30 de abril de 2009

CONSOLADOR PROMETIDO


EM HOMENAGEM AOS 145 ANOS DE LANÇAMENTO DO “EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” OCORRIDO EM 30 DE ABRIL DE 1864 EM PARIS.


Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26)

Jesus promete outro consolador: é o Espírito da Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois que não está suficientemente maduro para compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Se, pois, o Espírito da Verdade deve vir mais tarde, ensinar todas as coisas, é que o Cristo não pode dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.
O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: “que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores.
Disse o Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”. Mas como se pode ser feliz por sofrer, se não se sabe por que se sofre?
O Espiritismo revela que a causa está nas existências anteriores e na própria destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Revela também o objetivo, mostrando que os sofrimentos são como crises salutares que levam à cura, são a purificação que assegura a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer, e acha justo o sofrimento. Sabe que esse sofrimento auxilia o seu adiantamento, e o aceita sem queixas, como o trabalhador aceita o serviço que lhe assegura o salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas do alto, a importância das vicissitudes terrenas se perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem, para ir até o fim do caminho.
Assim realiza o Espiritismo o que Jesus disse do consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança.

O TROTE



Acontece a cada início de período letivo. Mais caracterizado nas Universidades, embora em algumas escolas de nível médio ocorra igualmente.

É o trote a que são submetidos os calouros. Dos banhos de lama, cortes de cabelo e pinturas exageradas pelo corpo, tem, a cada ano, mais evidenciado o desrespeito e a inconsequência.

Da humilhação de sair à rua mendigando moedas, ao desfile público portando sacos de estopa à guisa de vestimenta, passou-se a engendrar maiores maldades e atos vexatórios.

Mais de uma vez o excesso, do que deveria ser uma saudável brincadeira, coloca em risco a vida do calouro.

São queimaduras por produtos químicos até o coma alcoólico, pela indução à ingestão de bebidas alcoólicas variadas.

O momento de alegria, de comemoração do sucesso se transforma em pesadelo ao calouro e aos seus familiares.

Os meses exaustivos de estudo, a tensão pelas provas, a disputa por uma vaga, o investimento emocional e financeiro se encerra, por vezes, para o candidato, de forma frustrante.

Será isso que a Universidade tem a oferecer? Certo que o que os bancos acadêmicos oferecem é a instrução.

Mas o conhecimento ampliado, a possibilidade do avançar no intelecto estará acaso criando monstros? Seres humanos insensíveis, ou pior, maus ao ponto de agredir colegas novatos?

Com certeza, isso é o reflexo do relaxamento da educação, a arte de formar caracteres.

Reflexo de lares onde tudo se está permitindo à criança, que cresce com o conceito de que tudo pode.

Mesmo porque, desde os bancos escolares primeiros, em muitos casos, os professores são reféns em sala de aula.

Reféns de pais que dão razão irrestrita aos filhos, com o argumento de que pagam a mensalidade.

Reféns de alunos que sabem que não importa o que façam, nada lhes acontecerá.

Então, nos perguntamos: Para onde vamos, afinal? O que será do mundo, se os profissionais em formação agem com total desrespeito ao ser humano, às leis, à ordem?

Que esperaremos de um profissional médico amanhã, se hoje, adentrando a Universidade, ele massacra seu colega?

Que aguardaremos de um advogado amanhã, se agora ele se permite o desrespeito ao companheiro de classe, em total desconsideração com a ética?

Que nos reserva o futuro?

* * *

Pais e professores cabe-nos retomar as rédeas e estabelecer diretrizes.

Ética no lar, respeito na escola, normativas de comportamento.

Parceria lar-escola. Parceria nos propósitos, nos ideais. Sentirmo-nos como partícipes de um mesmo e grandioso propósito de educação.

Assim, quando as crianças se transformarem em adolescentes, em jovens, estaremos de braços dados, nas comemorações dos seus sucessos.

E quando chegar o momento do trote, teremos eventos produtivos acontecendo.

Gincanas entre grupos de uma e outra faculdade, disputando quem arrecada maior quantidade de alimentos para o lar de idosos; quem consegue maior número de latas de leite em pó para as creches.

Teremos mutirões de jovens, dispostos a colaborar com o próprio complexo estrutural universitário, pintando, consertando, melhorando a calçada, embelezando o jardim.

Pensemos nisso e invistamos logo, para um amanhã de paz com que todos sonhamos.

Redação do Momento Espírita.
Em 30.04.2009.

26 de abril de 2009

TRAÇO COMUM


Para estudar os mecanismos da Justiça Divina, Allan Kardec, na obra “O Céu e o Inferno”, reuniu depoimentos de numerosos espíritos desencarnados, sendo várias dessas comunicações obtidas na própria Sociedade Espírita de Paris.
Buscou o Codificador examinar o que lhe sucedera ao ensejo do regresso à vida espiritual, desde o instante da morte, dirigindo-lhes, para isso, perguntas específicas.
Para facilitar as apreciações de conjunto, tais mensagens foram agrupadas conforme a situação dos comunicantes: espíritos felizes, espíritos em condições medianas, sofredores, suicidas etc.
No capítulo reservado aos espíritos felizes, foram incluídos os depoimentos de 18 deles, que analisaremos brevemente a seguir.
Nota-se, logo de início, que o grupo é bem variado, pois dele constam homens e mulheres que ocuparam , na Terra, posições diversas na escala social, da nobreza (uma condessa) ao proletariado (um operário calceteiro). Houve quem desencarnasse em plena juventude e quem partisse em idade avançada. Espíritas alguns, desconhecedores do Espiritismo outros.
A situação individual é assim extremamente variada apresentando todos, no entanto, como traço comum, a presença do bem em suas vidas. Carência ou largueza de recursos, mocidade do corpo ou senectude, posse ou não de cultura acadêmica constituíram simples acessórios ou condições em que aquelas pessoas procuraram fazer o melhor no culto ao amor e à verdade.
Em suas observações, já na condição de espíritos livres, havia ainda outros pontos comuns:
- A brevidade dos anos terrestres, mesmo quando longa a reencarnação;
- As lutas sustentadas no cumprimento fiel das obrigações e a resignação ante os sofrimentos eram agora percebidas como episódios e de preço insignificante ante o vulto da recompensa: a paz e a alegria sem mescla de ansiedades, numa palavra, a verdadeira felicidade.
Um desses espíritos foi Antonie Costeau, operário, membro da Sociedade Espírita de Paris, sepultado em 12 de setembro de 1863. Allan Kardec, que o conheceu pessoalmente, assim descreve sua vida: “Simples obreiro calceteiro, praticava a caridade em pensamentos, palavras e em ações, segundo os seus fracos recursos, porque encontrava meios de assistir aqueles que tinham menos do que ele”.
E o Sr. Costeau assim se expressa: “Minha felicidade foi tão grande que não podia compreender como Deus me concedia tantas graças por ter feito tão pouco. Parecia-me sonhar... mas não tardei a dar-me conta da realidade, e agradecia a Deus. Eu bendisse o Senhor que tão bem soubera despertar em mim os deveres do homem que pensa na vida futura. Sim, eu o bendizia e lhe agradecia, porque “O Livro dos Espíritos” despertara, em minha alma, o impulso de amor pelo meu Criador.”
“O Céu e o Inferno” (cap. 2, da 2ª parte).

25 de abril de 2009

REENCARNAÇÃO COMEÇANDO PELO FIM

Falar de reencarnação é como começar pelo fim! Aprendemos a encarar a morte de uma forma diferente e um mundo completamente novo se descortina diante de nossos olhos. Fica­mos confusos entre a saudade e a curiosidade, sem saber se ficamos tristes ou felizes com a passagem de alguém. Ou a nossa! Pois é, imaginar que eu e você também vamos passar desta pra melhor al­gum dia pode ser um choque para algumas pesso­as! Temos o hábito de achar que certas coisas só acontecem com os outros...
E outra coisa! Quando batemos as bo­tas, passamos mesmo desta pra melhor ou é uma propaganda en­ganosa? Descan­samos eterna­mente esperan­do as trombetas do Juízo Final nos acordarem ou passamos os dias flutuando numa nuvem tocando harpa? O que, afinal, nos aguarda?
Eu posso lhe responder isso: trabalho! É isso aí! Lembra quando dizem: "você vai ter muito tempo pra dormir depois que mor­rer' Lorota... O que temos é um período (que pode ser longo ou breve, depende da pessoa) de adaptação, um pe­ríodo de estudo e aprendizado (onde você tenta entender as lambanças que rez em vida) e, finalmente, um feliz retorno à vida encarnada (onde você vai tentar não fazer as mesmas lambanças... Tem muitas outras para você experimentar...).
A este ciclo eterno de começo e fim chamamos de Reencarnação. Popularizada na atualidade pelo Espiritismo, ela era a base de antigas religiões que formaram a cultura do mundo. Na verdade, a ideia da vida após a morte era conhecida pelos egípcios e pelos celtas, pelos indianos e pelos orientais, pelos africanos e pelos maias. Enquanto alguns povos acreditavam que o espírito correto ia para um lugar paradisíaco, outros, como os indianos, acreditavam que a alma podia migrar de um corpo para o outro em seu eterno aprendizado. A idéia de reencarnação foi obscurecida no Ocidente com o conceito de Céu e Inferno que dominou a religião cristã nos últimos dois mil anos.
Mas conceitos universais não morrem. Podem dormir, até mesmo por dois mil anos, mas ainda existem, lá no fundo da alma de cada um. Não é algo em que temos fé. Há algo que sabemos. Por isso tantas pessoas estão às voltas procuran­do explicações para o que acontece depois que fechamos os olhos num sono sem fim.
Nesta série, partiremos numa viagem surpreendente e, ao mesmo tempo, familiar. Va­mos conhecer o conceito de reencarnação, kharma, dnarma e o que esperar ver quando apa­gam a luz. Como sempre, não na nada a temer. Se você não se sente confortável com o que for apresentado aqui, não force a barra. Cada um de nós vive num determinado momento de aprendi­zado e não devemos nos forçar a aceitar algo que nosso coração ainda não reconhece. Nesse caso, basta que você leia, conheça e se divirta, pois é um passeio interessante, independente do que você espera encontrar nos bas­tidores, quando for nora de deixar o palco.
Por Eddie Van Feu

