30 de dezembro de 2009

ORAÇÃO NO ANO NOVO

Senhor Jesus!
Ante as promessas do ano que se inicia, não nos permitas que esqueçamos aqueles com aqueles com quem nos honraste o caminho iluminativo:
as mães solteiras, desesperadas, a quem prometemos o pão do entendimento;
as crianças delinqüentes que nos buscaram com a mente em desalinho;
os calcetas que, vencidos em si mesmos, nos feriram e retornaram às nossas portas;
os enfermos solitários, que nos fitaram, confiantes em nosso auxílio;
os esfaimados e desnudos que chegaram até nossas parcas provisões;
os mutilados e tristes, ignorantes e analfabetos, que nos visitaram, recordando-nos de Ti...
Sabemos, Senhor, o pouco valor que temos, identificamo-nos com o que possuímos intimamente, mas, contigo, tudo podemos e fazemos. Auda-nos a manter o compromisso de amar-Te, amando neles toda a família universal em cujos braços renascemos.
* * *
"Seja o que for que peçais na prece, crede que obtereis e concedidos vos será o que pedirdes".
Marcos: 11-24.

"Pela prece, obtém o homem o concurso dos bons Espíritos que acorrem a sustentá-lo em suas boas resoluções e a lhe inspirar idéias sãs".
Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVII - Item 11.

Joanna de Ângelis
Divaldo P. Franco

27 de dezembro de 2009

CONSIDERANDO O MEDO

Coisa alguma se te afigure apavoradora. A vida são as experiências vitoriosas ou não, que te ensejem aquisições para o equilíbrio e a sabedoria.
Não sofras, portanto, por antecipação, nem permitas que o fantasma do medo te perturbe o discernimento ante os cometimentos úteis, ou te assuste, gerando perturbação e receio injustificado.
Quando tememos algo, deixamo-nos dominar por forças desconhecidas da personalidade, que instalam lamentáveis processos de distonia nervosa, avançando para o desarranjo mental.
Os acontecimentos são conforme ocorrem e como tal devem ser enfrentados.
O medo avulta os contornos dos fatos, tornando-os falsos e exagerando-lhes a significação. Predispõe mal, desgasta as forças e conduz a situação prejudicial sob qualquer aspecto se considere.
O que se teme, raramente ocorre como se espera, mesmo porque as interferências Divinas sempre atenuam as dores, até quando não são solicitadas.
O medo invalida a ação benéfica da prece, esparze pessimismo, precipita em abismos.
Um fato examinado sob a constrição do medo, descaracteriza-se, um conceito soa falso, um socorro não atinge com segurança.
A pessoa com medo, agride ou foge, exagera ou se exime da iniciativa feliz, torna-se difícil de ser ajudada e contamina, muitas vezes, outras menos robustas na convicção interna, desesperando-as, também.
O medo pode ser comparado à sombra que altera e dificulta a visão real.
Necessário combatê-lo sistematicamente, continuamente.
Doenças, problemas, noticias, viagens, revoluções, o porvir não os temas.
Nunca serão conforme supões.
Uma atitude calma, ajuda a tomada de posição para qualquer ocorrência aguardada ou que surge inesperadamente.
Não são piores umas enfermidades do que outras. Todas fazem sofrer, especialmente quando se as teme e não se encoraja a recebê-las com elevada posição de confiança em Deus.
Os problemas, constituem recursos de que a vida dispõe para selecionar os valores humanos, e eleger os verdadeiros dos falsos lutadores.
As noticias trazem informes que, sejam trágicos ou lenificadores, não modificam, senão, a estrutura de uma irrealidade que se está a viver.
As viagens tem o seu final, e recear acidentes, aguardá-los, exagerar providências, certamente não impedem que o homem seja bem ou mal sucedido.
As revoluções e guerras que alcançam bons e maus, estão em relação a violência do próprio homem que, vencido pelo egoísmo, explode em agressividade, graças aos sentimentos predominantes em a sua natureza animal.
Ninguém pode prever o imprevisto ou evadir-se a necessária conjuntura cármica para o acerto com as leis superiores da evolução.
Prudência, sim, é medida acautelatória e impostergável, para se evitar danos desnecessários. Afinal, em face do medo, deve-se considerar que o pior que pode suceder a alguém, é advir a desencarnação. Se tal ocorrer, não há, ainda, porque temer, desde que morrer é viver.
O único cuidado que convém examinar, diz respeito à situação interior de cada um perante a consciência, ao próximo, à vida e a Deus.
Em face disso, ao invés de sistemático cultivo do medo, uma disposição de trabalho árduo e intimorato, confiança em Deus, afim de enfrentar bem e ultimamente toda e qualquer coisa, fato, ocorrência, desdita...
Entrega-te ao fervor do bem, expulsa d’alma as artimanhas da inferioridade espiritual. Faze luz íntima e os receios fundados baterão em retirada.
A responsabilidade dar-te-á motivos para preocupações, enquanto o medo minimizará as tuas probabilidades de êxito.
Jesus, culminando a tarefa de construir no tíbios corações humanos a ventura e a paz, açodado pelos afamados da loucura em ambos os lados da vida, inocente e pulcro, não temeu nem se afligiu, ensinando como deve ser a atitude de todos nós, em relação ao que nos acontece e de que necessitamos para atingir a glorificação interior.


Espírito Joanna de Ângelis

Fonte: FRANCO, Divaldo Pereira. Leis morais da vida.

