30 de junho de 2009

CHICO NÃO SE ENGANA


EM LEMBRANÇA AO SÉTIMO ANO DA DESENCARNAÇÃO DE FRANCISCO CANDIDO XAVIER



No ano de 1972, no dia 15 de fevereiro, desencarnou em Salvador a Sra. Anna Alves Franco.
Dez anos depois, estando seu filho, Divaldo Franco, em visita a Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, o Chico Xavier confiou ao médium e tribuno baiano que a Sra. Anna Franco gostaria de lhe transmitir, naquele momento, mensagem ditada pelo seu coração saudoso de mãe abnegada.
Divaldo estranhou, pois que sua mãezinha era analfabeta, e, quando ele lhe lia o "Evangelho segundo o Espiritismo”, nos cultos familiares, ela revelava muita dificuldade em compreender as palavras que não fossem do seu vocabulário habitual.
Os dois médiuns seguiram para um recinto, levando duas senhoras para lhes secretariar o intento.
Divaldo psicografou mensagem do Dr. Bezerra de Menezes.
Chico psicografou, em 42 páginas, mensagem de Anna Franco que começava mais ou menos assim:
"_ Meu filho, você sempre me dizia que gostaria de me ensinar a ler e a escrever mas eu sempre dizia que não queria essa atrapalhação na minha cabeça. Voltei, para lhe dizer que aqui, no Plano Espiritual, descobri que já era alfabetizada, e vou lhe narrar como ocorreu o meu desencarne.”
Anna Franco discorreu sobre detalhes da sua desencarnação, citou os filhos em ordem decrescente de idade, e, num certo trecho narrou:
"_ Veio me receber D. Maria Domingas Bispo, amiga com a qual eu conversava tanto!... Essa amiga desencarnou em 1932. em Feira de Santana.”
Ao levar a missiva para a Bahia, Divaldo, como é óbvio, mostrou-a, radiante, aos seus familiares, um irmão bem mais velho, uma outra irmã e a alguns outros parentes. Eles foram unanimes em afirmar-lhe que D. Anna jamais tivera essa amiga!
Por suposto, Divaldo deveria acreditar nos familiares, já que era o último filho, o mais novo de todos. Não se poderia lembrar da senhora citada na carta. Seus irmãos negavam o fato como narrado.
No entanto, Divaldo dizia:
"_ Chico? Ele não se engana!”
Pesquisas foram feitas com a ajuda do Prefeito, que havia sido contemporâneo do médium baiano no grupo escolar. Não havia nenhuma D. Maria Domingas Bispo!
Divaldo pediu auxílio a um amigo, Lauritz Bastos, que, após uma prece, num dia de inspiração e otimismo, teve a idéia de procurar nos municípios vizinhos.
Após inúmeras tentativas Lauritz encontrou o registro do óbito.
Aqui merece lembrar um detalhe. Ao transmitir ao amigo a data do falecimento de D. Maria Domingas Bispo, Divaldo equivocara-se, escrevendo dia e mês totalmente diferentes dos verdadeiros, dificultando a identificação. Lauritz Bastos logrou encontrar a data correta, que era a da mensagem.
Este fato singelo em que um coração de mãe vem falar de suas saudades, tornou-se, assim, um atestado da imortalidade da alma, pois a ele não se pode negar autenticidade científica, já que pelas pesquisas não poderia haver, como foi citado, nem hiperestesia da mente, nem transmissão de pensamento de médium a médium, nem sugestão, nem telepatia!
A alma é imortal e reencarna tantas vezes quantas precisar para sua ascensão espiritual. A vida é única, como dizia Paulo de Tarso, mas com várias etapas - as reencarnações!
Nesses dias em que a FEB faz a Campanha “Em defesa da Vida’, lembrei-me de lhes narrar esse episódio que nos mostra o carinho que a Espiritualidade tem por nós, incentivando-nos sempre que pode, isto é, quando permitimos.
Vale então uma pergunta que merece resposta sincera:
“Estamos nos Comportando a Contento?”

Informativo do GEAL - Boletim mensal - Abril 1996

29 de junho de 2009

CHICO E A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS


Senti uma dor muito grande no tórax e soube mais tarde que tive o coração arrancado do peito

Qual é a posição de Chico Xavier em relação à doação de órgãos? Segundo uma recente pronunciamento escrito de Chico (em sua residência em Uberaba, no dia 5 de maio deste ano de 98) no qual ele diz o seguinte: "A minha mediunidade, a minha vida, dediquei à minha família, aos meus amigos, ao povo. A minha morte é minha. Eu tenho este direito. Ninguém pode mexer em meu corpo; ele deve ir para a mãe Terra" Perguntarão alguns, estaria aí uma posição doutrinária do Espiritismo em relação à doação de órgãos? Vou alinhar aqui algumas considerações antes de oferecer ao leitor elementos para que cada um faça a sua opção. Vou reportar-me à uma mensagem psicografada pelo próprio Chico no dia 5 de abril de 1985, vinda do jovem Roberto Igor Porto Silva, comentando a doação de seu coração para uma outra pessoa. A doação fôra autorizada por sua irmã, Magali, e o espírito narrou de forma dramática o que neste caso acontece com O PERISPÍRITO DO DOADOR, no outro lado da vida. Essa mensagem, anos atrás, foi publicada nesta "Folha Espírita" e vou transcrever pequenos trechos para que o leitor entenda melhor o delicado assunto, assinalando com números, alguns trechos a ser comentados: Assim que foi dado como "clinicamente morto" pelos médicos cirurgiões, é este o relato desse mensageiro espiritual(Igor): "Logo de saída, conquanto me sentisse privado da visão, senti uma dor muito grande no tórax(1); os amigos de meu pai (desencarnado) se apressaram a me auxiliar com o magnetismo curativo e a dor desapareceu. Soube mais tarde que naquele momento eu tivera o coração arrancado(2) do corpo físico para servir ao transplante que favoreceria um homem que se aproximava da morte. Explicaram-me que era justo o trabalho que se fez, entregando-se o coração que ainda pulsava(3) ao irmão doente que assim poderia continuar vivendo. Mais adiante, ao constatar que seu coração servira para alguém que necessitara dele, acrescenta: "Me confessei satisfeito e agradecido com a medida, notando que o coração, em meu corpo espiritual, pulsava forte e robusto". Estes, os trechos transcritos.
Agora a análise dos pontos assinalados:
1)A retirada do órgão, "apesar da morte clínica" lhe causou uma "dor muito forte", o que significa exatamente isto: cessadas as dores do corpo físico, com sua morte inicial (este é o termo que encontro como o mais aproximado), permanecem por algumas horas ou dias, os reflexos doloridos no perispírito ou corpo astral. No assinalado ponto
2) constatamos que houve "consciência de grande dor", de parte do doador, e aqui não será demais consignar que houve sofrimento e "violência" inesperada, eis que quem consentiu na doação não foi o próprio, e sim a irmã do ainda "não inteiramente" falecido. No item
3) constatamos que mesmo após a retirada do coração no corpo físico, no corpo perispiritual o coração continuava pulsando forte, após o atendimento. Me lembrei de um conhecido meu que, tendo perdido a perna, do joelho para baixo continuou sentindo frio e coceira no lugar da parte amputada da perna, o que nos leva a crer que nosso "modelador biológico no perispírito", em cada encarnação, funciona indeformável em cada existência.

