28 de maio de 2009

DEPRESSÕES


Se trazes o espírito agoniado por sensações depressivas, concede ligeira pausa a ti mesmo, no capítulo das próprias aflições, a fim de raciocinar.
Se alguém te ofendeu, desculpa.
Se feriste alguém, reconsidera a própria atitude.
Contratempos do mundo estarão constantemente no mundo, onde estiveres.
Parentes difíceis repontam de todo núcleo familiar.
Trabalho é lei do Universo.
Disciplina é alicerce da educação.
Circunstâncias constrangedoras assemelham-se as nuvens que aparecem no firmamento de qualquer clima.
Incompreensões com relação a caminho e decisões que se adotem são empeços e desafios, na experiência de quantos desejem equilíbrio e trabalho.
Agradar a todos, ao mesmo tempo, é realização impossível.
Separações e renovações representam imperativos inevitáveis do progresso espiritual.
Mudanças eqüivalem a tratamento da alma, para os ajustes e reajustes necessários à vida.
Conflitos íntimos marcam toda a criatura que aspire e elevar-se.
Fracassos de hoje são lições para os acertos de amanhã.
Problemas enxameiam a existência de todos aqueles que não se acomodam com estagnação.
Compreendendo a realidade de toda pessoa que anseie por felicidade e paz, aperfeiçoamento e renovação, toda vez que sugestões de desânimo nos visitem a alma, retifiquemos em nós o que deva ser corrigido e, abraçando o trabalho que a vida nos deu a realizar, prossigamos à frente.

Despertador Julho/2001

25 de maio de 2009

VELÓRIOS


Joanna de Angelis
Diante do corpo de alguém que demandou a Pátria Espiritual, examina o próprio comportamento, a fim de que não te faças pernicioso, nem resvales pelas frivolidades, que nesse instante devem ser esquecidas.
O velório é um ato de fraternidade e de afeição aos recém-desencarnados, embora continuem vinculados aos despojos, não poucas vezes, em graves perturbações.
Imantados à organização somática, da qual são expulsos pelo impositivo da morte, que os surpreende com o "milagre da vida", não obstante em outra dimensão, desesperam‑se, experimentando asfixia e desassossegos de difícil classificação, acompanhando o acontecimento, em crescente inquietude.
Raras pessoas estão preparadas para entender o fenômeno da morte, ou possuem suficientes recursos de elevação moral a fim de serem trasladados do local mortuário, de modo a serem certificadas do ocorrido em circunstâncias favoráveis, benignas...
No mais das vezes, atropelam-se com outros desencarnados, interrogam os amigos que lhes vêm trazer o testemunho último aos despojos carnais, caindo, quase sempre, em demorado hebetamento ou terrível alucinação...
Em tais circunstâncias medita a posição que desfrutas nos quadros da vida orgânica, considerando a inadiável imposição do teu regresso à Espiritualidade.
Se desejas ajudar ao amigo em trânsito, cujo corpo velas, ora por ele.
No silêncio a que te recolhes, evoca os acontecimentos felizes a que ele se encontra vinculado, os gestos de nobreza que o caracterizaram, as renúncias que se impôs e os sacrifícios a que se submeteu... Recorda-o lutando e renovando-se.
Não o lamentes, arrolando os insucessos que o martirizaram, as aflições em rebeldia que experimentou.
O choro do desespero como as observações malévolas, as imprecações quanto as blasfêmias ferem-nos à semelhança de ácido derramado em chagas abertas.
De forma alguma registes mágoas ou desaires entre ti e ele, os vínculos da ira ou as cicatrizes do ódio ainda remanescentes.
Possivelmente ele te ouvirá as vibrações mentais, sem compreender o que se passa, ou sofrerá a constrição das tuas memórias que acionarão desconhecidas forças na sua memória que, então, sintonizará contigo, fazendo que as paisagens lembradas o dulcifiquem - se são reminiscências felizes - ou o requeimem interiormente - se são amargas ou cruéis - fomentando estados íntimos que se adicionarão ao que já experimentam...
A frivolidade de muitos homens tem transformado os velórios em lugares de azedas recriminações ao desencarnado, recinto de conversas malsãs, cenáculo de anedotário vinagroso e picante, sala de maledicências insidiosas ou agrupamento para regabofes, onde o respeito, a educação, a consideração à dor alheia, quase sempre batem em retirada...
E não pode haver uma dor tão grande na Terra, quanto a que experimenta alguém que se despede de outrem, amado, pela desencarnação.
Sem embargo, o desencarnado vive.
Ajuda-o nesse transe grave, que defrontarás também, quando, quiçá esse por quem oras hoje, seja as duas mãos da cordialidade que te receberão no além ao iniciares, por tua vez, a vida nova...
Unge-te, pois, de piedade fraternal nas vigílias mortuárias, e comporta-te da forma como gostarias que procedessem para contigo nas mesmas circunstâncias.
(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco).Revista O Semeador – Abril de 1981

22 de maio de 2009

AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO...


