30 de novembro de 2009

O AMOR DE JESUS


Quantos religiosos - uns, fanáticos, outros porque sofreram verdadeiras "lavagens cerebrais" - vivem a repetir, entusiasmados:
-- Jesus me ama!
-- Jesus te ama!
-- Jesus ama todos nós!

Neste caso, numa raríssima exceção de tais métodos tão perniciosos de crença religiosa, eles estão certos! Absolutamente certos! Certíssimos! No entanto, será que todos eles conhecem a verdadeira dimensão desse maior testemunho de amor fraterno que já ocorreu na nossa história? Vamos conferir?

Jesus
O mais elevado dos Enviados Divinos a este nosso mundo físico, e o único terráqueo que dividiu a nossa história em antes e depois d’Ele, saiu do Seu infinitamente distante mundo celeste e desceu a este nosso primitivo planeta, pagando o heroico preço de séculos de sacrifícios decorrentes da penosa reconstrução dos corpos indispensáveis à Sua encarnação terrestre.
Este sim, foi o sacrifício de Jesus maior e mais longo de todos!
O segundo maior sofrimento de Jesus
Foi, bravamente, suportar conviver trinta e três anos com as vibrações deste nosso plano físico - tão normais e naturais para nós - que, para Ele, um Ser Excelso, eram insuportavelmente pesadas, grosseiras, agressivas e repugnantes.
O terceiro maior sofrimento de Jesus
Foi ter que, continuamente, rechaçar as ininterruptas investidas dos espíritos que ainda estagiavam nas trevas e, a todo custo - porém, obviamente, em vão! - tentavam impedir o sucesso da Maior Missão Divina na Terra.
Mas, justamente ao contrário do que podemos imaginar
Suas menores dores foram as incompreensões, difamações, calúnias e perseguições que Ele sofreu durante Seus três anos de pregações evangélicas, e até mesmo as Suas injustas e infames condenação e crucificação como reles criminoso.
Por que?
Simplesmente porque Ele já sabia que nós éramos assim! Tanto que as Suas últimas palavras, proferidas enquanto agonizava e ainda sofria as terríveis dores da crucificação, foram:
-- Pai, perdoem-lhes porque eles não sabem o que fazem!
Então, precisamos saber
À custa do maior preço pessoal que um enviado divino já pagou para cumprir sua missão na Terra, o que Jesus, há 2.000 anos, veio fazer aqui?
Pessoalmente, Ele veio nos trazer o Evangelho, o mais avançado, simples e claro roteiro tanto para as nossas evolução global e redenção cármica quanto, principalmente, para nossa salvação de milhares de anos de atraso espiritual.
Por que "nossa salvação"?
E que tipo de "salvação"?
Há 2.000 anos Jesus já sabia que - conforme previamente programado por nossos mentores siderais - a atual transição para o terceiro milênio, justamente por ser o final do nosso primeiro ciclo evolutivo, seria um marco decisivo para toda a humanidade terrena.
Por que seria esse marco tão decisivo para nós?
Porque ocorreria o tão mal compreendido "Juízo Final", ou seja, a avaliação individual do nível ético e moral (e não o religioso) de cada terráqueo, quando caberia apenas aos aprovados - ou aos "direitistas" de Jesus, conforme o Novo Testamento da Bíblia - o direito de continuar vivendo na (nova) Terra, e aqui mesmo iniciar o segundo ciclo evolutivo.
E quanto aos reprovados?
Justamente neste particular residia a grande preocupação de Jesus! Por este motivo, Sua Missão foi, principalmente, ensinar-nos a salvação dessa reprovação porque Ele sabia que os reprovados seriam deportados para planeta muito primitivo - tipo "na idade das pedras" - onde repetiriam o primeiro ciclo evolutivo, assim sofrendo milhares de anos de atraso evolutivo!
Além disto
Desde Sua morte terrena, Jesus continua presidindo, no mundo espiritual da Terra, a Sua Missão Divina Maior de Todas, repetindo, em prol tanto da alavancagem do nosso progresso global e da nossa redenção cármica quanto, principalmente, da nossa salvação de tão grande atraso evolutivo!
Mas ainda precisamos entender uma coisa
Tudo bem! A missão espiritual de Jesus foi (e é) a maior de todas! Mas...
-- Por que, há vinte séculos, Ele aceitou imolar-se tanto e durante tanto tempo em benefício de bilhões de pessoas que Ele nem sequer conhecia?
-- Por que, depois de tudo aquilo que nós Lhe fizemos, Jesus continua sendo o nosso Divino Pastor e o Governador Espiritual da Terra?
Resposta
-- Por amor!
-- Por amor incondicional, absoluto e irrestrito a todas as criaturas divinas!
-- Pelo amor maior que a Terra já conheceu!
-- Por um amor tão grande, tão grande, mas tão grande que temos dificuldade de medir, entender e até acreditar!
Sim! É verdade!
-- Jesus me ama!
-- Jesus te ama!
-- Jesus ama todos nós!
Por mais dificuldades que tenhamos para compreender - e até para crer - Jesus ama cada um e todos nós, indistintamente, com o Seu Amor que foi e é o maior dentre todos que já encarnaram na Terra!
Portanto
Aquela entusiasmada afirmação do tão grande, amplo e irrestrito amor de Jesus por todos nós, em vez de ser mais um condenável chavão fanático-religioso, é a mais pura verdade histórica!
Conclusão
Que seres privilegiados nós somos...

29 de novembro de 2009

DIVÓRCIO E LAR



Indubitavelmente o divórcio é compreensível e humano, sempre que o casal se encontre à beira da loucura ou da delinqüência.
Quando alguém se aproxima, reconhecidamente, da segregação no cárcere ou no sanatório especializado em terapias da mente, através de irreflexões com que assinala a própria insegurança, é imperioso se lhe estenda recurso adequado ao reequilíbrio.
Feita a ressalva, e atentos que devemos estar aos princípios de causa e efeito que nos orientam nas engrenagens da vida, é razoável se peça aos cônjuges o máximo esforço para que não venham a interromper os compromissos a que se confiaram no tempo. Para que se atenda a isso é justo anotar que, muitas vezes, o matrimônio, à feição de organismo vivo e atuante, adoece por desídia de uma das partes.
Dois seres, em se unindo no casamento, não estão unicamente chamados ao rendimento possível da família humana e ao progresso das boas obras a que se dediquem, mas também e principalmente - e muito principalmente - ao amparo mútuo.
Considerado o problema na formulação exata, que dizer do homem que, a pretexto de negócio e administração, lutas e questões de natureza superficial, deixasse a mulher sem o apoio afetivo em que se comprometeu com ela ao buscá-la, a fim de que lhe compartilhasse a existência?.
E que pensar da mulher que, sob a desculpa de obrigações religiosas e encargos sociais, votos de amparo a causas públicas e contrariedades da parentela, recusasse o apoio sentimental que deve ao companheiro, desde que se decidiu a partilhar-lhe o caminho?.
Dois corações que se entregam um ao outro, desde que se fundem nas mesmas promessas e realizações recíprocas, passam a responder, de maneira profunda, aos impositivos de causa e efeito, dos quais não podem efetivamente escapar.
Todos sabemos que no equilíbrio emocional, entre os parceiros que se responsabilizam pela organização doméstica, depende invariavelmente a felicidade caseira.
Por isso mesmo, no diálogo a que somos habitualmente impelidos, no intercâmbio com os amigos encarnados na Terra, acerca do relacionamento de que carecemos na sustentação da tranqüilidade de uns para com os outros, divórcio e lar constituem temas que não nos será lícito esquecer.
*
Se te encontras nas ondas pesadas da desarmonia conjugal, evoluindo para o divórcio ou qualquer outra espécie de separação, não menosprezes buscar alguma ilha de silêncio a fim de pensar.
Considera as próprias atitudes e, através de criterioso auto-exame, indague por teu próprio comportamento na área afetiva em que te comprometeste, na garantia da paz e da segurança emotiva da companheira ou do companheiro que elegeste para a jornada humana. E talvez descubras que a causa das perturbações existentes reside em ti mesmo. Feito isso, se trazes a consciência vinculada ao dever, acabarás doando ao coração que espera por teu apoio, a fim de trabalhar e ser feliz, a quota de assistência que se lhe faz naturalmente devida em matéria de alegria e tranqüilidade, amor e compreensão.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Na Era do Espírito.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.

