dizendo: defende-me contra meu adversário.
4. E por muito tempo, não queria, mas depois disse em si mesmo: embora não tema a Deus nem respeite os homens,
5. como, porém, me cansa esta viúva, defendê-la-ei, para que me não venha molestar até o fim.
6. Disse, então, o senhor: ouvi o que diz esse juiz não-justo.
7. Deus, porém, não defenderá seus escolhidos que a ele clamam dia e noite, nem é misericordioso com eles?
8. Digo-vos que defenderá com rapidez. Mas ao vir, acaso o Filho do Homem achará fidelidade na Terra?"
O trecho aqui apresentado, dá-nos o resumo doutrinário que, depois, é esclarecido pela narrativa parabólica.
O verbo proseuchestai (composto de pros e éuchomai, "orar a alguém") tem o sujeito do infinitivo em acusativo (autoús) posposto ao verbo. O sentido é "orar", com a acepção de dirigir preces, oferecer-se à Divindade, pántote, sempre, o tempo todo, sem negligenciar, sem cessar (mê egkakein).
O juiz não-justo é-nos mostrado como não temente a Deus nem respeitador dos homens: fazia o que bem queria. A viúva vinha a ele constantemente (o verbo êrcheto está no imperfeito iterativo, que exprime ação repetida no passado). Ela pedia-lhe que a "defendesse": o sentido de ekdíkêson é "defendeme" ou "faze-me justiça", dando a entender que a justiça consistia em defendê-la do adversário que a prejudicava. Aqui "adversário" é simplesmente antídikos, ou seja, a "parte contrária" num processo.
Durante muito tempo o juiz resistiu às súplicas da viúva; mas viu-se tão acossado que resolveu atendê-la, para ficar livre das visitas constantes que o molestavam.
Durante muito tempo o juiz resistiu às súplicas da viúva; mas viu-se tão acossado que resolveu atendê-la, para ficar livre das visitas constantes que o molestavam.
E o Mestre chama a atenção dos discípulos para a conclusão do juiz: atender, embora não fosse justo, a um pedido insistente, e daí parte para a comparação com a prece.
A primeira vista, choca-nos essa comparação: também Deus só atenderá se a prece for longa e repetida, e com a finalidade de não ser "molestado" pelo crente, e não por bondade, misericórdia e justiça?
Não é esse, precisamente, o sentido de suas palavras: "Deus defenderá seus escolhidos que a Ele clamam dia e noite, pois é misericordioso com eles". A diferença nos tempos dos verbos (poiêsêi, aoristo; e makrothymeí, presente) exprime, o primeiro uma garantia do que há de ocorrer, e o segundo uma qualidade inerente à Força Divina; o verbo makrothymeí pode ser até transliterado: longânime. E essa defesa será rápida.
O último versículo, em sua segunda parte, parece nada ter com o contexto da parábola; "acaso, ao vir, o Filho do Homem achará fidelidade na Terra"? Os intérpretes colocam essa frase como uma restrição, já que é iniciada por plên ("contudo"): será que, no fim dos tempos, diante de tantos sofrimentos, osdiscípulos se manterão fiéis?
Analisemos.
ORAÇÃO - A oração não se limita a um petitório ininterrupto, nem Deus é uma "pessoa" (antropomorfismo) que resolva fazer ou não fazer" atender ou negar. Deus é a LEI" implacável e impessoal, que age inapelavelmente. Não é um "pedido" que fará mudar o curso dos acontecimentos: é a mudança de vibração da pessoa interessada que pode fazer mudar o fato que estava para acontecer.
Expliquemos.
"Antônio" está com uma dívida vencida, e o credor se dispõe a cobrá-la judicialmente. Se o devedor paga a dívida, o credor não mais o processará. Houve mudança de vibração por parte do devedor, mas o credor não modificou, seu modo de agir.
"Maria" está com a mão no lugar em que o lenhador vai bater o machado. A mão será decepada. Mas ao descer o machado, Maria retira rapidamente a mão, e o machado não a toca. Houve mudança de atitude de Maria, mas o lenhador prossegue impertérrito seu trabalho.
Um maquinista conduz velozmente seu trem. "João", parado na linha férrea vai ser atropelado. Mas, ao perceber o perigo, João pula para fora das trilhos e o trem passa deixando-o incólume. Houve modificação da posição de João, mas não do maquinista.
Esses três exemplos podem revelar-nos o que é a prece. Não adiantaria Maria pedir ao machado que desviasse seu curso; nem João pedir que o trem parasse de repente" ; nem ao devedor pedir ao credor que o não processasse.
Não é o PEDIR em si que obtém o "milagre": é a modificação de atitude e de vibração da criatura, que faz seja obtido o favor, e que propicia se faça sentir a Infinita Misericórdia da LEI, que só atinge os rebeldes incorrigíveis. Desde que a criatura se volte do lado favorável, a dor não na atinge.
Assim ocorre na prece contínua e incessante. Não é esse PEDIR que modifica a ação do Legislador, para que a LEI seja anulada ou falseada. Trata-se (psicologicamente pode provar-se isso) da modificação de atitude do pedinte: de tanto repetir, ele aos poucos transforma sua mente, adaptando-a ao novo fator que deseja seja introduzido em sua vida. E essa adaptação, embora inconsciente, decide a obtenção daquilo que ele deseja.
No entanto; essa mudança tem que ser real e objetiva. Como porém isso poderia ser interpretado mal, e muitos pretenderiam "fingir" que mudaram externamente, na expectativa do cumprimento de seu desejo, mas sem mudar intimamente, (e portanto sem fazer jus ao recebimento desejado), o Mestre, bom psicólogo, ensinou logo um método que não admite dúvidas: oração continua e incessante. A mudança virá automaticamente para os que estiverem “maduros". Para os imaturos, não virá a modificação mental; mas também não conseguirão uma prece continua e incessante. Ao contrário, ao se não verem atendidos logo, desistem e se revelam quais são: impacientes, revoltados, descrentes.
O exemplo da viúva satisfaz à condição requerida: jamais se impacienta, nem rebela, nem descrê, mas volta sistematicamente ao juiz, a pedir defesa de seus direitos.
O exemplo da viúva satisfaz à condição requerida: jamais se impacienta, nem rebela, nem descrê, mas volta sistematicamente ao juiz, a pedir defesa de seus direitos.
Tudo porque a LEI tem as mesmas características que o juiz não-justo: a LEI não teme a Deus (porque é o próprio Deus); nem atende em vista de títulos, nem de posições aos homens. Exatamente assim.
A LEI dá, quando a criatura entra em sintoma com ela para receber.
É a imagem do copo. A LEI derrama sua misericórdia (makrothymei, no presente, ação continuada e incessante) ininterruptamente, como um jorro d'água a cair permanentemente. Se lhe chegamos um copo emborcado, de boca para baixo (revoltado!), nada captamos. Mas se sob o jorro colocamos um copo de boca para cima (sintonizado, em "posição certa"), a água enche o copo: o pedido é atendido.
Como, então, não seriam atendidos os "escolhidos", aqueles que estão conforme a LEI? Serão atendidos, e rapidamente. Mas ... será que haverá fidelidade na Terra, fidelidade REAL e não apenas aparência externa, no momento em que o Filho do Homem chegar?
