28 de fevereiro de 2009

COMECEMOS DE NÓS MESMOS



Ensina a caridade, dando aos outros algo de ti mesmo, em forma de trabalho e carinho e aqueles que te seguem os passos virão ao teu encontro oferecendo ao bem quanto possuem.
*
Difunde a humildade, buscando a Vontade Divina com esquecimento de teus caprichos humanos e os companheiros de ideal, fortalecidos por teu exemplo, olvidarão a si mesmos, calando as manifestações de vaidade e de orgulho.
*
Propaga a fé, suportando os revezes de teu próprio caminho, com valor moral e fortaleza infatigável e quem te observar crescerá em otimismo e confiança.
*
Semeia a paciência, tolerando construtivamente os que se fazem instrumentos de tua dor no mundo, auxiliando sem desânimo e aparando sem reclamar, e os irmãos que te buscam mobilizarão os impulsos de revolta que os fustigam, na luta de cada dia, transformando-a em serena compreensão.
*
Planta a bondade, cultivando com todos a tolerância e a gentileza e os teus associados de ideal encontrarão contigo a necessária inspiração para o esforço de extinção da maldade.
*
Estende as noções do serviço e da responsabilidade, agindo incessantemente na religião do dever cumprido e os amigos do teu círculo pessoal envergonhar-se-ão da ociosidade.
*
As boas obras começam de nós mesmos.
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Educaremos, educando-nos.
*
Não faremos a renovação da paisagem de nossa vida, sem renovar-nos.
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Somos arquitetos de nossa própria estrada e seremos conhecidos pela influência que projetamos naqueles que nos cercam.
*
Que o Espírito de Cristo nos infunda a decisão de realizar o autoaprimoramento, para que nos façamos intérpretes do Espírito do Cristo.
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A caridade que salvará o mundo há de regenerar-nos primeiramente.
*
Sigamos ao encontro do Mestre, amando, aprendendo e servindo e o Mestre, hoje ou amanhã, virá ao nosso encontro, premiando-nos a perseverança com a luz da ressurreição.
Da Obra “Apostilas da Vida”
-Espírito: André Luiz -
- Médium: Francisco Cândido Xavier.
Digitado por: Lúcia Aydir.

27 de fevereiro de 2009

PERANTE A NATUREZA


André Luiz

De alma agradecida e serena, abençoar a Natureza que o acalenta, protegendo, quanto possível, todos os seres e todas as coisas na região em que respire.
A Natureza consubstancia o santuário em que a sabedoria de Deus se torna visível.
Preservar a pureza das fontes e a fertilidade do solo.
Campo ajudado, pão garantido.
Cooperar espontaneamente na ampliação de pomares, tanto quanto auxiliar a arborização e o reflorestamento.
A vida vegetal é moldura protetora da vida humana.
Prevenir-se contra a destruição e o esbanjamento das riquezas da terra em explorações abusivas, quais sejam a queima dos campos, o abate desordenado das árvores generosas e o explosivo na pesca.
O respeito à Criação constitui simples dever.
Utilizar o tesouro das plantas e das flores na ornamentação de ordem geral, movimentando a irrigação e a adubagem na preservação que lhes é necessária.
O auxílio ao vegetal exprime gratidão naquele que lhe recebe os serviços.
Eximir-se de reter improdutivamente qualquer extensão de terra sem cultivo ou sem aplicação para fins elevados.
O desprezo deliberado pelos recursos do solo significa malversação dos favores do Pai.
Aplicar as forças naturais como auxiliares terapêuticos na cura das variadas doenças, principalmente o magnetismo puro do campo e das praias, o ar livre e as águas medicinais.
Toda a farmacopéia vem dos reservatórios da Natureza.
Furtar-se de mercadejar criminosamente com os recursos da Natureza encontrados nas faixas de terra pelas quais se responsabilize.
O mordomo será sempre chamado a contas.

“Pois somos cooperadores de Deus” — Paulo. (I CORÍNTIOS, 3:9.)

Ditado Pelo Espírito - André Luiz - Psicografia Waldo Vieira

26 de fevereiro de 2009

DEUS NÃO SE VINGA


Falei de idéias preconcebidas; há outras além das que vêm das inclinações do inspirado; há as que são conseqüência de uma instrução errônea, de uma interpretação acreditada num tempo mais ou menos longo, que tiveram sua razão de ser numa época em que a razão humana estava insuficientemente desenvolvida e que, passadas ao estado crônico, não podem ser modificadas senão por heróicos esforços, sobretudo quando têm por si a autoridade do ensino religioso e de livros reservados. Uma destas idéias é esta: Deus se vinga. Que um homem, ferido em seu orgulho, em sua pessoa ou em seus interesses se vingue, isto se concebe. Essa vingança, posto que culposa, está na margem dada às imperfeições humanas; mas um pai que se vinga em seus filhos levanta a indignação geral, porque cada um sente que um pai, com a tarefa de formar os seus filhos, endireitar erros, corrigir falhas por todos os meios ao seu alcance, mas que a vingança lhe é interdita, sob pena de tornar-se estranho a todos os direitos da paternidade.
Sob o nome de vindita pública, a sociedade que se vai vingava-se dos culpados; a punição infligida, muitas vezes cruel, era a vingança que tomava do homem perverso; ela não tinha a menor preocupação com a reabilitação desse homem e deixava a Deus o cuidado de o punir ou de o perdoar; bastava-lhe ferir pelo terror que julgava salutar, os futuros culpados. A sociedade que vem não pensa assim; se ainda não age em vista da emenda do culpado, ao menos compreende o que a vingança encerra de odioso por si mesma; salvaguardar a sociedade contra os ataques de um criminoso lhe basta, auxiliada pelo medo de um erro judiciário, em breve a pena capital desaparecerá dos vossos códigos.
Se hoje a sociedade se sente muito grande em frente a um culpado, para se deixar ir à cólera e dele vingar-se, como quereis que Deus, participando de vossas fraquezas, se tome de um sentimento irascível e fira por vingança um pecador chamado ao arrependimento? Crer na cólera é um orgulho da humanidade, que se julga um grande peso na balança divina. Se a planta do vosso jardim vem mal, se se desvia, ireis encolerizar-vos e vos vingar dela? Não; endireitar-la-eis, se puderdes, dar-lhe-eis um apoio, forçareis, por entraves, as suas tendências, se necessário a transplantareis, mas não vos vingais. Assim faz Deus.
Deus vingar-se, que blasfêmia! que diminuição da grandeza divina! que ignorância da distância infinita, que separa a criação de sua criatura! que esquecimento de sua bondade e de sua justiça! Deus viria, numa existência em que não vos resta nenhuma lembrança de vossos erros passados, vos fazer pagar caramente as faltas que podeis ter cometido numa época apagada em vosso ser! Não, não! Deus não age assim; Ele entrava o impulso de uma paixão funesta, corrige o orgulho inato por uma humildade forçada, endireita o egoísmo do passado pela urgência de uma necessidade presente, que leva a desejar a existência de um sentimento que o homem nem conheceu, nem experimentou. Como pai, corrige; mas, também, como pai, Deus não se vinga.
Guardai-vos dessas idéias preconcebidas de vingança celeste, restos dispersos de um erro antigo. Guardai-vos dessas tendências fatalistas, cuja porta está aberta para vossas doutrinas novas, e que vos conduziriam diretamente ao quietismo oriental. A parte de liberdade do homem já não é bastante grande para a apequenar ainda por crenças errôneas; quanto mais sentirdes vossa liberdade, sem dúvida maior será a vossa responsabilidade, e tanto mais os esforços de vossa vontade vos conduzirão à frente, na via do progresso. (Espírito Pascal - R. E. 1865)
Pascal (Blaise) - Geômetra, físico, filósofo e escritor francês (1623-1662); com 19 anos imaginou sua máquina aritmética após 10 anos de trabalho. Escreveu sobre: o vácuo, o cálculo das probabilidades e obras de cunho metafísico e espiritual. (nota do compilador)

25 de fevereiro de 2009

PROCURA E ACHARÁS


Matheus cap 7 v 10 e 11.
Procura e acharás: bate e abrir-se-vos-há. Pedi e dar-se-vos-há. Se vossos filhos vos pedem pão, não lhe dais uma pedra; se vos pedem peixe, não lhe dais uma serpente. Se vós sendo maus sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso pai celestial, dará boas coisas a aqueles que lhes pedirem.
Portanto fazei aos homens tudo o que quereis que vos façam.
Procurai em vossos sofrimentos, a causa que os determina, e achareis na gula, a causa das enfermidades do vosso estômago e intestinos; no vício da embriaguez, a causa da enfermidade dos vossos rins; nos serões e luxúria, a perda da memória e o enfraquecimento do vosso organismo; procurai no vosso gênio, que é o fruto da vossa auto educação, a causa de diversos sofrimentos físicos e achareis no desalento, na dúvida, no medo, na melancolia, no desespero, associados a outros maus hábitos, a causa do mal do vosso fígado; procurai no vosso orgulho e vaidade, a causa do desprezo que vos votam, e das dificuldades que nem sempre são vencidas; procurai no egoísmo, comodismo e indiferentismo, a causa do abandono de vossos companheiros, e do estorvo que muitas vezes encontras nos vossos empreendimentos; procurai na inveja, a causa do desespero que vos domina; procurai na vingança, a causa de insucessos desagradáveis; procurai na maledicência a causa dos males de toda a natureza, flagelos de toda a qualidade, os quais só serão debelados , após várias encarnações; procurai na vossa ignorância, e achareis a necessidade de conhecimentos indispensáveis para vencerdes na vida.
Batei e abrir-se-vos-há; isto é, sede prudentes, constantes não desanimeis diante das dificuldades cada vez maiores; fazei da perseverança uma companheira inseparável.
São as dificuldades que vos abrirão o entendimento, chave da porta da humildade para onde passareis para a sala dos conhecimentos, onde pedindo ser-vos-á dado a condição indispensável à aquisição da felicidade que todos procuram.
Essa condição é fazer aos outros, o que queres que eles nos façam.
Se fordes perseverantes no propósito de adquirir os conhecimentos da chave da humildade ser-vos-ão dadas a paciência, a resignação, o entendimento, a fim de poderes discernir a causa do efeito e compreender o móvel dos acontecimentos que se desenrolam no seio da humanidade.
Assim esclarecidos, procurareis em vossos irmãos, não os defeitos, mas o que eles tiverem de bom. Nos que estiverem necessitados de amparo, esclarecimento e proteção, a oportunidade para desenvolverem com a tua ajuda, os sentimentos e as virtudes indispensáveis á formação de um caráter são; achareis com a vossa boa vontade a forma de auxiliá-los na aquisição dos valores espirituais, fazendo-os participar convosco de a prática dos ensinos de Jesus, e ser-vos-á dado à paz e tranqüilidade como recompensa da vossa conduta.