20 de dezembro de 2009

INTERPRETAÇÕES ESPÍRITAS

Símbolo: Os Espíritas não adotam símbolo
O Deus : DEUS.
Interpretação da Morte: Para os Espíritas a verdadeira vida é a espiritual, morte é uma passagem de uma vida para outra, ou melhor nunca morremos, ou somos espíritos encarnados ou desencarnados. A morte é o espírito abandonando o corpo e seguindo sua trajetória em busca da perfeição, continuando a estudar, trabalhar e se aperfeiçoando. Os Espíritas acreditam em reencarnação, é através dela que o espírito progride e somente assim, ficando nesse ciclo de aprendizado, acreditam existirem vários Mundos e este em que vivemos é o das "Expiações e Provas", existem outros inferiores e outros superiores, conforme os espíritos vão evoluindo vão mudando de Mundo sempre no ciclo de vida encarnada e espiritual até atingirem a condição de espírito PURO, que continuará trabalhando na orientação dos que estão numa evolução inferior.
Cremação: Para os Espíritas o que importa não é o corpo e sim o espírito, portanto a cremação do corpo é perfeitamente aceita, orientam porém, para o desligamento mais tranqüilo do espírito do corpo dá-se um prazo de 72hs a contar da morte até a cremação.
Doação de órgãos: A doação de órgãos é vista como um ato de caridade e portanto incentivada.
Suicídio: Quando se encarna tem-se uma programação (não se deve confundir programação com destino) de vida, esta não pode ser interrompida e ninguém nasce programado para suicidar-se; portanto é considerado um ato criminoso contra si.
Autópsia: Não há nenhuma restrição.
Eutanásia: Dentro da filosofia que todos nascemos com uma programação de vida, a eutanásia não é aceita. Ninguém tem a capacidade de saber o momento certo de interromper essa programação (não se deve confundir programação com destino).
Aborto: Aborto intencional é considerado crime, a não ser por orientação médica para se salvar a vida da mãe. A programação de vida da mãe já está em curso e é preferível sacrificar a vida que vai nascer pois este espírito terá outras oportunidades para reencarnar.
Exumação: Não há nenhuma restrição.
Embalsamamento: Apesar dos espíritas não verem nenhuma justificativa para isso, não há restrições.

Ritual Fúnebre
Falecimento: Constatado com certeza o óbito, os familiares deverão, munidos dos documentos legais, contatar uma funerária para que solicite imediatamente o caixão, e seu pronto sepultamento. O corpo é colocado no caixão trajado com roupa (cedida pela família) que mais se caracterizava com o falecido(a). É costume se retirar os adornos ( anéis, relógio, colar, etc.).
O Caixão: A família, dentro das suas condições financeiras, escolhe. Nenhuma recomendação ou prática especial é exigida.
Velório: Os Espíritas velam seus mortos tanto com caixão aberto como fechado, dependendo da vontade da família. O velório é dirigido ao espírito, onde os presentes permanecem em preces em intenção a Alma criando-se um clima de vibração positiva em favor ao espírito desencarnado. Chorar questionando-se a justiça da morte, é considerado prejudicial a essa vibração positiva, bem como qualquer pensamento derrotista. O espírito se liga ao encarnado pelos pensamentos por isso vibrações positivas são benéficas. Música ambiente durante o velório é permitida, ajudando as vibrações positivas. Flores são recebidas embora não seja necessárias. Os Espíritas não adotam o uso de velas.
Condolências: As condolências são dirigidas aos enlutados ( apesar dos Espíritas não adotarem o Luto como prática), evitando-se a expressão "Meus Pêsames", e sim "Meus Sentimentos".
Vestimentas: Os Espíritas não adotam a cor preta como de luto, é de bom tom que os visitantes estejam trajados com cores sóbrias e principalmente trajados decorosamente, com devido respeito e senso de reverência.
Os Enlutados: São todos aqueles que se sentirem nessa posição, independente do parentesco com o falecido(a).
Quem Pode ir ao Cemitério: Todas as pessoas que assim o quiserem.
Enterro: Os Espíritas procuram enterrar o mais rápido possível, sem restrição de dia da semana ou datas festivas/religiosas, apenas aguardam os trâmites burocráticos.
Cortejo: Chegando-se ao cemitério o cortejo seguirá diretamente para o local do sepultamento que será enterrado sem nenhuma cerimônia litúrgica.
O Luto: Na comunidade Espírita, não há a prática do Luto. Após o enterro, os Espíritas não prevêem nenhuma cerimônia, ou seja, missas ou orações em intenção aos mortos, sempre que desejam de acordo com o foro íntimo de cada um, rezam positivamente para pedir boas vibrações para os desencarnados, tampouco está previsto descerramento ou inaugurações de túmulos.
Quanto ao túmulo, os Espíritas não adotam imagens e este poderá ser feito de acordo com a vontade e posses dos familiares.

19 de dezembro de 2009

ALEGRIAS NO NATAL


Não obstante o tumulto crescente das torpes paixões, que desencadeiam dores superlativas, pairam nos corações expectativas e ansiedades de paz.
Embora a tirania tecnicista, que não conseguiu amenizar as rudes aflições, que ora se generalizam, repontam no homem cansado as esperanças alvissareiras, que falam de paz.
Após o malogro das ruidosas fantasias e dos turbulentos gozos, vibram na Terra as notas de doce canção de paz, penetrando e enlevando as criaturas ansiosas...
São as alegrias do Natal que chegam, refazendo o espírito humano, aturdido e descoroçado pela infatigável busca dos valores que, então, constata mortos.
Isto, porque, o Natal não significa tão-somente a algaravia multicolorida, a indústria da inutilidade, expressa na troca de presentes fúteis, mas, também, a lembrança do filho de Deus descendo das Constelações para a Manjedoura a fim de, pacífico e nobre, conviver com animais, reis e pastores, homens e mulheres simples, o poviléu, que conseguiu erguer às culminâncias da felicidade sem jaça.
Convite à reflexão, o Natal faz recordar o Excelso Amigo, participando das justas alegrias de uma boda e do grave-doce encontro com a pobre mulher surpreendida em adultério.
Evoca o Senhor das forças vivas da Natureza, repreendendo os ventos e o mar, e convidando gárrulas crianças ao regaço, por pertencer-lhes, na pureza de que se fazem símbolo, o reino de Deus...
Atualiza o diálogo, de alcance transcendente, com o príncipe e doutor da Lei sobre os renascimentos no corpo, e fala do soerguimento da filha da viúva de Naim, do servo do Centurião, e de Lázaro, do torpor da catalepsia e da morte para as excelências da ação lúcida...
Faculta uma visão nova da vida à luz do sermão da montanha, exaltando, nestes dias de truculência, a grandeza da humildade, força da fé e a operosidade da "não-violência"...
O Natal é oportunidade feliz para cada homem voltar-se para dentro de si, fazer a paz consigo próprio, valorizar a bênção da vida física que se esvai célere, e amar...
As alegrias do Natal proporcionam ensanchas para cada um felicitar-se mediante as doações de amor que se permita, renovando as paisagens íntimas, e, dando um passo além do "eu", distender a solidariedade com os que sofrem, os que se amarfanham nas lutas, os que se desesperam, os que se sentem a sós, os pequeninos e velhinhos ao abandono nas ruas e nos campos, dilatando até eles a ternura e facultando-lhes sorrisos, através da ação do bem, que transforma o homem em anjo de amor e fá-lo repetir quase em silêncio, novamente, a sonata inesquecível dos céus dirigida aos ouvidos do mundo atento:
-Glória a Deus nas alturas e paz na Terra para os homens de boa vontade!

