31 de dezembro de 2008

ANO NOVO - DE NOVO

É difícil estarmos atentos a todas as oportunidades que se sucedem em nossa passagem terrena.
Talvez por isto exista uma data marcada para que tudo seja novo.
Parece mais um símbolo ou um ritual para que nos apercebamos da passagem do tempo, que tem se dado aparentemente cada vez mais rápida - diga-se de passagem.
A sucessão dos dias e noites parece-nos um movimento contínuo ao qual já não damos atenção - no que estamos errados.
Então, nos preparamos com rigor para a entrada do ANO NOVO, alguns literalmente a rigor, outros na sua singeleza usam roupa nova, ambiente novo, presença de amigos... e todos se felicitam e esperam que o ano vindouro seja muito melhor do que o anterior - até porque parece que cada ano tem exigido mais de nós.
Acaba a noite de festa, surge o dia primeiro, que ainda é festa...
E, no dia 2, percebemos que a nossa vida é a mesma e se nos descuidarmos voltamos a não perceber a rapidez do tempo, cometemos os mesmos erros e vamos esperar pelo milagre de um NOVO ANO - DE NOVO.
Não existe uma data milagrosa que reverta ou modifique o processo de nossa existência.
No entanto, existe uma data em nossa vida que pode significar uma NOVA VIDA e conseqüentemente uma sucessão de novos dias e anos-novos.
É a data em que nos armamos de coragem, olhamos dentro de nós, nos encontramos e percebemos a presença de uma vida palpitante e dinâmica em nosso íntimo, precisando apenas de esforço e perseverança para que possa se manifestar em plenitude.
Todavia, precisamos de um companheiro seguro nessa viagem em busca do "EU", e o melhor é Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, porque o caminho seguro em direção a nós é o que se bifurca também em direção ao próximo e para trilhá-lo é preciso conhecer a Verdade e amar a Vida.
E então, sem nos determos no passado que é imutável e não vale lamentá-lo ou torná-lo uma carga pesada, começarmos a viver o hoje, olharmos para o futuro, sem nos fixarmos nele também, pois que, aquilo que surgirá amanhã não vai surgir antes.
Hoje é o nosso dia de ANO NOVO - DE NOVO.
HOJE é dia de amar, de ser sereno, de ser solidário, de conter e disciplinar as emoções, de se transferir em direção ao outro, de silenciar, de falar, de pensar, de refletir, de ler bons livros, de estudar O Livro dos Espíritos, de recorrer ao Evangelho Segundo o Espiritismo, de sorrir, de ter esperança, de orar e de seguir em frente - amando a vida, vivendo a verdade e trilhando caminhos seguros que convergirão sempre em direção a um só destino - DEUS.
Porque HOJE é dia de ANO NOVO - DE NOVO

Texto de Ionilda V. Carvalho
Publicado na Revista Espírita de Campos nº 44

30 de dezembro de 2008

RENOVAÇÃO

Na passagem ou no reinicio do calendário, terrestre, de mais um ano de atitudes, saibamos renovar nossos ideais, fazendo-os cada vez mais, atuantes, cada vez mais fortes, cada vez mais belos.
Saibamos renovar nossos hábitos, tornando-os sempre mais justos, purificados e bons.
Saibamos renovar nossa palavra, tornando-a mais e mais equilibrada, mais e mais voltada para Deus, revestindo-a de sentimento.
Saibamos renovar nossos gestos, para que de imperativos, passem a ser convidativos, de modo que quem nos veja agir sinta em nós a pessoa que deseja ajudar, e não a que deseja mandar.
Saibamos renovar nossos sentimentos, para que eles não sejam egoístas, mesquinhos, infelizes; ao contrário, que eles sejam úteis, elevados, sempre mais elevados.
Saibamos renovar, a própria aparência, para que ela seja sempre um sinal de transformação, de um estado de renovação, um estado de melhoria íntima.
Saibamos renovar hábitos, palavras e pensamentos, porque Deus é constante renovação e o homem, seu filho, deverá acompanhar a atitude paterna superior, para que também seja considerado como um ser renovado diariamente.
Que Deus nos ajude neste momento, neste instante de coragem, em que precisamos renovar !
Que Deus nos ajude no ano que se inicia, mostrando-nos a necessidade de renovação !
Que sejamos encarados como espíritos renovados para o bem, não só hoje, mas sempre !
Que Deus ajude a todos, hoje e sempre!
Que assim seja !
Espirito do Dr. Hermamm

29 de dezembro de 2008

A CASA DE DEUS




A CASA DE DEUS, filhos, é o universo inteiro, porque Deus está em toda parte, a revelar-se para que as fôrças do mal não conduzam para as trevas os que buscam a luz, para orientar-lhes a caminhada pela estrada da vida, em roteiro seguro para a perfeita união com o Pai, que é o supremo amor, a suprema alegria, tão bem representado pelo espelho sublime que sua imagem reflete: JESUS.
O nosso Mestre amado ensina-nos em seu Evangelho de amor o caminho da Verdade, fazendo de nossos corações, alimentados por pensamentos puros de mentes já iluminadas para orientar as atitudes fraternas de paz e amor à serviço do Cristo de Deus, esclarecem as ovelhas a fim de que não se desviem do caminho verdadeiro, fazendo das casas de oração casas de comércio. Pois, onde as almas se reunem para o maravilhoso encontro com Deus, não se permite nem um só gesto que identifique qualquer transação comercial, porque o ouro traz a ambição e a ambição pelo ouro é que perde as almas, interrompendo a caminhada para Deus.
O Mestre Jesus nos adverte quanto a isso de forma bem concisa, que não deixa nem uma dúvida. Mas certos orientadores religiosos é que não querem entender a Divina Mensagem do Mestre.
Quando Jesus fez sua entrada triunfal em Jerusalém, o povo veio alegremente para as ruas para recebê-lo, bradando em vozes fortes e cheias de entusiasmo: Viva Deus nas alturas e Jesus entre os homens!
Jesus foi ao Templo. Pelos pátios, pelos arredores e dentro do Templo, se fazia mercado de animais, cereias e tudo quanto aquela gente possuía para vender, com o consentimento dos sacerdotes. Então, Jesus mandou que se retirassem dali com suas súplicas das criaturas a seu Criador. Foi para terem aquele recanto reservado, onde pudessem falar com Deus e seus anjos(ou Espíritos), que os homens construíram seus templos. É ali que as almas se abrem, cheias de fé, porque lá estão as vibrações puríssimas do Amor do Pai para suas criaturas.
Ali é famosa escada de Jacó, por onde sobem as preces, as súplicas, as manifestações de amor e gratidão, e por onde descem, em catadupas de amor, as bênçãos e as respostas que os céus enviam às almas da Terra. Profanar um templo é grande crime. Por isso o Divino Senhor espantou daquele lugar sagrado os que o maculavam com sua cobiça e egoismo.
Naquele acumulado de vibrações de amor, de prece, de perdão, na explosão da sua fé e confiança em Deus, as criaturas achavam-se em Jesus. Ele estava ali na manifestação da mais alcandorada efusão de amor para com Deus; e, por isso Ele disse: “A minha casa é casa de oração”. Sim ali, e onde quer se faça oração, está unido com o Cristo, porque Ele disse: “Eu e meu Pai soms um”. Assim, bem claro ficou seu pensamento, quando disse a João: “Não proibais que curem em meu nome, esses não são contra mim”.
E para que estejamos com Cristo, necessário se faz cumpramos seus ensinamentos evangélicos, não desobedecendo as suas determinações e procurando estar com Ele tanto quanto Ele está conosco.


BEZERRA DE MENEZES
Médium Azamôr Serrâo
O Cristão Espírita – Abril/Maio/Junho de 2000

27 de dezembro de 2008

UMBRAL


Aqui onde estão os homens, há uma grande inversão de valores.
Há homens trucidando homens, mulheres perdendo a própria luz e nuvens cinzas pairando no ar. A nobreza mora longe daqui.
O caos está presente e ninguém sabe o que fazer.
Há alguns que tentam pensar, mas é por pouco tempo, logo são esmagados pela incompreensão. Não há limpeza nesta região, só indignidade!
Aqui, nem as feras teriam vez, seriam trucidadas em instantes.
A insanidade é regente deste lugar, que mais parece um hospício espiritual. Essas pessoas são loucas porque gostam do mal e nem ao menos sabem disso. Aqui, não há inocentes e nem desavisados, há culpados de mau-humor.
Eles pensam que são muito espertos, mas não há sol em seus caminhos.
Há muito que não vêem flores e não sabem mais o que é amar.
Seus corações são duros como pedras.
Por isso, o sofrimento é a broca que perfura suas placas emocionais, tentando achar uma réstia de sentimento. Eles são muito densos, mas sua luz não está totalmente anulada.
Como qualquer outra criatura no Universo, são pedacinhos do Criador e não deixaram de ser almas imortais. Mesmo emanando energias viscosas, há no fundo de suas almas, ainda que não admitam, um fio de esperança de que a luz os abrace bem forte e apazigúe seus tormentos internos.
Eles podem parecer cruéis para todos, porém, perante a Evolução; são só meninos desvairados. Declararam guerra por fora, mas clamam pelo amor por dentro.
Gostariam imensamente de ter paz, mas o orgulho acorrenta-os a atitudes ridículas. Precisam parecer fortes na obsessão, mas gostariam que uma mão amiga os tocasse.
Gostam de ser chamados de "guerreiros do mal", mas os verdadeiros guerreiros são só aqueles que dominam o próprio mal em si mesmos.
Dizem que este lugar é o inferno, mas parece que infernal mesmo é só a trama religiosa que engendrou tal teoria absurda e medieval.
Ouvi dizer que o inferno é feito de fogo, mas aqui há até tempestades e pântanos. Não, este lugar não é o inferno.
É um ambiente astral sórdido, mas não há nenhum Satã morando nele.
Há somente o ser humano e suas lendas, gerando as formas mentais densas que refletem seu próprio desequilíbrio interno.
Não há tridentes nem caldeiras, mas há lembranças que espetam e culpas que queimam.
Não há nenhuma condenação eterna, mas há os traumas subconscientes invadindo a área consciente e exigindo a retificação das atitudes.
Não, este lugar não é o inferno.
É somente o "umbral espiritual", vislumbrado por Dante Alighieri e por qualquer projetor astral.
Rama
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges. Extraído do livro Viagem Espiritual - Edit.Universalista). Revista Espiritismo & Ciência