Não é pela posição social, nem pelo título pomposo de reis e sacerdotes, nem pela exterioridade de virtudes físicas corpóreas, que alguém fará jus ao recebimento de benefícios celestiais, mas pela sintonia interna do SER: "os errados e as prostitutas vos precederão (a vós, sacerdotes) no reino de Deus" (Mat 21:31).
A expressão: "que a Ele clamam dia e noite" exprime a oração permanente sem negligência. Os hermeneutas afirmam que a prece não pode ser contínua, pois há outros afazeres, mas sim reiterada. No entanto, não é esse o espírito da parábola. O que aí se diz é que devemos orar SEMPRE (pántote), sem jamais negligenciar ou cessar (mê egkakein). E isso porque a oração não é a fórmula recitada maquinalmente para pedir favores: trata-se de uma atitude espiritual do psiquismo, da sintonia do ser com o SER, jamais dele se desligando, onde quer que esteja, fazendo qualquer ato.
Orar é permanecer ligado à corrente, mesmo que não estejamos recitando fórmulas nem pronunciando palavras. É como permanecer ligado à corrente um rádio-receptor, embora não esteja transmitindo som, no momento. Jamais nos desliguemos da corrente, e nosso coração permanecerá alimentado pela eletricidade e pelo magnetismo divino a todo momento.
Carlos Pastorino
Sabedoria do Evangelho 6
3 de novembro de 2009
FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
Em dia com o Espiritismo – Educação e Instrução
Ambos os conceitos se relacionam, mas não significam a mesma coisa. Um é amplo, abrangente, outro é restritivo, específico. Educar é disponibilizar ao ser humano possibilidades ao seu pleno desenvolvimento físico, intelectual, psíquico, psicológico, moral, social, estético e ecológico. Instruir é transmitir/adquirir conhecimento, que pode ser realizado por meio do ensino, ainda que existam outras formas de instrução: observação, imitação, repetição, inspiração etc.
Enquanto a educação é entendida como processo e resultado, que jamais desconsidera a premissa de o homem se transformar em pessoa melhor, a instrução se limita à transferência e à assimilação de conhecimentos ou habilidades, direcionados para o aprendizado cognitivo e/ou formação de talentos. Dessa forma, a educação “consiste na arte de formar os caracteres”,1 como afirma Allan Kardec; já a instrução é mais útil ao exercício profissional. O emprego das duas palavras como sinônimo é equívoco comum que leva a outros, como confundir processo educativo com processo docente.
Ao analisar o assunto Emmanuel considera
[...] a necessidade imprescritível da educação para todos os seres. Lembremo-nos de que o Eterno Benfeitor, em sua lição verbal, fixou na forma imperativa a advertência a que nos referimos: “Brilhe vossa luz”. Isso quer dizer que o potencial de luz do nosso espírito deve fulgir em sua grandeza plena. E semelhante feito somente poderá ser atingido pela educação que nos propicie o justo burilamento. Mas a educação, com o cultivo da inteligência e com o aperfeiçoamento do campo íntimo, em exaltação de conhecimento e bondade, saber e virtude, não será conseguida tão-só à força de instrução, que se imponha de fora para dentro [...].2
Tais proposições destacam a importância de realizar reflexão mais aprofundada a respeito dos estudos regulares que ocorrem, usualmente, na Casa Espírita. A resposta a duas indagações simples, honestas e despretensiosas fornece boa avaliação: prioriza-se mais a forma de transmissão do conteúdo doutrinário (processo docente) do que a educação espírita, propriamente dita? O estudo espírita tem conduzido o estudante para querer se transformar em pessoa melhor?
É óbvio que a instrução espírita deva ser ensinada, sobretudo no que se refere aos ensinos da Codificação, e métodos para facilitar a aprendizagem devam ser utilizados como mero apoio didático. É certo que o estudo espírita deve ser priorizado nas instituições espíritas, principalmente porque na época atual os valores morais e éticos são pouco considerados, amplamente questionados pela sociedade hedonista. É imperioso considerar, contudo, que o espírita deve ser preparado para conhecer os postulados da Doutrina, mas, acima de tudo, ele precisa ser capaz de desenvolver e exemplificar características do homem de bem, no dia a dia da existência.
Atento ao assunto, Kardec escreveu em seu admirável livro Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública, em 1828, quando ainda se encontrava investido da personalidade professor Hippolyte Léon Denizard Rivail:
Todos falam da importância da educação, mas esta palavra é, para a maioria, de um significado excessivamente impreciso [...]. Em geral nós a vemos somente no sistema de estudos, e este equívoco é uma das principais causas do pouco progresso que ela obteve. [...] A educação é a arte de formar os homens, isto é, a arte de neles fazer surgir os germes das virtudes e reprimir os do vício; de desenvolver sua inteligência e dar-lhes a instrução adequada às suas necessidades [...]. Em uma palavra, o objetivo da educação consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais. [...]3
O tema educação versus instrução tem sido palco de férteis discussões e reforma do sistema educativo em diferentes nações. Neste sentido, o francês Jacques Delors apresentou em 1996, quando ocupava o cargo de presidente da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da Unesco, importante relatório denominado Educação, um tesouro a descobrir. Em razão do grande impacto provocado pelo Relatório Delors, como é conhecido, ele não deve ser ignorado pelo educador moderno. Neste documento são expostos e analisados os Quatro pilares da educação moderna que, como esclarece a confreira Sandra Borba, é:
[...] rico material para as reflexões tão necessárias em momentos tão graves como os que vivemos, em que se impõe a urgência de uma educação para todos, comprometida com o bem-estar sociomoral de todos os habitantes da Terra. Temas importantes são tratados de modo objetivo e em fácil linguagem, como um exercício de espalhar luz, semear ideias e relatar fatos capazes de fundamentar as propostas ali contidas, nos velhos ideais da igualdade e da solidariedade humanas. [...]4
Os Quatro Pilares da Educação Moderna são:5
1. Aprender a conhecer: visa menos aquisição de um repertório de saberes codificados e mais domínio dos próprios instrumentos do conhecimento, considerados meio e finalidade da vida humana.
2. Aprender a fazer: embora mais relacionado à questão da formação profissional, este pilar propõe que não basta ensinar alguém a realizar uma tarefa específica nem ser reduzida a simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras, mas que a aprendizagem deve evoluir, melhorando o homem como ser integral.
3. Aprender a conviver: este aprendizado representa, hoje, um dos maiores desafios da educação, quando se considera os conflitos e o extraordinário potencial de autodestruição, criados pela Humanidade, amplamente acelerados no século passado.
Implica em construir uma identidade própria e cultural, situar-se com os outros seres compartilhando experiências e desenvolvendo responsabilidades sociais. As experiências sociais nos facultam o acesso ao saber, ao fazer, ao viver em conjunto, ao crescer em todas as nossas potencialidades. [...]6
4. Aprender a ser: a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal e espiritualidade.
Sem qualquer sombra de dúvida é o mais importante entre todos os princípios. Ressalta a necessidade de superação das visões dualistas sobre o homem, das visões fragmentadas acerca da educação, fruto das limitações, dos preconceitos, das más paixões, da ignorância e do orgulho que lhe são próprios. Contempla a adoção da concepção integral do ser humano [...].7
O Relatório Delors não deve surpreender os espíritas esclarecidos, uma vez que o Espiritismo valoriza as conquistas da inteligência, indica a necessidade de uma prática profissional ética, mas, sobretudo, enfatiza a necessidade do desenvolvimento moral do ser humano, que, agora, está despertando o verdadeiro interesse dos educadores e adquirindo força para modificar processos e métodos educacionais, tendo em vista os desafios presentes no mundo.