Joanna de Angelis

16 de dezembro de 2009

ABORTO DELITUOSO

Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião.
Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes policiais...
Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância...
Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam a guerra de nervos, em toda parte; e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinqüência, erguem-se cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de compaixão.
Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza...
Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.
Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a bênção da luz.
Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!
Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da Providência, assomantes no lar em vosso próprio socorro, e, se não há legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio, nos recintos familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso Pai vos contemplam do Céu, chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se vos expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetrastes.

Emmanuel
Do livro: Religião dos Espíritos
Psicografia: Francisco Cândido Xavier

15 de dezembro de 2009

INDICAÇÃO DE AMIGO

Nunca se diga inútil.
Por agora: você não é um anjo.
no entanto é capaz de ser uma pessoa reta e nobre;
não terá santidade para mostrar,mas possui vastas possibilidades de agir, em benefício do próximo;
não apresenta qualidades perfeitas, contudo,você detém recursos preciosos de servir;
talvez não consiga revelar alto índice de cultura intelectual,porém,consegue amparar a muitos companheiros com excelente orientação;
provavelmente, não lhe será possível movimentar grandes riquezas do mundo, entretanto nada lhe impedirá o esforço de acumular tesouros de bondade no coração e de irradiá-los em gestos de compreensão e de amor,
por fim é, provável que você ainda não conheça o que seja a felicidade, mas pode adquiri-la, se você quiser, aprendendo a trabalhar em favor dos outros, e entender e perdoar, encorajar e sorrir.

André Luiz
Do livro Momentos de Ouro. Psicografia de Frâncico Cândido Xavier.

12 de dezembro de 2009

SÚPLICA DE NATAL.



Senhor, tu que deixaste a rutilante esfera
em que reina a beleza e em que fulgura a glória,
acolhendo-te, humilde, à palha merencória
do mundo estranho e hostil em que a sombra ainda impera!

Tu que por santo amor deixaste a primavera
da luz que te consagra o poder e a vitória,
enlaçando na Terra o inverno, a lama e a escória
dos que gemem na dor implacável e austera...

Sustenta-me na volta à escura estrebaria
da carne que me espera em noite rude e fria,
para ensinar-me agora a senda do amor puro!...

E que eu possa em teu nome abraçar, renovada,
a redentora cruz de minha nova estrada,
alcançando contigo a ascensão do futuro.


Espírito: CARMEN CINIRA.
FONTE: LIVRO ANTOLOGIA MEDIÙNICA DO NATAL –

Psicografia: Francisco Cândido Xavier.

11 de dezembro de 2009

ALIENAÇÃO EXISTENCIAL


Mais lamentável que a alienação mental, que atinge Espíritos encarnados e desencarnados, é alienação existencial que lhe dá origem.
É o viver sem noção dos porquês da existência.
De onde viemos, o que estamos fazendo na Terra, para onde vamos?
Fiz certa feita uma pesquisa junto a colegas de trabalho, com destaque para a seguinte pergunta: QUAL O OBJETIVO DA VIDA?
Pasmem amigos! A maioria, mesmo dentre os que se diziam religiosos, não souberam responder!
Agora, pergunto-lhe: Como pode alguém viver de forma disciplinada, corajosa, espiritualizada, se não sabe o que veio fazer na Terra?
Por isso as pessoas desajustam-se diante das vicissitudes, ficam doentes, atribuladas, infelizes, nervosas, desembocando, não raros, nos transtornos mentais que podem culminar na alienação.
Princípios religiosos tradicionais nos dizem que nossa alma foi criada por Deus no momento da concepção e que a felicidade futura vai depender de cumprirmos o que Deus espera de nós. Num espaço de alguns meses para alguns ou decênios para outros, decidiremos o nosso futuro para sempre.
É complicado, porque não somos todos iguais.
Não temos o mesmo caráter.
Não temos as mesmas disposições.
Não temos a mesma inteligência.
Não temos as mesmas virtudes.
Não temos a mesma compreensão.
Há gente boa e gente ruim.
Há gente inteligente e gente obtusa.
Há gente religiosa e gente materialista.
Há gente virtuosa e gente viciosa.
Há gente altruísta e gente egoísta.
Há gente perfeita e outras não.
Será que Deus nos fez assim, com tão gritantes diferenças, como se tivesse criado uns para salvação e outros para perdição?
Tais dúvidas induzem ao amornamento da crença e, não raro, à descrença.
Por isso, habituam-se as pessoas a viver sem questionamentos, preferindo o imediatismo terrestre às cogitações celestes.
O Espiritismo nos ajuda a superar a alienação existencial, a partir da fé racional, como propõe Kardec, compromissada com a lógica e o bom senso.
Somos Espíritos imortais.
Já vivemos múltiplas existências no passado e continuaremos a viver no futuro, desdobrando experiências de aprendizado e aprimoramento.
Cada um de nós tem uma idade espiritual, e nossa personalidade, com nossas facilidades e limitações, com nossas tendências boas ou más, é o somatório de nossas experiências do passado, do que fizemos.
As vicissitudes da Terra, os problemas e dissabores que enfrentamos guardam relação também com o nosso passado.
Tanto melhor os enfrentaremos quanto maior a nossa confiança em Deus e disposição de lutarmos contra nossas imperfeições, buscando fazer o melhor.
Perfeito! Encarar os desafios do caminho, na jornada da vida, com as lentes do Espiritismo, é a melhor maneira de não tropeçarmos na alienação.
Pode parecer um exagero o receber mesmo com alegria, os reveses e as decepções...
Difícil rir na dor ou festejar na frustração.
Mas não seria essa postura lógica de alguém que resgata uma divida? Se chorar diante do credor, não haverá de ser pela euforia de liquidar o debito?
E se difícil nos parece chegar a tanto, diante da adversidade, que pelo menos preservemos a sanidade física e espiritual, cultivando bom ânimo.
Realmente, a lei da reencarnação é a única que responde às perguntas: de onde vim, para onde vou, porque estou na Terra. É a única que justifica todas as anomalias e todas as injustiças aparentes da vida.
Sem a reencarnação, Deus perde a característica da perfeita justiça, deixando de ser Deus.
Só a reencarnação explica as desigualdades morais, sociais, econômicas existentes em nosso mundo.
Somente a reencarnação dá aos homens condições e estímulos para continuar trabalhando no desenvolvimento do bem em si e na Terra, na certeza de que a humanidade de hoje, constituída de espíritos milenares, rebeldes, tornar-se-á um dia uma humanidade melhor, mais justa, e que vale a pena esse esforço no sentir, pensar e fazer o bem.