24 de dezembro de 2008


ANTE O DIVINO MESTRE

Senhor Jesu!
Grandes reformadores da vida religiosa passaram no mundo antes de Ti.
Sacerdotes chineses e hindus, persas e egípcios, gregos e judeus referiram-se à Lei, traçando diferentes caminhos às cogitações humanas.
Um dos maiores de todos, Moisés, viveu entre príncipes da ciência, fêz·se condutor de multidões, plasmou sagrados princípios de justiça e, após sofrer as vicissitudes de sua época, expirou no monte Nebo, contemplando a gleba farta que prometera ao seu povo.
Outro Senhor, o grande Siddharta, converteu-se em arrimo dos penitentes da Terra, ensinando a compaixão, depois de renunciar, ele próprio, o Bem-aventurado, às alegrias do seu palácio, para morrer, em seguida a sublimes testemunhos de simplicidade e de amor, entre flores de Kucinagara ...
Todos eles passaram, induzindo os homens à solidariedade e ao dever, exalçando o coração e purificando a inteligência.
Profetas hebreus numerosos antecederam-Te os passos, esboçando o roteiro da luz ...
Alguns deles encontraram o escárnio e a flagelação em lutas enormes, confinadas, porém, ao âmbito particular do povo a que serviam.
Nenhum, no entanto, acendeu tantos conflitos com o mandato de que se faziam intérpretes, quando confrontados contigo, a quem se negou um lar para nascer.
Por onde passaste extremavam-se as paixões. Contrapondo-se ao carinho que Te consagravam as almas simples de Cafarnaum, recebeste o ódio gratuito dos espíritos calculistas de Jerusalém.
Em Tua estrada, aglutinaram-se a fraqueza e a ingratidão, a crueldade e a secura, tecendo a rede de trevas na qual Te conduziram à cruz entre malfeitores.
Em oposição à tranquilidade silenciosa que se estendeu sobre a morte dos grandes enviados do Céu que Te precederam, de Teu túmulo aberto ergueu-se a mensagem da eternidade, gritante e magnífica, pela qual os Teus seguidores experimentaram a perseguição e o sacrifício, em trezentos anos de sangue e lágrimas nos cárceres de martírio ou na humilhação dos espetáculos públicos ...
É que não apenas ensinaste a bondade, praticando-a impecàvelmente, mas revelaste os segredos da morte.
Conversaste com as almas desencarnadas padecentes, através dos enfermos que Te procuravam, transfiguraste as próprias energias no cimo do Tabor, dando ensejo a que se materializassem, diante dos discípulos extáticos, Espíritos gloriosos de Tua equipe celeste.
Reabriste os olhos cadaverizados do filho da viúva de Naim e trouxeste de novo à existência o Espírito de Lázaro que se achava distanciado do corpo inerte, encarecendo e exaltando a responsabilidade da criatura, que receberá sempre de acordo com as próprias obras.
Agarrados à posse efêmera da estação terrestre, os homens não Te perdoaram a Revelação inesquecível e Te condenaram à morte, buscando suufocar-Te a palavra, olvidando que a Tua doutrina, marcada de amor e perdão, já se havia incorporado para sempre aos ouvidos da Humanidade. E, retomando-lhes o convívio, ressuscitado em Tua forma sublime, mais lhes aumentaste o espanto da consciência entenebrecida.
Desde então, Senhor, acirrou-se a antinomia entre a luz e atreva ...
Os Teus apóstolos exibiam fenômenos mediúnicos maravilhosos, arrebatando a admiração e o respeito da turba que os cercava, mas bastou que no dia do Pentecostes transmitissem os ensinamentos dos desencarnados, em diversas línguas, para que fôssem categorizados por ébrios que o vinho fazia desvairar. Enquanto Paulo de Tarso, inspirado, se detinha na Acrópole sobre os grandes temas do destino, conquistava a atenção dos atenienses ilustres, mas bastou que aludisse à ressurreição dos mortos, para que fôsse abandonado por todos eles à zombaria e à solidão.
E ainda hoje, Mestre, anotamos por toda a parte o terror da responsabilidade de viver.
Quase todos os homens aceitam o apoio da religião, sempre que se lhes lisonjeie a inferioridade e se lhes endossem os caprichos no culto externo, prestigiando as autoridades de superfície que Ihes desaconselhem pensar.
Acreditam comprar o Céu a preço de oferendas materiais ou de atitudes estudadas na convenção e imaginam que esse ou aquele inimigo está reservado aos tormentos do inferno. Entretanto, se alguém lhes recorda a realidade, mostrando a morte como prosseguimento da vida, com a exação da Lei que confere a cada criatura o salário correspondente aos próprios atos, azeda-se-lhes o fervor, passando a abominar quantos lhes sacodem a mente entorpecida. E agora, como antigamente, associam rebelião e vaidade para asfixiar o verbo revelador onde surja. Improvisam tentações e pavores ao redor daqueles que se dedicam à verdade, e, se esses lhes não caem nas armadilhas e se lhes não temem as ameaças, empreendem campanhas lamentáveis, em que a difamação e o ridículo funcionam por golilhas atrozes nas gargantas que desferem a palavra divina do Teu Evangelho Libertador.
Aos espíritas, Senhor, que Te exumam as lições do aeervo de cinzas do tempo, cabe agora o privilégio de semelhantes assaltos. Porque se reportam à responsabilidade da criatura, no campo da vida eterna, e porque demonstram que a sepultura é porrtal da imortalidade, são conduzidos ao pelourirho da execração, caluniados e escarnecidos.
Como se lhes não possa interromper a existência, a fio de espada, emudecendo-se-lhes a mensagem de luz, pisa-se-lhes o coração na praça pública com as varas da mentira e do sarcasmo, para que o desânimo e o sofrimento lhes apressem o fim.
Mas sabemos que Tu, Senhor, és hoje, como ontem, o Herói do Túmulo Vazio ...
Aqueles que Te colocaram suspenso na cruz, por Te negarem residência na Terra, não sabiam que Te alçavam mais alto a visão para que lhes observasses os movimentos na sombra.
Mestre Redivivo, que ainda agora enches de terrível assombro quantos estimariam que não tivesses vivido entre os homens, fixa Teu complacente olhar sobre nós e aparta-nos da treva de todos os que se acomodam com a saliva da injúria! E revigora-nos a consolação e a esperança, porque sabemos, Senhor, que, como outrora, ante os discípulos assustados, estarás com os Teus aprendizes fiéis, em todo instante de angústia, exclamando, imperturbável:
--- "Tende bom ânimo! Eu estou aqui."
IRMÃO X

23 de dezembro de 2008

PELOS ESQUECIDOS DA TERRA

JESUS! Lembrando o Teu convite endereçado a todos nós, há mais de dois mil anos: “Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei”, aproveitamos a oportunidade para fazer-te um pedido em nome dos “esquecidos”, por ocasião de Tua descida ao nosso mundo, entre os dias 24 e 25 de Dezembro, quando comemoramos o Teu aniversário natalício.
Como sabes Senhor, eles se encontram em toda parte, a começar pelas crianças que acordam famintas, esquecidas pela sociedade indiferente à sua sorte, e que por isso acabam encontrando a desencarnação na cruel desnutrição. Rogamos pelas mães abandonadas por parceiros desalmados; vencidas pela miséria, elas esquecem de si mesmas para poderem sustentar os filhos e acabam vitimas da traiçoeira tuberculose.
Pedimos também pelos pais esquecidos, Senhor, que tudo fazem pelos filhos, sacrificando-se inúmeras vezes para o bem-estar deles, e depois são relegados a um segundo plano na velhice, razão pela qual acabam desencarnando apunhalados moralmente pela ingratidão daqueles de quem tanto esperavam no inverno de suas vidas.
Jesus! É certo que não temos a pena de morte em nosso país. Mas há coisa pior do que as vítimas do esquecimento do Poder Público, que apodrecem nas prisões sem as mínimas condições de se reabilitarem perante a vida social? É por isso que intercedemos em favor desses relegados dos poderes constituídos, abandonados nos cárceres, para que sejam restabelecidos a dignidade e o respeito que devemos a esses irmãos em humanidade.
Médico de nossas almas! Rogamos pelos enfermos, esquecidos nas filas dos hospitais, para serem atendidos não se sabe quando, e pelos que são deixados nos corredores à míngua de socorro e atendimento, em flagrante desrespeito às suas dores e, sobretudo, à sua inconteste condição humana.
Governador do Planeta Terra! Embora tenhas sido relegado ao esquecimento pelos Doutores da Lei, pelos poderosos de Tua época e pelos falsos líderes religiosos, jamais esqueceste dos humildes, dos pecadores, dos sofredores de toda a sorte, pois sempre acolheste a todos eles através do Teu Verbo tocado de infinito amor e profunda compreensão.
Além de endereçarmos esta rogativa pelos esquecidos deste mundo, rogamos também em favor, das crianças que estão ainda por nascer, pois existem parlamentares querendo assassiná-las, por meio de aprovação de uma lei que permitirá, infelizmente, a prática do aborto indiscriminado. Ou seja: “esquece-las” pelo resto da vida.
Neste NATAL, vem Senhor, amparar todos os esquecidos que se encontram aflitos e sobrecarregados neste planeta, a fim de aliviares suas dores causadas pela ambição dos insaciáveis, pela indiferença dos egoístas e pela falta de compaixão dos insensíveis.
Vem, portanto, Senhor, confortar o coração dos que foram vencidos pela miséria, pela fome, pela enfermidade, pelas injustiças, porque eles não possuem voz para aclamar por piedade aos “vencedores” da Terra!
Por Gérson Simões Monteiro Presidente da FUNTARSO

22 de dezembro de 2008

NOITE FELIZ (?) !