Sem a educação moral, ou educação moral de superfície, dificilmente o indivíduo se transforma em pessoa de bem, condição que, necessariamente, deve ser enfatizada nos estudos doutrinários da Casa Espírita. Daí o Codificador analisar com a lucidez que lhe era própria:
[...] Quando se pensa na grande quantidade de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de admirar as consequências desastrosas que daí resultam? Quando essa arte [educação moral] for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar com menos dificuldade os dias ruins que não pode evitar. [...]8
Marta Antunes Moura
Reformador Novembro2009
Referências:
1KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. Edição Comemorativa do Sesquicentenário. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Comentário de Kardec à questão 685a.
2XAVIER, Francisco C. Pensamento e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 5, p. 27-28.
3RIVAIL, Hippolyte Léon Denizard. Plano proposto para a melhoria da educação pública. Trad. de Albertina Escudeiro Sêco. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2005. p. 11-12.
4PEREIRA, Sandra Maria Borba. Reflexões pedagógicas à luz do evangelho. Curitiba: Federação Espírita do Paraná, 2009. Cap. 2, p. 39.
5Disponível em: http://4pilares.net/textcont/delors-pilares.htm.
6PEREIRA, Sandra Maria Borba. Op. cit., p. 43.
7______.______. p. 44.
8KARDEC, Allan. Op. cit., comentário de Kardec à questão 685a.
2 de novembro de 2009
SAUDADE
Faze o silêncio e ora
Ninguém pode apagar
A chama da saudade.
Entretanto se choras,
Chora fazendo o bem.
A morte para a vida
É apenas mudança
A semente no solo
Mostra a ressurreição.
Todos estamos vivos
Na presença de Deus...
Emmanuel
Do livro Fonte de Paz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
1 de novembro de 2009
EURÍPEDES BARSANULFO
1880
1. 5. 1880 - Eurípedes Barsanulfo Em 1º de Maio de 1.880, nasceu em Sacramento, Minas Gerais, um exemplo de amor ao próximo, o Dr. Eurípedes Barsanulfo, cujo nome esta Fraternidade homenageia e sob cuja tutela se coloca. Dr. Eurípedes foi a personificação da caridade e da bondade.
1900
28. 8. 1900 - Adolfo conta um pouco como nasceu o Centro. “O Sinhô Mariano fundou o Espiritismo aqui em 28 de agosto de 1900 e Bezerra de Menezes falecera em 29 de abril do mesmo ano. Sinhô Mariano era um materialista, Eurípedes Barsanulfo era católico. Tio Sinhô começou ...Adolfo conta um pouco como nasceu o Centro. “O Sinhô Mariano fundou o Espiritismo aqui em 28 de agosto de 1900 e Bezerra de Menezes falecera em 29 de abril do mesmo ano. Sinhô Mariano era um materialista, Eurípedes Barsanulfo era católico. Tio Sinhô começou a descobrir coisas perdidas. Há muitas histórias desses fenômenos dele em livros e na voz do povo. Mostrar mais Mostrar menos
1904 1904 - Foi na sexta-feira da Paixão do ano de 1904 que Eurípedes Barsanulfo, acompanhado do amigo José Martins Borges, foi assistir a uma sessão espírita na fazenda Santa Maria, segundo narra Corina Novelino no livro “Eurípedes O Homem ea Missão". O primeiro contato ...Foi na sexta-feira da Paixão do ano de 1904 que Eurípedes Barsanulfo, acompanhado do amigo José Martins Borges, foi assistir a uma sessão espírita na fazenda Santa Maria, segundo narra Corina Novelino no livro “Eurípedes O Homem ea Missão". O primeiro contato com a doutrina foi através de seu tio, Sinhô Mariano, que fundou e dirigiu o Centro Espírita Fé e Amor, um dos mais antigos e conhecidos do povoado, lhe presenteou com o livro de León Denis "Depois da Morte". Mostrar mais Mostrar menos
1905 1905 - 1º Colégio Espírita do Brasil, fundado por Euripedes Barsanulfo em 1905, junto ao Colégio, hoje CENTRO ESPIRITA é possível visitar o Museu Corina Novelino, que abriga objetos de uso pessoal e documentos escritos de Euripedes Barsanulfo. Em uma de suas ...1º Colégio Espírita do Brasil, fundado por Euripedes Barsanulfo em 1905, junto ao Colégio, hoje CENTRO ESPIRITA é possível visitar o Museu Corina Novelino, que abriga objetos de uso pessoal e documentos escritos de Euripedes Barsanulfo. Em uma de suas dependências há o Café com Cultura um local agradável para um café da manhã ou tarde com várias opções de leituras espíritas. Localiza ão / Endereço: Localizado no cruzamento da Av. Visconde do Rio Branco com a Rua ... Mostrar mais Mostrar menos
1907 1907 - Uma intensa programação, entre os dias 28 de abril a 1º de Maio, marcou as comemorações do aniversário de nascimento do líder espírita, Eurípedes Barsanulfo, no ano do centenário do Colégio Allan Kardec, fundado por ele em 1907. Um dos pontos altos das ...Uma intensa programação, entre os dias 28 de abril a 1º de Maio, marcou as comemorações do aniversário de nascimento do líder espírita, Eurípedes Barsanulfo, no ano do centenário do Colégio Allan Kardec, fundado por ele em 1907. Um dos pontos altos das comemorações foi o encontro de familiares de Eurípedes, no colégio Allan Kardec, quando se reuniram, sob a coordenação de Alzira Bessa França Amui e Saulo Wilson, representantes de várias gerações, num momento de contar ´causos ... Mostrar mais Mostrar menos
1918
1. 11. 1918 - Eurípedes Barsanulfo passou muitos e muitos anos se dedicando ao próximo e ao bem comum, tarefa que só se encerrou com seu desencarne, ocorrido em 01 de novembro de 1918, vítima de uma epidemia de gripe que assolou o Brasil naquele ano.Ele foi vitorioso e precisou conter os entusiasmados espíritas, que desejavam carregá-lo em triunfo”, descreve Lauret Godoy em seu livro Maravilhosos Encontros com Eurípedes Barsanulfo. O fato só serviu para 99 reforçar ainda mais a posição da doutrina espírita eo trabalho educacional promovido pelo médium. Eurípedes Barsanulfo passou muitos e muitos anos se dedicando ao próximo e ao bem comum, tarefa que só se encerrou com seu desencarne, ocorrido em 01 de novembro de 1918 ... Mostrar mais Mostrar menos
1919 1919 - Maria Modesto Cravo recebeu, de Euripedes Barsanulfo, a sugestão da criação de um hospital espírita em Uberaba é em 1919, fundou, junto a um grande número de médiuns, o Ponto Bezerra de Menezes, que se tornaria a semente do hospital. Maria Modesto Cravo Antônio ...Maria Modesto Cravo recebeu, de Euripedes Barsanulfo, a sugestão da criação de um hospital espírita em Uberaba é em 1919, fundou, junto a um grande número de médiuns, o Ponto Bezerra de Menezes, que se tornaria a semente do hospital. Maria Modesto Cravo Antônio Lucena Foi discípula de Eurípedes Barsanulfo, “O Apóstolo de Sacramento”, e como tantas outras criaturas foi encaminhada ao trabalho de amparo e de regeneração, graças à sua mediunidade, realizando tarefas missionárias ... Mostrar mais Mostrar menos
1950
30. 4. 1950 - Boa Noite, que a Paz de Deus esteja com todos, hoje eu trago a Primeira mensagem transmitida à Francisco Cândido Xavier, em 30/04/1950, pelo espírito de Eurípedes Barsanulfo. Nesta mensagem este mensageiro de luz já nos anos de 50, escreve sobre nossas ...Boa Noite, que a Paz de Deus esteja com todos, hoje eu trago a Primeira mensagem transmitida à Francisco Cândido Xavier, em 30/04/1950, pelo espírito de Eurípedes Barsanulfo. Nesta mensagem este mensageiro de luz já nos anos de 50, escreve sobre nossas dificuldades terrenas, mas, prescreve o remédio para cura destas mazelas, que são: A Caridade, O Amor, ea Humildade. Mostrar mais Mostrar menos
1969
31. 7. 1969 - DECRETO Nº 64916, DE 31 DE JULHO DE 1969. Declara de Utilidade Publica a Associação Cristã Beneficente 'euripedes Barsanulfo' Com Sede em Santos, Estado de São Paulo. - DOU. Diario Oficial da União - vLex Brasil.