23 de fevereiro de 2009

A MINHA PAZ VOS DOU


Esta a mensagem que o Divino Mestre entregou aos seus discípulos, após o término de sua exemplificação no mundo físico.
Esta, igualmente, a mensagem que em Seu Nome trazemos a esta assembléia de discípulos seus, unidos de alma e coração, consagrando na Terra a vera Fraternidade, legítima, pura, que comprova sempre a Presença Divina no seio do apostolado do Sumo Bem.
Espiritismo é sol nas almas, esclarecendo, pacificando, ensinando, conscientizando.
Espiritismo é luz do Eterno Amor, descida ao Mundo para aplanar os caminhos terrestres e elevar o Homem-Espírito a régias esferas da Criação.
Um dos seus objetivos é unir, para elevar, santificando sempre.
Vivemos a época precisa de seu esplendor, que deverá atingir os corações, não só na Terra Brasileira, mas nos vários continentes do Planeta e, mais além, nas esferas infelizes e conturbadas que invadem os domínios dos homens, promovendo discórdias.
O Universo, como um todo, é poema de luz e beleza, testificando o poder e a harmonia dos Céus.
Nele, pontifica a Soberana Vontade. Enviando a Doutrina Consoladora ao domicílio dos homens, por Seu Divino Cordeiro, é da Vontade Soberana ver Seus filhos amados unidos, em espírito, na verdade sublime de Seus ensinos.
Eis por que, na reunião de hoje, de irmãos que se consagraram à tarefa de edificar a paz, no labor da renúncia e do sacrifício, exemplificando a ação fraternal quando estava em pauta, não os interesses materiais, mas a Causa do Santo dos Santos Caminho, Verdade e Vida-, vem o Mundo Espiritual abençoar os corações enobrecidos na luta.
Amados, nosso pequenino orbe necessita, sim, dos corações unidos em nome do Divino Amor, que nos deixou a Sua Paz.
Embainhar as espadas, foi Sua ordem. Unidos hoje nas lágrimas derramadas no terreno árido revolvido e nas alegrias que ora florescem, assinalando mais uma vez a destinação desta Terra, rogamos ao Pai Exceiso abençoe a quantos lutaram por desfraldar a Bandeira da Fraternidade.
Em nome do Senhor, que nos deixou as amenidades de Sua Paz, o Mundo Espiritual a todos abraça, conclamando: "Para a frente e para o Alto, com o Cristo, hoje e sempre!"
Bittencourt Sampaio
(Mensagem recebida em reunião pública da Federação Espírita Brasileira, na tarde de 9-7-1978, pela médium Maria Cecília Paiva.)Reformador –outubro – 1978

22 de fevereiro de 2009

LUGAR DA CAVEIRA



“E chegando ao lugar chamado Gólgota que se diz:
- Lugar da Caveira.” – Mateus:- 27-33

É importante que Jesus haja fornecido seu derradeiro ensinamento, na passagem pela Terra, no cimo de um monte que se intitulava vulgarmente “Lugar da Caveira”.
-o-
Circunstancia quase nunca comentada pelos discípulos, ela indica uma paisagem de poderosas sugestões mentais.
-o-
É que o homem, na recapitulação de cada existência, defronta numerosas estações com finalidades especificas.
-o-
Na primeira infância, encontra um lugar de mimos e brinquedos; na meninice um departamento de noções iniciais; na juventude, um caminho de preparação; na idade maior, uma senda de esforço e realização própria.
-o-
Assim também, todas as posições da estrada evolutiva indicam estações com objetivos definidos.
-o-
O trabalho é um lugar destinado à aquisição de experiências nobilitantes; a saúde física e a satisfação no mundo constituem oportunidade para obtenção de temperança, como a dor e a escassez são zonas de vida espiritual, em que as virtudes mais santas podem ser encontradas.
-o-
Todas as situações são lugares em que o Pai observa o comportamento reto ou condenável dos filhos.
É possível que o homem não transite por grande número delas, em uma só existência terrestre, mas Jesus, dando-nos a entender a responsabilidade de cada um, ao termo de cada etapa da obra eterna, revelou às criaturas que ninguém poderá escapar à estação de partida, onde todo homem se mostrará plenamente.
-o-
Para isso deixou ao mundo a poderosa lição do Lugar da Caveira.
Esse é um lugar comum para todas as criaturas humanas.
-o-
E a continuidade da vida, além, será o reflexo das tarefas efetuadas.

Fonte: Levantar e Seguir – Francisco Cândido Xavier – Emmanuel

21 de fevereiro de 2009

SERVIR SEM ESPECULAR


O servidor que especula, perde a graça de ser útil aos que sofrem. Aquele que dá e tem prazer em ser agencioso, diminuindo a quem recebe, atrofia a própria caridade no coração.
A sindicância pode ser um ponto de partida para o comércio. Ante a caridade, porém, ela perde o sentido, por ser difícil uma seleção feita com critério, senão com justiça, nas linhas que o amor determina para a nossa vida.
Temos a infeliz pretensão de confeccionar ficha das misérias e não dos valores humanos. E se isso nos agrada, estamos envolvidos nas mesmas calamidades. Quando amamos determinadas criaturas, não especulamos sobre suas reais necessidade. Investigamos, sim, as vidas daqueles que chegam até nós, pelo ímã de pretéritos compromissos, a ponto de os deixarmos em pior condição da que estavam, e, por vezes, sem o necessário para viver, e ainda com a moral abalada pelas nossas exigências.
Tu, que repassas alguma coisa aos outros e que, pela sindicância, podes deixar de ofertar, pensa bem: e se essa pessoa fosse teu filho, pai, mãe, irmão ou parente?
Será que o teu procedimento seria o mesmo diante de todos, sem distinção, no caso de ligações pelo sangue? Exigimos muito quando isso nos convém e cedemos com o mesmo exagero às pessoas do nosso convívio.
Lembremo-nos do filho pródigo. Foi dado a ele tudo, quando voltou, sem se especular sobre o que ele fizera, sem se lembrar das suas extravagâncias. Mas o irmão que ficou, que já recebia o calor da família, mesmo assim demonstrou o seu ciúme, revoltando-se contra os pais, por uma simples dádiva a mais que o outro recebera.
Suprimamos a averiguação das vidas alheias, sejam quais forem as circunstâncias.
Isso a nada nos leva. Se Deus fosse fazer a nossa ficha para avaliar o que temos a receber de suprimento divino, será que teríamos direito a tudo o que nos está sendo concedido pela bondade superior?
Se estivesses fazendo uma investigação da tua própria vida, sem saberes que eras investigado, será que a tua consciência liberaria alguma dádiva a teu favor, pelo teu procedimento, pelo que és e pelo que ainda não podes ser? Quando és assaltado por ladrões, desejas que eles sejam corrigidos nas prisões, nos calabouços. Muitos pedem pena de morte para os assassinos, mas, em se tratando de um filho, um pai, marido ou mulher, imediatamente mudam de idéia, gritam pela justiça a que todos têm direito e põem os homens da lei a trabalhar pela liberdade do infrator. Na verdade, todos os que são condenados à morte por leis cuja severidade destoa da amorosa energia das leis divinas, os perseguidos pela polícia, e os esquecidos nos depósitos de presos, são, como nós, seres humanos que têm pais, filhos, irmãos, marido ou mulher, que foram feitos iguais a nós, em que pesem os crimes que tenham cometido, sempre por ignorância.
Nisto, não queremos pensar. Somente cuidamos do caso, quando ele arde em nossa pele. Jesus tratou disso com todo o cuidado, dizendo que se amamos os que nos amam, nada de especial fazemos. Mas faremos muito de especial se amarmos os que nos odeiam, se orarmos em favor dos que nos perseguem e caluniam. Façamos isso ou, pelo menos, comecemos a fazer. Aí, sim, estaremos operando em nós uma transformação, uma cirurgia moral para, depois, amarmos, sem especular, a quem devemos amar.

19 de fevereiro de 2009

JESUS NÃO VEIO DESTRUIR A LEI, MAS CUMPRÍ-LA


MATEUS, Cap. V, v. 17-19.
- LUCAS, Cap. XVI, v. 17
Jesus não veio destruir a lei, mas cumpri-la
MATEUS: V. 17. Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumprir. - 18. Porque em verdade vos digo que, enquanto o céu e a terra não passarem, nem um só iota, nem um só ápice da lei passarão, sem que esteja cumprido. - 19. Assim, aquele que violar qualquer destes menores mandamentos e ensinar os homens a violá-los será chamado o menor no reino dos céus; ao passo que aquele que os guardar e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
LUCAS: V. 17. Será mais fácil que o céu e a terra passem, do que cair um sinal qualquer da lei.
Jesus fala da lei e não dos aditamentos que lhe foram feitos, das tradições que lhe tomaram o lugar, das máximas e mandamentos humanos, dos dogmas que os homens decretaram e que, como frutos de suas interpretações, alteraram ou falsearam o sentido e a aplicação dela.
Dizendo que não viera abolir a lei, mas cumpri-la, o Cristo mostrava aos homens não ser a moral que lhes ele pregava diversa da que antes lhes haviam ensinado os enviados do Senhor, Espíritos em missão ou profetas. Mostrava que, simplesmente, tudo tem que seguir a marcha do progresso da Natureza.
A lei que até então fora dada aos homens lhes era proporcionada ao desenvolvimento. Trazia em si uma promessa a ser cumprida no futuro. Jesus veio cumpri-la e, cumprindo as profecias, profetizou por sua vez para os séculos vindouros. Hoje, manda o "consolador prometido", o anunciado "Espírito da Verdade" dar cumprimento às profecias por ele enunciadas.
Os Espíritos do Senhor vêm trazer aos homens a nova revelação, a que podeis chamar, como já vos dissemos, "revelação da revelação", e, por meio dela, clarear e desenvolver as inteligências, purificar os corações no crisol da ciência, da caridade e do amor.
Eles vos dizem, como disse Jesus outrora:
"Não penseis que tenhamos vindo destruir a lei e os profetas". Não; nada do que está na lei passará, porquanto a lei é o amor, que há de continuamente crescer, até que vos tenha levado ao trono eterno do Pai. Vimos lembrar, explicar, tornar compreensível em espírito e verdade - a doutrina moral, simples e sublime, do Mestre, os ensinos velados que ele trans-mitiu aos homens, as profecias veladas que fez durante a sua missão terrena. Não vimos destruir a lei e sim cumpri-la, escoimando a do Cristo das adições que lhe introduziram, das tradições que lhe tomaram o lugar, dos dogmas que, oriundos das interpretações humanas, lhe alteraram ou falsearam o sentido e a aplicação. Vimos reintegrá-la na verdade, estabelecer na Terra a unidade das crenças, convidar-vos e conduzir-vos a todos, abstraindo dos cultos exteriores que ainda vos dividem e separam, à fraternidade, pela prática da justiça, da caridade e do amor recíprocos e solidários.
O Espiritismo é a confirmação do Cristianismo, não com o feitio que lhe deram os homens, mas tal como Jesus o instituiu pela sua palavra evangélica, compreendida e praticada em espírito e verdade.
Ora, que é o Cristianismo de Jesus senão a religião universal, que há de encerrar todos os homens num círculo único de amor e de caridade?
Não, nem um só iota da lei deixará de ser cumprido, pois que a lei dos Hebreus foi o preâmbulo, a preliminar da do Cristo, e o Espiritismo, repetimos, é a confirmação, o meio de cumprimento integral desta última.
Aquele que violar um qualquer, mesmo dos menores, mandamentos da lei, que toda se resume no amor a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo; que implica a observância do Decálogo, a prática do amor para com todos, em toda parte e sempre, esse será o ultimo no reino dos céus. Quer dizer que esse, depois de sofrer a expiação na erratici-dade, reencarnará conforme ao grau de culpabilidade, na Terra ou em outros planetas inferiores, a fim de reparar as faltas e progredir.
Aquele, porém, que fizer e ensinar o que a lei manda será chamado "grande no reino dos céus", isto é, se elevará, na medida do seu adiantamento moral, do progresso que houver realizado, aos planetas superiores, engrandecendo-se sempre pela humildade, pela ciência, pela caridade e pelo amor.
Aquele que recebeu o encargo de ensinar e não pratica o que ensina é culpado, não só do mal que fez, como também do mal que causou pela contradição entre seus atos e suas palavras.
Espíritas, não façais como os chefes das antigas sinagogas, como os escribas e fariseus de outrora, como os de hoje. Sereis muito culpados, pois que recebestes a luz para clarear os vossos e os passos dos vossos irmãos.
Deveis antes de tudo pregar pelo exemplo. Esta a única pregação que produz bons frutos. Lembrai-vos das palavras do Cristo: "Eles vos colocam sobre os ombros pesado fardo, no qual não consentiriam em tocar sequer com a ponta do dedo". Se quiserdes marchar segundo as leis do Senhor e chegar a ele, acompanhados gloriosamente por todos quantos houverdes resgatado, começai por tomar sobre os ombros o fardo que impondes aos outros; mostrai-lhes o meio de o tornarem leve e podereis então obrigá-los a que o carreguem. Tudo se reduz a isto: pregar sempre pelo exemplo, como Jesus pregava. Pregai, pois, assim; que as vossas palavras nunca deixem de ser a conseqüência das vossas ações.
Os espíritas, antes de mais nada, devem praticar santamente e sinceramente a lei do amor que lhes cumpre ensinar. Para que as massas se deixem conduzir, faz-se mister compreendam o bem que podem auferir de um acontecimento qualquer. Demonstrai-lhes, conseguintemente, pelo vosso proceder, a submissão e o amor ao vosso Deus, o amor e a caridade, que praticamente consagrais aos vossos irmãos. Não vos citeis nunca como modelo - sede-o.
Usai de benevolência com os que repelem as vossas crenças, esperai que seus olhos se abram para a luz e a possam suportar.
Porventura, ao tirar a venda espessa que ocultava a claridade do dia ao cego, o oculista lhe consente contemplar imediatamente aquela claridade? Não; o doente ficaria ofuscado. Viva de mais para seus órgãos enfraquecidos, ela o faria mergulhar de novo numa profunda noite, da qual talvez não mais saísse.
Graduai, portanto, o brilho da verdade, para os olhos dos cegos morais, experimentai-os com prudência, lançai-lhes nos corações pouco a pouco a semente e esta germinará. Se os frutos que devam colher dela não amadurecerem sob as vossas vistas, um momento, entretanto, virá em que tais frutos lhes serão proveitosos. À hora da morte material, os vossos ensinamentos se lhes patentearão aos olhos e esplêndida luz os banhará. Tê-los-eis desse modo ajudado a transpor um passo dificílimo para a matéria. Não choqueis os incrédulos, não vos incomodeis com as zombarias, sede dignos e calmos na vossa fé, perseverantes nas boas obras. Lançai a semente, que ela encontrará a terra fértil e aí se arraigará. Cultivai-a então, cultivai-a com amor, para que um grão produza trinta, outro sessenta e outro cem. Assim será, porque cada um dos que tiverdes conquistado para a fé a espalhará por sua vez em torno de si e, quais essas espigas maduras carregadas de grãos, cujas sementes o vento, sacudindo-as, dispersa em longa extensão, a verdade se espalhará e produzirá saborosos frutos.