O mundo prepara-se para mais um Natal. As ruas iluminam-se chamando atenção e as músicas típicas da época dão o tom da festividade. Ao centro, a conhecida figura do "Papai Noel", embalando sonhos e fantasias infantis mas, por outro lado, alimentando também interesses puramente mercantilistas.As famílias já pensam nos brindes, presentes e festas. Economia para presentear melhor, vestuários renovados, casas reformadas, viagens e sonhos...Esta nos parece uma realidade bem próxima e nos agrada divagar pelo brilho das luzes... afinal, o Natal é uma festa de alegria. No entanto, se nos afastarmos um pouco desta visão, procurando analisar de maneira mais cuidadosa, de forma mais crítica e real, lembraremos inevitavelmente dos que ainda não podem se quer sonhar...O mundo ilumina suas ruas, mas há alguns lugares que continuam obscuros, talvez para esconder aqueles que excluímos da festa.E, na escuridão, o crack, a cocaína, a cola continuam vitimando crianças e jovens que não sonham mais;...na escuridão, meninas mal saídas da infância servem de objeto sexual nas mãos prostituídas de aparentes homens de bem. Na noite de natal, possivelmente, estarão embriagadas ou drogadas para suportar a exploração;...na escuridão, homens disputam comida com ratos, cães e urubus nos lixões, perdendo sua humanidade a pouco e pouco. Estes talvez consigam comer melhor na noite de natal, aproveitando o desperdício dos banquetes que deixará o lixo mais "rico";...na escuridão, guetos que separam negros de brancos continuarão infectos e nas favelas as comemorações acontecerão, talvez, em meio à dor de um assassinato ou de um estupro;...na escuridão doentes se amontoarão em corredores de hospitais públicos, crianças, mães e famílias inteiras estarão morrendo por causa de fome, por falta de vacina, de saneamento básico e de noções mínimas de higiene em recantos tristonhos das terras africanas, brasileiras e asiáticas;...na escuridão, pais desempregados sequer podem pensar em presentes e entre lágrimas que cortam a alma, abandonam seus filhinhos em orfanatos, para que sobrevivam;...na escuridão, cortando o ruído das ruas e dos bailes, serão ouvidos ‘gritos silenciosos’ de seres humanos expulsos dos ventres de suas mães que, inconscientes e equivocadas, tentam fugir de suas responsabilidades pelo caminho do aborto criminoso;...na escuridão do sertão, nem o luar de lá consegue iluminar a dor da sede e da fome de famílias inteiras condenadas a beber lama e comer lagartos, enquanto bois e cabritos serão mortos para as festas dos fazendeiros donos das terras e dos açudes;...na escuridão sob as marquises, velho morrerão de frio e crianças serão assassinadas por criminosos fardados;...na escuridão, toda escuridão aparece...E lá fora, sob o esplendor das luzes, estouram os ‘champanhes’ nas mesas corrompidas pela falta de ética e humanidade na política. Os escândalos e as fraudes são esquecidos sob o borbulhar da bebida e os detentores dos "podres poderes" da Terra seguem cegos e descompromissados com o povo;A sociedade egoísta distribui cestas e brinquedos com os ‘pobrezinhos’ para tentar aliviar o fogo que lhes queima a consciência e falam em solidariedade como se fosse uma jóia a mais que pudessem expor pendurada no pescoço.Perdoem-me se pareço duro demais. Muito mais dura, no entanto, é a realidade enfrentada por milhares, milhões de irmãos nossos espalhados pelo planeta inteiro. Lembrando deles, estamos lembrando daquele que é o motivo das comemorações natalinas. Aquele que em sábias palavras afirmou que tudo que fosse feito a um desses pequeninos seria feito a Ele próprio indiretamente. Ele que soube ser solidário de maneira plena, sem se corromper pela vaidade e pelo aplauso, foi muito além da esmola dada em uma noite. Investiu sua vida e sua morte para a transformação da sociedade. Lutou contra os preconceitos, convivendo com a "escória" sem falsos pudores e valorizou o ser humano como ninguém fez antes ou depois dele.Vale a pena nos perguntar: então, por que Ele veio? Qual a razão histórica de sua vida? O que constituiu o objeto de suas atenções e qual o objetivo de todo seu esforço? Certamente que Ele não veio para aprofundar a diferença entre os homens, nem para manter os preconceitos e o egoísmo que têm gerado toda miséria no mundo. Sua vinda visava a educação plena do homem, estimulando a transformação do homo sapiens – lobo do próprio homem – no homo sapiens solidarius que não é só intelecto e começa a descobrir que não pode ser feliz sozinho; que se completa no bem do outro e que plenifica-se no amor ao próximo sem conotação sacramental, mas com sentido prático e efetivo. É o amor experienciado, vivido, que não se coaduna com o comodismo e a indiferença, e foge dos discursos vazios.Jesus, talvez ainda seja o ilustre esquecido do Natal rico e mercantil dos "papais noéis marqueteiros" e nós, certamente, os grandes omissos desta triste e contraditória realidade. Não tenho a menor dúvida que enquanto comemos perus e distribuímos presentes, Ele deve estar muito, muito ocupado com os que foram excluídos de um FELIZ NATAL!
Fernando Clímaco Santiago Maciel ( PE )

21 de dezembro de 2008

O QUE É O NATAL?

Eu, menino, sentado na calçada, sob um sol escaldante, observava a movimentação das pessoas em volta, e tentava compreender o que estava acontecendo.
Que é o Natal? Perguntava-me, em silêncio.
Eu, menino, ouvira falar que aquele era o dia em que Papai Noel, em seu trenó puxado por renas, cruzava os céus distribuindo brinquedos a todas as crianças.
E por que então, eu, que passo a madrugada ao relento nunca vi o trenó voador? Onde estão os meus presentes? Perguntava-me.
E eu, menino, imaginava que o Natal não deveria ser isso.
Talvez fosse um dia especial, em que as pessoas abraçassem seus familiares e fossem mais amigas umas das outras.Ou talvez fosse o dia da fraternidade e do perdão.
Mas então por que eu, sentado no meio-fio, não recebo sequer um sorriso? Perguntava-me, com tristeza. E por que a polícia trabalha no Natal?
E eu, menino, entendia que não devia ser assim...Imaginava que talvez o Natal fosse um dia mágico porque as pessoas enchem as igrejas em busca de Deus.
Mas por que, então, não saem de lá melhores do que entraram?
Debatia-me, na ânsia de compreender essa ocasião diferente.
Via risos, mas eram gargalhadas que escondiam tanta tristeza e ódio, tanta amargura e sofrimento...E eu, menino, mergulhado em tão profundas reflexões, vi aproximar-se um homem...
Era um belo homem...
Não era gordo nem magro, nem alto nem baixo, nem branco, nem preto, nem pardo, nem amarelo ou vermelho.
Era apenas um homem com olhos cor de ternura e um sorriso em forma de carinho que, numa voz em tom de afago, saudou-me:
Olá, menino!
Oi!... respondi, meio tímido.
E, com grande admiração, vi-o acomodar-se a meu lado, na calçada, sob o sol escaldante.
Eu, menino, aceitei-o como amigo, num olhar. E atirei-lhe a pergunta que me inquietava e entristecia:
Que é o Natal?
Ele, sorrindo ainda mais, respondeu-me, sereno:
Meu aniversário.
Como assim?
Perguntei, percebendo que ele estava sozinho.
Por que você não está em casa? Onde estão os seus familiares?
E ele me disse: Esta é a minha família, apontando para aquelas pessoas que andavam apressadas.
E eu, menino, não compreendi.
Você também faz parte da minha família... Acrescentou, aumentando a confusão na minha cabeça de menino.
Não conheço você! eu disse.
É porque nunca lhe falaram de mim. Mas eu o conheço. E o amo...Tremi de emoção com aquelas palavras, na minha fragilidade de menino.
Você deve estar triste, comentei. Porque está sozinho, justo no dia do próprio aniversário...
Neste momento, estou com você! Respondeu-me, com um sorriso.E conversamos...uma conversa de poucas palavras, muito silêncio, muitos olhares e um grande sentimento, naquela prece que fazia arder o coração e a própria alma.A noite chegou... E as primeiras estrelas surgiram no céu.
E conversamos... Eu, menino, e ele.E ele me falava, e eu O entendia. E eu O sentia. E eu O amava...
Eu, menino: sou as cordas. Ele: o artista. E entre nós dois se fez a melodia!...
Eu, menino, sorri...
Quando a madrugada chegou e, enquanto piscavam as luzes que iluminavam as casas, Ele se ergueu e eu adivinhei que era a despedida. E eu suspirava, de alma renovada.
Abracei-O pela cintura, e lhe disse: Feliz aniversário!
Ele ergueu-me no ar, com Seus braços fortes, tão fortes quanto a paz, e disse-me:
Presenteie-me compartilhando este abraço com a minha família, que também é sua... Ame-os com respeito. Respeite-os com ternura, com carinho e amizade. E tenha um feliz Natal!
E porque eu não queria vê-lo ir-se embora, saí correndo em disparada pela rua. Abandonei-O, levando-O para sempre no mais íntimo do coração...E saí em busca de braços que aceitassem os meus...
E eu, menino, nunca mais O vi. Mas fiquei com a certeza de que Ele sempre está comigo, e não apenas nas noites de Natal...
E eu, menino, sorri... pois agora eu sei que Ele é Jesus... E é por causa Dele que existe o Natal.
Momento espirita

20 de dezembro de 2008

SEMPRE COM CÉSAR

Já o próprio Cristo asseverava nas suas divinas lições; - “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”
Mas, a Igreja Católica Romana jamais ocultou sua preferência pela amizade de César.
Os tempos apostólicos, que ainda iluminam o coração da Humanidade sofredora, até os tempos modernos, pela sua união com o Evangelho, foram muito curtos. Não tardou que a organização dos bispos romanos preponderasse sobre todos os núcleos do verdadeiro Cristianismo, sufocando-os com as suas forças temporais.
Inventaram-se todas as novidades para o ideal de simplicidade e pureza de Jesus e, desde épocas remotas, o Catolicismo é bem retrato do farisaísmo dos tempos judaicos, que conduziu o Divino Mestre á crucificação. Amiga dos poderosos, em todos os tempos, bastilha do pensamento livre da Humanidade que tentou a civilização cristã, é talvez, por esse motivo, que a Igreja, pela voz dos seus teólogos mais eminentes, procurou sempre revestir o poder transitório dos felizes da Terra com um caráter de divindade. Batida pela demagogia céptica de todos os filósofos e cientistas que seguiram no luminoso caminho das concepções liberais, retirada da sua posição de opressora para se transformar em instrumento humilde de outros opressores das criaturas humanas, a Igreja, na sua assombrosa capacidade de adaptação, esperou pacientemente outras oportunidades para reaquisição dos seus poderes e de suas tiranias e as encontrou dentro da mística do Estado totalitário.
Espírito: Emmanuel
Fonte: Livro “Emmanuel” – Psicografia: Francisco Cândido Xavier