24 de abril de 2009

ENCONTRO DE OPINIÕES

NO DIA 24 DE ABRIL DE 1984 DESENCARNAVA NO RIO DE JANEIRO. DEOLINDO AMORIM, JORNALISTA E ESCRITOR DE IDEALIZOU OS CONGRESSOS DOS JORNALISTAS E ESCRITORES ESPÍRITAS, A ABRAJEE E O INSTITUTO DE CULTURA ESPÍRITA DO BRASIL.
I – Problemas de Biologia em face do Espiritismo e da Teologia
Na discussão ou apreciação de problemas científicos, por mais frisantes ou contundentes que sejam as divergências filosóficas ou religiosas, pode haver entendimento franco em determinados pontos. O campo científico, aliás, já é, por natureza, um domínio neutro, porque não toma partido em relação às demandas de ordem doutrinária. As ciências estudam as leis, procuram as relações entre os fenômenos e, por fim, apresentam os seus resultados. Cada qual, depois disto, que dê a interpretação que quiser. Entre as ciências e as doutrinas há duas posições distintas: a ciência pura, destituída de qualquer prejulgado teológico ou filosófico, interessa-se pelo fenômeno em si, quer saber o que ele é, e não vai além disto, pois não lhe compete fazer especulações sobre as “últimas causas”, ao passo que as doutrinas se preocupam com o que deve ser, de acordo com as suas cogitações normativas.
Embora os problemas científicos ofereçam um campo livre, sem compromisso com esta ou aquela direção filosófica, as complicações começam justamente com a interpretação. Em matéria interpretativa, seja qual for o objeto da discussão, é difícil, dificílimo evitar as discordâncias, as colisões de escolas e tendências doutrinárias. Há ocasiões, entretanto, em que se pode partir de uma base comum, deixando de lado umas tantas particularidades ou contornando os “pontos de atrito” a fim de que haja, inicialmente, condições para encarar certos fenômenos pelo mesmo prisma, visando à compreensão geral. Nada disto é possível quando não há espírito inteiramente desapaixonado.
Se, de fato, há pontos irreconciliáveis na discussão de centos assuntos, também há vez outra, alguma premissa pacífica, alguma tese capaz de levar a conclusões convergentes ainda que os participantes do debate sejam oriundos de escolas ou doutrinas diversas, senão antagônicas. Tudo depende, porém, de dois fatores indispensáveis: em primeiro lugar, o estado de espírito de quem vai discutir, completamente livre de prevenções; em segundo lugar, a maneira de formular as questões, procurando situá-las em contexto próprio. Aqui mesmo nesta Revista, e não faz muito tempo, citamos o caso de um frade dominicano, P. Secondi, homem de notória cultura filosófica, convidado para fazer uma conferência sobre Telhard de Chardín no Instituto de Cultura Espírita do Brasil. Em matéria de fé, ou mesmo em problemas filosóficos, naturalmente nós teríamos e teremos muitos pontos discordantes, nunca poderíamos combinar a nossa orientação com a do ilustre frade e professor de filosofia. No entanto, o tema da conferência foi pacífico para ele e para nós: “Telhard de Chardin e a evolução”. Não discutimos pontos de fé, não entramos em questões teológicas e, por isso mesmo, o assunto ficou no plano exclusivamente científico. Pois bem, a tese que o frade sustentou é a mesma tese que nós, espíritas, sustentamos: “A evolução não contradiz a idéia de Deus”. Certamente os argumentos e as motivações são diferentes em determinados aspectos, mas a tese, no fundo, é válida, inteiramente válida para o Espiritismo. Eis, aí, uma prova de que pode haver concordância entre pessoas de concepções ou crenças diferentes na discussão de certos problemas, quando bem formulados.
Tudo isto vem a propósito de um encontro, que se deu, há dias, no Colégio André Maurois, no Rio de Janeiro, entre um padre, um pastor protestante e um espírita. Foi uma reunião cordial, em alto nível de educação e com inteira liberdade para que cada qual. em seu momento de usar da palavra, expusesse francamente o seu modo de ver, a definição de sua fé ou de sua doutrina em face dos problemas propostos em sala de aula. O espírita, no caso, foi o Presidente do Instituto de Cultura Espírita do Brasil; o padre, ainda moço, é professor de um Colégio, na zona sul; o pastor, além de já ter doze anos de pastorado, como explicou no começo, é psicólogo profissional e tem especializações na Europa, mas ainda é relativamente moço. O encontro faz parte dos debates periódicos da cadeira de Biologia daquele importante estabelecimento de ensino; quem o promoveu, convidando também um espírita, foi o Professor Jesus Viegas, que é, aliás, oriundo de nosso meio, já fez parte de Mocidade Espírita, em Barra do Piraí; é professor de Biologia, está fazendo uma carreira muito auspiciosa no magistério da Guanabara. Qual o objetivo desse encontro, com pessoas de crenças diferentes, para um debate sobre problemas biológicos? Que têm esses problemas com as questões filosóficas e religiosas?... É o que vamos ver. Estávamos diante de uma turma de alunos do 3º ano científico. O objetivo dessas reuniões extra-curriculares é apenas este: dar aos alunos, independentemente dos programas oficiais, uma visão mais ampla dos problemas de Biologia, especialmente no que diz respeito à origem da vida, que foi o tema central do debate. Este ponto, como se vê, pela sua extensão e profundidade, não pode ser discutido exclusivamente em termos de ciência experimental, porque também comporta inquirição filosófica. Daí, pois, o fato de haver o professor da cadeira convidado um padre, um pastor e um elemento espírita.
Com um programa inteligentemente organizado pelo responsável, cada qual usou da palavra, de início, por alguns minutos, a fim de expor, em linhas gerais, as suas idéias e fixar a sua posição. As perguntas, por sua vez, foram divididas em duas ordens: perguntas gerais, sugerindo respostas dos três representantes à mesa, cada qual segundo a sua concepção filosófica ou religiosa; perguntas específicas, dirigidas diretamente ora a este, ou àquele componente da mesa e particularizando os assuntos dentro de cada corrente de idéias (protestante, católica ou espírita). A sala estava cheia, pois a turma do curso científico é bem numerosa, e havia algumas professoras, mas não intervieram no debate.
Como sempre acontece em reuniões desse tipo, houve algumas perguntas fora do tema previsto, mas não foram perguntas descabidas. Absolutamente. Uma das alunas, por exemplo, perguntou, especialmente ao espírita, qual a sua opinião sobre céu e inferno... Um aluno, dirigindo-se também ao espírita, perguntou-lhe o que pensava de Arigó. Claro que respondemos com franqueza, embora ponderando que tais perguntas não se enquadravam no programa da reunião, pois estávamos ali para tratar de problemas de Biologia. Todavia, dissemos, afinal, o que qualquer espírita teria dito naquela oportunidade: Segundo o Espiritismo, não há céu nem inferno, pois o que existe é uma Lei de causa e efeito, e cada qual constrói, dentro de si mesmo, o seu céu ou seu inferno, que é problema de consciência. Quanto a Arigó, esclarecemos logo que se trate de um médium cuja faculdade já está demonstrada, e por isso mesmo deveria ser estudada com maior interesse e serenidade científica. Deu-se, aí uma passagem interessantíssima. Embora a pergunta sobre céu e inferno tivesse sido encaminhada diretamente ao espírita, o pastor e o padre também falaram sobre o assunto e, por estranho que possa parecer a verdade é que no fundo, não houve discordância de interpretação. Céu e inferno sempre foi matéria de polêmica entre nós. No entanto, agora, parece que as idéias estão mudadas... o pastor explicou o problema dentro de sua linha de pensamento, mas avançou muito, porque fez sentir, e de um modo bem claro, que atualmente já não se pode mais pensar em localização de céu e inferno em termos espaciais. Enfim, chegou á conclusão de que o inferno ou o céu está realmente na vida1 interior de cada pessoa. Evidentemente, é também o nosso modo de ver, embora as premissas e razões de um pastor sejam diferentes. A idéia capital, no entanto, é de que o inferno de fogo eterno. já não é mais para o nosso tempo.
Ainda mais, e este ponto nos impressionou muito. Quando estávamos falando com a jovem, que nos dirigira a pergunta sobre céu e inferno, exatamente no ponto em que procurávamos dar mais ênfase aos estados de consciência, ouvimos um aparte, do padre, concordando. De fato, logo depois o sacerdote tomou a palavra e fez uma dissertação muito boa, dando uma interpretação que coincide com a interpretação espírita. É nisto que está o aspecto mais interessante. Disse, ele, para começar, que a Teologia de hoje não pode ser mais a Teologia da Idade Média e, portanto, a idéia de céu e inferno, no mundo atual, não pode mais ser compreendida em termos medievais. Muito bem! Finalmente, o padre terminou chegando também é idéia de céu e Inferno como estados de consciência, e não mais como um lugar determinado, com fogo e torturas infindáveis. Neste ponto, é óbvio, ficamos todos de acordo.
Não houve tempo, entretanto, para o esclarecimento de outras questões, inerentes à origem da vida em face da Biologia e da Teologia. São dois campos frontalmente distintos, pois a ciência não entra em especulações transcendentais, nem a Teologia tem instrumental para incursões no domínio científico. Todavia, como o tema é muito mais elástico do que parece, há muito o que dizer ou discutir a este respeito, desde que se considere o problema também sob o ponto de vista filosófico.
E qual a situação do Espiritismo neste debate? É justamente o que vamos dizer, mas fica para o próximo outro artigo.
Deolindo Amorim
Revista Internacional de Espiritismo - Julho - 1969

22 de abril de 2009

A TERRA ESTÁ EM SUAS MÃOS



O Dia da Terra foi criado pelo então senador americano Gaylord Nelson, no dia 22 de Abril de 1970.


O dia tem por finalidade criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra.

No dia 22 de abril comemora-se o Dia da Terra, iniciativa que pretende despertar a consciência na população de todo o mundo sobre maneiras de colaborar na preservação do meio ambiente através de simples medidas cotidianas.
Calma… não é preciso ser nenhum herói dos quadrinhos para salvar o planeta. Você pode reciclar, fazer uso de uma fonte alternativa de energia, ficar ligado no consumo excessivo de água, entre diversas outras práticas que contribuem para a preservação dessa bola azul que chamamos de Terra. Estimular uma atitude ecologicamente consciente e difundir valores ligados ao meio-ambiente é o objetivo do DIA DA TERRA.
VOCÊ JÁ TEVE UMA ATITUDE ECOLOGICAMENTE PERFEITA HOJE?
As sacolas de plástico servem para o transporte de produtos e, também, substituem os
sacos de lixo. Porém, jamais houve preocupação com as conseqüências de seu destino final, já que, por não serem biodegradáveis, levam até cem anos para se decompor.
Cerca de 700 milhões de sacolas de compras são usadas por mês, no Brasil, e 90% são reaproveitadas no lixo doméstico.
Descartadas, as sacolas poluem a rede de esgoto, arroios, rios, lagoas sufocando e levando a morte, os animais aquáticos.
Faça e use sacolas de compras de tecido.
Os sacos plásticos estão fora de moda e poluem o meio ambiente.
É hora de ter uma bolsa bonita e reutilizável
MUDE DE ATITUDE.