JESUS NÃO VEIO DESTRUIR A LEI, MAS CUMPRÍ-LA


MATEUS, Cap. V, v. 17-19.
- LUCAS, Cap. XVI, v. 17
Jesus não veio destruir a lei, mas cumpri-la
MATEUS: V. 17. Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumprir. - 18. Porque em verdade vos digo que, enquanto o céu e a terra não passarem, nem um só iota, nem um só ápice da lei passarão, sem que esteja cumprido. - 19. Assim, aquele que violar qualquer destes menores mandamentos e ensinar os homens a violá-los será chamado o menor no reino dos céus; ao passo que aquele que os guardar e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
LUCAS: V. 17. Será mais fácil que o céu e a terra passem, do que cair um sinal qualquer da lei.
Jesus fala da lei e não dos aditamentos que lhe foram feitos, das tradições que lhe tomaram o lugar, das máximas e mandamentos humanos, dos dogmas que os homens decretaram e que, como frutos de suas interpretações, alteraram ou falsearam o sentido e a aplicação dela.
Dizendo que não viera abolir a lei, mas cumpri-la, o Cristo mostrava aos homens não ser a moral que lhes ele pregava diversa da que antes lhes haviam ensinado os enviados do Senhor, Espíritos em missão ou profetas. Mostrava que, simplesmente, tudo tem que seguir a marcha do progresso da Natureza.
A lei que até então fora dada aos homens lhes era proporcionada ao desenvolvimento. Trazia em si uma promessa a ser cumprida no futuro. Jesus veio cumpri-la e, cumprindo as profecias, profetizou por sua vez para os séculos vindouros. Hoje, manda o "consolador prometido", o anunciado "Espírito da Verdade" dar cumprimento às profecias por ele enunciadas.
Os Espíritos do Senhor vêm trazer aos homens a nova revelação, a que podeis chamar, como já vos dissemos, "revelação da revelação", e, por meio dela, clarear e desenvolver as inteligências, purificar os corações no crisol da ciência, da caridade e do amor.
Eles vos dizem, como disse Jesus outrora:
"Não penseis que tenhamos vindo destruir a lei e os profetas". Não; nada do que está na lei passará, porquanto a lei é o amor, que há de continuamente crescer, até que vos tenha levado ao trono eterno do Pai. Vimos lembrar, explicar, tornar compreensível em espírito e verdade - a doutrina moral, simples e sublime, do Mestre, os ensinos velados que ele trans-mitiu aos homens, as profecias veladas que fez durante a sua missão terrena. Não vimos destruir a lei e sim cumpri-la, escoimando a do Cristo das adições que lhe introduziram, das tradições que lhe tomaram o lugar, dos dogmas que, oriundos das interpretações humanas, lhe alteraram ou falsearam o sentido e a aplicação. Vimos reintegrá-la na verdade, estabelecer na Terra a unidade das crenças, convidar-vos e conduzir-vos a todos, abstraindo dos cultos exteriores que ainda vos dividem e separam, à fraternidade, pela prática da justiça, da caridade e do amor recíprocos e solidários.
O Espiritismo é a confirmação do Cristianismo, não com o feitio que lhe deram os homens, mas tal como Jesus o instituiu pela sua palavra evangélica, compreendida e praticada em espírito e verdade.
Ora, que é o Cristianismo de Jesus senão a religião universal, que há de encerrar todos os homens num círculo único de amor e de caridade?
Não, nem um só iota da lei deixará de ser cumprido, pois que a lei dos Hebreus foi o preâmbulo, a preliminar da do Cristo, e o Espiritismo, repetimos, é a confirmação, o meio de cumprimento integral desta última.
Aquele que violar um qualquer, mesmo dos menores, mandamentos da lei, que toda se resume no amor a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo; que implica a observância do Decálogo, a prática do amor para com todos, em toda parte e sempre, esse será o ultimo no reino dos céus. Quer dizer que esse, depois de sofrer a expiação na erratici-dade, reencarnará conforme ao grau de culpabilidade, na Terra ou em outros planetas inferiores, a fim de reparar as faltas e progredir.
Aquele, porém, que fizer e ensinar o que a lei manda será chamado "grande no reino dos céus", isto é, se elevará, na medida do seu adiantamento moral, do progresso que houver realizado, aos planetas superiores, engrandecendo-se sempre pela humildade, pela ciência, pela caridade e pelo amor.
Aquele que recebeu o encargo de ensinar e não pratica o que ensina é culpado, não só do mal que fez, como também do mal que causou pela contradição entre seus atos e suas palavras.
Espíritas, não façais como os chefes das antigas sinagogas, como os escribas e fariseus de outrora, como os de hoje. Sereis muito culpados, pois que recebestes a luz para clarear os vossos e os passos dos vossos irmãos.
Deveis antes de tudo pregar pelo exemplo. Esta a única pregação que produz bons frutos. Lembrai-vos das palavras do Cristo: "Eles vos colocam sobre os ombros pesado fardo, no qual não consentiriam em tocar sequer com a ponta do dedo". Se quiserdes marchar segundo as leis do Senhor e chegar a ele, acompanhados gloriosamente por todos quantos houverdes resgatado, começai por tomar sobre os ombros o fardo que impondes aos outros; mostrai-lhes o meio de o tornarem leve e podereis então obrigá-los a que o carreguem. Tudo se reduz a isto: pregar sempre pelo exemplo, como Jesus pregava. Pregai, pois, assim; que as vossas palavras nunca deixem de ser a conseqüência das vossas ações.
Os espíritas, antes de mais nada, devem praticar santamente e sinceramente a lei do amor que lhes cumpre ensinar. Para que as massas se deixem conduzir, faz-se mister compreendam o bem que podem auferir de um acontecimento qualquer. Demonstrai-lhes, conseguintemente, pelo vosso proceder, a submissão e o amor ao vosso Deus, o amor e a caridade, que praticamente consagrais aos vossos irmãos. Não vos citeis nunca como modelo - sede-o.
Usai de benevolência com os que repelem as vossas crenças, esperai que seus olhos se abram para a luz e a possam suportar.
Porventura, ao tirar a venda espessa que ocultava a claridade do dia ao cego, o oculista lhe consente contemplar imediatamente aquela claridade? Não; o doente ficaria ofuscado. Viva de mais para seus órgãos enfraquecidos, ela o faria mergulhar de novo numa profunda noite, da qual talvez não mais saísse.
Graduai, portanto, o brilho da verdade, para os olhos dos cegos morais, experimentai-os com prudência, lançai-lhes nos corações pouco a pouco a semente e esta germinará. Se os frutos que devam colher dela não amadurecerem sob as vossas vistas, um momento, entretanto, virá em que tais frutos lhes serão proveitosos. À hora da morte material, os vossos ensinamentos se lhes patentearão aos olhos e esplêndida luz os banhará. Tê-los-eis desse modo ajudado a transpor um passo dificílimo para a matéria. Não choqueis os incrédulos, não vos incomodeis com as zombarias, sede dignos e calmos na vossa fé, perseverantes nas boas obras. Lançai a semente, que ela encontrará a terra fértil e aí se arraigará. Cultivai-a então, cultivai-a com amor, para que um grão produza trinta, outro sessenta e outro cem. Assim será, porque cada um dos que tiverdes conquistado para a fé a espalhará por sua vez em torno de si e, quais essas espigas maduras carregadas de grãos, cujas sementes o vento, sacudindo-as, dispersa em longa extensão, a verdade se espalhará e produzirá saborosos frutos.

18 de fevereiro de 2009

A CASA DE DEUS



A CASA DE DEUS, filhos, é o universo inteiro, porque Deus está em toda parte, a revelar-se para que as fôrças do mal não conduzam para as trevas os que buscam a luz, para orientar-lhes a caminhada pela estrada da vida, em roteiro seguro para a perfeita união com o Pai, que é o supremo amor, a suprema alegria, tão bem representado pelo espelho sublime que sua imagem reflete: JESUS.
O nosso Mestre amado ensina-nos em seu Evangelho de amor o caminho da Verdade, fazendo de nossos corações, alimentados por pensamentos puros de mentes já iluminadas para orientar as atitudes fraternas de paz e amor à serviço do Cristo de Deus, esclarecem as ovelhas a fim de que não se desviem do caminho verdadeiro, fazendo das casas de oração casas de comércio. Pois, onde as almas se reunem para o maravilhoso encontro com Deus, não se permite nem um só gesto que identifique qualquer transação comercial, porque o ouro traz a ambição e a ambição pelo ouro é que perde as almas, interrompendo a caminhada para Deus.
O Mestre Jesus nos adverte quanto a isso de forma bem concisa, que não deixa nem uma dúvida. Mas certos orientadores religiosos é que não querem entender a Divina Mensagem do Mestre.
Quando Jesus fez sua entrada triunfal em Jerusalém, o povo veio alegremente para as ruas para recebê-lo, bradando em vozes fortes e cheias de entusiasmo: Viva Deus nas alturas e Jesus entre os homens!
Jesus foi ao Templo. Pelos pátios, pelos arredores e dentro do Templo, se fazia mercado de animais, cereias e tudo quanto aquela gente possuía para vender, com o consentimento dos sacerdotes. Então, Jesus mandou que se retirassem dali com suas súplicas das criaturas a seu Criador. Foi para terem aquele recanto reservado, onde pudessem falar com Deus e seus anjos(ou Espíritos), que os homens construíram seus templos. É ali que as almas se abrem, cheias de fé, porque lá estão as vibrações puríssimas do Amor do Pai para suas criaturas.
Ali é famosa escada de Jacó, por onde sobem as preces, as súplicas, as manifestações de amor e gratidão, e por onde descem, em catadupas de amor, as bênçãos e as respostas que os céus enviam às almas da Terra. Profanar um templo é grande crime. Por isso o Divino Senhor espantou daquele lugar sagrado os que o maculavam com sua cobiça e egoismo.
Naquele acumulado de vibrações de amor, de prece, de perdão, na explosão da sua fé e confiança em Deus, as criaturas achavam-se em Jesus. Ele estava ali na manifestação da mais alcandorada efusão de amor para com Deus; e, por isso Ele disse: “A minha casa é casa de oração”. Sim ali, e onde quer se faça oração, está unido com o Cristo, porque Ele disse: “Eu e meu Pai soms um”. Assim, bem claro ficou seu pensamento, quando disse a João: “Não proibais que curem em meu nome, esses não são contra mim”.
E para que estejamos com Cristo, necessário se faz cumpramos seus ensinamentos evangélicos, não desobedecendo as suas determinações e procurando estar com Ele tanto quanto Ele está conosco.