19 de dezembro de 2008

O ENCONTRO DIVINO


Quando o cavaleiro D'Arsonval, valoroso senhor em França, se ausentou do medievo domicílio, pela primeira vez, de armadura fulgindo ao Sol, dirigia-se à Itália para solver urgente questão política.
Eminente cristão, trazia consigo um propósito central - servir ao Senhor, fielmente, para encontrá-lo.
Não longe de suas portas, viu surgir, de inesperado, ulceroso mendigo a estender-lhe as mãos descarnadas e súplices.
Quem seria semelhante infeliz a vaguear sem rumo?
Preocupava-o serviço importante, em demasia, e, sem se dignar fixá-lo, atirou-lhe a bolsa farta.
O nobre cavaleiro tornou ao lar e, mais tarde, menos afortunado nos negócios, deixou, de novo, a casa.
Demandava a Espanha, em missão de prelados amigos, aos quais se devotara.
No mesmo lugar, postava-se o infortunado pedinte, com os braços em rogativa.
O fidalgo, intrigado, revolveu grande saco de viagem e dele retirou pequeno brilhante, arremessando-o ao triste caminheiro que parecia devorá-lo com o olhar.
Não se passou muito tempo e o castelão, menos feliz no circulo das finanças, necessitou viajar para a Inglaterra, onde pretendia solucionar vários problemas, alusivos à organização doméstica.
No mesmo trato de solo, é surpreendido pelo amargurado leproso, cuja velha petição se ergue no ar.
O cavaleiro arranca do chapéu estimada jóia de subido valor e projeta-a sobre o conhecido romeiro, orgulhosamente.
Decorridos alguns meses, o patrão feudal se movimenta na direção de porto distante, em busca de precioso empréstimo, destinado à própria ecoonomia, ameaçada de colapso fatal, e, no mesmo sítio, com rigorosa precisão, é interpelado pelo mendigo, cujas mãos, em chaga aberta, se voltam ansiosas para ele.
D' Arsonval, extremamente dedicado à caridade, não hesita. Despe fino manto e entrega-o, de longe, receando-lhe o contacto.
Depois de um ano, premido por questões de imediato interesse, vai a Paris invocar o socorro de autoridades e, sem qualquer alteração, é defronntado pelo mesmo lázaro, de feição dolorida, que lhe repete a antiga súplica.
O Castelão atira-lhe um gorro de alto preço, sem qualquer pausa no galope, em que seguia, presto.
Sucedem-se os dias e o nobre senhor, num ato de fé, abandona a respeitada residência, com séquito festivo.
Representará os seus, junto à expedição de Godofredo de Bouillon, na cruzada com que se pretende libertar os Lugares Santos.
No mesmo ângulo da estrada, era aguardado pelo mendigo, que lhe reitera a solicitação em voz mais triste.
O ilustre viajor dá-lhe, então, rico farnel, sem oferecer-lhe a mínima atenção.
E, na Palestina, D'Arsonval combateu valorosamente, caindo, ferido, em poder dos adversários.
Torturado, combalido e separado de seus compatriotas, por anos a fio, padeceu miséria e vexame, ataques e humilhações, até que, um dia, homem convertido em fantasma, torna ao lar que não o reconhece.
Propalada a falsa notícia de sua morte, a esposa deu-se pressa em substituí-lo, à frente da casa, e seus filhos, revoltados, soltaram cães agressivos que o dilaceraram, cruelmente, sem comiseração para com o pranto que lhe escorria dos olhos semimortos.
Procurando velhas afeições, sofreu repugnância e sarcasmo.
Interpretado, agora, à conta de louco, o ex-fidalgo, em sombrio crepúsculo, ausentou-se, em definitivo, a passos vacilantes ...
Seguir para onde? O mundo era pequeno demais para conter·lhe a dor.
Avançava, penosamente, quando encontrou o mendigo.
Relembrou a passada grandeza e atentou para si mesmo, qual se buscasse alguma coisa para dar.
Contemplou o infeliz pela primeira vez e, cruzando com ele o olhar angustiado, sentiu que aquele homem, chagado e sozinho, devia ser seu irmão. Abriu os braços e caminhou para ele, tocado de simpatia, como se quisesse dar-lhe o calor do próprio sangue. Foi, então, que, recolhido no regaço do companheiro que considerava leproso, dele ouviu as sublimes palavras:
- D'Arsonval, vem a mim! Eu sou .Jesus, teu amigo. Quem me procura no serviço ao próximo, mais cedo me encontra... Enquanto me buscavas à distância, eu te aguardava, aqui tão perto! Agradeço o ouro, as jóias, o manto, o agasalho e o pão que me deste, mas há muitos anos te estendia os meus braços, esperando o teu próprio coração! ...
O antigo cavaleiro nada mais viu senão vasta senda de luz, entre a Terra e o Céu ...
Mas, no outro dia, quando os semeadores regressavam às lides do campo, sob a claridade da aurora, tropeçaram no orvalhado caminho com um cadáver.
D' Arsonval estava morto.
Irmão X

18 de dezembro de 2008

NA NOITE DE NATAL

-Minha mãe, porque Jesus,
Cheio de amor e grandeza,
Preferiu nascer no mundo
Nos caminhos da pobreza?
...
Porque não veio até nós
Entre flores e alegrias,
Num berço todo enfeitado
De sedas e pedrarias?"
..
-"Acredito, meu filhinho,
Que o Mestre da Caridade
Mostrou, em tudo e por tudo,
A luminosa humildade!...
..
Às vezes, penso também,
Nos trabalhos deste mundo,
Que a Manjedoura revela
Ensino bem mais profundo!".
..
E a pobre mãe de olhos fixos
Na luz do céu que sorria,
Concluiu com sentimento
Em terna melancolia:
..
-"Por certo, Jesus ficou
Nas palhas, sem proteção,
Por não lhe abrirmos na Terra
As portas do coração."
..
João de Deus

17 de dezembro de 2008

LEMBRANÇA DO NATAL

Natal! ... Reina a Celeste Barcarola! ...
Enquanto te refazes na alegria,
Muita gente padece a noite fria
Ao rigor da aflição que desconsola.
...
Desce à escura tristeza que te espia
Do cárcere de angústia em que se isola ...
E espalha o bem por sacrossanta esmola
Do teu farnel de luz e de harmonia!
..
Abre teu coração! ... Ajuda e abraça
O sofrimento ou a sombra de quem passa
Em desespero rígido e infecundo! ..
..
E o Cristo, renascendo no teu peito,
Será, contigo, o Amor puro e perfeito
Tecendo a paz e a redenção do Mundo.
..
Auta de Souza

16 de dezembro de 2008

NASCIMENTO ESPECIAL

Todos os anos, os cristãos comemoram o Natal no dia 24 para 25 de dezembro. A história nos diz que Jesus, nosso Mestre, em verdade não nasceu nesse dia e aponta algumas datas prováveis, especificando dia, mês e ano.
Afinal, quando realmente terá nascido Jesus? E onde? Em Nazaré ou em Belém?
Se perguntarmos a Francisco de Assis o que ele sabe a respeito do nascimento de Jesus, ele nos responderá:
"Jesus nasceu no dia em que, na praça de Assis, entreguei minha bolsa, minhas roupas e até meu nome para segui-Lo, pois sabia que Ele é a fonte inesgotável de amor."
Se indagarmos ao Apóstolo Pedro quando se deu o nascimento de Jesus, ele nos dirá:
"Jesus nasceu no pátio do palácio de Caifás, na noite em que o galo cantou pela terceira vez, no momento em que eu negava outra vez ao meu Mestre.
Foi nesse instante que minha consciência despertou para a verdadeira vida."
Se questionarmos a Joana de Cusa sobre onde e quando nasceu Jesus, ela nos falará:
"Jesus nasceu no dia em que, amarrada ao poste do Circo em Roma, ouvi o povo gritar:
‘Nega! Nega! Renuncia a Ele!'
E o soldado, com a tocha acesa, dizendo:
‘Este teu Cristo te ensinou apenas a morrer?'
Nesse instante em que senti o fogo subir pelo meu corpo e eu pude, com certeza e sinceridade responder:
Não me ensinou só isso. Ele também me ensinou a te amar.
Foi então que nasceu Jesus."
Se interrogarmos a Lázaro onde e quando nasceu Jesus, a sua resposta será:
"Jesus nasceu em Betânia, na tarde em que me visitou o túmulo e ordenou-me:
‘Lázaro! Levanta e vem para fora!'
Nesse momento, eu compreendi quem Ele era e Ele nasceu em mim."
Mas, o Doutor da Lei, Saulo, transformado em Paulo de Tarso, nos afirmará:
"Jesus nasceu na estrada de Damasco, em pleno meio-dia, quando a luz que O envolvia me cegou e ouvi a Sua voz:
‘Saulo, Saulo, por que Me persegues?'
Foi aí que passei a enxergar um mundo novo e lhe disse:
Senhor, o que queres que eu faça?"
A mulher samaritana, da cidade de Sicar, nos dirá que Jesus nasceu junto à fonte de Jacob, na tarde em que ela O encontrou e Ele lhe ofereceu a beber da água viva, que sacia toda a sede, pois vem do amor de Deus e santifica as criaturas.
Naquela tarde, Fotina descobriu que Jesus era o Filho de Deus e modificou a sua vida.
Finalmente, Maria de Nazaré, sorrindo, nos falará que Jesus nasceu quando "se escondeu das estrelas nas sombras da Terra."
Quando O segurou pela primeira vez nos braços e sentiu que ali se cumpria a promessa de um novo tempo. Aquele Menino, enviado por Deus, vinha para ensinar aos homens, Seus irmãos, a Lei Maior do Amor.
* * *
Se já te permites banhar pelas claridades do Evangelho, permite que Jesus nasça em teu coração.
Deixa que as vibrações Dele te cheguem ao Espírito e espalha o perfume da Sua presença, na senda por onde avanças na busca da vida.
Refaze, mentalmente, o caminho percorrido, desde que a sinfonia da Boa Nova te alcançou e propõe-te a viver a mensagem do Mestre que é o teu Modelo e Guia, Jesus.
Então, Ele finalmente nascerá em ti.

Redação do Momento Espírita com base em texto de autor desconhecido e no verbete “Natal”do livro Repositório de Sabedoria, v. II, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.Em 15.12.2007.

14 de dezembro de 2008

HUMILDADE CELESTE

Ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra.
Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples.
Podia reclamar os princípios da cultura para o seu ministério de paz e redenção; contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz.
Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política; no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de Deus.
Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e excusos, descerrando-lhe aos pés o caminho melhor.
Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao convívio humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto, preferiu regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos ingratos da véspera.
Podia constranger o espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em favor de si mesmo.
Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que, quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos padrões de Deus.
Emmanuel

13 de dezembro de 2008

ROGATIVA DE NATAL


Senhor Jesus!
Quando chegaste à Terra, através dos panos da manjedoura, aguardava-te a Escritura como sendo a luz para os que jazem assentados nas trevas!...
E, em verdade, Senhor, as sombras dominavam o mundo inteiro...
Sombras no trabalho, em forma de escravidão...
Sombras na justiça, em forma de crueldade...
Sombras no templo, em forma de fanatismo...
Sombras na governança, em forma de tirania...
Sombras na mente do povo, em forma de ignorância e de miséria...
Pouco a pouco, no entanto, ao clarão de tua infinita bondade, quebraram-se as algemas da escravidão, transformou-se a crueldade em apreciáveis direitos humanos, transmudou-se o fanatismo em fé raciocinada, converteu-se a tirania em administração e, gradualmente, a ignorância e a miséria vão recebendo o socorro da escola e da solidariedade.
Entretanto, Senhor, ainda sobram trevas no amor, em forma de egoísmo!
Egoísmo no lar...
Egoísmo no afeto...
Egoísmo na caridade...
Egoísmo na prestação de serviço...
Egoísmo na devoção...
Mestre, dissipa o nevoeiro que nos obscurece ainda os horizontes e ensina-nos a amar como nos amaste, sem buscar vaidosamente naqueles que amamos os reflexos de nós mesmos, porque, somente em nos sentindo verdadeiros irmãos uns dos outros, é que atingiremos, com a pura fraternidade, a nossa ressurreição para sempre.

Emmanuel
Psicografia Chico Xavier Livro:Antologia Mediúnica do Natal

12 de dezembro de 2008

O NATAL DO CRISTO


A Sabedoria da Vida situou o Natal de Jesus frente do Ano Novo, na memória da Humanidade, como que renovando as oportunidades do amor fraterno, diante dos nossos compromissos com o Tempo.
Projetam-se anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes, convocando-nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem supremo.
A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da Cristandade.
Não mais o estábulo simples, nosso pr6prio espírito, em cujo íntimo o Senhor deseja fazer mais luz...
Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo evangélico
Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada, entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal.
E o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou.
E a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias.
È o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço edificante, atrav6s da visita aos irmãos mais sofredores do que n6s mesmos e da aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do “amemo-nos uns aos outros”.
Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida.
O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo.
Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia.
Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal.
O primeiro renova a alegria.
O segundo reforma a responsabilidade.
Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor.
Não nos esqueçamos.
Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós.