EM LEMBRANÇA AOS 124 ANOS DE DESENCARNE DE VICTOR-MARIE HUGO OCORRIDO EM 22.05.1885




Espírito Victor Hugo

O Cristianismo, fundamentado no conceito sublime do "amar ao próximo como a si mesmo", abriu as primeiras portas da compaixão e da misericórdia aos portadores de lepra, nos dias difíceis dos séculos passados. Proliferaram, assim, os lazaretos,onde cada recém-chegado era considerado como "se fosse o próprio Cristo que ali se hospedava", passando a receber a caridade da assistência e o socorro do amor fraterno. Muito deve a Humanidade a esses primeiros hospitais, se levarmos em consideração a época de ignorância e promiscuidade, de imundície e indiferença humana, em que se multiplicaram.
*
Se o passado é nossa sombra de dor, o futuro significa a nossa primavera de bênçãos, conforme o presente ao nosso alcance. As trevas cedem ante a luz, e o sofrimento desaparece em face à alegria da esperança e ao consolo da consciência em tranqüilidade. Ninguém paga além do débito a que se vincula. O amor, porém, é o permanente haver, em clima de compensação de todas as desgraças quer por acaso hajamos semeado, recompensando-nos o espírito pelo que fizermos em nome do bem e realizarmos em prol de nós mesmos.
*
Não receies, nem temas, nunca! O pântano desprezível é desafio ao nosso esforço para mudar-lhe o aspecto, e a aridez do deserto é incitação à nossa capacidade de transformá-la em jardim de esperanças e em pomar de bênçãos...Imprescindível começar agora a nossa obra de aprimoramento interior, enquanto surge a oportunidade favorável. Amanhã, talvez seja tarde demais, e o minuto valioso já se terá esvaído na ampulheta do tempo. Cada coração é nosso momento de produzir. Cada sofrimento é a nossa quota de reparação. O adversário significa o solo a trabalhar, esperando por nós, enquanto o amigo é dádiva de que nos devemos utilizar com respeito e elevação.
De Divaldo P. Franco em "Sublime Expiação"

21 de maio de 2009

NÃO TE ESCONDAS


"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte." Mateus 5-14

Os discípulos do Senhor são chamados, em todos os tempos, a refletir-lhe a luz nos vales escuros da humana provação, norteando os que se encontram vagueando sem rumo certo.
Pontos de referência espiritual para a Humanidade, os seguidores do Evangelho sempre serão alvo dos que pretendem manter os homens presos às sombras da própria ignorância.
Qual aconteceu ao Cristo, a Luz do Mundo, os adversários da fé haverão de perseguir, os que ousam acender diminuto lume nos caminhos trevosos da Terra.
Quando começaram a despontar nas tarefas do bem a que se entregam, é natural, pois, que sintam o recrudescimento das dificuldades em forma de intolerância e perturbação...
É que a sua ação emancipadora de consciência incomodará os que, estejam no corpo ou fora dele, laboram para que o espírito não se afaste da mesmice secular nas sendas da evolução.
Quais crianças inconseqüentes que intentam, a pedradas, quebrar a lâmpada suspensa no poste, atirarão calhaus sobre os que lutam para serem fiéis ao Senhor, Fonte de Excelsa Claridade, inacessível a qualquer trama do mal.
Se já te encontras lúcido quanto aos deveres que te cabe desempenhar, na construção do Reino Divino sobre a Terra, não te escondas...
Não eclipses a luz que resplandece em ti, com receio de que venhas a sofrer com o assédio das trevas.
Quem se habitua à escuridão em que se ilude torna-se naturalmente refratário ao esplendor da Verdade.
Porque temas a hora do testemunho, não camufles, confundindo-te com as sombras, para que não sejas identificado pelos que lhes são subservientes.
Sobretudo, não comprometas em ti a luz do idealismo, fazendo enganosas concessões a transitórios interesses e caprichos meramente humanos.
Não corrompas e nem te permitas corromper, no anseio da luminosidade que ainda não possuis no espírito.
Contenta-te em ser anônimo espelho com a face voltada para o Sol, refletindo-lhe a grandeza...
Um dia, de tanto irradiar a luz que originariamente não te pertence, quando a noite da provação se adensar à tua volta, te surpreenderás brilhando e, então, saberás que, pelo continuado esforço de refleti-la, terminaste por absorvê-la.
RAMOS DA VIDEIRA * CARLOS A. BACCELLI * IRMÃO JOSÉ

Irmão José - Devotado seareiro da Vida Maior, Irmão José, há longos anos, tem se desdobrado no labor da Doutrina nos céus do Triângulo Mineiro, fazendo parte da legião de Espíritos que, da França, veio para o Brasil com o compromisso de aqui trabalhar pela sua implantação. Durante muitos anos, Irmão José expressou-se mediunicamente através de D. Maria Modesto Cravo, nas inesquecíveis sessões do Centro Espírita "Uberaense". Casa-máter da Doutrina na cidade de Uberaba, Minas Gerais. Ainda pelo que estamos informados, Irmão José é o autor de algumas das páginas inseridas em "O Evangelho Segundo o Espiritismo". - esta transcrição será completada numa próxima oportunidade.