26 de junho de 2009

PACIÊNCIA


Em momentos de crise, de conturbação em torno de si, valiosíssimo exercitar a paciência. Não se trata de assumir postura passiva diante de acontecimentos funestos, muito menos de abrir mão da responsabilidade pela ação justa no bem voltado a si ou a outrem. Mas sim de reconhecer os limites que a experiência apresenta, considerando-os como peças também importantes do quebra-cabeça cuja paisagem é um aprendizado mais difícil. A paciência ensina a confiar e aguardar, quando as iniciativas possíveis já foram tomadas, quando os recursos disponíveis já foram devidamente utilizados.
Nada fácil perceber quando se faz imprescindível agir, de forma combativa ou defensiva, protegendo a si e ao outro numa situação de risco. Sutilíssima a linha divisória entre esperar o momento apropriado e ser negligente, deixando de fazer o que é necessário para que as coisas se resolvam da melhor forma. Como saber se o acerto está em parar? Como distinguir paciência de condescendência com os próprios erros? O que indica que não se está sendo irresponsável com faltas alheias, assumindo postura viciosa ao invés de educativa acerca do mal? Como alerta a mestra Eugênia, não há respostas prontas, acabadas para dramas complexos. Mas há pistas para se reconhecer o caminho de resolução. Primeiramente, vale considerar a necessidade de autoconhecimento, a fim de que sejam percebidos os mecanismos de controle do ego. Estes não primam pela solução de conflitos, mas sim por se estar com a razão. Se, diante da dificuldade, providências foram tomadas, pessoas de confiança foram consultadas, a intuição foi ouvida, entre outras iniciativas importantes, cabe aguardar confiante e pacientemente para que o melhor aconteça. Insistir em “resolver” certas pendências acaba por reforçar o pior, em si e no outro, já que não se tem aí o desejo sincero de mudança e crescimento, mas sim a necessidade de que as coisas aconteçam de acordo com caprichos pessoais.
Paciência é conquista daqueles que não se constrangem em aprender com os próprios erros, dos que se sentem à vontade em abrir mão do controle, dos que não se importam em adiar gratificações, de quem não se incomoda em pedir ajuda, daquele que ensaia colocar-se no lugar do outro e respeitar seu ritmo, dos que não desejam “ganhar”, mas sim vencer(a si mesmo, principalmente)… Ter paciência é compreendera vida em profundidade… Seus ciclos, suas ambigüidades, suas surpresas… Ser paciente é aprender a recomeçar, deixando de lado a vergonha e a culpa… É não ter medo de admitir o equívoco e se esforçar por um dia superá-lo, com dignidade… É confiar nas infinitas possibilidades de crescimento, fazendo o que se pode e deixando a Quem Pode o milagre da transformação.
Aline Rangel

23 de junho de 2009

SEARA DE ÓDIO





- Não! Não te quero em meus braços! - dizia a jovem mãe, a quem a Lei do Senhor conferira a doce missão da maternidade, para o filho que lhe desabrochava do seio - não me furtarás a beleza! Significas trabalho, renúncia, sofrimento...
- Mãe, deixa-me viver!... Suplicava-lhe a criancinha no santuário da consciência - estamos juntos! Dá-me a bênção do corpo! Devo lutar e regenerar-me. Sorverei contigo a taça de suor e lágrimas, procurando redimir-me... Completar-nos-emos. Dá-me arrimo, dar-te-ei alegria. Serei o rebento de teu amor, tanto quanto serás para mim a árvore de luz, em cujos ramos tecerei o meu ninho de paz e de esperança...
- Não, não...
- Não me abandones!
- Expulsar-te-ei.
- Piedade mãe! Não vês que procedemos de longe, alma com alma, coração a coração?
- Que importa o passado? Vejo em ti tão-somente o intruso, cuja presença não pedi.
- Esqueces-te, mãe, de que Deus nos reúne? Não me cerres a porta!...
- Sou mulher e sou livre. Sufocar-te-ei antes do berço...
- Compadece-te de mim!...
- Não posso. Sou mocidade e prazer, és perturbação e obstáculo.
- Ajuda-me!
- Auxiliar-te seria cortar em minha própria carne. Disputo a minha felicidade e a minha leveza feminil...
- Mãe, ampara-me! Procuro o serviço de minha restauração...
Dia a dia, renovava-se o diálogo sem palavras, até que, quando a criança tentava vir à luz, disse-lhe a mãezinha cega e infortunada, constrangendo-a a beber o fel da frustração:
- Torna à sombra de onde vens! Morre! Morre!
- Mãe, mãe! Não me mates! Protege-me! Deixa-me viver...
- Nunca!
- Socorre-me!
- Não posso.
Duramente repelido, caiu o pobre filho nas trevas da revolta e, no anseio desesperado de preservar o corpo tenro, agarrou-se ao coração dela, que destrambelhou, à maneira de um relógio desconsertado...
Ambos, então, ao invés de continuarem na graça da vida, precipitaram-se no despenhadeiro da morte.
Desprovidos do invólucro carnal, projetaram-se no Espaço, gritando acusações recíprocas.
Achavam-se, porém, ligados um ao outro, pelas cadeias magnéticas de pesados compromissos, arrastando-se por muito tempo, detestando-se e recriminando-se mutuamente...
A sementeira de crueldade atraía a seara de ódio. E a seara de ódio lhes impunha nefasto desequilíbrio.
Anos e anos desdobraram-se, sombrios e inquietantes, para os dois, até que, um dia, caridoso Espírito de mulher recordou-se deles em preces de carinho e piedade, como a ofertar-lhes o próprio seio. Ambos responderam, famintos de consolo e renovação, aceitando o generoso abrigo...
Envolvidos pela caricia maternal, repousaram enfim.
Brando sono pacificou-lhes a mente dolorida.
Todavia, quando despertaram de novo na Terra, traziam o estigma do clamoroso débito em que se haviam reunido, reaparecendo, entre os homens, como duas almas apaixonadas pela carne, disputando o mesmo vaso físico, no triste fenômeno de um corpo único, sustentando duas cabeças.