Emmanuel
Do livro Fonte de Paz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

11 de dezembro de 2008

EM HOMENAGEM AO NASCIMENTO DA ÚLTIMA ENCARNAÇÃO DE JOANNA ANGÉLICA EM 11.12.1761


NOSTALGIA E DEPRESSÃO

As síndromes de infelicidade cultivada tornam-se estados patológicos mais profundos de nostalgia, que induzem à depressão.
O ser humano tem necessidade de auto-expressão, e isso somente é possível quando se sente livre.
Vitimado pela insegurança e pelo arrependimento, torna-se joguete da nostalgia e da depressão, perdendo a liberdade de movimentos, de ação e de aspiração, face ao estado sombrio em que se homizia.
A nostalgia reflete evocações inconscientes, que parecem haver sido ricas de momentos felizes, que não mais se experimentam.
Pode proceder de existências transatas do Espírito, que ora as recapitula nos recônditos profundos do ser, lamentando, sem dar-se conta, não mais as fruir; ou de ocorrências da atual.
Toda perda de bens e de dádivas de prazer, de júbilos, que já não retornam, produzem estados nostálgicos. Não obstante, essa apresentação inicial é saudável, porque expressa equilíbrio, oscilar das emoções dentro de parâmetros perfeitamente naturais.
Quando porém, se incorpora ao dia-a-dia, gerando tristeza e pessimismo, torna-se distúrbio que se agrava na razão direta em que reincide no comportamento emocional.
A depressão é sempre uma forma patológica do estado nostálgico.
Esse deperecimento emocional, fez-se também corporal, já que se entrelaçam os fenômenos físicos e psicológicos.
A depressão é acompanhada, quase sempre, da perda da fé em si mesmo, nas demais pessoas e em Deus... Os postulados religiosos não conseguem permanecer gerando equilíbrio, porque se esfacelam ante as reações aflitivas do organismo físico. Não se acreditar capaz de reagir ao estado crepuscular, caracteriza a gravidade do transtorno emocional.
Tenha-se em mente um instrumento qualquer.
Quando harmonizado, com as peças ajustadas, produz, sendo utilizado com precisão na função que lhe diz respeito. Quando apresenta qualquer irregularidade mecânica, perde a qualidade operacional. Se a deficiência é grave, apresentando-se em alguma peça relevante, para nada mais serve.
Do mesmo modo, a depressão tem a sua repercussão orgânica ou vice-versa. Um equipamento desorganizado não pode produzir como seria de desejar. Assim, o corpo em desajuste leva a estados emocionais irregulares, tanto quanto esses produzem sensações e enarmonias perturbadoras na conduta psicológica.
No seu início, a depressão se apresenta como desinteresse pelas coisas e pessoas que antes tinham sentido existencial, atividades que estimulavam à luta, realizações que eram motivadoras para o sentido da vida.
À medida que se agrava, a alienação faz que o paciente se encontre em um lugar onde não está a sua realidade. Poderá deter-se em qualquer situação sem que participe da ocorrência, olhar distante e a mente sem ação, fixada na própria compaixão, na descrença da recuperação da saúde.
Normalmente, porém, a grande maioria de depressivos pode conservar a rotina da vida, embora sob expressivo esforço, acreditando-se incapaz de resistir à situação vexatória, desagradável, por muito tempo.
Num estado saudável, o indivíduo sente-se bem, experimentando também dor, tristeza, nostalgia, ansiedade, já que esse oscilar da normalidade é característica dela mesma. Todavia, quando tais ocorrências produzem infelicidade, apresentando-se como verdadeiras desgraças, eis que a depressão se está fixando, tomando corpo lentamente, em forma de reação ao mundo e a todos os seus elementos.
A doença emocional, desse modo, apresenta-se em ambos os níveis da personalidade humana: corpo e mente.
O som provém do instrumento. O que ao segundo afeta, reflete-se no primeiro, na sua qualidade de exteriorização.
Idéias demoradamente recalcadas, que se negam a externar-se - tristezas, incertezas, medos, ciúmes, ansiedades - contribuem para estados nostálgicos e depressões, que somente podem ser resolvidos, à medida que sejam liberados, deixando a área psicológica em que se refugiam e libertando-a da carga emocional perturbadora.
Toda castração, toda repressão produz efeitos devastadores no comportamento emocional, dando campo à instalação de desordens da personalidade, dentre as quais se destaca a depressão.
É imprescindível, portanto, que o paciente entre em contato com o seu conflito, que o libere, desse modo superando o estado depressivo.
Noutras vezes, a perda dos sentimentos, a fuga para uma aparência indiferente diante das desgraças próprias ou alheias, um falso estoicismo contribuem para que o fechar-se em si mesmo, se transforme em um permanente estado de depressão, por negar-se a amar, embora reclamando da falta de amor dos outros.
Diante de alguém que realmente se interesse pelo seu problema, o paciente pode experimentar uma explosão de lágrimas, todavia, se não estiver interessado profundamente em desembaraçar-se da couraça retentiva, fechando-se outra vez para prosseguir na atitude estóica em que se apraz, negando o mundo e as ocorrências desagradáveis, permanecerá ilhado no transtorno depressivo.
Nem sempre a depressão se expressará de forma autodestrutiva, mas com estado de coração pesado ou preso, disfarçando o esforço que se faz para a rotina cotidiana, ante as correntes que prostram no leito e ali retêm.
Para que se logre prosseguir, é comum ao paciente a adoção de uma atitude de rigidez, de determinação e desinteresse pela sua vida interna, afivelando uma máscara ao rosto, que se apresenta patibular, e podem ser percebidas no corpo essas decisões em forma de rigidez, falta de movimentos harmônicos...
Ainda podemos relacionar como psicogênese de alguns estados depressivos com impulsos suicidas, a conclusão a que o indivíduo chega, considerando-se um fracasso na sua condição, masculina ou feminina, determinando-se por não continuar a existência. A situação se torna mais grave, quando se acerca de uma idade especial, 35 ou 40 anos, um pouco mais, um pouco menos, e lhe parece que não conseguiu o que anelava, não se havendo realizado em tal ou qual área, embora noutras se encontre muito bem. Essa reflexão autopunitiva dá gênese a estado depressivo com indução ao suicídio.
Esse sentimento de fracasso, de impossibilidade de êxito pode, também, originar-se em alguma agressão ou rejeição na infância, por parte do pai ou da mãe, criando uma negação pelo corpo ou por si mesmo, e, quando de causa sexual, perturbando completamente o amadurecimento e a expressão da libido.
Nesse capítulo, anotamos a forte incidência de fenômenos obsessivos, que podem desencadear o processo depressivo, abrindo espaço para o suicídio, ou se fixando, a partir do transtorno psicótico, direcionando o paciente para a etapa trágica da autodestruição.
Seja, porém, qual for a gênese desses distúrbios, é de relevante importância para o enfermo considerar que não é doente, mas que se encontra em fase de doença, trabalhando-se sem autocomiseração, nem autopunição para reencontrar os objetivos da existência. Sem o esforço pessoal, mui dificilmente será encontrada uma fórmula ideal para o reequilíbrio, mesmo que sob a terapia de neurolépticos.
O encontro com a consciência, através de avaliação das possibilidades que se desenham para o ser, no seu processo evolutivo, tem valor primacial, porque liberta-o da fixação da idéia depressiva, da auto-compaixão, facultando campo para a renovação mental e a ação construtora.
Sem dúvida, uma bem orientada disciplina de movimentos corporais, revitalizando os anéis e proporcionando estímulos físicos, contribui de forma valiosa para a libertação dos miasmas que intoxicam os centros de força.
Naturalmente, quando o processo se instala - nostalgia que conduz à depressão - a terapia bioenergética (Reich, como também a espírita), a logoterapia (Viktor Frankl), ou conforme se apresentem as síndromes, o concurso do psicoterapeuta especializado, bem como de um grupo de ajuda, se fazem indispensáveis.
A eleição do recurso terapêutico deve ser feita pelo paciente, se dispuser da necessária lucidez para tanto, ou a dos familiares, com melhor juízo, a fim de evitar danos compreensíveis, os quais, ocorrendo, geram mais complexidades e dificuldades de recuperação.
Seja, no entanto, qual for a problemática nessa área, a criação de uma psicosfera saudável em torno do paciente, a mudança de fatores psicossociais no lar e mesmo no ambiente de trabalho constituem valiosos recursos para a reconquista da saúde mental e emocional.
O homem é a medida dos seus esforços e lutas interiores para o autocrescimento, para a aquisição das paisagens emocionais.
Joanna de Ângelis