DO NOVO LIVRO DE CARLOS A. BACCELLI/IRMÃO JOSÉ - RAMOS DA VIDEIRA

19 de maio de 2009

AS QUATRO BABILÔNIAS


Ninguém há, afeito a compulsar o Velho e o Novo Testamentos, que desconheça as dificuldades com que nos defrontamos na interpretação das passagens de um e de outro, algumas das quais quase inapreensíveis em seu sentido intrínseco, dado o simbolismo em que se engastam.
Nem é por outra razão que, nos domínios da exegese ou bermenêutica, proliferam livros das mais variadas escolas religiosas, em que os autores, diversificados entro si, empenham-se em dar as interpretações dos textos sagrados, ansiosos de fazer valer suas opiniões sobre as dos demais, embora nem sempre sejam precisamente exatos e felizes nos conceitos expandidos.
O fato é que o entendimento e a assimilação da Verdade (melhor diríamos de parcelas da verdade) dependem menos dos que pretendem no-la ensinar do que de nossa capacidade de apreendé-la, que varia de indivíduo para indivíduo, segundo o grau de compreensão de cada um, vale dizer, da posição evolutiva em que nos encontremos.
Todavia, depois da eclosão ostensiva e generalizada da mediunidade, dentro e fora dos domínios aspiritistas - porque todos o sabem: o mediunismo não é criação nem privatividade do Espiritismo -, alguns escritores, encarnados e desencarnados, estes como agentes, aqueles como instrumentos, hão conseguido captar as revelações de parte dos segredos da soberana Esfinge e faz faze-las chegar ao conhecimento do povo, notadamente dos estudiosos, em condições plenamente satisfatórias, sem contestação possível - tal a evidência com que no-las apresentam.
Por outro lado, nenhum de nós desconhece que, dentre os livros sagrados (assim são considerados), o Apocalipse, inserto no Novo Testamento, é um dos de mais difícil interpretação, em face da variedade e variação de imagens simbólicas de que se reveste a linguagem, eminentemente figurada ou figurativa, do famoso clarividente da Ilha de Patmos, cuja visão profêtica entrou pelos séculos e milénios, alcançando mesmo, em suas incursões no tempo e no espaço, a plenitude dos nossos dias, ou seja, dos acontecimentos hodiernos. Dir-se-ia ser, por antecipação, o Albert Einstein da cronologia dos episódios históricos de múltiplas e sucessivas idades e gerações.
Mas, houve alguém, com vinculações a conhecida crença religiosa, mas insuspeito, porque isento de paixões e preconceitos, que, assistido por Espíritos Superiores, conseguiu penetrar nos meandros sinuosos da palavra profética de João Evangelista, devassando-lhe os aspectos velados do pensamento e dando-lhes configurações perfeitamente ajustadas ao alcance do nosso entendimento, ante as interpretações razoavelmente claras com que no-las mostra e demonstra.
Esse alguém, bastante imparcial, foi Marius Coeli.
E quem lhe conceitua o livro "As Quatro Babilónias", assim em termos de grandeza e profundidade, é precisamente o Dr. Luiz Olympio Guillon Ribeiro, outro notabilissimo exegeta, capaz de comentar horas seguidas um versículo evangélico, tanta era sua erudição e perspicácia, segundo dele dizia o seu sucessor na Presidéncia da Federação Espírita Brasileira, Antônio Wantuil de Freitas.
Em duas oportunidades, referiu-se ele à obra.
Na primeira, em "Reformador" de novembro de 1939, escreveu:
"Este título é o de uma obra extraordinária, única, podemos dizer, no seu gênero, publicado há mais ou menos um ano, tendo por autor Marius Coeli, pseudónimo de ilustrado engenheiro residente em S. Paulo.
Para bem lhe expressarmos a singularidade e a importância verdadeiramente excepcional, bastar-nos-ia, talvez, declarar que ainda não víramos, e certamente não existe, tão completa, clara, lógica e concludente interpretação e explicação das profecias simbólicas do "Apocalipse", como as que se nos depararam nessa obra monumental, vinda a lume no momento oportuno, porquanto a sua divulgação se dá quando próximo vem o surto avassalador do "Anticristo", ali mostrado com todas as suas características, e ao qual se seguirá de perto a segunda descida do Cristo, Senhor do mundo, a Implantar definitivamente na Terra o seu reino.
O que há, porém, de mais relevante em "As Quatro Babilônias" é que o estudo interpretativo e a análise elucidativa dos símbolos e dos números apocalípticos não são feitos unicamente pelos textos da Revelação do Vidente de Palmos, mas mediante o confronto amplo e a conjugação segura desses textos com os das principais profecias do Antigo Testamento, notadamente as de Daniel e lsaias.
É de tal modo preciso esse confronto, ião empolgante pela sua naturalidade aquela conjugação de textos e tão numerosos os considerados, que evidente se torna não ser a obra de que tratamos fruto exclusivo do engenho, do intelecto de um homem, porque nenhum fora capaz de escrever, com semelhante cunho, em pouco mais de dois anos, um trabalho como esse que, então, demandaria, pelo menos, toda uma existência, cuja maior parte se consumiria na pesquisa e anotação dos pontos escriturísticos a serem postos em paralelo com os do "Apocalipse", tomados um a um, como complementos daqueles, ou sobre eles baseados!
Temos, pois, para nós que a de que falamos é, genuinamente, uma das grandes e das admiráveis obras mediúnicas de que se mostram pródigos os tempos atuais, pela razão mesma de serem esses tempos os em que, segundo as previsões evangélicas, as faculdades medianímicas alcançariam portentoso desenvolvimento, que outra coisa não quiseram tais previsões exprimir, referindo-se à época em que os velhos teriam sonhos, visões as crianças e os mancebos profetizariam, ato.