25 de novembro de 2009

DEUS SEJA LOUVADO

No recinto ataviado, aqueles dezenove companheiros da prece conversavam animadamente, embora a noite gélida.
Comentava-se o devotamento de muitos, dos africanos -desencarnados que, não obstante libertos do vaso físico, prosseguem nas mais nobres - tarefas de auxilio.
E, enquanto aguardavam o horário fixado para o início da sessão mediúnica, todas as opiniões mantinham estreita afinidade nos pontos de vista.
- Realmente - afirmava Dona Celeste -, jamais pagarei o que devo a esses heróis anônimos da humildade. Há muitos anos venho recebendo de todos eles os mais amplos testemunhos de amor.
- Lembram-se daquela entidade que se fazia conhecer por "mãe Felícia"? - perguntou Dona Ernestina ao grupo atento. - Desde que ela me administrou passes aos pulmões enfermos, minha recuperação foi completa.
- E o nosso adorável Benedito? - considerou Félix, o fervoroso padeiro que dirigiria o culto da noite - ainda não recorri a ele sem resultado. Em todas as circunstâncias é o mesmo admirável amigo. Abnegado, diligente, sincero.. .
- Eu - aclarava Dona Adélia -, tenho como generoso protetor um ,velho africano que se dá a conhecer por "pai Amâncio". É um modelo de paciência, ternura e bondade. Parece ter trazido da escravidão todo um tesouro de sabedoria e carinho...
- Isso mesmo - ajuntou Fernandes, companheiro atencioso do círculo' -, é indispensável saibamos que muitas dessas entidades, aparentemente apagadas e simples, são grandes almas de escol no progresso da inteligência, que se vestiram de escravos, ao tempo do cativeiro, conquistando a grandeza do coração. Quantos sábios de outrora surgem por trás desses nomes humildes, lavando as nossas mazelas e curando as nossas chagas?
- Sim, sim... - ponderava Ernesto, caloroso defensor da caridade na pequena assembléia - e, sobretudo, devemos aprender com eles a ciência do amor desinteressado e puro. Nunca os vi desesperar à frente de nossos petitórios incessantes... Como lhes negar a nossa admiração e respeito Incondicionais?
A conversa prosseguia, no mesmo tom, até que as oito pancadas do relógio fizeram que Félix convocasse o pessoal ao silêncio e à oração.
Os dezenove amigos consagraram-se a alguns minutos de leitura e comentário de precioso livro evangelizante e, em seguida, Dona Amália, a médium mais experiente da equipe, albergou o irmão Benedito, denodado benfeitor do agrupamento, que, ao se apresentar, foi logo interpelado de maneiras diversas pelos circunstantes.
Dona Celeste rogou-lhe amparo em favor de um mano desempregado, Dona Adélia pediu ajuda para a solução de velha pendência que lhe levara o nome a um tribunal, Ernesto solicitou concurso para deteminado tio, portador de úlcera gástrica... .
E não houve quem não formulasse requisições e perguntas.
O velho africano respondeu a todos com invariável benevolência e, afinal, encerrando a reunião, falou, emocionado, pela médium:
- Meus amigos, há longos anos estamos juntos...
Para nós, os irmãos desencarnados, esse largo convívio tem sido uma bênção...
Hoje, invocamos nossa amizade para suplicar-lhes sublime favor...
Com muita alegria, sentimo-nos ainda felizes escravos de vocês todos... Em todos vocês, encontramos filhos do coração cujas dificuldades e dores nos pertencem... Ah! meus filhos, mas, em verdade, temos também nossos descendentes na Terra! Nossos rebentos, nossos netos... Quantos deles vagueiam sem rumo! Quantos suspiram pela graça do alfabeto! Quantos se perdem nos morros de sofrimento ou nos vales de treva, entre a ignorância e a miséria, a enfermidade e a viciação! Não seria melhor fossem eles cativos nas senzalas do trabalho que prisioneiros nos charcos do crime?
É por isso que vimos rogar a vocês caridade para eles.. .
São milhares de criancinhas abandonadas, assim como folhas de arvoredo no vendaval!...
Peço-lhes, de joelhos, para que venhamos a iniciar uma cruzada de amor, na solução de problema assim tão grave...
Se cada um de nossos amigos abrigar um só de nossos pequeninos, na intimidade do templo doméstico, ofertando-lhes o nível de experiência em que sustentam a própria família, decerto que, em pouco tempo, teremos resolvido o enigma doloroso...
Não lhes rogo a fundação de abrigos para meninos de pele escura. .. Isso seria alimentar a discórdia de raça e dilatar a separação. Suplico-lhes um pedaço de lar para eles, um pouco de carinho que nasça, puro, do coração.
Se vocês iniciarem semelhante trabalho, o bom exemplo estará vicejando e produzindo frutos de educação e luz na prática fraterna...
O amigo espiritual entregou-se a longa pausa, como quem observava o efeito de suas palavras; entretanto, como ninguém rompesse a quietude, insistiu, generoso: - Quem de vocês desejará começar?
Constrangidos, assim, à resposta direta todos os companheiros se revelaram entre a evasiva e a negação.
Dona Celeste alegou a condição de esposa sacrificada por marido exigente.
Dona Ernestina acusou-se velha demais para ser útil numa iniciativa de tão elevado alcance.
Dona Josefa explicou que tinha a existência presa aos caprichos de uma filha que lhe não concedia o menor prazer.
Ernesto clamou que o tempo lhe fugia em carreira desabalada. . .
Ninguém poderia corresponder favoravelmente à petição. .
Estavam todos doentes, fatigados, velhos, sacrificados ou sem horário suficiente para a lavoura do bem.
E o próprio Félix, a quem cabia o governo da casa, explicou em voz sumida:
- Quem sou eu, pequenino e miserável servo do Senhor, para encetar um empreendimento assim tão grande?
Foi então que o benfeitor espiritual, sentindo talvez o frio ambiente, encerrou o assunto, dizendo, resignado:
- Benedito compreende, meus irmãos! Sabemos que vocês nos ajudarão, quanto seja possível..
Até a semana próxima, quando estaremos novamente aqui, aprendendo com vocês as lições do Evangelho de Nosso Senhor...
E, sorrindo desapontado, despediu-se afirmando como sempre:
- Que Deus seja louvado!

Livro- Contos e Apólogos - Psicografia Francisco Cândido Xavier - Espírito Irmão X

22 de novembro de 2009

NO CORREIO FRATERNO

Meu amigo, diz você, em vernáculo precioso, que a crença nos Espíritos desencarnados é característico de miséria intelectual.
Em sua conceituação de garimpeiro da retórica, os problemas do Espiritualismo contemporâneo se resumem a uma exploração de baixa estirpe, alimentada por uma chusma de idiotas, nos quais o sofrimento ou a ignorância galvanizaram o complexo da fé inconsciente.
Com a maior sem-cerimônia deste mundo, assevera você que a convicção dos espiritistas de hoje é uma peste mental, surgida com Allan Kardec, no século passado, e acentua que o pensamento aristocrático da antiguidade jamais cogitou de semelhante movimentação idealística.
O seu noviciado no assunto é claro em demasia para que nos disponhamos a minuciosa escarificação do pretérito.
Se puder escutar-nos, no entanto, por alguns momentos, não nos meta a ridículo se lembrarmos que a idéia da imortalidade nasceu com a própria razão no cérebro humano.
Não sei se você já leu a história do Egito, mas, ainda mesmo sem a vocação de um Champollion, poderá informar-se de que, há milênios, a nobreza faraônica admitia, sem restrições, a sobrevivência dos mortos, que seriam julgados por um tribunal presidido por Osíris, dentro do mais elevado padrão de justiça.
Os grandes condutores hindus, há muitos séculos, chegavam a dividir o Céu em diversos andares e o Inferno em vários departamentos, segundo as Leis de Manu.
Os chineses, não menos atentos para com a suprema questão, declaravam que os mortos eram recebidos, além do túmulo, nos lugares agradáveis ou atormentados que haviam feito por merecer.
Os romanos viviam em torno dos oráculos e dos feiticeiros, consultando as vazes daqueles que haviam atravessado o leito escuro do rio da morte.
Narra Suetônio que o assassínio de Júlio César foi revelado em sonhos.
Nero, Calígula e Cômodo eram obsidiados célebres, perseguidos por fantasmas.
Marco Aurélio sente-se inspirado por entidades superiores, legando suas reflexões à posteridade.
Na Grécia, os gênios da Filosofia e da Ciência formulam perguntas aos mortos, no recinto dos santuários.
Tales ensina que o mundo é povoado por anjos e demônios.
Sócrates era acompanhado, de perto, por um Espírito-guia, a ditar-lhe conselhos pertinentes à missão que lhe cabia desempenhar.
Na Pérsia, o zoroastrismo acende a crença na lei de retribuição, depois do sepulcro, sob a liderança de Ormuzd e Arimã, os doadores do bem e do mal.
Em todos os círculos da cultura antiga e moderna, sentimos o sulco marcante da espiritualidade na evolução terrestre.
Acima de todas as referências, porém, invocamos o Evangelho, em cuja sublime autoridade você se baseia para menosprezar a verdade.
O Novo Testamento é manancial de Espiritismo divino.
O nascimento de Jesus é anunciado, por vias mediúnicas, não só à pureza de Maria, mas à preocupação de José e à esperança de Isabel, Ana e Simeão.
Em todos os ângulos da passagem do Mestre, há fenômenos de transubstanciação da matéria, de clariaudiência, de clarividência, de materialização, de cura, de incorporação, de levitação e de glória espiritual.
Em Caná, transforma-se a água em vinho; junto à corrente do Jordão, fazem-se ouvir as vazes diretas do Céu; no Tabor, corporificam-se Espíritos sublimados; em lugares diversos, entidades das trevas apossam-se de médiuns infelizes, entrando em contacto com o Senhor; no lago, o Cristo caminha sobre a massa líquida e, depois do Calvário, surge o Amigo Celeste, diante dos companheiros tomados de assombro, demonstrando a ressurreição individual, além da morte...
Tudo isto é realidade histórica, insofismável, mas você afirma que para crer em Espíritos será necessário trazer complicações na cabeça e chagas na pele.
Não serei eu, “homem-morto” há dezesseis anos, quem terá a coragem de contradizê-lo.
Naturalmente, se este correio de fraternidade chegar às suas mãos, um sorriso cor-de-rosa aparecerá triunfante em suas bochechas felizes; mas não se glorie, excessivamente, na madureza adornada de saúde e dinheiro, porque embora eu deseje a você uma existência no corpo de carne, tão longa quanto a de Matusalém, é provável que você venha para cá, em breves dias, ensaiando o sorriso amarelo do desencanto.