10 de dezembro de 2009

REVELAÇÕES INCONSEQUENTES

EM HOMENAGEM AOS 135 ANOS DE NASCIMENTO DE VIANNA DE CARVALHO, UM DOS MAIORES TRIBUNOS ESPÍRITAS.


O estudo do Espiritismo é de vital importância para que se possa penetrar-lhe a essência dos conteúdos científicos, filosóficos e ético-morais-religiosos.
Toda a sua doutrina se fundamenta na experiência que se deriva da observação contínua dos fatos, graças à metodologia quantitativo-qualitativa.
Não tendo sido elaboração de um homem ou de um grupo de indivíduos, não sofre os problemas de sistemas ou de idéias preconcebidas, mantendo incomum imparcialidade no exame e análise dos elementos que o constituem.
Resultado de demoradas reflexões e pesquisas, apóia-se nas leis naturais, que são fundamentais à vida de onde se derivam todos os seus postulados.
Os fenômenos que lhe facultaram o surgimento, em todas as épocas e Nações da Terra, passaram pelo crivo de contínuas experimentações, havendo resistido aos esquemas convencionais da dúvida, da fraude, das exteriorizações do inconsciente, antes de adquirirem cidadania e dignidade. Esses fenômenos foram considerados, no passado, como expressões da santificação, do misticismo, do ridículo - de acordo com a época em que se manifestaram - para se tornarem parte integrante da cultura humana, que os proporcionava, portanto, sem qualquer colorido fantasista ou miraculoso.
Passo a passo, as informações que se originaram nas comunicações foram objeto de exame e de comparação com o conhecimento intelectual, passando pelo crivo dos enfrentamentos com os sistemas vigentes e as doutrinas em voga, apresentando-se como um corpo harmônico de teses com características próprias, dantes não sonhadas sequer, compondo paradigmas que resistem aos mais intrincados processos de negação elaborados pelo materialismo, do qual é o mais vigoroso adversário.
Não se compadecendo com pieguismos culturais e atavismos ancestrais, o Espiritismo assenta-se na razão, que demonstra por meio dos conceitos avançados em torno do ser humano, da vida e da sua finalidade, tornando-se, por isso mesmo, um fértil campo de princípios filosóficos que dignificam e libertam as mentes e os sentimentos humanos.
Firmado nos princípios das Leis naturais, aquelas que regem o Universo, não pode ser ultrapassado, porque, à medida que surjam novas idéias centradas na lógica e resistentes aos combates extemporâneos da insensatez, o Espiritismo as aceitará, e quando essas conquistas do conhecimento demonstrarem que seja improcedente algum dos seus postulados, este será eliminado ou se amoldará ao impositivo da circunstância.
Não possuindo qualquer tipo de culto, de cerimonial, de ritualismo, de sacerdócio organizado ou equivalente, é a religião do ser integral, porque possui todos os fundamentos das religiões - Deus, imortalidade da alma, justiça divina, elevação de pensamento através da oração, exercício e vivência do amor - adentrando-se na demonstração da excelência desses conceitos, em face da sua feição de ciência experimental. Assim, para culminar esse objetivo demonstra a imortalidade do ser; mediante a sua comunicabilidade depois do decesso tumular; a justiça divina, recorrendo à reencarnação, que ora se converte na chave indispensável à compreensão dos acontecimentos históricos, sociológicos, humanos, econômicos, morais e espirituais que envolvem os indivíduos; a comunhão mental com a Fonte Geradora de vida, por meio do intercâmbio entre aquele que ora e o Fulcro ao qual é direcionada a emissão mental.
Em uma doutrina portadora de constituição elevada e sólida, sem brechas para o aventureirismo ou para o mercantilismo adivinhatório, somente se equivoca aquele que prefere manter-se à margem dos seus ensinamentos, que são claros como a luz que esbate a treva, ou que prefere o engodo à verdade, a fantasia à realidade, vivendo o período infantil do pensamento, irresponsável, portanto, ante os desafios existenciais para decifrar-se e avançar com segurança no rumo do destino traçado que tem à frente.
Não obstante, grassam em abundância, e multiplicam-se férteis, informações destituídas de veracidade, como aliás do agrado das pessoas acostumadas ao ludíbrio, às vaidades e exaltações do ego, que somente prejudicam, contribuindo para o aumento da ignorância e leviandade em torno dos assuntos relevantes da Humanidade.
Pseudo médiuns ou medianeiros em desequilíbrio, assessorados por Espíritos levianos que se comprazem em mantê-los no ridículo, amiúde apresentam-se como reveladores, e o são inconseqüentes, ludibriando a boa-fé dos incautos ou incensando os orgulhosos com bombásticas informações em torno do seu passado, com promessas mirabolantes sobre o seu futuro, ou ainda, como emissários de Embaixadores Celestes para evitarem calamidades, alterarem acontecimentos, assumindo posturas de semi-deuses, que deslumbram os fascinados e se tornam condutores dos grupos humanos.
Os Espíritos Nobres não têm qualquer interesse em revelações em torno de personalidades de ontem ou de hoje, evitando a abordagem em torno do que hajam sido, trabalhando em favor do presente, do qual se origina o futuro, que é a grande meta.
Não tem nenhum sentido a busca de informações em torno do passado espiritual, particularmente se se anela por haver sido rei ou príncipe, nobre ou burguês, sábio, guerreiro ilustre, papa ou outra qualquer personagem importante, que em algum momento esteve presente na História.
A Lei é de progresso, portanto, evidente que se é sempre melhor do que aquilo que se haja sido, não se devendo preocupar com cargos e homenagens do pretérito, agora mortos, e cuja evocação somente levaria à presunção, à ociosidade dourada ou à lamentação.
Outrossim, proliferam outras revelações trágicas em torno do fim dos tempos, das tragédias que irão ocorrer, como se não fossem elas do cotidiano, variando de expressão e de lugar, todas igualmente parte integrante do processo evolutivo de um planeta inferior, que avança para outro degrau na escala dos mundos.
O homem encontra-se reencarnado para aproveitar a oportunidade de reparação e aquisição de valores que lhe faltam na economia intelecto-moral, não para repetir experiências infelizes com novos fracassos ou para cultuar memórias extravagantes e fantasiosas, que em nada contribuem para a sua evolução. Cumpre, portanto, precatar-se todo aquele que se interesse pelo Espiritismo, com revelações inconseqüentes, estudando a Doutrina e praticando-a com segurança, lançando o pensamento para a frente e para cima, na certeza de que cada um é o que de si próprio faz. O fato de haver alguém vivido em área de destaque não significa ser Espírito feliz, antes comprometido com as graves responsabilidades que nem sempre soube honrar e que agora defronta para corrigir.
A meta que todos devemos perseguir é aquela que conduz à auto-realização, utilizando-nos do serviço de dignificação da vida e das criaturas em cujo grupo nos encontramos, encarnados ou não, porém, unidos no mesmo ideal de edificação de um mundo melhor para todos, longe do sofrimento, da ilusão, da ignorância, sempre responsável pelo mal que viceja em nós e nos retém na retaguarda de onde procedemos.