Depois de estudar meticulosamente, nas páginas proféticas do "Apocalipse", orientado pelas narrativas simbólicas das Escrituras, a formação. o engrandecimento e a queda de três das Babilónias constantes dessa revelação, Marius Coeli faz o mesmo com relação à Quarta e última, a que aí está, patenteando aos olhos, até dos que ainda não os tenham de ver claro, a série doa acontecimentos tremendos e fulminantes que se vão daqui por diante desenrolar e que chegarão aos primeiros anos do terceiro milénio, que se assinalará pela constituição ostensiva da verdadeira Igreja Universal do Cristo. Comprovando, com surpreendente precisão, a realização exala das profecias nos séculos já decorridos desde muito antes de iniciar-se a era atual, "As Quatro Babilônias” dissipa as obscuridades do simbolismo usado no "Apocalipse", e o cenário dos formidáveis sucessos que vão desenrolar-se no palco do mundo se apresenta às vistas assombradas de quem lhe perlustra as páginas, marcando o encerramento de um dos grandes períodos da evolução humana, com o aniquilamento final da "Besta", e a abertura de uma nova fase da mesma evolução. E tudo em conformidade perfeita com as palavras, também proféticas, de Jesus, conservadas nos Evangelhos, anunciando o fim do mundo do erro e da mentira, caracterizado pela "Implantação da desolação no lugar santo", o advento do novo mundo, o do Cristianismo em espírito o verdade."
Na segunda oportunidade, em "Reformador" de janeiro de 1940, ressalta o Dr. Guillon Ribeiro o que disse, acrescentando outros tópicos, com o escopo de divulgar uma mensagem dada por Emmanuel, comprobatória dos termos da sua conceituação anteriormente expandida.
Vamos, ainda agora, às suas palavras:
"Tão surpreendente se nos antolhou a maneira racional por que o autor de "As Quatro Babilónias" conseguiu varar a obscuridade profunda do estranho e formidável simbolismo de que se serviu o Vidente de Palmos, para descrever a sua visão profética, tão ingente se nos patenteou o esforço que esse deslindamento da narrativa apocalíptica demandava, tão superior às possibilidades restritas de uma inteligência humana, ainda que das mais potentes o melhor aparelhadas, que não trepidamos em qualificar como de natureza essencialmente mediúnica o trabalho de Marius Coeli. (... )
Pois bem, digamos agora por que recordamos hoje o que expandamos há dois meses acerca da obra magistral daquele devotado irmão nosso que, chegado o momento predeterminado do Alto, soube constituir-se maleável instrumento pelo qual as vozes do céu houveram por bem tornar compreensível ao homem, ao soar a hora do cumprimento integral das profecias ali contidas, uma das partes mais notáveis das sagradas Escrituras e de cuja significação o entendimento humano ainda não pudera assenhorear-se.
É que tivemos a satisfação viva de ver confirmados, pelo grande Espírito Emmanuel, em mensagem de 2 do mês corrente, transmitida na presença de um dos nossos companheiros, o Vice - Presidente da Federação, por via do excelente médium Francisco Xavier, os conceitos que emitíramos com relação à obra de que tratamos, ao seu gênero, à sua significação e à razão de ser da sua inspiração neste instante amargurado que a humanidade está vivendo." (... )
"Meus amigos, Deus vos conceda muita paz.
Pobre servo de Jesus, não vos venho trazer a palavra de sabedoria, mas a da cooperação fraterna, em sua misericórdia, para o estudo de nossas expressões evolutivas, em caminho da espiritualidade luminosa.
Quero referir-mo ao vosso desejo de nossa manifestação sobro "As Quatro Bebilônias", reposit6rio de numerosas elucidações oriundas do Alto, isto é, do plano divino, de cujo reservatório de verdades emanou o pensamento profundo dessa obra. Não s6 o instrumento humano o falível contribuiu para esse evento, grande número de enviados cooperou na exposição desse trabalho sadio, dando curso às mais sublimes Inspirações. Nem mesmo (sic) um cérebro perecível poderia avançar tanto nesse caminho de concepções, tão-somente com a pobreza das possíbilidades materiais. Somente o Espírito, apreendendo a luz divina, percorrendo a estrada dos acontecimentos e perquirindo a sagrada semeadura, nos tempos mais remotos, poderia realizar esse esforço, trazendo ao conhecimento humano a chave da revelação, nas suas características universalistas.
Podemos adiantar ainda que, nos planos espirituais mais próximos da Terra se organizam núcleos devotados ao bem e à verdade, sob a égide do Senhor, de maneira a preparar-se a mentalidade evangélica esperada para o milenio futuro, depois de grande ceifa em que o orbe terá de renovar os seus caracteres. É natural que esses núcleos de entidades amorosas o sábias se aproximem das coletividades que já conseguiram realizar as melhores edificações no terreno definitivo da construção espiritual. A Europa, nas suas expressões de decadência, não conseguiria receber semelhantes vibrações. numa hora destas, em que o Velho Mundo ouve, amargurado, os mais dolorosos ais do Apocalipse.
É por essa razão que os Espíritos do bem e da sabedoria buscam a América, para continuação da tarefa sagrada e, muito particularmente, o Brasil, dentro da sua incontestável missão de difundir o Evangelho pelo mundo, de modo a edificar-se o homem do futuro nas ma consoladoras verdades celestiais.
E faz-se preciso notar que para um estorço dessa natureza o plano invisível não requisito as forças que o servem ostensivamente; chamou ao testemunho o missionário despreocupado dos fenômenos, para a demonstração da essência dos ensinos, buscando-o nos templos de outra ordem, onde a verdade relativa se há fechado muita vez na sombra do dogmatismo, pelas imposições do sacerdócio que, em todos os tempos, eliminou as mais belas florações do profetismo.
Associamo-nos às vossas alegrias recebendo essa dádiva de confortadoras o decisiva revelações, que se destinam à demonstração da linha sagrada o universalista do progresso do mundo, sob o olhar misericordioso daquele cujas palavras são amor o vida o jamais passarão.
Fazendo a nossa reverência espiritual aos elevados mentores que inspiraram esse esforço, desejamos-vos a paz de Deus, esperando que sua bênção de amor conforte as nossas almas o esclareça os nossos corações.
Emmanuel
Será necessário dizermos algo sobre o nome de quem subscreve esta mensagem? Mais do que quaisquer palavras nossas, falam por si mesmas as suas notáveis e maravilhosas obras, do conhecimento, hadiornamente, não só dos espiritistas brasileiros, como tembém de milhares de confrades de países de outros continentes, todas exaltando as excelências do Cristianismo e interpretando-lhe os ensinamentos, à luz da Terceira Revelação.
Emmanuel, incontestavelmente um dos maiores exegetas das letras sagradas do Mundo Maior, desvelado Nume Tutelar da Alta Espiritualidade, dispensa comentários, e não seremos nós que teremos a veleidade de fazê-los... Dizer o quê? Está dito tudo!
REFORMADOR, FEVEREIRO, 1979