Espírito Irmão X
Do livro Contos e Apólogos. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

22 de junho de 2009

PERDOAR E COMPREENDER




Muita gente perdoa, no entanto, não compreende, e muita gente compreende, todavia, não perdoa.
Muitos companheiros se alheiam às ofensas recebidas, procurando esquece-las, mas querem distância daqueles que as formulam, sem lhes entender as dificuldades, e outros muitos compreendem aqueles que os molestam, entretanto, não lhes desculpam os gestos menos felizes.
*
Perdoar e compreender, porém, são complementos do amor e impositivos do aceitar os nossos companheiros da humanidade, tais quais são.
Reflitamos nisso, reconhecendo que o entendimento e a tolerância que os outros solicitam de nós são a tolerância e o entendimento de que nós necessitamos deles.
É possível que nos haja ferido e igualmente provável tenhamos ferido a outrem. Alguém terá errado contra nós e teremos decerto errado contra alguém.
Pondera isso e compadece-te de todos os ofensores.
*
Quem te prejudica talvez age sob compulsiva da necessidade; quem te menospreza, possivelmente sofre a influência de transitórios enganos; aquele que te esquece com aparente descaso estará enfermo da memória, e aquele outro ainda que te golpeia evidentemente procede sob a hipnose da obsessão.
*
Nunca te revoltes, nem desanimes.
Faze o bem, olvidando o mal.
Desculpemos quaisquer faltas, compreendendo os autores delas, e compreendamos os nossos irmãos em falta, desculpando a todos eles.
O amparo espiritual que doemos agora, a favor de alguém, será o amparo espiritual de que precisaremos todos da parte de outro alguém.
Quando Jesus nos adverte: “perdoa setenta vezes sete a teu irmão”, claramente espera venhamos a compreender outras tantas.

Livro : “Rumo Certo” – Chico Xavier – Emmanuel

20 de junho de 2009

CONVERSAÇÕES DOENTIAS


Pelo espírito Joanna de Ângelis

Semelhante a carro de lixo que espalha emanação mortifica por onde passa, as conversações doentias assinalam os roteiros por onde seguem.
Quando se instalam, destroem o domicílio da paz e a suspeita se aloja, vitoriosa, atormentando, implacável.
Como gás de fácil expansão, o tóxico da informação menos digna se expande, asfixiando esperanças e matando aspirações superiores.
Por onde passa, a conversação infeliz gera a hipocrisia, desenvolvendo uma atmosfera anti-fraterna em que assenta suas afirmações. A má palestra nada poupa.
Facilmente se dissolve em ácido calunioso ou brasa acusadora; atinge corações honestos e enlameia famílias enobrecidas pelo trabalho; deslustra uma existência honrada com uma frase, atirando ignomínia e desdouro; estimula a mentira, que se transforma em injúria, fomentando crime e loucura.
Nutrida pela ociosidade a conversação insidiosa é mãe da corrupção moral. Se os ensinos edificantes tentam exaltar a dignidade e dever, oferecendo campo à verdade e ao brio, o veneno da informação descaridosa aparece pretextando ingenuidade e destrói, impiedoso, a cultura da dignidade.
Surge aparentemente inofensiva numa frase pérfida para alastrar-se virulenta numa colheita de fel. Aparece, sorrateira, para imiscuir-se desabridamente onde não é esperada, induzindo quantos lhe dão ouvidos à infâmia e ao ódio...
É imprescindível fiscalizar-lhe as nascentes.
O cristão não lhe pode ser complacente.
Rigoroso no respeito aos ausentes, deve vigiar as estradas da mente e as "saídas do coração". Cultor da bondade não compactua com as informações aviltantes, devendo eliminar do próprio vocabulário as expressões dúbias de significado humilhante.
Fiscaliza, atento, cada dia, as informações que te chegam ao coração. Se te conduzem vinagre sobre a honra alheia apresentam as feridas dos outros à observação, procura os recursos da oração e da piedade, e sempre disporás de bens para não caíres no fascínio negativo das sugestões do mal, renovando todas as expressões com a mente em Jesus.
O Apóstolo Paulo, advertido aos Coríntios, prescrevia na primeira carta aos companheiros de ministério, conforme se lê no capítulo 15, versículo 33: "Não vos enganeis; as más palavras corrompem os bons costumes".
As conversações doentias são ácidos nos lábios da vida, queimando a esperança em todo lugar.
E os que se entregam a tais palestras são "obsidiados que se recusam a reconhecer que o são, (e) se assemelham a esses doentes que se iludem sobre a própria enfermidade e se perdem, por se não submeterem a um regime salutar.
Psicografia Divaldo - livro Espírito e Vida