10 de dezembro de 2008

O PONTO DE VISTA


Não há quem não tenha notado quanto as coisas mudam de aspecto, conforme o ponto de vista sob o qual são consideradas. Não só se modifica o aspecto, mas, também, a mesma importância da coisa. Coloquemo-nos no centro de qualquer coisa, mesmo pequena, e parecerá grande; se nos colocarmos fora, será outra coisa. Quem vê uma coisa do alto de um monte a vê insignificante, mas de baixo ela parece grande.
É um efeito de ótica, mas que também se aplica às coisas morais. Um dia inteiro de sofrimento parecerá uma eternidade; à medida que o dia se afasta de nós admiramo-nos de haver desesperado por tão pouco. Os pesares da infância também têm uma importância relativa e, para a criança, são tão amargos quanto para a idade adulta. Por que, então, nos parecem tão fúteis? Porque não mais os sentimos, ao passo que a criança os sente completamente e não vê além de seu círculo de atividade; ela os vê do interior, nós, do exterior. Suponhamos um ser colocado, em relação a nós, na posição em que estamos em relação à criança: ele julgará as nossas preocupações do mesmo ponto de vista, e as achará pueris.
Um carreteiro é insultado por outro: discutem e se batem. Se um grão-senhor for injuriado por um carreteiro não se julgará ofendido e não se baterá com ele. Por que? Porque se coloca fora da esfera: julga-se de tal modo superior que a ofensa não o atinge. Mas se descer ao nível do adversário, coloca-se por pensamento no mesmo meio e bater-se-á.
O Espiritismo nos mostra uma aplicação deste princípio, mas de outra importância nas suas conseqüências. Ele nos mostra a vida feita no que ela é, colocando-nos no ponto de vista da vida futura; pelas provas materiais que nos fornece, pela intuição clara, precisa, lógica que nos dá, pelos exemplos postos aos nossos olhos, transporta-nos pelo pensamento: a gente a vê e a compreende; não essa noção vaga, incerta, problemática, que nos ensinavam do futuro, e que, involuntariamente, deixava dúvidas; para o Espírita é uma certeza adquirida, uma realidade.
Faz ainda mais: mostra-nos a vida da alma, o ser essencial, porque é o ser pensante, remontando no passado a uma época desconhecida, estendendo-se indefinidamente pelo futuro, de tal sorte que a vida terrena, mesmo de um século, não passa de um ponto nesse longo percurso. Se a vida inteira é tão pouca coisa comparada com a vida da alma, que serão os acidentes da vida? Entretanto o homem, colocado no centro da vida, com esta se preocupa como se fosse durar sempre. Para ele tudo assume proporções colossais: a menor pedra que o fere afigura-se-lhe um rochedo; uma decepção o desespera; um revés do abate; uma palavra o enfurece. Com a visão limitada ao presente, àquilo que toca imediatamente, exagera a importância dos menores acidentes; um negócio que falha lhe tira o apetite; uma questão de precedência é um negócio de Estado; uma injustiça o põe fora de si. Triunfar é o fim de seus esforços, o objetivo de todas as suas combinações; mas, quanto à maioria delas, que é o triunfo? Será, se se não possuem os meios de vida, criar por meios honestos uma existência tranqüila? Será a nobre emulação de adquirir talento e desenvolver a inteligência? Será o desejo de deixar, depois de si, um nome justamente honrado e realizar trabalhos úteis para a humanidade? Não. Triunfar é suplantar o vizinho, eclipsá-lo, afastá-lo, mesmo derrubá-lo, para lhe tomar o lugar. E para tão belo triunfo, que talvez a morte não deixe aproveitar vinte e quatro horas, quantas preocupações e quantas tribulações! Quanto talento por vezes despendido e que poderia ter sido melhor empregado! Depois, quanta raiva, quanta insônia se se não triunfar! que febre de inveja causa o sucesso de um rival! Assim, culpam a má estrela, a sorte, a chance fatal, ao passo que a má estrela as mais das vezes é a inabilidade e a incapacidade. Na verdade dir-se-ia que o homem assume a tarefa de tornar os mais penosos possíveis os poucos instantes que deve passar na terra e dos quais não é o senhor, pois jamais tem certeza do dia seguinte.
Como tudo isto muda de aspecto quando, pelo pensamento, sai o homem do vale estreito da vida terrena e se eleva na radiosa, esplêndida e incomensurável vida de além-túmulo! Como então tem piedade dos tormentos que se criou à vontade! Como então lhe parecem mesquinhas e pueris as ambições, a inveja, as susceptibilidades, as vãs satisfações do orgulho! É como se na idade madura considerasse os brincos infantis; do topo da montanha olhar criaturas no vale. Partindo deste ponto de vista, tornar-se-á voluntariamente joguete de uma ilusão? Não. Ao contrário, estará na realidade, no verdadeiro, e para si a ilusão é ver as coisas do ponto de vista terreno. Com efeito, não há ninguém na terra que não ligue mais importância àquilo que, para si, deve durar muito mais do que ao que deve durar um dia, que não prefira uma felicidade duradoura a uma efêmera. A gente se inquieta pouco com um aborrecimento passageiro; acima de tudo o que interessa é a situação normal. Se, pois, elevarmos o pensamento de maneira a abarcar a vida da alma, chegaremos forçosamente a essa conseqüência: ver a vida terrena como uma estação passageira; a vida espiritual como vida real, porque indefinida; que é ilusão tomar a parte pelo todo, isto é, a vida do corpo, apenas transitória, pela vida definitiva. O homem que apenas considera as coisas do ponto de vista terreno é como aquele que, estando dentro de casa, nem pode julgar da forma, nem da importância da construção: julga sob falsas aparências, porque não vê tudo. Ao passo que aquele que a vê de fora julga direito, porque pode observar o conjunto.
Dir-se-á que para ver as coisas desta maneira é necessária uma inteligência fora do comum, um espírito filosófico que se não encontra nas massas; de onde necessário seria concluir que com raras exceções a humanidade arrastar-se-á sempre no terra a terra. É um erro. Para identificar-se com a vida futura não é necessária uma inteligência excepcional, nem grandes esforços de imaginação, pois cada um traz consigo a intuição e o desejo; mas a maneira pela qual geralmente a apresentam é muito pouco sedutora, porque oferece como alternativa as chamas eternas ou a contemplação perpétua, o que leva muitos a preferir o nada. Daí a incredulidade absoluta de uns e a dúvida no maior número. O que faltou até agora foi a prova irrecusável da vida futura; e essa prova vem dá-la o Espiritismo, não mais por uma vaga teoria, mas por fatos patentes. Mais ainda: ele a mostra tal qual a razão mais severa a pode aceitar, porque tudo explica, tudo justifica, resolvendo todas as dificuldades. E porque é claro e lógico, está ao alcance de todos. É por isso que o Espiritismo reconduz à crença tanta gente que o havia perdido. Diariamente demonstra a experiência quantos simples operários e camponeses sem instrução compreendem sem esforço esse raciocínio; colocam-se tanto mais à vontade nesse novo ponto de vista, quanto mais nele acham, como todas as criaturas infelizes, uma imensa consolação, e a única compensação possível em sua existência penosa e laboriosa.
Se se generalizasse essa maneira de encarar as coisas terrenas, não teria como conseqüência destruir a ambição, estimulante dos grandes empreendimentos, dos mais úteis trabalhos, mesmo das obras de gênio? Se a humanidade inteira sonhasse apenas com a vida futura tudo não periclitaria neste mundo? Que fazem os monges nos conventos, se não ocupar-se exclusivamente do céu? Ora, o que seria da terra se todos se fizessem monges?
Um tal estado de coisas seria desastroso e os inconvenientes maiores do que se supõe, porque os homens com isso perderiam na terra mas nada ganhariam no céu; mas os resultados do princípio que expomos é completamente outro para quem quer que não o compreenda pela metade, conforme vamos explicar.
A vida corpórea é necessária ao Espírito, ou à alma, o que é a mesma coisa, para que possa realizar neste mundo material as funções que lhe são designadas pela Providência: é uma das engrenagens da harmonia universal. A atividade que é forçado a desenvolver nas funções que exerce sem o suspeitar, crendo agir por si mesmo, ajuda o desenvolvimento de sua inteligência e lhe facilita o adiantamento. A felicidade do Espírito na vida espiritual é proporcional ao seu progresso e ao bem que pôde fazer como homem, do que resulta que, quanto maior importância adquire a vida espiritual aos olhos do homem, mais sente este a necessidade de fazer o que é necessário para se garantir o melhor lugar possível. A experiência dos que viveram vem provar que uma vida terrena inútil ou mal empregada não tem proveito para o futuro, e que aqueles que não buscam aqui senão as situações materiais as pagam muito caro, quer por sofrimentos no mundo dos Espíritos, quer pela obrigação em que se acham de recomeçar sua tarefa em condições mais penosas que as do passado, e tal é o caso dos que sofrem na terra. Assim, considerando as coisas deste mundo do ponto de vista extracorpóreo, longe de ser estimulado à despreocupação e à ociosidade, o homem compreende melhor a necessidade do trabalho. Partindo do ponto de vista terreno, essa necessidade é uma injustiça aos seus olhos, quando se compara aos que podem viver sem nada fazer: tem-lhes ciúme e inveja. Partindo do ponto de vista espiritual, essa necessidade tem uma razão de ser, uma utilidade, e ele a aceita sem murmurar, pois compreende que sem o trabalho ficará indefinidamente na inferioridade e privado da facilidade suprema a que aspira e que não poderá alcançar se se não desenvolver intelectual e moralmente. A esse respeito parece que muitos monges compreendem mal o objetivo da vida terrena e, ainda menos, as condições da vida futura. Pelo seqüestro, privam-se dos meios de se tornarem úteis aos seus semelhantes e muitos dos que hoje se acham no mundo dos Espíritos confessam-nos que se enganaram redondamente e que sofrem as conseqüências de seu erro. Tal ponto de vista tem para o homem outra enorme conseqüência imediata: é a de lhe tornar mais suportáveis as tribulações da vida. É muito natural, e ninguém o proíbe de procurar o bem-estar e a sua existência terrena ser o mais agradável possível. Mas, sabendo que aqui está apenas momentaneamente, que um futuro melhor o aguarda, pouco se atormenta com as decepções que experimenta; e, vendo as coisas do alto, recebe os reveses com menor amargor; fica indiferente às embrulhadas de que é vítima, por parte dos ciumentos e invejosos; reduz a seu justo valor os objetos de sua ambição e coloca-se acima das pequenas susceptibilidades do amor-próprio. Liberto das preocupações criadas pelo homem que não sai da esfera estreita, pela perspectiva grandiosa que se desdobra aos seus olhos, é, ao contrário, mais livre para se entregar a um trabalho proveitoso para si próprio, e para os outros. Os vexames, as diatribes, as maldades de seus inimigos não lhe são mais que nuvens imperceptíveis num imenso horizonte; não se inquieta por elas mais do que pelas moscas que zumbem aos ouvidos, pois sabe que em breve estará livre. Assim, todas as pequenas misérias que lhe suscitam deslizam por ele como água pelo mármore. Colocado do ponto de vista terreno irritar-se-ia e talvez se vingasse; do ponto de vista extraterreno, ele as despreza como os salpicos de lama de um caminhante inadvertido. São os espinhos lançados no caminho e pelos quais passa, mesmo sem se dar ao trabalho de os afastar, para não moderar a marcha para um objetivo mais sério que se propõe atingir. Longe de mal querer aos seus inimigos, ele lhes agradece por fornecerem oportunidade para exercitar a paciência e a moderação, em proveito de seu progresso futuro, ao passo que perderia os seus frutos se descesse a represálias. Ele os lamenta por tanto trabalho inútil e diz que são aqueles próprios que caminham sobre espinhos, com as preocupações que têm de fazer o mal. Tal é o resultado da diferença do ponto de vista sob o qual se encara a vida: um nos dá balbúrdia e ansiedade; outro a calma e a serenidade. Espíritas que experimentais decepções, em pensamento deixai um instante a terra: subi às regiões do infinito e mirai-as do alto: vereis o que serão elas.
Por vezes dizem: Vós que sois infelizes, olhai para baixo e não para cima; vereis ainda mais infelizes. É muito certo. Mas muitos dizem que o mal alheio não nos cura. O remédio por vezes está na comparação e para alguns é difícil não olhar para cima sem dizerem: “Porque têm estes o que não tenho?” Ao passo que se se colocassem no ponto de vista de que falamos, a que em pouco seremos forçados, ficariam muito naturalmente acima daqueles aos quais poderiam invejar porque assim os maiores pareceriam muito pequenos. Lembramo-nos de ter assistido, há uns quarenta anos, no Odéon, a uma peça em um ato, chamada Os Efêmeros, já não nos lembramos de que autor. Mas, embora jovem, tivemos uma forte impressão. A cena se passava no país dos Efêmeros, cujos habitantes vivem apenas vinte e quatro horas. No espaço de vinte e quatro horas, vimo-los passarem do berço à adolescência, à mocidade, à idade madura, à velhice, à decrepitude e à morte. Nesse intervalo realizam todos os atos da vida: batismo, casamento, negócios civis e governamentais, etc.; mas como o tempo é curto e as horas contadas, é preciso pressa; tudo se faz com prodigiosa rapidez, o que não os impede de fazerem intrigas e de sofrerem muito para satisfazerem as ambições e suplantar os outros. Como se vê, a peça encerra um conteúdo profundamente filosófico e involuntariamente o espectador, que num instante via desenrolar-se uma existência bem cheia em todas as suas fases, raciocina: Que gente boba! fazer tanto mal para uma vida tão curta! Que é o que lhes resta dessa balbúrdia de uma ambição de algumas horas? Não seria melhor viver em paz?
Eis aí um perfeito quadro da vida humana, vista do alto. Entretanto a peça quase não sobreviveu os seus heróis. É incompreensível. Se o autor ainda vivesse, o que ignoramos, talvez hoje fosse Espírita.
(Allan Kardec - R. E. 1862

9 de dezembro de 2008

OS VIVOS DO ALÉM


"E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias."
- (LUCAS, 9:30.)