2009
16. 9. 2009 - Os filmes diretamente produzidos por nós são documentários biográficos de grandes nomes da Doutrina Espírita, como Chico Xavier, Eurípedes Barsanulfo e Divaldo Franco. Quanto aos outros filmes e documentários, o critério é que eles tenham temas espíritas ou sejam relacionados à ...
31 de outubro de 2009
INFLUÊNCIAS
Na questão de número 459 de O Livro dos Espíritos, os mentores que assistiam Allan Kardec nos fornecem a notícia de que os espíritos influem tanto em nossos atos e em nossos pensamentos que frequentemente são eles que nos dirigem. Portanto, todos nós na fase evolutiva em que nos situamos, estamos sujeitos a essa influenciação espiritual, muito mais do que podemos imaginar. O apóstolo Paulo dizia que: “temos a nos rodear uma grande nuvem de testemunhas” (Hb 12:1) Desde as culturas mais remotas, encontramos referências à influência exercida por seres invisíveis que ora nos ajudam, ora nos prejudicam.
Sabemos que esses invisíveis são espíritos que agem em conformidade com suas tendências e desejos.
Somos como ondas de rádio e sempre nos sintonizamos na freqüência que escolhemos. A lei da afinidade preponderá esta relação.
Normalmente esses seres participam de nossas experiências, tomam partido em nossas querelas, influem em nossas decisões, e os fazem pelos condutos de nossos pensamentos, convivendo conosco sem que o saibamos, já que muitas idéias, desejos e iniciativas são filhas de suas sugestões.
Temos, portanto, de vigiar incessantemente nossos atos e pensamentos, procurando sempre pautar nossas vidas em favor do bem e do amor aos nossos semelhantes.
Ao agirmos como cristãos estaremos nos precavendo dos dissabores das más companhias, resguardando assim nossa casa mental contra malfeitores e desocupados do além.
É comum, em nossas Casas Espíritas, inúmeras pessoas serem informadas de que seus problemas, dores e aflições estejam relacionados à presença desses inimigos invisíveis que sempre os assediam, buscando desforras na maioria das vezes, por situações pretéritas.
A morte física desses inimigos não nos alivia de suas vinganças e perseguições além túmulo. O provérbio; “morto o animal, morto o veneno” não é verdadeiro, nesses casos.
A chamada obsessão que nada mais é que o domínio exercido por estes espíritos sobre os homens se dá devido ao nosso descuido. Quando nos deixamos levar por suas más sugestões, abrindo nossa guarda por pensamentos e atitudes menos dignas, esses inimigos ocultos invadem nossa casa mental e nos atormenta incessantemente.
Quando estamos vazios de idéias superiores com auto-estima baixa e vazios de motivação existencial, esses inimigos aparecem sorrateiramente nos trazendo muita dor e sofrimento.
Certa feita, Chico Xavier preocupado com a nefasta influência destes verdadeiros “hóspedes” de nossa casa mental, perguntou ao espírito Emmanuel qual seria os melhores antídotos para nos precaver desse verdadeiro flagelo, e a resposta de Emmanuel foi conclusiva: “Trabalho, prece e renovação”. O trabalho é realmente de suma importância, pois com ele ocupamos nossa mente. A prece nos eleva e nos protege, e a renovação advém da mudança de rumos e atitudes que nos impulsionam rumo à nossa evolução.
Pratiquemos o bem! Façamos aos nossos semelhantes o que gostaríamos que ele nos fizessem e confiemos em Deus, colocando nossas vidas em suas mãos, conscientes de que Ele sempre nos confia o melhor.
30 de outubro de 2009
DOIS DE NOVEMBRO
"O dia de Finados” não tem origem em ensinamentos dos Espíritos. Derivou da festa católico – romana de 1º de novembro – "Dia de todos os Santos".
Quando da destruição dos templos pagãos, em Roma, um entre todos foi poupado, porque constituía obra –prima de arquitetura e riqueza. Construído por Marco Agripa, denominava-se – Panteão e nele, a 1º de novembro, era celebrada, pelos pagãos, com excessos, a "festa de todos os deuses". O Papa Bonifácio IV obteve-o, por doação do Imperador Focas e fê-lo purificar, recolhendo a ele os tesouros e despojos mortais das catacumbas dos cristãos e consagrou-o a Santa Maria dos Mártires. Nesse templo (que estivera fechado durante dois séculos) Gregório IV, em 835, instituiu em antítese, a "festa de todos os santos", em homenagem aos santos que não tinham culto em dia destacado no calendário, universalizada depois para todo o orbe católico. Mas, para que não ficassem esquecidos ante Deus os fiéis da Igreja e os pecadores, foi estabelecido que no dia seguinte, 2 de novembro, se fizessem no templo orações em intenção desses mortos.
Só em 998, dez séculos depois do Cristo, o Abade da Ordem dos Beneditinos, em Cluny, instituiu, em todos os mosteiros da Ordem, na França, a "comemoração dos mortos", o "dia de finados", nesse 2 de novembro, culto que a Santa Sé aplaudiu e oficializou para todo o Ocidente. Assim foi o mundo profano levado a cultuar os seus mortos (outrora enterrados nas igrejas e em "campo santo") num dia determinado, quiçá na ingênua, ilusória esperança de que os Espíritos desencarnados fruiriam venturas celestiais, recebendo, nas covas das necrópoles, as flores e as luzes das velas, que, não raro, exalam hipocrisia e iluminam as trevas das maldades e rancores de quem as acende. O tempo decerto conseguirá esculpir nos corações o ensinamento dos mestres da espiritualidade, fazendo com que as criaturas regressem à sincera e modesta maneira de encarar e reverenciar o nascimento e o decesso dos seres na face da Terra, práticas desvirtuadas pelas deturpações dos interessados e dos ignorantes. Os antigos tinham intuição ou ensinamentos bem mais aproximados do verdadeiro modo de interpretar o sentido da vida e da morte dos seres humanos.