Bezerra de Menezes

17 de fevereiro de 2009

PRISÕES ESPIRITUAIS


Em reuniões mediúnicas, não raro ouvimos Espíritos obsessores afirmarem estar detidos ou que ficaram presos durante algum tempo pela Equipe Espiritual do Centro. Aos menos experimentados parece apenas rima forma de expressão, pois aprisionar um Espírito não seria compatível corri a misericórdia que se presume nos Espíritos Superiores.
A realidade, porém, é que, assim corno no mundo espiritual existem residências, escolas, hospitais, museus, igualmente existem prisões, destinadas aos mais rebeldes às leis divinas.
A primeira notícia a esse respeito nos foi trazida por André Luiz, em sua obra Nosso Lar, no capítulo "Problema de Alimentação". Diz o escritor que o Governador de Nosso Lar resolveu promover a espiritualização do serviço de abastecimento irias encontrou resistência, inclusive de entidades eminentes, até que, depois de mais de trinta anos de esclarecimentos e paciência, tomou medidas enérgicas, dentre elas o funcionamento de todos os calabouços do Departamento de Regeneração, para isolamento dos recalcitrantes.
Voltamos ao assunto quando lemos "Memórias de Um Suicida", de Yvonne Pereira, referindo-se no setor de isolamento do hospital dirigido por Maria de Nazaré, que recebeu de Jesus a sublime missão de socorrer aqueles que deixam o corpo na Terra pelas portas do suicídio.
Camilo Castelo Branco, o personagem principal da história narrada, espanta-se corri o fato de rim companheiro de infortúnio encontrar-se detido no Isolamento, ao que o instrutor lhe passa significativo ensinamento.
Diz que, "como nas estâncias sombrias do Invisível só ingressam Espíritos criminosos a se julgarem ainda homens, voluntariosos e prepotentes, querendo continuar a agir em prejuízo do Próximo e de si mesmo, a necessidade de rigores se impõe, como na sociedade terrestre sucede corri aqueles que infringem as leis humanas, pois é bom saibais que as organizações terrestres são cópias imperfeitas das instituições modelares da Espiritualidade!"
E prossegue: "depois que se compreende as atuações gerais dos Espíritos desencarnados inferiores, é possível imaginar o que seria a Humanidade terrestre se não existissem repressões nas sociedades espirituais, urna vez que, mesmo havendo-as, hordas sinistras de malfeitores do plano invisível atacam a todas as horas os homens incautos que Mies favorecem o acesso, contribuindo para suas quedas e para a desordem entre as nações!"
Do relato contido na obra aprende-se que as prisões do plano espiritual não são meros locais de recolhimento, mas têm por finalidade a recuperação do Espírito inferior e criminoso, ao qual instrutores sábios e benevolentes se entregam corri dedicação ao ensinamento das leis naturais e divinas, às vezes por dezenas de anos, até que aquele se convença da necessidade do bem e se proponha à reencarnação para novas experiências evolutivas.
Com esses conhecimentos, talvez seja para nós mais fácil compreender que o nosso estágio evolutivo ainda requer n cedidas mais drásticas, em favor do próprio infrator, que merecerá de nós tratamento enérgico e amoroso, para que seja erradicado o mal que o domina.
Lembrando Jesus, seremos sempre contra o final, mas tolerantes corri os que o praticam.

16 de fevereiro de 2009

OS TRES EFEITOS

A religião oferece resposta às indagações fundamentais do ser humano: quem sou? De onde venho? Para onde vou? Propondo-lhe, também, uma escala de valores pelos quais poderá ele orientar-se ao selecionar objetivos ou tomar decisões.
Pessoas existem, contudo, que declarando-se adeptas de alguma crença, vivem como se isso não tivesse qualquer influência em sua conduta, exceto pelo fato de freqüentarem eventualmente algum templo. Temos neste caso a chamada religião social ou de convenção, em que não existe comprometimento do indivíduo com a mensagem religiosa, que é comportamental.
Naturalmente esse comprometimento ocorre em grau variável, tendo Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, identificado três efeitos habitualmente produzidos pela adoção do Espiritismo:
“O primeiro e mais geral consiste em desenvolver o sentimento religioso até naquele que, sem ser materialista, olha com absoluta indiferença para as questões espirituais... O segundo, quase tão geral como o primeiro, é a resignação nas vicissitudes da vida. O Espiritismo dá a ver as coisas de tão alto, que, perdendo a vida terrena três quartas partes de sua importância, o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham. Daí, mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos...O terceiro é o de estimular no homem a indulgência para com os defeitos alheios...”
Em síntese: sentimento religioso, resignação nas dificuldades e indulgência para com o próximo mas... e quando nada disso ocorre, e aquele que se diz espírita não mostra em seu comportamento qualquer sinal daquelas atitudes?
Teria a mensagem espírita falhado, deixando de produzir seus benéficos resultados? Não, certamente, pois não é esse o caso focalizado por Kardec.
Ao comentar aqueles efeitos, por tê-los observado em inúmeras pessoas, referia-se o Codificador a indivíduos que conheciam e compreendiam as idéias espíritas, bem como suas implicações morais, o que só é possível através do estudo e da reflexão.
Freqüentar de vez em quando e maquinalmente alguma casa espírita, apenas para receber passes e sem maior interesse pelo conhecimento doutrinário não basta.
Quem é espírita assim se define por opção pessoal diante de princípios que se apóiam na observação e na lógica e, quando isto ocorre, os efeitos assinalados por Allan Kardec, em maior ou menor grau, não deixarão de se manifestar em sua vida.
Sempre oportuno assim, verificamos que efeitos o conhecimento espírita está produzindo em nós.
“O Livro dos Espíritos” ( conclusão, item 7).

15 de fevereiro de 2009

SILÊNCIO E NÓS

Consideremos a expressão nos domínios da palavra.
A todos os momentos somos convocados a participar das considerações humanas através dos sons articulados. Nossa condição momentânea exige-nos a condução do pensamento através ora da movimentação da língua, ora da grafia inteligível, na permuta de impressões e na troca de opiniões. O êxito dessa empreitada constante depende, todavia, de como empregamos as faculdades de que dispomos. Falar e escrever bem; falar e escrever mal.
Geralmente, as possibilidades efetivas do homem esbarram na precipitação, e não cedem à providência da calma, na aprendizagem dirigida, senão o tempo estritamente necessário à concatenação fisiológica. Assim, por exemplo, o olhar se dirige às cenas menos enobrecedoras, no campo do mundo, imantado por uma necessidade de alimentação recíproca dos dínamos da alma. A audição quase sempre se aguça às mímicas indiscretas e às insinuações maldosas. As pernas ganham em celeridade, toda vez que chamadas a colaborar na efetivação de intenções terra-a-terra. As mãos se aprestam em escrever páginas histriônicas, dissertações picantes e frases desdenhosas. Indisfarçável a expressão de gozo face às anedotas deprimentes. Em tudo isso, reside a motivação no Espírito, ficando patente que essas injunções, denunciadoras do padrão em que vibramos, não se asilam no automatismo de nossas reações, mas o próprio automatismo se origina na fonte das intenções que nos povoam o ser.
Focalizando especificamente o terreno da linguagem articulada, não nos esqueçamos de que há momentos consagrados à expressão do silêncio. Tanto a pena se aquieta quanto a voz se acautela, em benefício da sociedade.
Completando o seu Moisés, Miguel Ângelo primeiramente silencia. Profundo silêncio rodeia o grande legislador hebreu após a chegada dos Dez Mandamentos, em meio ao Monte Horebe, em pleno deserto do Sinai. As grandes telas não foram compostas entre explosões verbais. Os mestres da música recolhem-se ao mutismo para trazer ao pentagrama a grande voz. As magnas obras literárias não se estruturaram no vozerio dos cafés, nem nas tavernas, entre vinhos inebriantes, mas no silêncio criador, qual o que se nos impõe a indagação ante o céu noturno, quando mergulhamos a alma na vibração divina, disseminada pelo zimbório estrelado.
Assim também, conscientes em nossa esfera de ação própria, esforçando-nos por ascender para Deus, não cultivemos a voz na impostação improdutiva do sofisma, no conselheirismo viciado, ou em criações mentais que se voltarão contra nós de esquina a esquina.

Se formos chamados a pronunciamentos ostensivos, caracterizemos a mediação construtiva em nosso verbo e em nossa escrita.
Não desprezemos, porém, a grandeza do silêncio, aproveitando-o para adentrarmos o próprio íntimo, em busca do amadurecimento.
A palavra é a convicção do próprio homem; é basicamente ela que nos diferencia de nossos irmãos ditos irracionais. Poderá, contudo, ser precisamente ela que nos fará, por vezes, mais fragmentários do que eles mesmos.
Reeduquemo-nos agora. Paulo, perante Félix, e, após, diante de Pórcio Festo e do Rei Herodes Agripa II, não verberou acusações nem vociferou cizânia. Limitou-se a realmente esclarecer. Assim façamos nós.
Jesus, perante Pôncio Pilatos, guardou silêncio.

*
Anchieta
(Página psicografada pelo médium Gilberto Campista Guarino, na reunião pública de 5 de marco da 1976, na FEB — Seção Rio de Janeiro, RJ.)


Reformador, maio 1976, p. 149.

14 de fevereiro de 2009

“HÁ TEMPO PARA CHORAR... MAS NINGUÉM TEM TEMPO PARA CHORAR COM A GENTE...”