21 de abril de 2009

O VEGETARIANISMO



Por causa da comida, não destruas a obra de Deus... Bom é não comer carne, nem beber vinho... (Rom. 14:20/21)

Ainda são dos Versos Áureos de Pitágoras estas palavras: “Habitua-te a um regime puro e severo.” As prescrições alimentares de Pitágoras não se limitavam a uma medida justa, o que é importante, mas também determinavam a seleção qualitativa dos alimentos, que deveriam ser puros para conseguir harmonia física e espiritual. Nesse regime era excluído todo alimento cárneo, mas podiam-se usar ovos, leite e seus derivados, o que corresponde ao regime vegetariano de hoje.
A respeito à vida animal é um preceito esotérico, porque o animal faz parte integrante da vida una. Os animais são, como nós, criaturas de Deus, dotadas de sentimentos, inteligência e consciência em evolução. Devemos mostrar-nos cheios de amor por estes irmãos inferiores, pois outrora, há bilênios, passamos também por essa etapa evolutiva.
Os dados científicos modernos confirmam esses preceitos pitagóricos, igualmente defendidos por filósofos, teósofos e seguidores de várias religiões. Classifica-se o homem entre os “frugívoros”, pois ele apresenta todas as características fisiológicas dos animais que se alimentam de frutas e frutos. Ensina-se-nos ainda que os efeitos nefastos da carne são consideráveis. Excitam e intoxicam mais do que alimentam. A alimentação cárnea é a principal responsável pelas afecções gastro-intestinais, etc...
A carne não é um alimento destinado ao homem pela natureza. Disto adverte o nosso instinto. Jamais se sentiria alguém atraído a comer a carne se visse um cadáver esquartejado! Ninguém seria capaz de comer um pedaço de carne crua, como o faz o animal carnívoro. Somente depois de devidamente preparada, condimentada, e dela retirada toda aquela impressão de vida que a animou, é que o homem se dispõe a comê-la.
Tudo o que cheira a cadáver nos repugna aos sentidos. É a repulsa instintiva de nossa consciência. Existe uma lei de moral que nos adverte e nos ordena que não façamos sofrer o que tem vida, e nunca matemos, pois só pode tirar a vida quem também a pode dar. Tudo o que vive e evolui, deve ser respeitado.
A missão do homem colocado à frente da criação, com o poder criador de um ser autoconsciente, dotado de uma mente capaz tanto de construir como destruir, é a de seguir as normas da divindade que reside em si, buscando por todos os meios incentivar e auxiliar a lei da evolução. A ele cabem as maiores responsabilidades no decorrer de sua existência, e elas são tanto maiores quanto mais alta é a sua evolução. Certamente que para um selvagem recém-individualizado, no qual ainda predominam todos os instintos do animal, justifica-se sua alimentação animal. No entanto, quanto mais avança a civilização e mais conscientes nos tornamos dos deveres morais, certamente o regime vegetariano terá que ir tomando o lugar do cárneo e a humanidade se fará mais pura.
Enquanto o homem for um destruidor sem coração, desconhecerá a saúde e a paz, pois, segundo a sábia lei do carma, quem “semeia ventos colhe tempestades”. O hábito de matar animais e comê-los é incompatível com os mais elevados sonhos de fraternidade universal.
É erro supor-se que, morto o animal, ele não mais possua vida. Sua morte é aparente. Seu fluido vital, seu magnetismo, continuam entranhados em sua carne, desprendendo vibrações de reações hostis, que vão impregnar a aura de quem delas se alimenta, além de intoxicar o seu organismo. O regime vegetariano é um fator auxiliar da evolução humana, pois cria e fortalece vibrações mais harmoniosas entre as forças físicas e espirituais, interdependentes.
A alimentação vegetariana, mais limpa física e psiquicamente, atua na personalidade, purificando-a, desmaterializando-a, neutralizando as incitações brutais e grosseiras. Facilita maior desenvolvimento intelectual, tornando nossa natureza mais sensível e delicada às coisas belas da vida e do espírito.
Todos os que abandonam o uso da carne, constatam que sua mente se torna mais lúcida, sua percepção maior e suas aspirações mais elevadas. Libertam-se de influências doentias, mórbidas; têm pensamentos mais claros, aumenta o poder de sua vontade e acresce a sua espiritualidade.
A abstenção do álcool, do fumo e da carne é condição básica para o refinamento do indivíduo e a sublimação de sua personalidade, tornando-a um instrumento útil da Alma, “o templo do Espírito Santo”. Há, porém, leis que regem a matéria de cada plano, e por isso, todo trabalho de aperfeiçoamento deve ser feito com discernimento. Portanto, é aconselhável que a extinção de qualquer vício seja gradativa, embora existam casos de pessoas que, dotadas de grande força de vontade, conseguem libertar-se de seus vícios de um momento para o outro e sem o menor prejuízo.
Cinira Riedel de Figueiredo

20 de abril de 2009

LUGAR DEPOIS DA MORTE



Muitas vezes perguntas, na Terra, para onde seguirás, quando a morte venha a surgir...
Anseias, decerto, a ilha do repouso ou o lar da união com aqueles que mais amas...
Sonhas o acesso à felicidade, à maneira da criança que suspira pelo colo materno...
Isso, porém, é fácil de conhecer.
Toda pessoa humana é aprendiz na escola da evolução, sob o uniforme da carne, constrangida ao cumprimento de certas obrigações;
Nos compromissos no plano familiar;
Nas responsabilidades da vida pública;
No campo dos negócios materiais;
Na luta pelo próprio sustento...
O dever, no entanto, é impositivo da educação que nos obriga a parecer o que ainda não somos, para sermos, em liberdade, aquilo que realmente devemos ser.
Não olvides, assim, enobrecer e iluminar o tempo que te pertence.
Não nos propomos nivelar homens e animais; contudo, numa comparação reconhecidamente incompleta, imaginemos seres outros da natureza trazidos ao regime do espírito encarnado na esfera física.
O cavalo atrelado ao carro, quando entregue ao descanso, corre à pastagem, onde se refocila na satisfação dos próprios impulsos.
A serpente, presa para cooperar na fabricação de soro antiofídico, se for libertada, desliza para a toca, onde reconstituirá o próprio veneno.
O corvo, detido para observações, quando solto, volve à imundície.
A abelha, retida em observação de apicultura, ao desembaraçar-se, torna, incontinenti, à colméia e ao trabalho.
A andorinha engaiolada para estudo, tão logo se veja fora da grade, voa no rumo da primavera.
Se desejas saber quem és, observa o que pensas, quando estás sem ninguém; e se queres conhecer o lugar que te espera, depois da morte, examina o que fazes contigo mesmo nas horas livres.
Emmanuel
Do livro Justiça Divina. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

18 de abril de 2009

18 DE ABRIL - DIA NACIONAL DO ESPIRITISMO


18 de Abril de 1857, 152 anos de “O Livro dos Espíritos”
Lei natural, perfeita e estável, impera soberana em todos os fenômenos detectados ou não pela percepção humana. A ignorância das leis que regem os mecanismos causais de certos fenômenos levou homens a crerem no sobrenatural e a persistirem em interpretações incompatíveis com o avanço científico e cultural de nossa época.
O cristianismo nascente não foi plenamente compreendido e sofreu, com o passar do tempo, a inclusão de adereços estranhos que vararam os séculos, sombreando o sentimento religioso, inato no ser humano. O filósofo espírita Leon Denis assevera que a adoração de imagens, os cânticos, a crença no inferno e em satanás, são heranças pagãs incorporadas à doutrina cristã. Os dogmas, as penas eternas, o culto exterior, as pompas cerimoniais e outras enxertias foram contaminando a mensagem de Jesus, que viuse afastada da simplicidade, clareza e profundidade que lhe são próprias.
Na plenitude do século das luzes, num período de paradoxos entre a fé e a razão emergiu a nova doutrina a partir de 18 de abril de 1857, com o lançamento d’O Livro dos Espíritos.
O sábio pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail mergulhava na luz da espiritualidade maior para resplandecer no bom senso invulgar de Allan Kardec, pseudônimo com que se imortalizou na tarefa da codificação do Espiritismo.
Com a simplicidade característica das coisas verdadeiras, assentavam-se as bases da Ciência do Espírito derribando os preconceitos do academicismo materialista e abalando os alicerces do obscurantismo religioso: eliminam a visão reducionista acerca do Criador, viabilizam o entendimento do mundo espiritual e das relações dele com o mundo corporal; revelam que a evolução anímica é norma universal, que a reencarnação se insere no estágio temporal que experienciamos dentro do processo da evolução infinita. Descortinam as leis que regem os fenômenos mediúnicos; proclamam que a justiça misericordiosa do criador é incompatível com penas irremissíveis e condenações eternas; informam que o ser humano, dotado de livre-arbítrio a expandir-se à medida em que progride, constrói, com sua ação ou inação, o futuro individual e coletivo que o aguarda.
N’O Evangelho segundo Espiritismo, obra lançada em abril de 1864, o Espírito de Verdade afirma que “no Cristianismo se encontram todas as verdades, sendo de origem humana os erros que nele se enraizaram”.
A Doutrina Espírita é de origem divina. Foi escrita por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional.
Os livros sagrados das antiqüíssimas religiões orientais contêm as regras que nortearem vidas através do tempo. O Antigo Testamento sintetiza o pensamento judaico sobre a religião monoteísta.
O Evangelho de Jesus encerra o mais valioso e belo código moral conhecido pelos homens, com base no Amor Soberano. “O Livro dos Espíritos” é uma nova síntese para os tempos atuais. Nele estão contidas verdades antiqüíssimas, sob nova roupagem, que fazem da Doutrina dos Espíritos a atualização de idéias e realidades que ao lado de revelações descortinam um Novo Mundo, o Mundo dos Espíritos.
Síntese
Esse livro-síntese não é somente a rememoração de verdades antigas como a doutrina das vidas sucessivas, os mandamentos maiores da lei mosaica, relativos ao amor a Deus e ao próximo, e a todos os ensinos morais do Cristo resumidos nas leis de Amor, Justiça e Caridade. Descerra, também, realidades novas, que os homens não tinham condições de conhecer por si mesmo, e que os Espíritos mostraram como fazendo parte da ordem natural das coisas.
Allan Kardec, o sistematizador das revelações provindas do Mundo Espiritual Superior, ao organizar a obra básica da colocou em seu frontispício – “Filosofia Espiritualista – princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade – segundos os ensinos dados por Espíritos superiores com o concurso de diversos médiuns”.
Neste livro básico, a Religião e a Ciência, em sentido lato, interpenetram-se e conciliam-se, já que não pode haver incompatibilidade na criação divina da qual ambas se originam.
A linguagem utilizada abordando difíceis e transcendentes questões, é simples e direta, ao alcance do homem comum.
A primeira edição de “O Livro dos Espíritos” continha 501 perguntas e respostas e a segunda, definitiva, publicada a 16 de março de 1860, da qual derivam as demais obras da Codificação Espírita contém 1 019 questões.
Desdobramentos
Dessas diversas partes derivam-se e desdobram-se as demais obras da Codificação Espírita, “O Livro dos Médiuns”, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, “O Céu e o Inferno” e “A Gênese”.
Observa-se que os princípios fundamentais da Doutrina permanecem íntegros e exatos após os 148 anos de seu surgimento. O progresso das ciências, apesar de dominadas pelo materialismo, caminha no sentido dos princípios espíritas. Como por exemplo na Física, com a concepção da matéria como energia concentrada. Daí à percepção da existência de diversos estados da matéria, como demonstra a Doutrina Espírita.
O caráter filosófico evidencia-se pela sua própria natureza e pelas matérias que trata, embora vazado em linguagem simples, mas não vulgar.
O caráter científico é ressaltado não como ciência do mundo, dominada pelo materialismo, mas como ciência do Espírito, com seu objeto e métodos próprios.
Deus
O caráter religioso sobressai nítido ao tratar de Deus e seus atributos como o Criador do Universo, a Inteligência Suprema, o Deus que não é antropomórfico como Deus bíblico, nem panteísta, como nas religiões orientais.
O Deus do Espiritismo é o Pai, é Amor, Justiça e Bondade.
A religião dos Espíritos mostra a vida do Espírito, livre, no Mundo Espiritual, ou ligado a um corpo material, na Terra, buscando sempre a evolução anímica através das vidas sucessivas.
Toda moral espírita fundamenta-se nos ensinos do Cristo. Demonstrando a inconsistência e incongruência do materialismo.
Além dos aspectos filosóficos, científico e religioso da Doutrina, é inegável os princípios éticos, morais, educacionais e sociológicos, que a caracterizam como doutrina de educação.
Terminada e revisada a obra, Allan Kardec escreveu a monumental Introdução, que a precede e apresenta, apreciando-a sob múltiplos ângulos e resumindo a doutrina dela decorrente. É nessa introdução que o Codificador cria os neologismos espírita, espiritista e Espiritismo para definir as coisas novas surgidas com o livro.