Do livro Pontos e Contos. Pelo Espírito Irmão X. - Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

20 de novembro de 2009

VELÓRIOS


Diante do corpo de alguém que demandou a Pátria Espiritual, examina o próprio comportamento, a fim de que não te faças pernicioso, nem resvales pelas frivolidades, que nesse instante devem ser esquecidas.
O velório é um ato de fraternidade e de afeição aos recém-desencarnados, embora continuem vinculados aos despojos, não poucas vezes, em graves perturbações.
Imantados à organização somática, da qual são expulsos pelo impositivo da morte, que os surpreende com o "milagre da vida", não obstante em outra dimensão, desesperam‑se, experimentando asfixia e desassossegos de difícil classificação, acompanhando o acontecimento, em crescente inquietude.
Raras pessoas estão preparadas para entender o fenômeno da morte, ou possuem suficientes recursos de elevação moral a fim de serem trasladados do local mortuário, de modo a serem certificadas do ocorrido em circunstâncias favoráveis, benignas...
No mais das vezes, atropelam-se com outros desencarnados, interrogam os amigos que lhes vêm trazer o testemunho último aos despojos carnais, caindo, quase sempre, em demorado hebetamento ou terrível alucinação...
Em tais circunstâncias medita a posição que desfrutas nos quadros da vida orgânica, considerando a inadiável imposição do teu regresso à Espiritualidade.
Se desejas ajudar ao amigo em trânsito, cujo corpo velas, ora por ele.
No silêncio a que te recolhes, evoca os acontecimentos felizes a que ele se encontra vinculado, os gestos de nobreza que o caracterizaram, as renúncias que se impôs e os sacrifícios a que se submeteu... Recorda-o lutando e renovando-se.
Não o lamentes, arrolando os insucessos que o martirizaram, as aflições em rebeldia que experimentou.
O choro do desespero como as observações malévolas, as imprecações quanto as blasfêmias ferem-nos à semelhança de ácido derramado em chagas abertas.
De forma alguma registes mágoas ou desaires entre ti e ele, os vínculos da ira ou as cicatrizes do ódio ainda remanescentes.
Possivelmente ele te ouvirá as vibrações mentais, sem compreender o que se passa, ou sofrerá a constrição das tuas memórias que acionarão desconhecidas forças na sua memória que, então, sintonizará contigo, fazendo que as paisagens lembradas o dulcifiquem - se são reminiscências felizes - ou o requeimem interiormente - se são amargas ou cruéis - fomentando estados íntimos que se adicionarão ao que já experimentam...
A frivolidade de muitos homens tem transformado os velórios em lugares de azedas recriminações ao desencarnado, recinto de conversas malsãs, cenáculo de anedotário vinagroso e picante, sala de maledicências insidiosas ou agrupamento para regabofes, onde o respeito, a educação, a consideração à dor alheia, quase sempre batem em retirada...
E não pode haver uma dor tão grande na Terra, quanto a que experimenta alguém que se despede de outrem, amado, pela desencarnação.
Sem embargo, o desencarnado vive.
Ajuda-o nesse transe grave, que defrontarás também, quando, quiçá esse por quem oras hoje, seja as duas mãos da cordialidade que te receberão no além ao iniciares, por tua vez, a vida nova...
Unge-te, pois, de piedade fraternal nas vigílias mortuárias, e comporta-te da forma como gostarias que procedessem para contigo nas mesmas circunstâncias.

Joanna de Angelis
(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco).
Revista O Semeador – Abril de 1981

18 de novembro de 2009

A POSSESSÃO, SEGUNDO KARDEC

“Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz; o homem precisa habituar-se a ela pouco a pouco, do contrário fica deslumbrado.
(Allan Kardec)

Há possessos ? Existe a possibilidade de dois Espíritos coabitarem num mesmo corpo ?
O mergulho cronológico nas obras da Doutrina Espírita, nos leva ao seu berço, “O Livro dos Espíritos”: (1)

1857
Perg.473–Pode um Espírito tomar temporariamente o invólucro corporal de uma pessoa viva, isto é introduzir-se num corpo animado e obrar em lugar do outro que se acha encarnado nesse corpo ?
O Espírito não entra em um corpo como entrais numa casa. Identifica-se com um Espírito encarnado, cujos defeitos e qualidades sejam os mesmos que os seus, a fim de obrar conjuntamente com ele. Mas, o encarnado é sempre quem atua, conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido. Um Espírito não pode substituir-se ao que está encarnado, por isso que este terá que permanecer ligado ao seu corpo até ao termo fixado para sua existência material.
Kardec, retira suas conclusões, prepara e formula a pergunta seguinte, e os Espíritos respondem: (1)
Perg. 474_ Desde que não há possessão propriamente dita, isto é coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma ficar na dependência de outro Espírito, de modo a se achar subjugada ou obsidiada ao ponto de sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada ?
Sem dúvida e são esses os verdadeiros possessos. Mas é preciso saibais que essa denominação não se efetua nunca sem que aquele que sofre o consinta, que por sua fraqueza, quer por deseja-la. Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos.
Os Espíritos aí, fazem uma nítida distinção entre os verdadeiros e os falsos possessos.
Os verdadeiros são os subjugados até ao ponto de sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada; os falsos são os que não correspondem aos casos de obsessão, necessitando tratamento médico.
Comenta ainda Kardec, após a resposta dos Espíritos:
O termo possesso só se deve admitir como exprimindo a dependência absoluta em que uma alma pode achar-se a Espíritos imperfeitos que a subjuguem.

1858
Se havia alguma dúvida sobre a opinião do Codificador até aquele momento, ele a desfaz no texto da Revista Espírita, por ele dirigida: (2)
Antigamente dava-se o nome de possessão ao império exercido pelos maus Espíritos, quando sua influência ia até a aberração das faculdades. Mas a ignorância e os preconceitos, muitas vezes, tomaram como possessão, aquilo que não passava de um estado patológico. Para nós, a possessão seria sinônimo de subjugação. Não adotamos esse termo (...) porque ele implica igualmente a idéia de tomada de posse do corpo pelo Espírito estranho, uma espécie de coabitação ao passo que existe apenas uma ligação. O vocábulo subjugação da uma idéia perfeita. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar da palavra; há simplesmente obsedados, subjugados e fascinados.
Fica bastante claro que, para ele, até aqui, não existia possessão.

1861
O texto acima é parecido com o exarado no “O Livro dos Médiuns” (3), com uma diferença significativa no parágrafo, qual seja, a troca da palavra “ligação”, por “constrangimento”.

1862
Momentaneamente, temos a impressão de que estariam respondidas, as indagações formuladas na inicial, mas, apesar dessas considerações, o termo possessão reaparece na Revista Espírita: (4)
Ninguém ignora que quando o Cristo, nosso muito amado mestre, encarnou-se na Judéia, sob os traços do carpinteiro Jesus, aquela região havia sido invadida por legiões de maus Espíritos que, pela possessão, como hoje, se apoderavam das classes sociais mais ignorantes, dos Espíritos encarnados mais fracos e menos adiantados (...) é preciso lembrar que os cientistas, os médicos do século de Augusto, trataram, conforme os processos hipocráticos, os infelizes possessos da Palestina e que toda sua ciência esbarrou ante esse poder desconhecido. (Erasto)
Na mesma revista e no mesmo ano, (5) Kardec, nos “Estudos sobre os Possessos de Morzine”, acrescenta a seguinte consideração:
O paroxismo da subjugação é geralmente chamado de possessão.