Eu tinha mais ou menos doze anos, era moleque cheio de bicho de pé no pé, estava nas terras de Pernambuco e toda minha família resolveu ir para Recife. Eu estava muito aborrecido, porque a minha vontade não era ficar ali. Nós morávamos num barreirão, para andar era horrível. Naquela época chovia muito no Nordeste, era tudo verde, bonito, dava muita cana, milho e mandioca nunca faltava no tempo da seca. Hoje é que não chove mais.
Estava eu lá e fui trabalhar na venda do Sr Nunico, a qual era boa e bem abastecida. Perto da venda, montaram um circo grande e fiquei doido por causa desse circo, só que não tinha como eu assistir o espetáculo, porque trabalhava pela rapadura, pela farinha, pelo feijão, pela carne de sol e pelo torresmo. Era só isso, tudo muito regrado e ainda apanhava quando em casa. Era uma tristeza!...
Tive um recurso... Cheguei na porta do circo e disse:
-Depois que o Sr. Nunico fechar a venda, tem como eu trabalhar aqui para, então, ver o espetáculo?
Um homem meio triste, virou para mim e disse:
-Se você quiser trabalhar de amarra-cachorro?!...
-Amarra-cachorro?... Vou ter que fazer o que? Amarrar os cachorros aqui?
-Não! Amarra cachorro faz o que a gente manda e apanha sem reclamar.
-Mas se for para ver o palhaço Pururuca, que dizem ser o palhaço melhor do mundo, que conta coisas tão lindas, eu quero!
Ele disse:
-Você gosta do palhaço Pururuca? Você já o viu?
-Não! Mas vocês já fizeram espetáculo e eu fiquei sabendo que o palhaço Pururuca é muito bom.
Ele falou:
-Você está falando com ele.
-Você é o palhaço Pururuca?
-Eu sou! Depois que pinto a cara, coloco as minhas roupas, eu fico diferente. Não tem graça nenhuma eu ficar fazendo graça para um menino como você, que quer ser só amarra-cachorro na vida. Você não quer fazer mais nada não?
-Eu não sei, mas acho que quando eu estiver mais velho vou cair no cangaço.
-Cruz credo, oh! cabra da peste! Você não serve não?
-A minha família é pobre, não vou conseguir ser soldado, não vou conseguir estudar, o que vai restar para mim nesse mundo de Deus? Vou ter que me defender. Não estou aqui me defendendo no circo?
-Mas o que você vai ser no circo?
-Ser amarra-cachorro! Não tenho coragem de largar minha mãe. Só saio de casa depois que minha mãe e meu pai morrerem, antes disso, não saio de casa de jeito nenhum.
-Menino! Toma jeito nessa cabeça, onde se viu, cair no cangaço? Você ficou doido! Vai ser amarra-cachorro de qualquer circo.
Eu falei:
-Olha, deixa eu ver o Pururuca? Eu quero ver o Pururuca lá no picadeiro.
Ele falou:
-Você vai ser amarra cachorro, vai limpar o circo, arrumar as cadeiras, vai fazer tudo que mandarmos, aí deixo você ficar lá no fundo do picadeiro vendo-me e ajudando-me. Vou lhe arrumar uma roupa vermelha para me ajudar.
Foi meu dia e minha noite de glória.
Eu fiquei ali, tinha que trabalhar no Sr. Nunico, mas chegava a noite e falava:
-Sr. Nunico, posso ir? Estou no circo.
Ele falou:
-Se trabalhar dobrado depois que o circo for embora durante um mês, eu deixo.
Trato feito, trato cumprido.
Fui eu para lá. Dava 8 horas, estava eu no circo, todo iluminado por lampião e eu vendo o Pururuca. Era minha alegria. Ninguém e nada era igual a ele. Quando chegava fazendo suas graças, como eu ficava feliz, como eu ria. Quando ele mandava eu pegar as coisas e levar para ele, eu me sentia o rei dos reis.
Eles ficaram uns vinte dias na cidade. Foram vinte dias de glória, de alegria, de satisfação. Mas perto deles irem embora, uns três dias antes deles seguirem, a mulher do Pururuca estava para dar à luz o primeiro filhinho deles. Ele estava nervoso. Tinham chamado uma parteira, mas o espetáculo não podia parar. E ele perguntava ao público:
-Então, o palhaço o que é?
E todos respondiam:
-É ladrão de mulher!
Mentira! Pururuca não era ladrão de mulher nenhuma. A mulher dele estava lá, numa tenda, passando os maiores apuros para dar à luz ao primeiro filhinho. Era uma moça bonita, trabalhava o dia todo, alisava a barriga e dizia:
-Aqui tem um Pururuquinha!
Eu achava uma graça e o Pururuca dizia:
-Se Deus quiser, meu filho quando crescer não vai ser palhaço, nem polícia, nem cangaceiro. Vai ser um homem de fé.
E na noite em que o circo estava lotado, pois era a sua despedida, a mulher do Pururuca, que já estava duas noites com a parteira, deu início ao trabalho de parto e o Pururuca estava na hora de entrar no picadeiro. O dono do circo falando:
-Pururuca, eu sei que você tem seus problemas, mas o espetáculo continua. Quem é artista não pode chorar e nem faltar. Só morto! Você pare de pensar em sua mulher, porque tudo quanto é mulher passa por isso.
-Mas eu tenho a minha mulher!
-Vai dar tudo certo!
Uma hora depois, quando os trapezistas já tinham saído, as moças estavam cantando e a parteira chegou. O Pururuca de cara pintada, calça larga, falou:
-E então? Não ouvi o neném chorar.
Ela disse:
-Pururuca, quem vai chorar, infelizmente, é você. A sua mulher e o neném não escaparam. Foi hemorragia demais, foi um parto muito difícil. Vou ter que arrumá-la agora, ou se você quiser entrar para vê-la, pode entrar.
E o dono do circo dizia:
-E então Pururuca, vem ou não vem?
Pururuca enxugou a lágrima que caia, segurou a parteira no ombro e falou:
-Arrume-a, eu quero vê-la bem bonita.
Ele foi para o picadeiro. E ninguém riu tanto com o Pururuca como naquela noite. Ninguém bateu mais palmas para o Pururuca, como naquela noite.
Era a noite de despedida do circo, que tinha que deixar uma imagem boa, pois quando lá voltassem, as pessoas teriam a certeza de que o espetáculo era mesmo bom.
Era a última noite do Pururuca ao lado da sua mulher e do Pururuquinha, que não chegou a nascer.
Meus irmãos, a vida é assim... Cheia de alegrias e tristezas. Principalmente o artista que aprende a rir chorando, aprende a fazer o espetáculo de cada noite, com o coração amargurado.
Aquele que quiser viver e vencer no mundo, têm que ser também como o artista; que deixa a dor bater no peito e não faz ninguém pagar por ela, que é só sua e que carrega na alma.
Quantas são as casas que nós chegamos e o homem aborrecido com os problemas do serviço, briga com a mulher, bate nos filhos. Quantas mulheres aborrecidas, cansadas com as suas labutas do dia-a-dia, o marido chega, ela o xinga, briga com a vizinha, bate nos filhos...
Nós temos que ver que a hora para chorarmos, é toda hora, mas que temos que fazer da vida um momento feliz, um momento de amor, um momento de picadeiro, onde se faz palhaçada, mas que tem a vida, o sofrimento da gente.
Quantas vezes vocês foram no circo e viram o palhaço gargalhar, gritar? Vocês pensaram alguma vez que aquele palhaço pode estar doente? Pode trazer dentro de si um câncer? Pode ter no mundo uma filha perdida? Pode estar ali por ter perdido toda família?
O Pururuca me deu uma grande lição que me acompanhou pela vida a fora:
"Que há tempo para chorar... Mas ninguém tem tempo para chorar com a gente." As pessoas só querem rir com a gente, chorar, não querem. No momento de chorar, choramos sozinhos, no nosso canto.
Por isso aprendam a chorar com alegria no coração, lembrando que às vezes a pessoa que mais sorri é aquela que mais esconde a dor dentro do coração.
Que o espetáculo da terra continua e às vezes aquele que é dono do espetáculo, é aquele que mais sofre, mais se sacrifica, mais chora, é aquele que mais sorri.
Todos vocês aprendam que a vida continua. Temos que lutar, que aprender cada dia as lições que as pessoas nos ensinam. E o Pururuca enterrou naquela terra a sua esposa tão querida, o seu filhinho e foi pelo mundão a fora:
-Hoje tem espetáculo?
-Tem sim sinhô!
-E o palhaço o que é?
-É ladrão de mulher!
Mentira! O palhaço é o grande dono do espetáculo da vida. Só ele esconde a tristeza no camarim e vai para o picadeiro fazendo todo mundo alegre.
Um dia eu estava no pátio do Nosso Lar, chegando de uma caravana, quando eu vi um homem muito triste sentado lá, olhei e disse:
-Esse homem está meio velho mas me lembra alguém.
Quando conheci Pururuca eu era menino. Aí, me dirigi a ele:
-Escute, como o senhor se chama?
-Antônio.
-Sua voz não me é estranha.
-Eu não fui nada, não sou nada, fui um palhaço na terra.
Quando ele falou: Fui um palhaço na terra, eu disse:
-Pururuca! Você é o Pururuca?
-Onde você me conheceu?
-Você se lembra do amarra-cachorro, da venda do Sr. Nunico?
-Eu não! Foram tantos amarra-cachorro pela vida, que eu não me lembro.
-Por que você está triste, Pururuca? Você fazia todo mundo alegre.
-Porque minha vida foi triste. Os outros é que sorriam. Mas eu nunca sorri, eu sempre chorei.
-Ah, Pururuca! Tenho um serviço para você. Tem uma colônia de meninos que vieram da Terra, todos deixaram seus pais chorando, todos choram de saudades. Estão num pavilhão, onde muitos morreram de câncer, leucemia, acidente. Todos estão lá precisando de alegria. Você não quer ser a alegria deles, oh! Pururuca?
-Mas eu já estou velho.
-Nós damos um jeito na sua cara. Você não sabe que aqui nós reformamos tudo? Aqui é um reformatório , reforma por fora e por dentro.
-Se você me arrumar uma roupa, quem sabe se não dou uma recordada em tudo aquilo que fiz? Eu posso alegrar a meninada sim, só que eu preciso da autorização do superior. Aqui a gente só tem superior... Superior...
-Você espera? Dá um tempo, que eu vou ver isso.
E entrei com o pedido no Ministério para ver se o Pururuca poderia realizar um trabalho de ajudar a criançada do pavilhão, os meninos doentes.
E armamos lá um circo colorido com pipocas, algodão doce, com chocolates.
Um cirurgião plástico que era daqueles experientes em cirurgia fluídica, reformou a cara do Pururuca. Ele remoçou, ficou novo, vestiu a roupa larga que fizeram para ele e foi fazer o seu espetáculo. Ele chegou no circo com muita alegria, que, em especial, só tinha meninos com olhinhos tristes, que tinham saudades do papai e da mamãe. Ele chegou e gritou bem forte:
-Hoje tem espetáculo?
-Tem sim sinhô.
-E o palhaço, o que é?
-Ladrão de mulher.
-Mentira! É paizão de todas as crianças que estão chorando no céu.
-E o palhaço, o que é?
-É amigo de menino, é amigo de menina, é o patrono da alegria, é o patrono da fé.
-Hoje tem espetáculo meninada?
-Tem sim sinhô.
-Com Jesus Nosso Senhor!
Autor Desconhecido

13 de fevereiro de 2009

ABORTAMENTO


Dentre os crimes perpetrados contra a Humanidade, avulta-se, em gravidade, o abortamento delituoso.
Sejam quais forem as justificativas apresentadas para interromper-se a vida fetal em desenvolvimento - excetuando-se o aborto terapêutico para salvar-se a vida da gestante - quem se entrega ao nefando tratamento abortivo, incide em delito grave de difícil recuperação.
A vida não é patrimônio da criatura humana, que apenas empresta ao Espírito o envoltório carnal transitório, não lhe cabendo, portanto, o direito de a fazer cessar.
Além, disso, a interrupção da vida física, de forma alguma anula a de natureza espiritual, que é a verdadeira, independente da organização material, não obstante, esta, não subsista sem aquela.
A vida orgânica inicia-se no momento da fecundação, e, qualquer medida de eliminação ou impedimento do seu finalismo, significa crime, mesmo quando não considerado pelas legislações humanas...
Um filho, em qualquer circunstância, é compromisso assumido antes do berço pelos genitores, que responderão perante as divinas Leis, pelo comportamento a que se entreguem.
Em conseqüência, a união sexual não pode prescindir da responsabilidade, nem do enobrecimento do amor, a fim de que não derrape na vulgaridade do instinto, dando curso a paixões dissolventes e constituindo algema escravizadora, quando deveria ser emulação ao progresso, estímulo à felicidade e à paz.
Argumentos de natureza sócio-econômico-cultural são colocados como mecanismo de evasão ao compromisso perante a vida, gerados pelo egoísmo de quantos não desejam repartir os excessos de que desfrutam, transformando esses valores abundantes em empregos, escolas, oportunidades de dignificação social, de integração comunitária entre aqueles que padecem limite ou escassez...
Colocações e enfoques apresentados como de direito da mulher ou do homem deliberar quanto ao prosseguimento ou não da gestação, caracterizam-se pelo mesmo sentimento ególatra, que se alia ao utilitarismo e ao orgulho para escapar-se da responsabilidade.
Justificativas de superpopulação carecem de legitimidade ante a prática do aborto, por não encontrarem apoio na ética-moral nem na religião, desde que a ciência moderna oferece alguns recursos e técnicas não criminosos para o planejamento familiar.
Diante da tentação do abortamento criminoso, opta pela oportunidade para o planejamento familiar.
Já que o não podes consultar, se ele gostaria ou não de ser assassinado, faculta-lhe a bênção da reencarnação e ama-o, seja qual for a circunstância em que te chega.
Oferta-lhe carinho e ampara-o hoje, a fim de que ele te proteja amanhã.
E mesmo que o filho não te venha a amparar mais tarde, terás a consciência tranqüila, que te constituirá passaporte ante a duna da vida espiritual que atravessarás, mais tarde, livremente, ante os códigos supremos da Divina Consciência geradora e condutora da vida em todas as suas manifestações.
Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo P. Franco - Luz Viva