17 de abril de 2009

EM HOMENAGEM A SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ PENÚLTIMA ENCARNAÇÃO DE JOANNA DE ÂNGELIS


SOROR JUANA INÉS DE LA CRUZ

No século XVII ela reaparece no cenário do mundo, para mais uma vida dedicada ao Bem. Renasce em 1651 na pequenina San Miguel Nepantla, a uns oitenta quilômetros da cidade do México, com o nome de JUANA DE ASBAJE Y RAMIREZ DE SANTILLANA, filha de pai basco e mãe indígena. Após 3 anos de idade, fascinada pelas letras, ao ver sua irmã aprender a ler e escrever, engana a professora e diz-lhe que sua mãe mandara pedir-lhe que a alfabetizasse. A mestra, acostumada com a precocidade da criança, que já respondia ás perguntas que a irmã ignorava, passa a ensinar-lhe as primeiras letras. Começou a fazer versos aos 5 anos. Aos 6 anos, Juana dominava perfeitamente o idioma pátrio, além de possuir habilidades para costura e outros afazeres comuns às mulheres da época. Soube que existia no México uma Universidade e empolgou-se com a idéia de no futuro, poder aprender mais e mais entre os doutores. Em conversa com o pai, confidenciou suas perspectivas para o futuro. Dom Manuel, como um bom espanhol, riu-se e disse gracejando: -"Só se você se vestir de homem, porque lá só os rapazes ricos podem estudar." Juana ficou surpresa com a novidade, e logo correu à sua mãe solicitando insistentemente que a vestisse de homem desde já, pois não queria, em hipótese alguma, ficar fora da Universidade. Na Capital, aos 12 anos, Juana aprendeu latim em 20 aulas, e português, sozinha. Além disso, falava nahuatl, uma língua indígena. O Marquês de Mancera, querendo criar uma corte brilhante, na tradição européia, convidou a menina-prodígio de 13 anos para dama de companhia de sua mulher. Na Corte encantou a todos com sua beleza, inteligência e graciosidade, tornando-se conhecida e admirada pelas suas poesias, seus ensaios e peças bem-humoradas. Um dia, o Vice-rei resolveu testar os conhecimentos da vivaz menina e reuniu 40 especialistas da Universidade do México para interrogá-la sobre os mais diversos assuntos. A platéia assistiu, pasmada, àquela jovem de 15 anos responder, durante horas, ao bombardeio das perguntas dos professores. E tanto a platéia como os próprios especialistas aplaudiram-na, ao final, ficando satisfeito o Vice-rei. Mas, a sua sede de saber era mais forte que a ilusão de prosseguir brilhando na Corte. A fim de se dedicar mais aos seus estudos e penetrar com profundidade no seu mundo interior, numa busca incessante de união com o divino, ansiosa por compreender Deus através de sua criação, resolveu ingressar no Convento das Carmelitas Descalças, aos 16 anos de idade. Desacostumada com a rigidez ascética, adoeceu e retornou à Corte. Seguindo orientação de seu confessor, foi para a ordem de São Jerônimo da Conceição, que tem menos obrigações religiosas, podendo dedicar-se às letras e à ciência.

Tomou o nome de SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ. Na sua confortável cela, cercada por inúmeros livros, globos terrestres, instrumentos musicais e científicos, Juana estudava, escrevia seus poemas, ensaios, dramas, peças religiosas, cantos de Natal e música sacra. Era freqüentemente visitada por intelectuais europeus e do Novo Mundo, intercambiando conhecimentos e experiências. A linda monja era conhecida e admirada por todos, sendo os seus escritos popularizados não só entre os religiosos, como também entre os estudantes e mestres das Universidades de vários lugares. Era conhecida como a "Monja da Biblioteca". Se imortalizou também por defender o direito da mulher de ser inteligente, capaz de lecionar e pregar livremente.

Em 1695 houve uma epidemia de peste na região. Juana socorreu durante o dia e a noite as suas irmãs reliogiosas que, juntamente com a maioria da população, estavam enfermas. Foram morrendo, aos poucos, uma a uma das suas assistidas e quando não restava mais religiosas, ela, abatida e doente, tombou vencida, em 17.04.1695, aos 44 anos de idade.

O PROBLEMA DA INSATISFAÇÃO


A insatisfação, que medra, assustadora, numa avalanche crescente. em todos os arraiais da Sociedade terrena, procede, de certo modo, da programática educacional das criaturas que, desde cedo, recebem orientação e adestramento em moldes eminentemente imediatistas, como se a vida devesse abraçar. apenas, o estreito limite entre o berço e o túmulo...
Centralizando todas as aspirações no trâmite carnal, o triunfo, conforme os padrões hedonistas, tem como finalidade à aquisição de valores para o gozo, o destaque na comunidade, a tranqüilidade que decorra de um estômago saciado, um sexo atendido e as vaidades estimuladas...
No entanto, mesmo quando tal ocorrência vem de ser lograda, acompanhada de emoções estésicas, eis que o sonhador da roupagem carnal se depara com outro tipo de necessidade que deflui do espírito, no seu processo de reeducação pelo impositivo reencarnacionista.
O homem não são, exclusivamente, as suas necessidades orgânicas e emocionais que se enquadram na argamassa fisiopsicológica.
O berço e o túmulo representam, no processo da evolução, meios de que se utiliza a Sabedoria Divina para que o ser indestrutível entre e saia do corpo, adquirindo experiências. fixando aprendizagem, modelando caracteres, crescendo na fraternidade e santificando o amor, que arranca das expressões do instinto de posse para a sublimação através da renúncia e do sacrifício...
Concebendo a vida como um jogo fugaz de sensações, em que o homem dotado de recursos amoedados mais é feliz porque mais consegue, coloca todas as ambições no estreito condicionamento da posse material, que amargura, quando escassa e frustra. quando farta.
De forma alguma os valores da rápida aquisição conseguem produzir no homem a verdadeira harmonia, tendo-se em vista que, impelido pelo próprio instinto de preservação da espécie, se não vigia, mais ambiciona, quanto mais detém.
A posse, no entanto, de forma alguma faculta equilíbrio emocional. Quando é abundante, produz o receio da perda, estimulando a existência dos fantasmas do medo de perder a posição e os recursos que lhe significam a vida... E, quando é exígua, favorece a escravidão ao que se gostaria de possuir, como fuga psicológica às inquietações quase sempre injustificáveis.
O homem deve arrimar-se nos valores éticos, que ele próprio constrói a pouco e pouco em si e à sua volta, compensando-se no ideal altruísta, com que desata as emoções superiores que lhe jazem em gérmen, crescendo moralmente e superando as injunções do cárcere físico, mediante cuja ascensão consegue a lucidez que lhe dá a perfeita visão da vida e lhe dilata os horizontes em torno do que lhe convém e do que deve fazer.
Situando as metas da existência além dos prazeres transitórios e frustrantes, irmanado à fé libertadora, com que se arma de resistências para a dor, para o mal, para os distúrbios de qualquer natureza, logra superar-se e planar além de quaisquer vicissitudes negativas, através de cujo comportamento fruirá a real felicidade.
Não cobiçando mais do que lhe é lícito reter; não se afadigando em demasia pelas aquisições transitórias; não se antecipando sofrimentos advindos do receio do futuro; não vivendo exclusivamente para o corpo, os insucessos aparentes são convertidos em lições que amadurecem para os próximos empreendimentos, fixando o bem em si mesmo, com que se ala nos rumos do Bem Incessante após a vilegiatura orgânica, libertando-se das vestes físicas com a alegria do escafandrista que retorna à tona, concluída a tarefa feliz no seio das águas profundas...
A insatisfação que a tantos amargura, enferma e conduz a distonias de largo porte, pode e deve ser combatida através de uma pauta salutar de objetivos e de diretrizes evangélicas, conforme Allan Kardec extraiu dos conceitos morais das insuperáveis lições do Cristo, fazendo do Espiritismo o mais completo compêndio de otimismo e de sabedoria conhecido nos tempos hodiernos.
Reflexionando em torno dos valores reais, como dos aparentes, o homem de bem, inteligente, que sente necessidade de mais profundas e nobres aspirações para ser feliz, mergulha a mente e o sofrimento no exercício do amor, em seu sentido mais elevado, defrontando a grandeza da vida e realizandose por fim em paz.
Fonte: ENFOQUES ESPÍRITAS, pelo Espírito VIANNA DE CARVALHO, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL - A Luz de Damasco – Junho de 2000

16 de abril de 2009

ESPIRITISMO



"...Que te importa a ti? Segue-me tu."
Jesus (João, 21:22).