1863
A retomada do termo, tinha uma razão, e Kardec é bem incisivo na sua opinião na Revista Espírita, sobre os mesmos Possessos de Morzine, que certamente o impressionaram e influíram na mudança de sua conceituação sobre possessão, e valeram doze citações no índice remissivo da Revista Espírita ( 1862, 63, 64, 65 e 68), além de outros estudos, na mesma revista, como, por exemplo, quando analisa “Um Caso de Possessão”. (6) (7) Senão vejamos:
Temos dito que não havia possessos, no sentido vulgar do vocábulo, mas subjugados. Voltamos a esta asserção absoluta, porque agora nos é demostrado, que pode haver verdadeira possessão, isto é, substituição, posto que parcial, de um Espírito errante a um encarnado.(...) Não vendo senão o efeito, e não remontando à causa, eis porque todos os obsedados, subjugados e possessos passam por loucos (...). Eis um primeiro fato, que o prova, e apresenta o fenômeno em toda a sua simplicidade.(...)
(O Sr. Charles) Declarou que, querendo conversar com seu velho amigo, aproveitava o momento em que o Espírito da Sra. A..., a sonâmbula, estava afastado do corpo, para tomar-lhe o lugar. (....). Eis algumas de suas respostas.
- Já que tomastes posse do corpo da Sra.A... poderieis nele ficar ?
- Não; mas vontade não me falta.
-Por que não podeis ?
-Porque seu Espírito está sempre ligado ao seu corpo. Ah! Se eu pudesse romper esse laço eu pregaria uma peça.
- Que faz durante este tempo o Espírito da Sra. A....
- Está aqui ao meu lado; olha-me e ri, vendo-me em suas vestes.
O Sr. Charles(...) era pouco adiantado como Espírito, mas naturalmente bom e benevolente. Apoderando-se do corpo da Sra. A... não tinha qualquer intenção má; assim aquela Sra. nada sofria com a situação, a que se prestava de boa vontade.
Aqui a possessão é evidente e ressalta ainda melhor dos detalhes, que seria longo  enumerar. Mas é uma possessão inocente e sem inconvenientes.
Na mesma página, no entanto, Kardec descreve um caso de possessão da Sra. Júlia, agora dirigida por um Espírito malévolo e mal intencionado.
Há cerca de seis meses tornou-se presa de crises de um caráter estranho, que sempre corriam no estado sonambúlico, que, de certo modo, se tornara seu estado normal. Torcia-se, rolava pelo chão, como se se debatesse, em luta com alguém que a quisesse estrangular e, com efeito, apresentava todos os sintomas de estrangulamento.
Acabava vencendo esse ser fantástico, tomava-o pelos cabelos, derrubava-o a supapos, com injúrias e imprecacões, apostrofando-o incessantemente com o nome de Fredegunda, infame regente, rainha impúdica, criatura vil e manchada por todos os crimes, etc. Pisoteava como se acalcasse aos pés com raiva, arrancando-lhe as vestes. Coisa bizarra, tomando-se ela própria por Fredegunda, dando em si própria redobrados golpes nos braços, no peito, no rosto, dizendo: “Toma! Toma! É bastante, infame Fredegunda? Queres me sufocar, mas não o conseguirás; queres meter-se em minha caixa, mas eu te expulsarei.” Minha caixa era o termo que se servia para designar o próprio corpo.(...)
Um dia para livrar-se de sua adversária, tomou de uma faca e vibrou contra si mesma, mas foi socorrida a tempo de evitar-se um acidente.
Vemos aí, a luta de dois Espíritos pelo mesmo corpo.
Este Espírito, Fredegunda, foi posteriormente evocado em sessões mediúnicas e convertido ao bem. (8)
Mas, voltando aos Possessos de Morzine, (9) diz Kardec referindo-se ao perispírito:
Pela natureza fluídica e expansiva do perispírito, o Espírito atinge o indivíduo sobre o qual quer agir, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza.(...) Como se vê, isto é inteiramente independente da faculdade mediúnica (...)
Estes últimos, sobretudo (os possessos do tempo de Cristo), apresentam notável analogia com os de Morzine.
Na mesma revista e no mesmo ano, selecionamos e pinçamos, para dimensionarmos a extensão daquela possessão coletiva: (10)
Os primeiros casos da epidemia de Morzine se declararam em março de 1857(...) e em 1861 atingiram o máximo de 120. (...)
(...) o caráter dominante destes momentos terríveis é o ódio a Deus e a tudo quanto a ele se refere.

1864
Ainda sobre a possessão da Sra. Júlia(12), refere-se Kardec na Rev. Espírita, (11):
No artigo anterior (1863) descrevemos a triste situação dessa moça e as circunstâncias que provavam uma verdadeira possessão.
O grau de intensidade das possessões e sua reatividade a tentativa de exorcização, vai bem descrita na Revista Espírita: (12)
“ Desde que o bispo pisou em terras de Morzine”, diz uma testemunha ocular, “sentindo que ele se aproximava, os possessos foram tomados de convulsões as mais violentas; e, (...) soltavam gritos e urros, que nada tinham de humano. (...)
As possessas, cerca de setenta, com um único rapaz, juravam, rugiam, saltavam em todos os sentidos. (...) A última resistiu a todos os esforços; vencido de fadiga e de emoção, ele (o bispo) teve que renunciar a lhe impor as mãos; saiu da igreja trêmulo, desequilibrado, as pernas cheias de contusões recebidas das possessas, enquanto estas se agitavam sob suas benções.” (...)
Encontramos no “Evangelho, Segundo o Espiritismo,(13) a seguinte referência sobre possessão e reforma íntima:
(...) para isenta-lo da obsessão, é preciso fortificar a alma, pelo que necessário se torna que o obsidiado trabalhe pela sua própria melhoria, o que as mais das vezes basta para se livrar do obsessor, sem recorrer a terceiros. O auxílio destes se faz indispensável, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque aí não raro o paciente perde a vontade e o livre arbítrio.
No mesmo livro, (14), há considerações sobre as causas da possessão:
O Espírito mau, espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições.
Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão.

1867
Ainda na Revista Espírita, (15) encontramos informações de como é esta perda do livre arbítrio e como impedi-la:
Objetar-me-eis, talvez, que nos casos de obsessão, de possessão, o aniquilamento do livre arbítrio parece ser completo. Haveria muito a dizer sobre esta questão porque a ação aniquiladora se faz mais sobre as forças vitais materiais do que sobre o Espírito, que pode achar-se paralisado, dominado e impotente para resistir, mas cujo pensamento jamais é aniquilado, como foi possível constatar em muitas ocasiões.(...)
Procedeis em relação aos Espíritos obsessores ou inferiores que desejais moralizar (...)algumas vezes conscientemente, quando estabeleceis, em torno deles uma toalha fluídica, que eles não podem penetrar sem vossa permissão, e agis sobre eles pela força moral, que não é outra coisa senão uma ação magnética quintessenciada.

1868
Na “A Gênese”, (16) Kardec disserta sobre domicílio Espiritual, típico caso de coabitação, ou como agora quer Hermínio Miranda, “condomínio espiritual, com síndico e convenção.”
Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado, tomando-lhe o corpo por domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado por seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção.
De posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito serve-se dele como se seu próprio fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus braços conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala transmitindo pensamento de um desencarnado; no caso da possessão é mesmo o último que fala e obra (...)
Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado.
Quando é mau o Espírito possessor, (...) ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o (...)
Seguindo ainda, no mesmo livro:
Parece que ao tempo de Jesus, eram em grande número, na Judéia, os obsidiados e os possessos (...) Sem dúvida, os Espíritos maus haviam invadido aquele país e causado uma epidemia de possessões. (17)
Com as curas, as libertações do possessos figuram entre os mais numerosos atos de Jesus.(...) “Se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é que o reino de Deus veio até vós.” (S. Mateus, cap. XII, 22 e 23) (18)
Deduzimos com base no exposto que, para que exista possessão, é preciso que o Espírito obsessor identifique-se com o Espírito encarnado; aquele, atinge o indivíduo sobre o qual quer agir, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza; o aniquilamento do livre arbítrio, parece ser completo, porque a ação aniquiladora se faz mais sobre as forças vitais materiais do que sobre o Espírito, que pode achar-se paralisado, dominado e impotente para resistir, mas cujo pensamento jamais é aniquilado, pois o encarnado é que atua conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido e portanto aquela dominação não se efetua nunca sem que aquele que a sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por deseja-la; em vez de agir exteriormente ao Espírito encarnado, toma-lhe o corpo por domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado por seu dono, pois isso só se pode dar pela morte, por isso, a possessão é sempre momentânea, temporária e intermitente. Para se libertar da possessão, é preciso fortificar a alma, pelo que necessário se torna que o obsediado trabalhe para sua própria melhoria, estabelecendo em torno de si, uma toalha fluídica, que eles não possam penetrar sem sua permissão, agindo sobre eles pela força moral, por uma ação magnética quintessenciada. Na possessão isto só é possível, com a ajuda indispensável de terceiros.
Portanto, respondendo às indagações iniciais deste trabalho, podemos dizer que Kardec, analisou todas as facetas e prismas da possessão e concluiu que; existe possessão e também coabitação.
Uma obra, como a da Codificação Espírita, é indivisível e portanto deve ser analisada como um todo, jamais devendo ser fragmentada ou dividida, na análise de seu conteúdo; existem vários temas, nas obras básicas (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo O Espiritismo, A Gênese, O Céu e o Inferno) e na Revista Espírita, em que as verdades foram estudadas à luz dos conhecimentos adquiridos no dia a dia e suas opiniões, às vezes alteradas, sem que correspondessem a uma mudança de idéia, mas sim, a uma evolução de verdade em verdade, degrau a degrau na escada ascensional do conhecimento, como convém a um cientista sábio, astuto, inteligente, honesto e antes de tudo, humilde, coisa rara, aliás.
A fé raciocinada sobre a égide desta humildade, aconselhada e praticada pelo mestre lionês, levou-o na busca incessante da verdade, que sempre caracterizou suas ações, a correta elucidação conceptual de possessão, incitando-nos também a libertarmo-nos de duas outras; a dos dogmas e a do fanatismo.
Tenhamos igual têmpera e nos deixemos contaminar pela sua lição e pelo seu exemplo; a lição inclina, o exemplo arrasta.