17 de maio de 2009

ANTE A JUSTIÇA



Muitas vezes, enquanto na Terra, sentimo-nos vitimados pelo destino e clamamos pela justiça do Céu.
Se a aflição, porém, te constringe a garganta qual golilha de brasas, contempla, em torno, aqueles que conhecendo a Lei, abusam das faculdades e talentos que a vida lhes emprestou e estendem, ao redor do caminho, o pranto da desolação e o hálito da morte.
Observa os que acumulam dinheiro criando os tormentos da fome, os que se valem do poder temporário implantando a revolta e a penúria, os que aproveitam a inteligência para ferir e os que mobilizam a mocidade, instilando no próximo o desencanto e a loucura ...
Repara como sorriem agora qual se o mundo lhes pertencesse, entretanto, amanhã, fanar-se-lhes-á repentinamente do domínio para encontrarem, de frente, a necessidade do reajuste nos institutos da Contabilidade Celeste.
Identifica-os hoje, quais se mostram, e lembra-te de que talvez foste também assim no pretérito – no pretérito que a Misericórdia de Deus te permite transitoriamente esquecer ...
Recorda que também acionaste ouro e autoridade, raciocínio e beleza para flagelar e humilhar, chagar ou denegrir e aceita no presente o cálice de amargura, por remédio feliz, capaz de lavar-te o ser, para a alegria da luz.
Não rogues justiça nos dias de tua dor e sim aumento de compaixão nos tribunais da Divina Sabedoria, restaurando a ti mesmo, para seguir à frente, valoroso e sereno, na própria redenção ante a Bênção da Lei.

Livro: Construção Do Amor Autor: Francisco C. Xavier - Emmanuel

13 de maio de 2009

RELIGIÕES



Emmanuel

As religiões são degraus de ascensão à verdade divina.
Cada uma retém nossa alma transitoriamente, em determinados aspectos da revelação do Além, conclamando-nos à comunhão com a Espiritualidade Santificante.
Através de todos os campos agrestes da animalidade primeva, a idéia de Deus refulgiu nas sombras de nossa longa estrada evolutiva, descortinando-nos a visão religiosa sempre mais alta, mais enobrecida e mais pura.
Assim é que todos os condutores dos povos antigos constituíram-se pregoeiros da Luz Magna, que deveria clarear todos os séculos da Terra.
Escritores chineses, profetas judeus, filósofos indus, sacerdotes egípcios, artistas gregos e pensadores romanos, todos, sem exceção, foram gloriosos precursores do Cristo que, sem dúvida, é a Estrela Resplandecente, nos cimos da sabedoria e do amor, gerando, através do Evangelho, a Nova Humanidade.
Assim, pois, em qualquer das escolas cristãs em que estejamos jornadeando, à maneira de aprendizes em cursos diversos, destinados ao aperfeiçoamento moral gradativo, busquemos em Jesus a meta que nos cabe atingir.
Nele temos a resposta divina a todas as velhas indagações terrestres...
Mas para que nos integremos com a claridade regeneradora, que dimana dos seus ensinamentos de humildade e abnegação no bem – alicerces inamovíveis da verdadeira paz e da verdadeira felicidade – é imprescindível aceitá-lo, não só como salvador distante, mas, acima de tudo, na condição de Mestre presente, a cujas lições devemos afeiçoar nossa alma imperecível.
Conduzamos ao Cristo Vivo, Augusto e Soberano, o nosso coração, porque é do coração que procedem as fontes de nossa vida, e, então, nosso sentimento aprimorado Nele, com Ele e por Ele reestruturará os quadros de nossa inteligência e purificar-nos-á os raciocínios, a fim de que, através dos nossos pensamentos, das nossas palavras, das nossas atitudes e dos nossos braços, seja a nossa existência, um sublime instrumento para a exteriorização de Sua vontade justa e misericordiosa.
Todas as religiões são educandários do Espírito, em processo de crescimento para a vida eterna.
Procuremos, desse modo, a nossa posição de trabalhadores leais de Jesus, onde estivermos, fugindo à expectação inoperante, e o Espiritismo representará para nós, realmente, o degrau mais próximo da comunhão com o Supremo Senhor, em razão de constranger-nos sem violência ao serviço da compreensão e da bondade, em favor da Humanidade inteira.
________
Johan W. Goethe, “Gotz von Berlinchingen, 1”: So gewiss ist der allein glücklich und gross, der wieder zu herrschen noch zu gehorchen braucht, um etwa zu sein! Só é feliz e grande aquele que não necessita mandar nem obedecer para chegar a ser alguém.

(Francisco Cândido Xavier, por Emmanuel. Do livro Escrínio de Luz)

9 de maio de 2009

A MÃE CRISTÃ


O mundo será feliz
quando a mulher, sem receio,
abrir a porta da casa
aos órfãos do lar alheio.
(Irene Sousa Pinto)

Mãe feliz, aguça o ouvido
ante os que vão sem ninguém...
Cada pequeno esquecido
é teu filhinho também.
(Rita Barém de Melo)

Não olvides que a criança,
no caminho, vida a fora,
vai devolver-te, mais tarde,
o que lhe deres agora.
(Casimiro Cunha)

Mãezinha - planta celeste,
njo que chora sorrindo -,
teu filho é a flor que puseste
no ramo de um sonho lindo.
(Meimei)
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Pai Nosso