Várias escolas religiosas, defendendo talvez determinados interesses do sacerdócio, asseguram que o Evangelho não apresenta bases ao movimento de intercâmbio entre os homens e os espíritos desencarnados que os procederam na jornada do Mais Além ...
Entretanto, nesta passagem de Lucas, vemos o Mestre dos Mestres confabulando com duas entidades egressas da esfera invisível de que o sepulcro é a porta de acesso.
Aliás, em diversas circunstâncias encontramos o Cristo em contacto com almas perturbadas ou perversas, aliviando os padecimentos de infortunados perseguidos. Todavia, a mentalidade dogmática encontrou aí a manifestação de Satanás, inimigo eterno e insaciável.
Aqui, porém, trata-se de sublime acontecimento no Tabor. Não vemos qualquer demonstração diabólica e, sim, dois espíritos gloriosos em conversação íntima com o Salvador. E não podemos situar p fenômeno em associação de generalidades, porquanto os "amigos do outro mundo", que falaram com Jesus sobre o monte, foram devidamente identificados. Não se registrou o fato, declarando-se, por exemplo, que se tratava da visita de um anjo, mas de Moisés e do companheiro, dando-se a entender claramente que os "mortos" voltam de sua nova vida.

Emmanuel
Do livro "Caminho, Verdade e Vida", de Chico Xavier

8 de dezembro de 2008

CREMAÇÃO

O medo de ser enterrado vivo induz muita gente a cogitar da própria cremação. Queima-se o cadáver evitando o problema. Mas há uma dúvida que inspira a pergunta mais frequente nas palestras sobre a morte:
- Se no ato crematório eu ainda estiver preso ao corpo, o que acontecerá?
Nessas oportunidades, costumo dizer:
-Bem, no interior do forno a temperatura atinge mil e quatrocentos graus centígrados. Considerando que a água ferve a cem graus, podemos imaginar o que é isso. Fica tão quente que o próprio cadáver entra em combustão. Então, em meio às labaredas, se o falecido estiver imbuído de concepções teológicas medievais, imaginará, horrorizado: "Meu Deus! Estou no Inferno!"
Trata-se, evidentemente, de uma brincadeira para descontrair os presentes, ante tema tão fúnebre. Qualquer pessoa esclarecida, de qualquer religião, sabe que o Inferno de fogo, onde as almas ardem, em tormentos eternos, sem se consumirem, é uma fantasia desenvolvida em tempos recuados, quando os princípios religiosos impunham-se muito mais pelo medo do que pela lógica. Sabemos hoje que Céu ou Inferno não são locais geográficos. Existem na intimidade de cada um, em decorrência de nossas ações.
Objetivamente poderíamos responder à pergunta informando que se o Espírito estiver ligado ao corpo não sofrerá dores, porque o cadáver não transmite sensações ao Espírito, mas obviamente experimentará impressões extremamente desagradáveis, além do trauma decorrente de um desligamento violento e extemporâneo. Oportuno destacar algumas considerações de Emmanuel, no livro "O Consolador", psicografia de Francisco Cândido Xavier:
"Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo, onde se extinguiu o "tônus vital", nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material."
O próprio Chico, em entrevista na extinta televisão Tupi, em 1971, transmite nova informação de Emmanuel: Deve-se esperar pelo menos setenta e duas horas para a cremação, tempo suficiente, ao que parece, para o desligamento, ressalvadas as exceções envolvendo suicidas ou pessoas muito presas aos vícios e aos interesses humanos.
Nos fornos crematórios de São Paulo espera-se o prazo legal de vinte e quatro horas. Não obstante, o regulamento permite que o cadáver permaneça em câmara frigorífica pelo tempo que a família desejar. Espíritas costumam pedir três dias. Há quem peça sete dias.
Importante reconhecer, todavia, que muito mais importante que semelhantes cuidados seria cultivarmos uma existência equilibrada, marcada pelo esforço da auto-renovação e da prática do Bem, a fim de que, em qualquer circunstância de nossa morte, libertemo-nos prontamente, sem traumas, sem preocupação com o destino de nosso corpo.
Richard Simonetti

7 de dezembro de 2008

ANTE O MAIS ALÉM

Anseias pela manifestação dos entes amados que te antecederam na grande viagem da desencarnação.
Pondera, entretanto, relativamente à presença deles no plano físico, onde te encontras ainda, e remonta os cuidados que te recebiam nos instantes de luta e sofrimento: medicação para a enfermidade e entendimento nas horas de crise.
Aqueles que se afiguram mortos estão vivos.
E todos os teus pensamentos, com respeito a eles, alcançam-lhes o espírito com endereço exato.
Imagina uma pessoa em desequilíbrio emocional que gritasse em lágrimas ao telefone, rogando consolo e coragem ao ente amado na outra ponta do fio, hospitalizado para tratamento de reajuste, a exigir bastas vezes socorro mais intensivo.
Decerto que os responsáveis pelo doente, de um lado, e pelo outro, o enfermo, à distância, tudofariam para adiar o encontro solicitado, considerando que aflição mais aflição somariam apenas desespero maior.
Diante dos seres queridos domiciliados no Mais Além, reflete, acima de tudo, na infinita bondade deDeus, que nos empresta as afeições uns dos outros por tempo determinado, a fim de aprendermos,através de comunhões e separações temporárias, a entesourar o amor indestrutível que nos reunirá, umdia, na felicidade sem adeus.
E enquanto perdure a distância, do ponto de vista físico, cultiva a saudade nas leiras do serviço aopróximo, qual se estivesse amparando e auxiliando a eles mesmos, tanto quanto efetuando em lugar deles tudo quanto desejariam fazer. Assim construirás, gradativamente, a ponte de intercâmbio pela qual virão ter espontaneamente contigo, de modo a compreenderes que berço e túmulo, existência e morte, são caminhos da evolução para a vida imortal.
Emmanuel
(De "Diálogo dos Vivos", de Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires – Espíritos Diversos)

6 de dezembro de 2008

KARDEC E A ESPIRITUALIDADE

Todas as missões dignificadoras dos grandes vultos humanos são tarefas do Espírito. Precisamos compreender a santidade do esforço de um Edson, desenvolvendo as comodidades da civilização, o elevado alcance das experiências de um Marconi, estreitando os laços da fraternidade, através da radiotelefonia. Apreciando, porém, o labor da inteligência humano, é obrigados a reconhecer que nem todas essas missões têm naturalmente uma repercussão imediata e grandiosa no Mundo dos Espíritos.
Daí a razão de examinarmos o traço essencial do trabalho confiado a Allan Kardec. Suas atividades requisitaram a atenção do planeta e, simultaneamente, repercutiram nas esferas espirituais, onde formaram legiões de colaboradores, em seu favor.
Sua tarefa revelava ao homem um mundo diferente. A morte, o problema milenário das criaturas, perdia sua feição de esfinge. Outras vozes falavam da vida, além dos sepulcros. Seu esforço espalhava-se pelo orbe como a mais consoladora das filosofias; por isso mesmo, difundia-se, no plano invisível, como vasto movimento de interesses divinos.
Ninguém poderá afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo. Este é de todos os tempos e situações da humanidade. Entretanto, é ele o missionário da renovação cristã. Com esse título, conquistado a peso de profundos sacrifícios, cooperou com Jesus para que o mundo não morresse desesperado. E, contribuindo com a sua coragem, desde o primeiro dia de labor, organizaram-se nos círculos da espiritualidade os mais largos movimentos de cooperação e de auxílio ao seu esforço superior.
Legiões de amigos generosos da humanidade alistaram-se sob a sua bandeira cooperando na causa imortal. Atrás de seus passos, movimentou-se um mundo mais elevado, abriram-se portas desconhecidas dos homens, para que a ciência e a fé iniciassem a marcha da suprema união, em Jesus Cristo.
Não somente o orbe terrestre foi beneficiado. Não apenas os homens ganharam esperanças. O mundo invisível alcançou, igualmente, consolo e compreensão.
Os vícios da educação religiosa prejudicaram as noções da criatura, relativamente ao problema da alma desencarnada. As idéias de um céu injustificável e de um inferno terrível formaram a concepção do espírito liberto, como sendo um ser esquecido da Terra, onde amou, lutou e sofreu.
Semelhante convicção contrariava o espírito de seqüência da natureza. Quem atendeu as determinações da morte, naturalmente, continua, além, suas lutas e tarefas, no caminho evolutivo, infinito. Quem sonhou, esperou, combateu e torturou-se não foi a carne, reduzida à condição de vestido, mas a alma, senhora da Vida Imortal.
Essa realidade fornece uma expressão do grandioso alcance “da missão de Allan Kardec”, considerada no Plano Espiritual.
É justo o reconhecimento dos homens e não menos justo o nosso agradecimento aos seus sacrifícios “de missionário”, ainda porque apreciamos a atividade de um apóstolo sempre vivo.
Que Deus o abençoe.
O Evangelho nos fala que os anjos se regozijam quando se arrepende um pecador. E a tarefa santificada de Allan Kardec tem consolado e convertido milhares de pecadores, neste mundo e no outro.
Emmanuel
Livro: Doutrina De Luz - Francisco Cândido Xavier