BIBLIOGRAFIA
(1) KARDEC, Allan . O Livro dos Espíritos, ed. FEB, 1987, perg. 473, pg. 250.
(2) Revista Espírita , 1858, pg. 278.
(3) KARDEC, Allan . O Livro dos Médiuns, ed. FEB, 1982 , item 240, pg. 300.
(4) Revista Espírita, 1862, pg. 109.
(5) Idem , 1862, pg. 359
(6) Idem , 1863, pg. 373.
(7) KARDEC, Allan . Obsessão, ed. “O Clarim”, 1993, pg. 225.
(8) Idem , pg. 229.
(9) Revista Espírita, 1863 pg. 01.
(10) Idem, 1863, pg. 103.
(11) Idem, 1864, pg. 11.
(12) Idem, 1864, pg.225.
(13) KARDEC, Allan . O Evangelho Segundo o Espiritismo, ed. FEB, 1995, pg. 432.
(14) Idem, pg. 171.
(15) Revista Espírita, 1867, pg. 192.
(16) KARDEC, Allan . A Gênese, ed. FEB, 1980, pg. 306.
(17) Idem, pg. 330.
(18) Idem, pg. 329.

15 de novembro de 2009

DIÁRIO DE UM MÉDIUM


Quando, por solicitação de amigos, penetramos o quarto de Alfredo Lúcio, para acudi-lo no processo de desencarnação, o diário que o tempo amarelecera estava aberto e podíamos ler, em trechos curtos, a história de sua experiência.

22 de Outubro – Nesta noite inesquecível de 22 de Outubro de 1928, faço. minha profissão de fé. Acompanhei reunião íntima no “Centro Espírita Vicente de Paulo”, na rua Tavares Guerra, 74, aqui no Rio, e pude ouvir a palavra de minha mãe que eu supunha morta. Ela mesma. Falava-me pelo médium, como se estivéssemos em nossa casa do Méier. Chorei muito. Estou transformado. Sou agora espírita. Peço a Deus me abençoe os votos solenes de trabalhar pela grande causa.

23 de Outubro – Tentei a mediunidade escrevente e consegui. Maravilhoso! A idéia me escorria da cabeça com a mesma rapidez com que a frase escrita me saía da mão. Recebi confortadora mensagem assinada por D. Amélia Hartley Antunes Maciel, a Baronesa de Três Serros, que foi companheira de infância de minha mãe. Aconselhou-me a aperfeiçoar a mediunidade, a fim de cooperar na evangelização do povo. Sim, sim, obedecerei...

24 de Outubro – Procurei o confrade Rr. Augusto Ramos, da Diretoria do "Vicente de Paulo”, na Ponta do Caju, e falei-lhe de meus planos. Encorajou-me. Foi para mim valioso entendimento espiritual. Quero servir, servir.

25 de Outubro – Congreguei vários irmãos no “Centro”, em animada conversação sobre os desastres morais. A imprensa está repleta de casos tristes. Suicídios, homicídios.
Comentamos o imperativo da mediunidade apostólica. E é muito sofrimento nascido da ignorância! Deus de Bondade Infinita, darei minha vida pelo esclarecimento dos meus irmãos em Humanidade!...

26 de Outubro – Avistei-me hoje com o Rr. Leopoldo, Cirne e sua estimada Esposa, na residência deles próprios. Foram amigos de D. Amélia. Oramos. A baronesa comunicou-se, exortando-me ao cumprimento do dever. Convidou-me a estudos sérios. O Sr. Cirne falou-me, bondoso, quanto à necessidade do discernimento.

27 de Outubro – Continuo a trabalhar ativamente na psicografia...

10 de Novembro – O presidente de nossa casa espírita ponderou comigo que é importante não acelerar o desenvolvimento mediúnico. Entretanto, não concordei. A ignorância e a dor esperam por mensagens do Alto. Nas últimas seis noites, recebi páginas e páginas do Espírito que se deu a conhecer como sendo Filon, de Atenas, desencarnado na Grécia antiga. Disse-me que tenho grande missão a cumprir...

2 de Dezembro – É tanta gente a falar-me sobre estudo, que deixei de freqüentar o “Centro”... Preciso trabalhar, trabalhar. Filon está escrevendo quatro horas diàriamente, por meu intermédio. Está preparando dois livros, através de minhas faculdades. Sim, ele tem razão. O mundo espera, ansioso, a evidência do Plano Espiritual!

1 de Janeiro – Entrei no Ano Novo psicografando...

29 de Janeiro – Apresentei ao Sr. Leopoldo Cirne os frutos de meu trabalho. Dois livros assinados pelo Espírito de Filon. Um romance e um manual de meditações evangélicas. O Sr. Cirne pediu-me procurá-lo na semana próxima.

5 de Fevereiro – Grande decepção! O Sr. Leopoldo Cirne falou-me francamente. Admite que eu esteja ludibriado. Reconhece as minhas qualidades mediúnicas, mas pede que eu estude, afirmando que os livros de Filou são fracos. Acha que é cedo para eu pensar em publicação de livros, que devo amadurecer em conhecimento e experiência para colaborar seriamente com os bons Espíritos. Despedi-me, desapontardo...

6 de Fevereiro – Procurei o Dr. Guillon Ribeiro, da Federação Espírita Brasileira, que me recebeu, cortês, em sua própria casa. Entreguei-lhe os meus originais mediúnicos, rogando opinião.

20 de Fevereiro – Voltei ao Dr. Guillon Ribeiro. Devolveu-me as mensagens, referindo-se, paternal, ao perigo das mistificações e à necessidade de critério, na apresentação de qualquer assunto espírita. Declarou que tenho promissora mediunidade, embora ainda muito verde, e asseverou que devo preparar-me à frente do futuro. Um rapaz, que se achava junto dele, falou em obsessão. Informou que um médium pode ser atacado, sem perceber, pela influência de Espíritos inferiores, assim como planta suscetível de ser assaltada por pragas silenciosas. Compreendi claramente que o moço me considerava obsidiado. Uma ofensa! Saí revoltado.
Começo a desiludir-me...

4 de Abril – Estou desolado. Ouvi hoje o Dr. Ignácio Bittencourt, pela quarta vez numa semana. Já tenho quatro novos livros do Espírito de Filon, mas o Sr. Bittencourt, que os leu, está do “contra”. Recomendou-me estudo. Deu-me conselhos. Parece que o homenzinho quer entrar em minha vida. Falou-me em reforma íntima, como se eu fosse um criminoso em regeneração...

6 de Abril – Conversei com D. Retília, médium experiente, em casa de D. Francisca de Souza, depois de reunião familiar. Parece que ela me viu na conta de uma pessoa irresponsável, pois ofereceu-me longa lista de instruções, explicando que preciso reajustar-me.
E falou também na necessidade do estudo...

8 de Abril – Não agüento. Qualquer espírita que me encontra, ao invés de ajudar-me, só me fala em estudo e discernimento, em discernimento e estudo... Serei alguma criança? Arre com tanta ponderação!... Se mediunidade é serviço em que devamos atender as exigências de todo mundo, não nasci para ser cachorro de ninguém! Todos os espíritas se julgam com direito de me advertir e reprovar!... Sou um homem sensível... Não posso mais!...
Via-se que o livro de notas fora abandonado por muitos anos. Entretanto, logo em seguida aos apontamentos mencionados, estava escrito em tinta fresca :

6 de Setembro de 1959 – O amado Jesus, quero abraçar agora a luz da mediunidade de que desertei, há mais de trinta anos! Quero cumprir a minha tarefa, Senhor! Perdoa-me o tempo perdido. Dá-me algum, tempo mais!... Preciso de mais tempo, Mestre! Socorre-me! Levanta-me as forças! Prometo servir à verdade durante o resto de minha vida!...
Mas o veiculo orgânico de Alfredo Lúcio não conseguira esperar pela concessão, pois finda a nossa rápida leitura, mal tivemos tempo para ajudá-lo a sair do corpo, cujos olhos congestos se fecharam pesadamente para o sono da morte
 
