21 de abril de 2009

O VEGETARIANISMO



Por causa da comida, não destruas a obra de Deus... Bom é não comer carne, nem beber vinho... (Rom. 14:20/21)

Ainda são dos Versos Áureos de Pitágoras estas palavras: “Habitua-te a um regime puro e severo.” As prescrições alimentares de Pitágoras não se limitavam a uma medida justa, o que é importante, mas também determinavam a seleção qualitativa dos alimentos, que deveriam ser puros para conseguir harmonia física e espiritual. Nesse regime era excluído todo alimento cárneo, mas podiam-se usar ovos, leite e seus derivados, o que corresponde ao regime vegetariano de hoje.
A respeito à vida animal é um preceito esotérico, porque o animal faz parte integrante da vida una. Os animais são, como nós, criaturas de Deus, dotadas de sentimentos, inteligência e consciência em evolução. Devemos mostrar-nos cheios de amor por estes irmãos inferiores, pois outrora, há bilênios, passamos também por essa etapa evolutiva.
Os dados científicos modernos confirmam esses preceitos pitagóricos, igualmente defendidos por filósofos, teósofos e seguidores de várias religiões. Classifica-se o homem entre os “frugívoros”, pois ele apresenta todas as características fisiológicas dos animais que se alimentam de frutas e frutos. Ensina-se-nos ainda que os efeitos nefastos da carne são consideráveis. Excitam e intoxicam mais do que alimentam. A alimentação cárnea é a principal responsável pelas afecções gastro-intestinais, etc...
A carne não é um alimento destinado ao homem pela natureza. Disto adverte o nosso instinto. Jamais se sentiria alguém atraído a comer a carne se visse um cadáver esquartejado! Ninguém seria capaz de comer um pedaço de carne crua, como o faz o animal carnívoro. Somente depois de devidamente preparada, condimentada, e dela retirada toda aquela impressão de vida que a animou, é que o homem se dispõe a comê-la.
Tudo o que cheira a cadáver nos repugna aos sentidos. É a repulsa instintiva de nossa consciência. Existe uma lei de moral que nos adverte e nos ordena que não façamos sofrer o que tem vida, e nunca matemos, pois só pode tirar a vida quem também a pode dar. Tudo o que vive e evolui, deve ser respeitado.
A missão do homem colocado à frente da criação, com o poder criador de um ser autoconsciente, dotado de uma mente capaz tanto de construir como destruir, é a de seguir as normas da divindade que reside em si, buscando por todos os meios incentivar e auxiliar a lei da evolução. A ele cabem as maiores responsabilidades no decorrer de sua existência, e elas são tanto maiores quanto mais alta é a sua evolução. Certamente que para um selvagem recém-individualizado, no qual ainda predominam todos os instintos do animal, justifica-se sua alimentação animal. No entanto, quanto mais avança a civilização e mais conscientes nos tornamos dos deveres morais, certamente o regime vegetariano terá que ir tomando o lugar do cárneo e a humanidade se fará mais pura.
Enquanto o homem for um destruidor sem coração, desconhecerá a saúde e a paz, pois, segundo a sábia lei do carma, quem “semeia ventos colhe tempestades”. O hábito de matar animais e comê-los é incompatível com os mais elevados sonhos de fraternidade universal.
É erro supor-se que, morto o animal, ele não mais possua vida. Sua morte é aparente. Seu fluido vital, seu magnetismo, continuam entranhados em sua carne, desprendendo vibrações de reações hostis, que vão impregnar a aura de quem delas se alimenta, além de intoxicar o seu organismo. O regime vegetariano é um fator auxiliar da evolução humana, pois cria e fortalece vibrações mais harmoniosas entre as forças físicas e espirituais, interdependentes.
A alimentação vegetariana, mais limpa física e psiquicamente, atua na personalidade, purificando-a, desmaterializando-a, neutralizando as incitações brutais e grosseiras. Facilita maior desenvolvimento intelectual, tornando nossa natureza mais sensível e delicada às coisas belas da vida e do espírito.
Todos os que abandonam o uso da carne, constatam que sua mente se torna mais lúcida, sua percepção maior e suas aspirações mais elevadas. Libertam-se de influências doentias, mórbidas; têm pensamentos mais claros, aumenta o poder de sua vontade e acresce a sua espiritualidade.
A abstenção do álcool, do fumo e da carne é condição básica para o refinamento do indivíduo e a sublimação de sua personalidade, tornando-a um instrumento útil da Alma, “o templo do Espírito Santo”. Há, porém, leis que regem a matéria de cada plano, e por isso, todo trabalho de aperfeiçoamento deve ser feito com discernimento. Portanto, é aconselhável que a extinção de qualquer vício seja gradativa, embora existam casos de pessoas que, dotadas de grande força de vontade, conseguem libertar-se de seus vícios de um momento para o outro e sem o menor prejuízo.
Cinira Riedel de Figueiredo

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