Heródoto (o denominado – Pai da História) diz que, na Trácia remota (território cujas fronteiras estão hodiernamente diluídas numa das províncias da Turquia), o nascimento de uma criança reunia a família em torno do berço para, por entre lágrimas e tristeza, lamentar as provações a que viera o recém-nascido; enquanto que o falecimento de um ente querido era saudado jubilosamente, na antevisão de que o Espírito liberto iria fruir as venturas e galardões do Além.
O Espiritismo contemporâneo veio encontrar o automatismo dos costumes e estipulações seitistas, consuetudinárias, que obscurecem de algum modo o lídimo sentido espiritual da vida e da morte; mas, suavemente, sem contundir a sinceridade dos que ainda não evoluíram para a integral espiritualidade, irá encaminhando as Almas para a verdadeira comunhão com os chamados mortos.
Não está nos cemitérios o mundo dos Espíritos. Ali apenas podem permanecer transitoriamente os cegos desesperados, cujo passamento não os pôde desligar da matéria em decomposição. Fora dali, no indefinível templo do nosso coração é onde devemos orar pela paz e pelo esclarecimento dos Espíritos liberados do corpo. Mas, principalmente, pelos sofredores.
Os Espíritos de Luz, aqueles que misericordiosamente, ajudam os grilhetas da Terra, descem pela escada espiritual das nossas preces, dos nossos pensamentos de abnegada solidariedade com os chagados da alma, que gemem nos ergástulos da dor e do remorso, com os surdos e cegos, que ainda não ouviram, nem lobrigaram as harmonias iluminadas da Verdade que as "vozes do silêncio" entoam para glória de Deus e bênção dos arrependimentos. Em cada dia da existência, nas horas de recolhimento, oremos pelos tristes, pelos abandonados que, na desolada noite de sua provação, não conheceram amor, carinho, consolo, bálsamo para as suas dores de alma.
Deixemos os cemitérios onde se dissociam as moléculas da carcaça humana, e pensemos no Mundo do Alto, de onde tudo vem para a Terra e aonde sobem, de regresso, as refrações de todos os diferentes mundos dispersos no Infinito.
Espiritualizemos os estágios da existência terrena, mantendo o recôndito do nosso ser em ressonância com o mundo espiritual de amanhã, vivendo em harmonia com os imperativos naturais da matéria, conservando, porém, o Espírito alertado para a devida obediência às leis que regem, nas trajetórias das vidas sucessivas.
Ante a morte do corpo, não nos impressionemos com o fogo-fátuo, que é luz da matéria e que não pode ficar dentro da cova; busquemos o santelmo, Luz do Alto, que se acende no cimo dos mastaréus, na vastidão dos mares, com as fosforescências que têm contato nas rutilâncias das claridades celestiais.
Não façamos treva onde a vida se ilumina; não choremos ante o corpo inerte, porque o Espírito se está movendo no júbilo da libertação. Os espíritas não podem esquecer o simbólico ensinamento do Mestre: "...deixai que os mortos enterrem seus mortos" (Mateus, 8:22).
A comemoração que, rotineiramente, se celebra, a dois de novembro, deve ser substituída pela permanente comemoração dos - vivos verdadeiros- porque a noite da morte do corpo é a alvorada esplêndida do Espírito, despido da negra libré do cárcere, imergindo nas suaves, eternas claridades da aurora redentora...
28 de outubro de 2009
PRECIOSAS ADVERTÊNCIAS
A coragem de dizer as coisas como devem elas ser ditas, com a responsabilidade de sua posição na hierarquia do mundo, deve ser contabilizada a favor dos que a demonstram.
Entendemos seja este o caso. Folheávamos o "Jornal do Brasil" e lá fomos encontrar o extrato de uma conferência proferida em um estabelecimento de estudo humanístico do Colorado, EE.UU, por sua Majestade, a Imperatriz Farah Pahlevi, do Irã. Do texto em português recordamo-nos de alguns trechos que darão idéia precisa de sua mensagem. Assim:
"A raça humana, hoje, está à mercê dos efeitos desconhecidos das suas próprias invenções - invenções que são cegas às suas próprias conseqüências e quanto aos meios de retificá-las."
Refere-se ela ao "abismo que tende a separar cada vez mais o mundo tecnológico da herança espiritual da civilização”. Diz que "pela enorme acumulação de conhecimentos da nossa época, surgem blocos isolados de conhecimento especializado que permanecem muitas vezes impenetráveis entre si."
Longe de condenar a ciência e a tecnologia, de pregar um retorno ao "estado de natureza", aceita ela o desafio da esfinge moderna e por isso prega:
"O problema que está diante de nós é o de reconciliar o computador com as exigências de uma espiritualidade em que se baseia a própria substância da vida humana."
A visão segura da nobre autora se justifica como uma advertência ao mundo inteiro, mais ainda aos que têm as graves responsabilidades da Cátedra, da condução dos jovens pelo caminho brilhante da ciência. A ciência materialista, atéia, do interesse imediatista, do homem-número, do homem-máquina, que pretendeu que Deus houvesse morrido, que espera achar o Espírito como produto químico ou biológico das células, essa esquece as exigências de uma espiritualidade em que se baseia a própria substância da vida humana.
Enquanto o homem devassa a antimatéria, descobre o corpo bio-plástico, dividido por Kardec em suas Obras Básicas, enquanto a eletrônica se especializa para receber as mensagens de uma outra forma de Vida, o mundo se angustia nos abismos de uma técnica avançada que mecaniza tudo mas não resolve, que polui os ares e os mares, as mentes e o soma ...e que já não divisa os rumos a tomar.
Que os jovens universitários de hoje se voltem, à vista de tão graves advertências, às causas do Espírito, que não são incompatíveis, que não lhes depreciam a cultura, que nada têm de crendices baratas, que não poderão comprometer-lhes as bases científicas do aprendizado, porque também a, ciência é divina em seu esforço criativo em prol do conhecimento e do bem-estar da Humanidade.
Cremos que a misericórdia de Deus virá, que o homem atônito reencontrará o caminho, e a prova de que algo se faz nesse sentido é à repercussão que está tendo a palavra conscienciosa que partiu de uma, criatura profundamente humana, elevada à alta dignidade do Trono de um pais de tradição milenar, que pode sentir a cultura dos povos através dos tempos e que vai dizer isso de um outro lado do mundo, onde domina a técnica.
Preservemos os valores espirituais da Humanidade - seria em suma o seu apelo.
Nós, espíritas, estamos sentindo isso há bastante tempo e estamos dando para tanto o nosso concurso através dos esclarecimentos que constituem a essência do ensinamento doutrinário.
A responsabilidade da Cátedra na Educação materialista que vem constituindo o requinte da moda, essa será ajustada em termos da própria Lei de Causa e Efeito. Aqui nos basta citá-la.
Imagine-se agora se nos decidíssemos a extinguir o movimento jovem no seio da Doutrina, deixando os nossos filhos sem a motivação necessária e entregues à avalancha do materialismo ministrado clara ou sutilmente nas Escolas Superiores, onde tantas vezes é vergonhoso falar nos valores positivos do espírito eterno. Essa responsabilidade cresceria na proporção de nossa incúria.