Irmão X
Livro: Contos deste e doutra vida

7 de novembro de 2009

A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO


“Se existem mundos melhores do que este, por que vivemos aqui: Deus tem os seus privilegiados, que vivem em mundos melhores?”
O senhor está encarando o problema dentro de uma concepção estreitamente humana, que respeita, inclusive, o condicionamento social em que nós vivemos. Não. Deus não é um chefe político. Deus não é um administrador de empresas, que possa ter os seus privilegiados. Deus é a suprema inteligência do Universo, causa primária de todas as coisas. Ele é o Criador. Ele impulsiona na sua criação o desenvolvimento de todas as criaturas num mesmo e único sentido.
Nós todos temos de evoluir, de progredir. Mas se aqui estamos na Terra e outras criaturas habitam mundos superiores, é porque ainda não atingimos, na nossa evolução, a condição necessária para habitar esses mundos mais elevados. A vida é uma ascensão contínua. Bastaria isso para nos mostrar a sua grandeza e a grandeza do poder de Deus. Nós subimos, desde os planos inferiores da criação, através da evolução, e quando chegamos ao homem nós partimos para o mundo superior, o que no Espiritismo chamamos de angelitude, quer dizer, o plano dos anjos.
Os anjos não são mais do que homens evoluídos. São Espíritos humanos depurados, aperfeiçoados, que se desprenderam dos planos inferiores da criação e conseguiram desenvolver as suas potencialidades internas, a sua inteligência, a sua afetividade, a sua vontade, num plano extremamente superior, extremamente elevado.
As religiões os chamam de anjos, mas para nós, espíritas, esses anjos são os Espíritos puros, que já desenvolveram os seus mais elevados sentimentos. Na proporção em que os Espíritos se elevam, eles passam a habitar mundos superiores. Mas ninguém está privado de habitar esses mundos. Todos caminhamos para lá.

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“Por que temos que renascer neste mundo? Não progrediremos melhor nos planos espirituais onde, segundo o Espiritismo, tudo é melhor?”
A evolução é um progresso contínuo. Nós temos que conceber o problema não apenas através da nossa concepção humana das coisas. Precisamos ir um pouco além. Precisamos compreender que estamos lidando com um processo universal, cósmico, e que todo o Cosmo está implicado nesse processo. Assim, quando estamos aqui na Terra, passando por uma evolução necessária, é porque o nosso Espírito, dotado de potências que ainda não foram desenvolvidas, precisa, na vida terrena, dos choques da vida material, do contato, ainda, com as condições dos reinos inferiores, de que ele partiu.
O senhor pode ler na Bíblia aquele trecho alegórico, bastante importante, que diz assim: “Deus fez o homem do barro e da terra”. Ora, esta expressão nos coloca diante de uma verdade que o Espiritismo comprova pela experiência. Deus tira o Espírito humano do princípio inteligente do Universo, que é um motivo de organização e de estruturação de todas as formas da matéria, desde o reino mineral até o reino hominal. Assim sendo, esse princípio inteligente tem potências que vão sendo desenvolvidas, através desses reinos. Portanto, se ainda estamos aqui na Terra é porque não estamos em condições, não poderíamos viver num mundo superior, onde nossa inteligência e nossa sensibilidade não estariam em condições de se relacionarem com as coisas circundantes.
Não teríamos sensibilidade para captarmos as sutilezas desse mundo, para percebermos as coisas que nele existem e para convivermos com os seus habitantes. É por isso que continuamos a nos preparar na Terra até que atinjamos a condição necessária para subirmos a mundos elevados.

J. Herculano Pires – No Limiar do Amanhã

4 de novembro de 2009

A PRECE

EM HOMENAGEM AOS 99 ANOS DE NASCIMENTO DE CARLOS PASTORINO


Luc. 18:1-8
1. Narrava-lhes então (Jesus) uma parábola, quanto a eles deverem orar sempre e jamais negligenciar,
2. dizendo: "Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens.
3. Também, naquela cidade, havia uma viúva que vinha a ele constantemente, dizendo: defende-me contra meu adversário.
4. E por muito tempo, não queria, mas depois disse em si mesmo: embora não tema a Deus nem respeite os homens,
5. como, porém, me cansa esta viúva, defendê-la-ei, para que me não venha molestar até o fim.
6. Disse, então, o senhor: ouvi o que diz esse juiz não-justo.
7. Deus, porém, não defenderá seus escolhidos que a ele clamam dia e noite, nem é misericordioso com eles?
8. Digo-vos que defenderá com rapidez. Mas ao vir, acaso o Filho do Homem achará fidelidade na Terra?"

O trecho aqui apresentado, dá-nos o resumo doutrinário que, depois, é esclarecido pela narrativa parabólica.
O verbo proseuchestai (composto de pros e éuchomai, "orar a alguém") tem o sujeito do infinitivo em acusativo (autoús) posposto ao verbo. O sentido é "orar", com a acepção de dirigir preces, oferecer-se à Divindade, pántote, sempre, o tempo todo, sem negligenciar, sem cessar (mê egkakein).
O juiz não-justo é-nos mostrado como não temente a Deus nem respeitador dos homens: fazia o que bem queria. A viúva vinha a ele constantemente (o verbo êrcheto está no imperfeito iterativo, que exprime ação repetida no passado). Ela pedia-lhe que a "defendesse": o sentido de ekdíkêson é "defendeme" ou "faze-me justiça", dando a entender que a justiça consistia em defendê-la do adversário que a prejudicava. Aqui "adversário" é simplesmente antídikos, ou seja, a "parte contrária" num processo.
Durante muito tempo o juiz resistiu às súplicas da viúva; mas viu-se tão acossado que resolveu atendê-la, para ficar livre das visitas constantes que o molestavam.
E o Mestre chama a atenção dos discípulos para a conclusão do juiz: atender, embora não fosse justo, a um pedido insistente, e daí parte para a comparação com a prece.
A primeira vista, choca-nos essa comparação: também Deus só atenderá se a prece for longa e repetida, e com a finalidade de não ser "molestado" pelo crente, e não por bondade, misericórdia e justiça?
Não é esse, precisamente, o sentido de suas palavras: "Deus defenderá seus escolhidos que a Ele clamam dia e noite, pois é misericordioso com eles". A diferença nos tempos dos verbos (poiêsêi, aoristo; e makrothymeí, presente) exprime, o primeiro uma garantia do que há de ocorrer, e o segundo uma qualidade inerente à Força Divina; o verbo makrothymeí pode ser até transliterado: longânime. E essa defesa será rápida.
O último versículo, em sua segunda parte, parece nada ter com o contexto da parábola; "acaso, ao vir, o Filho do Homem achará fidelidade na Terra"? Os intérpretes colocam essa frase como uma restrição, já que é iniciada por plên ("contudo"): será que, no fim dos tempos, diante de tantos sofrimentos, osdiscípulos se manterão fiéis?

Analisemos.
ORAÇÃO - A oração não se limita a um petitório ininterrupto, nem Deus é uma "pessoa" (antropomorfismo) que resolva fazer ou não fazer" atender ou negar. Deus é a LEI" implacável e impessoal, que age inapelavelmente. Não é um "pedido" que fará mudar o curso dos acontecimentos: é a mudança de vibração da pessoa interessada que pode fazer mudar o fato que estava para acontecer.