17 de junho de 2009

A RELIGIÃO DE JESUS


Ewerton Quadros

Cultivando o pensamento libertador com que a Nova Revelação te insufla à vida, reflete na religião de Jesus.
Em todas as circunstâncias, reconheçamo-nos defrontados pelo Mestre, no exercício da fraternidade dinâmica.
Indubitavelmente, asseverou Ele não ter vindo para destruir a lei e sim para dar-lhe cumprimento.
E executou-a, substancializando-lhe os enunciados na ação construtiva com que lhe ampliou todos os preceitos em luzes de ensino e afirmação de trabalho.
Não levantou quaisquer santuários de pedra; não fomento discussões teológicas; não instituiu pagamento por serviços religiosos; não criou amuletos ou talismãs; não consagrou paramentos e nem traçou rituais.
Ao revés, ajustou-se à comunidade, em penhor de soerguimentos e sustentação do homem integral amparando-lhe corpo e alma.
Explicou a verdade, tanto aos rabinos quanto aos pescadores de vida singela.
Pregou a divina mensagem no tope dos montes, alimentando estômagos famintos e clareando cérebros sequiosos de luz.
Socorreu mulheres infelizes e crianças abandonadas; leu nas sinagogas; curou cegos; restaurou doentes, ergueu paralíticos; recuperou obsidiados, doutrinando espíritos perturbados e sofredores; encorajou os tristes e banqueteou-se com pessoas apontadas ao escárnio social.
Sem qualquer laivo de culto à personalidade, viveu no sei da multidão.
Encontrando, pois, no Espiritismo a Boa Nova renascente, convençamo-nos de que as nossas casas doutrinárias devem ser lares de assistência gratuita ao povo que, em todos os tempos, é a verdadeira família de Cristo.
Meditando nestas observações incontestes, evitemos converter os templos espíritas em museus do Evangelho ou dourados mausoléus do Senhor, reconhecendo que é preciso constituir neles escolas de fé raciocinada, a se povoarem de almas ardentes no serviço desinteressado em favor do próximo, a fim de que possamos sustar as explosões do desespero subversivo e as epidemias de descrença que, ainda hoje, lavram na Terra com a senha do incêndio destruidor.

Livro Ideal Espírita - Psicografia Francisco C. Xavier - Espíritos Diversos


14 de junho de 2009

PERDAS DE ENTES QUERIDOS

Diante da inexorabilidade da morte, as dores da separação e da perda de um ente querido não podem ser evitadas. Contudo, a maneira de encarar a situação e o entendimento de que a morte não existe podem auxiliar, em muito, as pessoas a passarem por este transe tão difícil.
Sir Oliver Lodge, eminente cientista e laureado físico e inventor do final do século IXX e início do século XX, estudou e conduziu experimentações, durante anos, acerca dos fenômenos espíritas e tendo perdido um filho durante a 1ª Grande Guerra escreveu um livro, Raymond, sobre as comunicações mediúnicas e inequívocas provas de identidade do filho que empresta o seu nome à obra, traduzida por Monteiro Lobato.
Diz o cientista: “Jamais ocultei minha crença de que a personalidade não só persiste, como ainda continua mais entrosada ao nosso viver diário do que geralmente o supomos; de que não há nenhuma solução de continuidade entre os vivos e os mortos...”
Outra personalidade que obteve grande consolação após a perda da filha querida, Leopoldine, foi o escritor e pensador francês Victor Hugo. Quando exilado na ilha britânica de Jersey, começou a pesquisar os fenômenos espiríticos, relatando as suas experiências na obra Les Tables Tournantes de Jersey(As Mesas Girantes de Jersey). Dentre os escritos que deixou para serem publicados após sua morte, destacamos o seguinte, que reflete bem a posição espírita do autor:“A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra. Na morte o homem acaba e a alma começa. Eu sou uma alma. Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser. O que constitui o meu eu irá além.”
“O homem é um prisioneiro. O prisioneiro escala penosamente os muros de sua masmorra. Coloca o pé em todas as saliências e sobe até o respiradouro. Aí, olha, distingue ao longe a campina. Aspira o ar livre, vê a luz.”
“Assim é o homem. O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade. Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída? Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo, de que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro? (...)”
“A morte é uma mudança de vestimenta. A alma que estava vestida de sombra vai ser vestida de luz. Na morte o homem fica sendo imortal. A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela. A morte é uma continuação. Para além das sombras, estende-se o brilho da eternidade.” Entretanto, há dores que se estendem demasiadamente. Em O Livro dos Espíritos, livro IV - Capítulo I, Perda de entes queridos, Allan Kardec indaga dos espíritos, na questão 936: “De que maneira as dores inconsoláveis dos que ficaram na Terra afetam os Espíritos desencarnados que as provocam?”
Resposta: “O Espírito é sensível à lembrança e às saudades daqueles que amou na Terra, mas uma dor incessante e fora de propósito o afeta penosamente, porque ele vê, nessa dor excessiva, falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao progresso e talvez ao reencontro com os que ficaram.”
O grande antídoto ao desespero, além do conhecimento de que a separação é transitória e a perda o é apenas da forma física tangível, advém da prece recomendada pelo Espiritismo a todos aqueles que partiram. Enquanto se lhes auxilia e fortalece, através destas vibrações sutilíssimas da prece os corações daqueles que choram se sentirão aliviados e as suas lágrimas estancadas. Da mesma forma, a prece ajuda no desligamento do espírito das vibrações da matéria, tornando o seu despertar no mundo espiritual mais tranquilo durante a transição da morte. A consolação espiritual necessita refletir-se no fortalecimento psicológico. Quem guarda relação de dependência emocional com o ente querido que partiu tem muito maiores dificuldades na separação. De agora em diante, inelutavelmente, deve contar apenas consigo mesmo. Se a pessoa acha-se frágil, insuficiente e tem baixa autoestima, provavelmente necessitará de um trabalho psicoterápico para redescobrir seu potencial interno e resgatar sua autoconfiança e autoestima.
Uma observação essencial é que a pessoa que sofre a dor da perda de um ente querido não deve ficar na dependência emocional de uma mensagem psicografada. Apesar de esta ser um inigualável consolo, a pessoa precisa criar forças em seu próprio ser. As comunicações mediúnicas obedecem a leis muito complexas e se constituem mais exceções do que regra. Nem todos os espíritos conseguem se comunicar por um dado médium e, dentre os médiuns, poucos têm as faculdades plenamente desenvolvidas a permitir mensagens com inequívocas comprovações de identidade. São afortunados, pois, espíritos e encarnados que logram obter comunicações satisfatórias. Não obstante, as ocorrências destas comunicações se multiplicam, constituindo-se em decisivo peso comprobatório da imortalidade da alma. Mas, enquanto isso, porque não nos consolarmos, regozijarmos mesmo, com as comunicações bem sucedidas, tais como as de Fábio Nasser, que nos comprovam a continuidade da vida e dos afetos daqueles que se foram? Por que não nos voltarmos para as questões espirituais da vida, ressignificando conceitos e valores que elegemos como prioritários?
Estas são as recomendações de nossos entes queridos que partiram, a nos concitar uma urgente mudança de rumos em nossas mesquinhas e vazias existências. Fábio Nasser, um interlocutor lúcido dentre aqueles, observa-nos em sua última carta, de 29/01/2009, através da médium Mary Alves: “Ainda estamos com sentimentos desregrados, com paixões desmedidas, com cobiças aviltantes, com maldades vergonhosas, e o trabalho é lento e exige muito sacrifício e renúncia, pois Deus recuperará todos os corações.”
Luiz Antônio de Paiva é médico psiquiatra, vice-presidente da Associação Médico-Espírita de Goiás e consultor legislativo inativo do Senado Federal