5 de dezembro de 2008

VIDA NA ESPIRITUALIDADE

Na moradia de continuidade para a qual se transfere, encontra, pois, o homem as mesmas leis de gravitação que controlam a Terra, com os dias e as noites marcando a conta do tempo, embora os rigores das estações estejam suprimidos pelos fatores de ambiente que asseguram a harmonia da Natureza, estabelecendo clima quase constante e quase uniforme, como se os equinócios e solstícios entrelaçassem as próprias forças, retificando automaticamente os excessos de influenciação com que se dividem.
Plantas e animais domesticados pela inteligência humana, durante milênios, podem ser aí aclimatados e aprimorados, por determinados períodos de existência, ao fim dos quais regressam aos seus núcleos de origem no solo terrestre, para que avancem na romagem evolutiva, compensados com valiosas aquisições de acrisolamento, pelas quais auxiliam a flora e a fauna habituais à Terra com os benefícios das chamadas mutações espontâneas.
As plantas, pela configuração celular mais simples, atendem, no plano extrafísico, à reprodução limitada, aí deixando descendentes que, mais tarde, volvem também à leira do homem comum, favorecendo, porém, de maneira espontânea, a solução de diferentes problemas que lhes dizem respeito, sem exigir maior sacrifício dos habitantes em sua conservação.
Ao longo dessas vastíssimas regiões de matéria sutil que circundam o corpo ciclópico do Planeta, com extensas zonas cavitárias, sob as linhas que lhe demarcam o início de aproveitamento, qual se observa na crosta da própria Terra, a estender-se da superfície continental até o leito dos oceanos, começam as povoações felizes e menos felizes, tanto quanto as aglomerações infernais de criaturas desencarnadas que, por temerem as formações dos próprios pensamentos, se refugiam nas sombras, receando ou detestando a presença da luz.
ESFERAS ESPIRITUAIS - Muitos comunicantes da Vida Espiritual têm afirmado, em diversos países, que o plano imediato à residência dos homens jaz subdividido em várias esferas.
Assim é com efeito, não do ponto de vista do espaço, mas sim sob o prisma de condições, qual ocorre no globo de matéria mais densa, cujo dorso o homem pisa orgulhosamente.
Para justificar a nossa asserção, lembraremos, em rápida síntese, que a crosta terrestre, na maior parte dos elementos que a constituem, é sólida, mas conservando, aqui e ali, vastas cavidades repletas de líquido quente ou material plástico.
Guarda o orbe grande núcleo no seio, e que podemos considerar como sendo plasmado num aço de níquel natural, revestido por grossa camada de rocha basáltica, medindo dois mil quilômetros, aproximadamente, de raio, no tope da qual, ali e acolá, surgem finas superfícies de rocha granítica, entre as quais a face basáltica está recoberta de água.
Mais ou menos nessa superfície, reside a zona mais apropriada para indicar o limite do solo que é, conseqüentemente, o leito do oceano.
Temos, desse modo, os continentes do mundo, como ligeira película, com a propriedade de flutuar, a maneira de barcaças imensas, sobre o maciço basáltico, película essa que mantêm a espessura de cinqüenta quilômetros em média.
Encontramos assim, na constituição natural do Planeta, desde a barisfera à ionosfera, múltiplos círculos de força e atividade na terra, na água e no ar, tanto quanto nos continentes identificamos as esferas de civilizações e nas civilizações as esferas de classe, a se totalizarem numa só faixa do espaço.

(Cap. completo em "Evolução em Dois Mundos", XIII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

4 de dezembro de 2008

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Estas três palavras constituem, por si só, o programa de toda uma ordem social que realizaria o mais absoluto progresso da Humanidade, se os princípios que elas exprimem pudessem receber integral aplicação. Vejamos quais os obstáculos que, no estado atual da sociedade, se lhes opõem e, ao lado do mal, procuremos o remédio :
A fraternidade, na rigorosa acepção do termo, resume todos os deveres dos homens, uns para com os outros. Significa: devotamento, abnegação, tolerância, benevolência, indulgência. É, por excelência, a caridade evangélica e a aplicação da máxima: “Proceder para com os outros, como quereríamos que os outros procedessem para conosco.” O oposto do egoísmo. A fraternidade diz: “Um por todos e todos por um” O egoísmo diz: “Cada um por si.” Sendo estas duas qualidades a negação uma da outra, tão impossível é que um egoísta proceda fraternalmente para com os seus semelhantes, quanto a um avarento ser generoso, quanto a um indivíduo de pequena estatura atingir a de um outro alto. Ora, sendo o egoísmo a chaga dominante da sociedade, enquanto ele reinar soberanamente, impossível será o reinado da fraternidade verdadeira. Cada um a quererá em seu proveito; não quererá, porém praticá-la em proveito dos outros, ou, se o fizer, será depois de se certificar de que não perderá coisa alguma.
Considerada do ponto de vista da sua importância para a realização da felicidade social,: é a fraternidade está na primeira linha à base. Sem ela, não poderiam existir a igualdade, nem a liberdade séria. A igualdade decorre da fraternidade e a liberdade é a conseqüência das duas outras.
Com efeito, suponhamos uma sociedade de homens bastante desinteressados, bastante bons e benévolos para viveram fraternalmente, sem haver entre eles nem privilégios, nem direitos excepcionais, pois de outro modo não haveria fraternidade. Tratar a alguém de irmão é tratá-lo de igual para igual; é querer quem assim trate, para ele, o que para si próprio quereria. Num povo de irmãos, a igualdade será a conseqüência de seus sentimentos, da maneira de procederam, e se estabelecerá pela força mesma das coisas. Qual, porém, o inimigo da igualdade ? O orgulho, que faz queira o homem ter em toda parte a primazia e o domínio, que vive de privilégios e exceções, poderá suportar a igualdade social, mas não a fundará nunca e na primeira ocasião a desmantelará. Ora, sendo também o orgulho uma das chagas da sociedade, enquanto não for banido, oporá obstáculo à verdadeira igualdade.
A liberdade, dissemo-lo, é filha da fraternidade e igualdade. Falamos da liberdade legal e não da liberdade natural, que, de direito, é imprescritível para toda a criatura humana,, desde o selvagem até o civilizado. Os homens que viviam como irmãos, com direitos iguais, animados do sentimento de benevolência recíproca, praticarão entre si a justiça, não procurarão causar danos uns aos outros e nada, por conseguinte, terão que temer uns dos outros. A liberdade nenhum perigo oferecerá, porque ninguém pensará em abusar dela em prejuízo de seus semelhantes. Mas, como poderiam o egoísmo, que tudo quer para si, e o orgulho, que incessantemente quer dominar, dar a mão à liberdade que os destronaria ? O egoísmo e o orgulho são, pois, os inimigos da liberdade, como o são da igualdade e da fraternidade.
A liberdade pressupõe confiança mútua. Ora, não pode confiança entre pessoas dominadas pelo sentimento exclusivista da personalidade. Não podendo cada uma satisfazer-se a si própria senão à custa de outrem, todas estarão constantemente em guarda umas contra as outras. Sempre receosas de perderam o a que chamam seus direitos, a dominação constitui a condição mesma da existência de todas, pelo que armarão continuamente ciladas à liberdade e a coarctarão quanto puderem.
Aquele três princípios são, pois, conforme acima dissemos, solidários entre si e se prestam mútuo apoio; sem a reunião deles o edifício social não estaria completo. O da fraternidade não pode ser praticado em toda a pureza, com exclusão dos dois outros, porquanto, sem a igualdade e a liberdade, não há verdadeira fraternidade. A liberdade sem a fraternidade é rédea solta a todas as más paixões, que desde então ficam sem freio; com a fraternidade, o homem nenhum mau uso faz da sua liberdade: é a ordem, sem a fraternidade, usa a liberdade para dar curso a todas as suas torpezas: é a anarquia, a licença. Por isso é que as nações mais livres se vêem obrigadas a criar restrições à liberdade. A igualdade, sem a fraternidade, conduz aos mesmos resultados, visto que a igualdade reclama a liberdade; sob pretexto de igualdade. O pequeno rebaixa o grande, para lhe tomar o lugar, e se torna tirano por sua vez; tudo se reduz a um deslocamento de despostimo.
Seguir-se-á daí que, enquanto os homens não se acharem imbuídos do sentimento de fraternidade, será necessário tê-los em servidão ? Dar-se-á sejam inaptas às instituições fundadas sobre os princípios de igualdade e de liberdade ? Semelhante opinião fora mais que errônea; seria absurda. Ninguém espera que uma criança se ache com o seu crescimento completo para lhe ensinar a andar. Quem, ao demais, os tem sob tutela ? Serão homens de idéias elevadas e generosas, guiados pelo amor do progresso ? Serão homens que se aproveitem da submissão dos seus inferiores para lhes desenvolver o senso moral e elevá-los pouco a pouco à condição de homens livres ? Não; são, em sua maioria, os homens ciosos do seu poder, a cuja ambição e cupidez outros homens servem de instrumentos mais inteligentes do que animais e que, então, em vez de emancipá-los, os conservam, por todo o tempo que for possível, subjugados e na ignorância.
Mas, esta ordem de coisas muda de si mesma, pelo poder irresistível do progresso. A reação é não raro violenta e tanto mais terrível, enquanto o sentimento da fraternidade, imprudentemente sufocado, não logra interpor o seu poder moderador; a luta se empenha entre os que querem tomar e os que querem reter; daí um conflito que se prolonga às vezes por séculos. Afinal, um equilíbrio fictício se estabelece; há qualquer coisa de melhor. Sente-se, porém, que as bases sociais não estão sólidas; a cada passo o solo treme, por isso que ainda não reinam a liberdade e a igualdade, sob a égide da fraternidade, porque o orgulho e o egoísmo continuam empenhados em fazer se malogrem os esforços dos homens de bem.
Todos vós que sonhais com essa idade de ouro para a Humanidade trabalhai, antes de tudo, na construção da base do edifício, sem pensardes em lhe colocar a cúpula; ponde-lhe nas primeiras fiadas a fraternidade na sua mais pura acepção. Mas, para isso, não basta decretá-la e inscrevê-la numa bandeira; faz-se mister que ela esteja no coração dos homens e não se muda o coração dos homens por meio de ordenações. Do mesmo modo que para fazer que um campo frutifique, é necessário se lhe arranquem os pedrouços e os tocos aqui também é preciso trabalhar sem descanso por extirpar o vírus do orgulho e do egoísmo, pois que aí se encontra a causa de toda mal, o obstáculo real ao reinado do bem. Eliminai das leis, das instituições, das religiões, da educação até os últimos vestígios dos tempos de barbárie e de privilégios, bem como todas as causas que alimentam e desenvolvem esses eternos obstáculos ao verdadeiro progresso, os quais, por assim dizer, bebemos com o leite e aspiramos por todos os poros na atmosfera social. Somente então os homens compreenderão os deveres e os benefícios da fraternidade e também se firmarão por si mesmos, sem abalos, nem perigos, os princípios complementares, os da igualdade e da liberdade.
Será possível a destruição do orgulho e do egoísmo ? Responderemos alto e terminantemente: SIM. Do contrário, forçoso seria determinar um ponto de parada ao progresso da Humanidade. Que o homem cresce em inteligência, é fato incontestável; terá ele chegado ao ponto culminante, além do qual não possa ir ? Quem ousaria sustentar tão absurda tese ? Progride ele em moralidade ? Para responder e esta questão, basta se comparem as épocas de um mesmo país. Por que teria ele atingido o limite do progresso moral e não o do progresso intelectual ? Sua aspiração por uma melhor ordem de coisas é indício da possibilidade de alcançá-la. Aos que são progressistas cabe acelerar esse movimento por meio de estudo e da utilização dos meios mais eficientes.
Allan Kardec
Do livro “Obras Póstumas” 1890