É muito comum ouvirmos de pessoas que não conhecem o Espiritismo que fulano freqüenta o "espiritismo de terreiro", sicrano é da linha do "espiritismo de umbanda", ou ainda que beltrano pratica o "baixo espiritismo."
Espiritismo não é, como muita gente pensa, uma religião onde os adeptos dedicam-se unicamente a receber comunicações daqueles que os precederam na viagem do além-túmulo, para sanar curiosidades ou resolver problemas materiais. Aliás, para o seguidor dessa doutrina isto é o que menos importa. O que mais preocupa os espíritas é a evolução integral do homem espiritual, embora não sejam alheios às necessidades do homem material.
O espírita não aceita pagamentos por "favores" conseguidos por seu intermédio. Ele cumpre à risca o "Daí de graça o que de graça recebestes." Tudo isso porque existe dentro dele a vontade insaciável de ajudar aos irmãos menos favorecidos. E é com este procedimento que vamos mais e mais correligionários engrossando a fileira dos trabalhadores que dão o seu testemunho a esta seara cristã.
Sempre que ouvir, caro leitor, referências que dividam o Espiritismo em "baixo" ou "alto", de "mesa branca" ou "escura" procure esclarecer, lembrando que os rituais, imagens e alegorias são objetos do plano material e que não têm razão de existir em uma doutrina que oferece ensinamentos profundos, porém acessíveis a todos os níveis culturais. Acrescente que o Espiritismo é filosofia que proporciona a maneira exata de encarar a vida, respondendo-nos os porquês de nossos problemas, é ciência que vem mostrar quem é a causa primária de tudo e é religião quando ensina que "Fora da caridade não há salvação".
Acreditamos não ser demais registrar aqui que: "O Espiritismo cresce porque leva o homem ao estudo, ao raciocínio e á prática dos ensinamentos evangélicos e que: O Espiritismo é fortaleza, segurança, equilíbrio, paz, convicção, orientação, prudência, serenidade, solidariedade, trabalho e, para os que o negam, (ou confundem com outras doutrinas) convinha, por obrigação e dever de todos, estudá-lo para poderem falar de um assunto com conhecimento próprio e inclusive contradizê-lo".
Pretender esconder os benefícios que o Espiritismo tem dado para o aperfeiçoamento e progresso do homem é a mesma coisa que querer esconder a luz solar com uma peneira.
Poderemos voltar um pouco à história e lembrar que Moisés, no cumprimento de sua tarefa, conseguiu abrandar os rudes costumes do homens da época, fazendo reinar entre eles a lei da justiça. Jesus com sua bondade trouxe através da exemplificação ensinamentos que calaram fundo nos corações humanos. O Espiritismo, sendo a Terceira Revelação, vem nos trazer a verdade do Espírito. Ele é a semente latente que brota no solo arado pelo rude "Olho por olho, dente por dente" e adubado pelas leis do Amor do Mestre dos mestres para esclarecer a Humanidade sequiosa por estes ensinamentos.
Porém, caro leitor, se você não conseguir esclarecer todos aqueles que vivem dividindo a Doutrina Consoladora não se preocupe com sua integridade. Acredite em Kardec que certa feita disse: "O Espiritismo sobreviverá com os homens, sem os homens e apesar dos homens".

Livro: "Reflexos das Atitudes" Ed. Espírita Mensagem de Esperança
Transcrito do Redenção - Outubro l999 - Boletim Informativo Mensal do
Grupo Espírita Redenção

14 de abril de 2009

NOS ENCARGOS DA VIDA


Recorda: Deus nos criou para a execução de determinados encargos, em que nos façamos felizes.
Não digas que a Terra é um mundo exclusivamente de provações.
Em qualquer degrau da evolução, podes instalar-te no lugar próprio à criação de tuas próprias alegrias.
Necessário reconhecer que te encontras na condição certa e com as criaturas mais adequadas para a tarefa a cumprir.
Conscientiza-te de que ninguém consegue realizar algo sem o apoio de alguns, competindo-nos a todos adquirir paciência e tolerância de uns para com os outros
Aprendamos a viver sem reclamações e sem queixas.
Os obstáculos e problemas, em maioria, com que somos defrontados na desincumbência
de nossos deveres partem de nós e não dos outros
Adaptarmo-nos às exigências do trabalho a realizar, sem perder altura no ideal superior que
abraçamos, é norma de triunfo em nossas obrigações.
Lembremo-nos de que todos aqueles que sabem desculpar as dificuldades e faltas alheias
estão criando fatores de base ao próprio êxito.
Quem se consagra a servir, serve para viver, honrando a vida em qualquer posição.

CALMA - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER (EMMANUEL)

12 de abril de 2009

EM HOMENAGEM AOS 82 ANOS DO DESENCARNE DO MESTRE LÉON DENIS


A LEI DOS DESTINOS
Léon Denis

Dada a prova das vidas sucessivas, o caminho da existência acha-se desimpedido e traçado com firmeza e segurança. A alma vê claramente seu destino, que é a ascensão para a mais alta sabedoria, para a luz mais viva. A eqüidade governa o mundo; nossa felicidade está em nossas mãos; deixa de haver falhas no Universo, sendo seu alvo a Beleza, seus meios a Justiça e o Amor. Dissipa-se, portanto, todo o temor quimérico, todo o terror do Além. Em vez de recear o futuro, o homem saboreia a alegria das certezas eternas. Confiado no dia seguinte, multiplicam-se-lhe as forças; seu esforço para o bem será centuplicado.
Entretanto, levanta-se outra pergunta: Quais são as molas secretas por cuja via se exerce a ação da justiça no encadeamento de nossas existências?
Notemos, primeiro que tudo, que o funcionamento da justiça humana nada nos oferece que se possa comparar com a lei divina dos destinos. Esta se executa por si mesma, sem intervenção alheia, tanto para os indivíduos como para as coletividades. O que chamamos mal, ofensa, traição, homicídio, determinam nos culpados um estado de alma que os entrega aos golpes da sorte na medida proporcionada à gravidade de seus atos.
Esta lei imutável é, antes de mais nada, uma lei de equilíbrio. Estabelece a ordem no mundo moral, da mesma forma que as leis de gravitação e da gravidade asseguram a ordem e o equilíbrio no mundo físico. Seu mecanismo é, ao mesmo tempo, simples e grande. Todo mal se resgata pela dor. O que o homem faz de acordo com a lei do bem, proporciona-lhe tranqüilidade e contribui para sua elevação; toda violação provoca sofrimento. Este prossegue a sua obra interior; cava as profundidades do ser; traz para a luz os tesouros de sabedoria e beleza que ele contém e, ao mesmo tempo, elimina os germens malsãos. Prolongará sua ação e voltará à carga por tanto tempo quanto for necessário até que ele se expanda no bem e vibre uníssono com as forças divinas; mas, na prossecução dessa ordem grandiosa, compensações estarão reservadas à alma. Alegrias, afeições, períodos de descanso e felicidade alternarão, no rosário das vidas, com as existências de luta, resgate e reparação. Assim, tudo é regulado, disposto com uma arte, uma ciência, uma bondade infinitas na Obra Providencial.
No princípio de sua carreira, em sua ignorância e fraqueza, o homem desconhece e transgride muitas vezes a Lei. Daí as provações, as enfermidades, as servidões materiais, mas, desde que se instrui, desde que aprende a pôr os atos de sua vida em harmonia com a Regra Universal, “ipso facto”
(1) é cada vez menos presa da adversidade.
Os nossos atos e pensamentos traduzem-se em movimentos vibratórios, e seu foco de emissão, pela repetição freqüente dos mesmos atos e pensamentos, transforma-se, pouco a pouco, em poderoso gerador do bem ou do mal.
O ser classifica-se assim a si mesmo pela natureza das energias de que se torna o centro irradiador, mas, ao passo que as forças do bem se multiplicam por si mesmas e aumentam incessantemente, as forças do mal destroem-se por seus próprios efeitos, porque esses efeitos voltam para sua causa, para seu centro de emissão e traduzem-se sempre em conseqüências dolorosas. Estando o mau, como todos os seres, sujeito a impulsão evolutiva, vê por isso aumentar-se forçosamente sua sensibilidade.
As vibrações de seus atos, de seus pensamentos maus, depois de haverem efetuado sua trajetória, volvem a ele, mais cedo ou mais tarde, e o oprimem, o apertam no necessidade de reformar-se.
Este fenômeno pode explicar-se cientificamente pela correlação das forças, pela espécie de sincronismo vibratório que faz voltar sempre o efeito à sua causa. Temos demonstração disso no fato bem conhecido de, em tempo de epidemia, de contágio, serem principalmente as pessoas, cujas forças vitais se harmonizam com as causas mórbidas em ação, as atacadas, ao passo que os indivíduos dotados de vontade firme e isentos de receio ficam geralmente indenes.
Sucede o mesmo na ordem moral. Os pensamentos de ódio e vingança, os desejos de prejudicar, provenientes do exterior, só podem agir sobre nós e influenciar-nos desde que encontrem elementos que vibrem uníssonos com eles. Se nada existir em nós de similar, estas forças ruins resvalam sem nos penetrarem, volvem para aquele que as projetou para, por sua vez, o ferirem, quer no presente quer no futuro, quando circunstâncias particulares as fizerem entrar na corrente do seu destino.
Há, pois, na lei de repercussão dos atos, alguma coisa mecânica, automática na aparência. Entretanto, quando implica acerbas expiações, reparações dolorosas, grandes Espíritos intervêm para regular-lhe o exercício e acelerar a marcha das almas em via de evolução. Sua influência faz-se principalmente sentir na hora da reencarnação, a fim de guiar estas almas em suas escolhas, determinando as condições e os meios favoráveis à cura de suas enfermidades morais e ao resgate das faltas anteriores.
Sabemos que não há educação completa sem a dor. Colocando-nos neste ponto de vista, é necessário livrarmo-nos de ver, nas provações e dores da Humanidade, a conseqüência exclusiva de faltas passadas. Todos aqueles que sofrem não são forçosamente culpados em via de expiação. Muitos são simplesmente Espíritos ávidos de progresso, que escolheram vidas penosas e de labor para colherem o benefício moral que anda ligado a toda pena sofrida.
Contudo, em tese geral, é do choque, é do conflito do ser inferior, que não se conhece ainda, com a lei da Harmonia, que nasce o mal, o sofrimento. É pelo regresso gradual e voluntário do mesmo ser a esta Harmonia que se restabelece o bem, isto é, o equilíbrio moral. Em todo pensamento, em toda obra há ação e reação e esta é sempre proporcional em intensidade à ação realizada. Por isso podemos dizer: o ser colhe exatamente o que semeou.
Colhe-o, efetivamente, pois que, por sua ação contínua, modifica sua própria natureza, depura ou materializa o seu invólucro fluídico, o veículo da alma, o instrumento que serve para todas as suas manifestações e no qual é calcado, modelado o corpo físico em cada renascimento.
Nossa situação no Além resulta, como vimos precedentemente, das ações repetidas que nossos pensamentos e nossa vontade exercem constantemente sobre o perispírito. Segundo sua natureza e objetivo, vão-no transformando pouco a pouco num organismo sutil e radiante, aberto às mais altas percepções, às sensações mais delicadas da vida do Espaço, capaz de vibrar de forma harmoniosa com Espíritos elevados e de participar das alegrias e impressões do Infinito. No sentido inverso, farão dele uma forma grosseira, opaca, acorrentada à Terra por sua própria materialidade e condenada a ficar encerrada nas baixas regiões.
Esta ação contínua do pensamento e da vontade, exercida no decorrer dos séculos e das existências sobre o perispírito, faz-nos compreender como se criam e desenvolvem nossas aptidões físicas, assim como as faculdades intelectuais e as qualidades morais.
Nossas aptidões para cada gênero de trabalho, a habilidade, a destreza em todas as coisas são o resultado de inumeráveis ações mecânicas acumuladas e registradas pelo corpo sutil, do mesmo modo que todas as recordações e aquisições mentais estão gravadas na consciência profunda. Ao renascer, estas aptidões são transmitidas, por uma nova educação, da consciência externa aos órgãos materiais. Assim se explica a habilidade consumada e quase nativa de certos músicos e, em geral, de todos aqueles que mostram, em um domínio qualquer, uma superioridade de execução que surpreende à primeira vista.
Sucede o mesmo com as faculdades e virtudes, com todas as riquezas da alma adquiridas no decurso dos tempos. O gênio é um longo e imenso esforço na ordem intelectual e a santidade foi conquistada à custa de uma luta secular contra as paixões e as atrações inferiores.
Com alguma atenção poderíamos estudar e seguir em nós o processo da evolução moral. De cada vez que praticamos uma boa ação, um ato generoso, uma obra de caridade, de dedicação, a cada sacrifício do “eu”, não sentimos uma espécie de dilatação interior? Alguma coisa parece expandir-se em nós; uma chama acende-se ou aviva-se nas profundezas do ser.
Esta sensação não é ilusória. O Espírito ilumina-se a cada pensamento altruísta, a cada impulso de solidariedade e de amor puro. Se estes pensamentos e atos se repetem, se multiplicam, se acumulam, o homem acha-se como que transformado ao sair de sua existência terrestre; a alma e seu invólucro fluídico terão adquirido um poder de radiação mais intenso.
No sentido contrário, todo pensamento ruim, todo ato criminoso, todo hábito pernicioso provoca um estreitamento, uma contração do ser psíquico, cujos elementos se condensam, entenebrecem, carregam de fluidos grosseiros.
Os atos violentos, a crueldade, o homicídio e o suicídio produzem no culpado um abalo prolongado, que se repercute, de renascimento em renascimento, no corpo material, e traduz-se em doenças nervosas, tiques, convulsões e até deformidades, enfermidades ou casos de loucura, consoante a gravidade das causas e o poder das forças em ação. Toda transgressão da lei implica diminuição, mal-estar, privação de liberdade.
As vidas impuras, a luxúria, a embriaguez e a devassidão conduzem-nos a corpos débeis, sem vigor, sem saúde, sem beleza. O ser humano que abusa de suas forças vitais, por si mesmo se condena a um futuro miserável, a enfermidades mais ou menos cruéis.
Às vezes a reparação se efetua numa longa vida de sofrimentos, necessária para destruir em nós as causas do mal, ou, então, numa existência curta e difícil, terminada por morte trágica. Uma atração misteriosa reúne às vezes os criminosos de lugares muito afastados num dado ponto para feri-los em comum. Daí as catástrofes célebres, os naufrágios, os grandes sinistros, as mortes coletivas, tais como o desastre de Saint-Gervais, o incêndio do Bazar de Caridade, a explosão de Courrières, a do “Iena”, o naufrágio do “Titanic”, do “Ireland”, etc.
Explicam-se assim as existências curtas; são o complemento de vidas precedentes, terminadas muito cedo, abreviadas prematuramente por excessos, abusos ou por qualquer outra causa moral, e que, normalmente, deveriam ter durado mais.
Não devem ser incluídas em tais casos as mortes de crianças em tenra idade. A vida curta de uma criança pode ser uma provação para os pais, assim como para o Espírito que quer encarnar. Em geral, é simplesmente uma entrada falsa no teatro da vida, quer por causas físicas, quer por falta de adaptação dos fluidos. Em tal caso, a tentativa de encarnação renova-se, pouco depois, no mesmo meio; reproduz-se até completo êxito, ou, então, se as dificuldades são insuperáveis, se efetua num meio mais favorável.
(Léon Denis).