9 de junho de 2009

SUÍCIDIO - UMA VISÃO ESPÍRITA


Dar fim à própria vida, abrir mão de todas as possibilidades, por uma possível paz, é o caminho que muitos seguem, de forma consciente ou não; mas, ao invés de se mostrar uma solução, transforma-se num longo caminho de dor, sofrimento e libertação.
É impressionante e, até mesmo, aterrador que tenhamos que chamar de “atual” o tema relativo ao suicídio, seja voluntário, seja indireto. Mas, lastimavelmente, é atual mesmo: é um mal crescente, atingindo toda humanidade.
Sua ocorrência sempre foi constante, desde o passado remoto e em todos os segmentos sociais e étnicos, até mesmo, crianças. Existem relatos de suicídios, tanto individuais, quanto coletivos, em várias culturas indígenas.
Daí a sua atualidade. Aliás, não é por outra razão que o assunto tem sido objeto de preocupação de antropólogos, sociólogos, médicos, psiquiatras, psicólogos, enfim de todos os ramos de ciência do Ser – e obviamente, dos Espíritas, sempre atentos às chagas da humanidade.
É exemplo disso o número de palestras, debates e artigos que solicitam aos espíritas sobre o assunto, incluindo o número de que sempre surgem sobre o mesmo tema. Vale dizer, numa palavra: se há perguntas, é porque o tema necessita de ampla abordagem.
1. Como os Espíritos e o Espiritismo consideram o suicídio?
R: Usando unicamente os ensinos dos Espíritos constantes da Codificação, o suicídio é tido como um crime aos olhos de Deus (Céu e Inferno, cap. 5), e que importa numa transgressão da Lei Divina (Livro dos Espíritos, pergunta 944) e constitui sempre uma falta de resignação e submissão à vontade do Criador (idem, perg. 953-a). Desse modo, “jamais o homem tem o direito de dispor da vida, porquanto só a Deus cabe retirá-lo do cativeiro da Terra, quando o julgue oportuno. O suicida é qual o prisioneiro que se evade da prisão, antes de cumprida a pena; quando preso de novo, é mais severamente tratado. O mesmo se dá com o suicida que julga escapar às misérias do presente e mergulha em desgraças maiores” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XXVII, item 71)
2. Por que os Espíritos tratam desse assunto com certa constância?
R: Primeiramente, como já afirmamos, porque ele é tema sempre atual, pois que o suicídio tem sido marca constante de nossa civilização; segundo, que é o mais importante: a doutrina dos Espíritos, tem um caráter consolador absoluto: através do fato mediúnico (no dizer do cultíssimo Herculano Pires, o fato mediúnico é literalmente uma segunda ressurreição) o espírito volta à carne, não a que deixou no túmulo, mas a do médium que lhe oferece, num gesto de amor, a oportunidade de retorno aos corações que deixou no mundo (Mediunidade, cap 5), é permitido que os próprios suicidas venham dizer-nos que eles não morreram e afirmam que não só não solucionaram o problema que os levou ao ato extremo, como ainda estão “vivos” e, de quebra, com dois problemas: o antigo e o novo, gerado pela violação das leis da Vida. Assim, o Espiritismo trabalha preventivamente para que as pessoas saibam das responsabilidades em praticar atos que possam agravar sua situação futura e não para condená-las ao martírio eterno.
3. Quais as causas que levam o Ser ao suicídio?
R: A incredulidade, a falta de fé, a dúvida, as idéias materialistas. Em suma, crer que o Nada é o futuro, como se o Nada pudesse oferecer consolação, como se fosse remédio para supostamente abreviar o sofrimento, crença que, na verdade, se constitui em covardia moral.
4. Quais as conseqüências do suicídio para o Espírito?
R: Em primeiro lugar, é preciso aclarar-se que o suicídio não apaga a falta cometida, mas, ao contrário, em vez de uma haverá duas; em segundo, que o Espírito, quando se dá conta do ato cometido, constata que nada valeu, ficando literalmente desapontado com os efeitos obtidos e que não eram os buscados, pois se certifica que a vida não se extinguiu e que continua mais real que nunca. Terceiro, e que é bastante doloroso, o suicídio agrava todos os sofrimentos: “depois de prolongados suplícios, nas regiões purgatórias, freqüentemente, após diversas tentativas frustradas de renascimento, readquirem o corpo de carne, mas transportam neles deficiências do corpo espiritual, cuja harmonia desajustaram. Nessa fase, exibem cérebros retardados ou moléstias nervosas obscuras”, segundo Emmanuel em Leis de Amor, capitulo VI.
5. Então, não há esperança de recuperação para o suicida?
R: Claro que há – total! Deus é Amor e Ele outorga a todas as Criaturas a maior expressão da Sua Bondade Infinita: a possibilidade de os Seres evoluírem sempre, incessantemente; permite que as existências se sucedam ofertando as oportunidades infinitas de reajuste e reforma; e isso é possível através do mais efetivo veiculo da Lei de Evolução: a reencarnação.
Portanto, os familiares do suicida de ontem ou de hoje não se exasperem, ao contrário, mantenham viva a esperança de que é possível a remissão das faltas e que o Pai de Misericórdia propiciará os meios de fazer com que o próprio autor do ato extremo se reconheça Espírito Eterno e indestrutível, e que a calma, a resignação e a fé serão os mais seguros preservativos contra as idéias autodestrutivas. Não será demais que se lhes repita: Deus é Bondade Infinita e, portanto, não permite que Suas Criaturas sofram indefinidamente e que esse sofrimento poderá ser abreviado mais rapidamente mercê de orações sinceras e cheias de amor de todos quantos querem que se restabeleça o Bem.
Do livro: Entre o Pecado e a Evolução Notas: Revista Espiritismo e Ciência 11, páginas 06-08)