Autor: Vianna de Carvalho (espírito)
(Página recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na reunião da noite de 14 de abril de 1996, em Quarteira, Portugal.)





9 de dezembro de 2009

EVANGELHO E ALEGRIA

Grande injustiça comete quem afirma encontrar no Evangelho a religião da tristeza e da amargura.
Indubitavelmente, o sacerdócio muita vez impregnou o horizonte cristão de nuvens sombrias, com certas etiquetas do culto exterior, mas o Cristianismo, em sua essência, é a revelação da profunda alegria do Céu entre as sombras da Terra.
A vinda do Mestre é precedida pela visitação dos anjos.
Maria, jubilosa, conversa com um mensageiro divino que a esclarece sobre a chegada do Embaixador Celestial.
Nasce Jesus na manjedoura humilde, que se deslumbra ao clarão de inesperada estrela.
Tratadores rústicos são chamados por um emissário espiritual, repentinamente materializado à frente deles, declarando-se portador de “notícias de grande alegria” para todo o povo. No mesmo instante, vozes cristalinas entoam cânticos na Altura, glorificando o Criador e exaltando a paz e a boa vontade entre os homens.
Começa a reinar o contentamento e a esperança...
Mais tarde, o Mestre inicia o seu apostolado numa festa nupcial, assinalando os júbilos da família.
Como que percebendo limitação e estreiteza em qualquer templo de pedra para a sua palavra no mundo, o Senhor principia as suas pregações à beira do lago, em pleno santuário da natureza. Flores e pássaros, luz e perfume representam a moldura de sua doutrinação.
Multidões ouvem-lhe a voz balsamizante.
Doentes e aleijados tocam-se de infinitas consolações.
Pobres e aflitos entrevêem novos horizontes no futuro.
Mulheres e crianças acompanham-no, alegremente.
O Sermão da Montanha é o hino das bem-aventuranças, suprimindo a aflição e o desespero.
Por onde passa o Divino Amigo, estabelece-se o contentamento contagiante.
Em pleno campo, multiplica-se o pão destinado aos famintos.
O tratamento dispensado pelo Mestre aos sofredores, considerados inúteis ou desprezíveis, cria novos padrões de confiança no mundo.
Desdobra-se o apostolado a Boa Nova, no clima da alegria perfeita.
Cada criatura que registra as notas consoladoras do Evangelho começa a contemplas o mundo e a vida, através de prisma diferente.
Surge-lhe a Terra por bendita escola de preparação espiritual, com serviço santificante para todos.
Cada enfermo que se refaz para a saúde é veículo de bom ânimo para a comunidade inteira.
Cada sofredor que se reconforta constitui edificação moral para a turba imensa.
Madalena, que se engrandece no amor, é a beleza que renasce eterna, e Lázaro, que se ergue do sepulcro, é a vida triunfante que ressurge imortal.
E, ainda, do suor sangrento das lágrimas da cruz, o Senhor faz que flua o manancial da vida vitoriosa para o mundo inteiro, com o sol da ressurreição a irradiar-se para a Humanidade, sustentando-lhe o crescimento espiritual na direção dos séculos sem fim.

Emannuel
LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL - Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos

8 de dezembro de 2009

A AJUDA DIVIDA

Chovia torrencialmente. O rio transbordava, as águas invadiam o vilarejo.
Aquele crente, que morava sozinho em confortável vivenda multiplicou, orações, pedindo a assistência do Céu.
Em dado momento, ante o avanço da enchente, foi para o telhado, confiante de que Deus o salvaria.
As águas subindo…
Passou um barco recolhendo pessoas ilhadas.
– Não é preciso. Deus me salvará!
As águas subindo…
Passou uma lancha…
– Fiquem tranqüilos! Confio em Deus.
As águas subindo…
Passou um helicóptero…
– Sem problema! Deus me protegerá.
As águas subiram mais, derrubaram a casa e o homem morreu afogado…
Diante do Criador, na vida eterna, reclamou:
– Oh! Senhor! Confiei em ti e me falhaste!
– Engano seu, meu filho! Mandei um barco, uma lancha e um helicóptero para recolhê-lo!