11 de abril de 2009

EM HOMENAGEM AOS 109 ANOS DO DESENCARNE DE ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTI


O APOSTOLADO DA MEDICINA

Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito lhe bate à porta.
Ou que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e se achar fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, por ficar longe ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro.
Esse não é médico, é negociante de medicina.
Que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura.
Esse é um desgraçado que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vais e vens da vida.
Livro: Lindos Casos de Bezerra de MenezesAutor: Ramiro Gama

10 de abril de 2009

VISÃO ESPÍRITA DA PÁSCOA

Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.
Deve-se comemorar a Páscoa?
Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas?
Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus?
Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para marcar a data, como fazem as demais religiões ou filosofias cristãs. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.
O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso.
Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.
A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma comemoração, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi aproveitar o sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à imolação de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos e a reisurreiçao.
Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do pesah, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à festa dos ázimos, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado êxodo (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia.Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da “traição” e da prisão do Nazareno.
Mas há outros elementos evangélicos que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao martírio, ao sofrimento de Jesus tão bem retratado no último filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) , e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.
No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter subido aos Céus em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os eleitos no chamado juízo final. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a competência ou a qualificação de todos os Espíritos. Com tantas oportunidades quanto sejam necessárias, no nascer de novo, é possível a todos progredirem.
Mas, como explicar, então as aparições de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa?
A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus como se fosse o jardineiro após ver a lápide removida, para onde levaram o corpo do Raboni, podemos estar diante da materialização, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico de seres encarnados para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam visto Jesus, de que ele só acreditaria, se colocasse as mãos nas chagas do Cristo. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.
A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos nossos pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para nos salvar, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os bíblicos Adão e Eva, no Paraíso. A presença do cordeiro imolado, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o filho de Deus, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam em cores vivas as fases da via sacra.
Esta tradição judaico-cristã da culpa é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande e última lição de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que permaneceria eternamente conosco, na direção bussolar de nossos passos, doravante.
Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar coordenando o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de sermos deuses, fazendo brilhar a nossa luz.Comemore, então, meu amigo, uma outra Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.
MarceloHenrique.
Disponível em: http://www.abrade.com.br/pascoa.html

9 de abril de 2009

COMO ADORAR A DEUS


Em todas as épocas, todos os povos praticaram, a seu modo, atos de adoração a um Ente Supremo, o que demonstra ser a idéia de Deus inata e universal.
Com efeito, jamais houve quem não reconhecesse intimamente sua fraqueza, e a conseqüente necessidade de recorrer a Alguém, todo poderoso, buscando-Lhe o arrimo, o conforto e a proteção, nos transes mais difíceis desta tão atribulada existência terrena.
Tempos houve em que cada família, cada tribo, cada cidade e cada raça tinha os seus deuses particulares, em cujo louvor o fogo divino ardia constantemente na lareira ou nos altares dos templos que lhes eram dedicados.
Retribuindo essas homenagens (assim se acreditava), os deuses tudo faziam pelos seus adoradores, chegando até a se postar à frente dos exércitos das comunas ou das nações a que pertenciam, ajudando-as em guerras defensivas ou de conquista.
Em sua imensa ignorância, os homens sempre imaginaram que, tal qual os chefes tribais ou os reis e imperadores que os dominavam aqui na Terra, também os deuses fossem sensíveis às manifestações do culto exterior, e daí a pomposidade das cerimônias e dos ritos com que os sagravam.
Imaginavam-nos, por outro lado, ciosos de sua autenticidade ou de sua hegemonia e, vez por outra, adeptos de uma divindade entravam em conflito com os de outra, submetendo-a a provas, sendo então considerado vencedora aquela que conseguisse operar feito mais surpreendente. Sirva-nos de exemplo o episódio constante do III Livro dos Reis, cap. 18, v. 22 a 40. Ali se descreve o desafio proposto por Elias aos adoradores de Baal, para saber-se qual o deus verdadeiro. Colocadas as carnes de um boi sobre o altar dos holocaustos, disse Elias a seus antagonistas: "Invocai, vós, primeiro, os nomes dos vossos deuses, e eu invocarei, depois, o nome do meu Senhor; e o deus que ouvir, mandando fogo, esse seja o Deus."
Diz o relato bíblico que por mais que baalitas invocassem o seu Deus, em altos brados e retalhando-se com canivetes e lancetas, segundo o seu costume, nada conseguiram.Chegada a vez do deus de Israel, este fez cair do céu um fogo terrível, que devorou não apenas a vítima e a lenha, mas até as próprias pedras do altar.
Diante disso, auxiliado pelo povo, Elias agarrou os seguidores de Baal e, arrastando-os para beira de um rio, ali os decapitou.
O monoteísmo, depois de muito tempo, impôs-se, afinal, ao politeísmo, e seria de crer-se que, como esse progresso, compreendendo que o Deus adorado por todas as religiões é um só, os homens passassem, pelo menos, a respeitar-se mutuamente, visto as diferenças, agora, serem apenas quanto à forma de cultuar esse mesmo Deus.
Não foi tal, porém, o que sucedeu. E os próprios "cristãos", séculos, contrastando frontalmente com os piedosos ensinamentos do Cristo, empolgados pelo fanatismo da pior espécie, não hesitaram em trucidar, a ferro e fogo, milhares de "hereges" e "infiéis", para maior honra e glória de Deus!" – como se Aquele que é o Senhor da Vida pudesse sentir-se honrado e glorificado com tão nefandos assassínios...
Atualmente, bastante enfraquecido, o sectarismo religioso começa a derruir, o que constitui prenúncio seguro de melhores dias, daqui, daqui para o futuro.
Acreditamos, mesmo, que, graças à rápida aceitação que a Doutrina Espírita vem alcançando por toda parte, muito breve haveremos de compreender que todos, sem exceção, somos de origem divina e integrantes de uma só e grande família. E posto que Deus é Amor, não há como adorá-Lo senão "amando-nos uns aos outros", pois, como sabidamente nos ensina João, o apóstolo ( I ep., 4:20), "se o homem não ama a seu irmão, que lhe está próximo, como pode amar a Deus, a quem não vê?"
De “As Leis Morais, segundo a filosofia espírita”
Rodolfo Calligaris