7 de junho de 2009

VENENO LIVRE

Irmão X

Pede você que os Espíritos desencarnados se manifestem sobre o álcool, sobre os arrasamentos do álcool.
Muito difícil, entretanto, enfileirar palavras e definir-lhe a influência.
Basta lembrar que a cobra, nossa velha conhecida, cujo bote comumente não alcança mais que uma só pessoa, é combatida a vara de ferro, porrete, pedra, armadilha, borralho, água fervente e boca de fogo, vigiada de perto pela gritaria dos meninos, pela cautela das donas de casa e pela defesa do serviço municipal, mas o álcool, que destrói milhares de criaturas, é veneno livre, onde quer que vá, e, em muitos casos, quando se fantasia de champanha ou de uísque, chega a ser convidado de honra, consagrando eventos sociais.
Escorrega na goela de ministros com a mesma sem-cerimônia com que desliza na garganta dos malandros encarapitados na rua. Endoidece artistas notáveis, desfibra o caráter de abnegados pais de família, favorece doenças e engrossa a estatística dos manicômios; no entanto, diga isso num banquete de luxo e tudo indica que você, a conselho dos amigos mais generosos, será conduzido ao psiquiatra, se não for parar no hospício.
Ninguém precisa escrever sobre a aguardente, tenha ela o nome de vodca ou suco de cana, rum ou conhaque, de vez que as crônicas vivas, escritas por ela mesma, estão nos próprios consumidores, largados à bebedeira, nos crimes que a imprensa recama de sensacionalismo, nos ataques da violência e nos lares destruídos.
E se comentaristas de semelhantes demolições devem ser chamados à mesa redonda da opinião pública, é indispensável sejam trazidos à fala as vítimas de espancamento no recinto doméstico, os homens e as mulheres de vida respeitável que viram a loucura aparecer de chofre no ânimo de familiares queridos, as crianças transidas de horror ante o desvario de tutores inconscientes e, sobretudo, os médicos encarnecidos no duro ofício de aliviar os sofrimentos humanos.
Qual! Não acredite que nós, pobres inteligências desencarnadas, possamos grafar com mais vigor os efeitos da calamidade terrível que escorre, de copinho a copinho.
É por isso talvez que as tragédias do alcoolismo são, quase sempre, tratadas a estilete de sarcasmo. E creia você que a ironia vem de longe.
Consta do folclore israelita, numa história popular, fartamente anotada em vários países por diversos autores, que Noé, o patriarca, depois do grande dilúvio, rematava aprestos para lançar à terra ainda molhada a primeira vinha, quando lhe apareceu o Espírito das Trevas, perguntando, insolente:
- Que desejas levantar, agora?
- Uma vinha - respondeu o ancião, sereno.
O sinistro visitante indagou quanto aos frutos esperados da plantação.
- Sim - esclareceu o bondoso velho -, serão frutos doces e capitosos. As criaturas poderão deliciar-se com eles, em qualquer tempo, depois de colhidos. Além disso, fornecerão milagroso caldo que se transformará facilmente em vinho, saboroso elixir capaz de adormecê-las em suaves delírios de felicidade e repouso...
- Exijo sociedade nessa lavoura! - gritou Satanás, arrogante. Noé, submisso, concordou sem restrições e o Gênio do Mal encarregou-se de regar a terra e adubá-la, para o justo cultivo. Logo após, com a intenção de exaltar a crueldade, o parceiro maligno retirou quatro animais da arca enorme e passou a fazer adubagem e a rega com a saliva do bode, com o sangue do leão, com a gordura do porco e com excremento do macaco.
À vista disso, quantos se entregam ao vício da embriaguez apresentam os trejeitos e os berros sádicos do bode ou a agressividade do leão, quando não caem na estupidez do porco ou na momice dos macacos.
Esta é a lenda; entretanto, nós, meu amigo, integrados no conhecimento da reencarnação, estamos cientes de que o álcool, intoxicando temporariamente o corpo espiritual, arroja a mente humana em primitivos estados vibratórios, detendo-a, de maneira anormal, na condição de qualquer bicho.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