***

Não estamos entregues à própria sorte, como sugere o pensamento materialista de Jean Paul Sartre (1905-1980).
O Senhor não esquece ninguém. A todos estende sua mão complacente, dando-nos condições para enfrentar nossas dificuldades e dissabores.
Há um problema: raramente identificamos a ação divina. Isso porque as respostas de Deus nem sempre correspondem às nossas expectativas.
Pedimos o que desejamos.
Deus nos dá o que precisamos.
Os temporais da existência simbolizam as esfregadas da Providência Divina, ensejando mudança de rumo.
Senão, vejamos:

1. A doença respiratória…
2. O lar em desajuste…
3. A dificuldade financeira…
4. A perda do emprego…
5. O acidente automobilístico…

São situações constrangedoras que nos perturbam.
Pedimos a ajuda divina.
Deus vem em nosso auxílio, mas é preciso que nos disponhamos a tomar o barco do futuro, deixando no passado velhas tendências.
Podemos considerar, na mesma seqüência, que:

1. O tabagismo afeta os pulmões.
2. A incompreensão conturba o relacionamento afetivo.
3. A indisciplina nos gastos faz rombos nas contas
4. A displicência profissional resulta em demissão.
5. A irresponsabilidade no trânsito favorece desastres.

A pouca disposição em encarar nossos erros e desacertos, como causa de nossas dificuldades e problemas, neutraliza a ação divina em nosso benefício.
As crises sugerem mudanças.
Se não mudamos com elas, sempre nos sentiremos abandonados por Deus, incapazes de identificar o socorro divino.

***

A propósito vale lembrar interessante texto, que me veio ter às mãos, sem indicação do autor:

Pedi a Deus para tirar os meus vícios.
Deus disse:
– Compete a ti superá-los.

Pedi a Deus para fazer completo meu filho deficiente.
Deus disse:
– Seu Espírito é completo. O corpo é temporário.

Pedi a Deus para me dar paciência.
Deus disse:
– Paciência não é dádiva. É aprendizado.

Pedi a Deus para me dar felicidade.
Deus disse:
– Eu dou bênçãos. Felicidade depende de ti.

Pedi a Deu para me livrar da dor.
Deus disse:
– Sofrer te afasta do mundo e te aproxima de Mim.

Pedi a Deus para fazer meu espírito crescer.
Deus disse:
– Deves crescer por si próprio. Farei a poda para que dês frutos.

Pedi a Deus todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Deus disse:
– Eu te darei Vida para que aprecies todas as coisas.

Pedi a Deus para me ajudar a amar os outros como Ele me ama.
Deus disse:
– Ahhh! Finalmente entendeste!

Richard Simonetti
Livro Abaixo a Depressão

7 de dezembro de 2009

É NATAL.....O QUE OFERTAMOS AO ANIVERSARIANTE


No Livro “Os Mais Belos Contos de Natal”, com o título de O Quarto Rei Mago, há um deles, belíssimo, escrito pôr Joannes Joergensen, no qual atribui a uma lenda o fato de que Jesus não sorriu, ao receber as oferendas dos Reis Magos (Gaspar, Melquior e Baltazar), que se constituíam de ouro, incenso e mirra.
Mas o autor se refere ä existência de um quarto rei, originário da Pérsia, que chegou atrasado ... e de mãos vazias. Ao narrar pôr que chegara de mãos vazias, fez o pequeno Jesus se voltar para ele, estender-lhe suas mãozinhas e sorri-lhe.
Em seu relato afirma que, ao partir de seu amado país, trazia-Lhe precioso tesouro: três pérolas brancas, cada uma semelhante a um ovo de pomba, retiradas do mar da Pérsia.
Contudo, a primeira delas ofertou ao hospedeiro de uma estalagem, a fim de que buscasse um médico para um velho que tremia de febre, estendido num banco, próximo ä lareira. Era magro e pobre, e muito parecido com seu próprio pai... Certamente seria enxotado no dia seguinte, se não morresse até lá. Que cuidasse dele e, se fosse o caso, desse-lhe uma sepultura digna.
No dia seguinte, em viagem, ouviu gritos vindo de um bosque. Verificou que se tratava de soldados que iam violentar jovem mulher.
Com a segunda pérola comprou sua liberdade. Ela beijou as mãos do rei e fugiu célere para as montanhas.
Restava-lhe uma pérola e, ao menos esta, pensava consigo, seria entregue ao pequeno Rei, nascido no Ocidente.
Seguindo em frente, aproximou-se de uma pequena cidade em chamas. Eram os soldados de Herodes, a executar-lhe as ordens de matar as crianças de dois anos para baixo.
Um deles mantinha, dependurado pôr uma perna, pequeno menino que se debatia e gritava. Ameaçava jogá-lo ao fogo. Sua mãe gritava desesperadamente.
Com a terceira pérola resgatou a criança, devolvendo-a á mãe, que a enlaçou em seus braços, fugindo, sem ao menos agradecer-lhe, tamanha era sua angústia.
Pôr isso, chegara de mãos vazias... e lhe pedia perdão.
Aquele rei trazia, sim, as mãos vazias, mas o coração, esse, estava pleno de amor.
A compaixão que o moveu, nas três circunstancias, foi o melhor presente que, afinal, ofereceu ao meigo Jesus, ainda infante. Na sua conduta, demonstrou que se harmonizava com os futuros ensinos de Jesus em seu Evangelho. Nele, a vivência era visível e já se tornara uma segunda natureza. Já possuía o salutar hábito da bondade, em todas as suas ações.
O Espiritismo, o Consolador prometido pôr Jesus tem como objetivo primordial restabelecer, na Terra, o Cristianismo primitivo, sem os atavios e distorções que lhe acrescentamos, os homens que o não assimilamos, que o não compreendemos.
Em Jesus temos “o conquistador diferente”, no, dizer do Irmão X. “Jamais humilhou e feriu (...) recebeu sem revolta, ironias e bofetadas (...)” Ainda assim o temos tratado.
Pois, que temos nós ofertado ao Divino Amigo ? Que temos feito de nossas vidas?
Será que o fazemos sorrir ? Ou chorar ?
Nossas mãos estão vazias porque nos despojamos de egoísmo e somos mais fraternos, mais dados a compaixão, mais caridoso material e moralmente, ou porque nada nos comove ?
Temos hoje nova visão do Natal, ou permanecemos nas velhas ilusões do desperdício, da matança de animais, das bebedeiras, da alegria exterior? Compartilhamos com o próximo, de qualquer condição social, o júbilo íntimo, os bens e os talentos?
No nosso Natal, o Cristo está presente?