Valham-nos tão preciosas advertências. Ouçamos a Imperatriz.
Revista Internacional de Espiritismo – Janeiro de 1976
26 de outubro de 2009
O PARALÍTICO DA PISCINA
“Havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Ora, em Jerusalém, junto à porta das ovelhas, há um tanque, que em hebraico se chama Betsaida, o qual tem cinco alpendres. Nestes jazia um grande número de enfermos, cegos, coxos, paralíticos, esperando que se movesse a água. Porque descia um anjo em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que entrava no tanque, depois de se mover a água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. Achava-se ali um homem, que havia trinta e oito anos estava enfermo. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim desde muito tempo, perguntou-lhe: Queres ficar são? Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água for movida; mas enquanto eu vou, outro desce antes de mim. Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. Imediatamente o homem ficou são, tomou o seu leito e começou a andar. Era sábado aquele dia, pelo que disseram os Judeus ao que havia sido curado: Hoje é sábado, e não é lícito levar o teu leito. Ele respondeu: Aquele que me curou, esse mesmo me disse: Toma o teu leito e anda. Eles lhe perguntaram: quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? Mas o que havia sido curado, não sabia quem era, porque Jesus se tinha retirado, por haver muita gente naquele lugar. Depois Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Olha, já estás são; não peques mais; para que te não suceda coisa pior. O homem foi dizer aos judeus que Jesus era quem o havia curado. Por isso os judeus perseguiram a Jesus, porque fazia estas coisas nos sábados. Mas Jesus disse-lhes: Meu Pai não cessa de agir até agora e eu também; por isso, pois, os judeus procuravam com maior ânsia tirar-lhe a vida, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.”
(João, V, 1-18.)
O progresso humano tem como base a Revelação. Ela a luz que em todos os tempos tem iluminado as gerações para que conheçam os esplendores divinos.
Sem Revelação não há Ciência, nem Arte; não há Filosofia, nem Religião.
Na infância do Espírito, a Revelação é como um véu que deixa passar unicamente uma certa porção de luz, para que não se lhe ofusque o entendimento; mas, à medida que o Espírito evolui; à proporção que a inteligência se desenvolve, o sentimento se aperfeiçoa e o Espírito cresce em conhecimentos, a Revelação lhe abre horizontes novos, auxiliando sua ascensão para a posse da liberdade total no seio dos espaços infinitos.
Se consultarmos a História da Ciência, veremos que os novos inventos e as novas descobertas são oriundos da revelação pessoal, cujo executor, Espírito missionário que aqui veio para tal fim, não é mais que um emissário do invisível que, no momento da realização de sua tarefa, é cercado dos Mensageiros da Imortalidade para o bom cumprimento da tarefa que veio desempenhar.
A navegação marítima e aérea; a locomoção terrestre pelo vapor e pela eletricidade, aí estão como provas do que dizemos, do progresso que nos anima bafejado pelo calor intenso da Revelação.
A Arte de hoje está mais aperfeiçoada que a de ontem.
Novos instrumentos têm facultado aos homens trabalho que ontem lhes seria impossível executar.
O mesmo se vê na Filosofia e na Religião. Segundo a Lei Mosaica e o atraso daquela época, Deus vingava a iniqüidade dos pais nos filhos até a 3a geração”.
Por essa ocasião proclamava-se a lapidação de adúlteras na praça pública e prevalecia a lei da resistência: “dente por dente, olho por olho”.
Depois, com a evolução religiosa, os profetas, sob o influxo da Revelação, ou seja, da comunicação dos Espíritos encarregados do progresso humano, projetaram mais intensamente a sua luz, até a recepção do Cristianismo, doutrina excelente que não se pode comparar ao Mosaísmo.
Daí a distinção da Velha e da Nova Dispensação: Antigo e Novo Testamento.
A Nova Dispensação marca uma nova era no mundo; pois, abolidos os artigos e parágrafos do Código Antigo, que lesavam a Lei do Perdão e da Caridade e proclamados estes Preceitos como único meio de salvação, deu-se Deus a conhecer na magnitude de seu amor, confirmando o que dissera pela boca do profeta: “Não quero a morte do ímpio, mas sim que o ímpio se converta e se salve.” (Ezequiel, XVIII, 23.)
Na escala evolutiva dos conhecimentos religiosos, como em todas as manifestações do pensamento, a evolução, seja no terreno material ou no plano espiritual, não faz transições bruscas. Com muita razão disse o filósofo: Natura non facit saltus, “A Natureza não dá saltos”.
A leitura da História Religiosa vem em apoio desta afirmação.
Na junção do Mosaísmo com o Cristianismo aparece a figura majestosa de João Batista, o maior dos Profetas, ora com o machado em punho a cortar pelas raízes as árvores estéreis, ora de pá, charrua e picareta, derrubando outeiros, arrasando montes, nivelando vales, de modo a aplainar veredas novas ao intelecto humano, onde a semente do Cristianismo deveria germinar, brotar, crescer, florescer e frutificar!
Entrelaçando num mesmo elo as verdades religiosas proclamadas na Antiga Lei com as erigidas pela Nova Lei, o Profeta separa e exclui, como quem separa o joio do trigo, as idéias nocivas ao desenvolvimento humano, para que possam prevalecer as verdades promissoras que o Cristo gravou nos corações dos que querem seguir seus passos amorosos.
Em torno dessas verdades se reuniram os humildes, os sedentos de justiça, os famintos de verdades novas, os sofredores vencidos ao peso do mundo, os aflitos a quem as trevas oprimiam a razão, os perseguidos por amor à Justiça, todos os que, extasiados ante a grande figura do Profeta, tomaram novas veredas, que deveriam conduzi-los a Jesus.
E foi para estes que o Mestre prometeu o galardão nos Céus; foi para estes que reservou as bem-aventuranças, inclusive a graça de serem chamados filhos de Deus, e de verem a Deus.
Enfim surgiu o Cristianismo, que apresenta uma concepção de moral inexcedível, embora no sentido filosófico e científico (pois o Cristianismo é Filosofia, Ciência e Religião). Mas o Cristo não disse tudo, dado o atraso do povo de então. Foi o que deu motivo à Terceira Revelação, a mais extraordinária e pujante manifestação da Vida na Eternidade.
A Humanidade não para a sua marcha e quando parece deter-se por um instante, as águas se agitam ao influxo dos anjos e os coxos continuam a caminhar em busca da perfeição!
Existia em Jerusalém uma fonte que o povo considerava milagrosa; segundo acreditavam, periodicamente descia àquelas paragens um anjo, que movimentava as águas: o enfermo que se achasse no tanque no momento em que se movia a água, de lá saía completamente são.
Como é natural, uma romaria de estropiados procurava na água de Betsaida a cura para seus males.
Dentre um número avultado de coxos, cegos e paralíticos, que lá se achavam à espera que a água se moves-se, estava um homem que havia 38 anos ficara paralítico.
Jesus, cujos olhares perscrutadores desciam aos foros mais recônditos da consciência humana, tomado de compaixão pelo mais enfermo de todos os doentes e o mais desprotegido que lá estava, e para dar um ensinamento que deveria repercutir através das gerações, sem aguardar a agitação das águas, ele próprio, revestido do poder que lhe vinha de Deus, deliberou curar o paralítico, cujos 38 anos haviam sido de martírio e, portanto, de reparação dos pecados que havia cometido. E com um gesto de generosidade se dirige ao enfermo e lhe diz: “Queres ficar são?”