7 de abril de 2009

PERDÃO EM FAMÍLIA

Quando o ambiente doméstico, à conta de pesados compromisso morais, surgir frustrando os seus anseios sinceros de felicidade, não o abandone, persevere um tanto mais, pois tudo na vida tende a se transformar.
Enquanto não conseguir ser compreendido por quantos se acham ligados a você pelos laços consangüíneos, empregue a compreensão e a paciência necessárias para a manutenção da paz que deseja.
Lembre-se, o irmão difícil provavelmente é o desafeto de ontem que ressurge hoje, à conta de credor lesado, reclamando o ajuste dos nossos débitos.
O cônjuge intransigente quase sempre traz no subconsciente as marcas da incúria com que o ferimos em pretérito distante, transformando o lar de hoje em um verdadeiro laboratório de aprimoramento moral.
Por mais difícil que seja a convivência no lar, não tome atitudes precipitadas. Arme-se de um tanto mais de paciência e procure no companheiro ou na companheira as qualidades e não apenas os defeitos. Não desdenhe da sabedoria de Deus que colocou vocês juntos para a construção da vossa felicidade.
Cumpra a sua parte. Mude as suas atitudes e pensamentos antes de exigir a mudança dos outros que convivem com você.
Ninguém se descarta de uma convivência necessária sem auferir para si, compromissos ainda mais graves do que aqueles que está vivendo hoje.
Não destrua o lar à conta de interesses egoístas e mundanos. Lembre-se, aqueles que a vida trouxe para junto de nós, os quais muitas vezes não toleramos a presença, não os ajudamos e não aprendemos a amá-los, amanhã, retornarão para junto de nós, impondo-nos condições ainda mais aflitivas.
É assim que uma esposa hoje desprezada poderá retornar amanhã na condição de uma filha problema, obrigando-nos a um sacrifício ainda maior.
Quantos esposos traídos e abandonados no passado estão hoje reencarnados como filhos das esposas infelizes de outrora, cobrando-lhes caro a insensatez da traição e do abandono.
O lar é o santuário onde devemos construir os alicerces da nossa felicidade.
O tributo a pagar é a renúncia e o perdão. Sem pagarmos esse tributo, jamais consolidaremos nossa felicidade.
Antes de bater no peito e gritar pelos seus direitos, observe se está cumprindo as suas obrigações. Não falo das obrigações do pão e do teto, mas das obrigações morais para com a sua esposa ou esposo e para com os seus filhos. Está dando a eles o exemplo de fidelidade, de amor e de compreensão? Já consegue deixar do lado de fora da porta o mau humor e os problemas que não dizem respeito a sua família? Faça a si mesmo estas perguntas e analise profundamente. Fazendo isso, estará se aproximando do auto conhecimento que levará você a encontrar o caminho da felicidade, se é a que deseja realmente.
Eu vivi uma experiência que me permite falar sobre esse tema com muita propriedade, eu estava casado há dois anos. Tinha um filho com um ano e três meses e outro com dois meses e alguns dias.Certa manhã, ao levantar-me para ir ao trabalho, olhei no berço do meu filhinho de dois meses e, com uma dor imensa no coração percebi que estava morto. Depois do choque que tivemos eu e minha esposa, fizemos os preparativos para o funeral.
No momento em que o seu corpinho estava sobre a mesa, minha mãe viu o espírito de uma mulher aproximar-se dele, rindo as gargalhadas. A partir desse dia minha vida se transformou. Minha mulher que nunca fora agressiva, passou a maltratar-me.
Os meus negócios começaram a regredir de tal forma que durante o período de oito meses, não consegui sequer pagar o aluguel da casa onde morava. Todos os meus planos pareciam ir por água abaixo, até o alimento ameaçava faltar. Nesse clima difícil, tivemos mais um filho.
O tempo passou...Com muita luta, consegui equilibrar-me financeiramente, mas o trato com minha mulher piorou, meu primeiro filho que contava quase três anos de idade, afirmava ver uma mulher andando pela nossa casa.
Certo dia, quando retornava do trabalho, sem qualquer motivo, minha esposa tentou agredir-me. Sabendo do que se tratava, mantive a calma. Abri meus braços e orei com fé. Imediatamente ela caiu no chão, logo percebi tratar-se do espírito que minha mãe e meu filho haviam visto. Com palavras amigas, tentei convencê-la a abandonar tal perseguição, porém, seu ódio por mim era tanto que gritava:
— Maldito... Vou acabar com você!
Essa cena se repetiu durante quatro anos, duas ou três vezes por semana, e a cada investida eu lhe dava o que havia de melhor em mim, tratando-a com respeito e carinho.
Graças ao conhecimento Espírita, eu sabia que algum mal havia feito para aquela irmã, em outra vida.
Eram os últimos dias de junho de 1972. Pela manhã, estávamos conversando, eu, minha esposa e meu cunhado, quando a nossa irmã incorporou novamente. Chorava muito. Comovido eu chorei também. Senti que naquele momento havia conquistado o seu perdão. Conversamos em prantos, e quando partiu, prometeu não mais nos molestar. Logo em seguida meu cunhado incorporou um espírito que não revelou seu nome, mas disse-nos o seguinte:
— Meu irmão, Deus concedeu à vocês a oportunidade de transformar esse ódio em amor. Nossa irmã renascerá como vossa filha, preparem o berço, virá na figura de uma linda menina de olhos claros. Esta é a prova que vos dou.
Realmente! Em pouco tempo minha mulher concebeu, e em abril de 1973, nasceu minha filha, uma linda menina de olhos claros! Foi uma grande prova, principalmente para minha esposa que ainda tinha algumas dúvidas com relação à vida eterna.
Graças às experiências vividas com minha mãe, o fato veio apenas confirmar a fé que cultivo desde criança, sem a qual, meu lar teria desmoronado.
A prova maior veio depois...
Devido ao ódio que a irmã sentia por mim, e que em tão pouco tempo não poderia ser apagado do seu subconsciente, durante a gravidez, minha mulher sentia-se influenciada por ela a ponto de sentir aversão por mim.
Durante os nove meses de gravidez, meu relacionamento com minha esposa foi muito difícil, precisei de muita paciência para superar. (muitas mulheres, durante a gravidez de seus filhos, experimentaram uma aversão pelo esposo.)
Depois que nasceu, quando tinha alguns meses de idade eu não podia tocá-la. Ao pegá-la no colo, imediatamente punha-se aos gritos como se estivesse sentindo dores, bastava entregá-la a alguém, prontamente se acalmava.
Até os três anos de idade tivemos uma relação muito difícil. Sempre me olhava com reserva e raramente respondia às minhas perguntas. Brincava e sorria com todos menos comigo.
Não fora meu conhecimento espírita, talvez essa aversão tivesse se perpetuado até hoje.
Cheguei em alguns momentos a pensar em desistir de conquistá-la, minha dor era muito grande, por mais que eu tentasse aproximar-me, ela rejeitava-me rudemente.
Apesar de tudo, continuei insistindo, até que finalmente consegui conquistá-la!
Certo dia, ao chegar em casa, estava brincando no jardim, olhei para ela e ao contrário do que sempre fazia que era correr para junto da mãe, correu para mim e, abraçando-me beijou-me pela primeira vez. Chorei emocionado. Hoje nos amamos muito!
Esta matéria consta do livro: Perdão! O Caminho da Felicidade

5 de abril de 2009

CARTA AOS QUE FICAM


No antigo Paço da Boa vista, nas audiências dos sábados, quando recebia toda gente, atendeu D.Pedro II a um negro velho, de carapinha branca, e em cujo rosto, enrugado pelo frio de muitos invernos, se descobria o sinal de muita penas e muitos maus-tratos.
-Ah! Meu Senhor grande – exclamou o infeliz – como é duro ser escravo!...
O magnânimo imperador encarou suas mãos cansadas no leme da direção do povo e aquelas outras, engelhadas, na excrescência dos calos adquiridos na rude tarefa das senzalas, e tranqüilizando-o comovido:
-Ó meu filho, tem paciência! Também sou escravo dos meus deveres e eles são bem pesados... Teus infortúnios vão diminuir...
E mandou libertar o preto.
Mais tarde, nos primeiros tempos do seu desterro, o bondoso monarca, a bordo do Alagoas, recebeu a visita do seu ex-ministro; às primeiras interpelações de Ouro Preto, respondeu-lhe o grande exilado:
-Em suma, estou satisfeito e tranqüilo.
E, aludindo à sua expatriação:
É a minha carta de alforria... Agora posso ir onde quero.
A coroa era pesada demais para a cabeça do monarca republicano.
Aos que perguntarem no mundo sobre a minha posição em face da morte, direi que ele teve para mim a fulguração de um Treze de Maio para os filhos de Angola.
A morte não veio buscar a minha alma, quando esta se comprazia nas redes douradas da ilusão. A sua tesoura não me cortou fios da mocidade e de sonho, porque eu não possuía senão neves brancas à espera do sol para se desfazerem. O gelo dos meus desenganos necessitava desse calor de realidade, que a morte espalha no caminho em que passa com a sua foice derrubadora. Resisti, porém ao seu cerco como Aquiles no heroísmo indomável de quem vê a destruição de suas muralhas e redutos. Na minha trincheira de sacos de água quente, eu a vi chegar quase todos os dias... Mirava-me nas pupilas chamejantes dos seus olhos, pedindo-lhe complacência e ela me sorria consoladora nas suas promessas. Eu não podia, porém adivinhar o seu fundo mistério, porque a dúvida obsidiava o meu espírito, enrodilhando-se no meu raciocínio como tentáculos de um polvo.
E, na alegria bárbara, sentia-me encurralado no sofrimento, como um lutador romano aureolado de rosas.
Triunfava da morte e como Ájax recolhi as últimas esperanças no rochedo da minha dor, desafiando o tridente dos deuses.
A minha excessiva vigilância trouxe-me a insônia, que arruinou a tranqüilidade dos meus últimos dias. Perseguido pela surdez, já os meus olhos se apagavam como as derradeiras luzes de um navio soçobrando em mar encapelado no silêncio da noite. Sombra, movendo-se dentro das sombras, não me acovardei diante do abismo. Sem esmorecimentos atirei-me ao combate, não para repelir mouros na costa, mas para erguer muito alto o coração, retalhado nas pedras do caminho como um livro de experiências para os que vinham depois dos meus passos, ou como a réstia luminosa que os faroleiros desabotoam na superfície das águas, prevenindo os incautos dos perigos das sirtes traiçoeiras do oceano.
Muitos me supuseram corroído da lepra e de vermina como se fosse Bento de Labre, raspando-me com a escudela de Jô. Eu, porém estava apenas refletindo a claridade das estrelas do meu imenso crepúsculo. Quando, me encontrava nessa faina de semear a resignação, a primeira e última flor dos que atravessam o deserto das incertezas da vida, a morte abeirou-se do meu leito; devagarinho, como alguém que temesse acordar um menino doente. Esperou que tapassem com anestesia todas as janelas e interstícios dos meus sentimentos. E quando o caos mais absoluto no meu cérebro, záz! Cortou as algemas a que me conservava retido por amor aos outros condenados, irmãos meus, reclusos no calabouço da vida. Adormeci nos seus braços como um ébrio nas mãos de uma deusa. Despertando dessa letargia momentânea, compreendi a realidade da vida, que eu negara, além dos ossos que se enfeitam com os cravos rubros da carne.
-Humberto!... Humberto... exclamou uma voz longínqua – recebe os que te enviam da Terra!
Arregalei os olhos com horror e com enfado:
-Não! Não quero saber de panegíricos e agora não me interessam as seções necrológicas dos jornais.
Enganas-te – repetiu – as homenagens da convenção não se equilibram até aqui. A hipocrisia é como certos micróbios de vida muito efêmera. Toma as preces que se elevaram por ti a Deus, dos peitos sufocados, onde penetraste com as tuas exortações e conselhos. O sofrimento retornou sobre o teu coração um cântaro de mel.
Vi descer de um ponto indeterminado do espaço, braçadas de flores inebriantes como se fossem feitas de neblina resplandecente, e escutei, envolvendo o meu nome pobre, orações tecidas com suavidade e doçura. Ah! Eu não vira o céu e a sua corte de bem-aventurados; mas Deus receberia aquelas deprecações no seu sólio de estrelas encantadas como a hóstia simbólica do catolicismo se perfuma na onda envolvente dos aromas de um turíbulo. Nossa Senhora deveria ouvi-las no seu trono de jasmins bordados de ouro, contornado dos anjos que eternizam a sua glória.
Aspirei com força aqueles perfumes. Pude locomover-me para investigar o reino das sobras, onde penso sem miolos na cabeça. Amava e ainda sofria, reconhecendo-me no pórtico de uma nova luta.
Encontrei alguns amigos a quem apertei fraternalmente as mãos. E voltei cá. Voltei para falar com os humildes e infortunados, confundidos na poeira da estrada de suas existências, como frangalhos de papel, rodopiando ao vento. Voltei para dizer aos que não pude interpretar no meu ceticismo de sofredor:
-Não sois os candidatos ao casarão da Praia Vermelha.[Hospício Nacional]. Plantai pois nas almas a palmeira da esperança. Mais tarde ela descobrirá sobre as vossas cabeças encanecidas os seus leques enseivados e verdes...
E posso acrescentar, como o neto de Marco Aurélio, no tocante à morte que me arrebatou da prisão nevoenta da Terra:
-É a minha carta de alforria... Agora posso ir onde quero.
Os amargores do mundo eram pesados demais para o meu coração.