6 de junho de 2009

NÃO EXISTE DESOBSESSÃO SEM BASE DE RENOVAÇÃO MORAL


O Espiritismo explica que na loucura a causa do mal é interior e é preciso procurar restabelecer o organismo ao estado normal. Na obsessão, a causa do mal é exterior e é preciso desembaraçar o doente de um inimigo invisível opondo-lhe, não remédios, mas uma força moral superior à sua. "A experiência prova que, em semelhante caso, os exorcismos não produziram jamais nenhum resultado satisfatório, e que antes agravaram do que melhoraram a situação. Só o Espiritismo, indicando a verdadeira causa do mal, pode dar os meios de combatê-lo".(1) É preciso, de certa maneira, educar moralmente o Espírito obsessor; por conselhos inteligentes, pode-se fazê-lo melhor e determinar-lhe declinar espontaneamente ao tormento da vítima, e então esta se liberta.
Todavia, não se pode esquecer que os obsessores são hábeis e inteligentes, perfeitos estrategistas que planejam cada passo e acompanham as presas por algum tempo, observando suas tendências, seus relacionamentos, seus ideais. Identificam seus pontos vulneráveis (quase sempre ligados ao descaminhamento sexual) e os exploram pertinazes.
Para a escola psiquiátrica obsessão é um pensamento, ou impulso, persistente ou recorrente, indesejado e aflitivo, e que vem à mente involuntariamente, a despeito de tentativa de ignorá-lo ou de suprimi-lo. Psiquiatras que não admitem nada fora da matéria não podem entender uma causa oculta; mas quando a academia científica tiver saído da rotina materialista, ela reconhecerá na ação do mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivemos, uma força que reage sobre as coisas físicas, tanto quanto sobre as coisas morais. Esse será um novo caminho aberto ao progresso e a chave de uma multidão de fenômenos mal compreendidos do psiquismo humano.
Sob o enfoque espírita, obsessão é a ação persistente que um mau Espírito exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vai de uma simples influência moral sem sinais exteriores sensíveis até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Quanto à subjugação obsessiva(2) representa um constrangimento físico sempre exercido por Espíritos bastante vingativos e que pode ir até à mortificação do livre arbítrio. Ela se limita, muitas vezes, a simples impressões incomodativas, mas resulta, muitas vezes, movimento psicomotores desordenado, atitudes incoerentes, crises, palavras inadequadas ou injuriosas, as quais aquele que dela é alvo tem consciência por vezes de todo o ridículo, mas da qual não pode se defender.
"Esse estado difere essencialmente da loucura patológica, com a qual se confunde erradamente, porque não há nenhuma lesão orgânica; as causas sendo diferente, os meios curativos devem ser outros. Aplicando-lhe o procedimento ordinário das duchas e dos tratamentos corporais, chega-se, muitas vezes, a determinar uma verdadeira loucura, aí onde não havia senão uma causa moral".(3)
Esse desarranjo psicoespiritual deverá ser eliminado do Orbe, no instante em que o lídimo exemplo do amor for experimentado e disseminado em todas as direções, consoante Jesus consubstanciou e vivenciou até a agrura da morte, e prosseguindo desde dos tempos apostólicos até os dias atuais.
O Espiritismo, desvendando a intervenção dos Espíritos endurecidos no mal em nossas vidas, lança luzes sobre questões ainda desconsideradas pelas ciências materialistas como de causa psicopatológica. E, óbvio, não descartando a possibilidade da anomalia psicossomática a Doutrina Espírita faz conhecer outras fontes das misérias humanas, mantidas pela fragilidade moral dos seres.
Reconhecemos que o uso dos fármacos antidepressivos estabelece a harmonia química cerebral, melhorando o humor do paciente, no entanto, agem simplesmente no efeito, uma vez que os medicamentos não curam a obsessão em suas intrínsecas causas; apenas restabelecem o trânsito das mensagens neuroniais, corrigindo o funcionamento neuroquímico do SNC (sistema nervoso central). Sócrates já afirmava "se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem".(4)
Se diante dos nossos fracassos momentâneos costumamos olvidar, sistematicamente a paciência e equilíbrio, a oração e a vigília, então é urgente estabelecer o momento para introspecção, nos arcabouços da mente, a fim de que venhamos fazer em nós mesmos as correções prementes. Nessas situações cotidianas, costumamos entronizar a idéia de obsessão, possessão, subjugação supondo-nos "vítimas"(5) de entidades perseguidoras. A questão, no entanto, não se restringe só a influenciação espiritual dos inimigos que se nos embute na freqüência psíquica, mas, sobretudo, diz respeito a nós próprios.
A obsessão de vários graus se constitui de tratamento de longo curso, por muito delicado e complexo e o resultado ditoso depende da renovação espiritual do paciente, na razão em que desperte para a seriedade da conjuntura aflitiva em que se encontra. Simultaneamente, a solidariedade fraternal, envolvendo ambos enfermos em orações e compaixão, esclarecimentos e estímulos para o futuro saudável, conseguem romper o círculo vigoroso de energias destrutivas, abrindo espaço para a ação benéfica, o intercâmbio de esperança e de libertação.
Muitas vezes procurado pelos obsedados o Cristo penetrava psiquicamente nas causas da sua inquietude, e, usando de autoridade moral, libertava tanto os obsessores quanto os obsidiados, permitindo-lhes o despertar para a vida animada rumo a recuperação e à pacificação da própria consciência. Porém, é muito importante lembrar que Jesus não libertou os obsidiados sem lhes impor a intransferível necessidade de renovação íntima, nem expulsou os perseguidores inconscientes sem fornecer-lhes o endereço de Deus.
Em qualquer processo de ordem obsessiva a parte mais importante do tratamento está reservada ao paciente. Sua fixação em permanecer no desequilíbrio constitui entraves de difícil remoção na terapia do refazimento. A terapia espírita é a do convite ao enfermo para a responsabilidade, convocando-o a uma auto-análise honesta, de modo a que ele possa eliminar em definitivo suas incursões nas voragens dos desvios morais.
Esforcemo-nos, pois, pela vigília constante e orando para que nos libertemos da vergasta das obsessões, no firme propósito de modificação de hábitos e atitudes negativos, ingressando no seio dos valores enobrecedores da vida pela efetiva mudança de comportamento.
Jorge Hessen
FONTES:
1- Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001 e Revista Espírita, fevereiro, março e junho de 1864. A jovem obsedada de Marmande.
2- A subjugação obsessiva, o mais ordinariamente, é individual; mas, quando uma falange de Espíritos maus se abate sobre uma população, ela pode ter um caráter epidêmico. Foi um fenômeno desse gênero que ocorreu ao tempo do Cristo; só uma poderosa superioridade moral podia domar esses seres malfazejos, designados então sob o nome de demônios, e devolver a calma às suas vítimas. [Uma epidemia semelhante castigou por vários anos uma aldeia da Haute-Savoie, conforme relata a Revista Espírita, abril e dezembro de 1862; janeiro, fevereiro, abril e maio de 1863: Os possessos de Morzines]
3- Kardec, Alan. O Que é o Espiritismo, Cap. II, Escolho dos Médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2003.
4- Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão, item XIX, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2001
5- Os chamados obsessores, na maioria das vezes, são de fato nossas vítimas reais do passado.

5 de junho de 2009

MEMBROS DIVINOS

"Ora vós sois corpo do Cristo e seus membros em particular." - Paulo. (I CORÍNTIOS, 12:27.)