O doente, com sua crença infantil e sem conhecer aquele que consigo falava, lhe responde: “Senhor! Não tenho quem me ponha no tanque quando a água se mover.”
Disse-lhe então Jesus: “Levanta-te, toma o teu leito e anda.” E imediatamente, ao influxo da Divina Palavra, a paralisia desapareceu; os membros desataram-se-lhe e o homem ficou são!
São muitos os ensinamentos que colhemos deste episódio. No primeiro realça o fato físico da cura, que ultrapassa todo o entendimento humano; no segundo, o ensino moral que a Nova Revelação salienta e explica, tal como nenhuma outra filosofia é capaz de fazer.
A poderosa ação de Jesus, cuja autoridade sobre os Espíritos maléficos era extraordinária, aliada à manipulação dos fluidos atmosféricos convertidos em substância medicamentosa, explica a cura do enfermo há tantos anos paralítico.
A Fluidoterapia já representa hoje um papel de destaque na Medicina e os próprios médicos não desconhecem o seu valor, embora lhe dêem nomes novos, como sugestão, hipnotismo, etc. Esse método de curar foi usado pelos apóstolos e discípulos de Jesus, e os médiuns-curadores dele se utilizam, atualmente, com grande proveito.
O Espiritismo, revelando à Humanidade onde haurir as forças e consolações nas vicissitudes da vida, ensina que podemos perfeitamente, por intermédio dos mensageiros de Deus, conseguir a cura de nossos males.
Não há milagres nesta ordem de fatos, mas simplesmente fenômenos de uma natureza toda espiritual, que os inscientes não podem compreender por não se dedicarem ao estudo de suas leis e à investigação de sua origem.
Encarado pelo lado científico, o fato aí está, tal como narra o Evangelho, e em Ciência não é costume admitir-se unicamente palavras; exigem-se fatos, e fatos que se possam verificar, como aconteceu ao do paralítico da piscina, o qual não passou despercebido aos sacerdotes do tempo de Jesus.
Encarando a narração do Evangelho pelo lado moral, perguntamos a nós mesmos: por que só um enfermo mereceu a graça de cura sem a agitação das águas, enquanto os outros permaneceram esperando o momento azado para entrar no tanque?
É que, sem dúvida, todos os que ali estavam, como acontece ainda hoje com a maioria dos enfermos que buscam as curas espíritas, buscavam unicamente a cura do corpo, a cura dos males físicos, enquanto que o paralítico provavelmente não só desejava a liberdade do corpo, como também a do Espírito.
A “água movida” poderia restabelecer o físico, mas, como matéria que é, não atingia a alma. É o que acontece às águas de várias fontes, mesmo do nosso país — Caldas, Lindóia, Caxambu, Cambuquira.
As nossas águas termais curam também os que têm dinheiro e que delas se abeiram em estações. Os que não o têm, ficam ao redor das piscinas sem terem quem os ponha nos tanques, ao moverem-se as águas, mas, muitas vezes, recebem do Alto a virtude que os liberta dos males. E assim como a água do Poço de Jacó não saciava e nunca saciou completamente a sede da samaritana, a água da piscina, a seu turno, não podia também curar completamente os enfermos; era uma cura aparente, exterior, que deixava os enfermos, sujeitos a moléstias ainda mais graves.
Mas o ponto principal do trecho evangélico é que, sem entrar na piscina, o paralítico havia 38 anos, ficou são.
Mas qual o motivo, já perguntamos, por que Jesus limitou a cura a um, quando tantos se achavam em redor da piscina? Seria porque Jesus não poderia ou não quereria curar os outros?
É, talvez, porque só o paralítico, pela sua crença estivesse apto a receber a cura, e os outros, não. É, com certeza, porque os outros não acreditavam que Jesus pudesse curá-los, e tivessem mais fé na água da piscina do que no Mestre; preferiam a água material à espiritual!
Pode ser ainda porque os demais, em grande atraso espiritual e moral, rejeitaram as exortações do Mestre, pois não era costume ir Jesus curando cegamente sem anunciar aos enfermos a Palavra da Vida.
Parece não haver dúvida sobre esta hipótese da exortação. As palavras do Mestre, ao encontrar-se ele com o paralítico no templo — “Olha, não peques mais para que te não suceda coisa pior”, dão indício de que houve, por ocasião da cura, exposição doutrinária que enunciou o motivo da moléstia.
Ocorrendo a cura do paralítico num sábado, os Judeus, que eram fiéis observadores dos dias, das horas, das práticas exteriores e ritos de sua Igreja, revoltaram-se contra Jesus por haver “violado o sábado”, e quiseram impedir o “curado” de levar sua cama. Mas os recém-sarado, sem obedecer ordens subalternas, limitou-se a responder: “Aquele que me curou, disse — Toma o teu leito e caminha.”
“Ele me disse que caminhasse, eu não posso deixar de ouvir sua palavra para ouvir a vossa, que nunca teve poder de me curar, nem mesmo de me colocar no tanque quando a água se movia.”
Voltando à recomendação de Jesus — “Olha, não peques mais para que não te aconteça coisa pior”, parece querer o Mestre dizer ao paciente, como nos íamos referindo, que aquela enfermidade tinha por causa o pecado que ele cometera.
Cessada que foi a ação do pecado, sob a palavra de Jesus, cessou imediatamente a moléstia, sendo restituída a liberdade ao doente.
Cessada que foi a ação do pecado, sob a palavra de Jesus, cessou imediatamente a moléstia, sendo restituída a liberdade ao doente.
Mas os judeus eram cegos de Espírito, não viam o que Jesus lhes mostrava; como acontece com a maioria da Humanidade atual, ainda semelhante a um rebanho de ovelhas cegas guiado por cegos, os judeus, em vez de aprenderem a lição que lhes era oferecida, deliberaram perseguir a Jesus, sob o pretexto de que ele curara num sábado!
Então o Mestre dirige-se animosamente a eles e diz-lhes: “O meu pai não cessa de agir”, quer dizer: “O que está descrito na vossa Lei, que Deus descansou no 7o dia, após a criação do mundo, não é verdade, porque Deus, o meu Pai, trabalha sem cessar, e eu também trabalho sempre.”
E assim, prodigalizando a todos os momentos de sua vida na Terra, lições substanciosas e edificantes aos que dele se acercavam, Jesus estabeleceu o amor a Deus e a Caridade, princípios básicos da Religião que devemos abraçar.
17 de outubro de 2009
COMPORTAMENTO AGRESSIVO NA INFÂNCIA
A AGRESSIVIDADE DAS CRIANÇAS PODE SER REFLEXO DE OUTRAS ENCARNAÇÕES?
QUAL 0 PAPEL DOS PAIS E DOS EVANGELIZADORES NA EDUCAÇÃO DELAS?
Sandra SaIIes
Entrevista realizada no canal IRC #Espiritismo
Como nos orienta a doutrina espírita, somos espíritos em evolução, trazendo conosco as conquistas e as dificuldades acumuladas em vidas passadas. Na infância, o espírito se mostra com uma inocência aparente, porém, suas tendências, inclusive agressivas, vão se acentuando com o passar da idade.