Humberto de Campos.
(Recebida em Pedro Leopoldo em 28 de março de 1935).

Do livro Palavras do Infinito. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

4 de abril de 2009

AS MAIS BELAS PRECES

A Prece tem de ser espontânea, nascer do fundo do coração e ser montada sem qualquer carpintaria técnica. Vale a força do sentimento e nada mais. Por isso a prece decorada ou proferida com hora marcada há de ser evitada, para que não ganhe entonação mecânica e venha a ser dita apenas com os lábios. É assim que aprendemos com a doutrina espírita e, de resto, é o que o bom senso e a razão recomendam. Daí a total impropriedade dos hinos religiosos. Hino é prece decorada que difere apenas pelo acompanhamento do compasso musical. Não vale nada. Daí também a falsidade da prece isolada, sem continuidade de nada, proferida apenas, por exemplo, para uma emissora de rádio ou televisão entrar no ar. (Vide a propósito o tópico nº 19 do cap. V de meu livro O Atalho, Publicações Lachâtre.)Ora, quando Jesus é solicitado e ensina como devemos orar, apresentando-nos as maravilhosas palavras do Pai-Nosso, ele apenas indicou um modelo e nada mais. Da mesma forma Allan Kardec, quando reuniu na parte final de O Evangelho segundo o Espiritismo (caps. XXVII e XXVIII) aquela bela coleção de preces, apenas se preocupou em oferecer modelos de orientação. É como se sugerisse os pontos que as pessoas podem lembrar no curso de uma prece.
De qualquer forma, se alguém for capaz de repetir sempre as mesmas palavras com verdadeira e sincera devoção interior, é claro que a prece tende a alcançar seu objetivo, embora saibamos muito bem que, na circunstância, essa inspiração é bastante difícil. Creio que num momento todo especial, de repente, seja possível juntar sentimento e palavras decoradas. Mas esse será sempre um momento de notável excepcionalidade. Na hora, por exemplo, em que os cristãos enfrentaram o martírio do circo romano, sem dúvida entoaram cantos que lhes saíram do imo da alma. Mas aquele momento foi o último vivido por eles naquela encarnação. Era o momento irreversível da morte trágica, pavorosa...
Não obstante, as preces aí estão como modelo e para efeito de eventual repetição. Há muitas ornadas de magnífica beleza e capazes de extasiar. Selecionei a seguir aquelas que, na minha opinião, considero as três mais belas, sob todos os aspectos. Valem como prece e como poesia. Trata-se do Pai-Nosso, da Prece de Cáritas e do Adoro-Te.
Depois, o leitor encontrará o mais belo texto espírita por mim já lido – Quando... –, criado por um grande espírita, meu amigo desencarnado há algum tempo, mas que nos legou a todos excelentes trabalhos doutrinários, dada a sua fantástica cultura e o seu invejado estro.
Seguem-se, pois, as reproduções com as respectivas fontes e seus autores.

Pai-Nosso
Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome, venha a nós o Teu reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dás hoje.
Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos os nossos ofensores.
Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, o poder e a glória para sempre.
(Evangelhos de Mateus, cap. 6, v. 9-13, e de Lucas, cap. 11, v. 2-4.)

Prece de Cáritas
Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àqueles que passam pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.
Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.
Pai! Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.
Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.
Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem.
Que a vossa bondade permita aos espíritos consoladores espalharem por toda parte a paz, a esperança e a fé.
Deus! um raio, uma faísca de vosso amor pode iluminar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.
Um só coração, um só pensamento subirá até vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a vossa misericórdia.
Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Imagem.

CÁRITAS
(Recebida psicograficamente pela médium W. Krell, em Bordeaux, em 1876, e constante do livro Rayonnements de la Vie Spirituelle.)
Aparece também, desde muitas edições, no final do opúsculo A Prece segundo o Evangelho, editado pela Federação Espírita Brasileira, e que mais não é do que a última parte de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, embora deste não conste a Prece de Cáritas, posto que ela ainda não existia, em 1864, quando o Codificador lançou sua obra. Tendo sido fruto de pesquisa minha a descoberta da origem dessa famosa prece, durante muito tempo o opúsculo da FEB acrescentou uma nota de rodapé com a seguinte explicação:
Nota da Editora: "Esta prece foi extraída da obra francesa Rayonnements de la Vie Spirituelle, psicografada pela médium Mme. W. Krell, publicada em Bordéus, em 1876, contendo mensagens de Musset, Lamartine, E. Pöe, Espírito de Verdade, Hahnemann, Mélanchthon e outros, inclusive trabalhos diversos do mesmo espírito Carita (Cáritas).
No quarto parágrafo do original francês há uma palavra que foi necessariamente suprimida mais tarde – aujourd'hui (hoje) –, por se tratar de alusão direta ao dia de Natal, no qual foi a prece ditada.
Eis o parágrafo aludido: "Piété, mon Dieu, pour celui qui ne vous connait pas, espoir pour celui qui souffre! Que votre bonté permette aujourd'hui aux esprits consolateurs de répandre partout la paix, l'espérance et la foi!"Para outros detalhes, vide o artigo ‘Dos Alfarrábios – II’, de Luciano dos Anjos, in Reformador de 1972, págs. 37/8. "

Adoro-Te
Adoro-Te, recôndito Eu do universo, alma do Todo, meu Pai e Pai de todas as coisas, minha respiração e respiração de todas as coisas.
Adoro-Te, indestrutível essência, sempre presente no espaço, no tempo e além, no infinito.
Pai, amo-Te, mesmo quando Tua respiração é dor, porque Tua dor é amor; mesmo quando Tua Lei é esforço, porque o esforço que Tua Lei impõe é o caminho das ascensões humanas.
Pai, mergulho em Tua potência, nela repouso e me abandono, peço à fonte o alimento que me sustente.
Procuro-Te no âmago onde Tu estás, de onde me atrais. Sinto-Te no infinito que não atinjo e donde me chamas. Não Te vejo e, no entanto, ofuscas-me com Tua luz; não Te ouço, mas sinto o tom de Tua Voz; não sei onde estás, mas encontro-Te a cada passo, esqueço-Te e Te ignoro, no entanto, ouço-Te em toda a minha palpitação. Não sei individuar-Te, mas gravito em torno de Ti, como gravitam todas as coisas, em busca de Ti, centro do universo.
Potência invisível que diriges os mundos e as vidas, Tu estás em Tua essência acima de toda a minha concepção. Que serás Tu, que não sei descrever nem definir, se apenas o reflexo de Tuas obras me enceguece? Que serás Tu, se já me assombra a incomensurável complexidade desta Tua emanação, pequena centelha espiritual que me anima integralmente? O homem Te busca na ciência, invoca-Te na dor, Te bendiz na alegria. Mas na grandiosidade de Tua potência, como na bondade de Teu amor, estás sempre além, além de todo o pensamento humano, acima das formas e do devenir, um lampejo do infinito.
No ribombar da tempestade está Deus; na carícia do humilde está Deus; na evolução do turbilhão atômico, na arrancada das formas dinâmicas, na vitória da vida e do espírito, está Deus. Na alegria e na dor, na vida e na morte, no bem e no mal, está Deus; um Deus sem limites, que tudo abarca, estreita e domina, até mesmo as aparências dos contrários, que guia para seus fins supremos.
E o ser sobe, de forma em forma, ansioso por conhecer-Te, buscando uma realização cada vez mais completa de Teu pensamento, tradução em ato de Tua essência.
Adoro-Te, supremo princípio do Todo, em Teu revestimento de matéria, em Tua manifestação de energia; no inexaurível renovar-se de formas sempre novas e sempre belas; eu Te adoro, conceito sempre novo, bom e belo, inesgotável Lei animadora do universo. Adoro-Te, grande Todo, ilimitado além de todos os limites de meu ser.
Nesta adoração, aniquilo-me e me alimento, humilho-me e me incendeio; fundo-me na Grande Unidade, coordeno-me na grande Lei, a fim de que minha ação seja sempre harmonia, ascensão, oração, amor.
(A Grande Síntese, Pietro Ubaldi, tradução de Guillon Ribeiro, cap. L, pp. 153/154, Federação Espírita Brasileira, 1939, Rio.)

Quando...
Filho meu!
Quando, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: Eu sou Aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas;
Quando te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que, em torno, a indiferença recrudesce, acerca-te de Mim: Eu sou a Luz, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos;
Quando se te extinguir o ânimo para arrostares as vicissitudes da vida e te achares na iminência de desfalecer, chama-me: Eu sou a Força capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidades do mundo;
Quando, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de Mim: Eu sou o Refúgio, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu espírito;
Quando te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me: Eu sou a Paciência, que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar das situações mais difíceis;
Quando te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por Mim: Eu sou o Bálsamo que te cicatriza as chagas e te minora os padecimentos;
Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a Mim: Eu sou a Sinceridade, que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à nobreza de teus ideais;
Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por Mim: Eu sou a Alegria, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior;
Quando, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para Mim: Eu sou a Esperança, que te robustece a fé e te acalenta os sonhos;
Quando a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: Eu sou o Perdão, que te levanta o ânimo e promove a reabilitação de teu espírito;
Quando duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o ceticismo te avassalar a alma, recorre a Mim: Eu sou a Crença, que te inunda de luz o entendimento e te habilita para a conquista da felicidade;
Quando já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento de seu semelhante, aproxima-te de Mim: Eu sou a Renúncia, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo.
E quando, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Eu sou a dinâmica da vida e a harmonia da Natureza: chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito.
Estende-me, pois, a tua mão, ó alma filha de minhalma, que eu te conduzirei, numa seqüência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do Infinito, sob a luz brilhante da Eternidade.
(O Primado do Espírito, de Rubens C. Romanelli, Publicações Lachâtre, pp. 16 a 18.)