12 de fevereiro de 2009

CARNAVAL NA VISÃO ESPÍRITA

“Atrás do trio elétrico só não vai que já morreu...”. – Caetano Veloso
Ao contrário do que reza o frevo de Caetano Veloso, não são somente os “vivos” que formam a multidão de foliões que se aglomera nas ruas das grandes cidades brasileiras ou de outras plagas onde se comemore o Carnaval.
O Espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval.
Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis.
Se antes de compor sua famosa canção o filho de Dona Canô tivesse conhecido o livro “Nas Fronteiras da Loucura”, ditado ao médium Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, talvez fizesse uma letra diferente e, sensível como o poeta que é, cuidaria de exortar os foliões “pipoca” e aqueles que engrossam os blocos a cada ano contra os excessos de toda ordem.
Mas como o tempo é o senhor de todo entendimento, hoje Caetano é um dos muitos artistas que pregam a paz no Carnaval, denunciando, do alto do trio elétrico, as manifestações de violência que consegue flagrar na multidão.
No livro citado, Manoel Philomeno, que quando encarnado desempenhou atividades médicas e espiritistas em Salvador, relata episódios protagonizados pelo venerando Espírito Bezerra de Menezes, na condução de equipes socorristas junto a encarnados em desequilíbrios.
Philomeno registra, dentre outros pontos de relevante interesse, o encontro com um certo sambista desencarnado, o qual não é difícil identificar como Noel Rosa, o poeta do bairro boêmio de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, muito a propósito, integrava uma dessas equipes socorristas encarregadas de prestar atendimento espiritual durante os dias de Carnaval. Interessado em colher informações para a aprendizagem própria (e nossa também!), Philomeno inquiriu Noel sobre como este conciliava sua anterior condição de “sambista vinculado às ações do Carnaval com a atual, longe do bulício festivo, em trabalhos de socorro ao próximo”.
Com tranqüilidade, o autor de “Camisa listrada” respondeu que em suas canções traduzia as dores e aspirações do povo, relatando os dramas, angústias e tragédias amorosas do submundo carioca, mas compreendeu seu fracasso ao desencarnar, despertando “sob maior soma de amarguras, com fortes vinculações aos ambientes sórdidos, pelos quais transitara em largas aflições”.
No entanto, a obra musical de Noel Rosa cativara tantos corações que os bons sentimentos despertados nas pessoas atuaram em seu favor no plano espiritual; “Embora eu não fosse um herói, nem mesmo um homem que se desincumbira corretamente do dever, minha memória gerou simpatias e a mensagem das músicas provocou amizades, graças a cujo recurso fui alcançado pela Misericórdia Divina, que me recambiou para outros sítios de tratamento e renovação, onde despertei para realidades novas”.
Como acontece com todo espírito calceta que por fim se rende aos imperativos das sábias leis, Noel conseguiu, pois, descobrir “que é sempre tempo de recomeçar e de agir” e assim ele iniciou a composição de novos sambas, “ao compasso do bem, com as melodias da esperança e os ritmos da paz, numa Vila de amor infinito...”.
Entre os anos 60 e 70, Noel Rosa integrava a plêiade de espíritos que ditaram ao médium, jornalista e escritor espírita Jorge Rizzini a série de composições que resultou em dois discos e apresentações em festivais de músicas mediúnicas em São Paulo.
O entendimento do Poeta da Vila quanto às ebulições momescas, é claro, também mudou: “O Carnaval para mim, é passado de dor e a caridade, hoje, é-me festa de todo, dia, qual primavera que surge após inverno demorado, sombrio”.“A carne nada vale”.
O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes, é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento.
Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra.
Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade.
A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.
Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.
Bezerra cita os estudiosos do comportamento e da psique da atualidade, “sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira silaba de cada palavra compõe o verbete carnaval”.
Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê o corpo, a matéria, como inicio e fim em si mesmo, a causa de tal desregramento. Esse comportamento afeta inclusive aqueles que se dizem religiosos, mas não têm, em verdade, a necessária compreensão da vida espiritual, deixando-se também enlouquecer uma vez por ano.
Processo de loucura e obsessão. As pessoas que se animam para a festa carnavalesca e fazem preparativos organizando fantasias e demais apetrechos para o que consideram um simples e sadio aproveitamento das alegrias e dos prazeres da vida, não imaginam que, muitas vezes, estão sendo inspiradas por entidades vinculadas às sombras.
Tais espíritos, como informa Manoel Philomeno, buscam vitimas em potencial “para alijá-las do equilíbrio, dando inicio a processos nefandos de obsessões demoradas”.
Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres perturbadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.
Esse processo sutil de aliciamento esclarece o autor espiritual, dá-se durante o sono, quando os encarnados, desprendidos parcialmente do corpo físico, fazem incursões às regiões de baixo teor vibratório, próprias das entidades vinculadas às tramas de desespero e loucura.
Os homens que assim procedem não o fazem simplesmente atendendo aos apelos magnéticos que atrai os espíritos desequilibrados e desses seres, mas porque a eles se ligam pelo pensamento, “em razão das preferências que acolhem e dos prazeres que se facultam no mundo íntimo”. Ou seja, as tendências de cada um, e a correspondente impotência ou apatia em vencê-las, são o imã que atrai os espíritos desequilibrados e fomentadores do desequilíbrio, o qual, em suma, não existiria se os homens se mantivessem no firme propósito de educar as paixões instintivas que os animalizam.
Há dois mil anos. Tal situação não difere muito dos episódios de possessão demoníaca aos quais o Mestre Jesus era chamado a atender, promovendo as curas “milagrosas” de que se ocupam os evangelhos.
Atualmente, temos, graças ao Espiritismo, a explicação das causas e conseqüências desses fatos, desde que Allan Kardec fora convocado à tarefa de codificar a Doutrina dos Espíritos.
Conforme configurado na primeira obra da Codificação – O Livro dos Espíritos -, estamos, na Terra, quase que sob a direção das entidades invisíveis: “Os espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?”, pergunta o Codificador, para ser informado de que “a esse respeito sua (dos espíritos) influência é maior do que credes porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem”.
Pode parecer assustador, ainda mais que se se tem os espíritos ainda inferiorizados à conta de demônios.
Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando, como já dito, sintonizamos na mesma freqüência de pensamento, também obtemos, pelo mesmo processo, o concurso dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus.
Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de “orar e vigiar” que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a praticada caridade desinteressada.
Esta última é a característica de espíritos como Bezerra de Menezes, que em sua última encarnação fora alcunhado de “o médico dos pobres” e hoje é reverenciado no meio espírita como “o apóstolo da caridade no Brasil”.
Fonte: Visão Espírita Março de 2000

11 de fevereiro de 2009

COMPAIXÃO E NÓS


“Bem aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. – Jesus – Mateus, 5 : 7.
Comumente referimo-nos à compaixão em termos que se reportem à semelhante bênção de nós para com os outros, entretanto, a fim de que o orgulho não se nos infiltre no coração sob o nome de virtude, vale recordar a compaixão que tantas vezes procede dos outros em socorro de nós.
De quando em quando, pelo menos, rememoremos as demonstrações de paciência e bondade dos irmão que nos suportam sem queixa a teimosia e a inconseqüência nos dias de imaturidade ou irritação; o apoio das criaturas que prosseguiram trabalhando em nosso favor, mesmo cientes de que as combatíamos sem apreender-lhes os elevados intuitos; o amparo de benfeitores que continuaram a servir-nos ainda quando depois de se conscientizarem quanto aos gestos de frieza ou ingratidão com que lhe ferimos o espírito; a tolerância dos companheiros que, mesmo em nos sabendo desequilibrados nos dias de erro, não nos sonegaram a bênção da amizade e da confiança, aguardando-nos os reajustes espirituais; e o auxílio dos irmãos que nos perdoaram ofensas e agravos, auxiliando-nos sem pausa, além das dificuldades e empeços com que lhes espancamos o carinho e a abnegação para conosco.
Reflitamos a imensidão da piedade que nos sustenta a vida até agora e observaremos que sem isso provavelmente a maioria de nós outros teria mergulhado indefinidamente nas correntes da prova criadas por nós mesmos, com a nossa própria negligência.
Meditemos nisso e saibamos exercer a compaixão para com todos, particularmente para com aqueles que nos firam e reconheceremos resgatar os nossos débitos de amor para com o próximo, a perceber, por fim, que todos nós para viver, conviver e sobreviver, precisamos, em qualquer parte e em qualquer circunstância, da bondade e da compaixão de Deus.

Livro "Tocando o Barco" - Psicografia Francisco Candido Xavier - Espírito Emmanuel