Expliquemos.
"Antônio" está com uma dívida vencida, e o credor se dispõe a cobrá-la judicialmente. Se o devedor paga a dívida, o credor não mais o processará. Houve mudança de vibração por parte do devedor, mas o credor não modificou, seu modo de agir.
"Maria" está com a mão no lugar em que o lenhador vai bater o machado. A mão será decepada. Mas ao descer o machado, Maria retira rapidamente a mão, e o machado não a toca. Houve mudança de atitude de Maria, mas o lenhador prossegue impertérrito seu trabalho.
Um maquinista conduz velozmente seu trem. "João", parado na linha férrea vai ser atropelado. Mas, ao perceber o perigo, João pula para fora das trilhos e o trem passa deixando-o incólume. Houve modificação da posição de João, mas não do maquinista.
Esses três exemplos podem revelar-nos o que é a prece. Não adiantaria Maria pedir ao machado que desviasse seu curso; nem João pedir que o trem parasse de repente" ; nem ao devedor pedir ao credor que o não processasse.
Não é o PEDIR em si que obtém o "milagre": é a modificação de atitude e de vibração da criatura, que faz seja obtido o favor, e que propicia se faça sentir a Infinita Misericórdia da LEI, que só atinge os rebeldes incorrigíveis. Desde que a criatura se volte do lado favorável, a dor não na atinge.
Assim ocorre na prece contínua e incessante. Não é esse PEDIR que modifica a ação do Legislador, para que a LEI seja anulada ou falseada. Trata-se (psicologicamente pode provar-se isso) da modificação de atitude do pedinte: de tanto repetir, ele aos poucos transforma sua mente, adaptando-a ao novo fator que deseja seja introduzido em sua vida. E essa adaptação, embora inconsciente, decide a obtenção daquilo que ele deseja.
No entanto; essa mudança tem que ser real e objetiva. Como porém isso poderia ser interpretado mal, e muitos pretenderiam "fingir" que mudaram externamente, na expectativa do cumprimento de seu desejo, mas sem mudar intimamente, (e portanto sem fazer jus ao recebimento desejado), o Mestre, bom psicólogo, ensinou logo um método que não admite dúvidas: oração continua e incessante. A mudança virá automaticamente para os que estiverem “maduros". Para os imaturos, não virá a modificação mental; mas também não conseguirão uma prece continua e incessante. Ao contrário, ao se não verem atendidos logo, desistem e se revelam quais são: impacientes, revoltados, descrentes.
O exemplo da viúva satisfaz à condição requerida: jamais se impacienta, nem rebela, nem descrê, mas volta sistematicamente ao juiz, a pedir defesa de seus direitos.
Tudo porque a LEI tem as mesmas características que o juiz não-justo: a LEI não teme a Deus (porque é o próprio Deus); nem atende em vista de títulos, nem de posições aos homens. Exatamente assim.
A LEI dá, quando a criatura entra em sintoma com ela para receber.
É a imagem do copo. A LEI derrama sua misericórdia (makrothymei, no presente, ação continuada e incessante) ininterruptamente, como um jorro d'água a cair permanentemente. Se lhe chegamos um copo emborcado, de boca para baixo (revoltado!), nada captamos. Mas se sob o jorro colocamos um copo de boca para cima (sintonizado, em "posição certa"), a água enche o copo: o pedido é atendido.
Como, então, não seriam atendidos os "escolhidos", aqueles que estão conforme a LEI? Serão atendidos, e rapidamente. Mas ... será que haverá fidelidade na Terra, fidelidade REAL e não apenas aparência externa, no momento em que o Filho do Homem chegar?
Não é pela posição social, nem pelo título pomposo de reis e sacerdotes, nem pela exterioridade de virtudes físicas corpóreas, que alguém fará jus ao recebimento de benefícios celestiais, mas pela sintonia interna do SER: "os errados e as prostitutas vos precederão (a vós, sacerdotes) no reino de Deus" (Mat 21:31).
A expressão: "que a Ele clamam dia e noite" exprime a oração permanente sem negligência. Os hermeneutas afirmam que a prece não pode ser contínua, pois há outros afazeres, mas sim reiterada. No entanto, não é esse o espírito da parábola. O que aí se diz é que devemos orar SEMPRE (pántote), sem jamais negligenciar ou cessar (mê egkakein). E isso porque a oração não é a fórmula recitada maquinalmente para pedir favores: trata-se de uma atitude espiritual do psiquismo, da sintonia do ser com o SER, jamais dele se desligando, onde quer que esteja, fazendo qualquer ato.
Orar é permanecer ligado à corrente, mesmo que não estejamos recitando fórmulas nem pronunciando palavras. É como permanecer ligado à corrente um rádio-receptor, embora não esteja transmitindo som, no momento. Jamais nos desliguemos da corrente, e nosso coração permanecerá alimentado pela eletricidade e pelo magnetismo divino a todo momento.

Carlos Pastorino
Sabedoria do Evangelho 6

3 de novembro de 2009

FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

Em dia com o Espiritismo – Educação e Instrução

Ambos os conceitos se relacionam, mas não significam a mesma coisa. Um é amplo, abrangente, outro é restritivo, específico. Educar é disponibilizar ao ser humano possibilidades ao seu pleno desenvolvimento físico, intelectual, psíquico, psicológico, moral, social, estético e ecológico. Instruir é transmitir/adquirir conhecimento, que pode ser realizado por meio do ensino, ainda que existam outras formas de instrução: observação, imitação, repetição, inspiração etc.
Enquanto a educação é entendida como processo e resultado, que jamais desconsidera a premissa de o homem se transformar em pessoa melhor, a instrução se limita à transferência e à assimilação de conhecimentos ou habilidades, direcionados para o aprendizado cognitivo e/ou formação de talentos. Dessa forma, a educação “consiste na arte de formar os caracteres”,1 como afirma Allan Kardec; já a instrução é mais útil ao exercício profissional. O emprego das duas palavras como sinônimo é equívoco comum que leva a outros, como confundir processo educativo com processo docente.
Ao analisar o assunto Emmanuel considera
[...] a necessidade imprescritível da educação para todos os seres. Lembremo-nos de que o Eterno Benfeitor, em sua lição verbal, fixou na forma imperativa a advertência a que nos referimos: “Brilhe vossa luz”. Isso quer dizer que o potencial de luz do nosso espírito deve fulgir em sua grandeza plena. E semelhante feito somente poderá ser atingido pela educação que nos propicie o justo burilamento. Mas a educação, com o cultivo da inteligência e com o aperfeiçoamento do campo íntimo, em exaltação de conhecimento e bondade, saber e virtude, não será conseguida tão-só à força de instrução, que se imponha de fora para dentro [...].2
Tais proposições destacam a importância de realizar reflexão mais aprofundada a respeito dos estudos regulares que ocorrem, usualmente, na Casa Espírita. A resposta a duas indagações simples, honestas e despretensiosas fornece boa avaliação: prioriza-se mais a forma de transmissão do conteúdo doutrinário (processo docente) do que a educação espírita, propriamente dita? O estudo espírita tem conduzido o estudante para querer se transformar em pessoa melhor?
É óbvio que a instrução espírita deva ser ensinada, sobretudo no que se refere aos ensinos da Codificação, e métodos para facilitar a aprendizagem devam ser utilizados como mero apoio didático. É certo que o estudo espírita deve ser priorizado nas instituições espíritas, principalmente porque na época atual os valores morais e éticos são pouco considerados, amplamente questionados pela sociedade hedonista. É imperioso considerar, contudo, que o espírita deve ser preparado para conhecer os postulados da Doutrina, mas, acima de tudo, ele precisa ser capaz de desenvolver e exemplificar características do homem de bem, no dia a dia da existência.
Atento ao assunto, Kardec escreveu em seu admirável livro Plano Proposto para a Melhoria da Educação Pública, em 1828, quando ainda se encontrava investido da personalidade professor Hippolyte Léon Denizard Rivail:
Todos falam da importância da educação, mas esta palavra é, para a maioria, de um significado excessivamente impreciso [...]. Em geral nós a vemos somente no sistema de estudos, e este equívoco é uma das principais causas do pouco progresso que ela obteve. [...] A educação é a arte de formar os homens, isto é, a arte de neles fazer surgir os germes das virtudes e reprimir os do vício; de desenvolver sua inteligência e dar-lhes a instrução adequada às suas necessidades [...]. Em uma palavra, o objetivo da educação consiste no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais. [...]3
O tema educação versus instrução tem sido palco de férteis discussões e reforma do sistema educativo em diferentes nações. Neste sentido, o francês Jacques Delors apresentou em 1996, quando ocupava o cargo de presidente da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da Unesco, importante relatório denominado Educação, um tesouro a descobrir. Em razão do grande impacto provocado pelo Relatório Delors, como é conhecido, ele não deve ser ignorado pelo educador moderno. Neste documento são expostos e analisados os Quatro pilares da educação moderna que, como esclarece a confreira Sandra Borba, é:
[...] rico material para as reflexões tão necessárias em momentos tão graves como os que vivemos, em que se impõe a urgência de uma educação para todos, comprometida com o bem-estar sociomoral de todos os habitantes da Terra. Temas importantes são tratados de modo objetivo e em fácil linguagem, como um exercício de espalhar luz, semear ideias e relatar fatos capazes de fundamentar as propostas ali contidas, nos velhos ideais da igualdade e da solidariedade humanas. [...]4

Os Quatro Pilares da Educação Moderna são:5
1. Aprender a conhecer: visa menos aquisição de um repertório de saberes codificados e mais domínio dos próprios instrumentos do conhecimento, considerados meio e finalidade da vida humana.
2. Aprender a fazer: embora mais relacionado à questão da formação profissional, este pilar propõe que não basta ensinar alguém a realizar uma tarefa específica nem ser reduzida a simples transmissão de práticas mais ou menos rotineiras, mas que a aprendizagem deve evoluir, melhorando o homem como ser integral.
3. Aprender a conviver: este aprendizado representa, hoje, um dos maiores desafios da educação, quando se considera os conflitos e o extraordinário potencial de autodestruição, criados pela Humanidade, amplamente acelerados no século passado.
Implica em construir uma identidade própria e cultural, situar-se com os outros seres compartilhando experiências e desenvolvendo responsabilidades sociais. As experiências sociais nos facultam o acesso ao saber, ao fazer, ao viver em conjunto, ao crescer em todas as nossas potencialidades. [...]6
4. Aprender a ser: a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal e espiritualidade.