6 de dezembro de 2009

REENCONTRO NA FRONTEIRA DE DOIS MUNDOS

“Veia” querida, auxilie-me com sua bênção.
É isso aí.
Dois anos.
Tempo rápido com tantas realizações que eu não esperava. Realizações das melhores. Minha volta aos braços do pai Gastão, e nosso encontro em nível diferente Reencontro na fronteira de dois mundos.
Se alguém supôs que eu estava caído para sempre na roleta da vida, enganou-se de todo, porque a zebra não me apareceu.
Reergui-me do corpo horizontalizado com a íntima alegria de não haver diretamente provocado a ocorrência que nos separou e nos reuniu ao mesmo tempo, mais ainda.
Se eu pudesse, Mamãe, secaria todas as suas lágrimas com os meus beijos de gratidão. Afinal, o choro é também meu, mas a porteira que atravessei continua aberta e, por ela seu coração está no meu, tanto quanto conservo o seu comigo.
Quem diz que há cercas eternas?
A morte é apenas um sono profundo no corpo de que o interessado se retira, tão acordado quanto se achava antes de dormir.
Peço-lhe. Não guarde qualquer impressão negativa. O que passou, passou. Deus permanece. E Deus está no amor com que nos amamos.
Já sei que se cometi alguma leviandade, entregando-me ao jogo que terminou com as perdas de meu lado, o seu carinho já me perdoou aquelas setenta vezes sete vezes. E o seu perdão é ainda maior do que supunha conseguir encontrar em seu devotamente.
Conheço as horas em que você se põe a raciocinar, situando-se no lugar das mães e cujos filhos se atribui essa ou aquela culpa na Terra, e compreendo a extensão da bondade com que você reconhece comigo que o lado da cruz é sempre o melhor, especialmente para aqueles que confiam na Providência Divina.
Agradeço as suas lágrimas que me falam sem palavras da sua ternura imensa, mas registro igualmente a minha profunda gratidão pelos pensamentos de paz que você irradia na direção de quantos se envolveram naquela liquidação de débitos em que me vi, naquele dez de fevereiro de dois anos passados.
Agora, é aquele momento em que você nos comunicava a sua opinião, quando lhe expúnhamos algum assunto triste:
- “Deixem isso pra lá”.
Pois é.
Deixemos pra lá o que já se foi, e rendamos graças a Deus por termos saído de tantos grudes e sem teias de aranha na cabeça.
Você pode continuar com suas tarefas de operária do bem com tranquilidade, e seu filho também com tranquilidade consegue agir e aprender a servir em planos diferentes.
Continue, “Véia querida”.
Seu esforço é base para muita construção de seus filhos. Eduardo, Ângela e Márcia com este seu Henrique de trabalhadeira, devem aos seus exemplos o que jamais conseguiremos resgatar.
A existência do mundo é uma caminhada que a pessoa realizada julgando-se num lugar único. Muita gente se apega tanto ao que acredita ser e ao que imagina possuir, que acaba na posição da criatura repentinamente desapropriada pela morte de todos os pertencer a que inutilmente se agarra, candidatando-se a longos tratamentos da saúde mental. Mas você caminha, porque aqueles que agem a benefício dos outros, estão marchando para frente.
Creia que não estou a paparica-la com medalhas que você não precisa e nem pede. Externo apenas o meu carinhoso reconhecimento. Pensando bem, se nós, os filhos, não demonstrarmos gratidão e amor às nossas mães e pais, quem fará isso por nós?
Quem nos terá suportado a infância chorosa e doente nos braços; quem terá velado conosco nos grandes momentos da bronquite e do sarampo? Quem nos terá ensinado a recordar as primeiras palavras e a repetir o nome de Deus?
Se existe um tributo de pessoa humana que somente a Infinita Bondade do Pai Misericordioso consegue pagar, esse é o imposto bendito que devemos aos pais que nos recolheram no mundo.
Deste “outro lado”, penso muito nisto. A dívida cresce quando a consciência se ilumina. E agradeço a Deus o coração de Mãe que me guardou íntegro e fiel a mim mesmo no melhor que pude sentir e trazer.
Nossa festa de aniversário está orvalhada de prantos, porque é diferente. É o meu nascimento em outra vida em que o amor é mais forte e mais belo.
Com os amigos presentes, temos conosco alguns dos companheiros mais queridos que vieram para cá de modo mais apressado, isto é, sem a preparação de colher, remédio, aflição e leito.
Vejamos: do que se acham em nossa companhia, enumerá-los-ei por ordem de chegada:
O primeiro da turma de hoje, foi o Jurandir Nascimento, que regressou em maio de 70; o segundo foi o Izídio, em 74; em seguida estou eu, o seu filho Henrique, e, em quarto lugar, temos o nosso Maurício Vieira, que atualmente é quase um rapaz pela maturidade espiritual que já atingiu.
Falo aqui somente dos companheiros acidentados, mas temos amigos outros que nos honraram com a incumbência de faze-los presentes à lembrança dos familiares queridos.
De todos, pelo imenso amor à família, devo salientar o pedido de nosso irmão Vladimir Casagrande, que nos recomenda dizer à companheira Dona Maria Aparecida Geraldes Casagrande, que ele vai seguindo bem, fazendo quanto pode a fim de adaptar à nova ordem das cousas a que a desencarnação nos compele, e solicita aos filhos queridos – Casagrande Júnior, Walmir e Mônica – prosseguiram auxiliando a mamãe, com a certeza de que a morte não lhe extinguiu o carinho e a presença.
O amigo médico – Dr. Raul Briquet – pede muita serenidade à esposa Dona Cecília, esclarecendo que ambos prosseguem juntos.
E um amigo, que se faz conhecer por Irmão Tostes, roga às nossas irmãs D. Maria de Lourdes Tostes Aquino Leite e Tahis Scaglia auxiliarem ao jovem Fernando que as deixou na Terra, há alguns dias, numa provação em que se cumpriram desígnios do passado.
Diz nosso Irmão para que a mãezinha dele – Dona Maria de Lourdes -, tanto quanto lhe seja possível, procure consolar-se no clima da religião, sem perder a fé em Deus e sem desejar seguir o filho querido para a região em que nos achamos, pois os sofrimentos dela o alcançam, de maneira dolorosa, de vez que ele lhe escuta os apelos e as palavras de angústia sem poder ainda articular qualquer resposta.
Entendemos isto.
A dor dos que nos amam nos segue nos primeiros tempos do Além-Morte, qual se fosse uma sobretaxa de aflição, às vezes maior do que a própria aflição que nos toma o espírito inexperiente.
Peçamos a bênção de Jesus e sigamos ao encontro da Vida, porque a Vida é de Deus, e devemos obedecer aos Planos Divinos, conquanto na Terra sejam eles traduzidos em linguagem de sofrimento.
Minhas possibilidades de escrever estão terminando, mas não posso esquecer o seu pedido nas preces últimas – aquele que se refere às notícias do Maninho, do Wade e o Hermilon, que vieram para cá, em novembro passado.
Mãe querida; console os pais que ficaram desolados.
Tenho visto o Maninho e os companheiros. Peço dizer aos nossos amigos, Sr. Lúcio e Dona Maria, que ele está sempre melhor.
O mesmo ocorre com o Wade e com o Hermilon – três valorosos soldados da esperança, que viviam unidos no estudo e no trabalho, e que juntos voltaram integrados na mesma abençoada amizade que os reúne ainda e sempre.
Se possível “Véia”; conduza este correio aos nossos amigos Sr. João e Dona Geraldina, Sr. Waldir e Dona Elza -, não sei se estou acertando nomes, pois, ultimamente, somente vi as famílias dos amigos aqui recém-chegados, no Jardim, de Campinas, depois das botas de elefante da jamanta que liquidou com o Opala, como se as máquinas por aí fossem dinossauros da antiguidade, arrasando a vida por onde passam.
Sabemos que a Lei é sempre Lei, e, que ninguém foge ao que a Lei determina, no entanto, dói ver tantos amigos regressando por atritos das engrenagens do progresso, embora, por aqui, estejamos informados de que muita gente está voltando em plena juventude e em completa meninice, numerosos amigos a se preparem, com mais suficiência, para as tarefas que os esperam no século próximo.
Sei que uma notícia dessa não reconforta mãe nenhuma e pai nenhum, mas a verdade é fria mesmo, e não podemos recusar-lhe pouso, sob pena de ficarmos na sombra de enganos que não devem permanecer.
Nosso querido Maurício beija os pais queridos e a querida vovó Augusta, e declara que está cooperando pela tranquilidade geral, notificando ainda ao nosso amigo Dr. José Vieira, que vem fazendo o possível por auxiliar o vovô Vieira nestes dias, algo mais abatido fisicamente.
Agora, é impossível continuar.
O meu plá ficou numa quilometragem de pasmar, no entanto, embora assim tão grande, está ainda muito longe do tamanho do meu amor e do meu reconhecimento ao seu coração de mãe, sempre mais querido.
Num alô para o Eduardo, peço a ele cuidado com a vida.
Mocidade verde pede amparo dos maduros.
Nosso Eduardo não deve andar tão depressa com as aquisições profissionais, a ponto de parecer que está decolando em tudo. Deus se contenta com a marcha do mundo em nos de trinta horas por dia-noite, e o trânsito em nossas estradas do “por aí” traça um limite aos oitenta. Em vôo, não sei a conta porque não entendi de pilotos, mas deve existir um padrão para aqueles que estão escalando os céus com o corpo mesmo.
Aqui, Mamãe querida, um ramo de flores com a música do meu coração, que é seu.
Receba-o com muitas lembranças a todos os nossos entes queridos e com todo o amor de seu filho, sempre seu companheiro do coração.
Henrique
-O abraço de meu pai Gastão, em nossa festa.
(H.)
Henrique Emmanuel Gregoris