NÃO MATARÁS



“Não vos esqueçais, ao julgar os homens, que a indulgência faz parte da justiça.” - Malha Taban
No próprio Estado do Vaticano, vigora a pena de morte, estabelecida pelos tratados de Latrão, firmados pelo cardeal Pacelli, mais tarde Pio Xll.
Quem o afirma é o padre Emílio Silva, catedrático de Direito Canónico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, numa entrevista que concedeu à revista Manchete.
Adianta o reverendo que Pio Xll defendeu mais de vinte vezes, em seus escritos, a “liceidade da pena capital”.
A Igreja Católica não arreda pé de seus velhos preceitos doutrinários.
Proclama o padre João Pedro Gury, no seu Compêndio de Teologia Moral: “É lícito matar os malfeitores por autoridade pública. A razão é, porque isto é um meio necessário para a promoção do bem comum de toda a sociedade, e até para a própria conservação da sociedade; o que na verdade ordinariamente não se pode obter, senão pela morte dos homens malvados. E não pode nem deve dizer-se que Deus não dotara a sociedade com este poder, sem o qual a sociedade não poderia subsistir.”
Tomás de Aquino, por sua vez, acha “louvável e salutar, para a conservação do bem comum, pôr à morte aquele que se tornar perigoso para a comunidade e causa de perdição para ela“. (Suma Teológica, Questão LXIV, Art. 11)
Em abono dessa concepção nada angelical do renomeado “Doutor angélico”, poder-se-ia procurar justificativa nestas passagens da Escritura: “O que ferir um homem, querendo matá-lo, seja punido de morte. ( … ) O que ferir seu pai ou sua mãe, seja punido de morte. (Êxodo, 21:12 o 15.) O que ferir ou matar um homem, seja punido de morte. (… ) O que ferir qualquer dos seus compatriotas, assim como fez, assim se lho fará a ele: quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; qual for o mal que tiver feito, tal será o que há de sofrer.” (Levítíco, 24:17, 19 e 20.)
Além de estarem essas disposições punitivas em flagrante contradição com a ordenação maior Não matarás, contido em Exodo, 20:13, há a considerar que, na chamada lei mosaica, evidenciam-se dois aspectos distintos: a lei de Deus, promulgada no monte Sinai, e a lei humana, disciplinar, decretada por Moisés. A primeira é invariável; a segunda, modificável com o tempo, segundo os costumes e a desenvolvimento moral e cultural do povo.
Argumenta-se que, no tempo de Moisés, houve necessidade de leis drásticas sem as quais seria muito difícil, senão impossível, impor a ordem numa comunidade inculta e rebelde. Não se pode dizer que a pena de morte, naquela época, fosse plenamente justificável; mas era, pelo menos, compreensível.
A Humanidade, ao afastar-se do seu estado de barbaria, foi paulatinamente encetando a escalada evolutiva que a conduzirá, um dia, ao reino da Paz e da Felicidade.
Surgiu, com o Cristianismo, a aurora de uma nova era. Jesus veio ensinar e exemplificar a verdadeira lei de Deus. Pregou o amor, o perdão e a tolerância. A partir de então, não mais se poderia admitir a lei do “olho por olho, dente por dente”, que tinha a contrapor-se-lhe a nova lei do “Amai-vos uns aos outros”. E quem ama é capaz de sacrificar a própria vida em benefício de outrem, porém jamais de matar o seu semelhante.
Todavia, a evolução não se processa aos saltos e, apesar dos excelsos e serenos ensinamentos do Mestre, os legisladores e os juízes continuaram mandando matar. Contudo, se antes os carrascos matavam com requintes de crueldade, queimando, lapidando, esfolando, crucificando - torturando da maneira mais ignóbil -, agora já procuram matar sem ou com o mínimo de sofrimento, como acontece atualmente com o uso da cadeira elétrica e da câmara de gás. Isso é apenas “dourar a pílula”. No entanto, é uma etapa do processo reformatório da penalogia vigente.
O progresso social - observa Kardec - ainda muito deixa a desejar. Mas, seria injusto para com a sociedade moderna quem não visse um progresso nas restrições postas à pena de morte, no seio dos povos mais adiantados, e à natureza dos crimes a que a sua aplicação se acha limitada. Se compararmos as garantias de que, entre esses mesmos povos, a justiça procura cercar o acusado, a humanidade de que usa para com ele, mesmo quando o reconhece culpado, com o que se praticava em tempos que ainda não vão longe, não poderemos negar o avanço do gênero humano na senda do progresso.
E o progresso não pode estacionar. Portanto, decorrendo dele, urbi et orbi, a abolição da pena de morte, esta fatalmente, mais dia, menos dia, tornar-se-á uma esplêndida realidade.
Não há outra alternativa. É preciso esperar.
Aureliano Alves NettoReformador nº 1806