Corno pais e educadores, nosso papel é tentar auxiliar a criança em seu processo de auto educação, usando os impulsos agressivos no sentido construtivo, isto é, da luta e da coragem, não da destruição, visando um progresso moral.
Sabemos que o comportamento agressivo é extrema¬mente complexo e tentamos aqui apenas iniciar alguma compreensão. Devemos ter o cuidado de não fazermos nenhuma avaliação apressada, pois existem doenças que podem favorecer ou manifestar atitudes hostis. De qualquer forma, lembramos que a agressividade reflete sempre um pedido de socorro, atenção ou ajuda e, enquanto espíritas, nosso compromisso e de não estimulá-la e não permitir que ela nos contagie, pois o melhor combate e aquele que usa o amor, capaz de frustrar e ate neutralizar qualquer atitude hostil.
Normalmente, uma criança com comportamento agressivo é colocada como indesejável por muitos evangelizadores. Qual a postura ideal neste caso?
Sandra Salles — Tal comportamento é um pedido de socorro. Ao pesquisar as motivações da criança, o evangelizador deve se propor, neste momento em que lembramos de Jesus, que não são os sãos, mas os doentes que precisam de remédio. 0 ideal é não rotular a criança de forma alguma e percebê-la como alguém com maior necessidade de atenção, aceitação e empatia. Além disso, sabemos que os modelos positivos tem muito mais persuasão do que qualquer medida de recriminação ou punição.
Como ajudar os pais que pensam que freqüentar um centro espírita modificará o comportamento dos filhos?
Sandra SaIIes — Envolvendo-os e orientando-os nas reuniões de pais, que tem apresentado excelentes resultados, pois possibilitam a troca de experiências e, muitas vezes, mudanças radicais.
A agressividade pode esconder uma carência emocional da criança, como, por exemplo, necessidade de afeição, de toque e de calor humano? Como dar esse carinho que a criança necessita se, ao buscá-lo, ela mesma dificulta com a atitude agressiva?
Sandra SaIIes — Dentro do possível, devemos tentar mostrar urna certa indiferença com o comportamento agressivo em si e transmitir o que temos de melhor, como doçura, aceitação e compreensão, ate ganharmos a confiança da criança e, conseqüentemente, a permissão dela para uma aproximação mais efetiva, tanto física como emocional. Conheci urna criança que chegou a escola de evangelho cumprimentando a todos com pontapés e tal conduta desapareceu quando se mostrou à criança que poderia ser aceita com carinho independentemente de sua atitude, que, na verdade, era reprodução do tratamento recebido em casa. Entretanto, aprendendo manifestações mais “simpáticas” com outras crianças, como abraçar e dizer “Oi”, Seu comportamento se modificou. Ao mesmo tempo, solicitou-se a criança que não machucasse ninguém, da mesma forma que jamais seria machucada.
O comportamento agressivo sempre está relacionado com as vidas passadas?
Sandra SaIIes — Sim, tendo em vista que somos espíritos e nada do nosso passado é descartado, mas não como uma relação determinista, pois o meio pode exercer uma influência muito importante na manifestação ou não da agressividade. No entanto, é o espírito, com o livre arbítrio, que fará suas escolhas, ainda que, na infância, elas sejam volúveis em função da fase. É neste sentido que não devemos descuidar da evangelização infantil
Às vezes, nos centros espíritas, vemos crianças agressivas com o próprio Espiritismo, não sendo, entretanto, agressivas com pessoas em seu trato pessoal. Como lidar com esses casos na evangelização infantil?
Sandra SaIIes — Algumas crianças vão obrigadas para a evangelização e, por isso, mostram-se resistentes. Acre¬ditamos que seja importante insistir com elas para que participem, mas devemos escutá-las para entender melhor tanta negativa, pois, normalmente, as atividades de evangelização são muito agradáveis e bem aceitas. Às vezes, isto reflete um desejo de contrariar os pais, daí a importância de tentarmos cativar a criança de tal maneira que ela goste do trabalho e esqueça de seus “conflitos particulares”.
Na educação de uma criança, principalmente a com comportamento agressivo, é importante que ela freqüente um centro espírita para tentar conduzi-Ia de forma correta sob as leis morais de Cristo. Mas se ela impõe uma resistência, devemos insistir ou desistir?
Sandra Salies — Devemos insistir, assim como insistimos para outras atividades também importantes, como a es¬cola. Porém, tal insistência deve se revestir do estímulos agradáveis e conversas que visem esclarecer a criança do quanto tal participação será importante para ela, ainda que hoje não consiga avaliar. Bezerra do Menezes afirma que este é o cuidado que não deve falhar, reforçando a orientação da doutrina de que a paternidade é uma missão e que devemos fazer tudo o que jul¬gamos benéfico para os nossos filhos.
Como um evangelizador deve proceder quando uma criança é violenta e agride os demais, inclusive os maiores que tentam acalmá-la dentro do grupo infantil?
Sandra SaIles - O evangelizador deve procurar ser bastante tolerante, mas deixar claro os limites, o que é educativo para tal criança. Nestes casos, é interessante contar com o apoio de outro evangelizador e com muita paciência, já que o trabalho no bem é sempre apoiado e nossa perseverança haverá de ser recompensada.
O comportamento agressivo de muitas crianças tem origem em seu espírito ou na educação recebida peio meio que a cerca?
Sandra SaIIes— Em ambos, pois, enquanto espíritos encarnados, não podemos descartar nenhuma influência.
Por vezes, adultos agressivos e ate mesmo psicopatas foram crianças aparentemente calmas e retraídas. Se queremos evitar adultos violentos, como diagnosticar essa agressividade na criança se ainda não exterioriza?
Sandra SaIles — Em 0 Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo XIV, item 9, temos que “desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz do sua existência anterior. Ao estudá-los, devem os pais se aplicarem. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do germe do tais vícios e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas”. Portando, precisamos ser amorosos, mas não iludidos, para que não deixemos de perceber tais instintos.
Há crianças que são extremamente violentas em alguns momentos e, em outros, muito carinhosas. Por que essa mudança de comportamento?
Sandra Sailes - Isto revela uma instabilidade emocional típica da criança insegura e que se “protege” com a capa da agressividade. Devemos ajudá-la a adquirir mais auto-confiança e segurança, para que não precisa¬-se recorrer a tais comportamentos.
Uma criança violenta por motivos obsessivos já diagnosticados deve ser afastada da evangelização infantil durante o tratamento de passes e desobsessão?
Sandra Sailes— Não. A evangelização é para todos e não aprovamos nenhuma atitude discriminatória. Entretanto, se sua presença impede que o trabalho seja realiza¬do, a criança deverá receber uma assistência de outro evangelizador, de tal maneira que a atividade não acabe sendo interrompida.
Aquelas “palmadinhas” no bumbum das crianças quando ainda são bem pequeninas ajudam a combater ou agravam a agressividade infantil?
Sandra Sailes - O que conta é o sentimento que a gen¬te exterioriza. Os limites são importantes em qualquer processo educativo, desde que não sejam colocados sob o império da cólera e da violência.
Entrevista Extraída da Revista Internacional de Espiritismo nº 15
Assinar:
Postagens (Atom)