8 de fevereiro de 2009

JOÃO MATHEUS

João Mateus, distinto pregador do Evangelho, na noite em que atingiu meio século de idade no corpo físico, depois de orar enternecida mente - com os amigos, foi deitar-se ,para um merecido descanso. Sonhou que a1cançava as portas da Vida Espiritual e, deslumbrado com a leveza de que se via 'possuído, intentava alçar-se, para melhor desfrutar a excelsitude do Paraíso, quando um funcionário de Passagem Celeste se aproximou, a lembrar-lhe solícito :
João, para evitar qualquer surpresa desagradável no avanço, convém uma vista d'olhos em sua ficha...
E o viajante recebeu .primoroso documento, em cuja face leu, espantadiço :
- João Mateus
- Renascimento na Terra em 1904
- Berço manso
- Pais carinhosos e amigos
- Inteligência preciosa
- Cérebro claro
- Instrução digna
- Bons 1ivros
- Juventude folgada
- Boa saúde
- Invejável noção de conforto
- Sono calmo
- Excelente apetite
- Seguro abrigo doméstico
- Constante proteção espiritual
- Nunca sofreu acidentes de importância
- Aos 20 anos de idade, empregou-se no comércio
- Casou-se aos 25, em regime de escravização da mulher
- Católico romano até os 26
- Presenciou, sem maior atenção, 672 missas
- Aos 27 de idade, transferiu-se para as fileiras espíritas
- Compareceu a 2195 sessões de Espiritismo, sob a invocação de Jesus
- Rea1izou 1602 palestras e pregações doutrinárias
- Escreve cartas e páginas comoventes
- Notável narrador
- Polemista cauteloso
- Quatro filhos
- Boa mesa em casa
- Não encontra tempo ,para auxiliar os filhos na procura do Cristo
- Efetuou 106 viagens de repouso e distração
- Grande intolerância para com os vizinhos
- Refratário a qualquer mudança de hábitos para a prestação de serviços aos outros
- Nunca percebe se ofende ao próximo, através de sua conduta, mas revela extrema susceptibilidade ante a conduta alheia
- Relaciona-se tão-somente com amigos do mesmo nível
- Sofre horror às com.p1icações da vida social, embora destaque incessantemente o imperativo da fraternidade entre os homens
- Sabe defender-se com esmero em qualquer problema difícil
- Além dos recursos naturais que lhe renderam respeitável posição e expressivo reconforto doméstico, sob o constante amparo de Jesus, através de múltiplos mensageiros, conserva bens imóveis no valor de Cr$ 600.000,00 e guarda em conta de lucro particular a importância de Cr$ 302.000,00.
- Para Jesus, que o procurou na pessoa de mendigos, de necessitados e .doentes, deu durante toda a vida 90 centavos
- Para cooperar no apostolado do Cristo já ofereceu '2 cruzeiros em obras de assistência social
Débito
Quando ia ler o item referente às próprias dívidas, fortemente impressionado, João acordou.
Era manhãzinha...
À noite, bem humorado, reuniu-se aos companheiros, relatando-lhes a ocorrência. Estava transformado, dizia. O sonho modificara-lhe o modo de pensar. Consagrar-se-ia doravante ao trabalho mais vivo, no movimento espírita: pretendia renovar-se por dentro, reuniria agora palavra e ação.
Para isso, achava-se disposto a colaborar substancialmente na construção de um lar, destinado à recuperação de crianças desabrigadas que, desde muito, desejava socorrer.
A experiência daquela noite inesquecível era, decerto, um aviso precioso. E, sorridente, despediu-se dos irmãos de ideal, solicitando-lhes novo reencontro para o dia seguinte. Esperava assentar as bases da obra que se propunha levar a efeito.
Contudo, na noite imediata, quando os amigos lhe bateram à porta, vitimado por um acidente das coronárias, João Mateus estava morto.
Irmão X
Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier

7 de fevereiro de 2009

O CAPITAL DOS MINUTOS


No amanho da terra, em toda parte, surge a erva daninha.
Aqui, chama-se tiririca, além é joio imprestável, mais adiante guarda o nome de esculacho destruidor.
No fundo, é sempre mato inculto, impedindo a germinação da boa semente e consumindo a vitalidade do solo.
Extensos tratos de gleba proveitosa permanecem dominados por essa relva improdutiva e renascente, onde tanta árvore generosa poderia crescer e produzir para a alegria e segurança de todos.
Referimo-nos a esse elemento invasor para lembrar o vosso valioso capital dos minutos.
Quanta felicidade poderá plantar com a bênção de meia hora? Quanto estudo nobre investir-nos-á na posse de elevados conhecimentos com apenas alguns instantes de leitura e reflexão?
Dez minutos na conversação digna ou na visita confortadora podem operar a renovação de muitos destinos. Um quarto de hora na assistência aos enfermos ou no trabalho gratuito em favor do próximo consegue prodígios na vitória do bem.
Entretanto, contra a plantação de semelhantes recursos nas leiras do tempo, encontramos a tiririca da maledicência, o joio do azedume verbal e o esculacho das críticas ociosas fantasiadas de interesse pela salvação apressada dos outros...
No fundo, porém, é sempre a conversa inútil que aniquila as mais nobres oportunidades de serviços e progresso.
Não olvidemos o capital dos minutos, - a riqueza capaz de comprar-nos a sublimação para a vida eterna, se atendermos à edificação da verdadeira fraternidade.
E com os talentos do amor e da fé, procuremos servir sem repouso, recordando a afirmação do Mestre Divino:
- “Meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também”.



Psicografia em Reunião Pública. Data – 4-3-1957.
Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas.
Scheilla
(De: “Taça de Luz” (Espíritos Diversos), de Francisco Cândido Xavier)

6 de fevereiro de 2009

A PALAVRA DE JESUS

Reunião de 6 de outubro de 1955.
Na parte final de nossas tarefas, tivemos a alegria de ouvir Meimei, a nossa abnegada irmã de sempre, que nos falou, comovida, sobre a palavra de Jesus.

Meus irmãos.

Deus nos abençoe.
A palavra do Cristo é a luz acesa para encontrarmos na sombra terrestre, em cada minuto da vida, o ensejo divino de nossa construção espiritual.
Erguendo-a, vemos o milagre do pão que, pela fraternidade, em nós se transforma, na boca faminta, em felicidade para nós mesmos.
Irradiando-a, descobrimos que a tolerância por nós exercida se converte nos semelhantes em simpatia em nosso favor.
Distribuindo-a, observamos que o consolo e a esperança, o carinho e a bondade, veiculados por nossas atitudes e por nossas mãos, no socorro aos companheiros mais ignorantes e mais fracos, neles se revelam por bênçãos de alegria, felicitando-nos a estrada.
Geme a Terra, sob o pedregulho imenso que lhe atapeta os caminhos...
Sofre o homem sob o fardo das provações que lhe aguilhoam a experiência.
E assim como a fonte nasce para estender-se, desce o dom inefável de Jesus sobre nós para crescer e multiplicar-se.
Levantemos, cada hora, essa luz sublime para reerguer os que caem, fortalecer os que vacilam, reconfortar s que choram e auxiliar os que padecem.
O mundo está repleto de braços que agridem e de vozes que amaldiçoam.
Seja a nossa presença junto dos outros algo do Senhor inspirando alegria e segurança.
Não nos esqueçamos de que o tempo é um empréstimo sagrado e quem se refere a tempo diz oportunidade de ajudar para ser ajudado, de suportar para ser suportado, de balsamizar as feridas alheias para que as nossas feridas encontrem remédio e sacrificarmo-nos pela vitória do bem, para que o bem nos conduza à definitiva libertação.
Nós que tantas vezes temos abusado das horas para impor, aos que nos seguem, o Reino do Senhor, à força de reprovações e advertências, saibamos edificá-lo em nós próprios, no silêncio do trabalho e da renúncia, da humildade e do amor.
Meus irmãos, no seio de todos os valores relativos e instáveis da existência humana, só uma certeza prevalece – a certeza da morte, que restitui às nossas almas os bens ou os males que semeamos nas almas dos outros.
Assim, pois, caminhemos com Jesus, aprendendo a amar sempre, repetindo com Ele, em nossas proveitosas dificuldades de cada dia: - <>

Meimei
Do livro Vozes do Grande Além.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

5 de fevereiro de 2009

VAMPIRISMO ESPIRITUAL


PARASITISMO NOS REINOS INFERIORES - Comentando as ocorrências da obsessão e do vampirismo no veículo fisiopsicossomático, é importante lembrar os fenômenos do parasitismo nos reinos inferiores da Natureza.
Sem nos reportarmos às simbioses fisiológicas, em que microorganismos se albergam no trato intestinal dos seus hospedadores, apropriando-se-lhes dos sucos nutritivos, mas gerando substâncias úteis à existência dos anfitriões, encontraremos a associação parasitária, no domínio dos animais, à maneira de uma sociedade, na qual um das partes, quase sempre após insinuar-se com astúcia, criou para si mesma vantagens especiais, com manifesto prejuízo para a outra, que passa, em seguida, à condição de vítima.
Em semelhante desequilíbrio, as vítimas se acomodam, por tempo indeterminado, à pressão externa dos verdugos; contudo, em outras eventualidades, sofrem-lhe a intromissão direta na intimidade dos próprios tecidos, em ocupação impertinente que, às vezes, se degenera em conflito destruidor e, na maioria dos casos, se transforma num acordo de tolerância, por necessidade de adaptação, perdurando até a morte dos hospedeiros espoliados, chegando mesmo a originar os remanescentes das agregações imensamente demoradas no tempo, interferindo nos princípios da hereditariedade, como raízes do conquistador, a se entranharem nas células que lhes padecem a invasão nos componentes protoplasmáticos, para além da geração em que o consórcio parasitário começa.
Em razão disso, apreciando a situação dos parasitas, perante os hospedeiros, temo-los por ectoparasitas, quando limitam a própria ação às zonas de superfície, e endoparasitas, quando se alojam nas reentrâncias do corpo a que se impõem.
Não será lícito esquecer, porém, que toda simbiose exploradora de longo curso, principalmente a que se verifica no campo interno, resulta de adaptação progressiva entre o hospedador e o parasita, os quais, não obstante reagindo um sobre o outro, lentamente concordam na sociedade em que persistem, sem que o hospedador considere os riscos e perdas a que se expõe, comprometendo não apenas a própria vida, mas a existência da própria espécie.

TRANSFORMAÇÕES DOS PARASITAS – Temos, assim, na larga escala dos acontecimentos dessa ordem, os frase temporários, quais as sanguessugas e quase todos os insetos hematófagos, que apenas transitoriamente visitam os hospeda-dores; os ocasionais ou os pseudoparasitas, que sistematicamente não são parasitas, mas que vampirizam outros animais, quando as situações do ambiente a isso os conduzam; os permanentes de desenvolvimento direto, que dispõem de um hospedador exclusivo e a cuja existência se encontram ajustados por laços indissolúveis, quase todos relacionáveis entre os endoparasitos; os parasitas chamados heteroxênicos, que se fazem adultos, em ciclo biológico determinado, contando com um ou mais hospedeiros intermediários, quando se encontram em período larval, para atingirem a forma completa no hospedeiro definitivo; os hiperparasitas, que são parasitas de outros parasitas.
Concluindo-se que o parasitismo, entre os animais, não decorre de uma condição natural, mas sim de uma autentica adaptação deles a modo particular de comportamento, é justo admitir se inclinem para novos característicos na espécie.
Assim é que o parasita, no regime de adaptação a que se entrega, experimenta mutações de vulto a se lhe exprimirem na forma, por reduções ou acentuações orgânicas, compreendendo-se, desse modo, que o desaparecimento de certos órgãos de locomoção em parasitas fixados e a conseqüente formação de órgãos necessários à estabilidade em que se harmonizam devem ser analisados como fenômenos inerentes à simbiose injuriante, notando-se nesses seres a facilidade de fecundação e a resistência vital, com a extrema capacidade de encistamento, pela qual segregam recursos protetores e se isolam dos fatores adversos do meio, como o frio ou o calor, tolerando vastos períodos de abstenção de qualquer alimento, a exemplo do que ocorre com o percevejo do leito, que consegue viver, mais de seis meses consecutivos, em completo jejum.
Continuando a examinar as alterações nos parasitas em atividade, assinalamos muitos platelmintos e anelídeos que, em virtude do parasitismo, perderam os apêndices locomotores, substituindo-os por ventosas ou ganchos.
Identificamos a degeneração do aparelho digestivo em vá-rios endoparasitas do campo intestinal e, por vezes, a total extinção desse aparelho, como acontece a muitos cest6ides e acantocéfalos que, vivendo, de maneira invariável, na corrente abundante de sucos nutritivos já elaborados no intestino de seus hospedadores, convertem os órgãos bucais em órgãos de fixação, prescindindo de sistema intestinal próprio, de vez que passam a realizar a nutrição respectiva por osmose, utilizando toda a superfície do corpo.
De outras vezes, quando o parasita costuma ingerir grande massa de sangue, demonstra desenvolvimento anormal do intestino médio, que se transforma em bolsa volumosa a funcionar por depósito de reserva, onde a assimilação se opera, vagarosa, para que esses animais, como sejam as sanguessugas e os mosquitos, se sobreponham a longos jejuns eventuais.