7 de maio de 2009

O LAR E A ESCOLA

EM HOMENAGEM AOS 131 ANOS DE NASCIMENTO DE PEDRO CAMARGO, AUTOR DE VÁRIOS LIVROS SOB O PSEUDÔNIMO DE VINICIUS

Na marcha de uma idéia, como na de um exército, cumpre observar com cuidado as necessidades que surgem em todos os momentos, as quais nem sempre podem ser previstas e acauteladas previamente. Prever os imprevistos, isto é, contar com eles, faz parte das cogitações do bom estrategista. No desenrolar dos acontecimentos surgem problemas de cuja solução depende a vitória. Não é possível traçar, de antemão, planos completos, mássicos e irredutíveis, porquanto, circunstâncias ocasionais podem, por vezes, reclamar alterações que desprezadas, comprometam o êxito da campanha.
A marcha ascensional dos ideais consubstanciados na terceira Revelação está reclamando, no momento, certas medidas indispensáveis ao prosseguimento da luminosa pugna. Menosprezá-los importa não só em sustar a arrancada realizada, como em comprometer o terreno já conquistado.
Queremos referir-nos à premente necessidade de criarmos educandários espíritas, onde os nossos filhos continuem recebendo, a par das disciplinas escolares, as noções doutrinárias cujos rudimentos já tenham sido ministrados nos lares.
Toda obra, seja de ordem material ou moral, ergue-se sobre alicerces. Tais sejam estes, tal será a segurança e solidez do edifício que se constrói. A obra da regeneração social deve, pois, começar na criança. Fazê-lo partir de outro ponto é construir sobre base movediça e instável. Até o presente, no entanto, nada se fez neste particular, em nosso meio.
Nunca será ocioso lembrar que o alvo do Espiritismo está na iluminação interior das almas aqui encarnadas. Logrado este objetivo, todos os demais problemas serão resolvidos sem delongas nem maiores dificuldades, de acordo com a magnífica visão de Jesus, quando disse: Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a justiça; tudo o mais vos será dado por acréscimo.
O reino divino das realidades encontra-se nos refolhos da consciência humana. Ensinar aos homens a descobri-la em si próprio, e, por ele, orientar-se, eis a magna questão. Tudo o mais é acessório. Ora, a missão da Doutrina dos Espíritos é precisamente essa: esclarecer, iluminar a mente do homem, de modo que ele descortine, com clareza, o roteiro que o conduzirá à realização do destino maravilhoso que lhe está reservado.
O programa espírita que se desvia deste carreiro não corresponde às finalidades reais da doutrina. Nota-se entre os espiritistas a preocupação de realizar convertimentos que se imponham pela sua vultosidade. Todos se empolgam na contemplação de edifícios e de monumentos, desse ou daquele gênero, aos quais dão o pomposo título de “Obras de Assistência Social”. Sem tirar o valor de tais empreendimentos, cumpre, contudo, notar que acima deles está a iluminação das consciências, que só se consegue através da educação.
É verdade que esta obra não aparece, não se revela de pronto, de modo a satisfazer ao nosso açodamento em colher, desde logo, o fruto da nossa sementeira. Não nos preocupemos com isso. O que é nosso às nossas mãos virá, não importa quando, nem onde. Cumpramos o dever que o momento nos impõe, o dever simples e singelo. Deus dará oportunamente, a cada um o que de direito lhe caiba.
Se procurarmos saber qual a grande carência do mundo atual, neste momento angustioso que ora passa, chegaremos à conclusão de que a sua suprema necessidade é – compreensão. – Se os homens tivessem compreensão, entender-se-iam facilmente, desaparecendo as causas de dissídio que os separa e infelicita.
A Terceira Revelação está destinada à missão de projetar na razão humana as claridades divinas.
A época em que estamos requer abnegação, trabalho e renúncia. Com estes elementos, a Doutrina dos Espíritos consumará, no seio da humanidade, sua obra de regeneração individual e social.
O Espiritismo, para vencer, não precisa de vultosas somas; dispensa bafejo dos grandes e poderosos da Terra; prescinde de ostentações e fachadas; independe de numerosos prosélitos: basta que possa contar com o coração das mães, com a autoridade paterna dentro dos lares e com a modesta contribuição do mestre-escola.

NOTA: - Escrevendo em “The Month”, jornal católico Romano, o sr. H. Sutherland refere-se a vasto número de fraudes no Espiritismo, mas acaba por confessar que há médiuns honestos, honestos investigadores, e provas evidentes da comunicação do espírito dos “mortos” com os vivos.
Vinícius
REVISTA “O Revelador” – Outubro 1941

4 de maio de 2009

O PERIGO DA VAIDADE


“Não nos exponhamos inutilmente como cordeiros na boca de lobos”.
Octávio Caúmo Serrano
Não podemos ignorar que as telas da TV exercem certo fascínio sobre as pessoas. Numa simples entrevista de rua, percebe-se a importância que damos, perdendo por vezes nossa própria identidade e servindo de chacota nas abomináveis pegadinhas e assemelhados.
Em nosso livro Pontos de Vista, editado em 1996 e distribuído pela editora O Clarim, estampamos um artigo de nossa autoria publicado no Jornal “A Voz do Espírito“, São José do Rio Preto, na edição de março/abril de 1995. Chama-se “O desmentido não tem a força da notícia“.
O texto trata de um programa de televisão que era levado ao ar na cidade de São Paulo no fim da noite. Nesse dia, objeto do nosso comentário, um espírita de uma das Federativas Estaduais participava do programa como convidado, já que o canal e a reunião estavam sob a tutela dos nossos irmãos evangélicos. Mais precisamente, da Igreja Universal do Reino de Deus.
Quase ao final do programa, um pastor dirigiu-se ao nosso confrade e afirmou: “Se o Espiritismo fosse bom, Kardec não teria se suicidado“. Antes que ele tentasse argumentar, o coordenador interrompeu-o, lamentando. “Desculpe, mas o tempo está esgotado“. E o programa saiu do ar…Passado alguns dias, o mesmo conhecido e influente pastor, procurou seu “dileto amigo” espírita na Federativa, para desculpar-se, já que ele havia pesquisado e concluíra que realmente Kardec não havia cometido suicídio, mas sim fora vítima do rompimento de um aneurisma. Propunha-se a ir até o auditório da casa para pedir desculpas publicamente. Vejam que gesto generoso!