Sem qualquer sombra de dúvida é o mais importante entre todos os princípios. Ressalta a necessidade de superação das visões dualistas sobre o homem, das visões fragmentadas acerca da educação, fruto das limitações, dos preconceitos, das más paixões, da ignorância e do orgulho que lhe são próprios. Contempla a adoção da concepção integral do ser humano [...].7
O Relatório Delors não deve surpreender os espíritas esclarecidos, uma vez que o Espiritismo valoriza as conquistas da inteligência, indica a necessidade de uma prática profissional ética, mas, sobretudo, enfatiza a necessidade do desenvolvimento moral do ser humano, que, agora, está despertando o verdadeiro interesse dos educadores e adquirindo força para modificar processos e métodos educacionais, tendo em vista os desafios presentes no mundo.
Sem a educação moral, ou educação moral de superfície, dificilmente o indivíduo se transforma em pessoa de bem, condição que, necessariamente, deve ser enfatizada nos estudos doutrinários da Casa Espírita. Daí o Codificador analisar com a lucidez que lhe era própria:
[...] Quando se pensa na grande quantidade de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de admirar as consequências desastrosas que daí resultam? Quando essa arte [educação moral] for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar com menos dificuldade os dias ruins que não pode evitar. [...]8

Marta Antunes Moura
Reformador Novembro2009

Referências:
1KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. de Evandro Noleto Bezerra. Edição Comemorativa do Sesquicentenário. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Comentário de Kardec à questão 685a.
2XAVIER, Francisco C. Pensamento e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 5, p. 27-28.
3RIVAIL, Hippolyte Léon Denizard. Plano proposto para a melhoria da educação pública. Trad. de Albertina Escudeiro Sêco. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2005. p. 11-12.
4PEREIRA, Sandra Maria Borba. Reflexões pedagógicas à luz do evangelho. Curitiba: Federação Espírita do Paraná, 2009. Cap. 2, p. 39.
6PEREIRA, Sandra Maria Borba. Op. cit., p. 43.
7______.______. p. 44.
8KARDEC, Allan. Op. cit., comentário de Kardec à questão 685a.





2 de novembro de 2009

SAUDADE


Ante aos mortos queridos,
Faze o silêncio e ora

Ninguém pode apagar
A chama da saudade.

Entretanto se choras,
Chora fazendo o bem.

A morte para a vida
É apenas mudança

A semente no solo
Mostra a ressurreição.

Todos estamos vivos
Na presença de Deus...

Emmanuel
Do livro Fonte de Paz. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

1 de novembro de 2009

EURÍPEDES BARSANULFO


1880
1. 5. 1880 - Eurípedes Barsanulfo Em 1º de Maio de 1.880, nasceu em Sacramento, Minas Gerais, um exemplo de amor ao próximo, o Dr. Eurípedes Barsanulfo, cujo nome esta Fraternidade homenageia e sob cuja tutela se coloca. Dr. Eurípedes foi a personificação da caridade e da bondade.

1900
28. 8. 1900 - Adolfo conta um pouco como nasceu o Centro. “O Sinhô Mariano fundou o Espiritismo aqui em 28 de agosto de 1900 e Bezerra de Menezes falecera em 29 de abril do mesmo ano. Sinhô Mariano era um materialista, Eurípedes Barsanulfo era católico. Tio Sinhô começou ...Adolfo conta um pouco como nasceu o Centro. “O Sinhô Mariano fundou o Espiritismo aqui em 28 de agosto de 1900 e Bezerra de Menezes falecera em 29 de abril do mesmo ano. Sinhô Mariano era um materialista, Eurípedes Barsanulfo era católico. Tio Sinhô começou a descobrir coisas perdidas. Há muitas histórias desses fenômenos dele em livros e na voz do povo. Mostrar mais Mostrar menos

1904 1904 - Foi na sexta-feira da Paixão do ano de 1904 que Eurípedes Barsanulfo, acompanhado do amigo José Martins Borges, foi assistir a uma sessão espírita na fazenda Santa Maria, segundo narra Corina Novelino no livro “Eurípedes O Homem ea Missão". O primeiro contato ...Foi na sexta-feira da Paixão do ano de 1904 que Eurípedes Barsanulfo, acompanhado do amigo José Martins Borges, foi assistir a uma sessão espírita na fazenda Santa Maria, segundo narra Corina Novelino no livro “Eurípedes O Homem ea Missão". O primeiro contato com a doutrina foi através de seu tio, Sinhô Mariano, que fundou e dirigiu o Centro Espírita Fé e Amor, um dos mais antigos e conhecidos do povoado, lhe presenteou com o livro de León Denis "Depois da Morte". Mostrar mais Mostrar menos

1905 1905 - 1º Colégio Espírita do Brasil, fundado por Euripedes Barsanulfo em 1905, junto ao Colégio, hoje CENTRO ESPIRITA é possível visitar o Museu Corina Novelino, que abriga objetos de uso pessoal e documentos escritos de Euripedes Barsanulfo. Em uma de suas ...1º Colégio Espírita do Brasil, fundado por Euripedes Barsanulfo em 1905, junto ao Colégio, hoje CENTRO ESPIRITA é possível visitar o Museu Corina Novelino, que abriga objetos de uso pessoal e documentos escritos de Euripedes Barsanulfo. Em uma de suas dependências há o Café com Cultura um local agradável para um café da manhã ou tarde com várias opções de leituras espíritas. Localiza ão / Endereço: Localizado no cruzamento da Av. Visconde do Rio Branco com a Rua ... Mostrar mais Mostrar menos

1907 1907 - Uma intensa programação, entre os dias 28 de abril a 1º de Maio, marcou as comemorações do aniversário de nascimento do líder espírita, Eurípedes Barsanulfo, no ano do centenário do Colégio Allan Kardec, fundado por ele em 1907. Um dos pontos altos das ...Uma intensa programação, entre os dias 28 de abril a 1º de Maio, marcou as comemorações do aniversário de nascimento do líder espírita, Eurípedes Barsanulfo, no ano do centenário do Colégio Allan Kardec, fundado por ele em 1907. Um dos pontos altos das comemorações foi o encontro de familiares de Eurípedes, no colégio Allan Kardec, quando se reuniram, sob a coordenação de Alzira Bessa França Amui e Saulo Wilson, representantes de várias gerações, num momento de contar ´causos ... Mostrar mais Mostrar menos

1918
1. 11. 1918 - Eurípedes Barsanulfo passou muitos e muitos anos se dedicando ao próximo e ao bem comum, tarefa que só se encerrou com seu desencarne, ocorrido em 01 de novembro de 1918, vítima de uma epidemia de gripe que assolou o Brasil naquele ano.Ele foi vitorioso e precisou conter os entusiasmados espíritas, que desejavam carregá-lo em triunfo”, descreve Lauret Godoy em seu livro Maravilhosos Encontros com Eurípedes Barsanulfo. O fato só serviu para 99 reforçar ainda mais a posição da doutrina espírita eo trabalho educacional promovido pelo médium. Eurípedes Barsanulfo passou muitos e muitos anos se dedicando ao próximo e ao bem comum, tarefa que só se encerrou com seu desencarne, ocorrido em 01 de novembro de 1918 ... Mostrar mais Mostrar menos

1919 1919 - Maria Modesto Cravo recebeu, de Euripedes Barsanulfo, a sugestão da criação de um hospital espírita em Uberaba é em 1919, fundou, junto a um grande número de médiuns, o Ponto Bezerra de Menezes, que se tornaria a semente do hospital. Maria Modesto Cravo Antônio ...Maria Modesto Cravo recebeu, de Euripedes Barsanulfo, a sugestão da criação de um hospital espírita em Uberaba é em 1919, fundou, junto a um grande número de médiuns, o Ponto Bezerra de Menezes, que se tornaria a semente do hospital. Maria Modesto Cravo Antônio Lucena Foi discípula de Eurípedes Barsanulfo, “O Apóstolo de Sacramento”, e como tantas outras criaturas foi encaminhada ao trabalho de amparo e de regeneração, graças à sua mediunidade, realizando tarefas missionárias ... Mostrar mais Mostrar menos

1950
30. 4. 1950 - Boa Noite, que a Paz de Deus esteja com todos, hoje eu trago a Primeira mensagem transmitida à Francisco Cândido Xavier, em 30/04/1950, pelo espírito de Eurípedes Barsanulfo. Nesta mensagem este mensageiro de luz já nos anos de 50, escreve sobre nossas ...Boa Noite, que a Paz de Deus esteja com todos, hoje eu trago a Primeira mensagem transmitida à Francisco Cândido Xavier, em 30/04/1950, pelo espírito de Eurípedes Barsanulfo. Nesta mensagem este mensageiro de luz já nos anos de 50, escreve sobre nossas dificuldades terrenas, mas, prescreve o remédio para cura destas mazelas, que são: A Caridade, O Amor, ea Humildade. Mostrar mais Mostrar menos

1969
31. 7. 1969 - DECRETO Nº 64916, DE 31 DE JULHO DE 1969. Declara de Utilidade Publica a Associação Cristã Beneficente 'euripedes Barsanulfo' Com Sede em Santos, Estado de São Paulo. - DOU. Diario Oficial da União - vLex Brasil.

2009
16. 9. 2009 - Os filmes diretamente produzidos por nós são documentários biográficos de grandes nomes da Doutrina Espírita, como Chico Xavier, Eurípedes Barsanulfo e Divaldo Franco. Quanto aos outros filmes e documentários, o critério é que eles tenham temas espíritas ou sejam relacionados à ...