Não é admissível que alguém entregue o espírito à direção do Cristo e a veste corporal aos adversários da Luz Divina.
Muitos crentes transviados realizam estações de prazer, nos continentes do crime, e exclamam, inconscientes: "Hoje, meu corpo atende a fatalidades do mundo, mas, amanhã, estarei na igreja com Jesus.
" Outros, depois de confiarem a mocidade à tutela do vício, aguardam a decrepitude, a fim de examinarem os magnos problemas espirituais.
Existem, igualmente, os que flagelam a carne, através de mortificações descabidas, supondo cooperar no aprimoramento da alma, empregando, para isso, tãosomente alguns fenômenos de epiderme.
Todos os aprendizes dessa classe desconhecem que a vida em Cristo é equilíbrio justo, encarnando-lhe os sentimentos e os desígnios, em todas as linhas do serviço terrestre.
Paulo de Tarso assevera que somos os membros do Mestre, "em particular".
Onde estivermos, atendamos ao impositivo de nossas tarefas, convencidos de que nossas mãos substituem as do Celeste Trabalhador, embora em condição precária.
O Senhor age em nós, a favor de nós.
É indiscutível que Jesus pode tudo, mas, para fazer tudo, não prescinde da colaboração do homem que lhe procura as determinações.
Os cooperadores fiéis do Evangelho são o corpo de trabalho em sua obra redentora.
Haja, pois, entre o servo e o orientador legítimo entendimento.
Jesus reclama instrumentos e companheiros.
Quem puder satisfazer ao imperativo sublime, recorde que deve comparecer diante dEle, demonstrando harmonia de vistas e objetivos, em primeiro lugar.

Livro: Vinha de Luz - Emmanuel - Psicografia de Chico Xavier

3 de junho de 2009

ALÉM DA MORTE

Emmanuel

O reino da vida, além da morte, não é domicílio do milagre.
Passa o corpo, em trânsito pra a natureza inferior que lhe atrai os componentes, entretanto, a alma continua na posição evolutiva em que se encontra.
Cada inteligência apenas consegue alcançar a periferia do círculo de valores e imagens dos quais se faz o centro gerador.
Ninguém pode viver em situação que ainda não concebe.
Dentro da nossa capacidade de autoprojeção, erguem-se os nossos limites.
Em suma, cada ser apenas atinge a vida, até onde possa chegar a onda do pensamento que lhe é próprio.
A mente primitivista de um mono, transposto o limiar da morte, continua presa aos interesses da furna que lhe consolidou os hábitos instintivos.
O índio desencarnado dificilmente ultrapassa o âmbito da floresta que lhe acariciou a existência.
Assim também, na vastíssima fauna social das nações, cada criatura dita civilizada, além do sepulcro, circunscreve-se ao círculo das concepções que, mentalmente, pode abranger.
A residência da alma permanece situada no manancial de seu próprios pensamentos.
Estamos naturalmente ligados às nossas criações.
Demoramo-nos onde supomos o centro de nossos interesses.
Facilmente explicável, assim, a continuidade dos nossos hábitos e tendências, além da morte.
A escravidão ou a liberdade residem no imo de nosso próprio ser.
Corre a fonte, sob a emanação de vapores da sua própria corrente.
Vive a árvore rodeada pelos fluidos sutis que ela mesma exterioriza, através das folhas e das resinas que lhe pendem dos galhos e do tronco.
Permanece o charco debaixo da atmosfera pestilencial que ele mesmo alimenta, e brilha o jardim, sob as vagas do perfume que produz.
Assim também a Terra, com o seu corpo ciclópico, arrasta consigo, na infinita paisagem cósmica, o ambiente espiritual de seus filhos.
Atravessado o grande umbral do túmulo, o homem deseducado prossegue reclamando aprimoramento.
A criatura viciada continua exigindo satisfação aos apetites baixos.
O cérebro desvairado, entre indagações descabidas, não foge, de imediato, ao poço de obscuridades em que se submergiu.
E a alma de boa-vontade encontra mil recursos para adiantar-se na senda evolutiva, amparando o próximo e descobrindo na felicidade dos outros a própria felicidade.
Em razão das leis que nos governam a vida, nem sempre o mensageiro que regressa do país da morte procede de planos superiores e nem a mediunidade será sinônimo de sublimação.
Determinadas inteligências desencarnadas se comunicam com determinados instrumentos mediúnicos.
Os habitantes de outras esferas buscam no mundo aqueles com os quais simpatizam e a mente encarnada aceita a visita das entidades com as quais se afina.
A necessidade do Evangelho, portanto, como estatuto de edificação moral dos fenômenos espíritas, é impositivo inadiável. Com a Boa Nova, no mundo abençoado e fértil da nossa Doutrina de luz e amor, possuímos a estrada rela para a nossa romagem de elevação.

Livro “Roteiro”, psicografado por Francisco Cândido Xavier)

1 de junho de 2009

UM CONVITE A MAIS



Ivan de Albuquerque
No momento presente, perante o desacato da Sombra frente aos esforços da Claridade, vimos convidar os amigos de boa vontade, dispostos ao serviço de renovação do planeta, a começar de si mesmos, para:
- Dedicar-se, com entusiasmo, ao imperativo de auto-conhecer-se;- Aproveitar cada hora da lida terrena, para semear no campo das almas uma única semente que seja de fraternidade, de bondade, de amizade;
- Não permitir que se passe cada dia sem uma pausa para aprofundar meditação sobre a vida que esteja levando, sobre o mal que tenha conseguido transformar em bem e a respeito do amor que, aos poucos, esteja implantando n`alma;
- Voltar-se, sem esmorecimento, para o aprimoramento dos valores, dando-lhes sempre maior incremento, o que significa melhorar cada desempenho, seja no que for que conduza à vitória sobre si mesmo, sobre a ignorância que infelicita o mundo;
- Sentir-se sempre estimulado a impulsionar a vida para o alto, sem escandalizar-se com as aberrações em torno, mantendo a alegria de viver em cooperação com o Criador.
Aquele que aceitar esse convite a mais que Jesus Cristo nos formula, guarde a certeza de que estará diminuindo as rudezas do caminho, melhorando os contatos celestes e, assim, candidatando-se a mensageiro de Deus entre os irmãos do mundo.

Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, 24/02/2001, na Fazenda Recreio, em Pedreira-SPJornal Mundo Espírita - 2001- agosto