O espírita, sensibilizado, agradecido pela compreensão, ficou muito aliviado porque o seu “amigo” chegara a essa conclusão. Até publicou o comentário no jornal do órgão. A diferença é que a notícia caluniosa foi dada pela televisão, em rede nacional, via satélite, e o desmentido seria num auditório para quinhentas pessoas, todas espíritas e que sabiam bem como Kardec desencarnara.
Não tendo como frear o desenvolvimento acelerado da doutrina espírita, que ganha adeptos a cada dia e conta inclusive com a mídia que percebe nele uma verdade a ponto de explorar a mediunidade em filmes, novelas e programas de toda ordem, nossos irmãos criam armadilhas para denegrir a Codificação Espírita. Lamentável, porém, que companheiros que ocupam posições de destaque no nosso movimento se deixem enganar e caiam diante das artimanhas dos que desejam combater-nos e sabem como fazê-lo com toda sutileza.
O episódio que mencionamos como mote do nosso comentário, infelizmente não é único e repete-se amiúde. Inocência imaginar que os adeptos de uma doutrina irão chamar-nos para ir aos seus veículos de comunicação com a intenção de permitir-nos divulgar os postulados do Espiritismo. Com que interesse eles fariam isso? É racionalmente ilógico pensar que vão nos deixar divulgar nossas idéias, que tanto atrapalham os seus propósitos financeiros. Nós também não o fazemos. Não convidamos católicos ou evangélicos para pregar suas doutrinas nas tribunas espíritas, mesmo sem ter a proposta comercial que eles demonstram abertamente. Os espíritas, no entanto, como não têm espaços suficientes para mostrar-se no vídeo, aceitam qualquer convite e fazem um grande mal ao Espiritismo.
Esses religiosos, com discurso padronizados e especialistas em comunicação, sabem perfeitamente como desarmar-nos. Floreiam com os textos bíblicos, especialmente com citações do velho testamento, que os espíritas desconhecem porque não lêem a Bíblia, demonstrando para o espectador que são sobejamente mais cultos e têm melhores receitas de salvação que nós. E como as pessoas estão em busca de facilidades, é mais interessante uma religião que salva pelo sangue de Jesus que outra que recomenda a luta pela modificação do caráter, algo bem mais trabalhoso.
Embora eles façam uma grande confusão entre o Criador e Jesus e digam que Maria é mãe de Deus, as pessoas nem prestam atenção a esse fato. Até Adão e Eva ainda são levados a sério! Preferem ilusões místicas à razão e ao bom senso.
O pior, porém, é que independente de não poder competir com eles, os espíritas se enrolam entre si. Ainda não chegaram ao consenso sobre o que deve ser divulgado quando enfrentam a mídia. Em vez de falar da pureza do evangelho, falam de perispírito, de ectoplasma e até defendem a natureza fluídica do corpo de Jesus. Para estes, a dor na cruz não existiu e o sangue escorrido foi mera ilusão de ótica. Jesus enganou todos nós que choramos pelas suas dores. Discutem o corpo quando deviam falar da alma do Cristo. Do seu Evangelho. Das lições que são as grandes armas de que dispõe a humanidade para a busca da paz e da sonhada felicidade.

Não é da nossa conta o que fazem as outras doutrinas no sentido de atingir seus melhores interesses. Se eles mentem, fraudam, engodam, eles hão de responder perante as leis divinas. Nossa preocupação é alertar os espíritas que, ávidos de se verem em evidência, servem inocentemente de isca na ilusão de que há sinceridade fraternal no convite que esses homens nos fazem. Com isso, metendo os pés pelas mãos, fazem mais mal que bem ao Espiritismo, sem que nem mesmo percebam!
Felizmente, o Espiritismo não se deixa arranhar por episódios dessa natureza, porque é maior e mais consistente que a ganância venal dessas cobras que esperam o momento para dar o bote. A prudência, porém, já foi ensinada por Jesus, é importante para que o bem vença o mal.
Não nos exponhamos inutilmente como cordeiros na boca de lobos!

3 de maio de 2009

PROLEGÔMENOS


Fenômenos que escapam às leis da ciência comum manifestam-se por toda parte. E revelam como causa a ação de uma vontade livre e inteligente.
A razão nos diz que um efeito inteligente deve ter como causa uma força inteligente. E os latos provaram que essa força pode entrar em comunicação com os homens através de sinais materiais.
Essa Força, interrogada sobre sua natureza, declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do envoltório corporal do homem. Desta maneira é que foi revelada a Doutrina dos Espíritos.
As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo pertencem à Natureza e não constituem nenhum talo sobrenatural. É por isso que encontramos os seus traços entre todos os povos e cm todas as épocas. Hoje elas são gerais e evidentes por todo o mundo.
Os Espíritos anunciam que os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal estão chegados c que, sendo os ministros de Deus e os agentes da sua vontade, cabe-lhes a missão de instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.
Este livro é o compêndio dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a expressão de seu pensamento e não tenha sofrido o seu controle. A ordem e a distribuição metódica das matérias assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem a única obra daquele que recebeu a missão de o publicar.
No número dos Espíritos que concorreram para a realização desta obra, há muitos que viveram em diferentes épocas na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria. Outros não pertencem, por seus nomes, a nenhum personagem de que a História tenha guardado a memória, mas a sua elevação é atestada pela pureza de sua doutrina e pela união com os que trazem nomes venerados.
Eis os termos em que nos deram, por escrito e por meio de muitos médiuns, a missão de escrever este livro:
“Ocupa-te, com zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, porque esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e um dia deverá reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade; mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos afim de controlar todos os detalhes.
“Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudar nos demais trabalhos, porque esta não é mais do que uma parte da missão que te foi confiada e que um de nós já te revelou.
“Entre os ensinamentos que te são dados, há alguns que deves guardar somente para ti, até nova ordem; avisaremos quando chegar o momento de os publicar. Enquanto isso, medita-os, a fim de estares pronto quando te avisarmos.
“Porás no cabeçalho do livro o ramo de parreira que te desenhamos porque é ele o emblema do trabalho do Criador(1). Todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o Espírito nele se encontram reunidos: o corpo é o ramo; o Espírito é a seiva; a alma ou o espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessência o Espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos.
“Não te deixes desencorajar pela crítica. Encontrarás contraditares encarniçados, sobretudo entre as pessoas interessadas em trapaças. Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, pois aqueles que não são completamente desmaterializados procuram, muitas vezes, semeara duvida, por malícia ou por ignorância. Mas prossegue sempre; crê em Deus e marcha confiante: aqui estaremos para te sustentar e aproxima-se o tempo em que a verdade brilhará por toda parte.
(1) 0 ramo de parreira do início é o fac-símile do que foi desenhado pelos Espíritos
trecho retirado do Livro dos Espíritos