TRANSFORMAÇÕES DOS HOSPEDEIROS – Todavia, se os parasitas podem acusar expressivas transformações, à face do novo regime de existência a que se afeiçoam, os resultados de tais associações sobre o hospedeiro são mais profundos, porque os assaltantes, depois de instalados, se multiplicam, ameaçadores, estabelecendo espoliações sobre as províncias orgânicas da vítima, sugando-lhe a vitalidade, traumatizando-lhe os tecidos, provocando lesões parciais ou totais ou estendendo ações tóxicas, como a exaltação febril nas infecções, com que, algumas vezes, lhe apressam a morte.
Nessa movimentação perniciosa ou letal, conseguem irritar as células ou destruí-las, obstruir cavidades, seja nos intestinos ou nos vasos, embaraçar funções e obliterar glândulas importantes, quais as glândulas genitais, que podem levar até à castração, embora os recursos defensivos do hospedeiro sejam postos em evidência, criando exércitos celulares de combate às infestações, expulsando os invasores por via comum, ou neutralizando-lhes a penetração, pelas membranas fibrosas que os envolvem, encistando-os a princípio, para aniquilá-los, depois, em pequeninos invólucros calcificados, no interior dos tecidos
E lembrando os efeitos de certos parasitas heteroxênicos, que se desenvolvem no hospedeiro intermediário para alcançar a posição adulta no hospedeiro definitivo, bastará menção especial aos tripanossomas que, em espécies várias, se multiplicam nos tecidos e líquidos orgânicos, traçando aflitivos problemas da parasitologia humana, em complicadas operações de transmissão, evolução e instalação no quadro fisiológico de suas vitimas. Vale citar, dentre eles, o “Trypanosoma cruzi” que se hospeda, habitualmente no intestino médio de um “triatoma” ou de outro reduviídeo, onde apresenta formas arredondadas em divisão para adquirir novamente a forma de tripanossomas no intestino posterior do hemíptero que, vivendo à custa de sangue, obtido por picada, vem a transmiti-lo pelas fezes, ao organismo humano, no qual, geralmente, passa a residir, em forma endocelular, nos músculos, no sistema nervoso, na medula dos ossos ou na intimidade de tecidos outros, ai se difundindo, na medida das resistências que lhe ofereça o mundo orgânico, desempenhando o papel de carrasco microscópico a perseguir e aniquilar populações indefesas.

OBSESSÃO E VAMPIRISMO - Em processos diferentes, mas atendendo aos mesmos princípios de simbiose prejudicial (Vide "Parasitismo nos Reinos Inferiores", mesmo cap.), encontramos os circuitos de obsessão e de vampirismo entre encarnados e desencarnados, desde as eras recuadas em que o espírito humano, iluminado pela razão, foi chamado pelos princípios da Lei Divina e renunciar ao egoísmo e à crueldade, à ignorância e ao crime.
Rebelando-se, no entanto, em grande maioria, contra as sagradas convocações, e livres para escolher o próprio caminho, as criaturas humanas desencarnadas, em grande número, começaram a oprimir os companheiros da retaguarda, disputando afeições e riquezas que ficavam na carne, ou tentando empreitadas de vingança e delinqüência, quando sofriam o processo liberatório da desencarnação em circunstâncias delituosas.
As vítimas de homicídio e violência, brutalidade manifesta ou perseguição disfarçada, fora do vaso físico, entram na faixa mental dos ofensores, e conhecendo-lhe a enormidade das faltas ocultas, e, ao invés do perdão, com que se exonerariam da cadeia de trevas, empenham-se em vinditas atrozes, retribuindo golpe a golpe e mal por mal.
Outros desencarnados, exigindo que Deus lhes providencie solução aos caprichos pueris e proclamando-se inabilitados para o resgate do preço devido à evolução que lhes é necessária tornam-se madraços e gozadores, e, alegando a suposta impossibilidade de a Sabedoria Divina diremir os padecimentos dos homens, pelos próprios homens criados, fogem, acovardados e preguiçosos, aos deveres e serviços que lhes competem.

INFECÇÕES FLUÍDICAS - Muitos acometem os adversários que ainda se entrosam no corpo terrestre, empolgando-lhes a imaginação com formas mentais monstruosas, operando perturbações que podemos classificar como "infecções fluídicas" e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura.
E ainda muitos outros, imobilizados nas paixões egoísticas desse ou daquele teor, descansam em pesado monoideísmo, ao pé dos encarnados, de cuja presença não se sentem capazes de afastar-se.
Alguns, como os ectoparasitas temporários, procedem à semelhança dos mosquitos e dos ácaros, absorvendo as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizam, aqui e ali; mas outros muitos, quais endoparasitas conscientes, após se inteirarem dos pontos vulneráveis de suas vítimas, segregam sobre elas determinados produtos, filiados ao quimismo do Espírito, e que podemos nomear como simpatinas ou aglutininas mentais, produtos esses que, sub-repticiamente, lhes modificam a essência dos próprios pensamentos a verterem, contínuos, dos fulcros energéticos do tálamo, no diencéfalo.
Estabelecida essa operação de ajuste, que os desencarnados e encarnados, comprometidos em aviltamento mútuo, realizam em franco automatismo, à maneira dos animais em absoluto primitivismo nas linhas da Natureza, os verdugos comumente senhoreiam os neurônios do hipotálamo, acentuando a própria dominação sobre o feixe amielínico que liga o córtex frontal, controlando as estações sensíveis do centro coronário que aí se fixam para o governo das excitações, e produzem nas suas vítimas, quando contrariados em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático. Tais manobras, em processos intrincados de vampirismo, prestigiam o regime de medo ou de guerra nervosa nas criaturas de que se vingam, alterando-lhes a tela psíquica ou impondo prejuízos constantes aos tecidos somáticos.

PARASITAS OVÓIDES - Inúmeros infelizes, obstinados na idéia de fazerem justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico, envolvem sutilmente aqueles que se lhe fazem objeto de calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideísta, fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes.
Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de certo modo, à Sacculina carcini, que, provida de órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraíza-se, depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as características morfológicas primitivas, para converter-se em massa celular parasitária.
No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.

PARASITISMO E REENCARNAÇÃO – Nas ocorrências dessa ordem, quando a decomposição da vestimenta carnal não basta para consumar o resgate preciso, vítima e verdugo se equiparam na mesma gama de sentimentos e pensamentos, caindo, além-túmulo, em dolorosos painéis infernais, até que a Misericórdia Divina, por seus agentes vigilantes, após estudo minucioso dos crimes cometidos, pesando atenuantes e agravantes, promove a reencarnação daquele Espírito que, em primeiro lugar, mereça tal recurso.
E, executado o projeto de retorno do beneficiário, a regressar do Plano Espiritual para o Plano Terrestre, sofre a mulher, indicada por seus débitos à gravidez respectiva, o assédio de forças obscuras que, em muitas ocasiões, se lhe implantam no vaso genésico por simbiontes que influenciam o feto em gestação, estabelecendo-se, desde essa hora inicial da nova existência, ligações fluídicas através dos tecidos do corpo em formação, pelas quais a entidade reencarnante, a partir da infância, continua enlaçada ao companheiro ou aos companheiros menos felizes, que integram com ela toda uma equipe de almas culpadas em reajuste.
Desenvolve-se-lhe, então, a meninice, cresce, reinstrui-se e retorna à juvenilidade das energias físicas, padecendo, porém, a influência constante dos assediantes, até que, frequentemente por intermédio de uniões conjugais, em que a provação emoldura o amor, ou em circunstâncias difíceis do destino, lhes ofereça novo corpo na Terra, para que, como filhos de seu sangue e de seu coração, lhes devolva em moeda de renúncia os bens que lhes deve, desde o passado próximo ou remoto.
Em tais fatos, vamos anotar situações quase idênticas às que são provocadas pelos parasitas heteroxênicos, porquanto, se os adversários do Espírito reencarnado são em maior número, atuam, muitos deles, à feição dos tripanossomas, tomando os filhos de suas vítimas e afins deles próprios, por hospedeiros intermediários das formas-pensamentos deploráveis que arremessam de si, alcançando em seguida, a mente dos pais ou hospedeiros definitivos, a inocular-lhes perigosos fluidos sutis, com que lhes infernizam as almas, muitas vezes até à ocasião da própria morte.

TERAPÊUTICA DO PARASITISMO DA ALMA – Importa, no entanto, observar que todos os sofrimentos e corrigendas a que nos referimos estão conjugados para as consciências encarnadas ou não, dentro da lei de ação e reação que a cada um confere hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio, por suas obras de ontem, reconhecendo-se também que assim como existem medidas terapêuticas contra o parasitismo no mundo orgânico, qualquer criatura encontra, na aplicação viva do bem, eficiente remédio contra o parasitismo da alma.
Não bastará, porém, a palavra que ajude e a oração que ilumina.
O hospedeiro de influências inquietantes que, por suas aflições na existência carnal, pode avaliar da qualidade e extensão das próprias dívidas, precisará do pr6prio exemplo, no serviço do amor puro aos semelhantes, com educação e sublimação de si mesmo, porque só o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar.
A ação do bem genuíno, com a quebra voluntária de nossos sentimentos inferiores, produz vigorosos fatores de transformação sobre aqueles que nos observam, notadamente naqueles que se nos agregam à existência, influenciando-nos a atmosfera espiritual, de vez que as nossas demonstrações de fraternidade inspiram nos outros pensamentos edificantes e amigos que, em circuitos sucessivos ou contínuas ondulações de energia renovadora, modificam nos desafetos mais acirrados qualquer disposição hostil a nosso respeito.
Ninguém necessita, portanto, aguardar reencarnações futuras, entretecidas de dor e lágrimas, em ligações expiatórias, para diligenciar a paz com os inimigos trazidos do pretérito, porque, pelo devotamento ao próximo e pela humildade realmente praticada e sentida, é possível valorizar nossa frase e santificar nossa prece, atraindo simpatias valiosas, com intervenções providenciais, em nosso favor.
É que, em nos reparando transfigurados para o melhor, os nossos adversários igualmente se desarmam para o mal, compreendendo, por fim, que só o bem será, perante Deus, o nosso caminho de liberdade e vida.

Uberaba, 19-3-58.

Livro “Evolução em Dois mundos”
Psicografia: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
Autor Espiritual: André Luiz.



4 de fevereiro de 2009

O LIVRO ESPÍRITA

Cada livro edificante é porta libertadora.
O livro espírita, entretanto, emancipa a alma, nos fundamentos da vida.
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O livro cientifico livra da incultura; o livro espírita lira da crueldade, para que os louros intelectuais não se desregrem na delinqüência.
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O livro filosófico livra do preconceito; o livro espírita livra da divagação delirante, a fim de que a elucidação não se converta em palavras inúteis.
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O livro piedoso livra do desespero, o livro espírita livra da superstição, para que a fé não se abastarde em fanatismo.
O livro jurídico livra da injustiça; o livro espírita livra da parcialidade, a fim de que o direito não se faça instrumento de opressão.
O livro técnico livra da insipiência; o livro espírita livra da vaidade, para que a especialização não seja manejada em prejuízo dos outros.
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O livro de agricultura livra do primitivismo; o livro espírita livra da ambição desvairada, a fim de que o trabalho da gleba não se envileça.
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O livro de regras sociais livra da rudeza de trato; o livro espírita livra da irresponsabilidade que, muitas vezes, transfigura o lar em atormentado reduto de sofrimento.
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O livro de consolo livra da aflição; o livro espírita lira do êxtase inerte, para que o reconforto não se acomode em preguiça.
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O livro de informações livra do atraso; o livro espírita livra do tempo perdido, a fim de que a hora vazia não nos arraste à queda em dívidas escabrosas.
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Amparemos o livro respeitável, que é luz de hoje; no entanto, auxiliemos e divulguemos, quanto nos seja possível, o livro espírita, que é luz de hoje, amanhã e sempre.
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O livro nobre livra da ignorância, mas o livro espírita livra da ignorância e livra do mal.
Emmanuel
Francisco Cândido Xavier. Da obra: Doutrina e Vida.