“O LADO DA CRUZ É SEMPRE MELHOR”

Tanto na mensagem anterior, quanto na que ora analisamos, recebida pelo médium Xavier, no Grupo Espírita da Prece, na noite de 10 de fevereiro de 1978, Henrique se refere à porteira, batendo na tecla da alegria, ao recordar a toada que cantava no recesso do lar, nos tempos da vida terrestre.
Mais uma vez, volta o Espírito a afirmar “não haver diretamente provocado a ocorrência”, que o reconduziu à vida Espiritual, admitindo, porém, ter cometido “alguma leviandade, entregando-me ao jogo que terminou com as perdas de meu lado”.
E se rejubila com o perdão materno.
**
Autêntico repórter da Espiritualidade Maior; enumera Henrique os companheiros por ordem de chegada, colocando-se em terceiro lugar.
1- Jurandir Nascimento: Amigo desencarnado em acidente, em 1970.
2- Izídio: Trata-se de Izídio Inácio da Silva, desencarnado a 26 de fevereiro de 1974, sobre quem falamos na mensagem “Pedaço de Terra para Cultivar Esperanças/O Esporte da Beneficência”.
3- Maurício Vieira: “que atualmente é quase um rapaz pela maturidade espiritual que já atingiu”. O Espírito se refere a Maurício Xavier de Vieira, desencarnado a 17 de maio de 1976, (veja mensagem “O Céu é o Amor com que nos queremos uns aos outros”), em consequência de queimaduras, por acidente.
A propósito do crescimento do Espírito em termos de estatura, sugerimos a consulta aos Capítulos 29 e 30 de Entre Duas Vidas (1), onde Rosângela, a jovem desencarnada, defronta-se com Tomé, o irmão que partira criança para o Além e já se encontra praticamente adulto, na Espiritualidade.
4- Vladimir Casagrande: Importante o fato de o Espírito de Henrique declinar os nomes de todos os elementos da família Casagrande, residentes à Rua Chile, em Votuporanga, Estado de São Paulo, a pedido do chefe desencarnado.
5- Dr. Raul Briquet: Confortadora a recomendação da entidade espiritual, através de Henrique, à sua esposa, D. Cecília, presente à reunião.
6- Irmão Tostes: Refere-se a Fernando que, com efeito, desencarnou em acidente.
Lourdes Tostes Aquino Leite e Tahis Scaglia – residentes em Brasília – Distrito Federal.
Oportuno o lembrete endereçado à D. Maria de Lourdes: “tanto quanto lhe seja possível, procure consolar-se no clima da religião”.
7- Maninho, Wade e Hermilon: Amigos de Henrique, desencarnados juntos, em novembro de 1977.
São seus pais, respectivamente: Sr. Lúcio e D. Maria; Sr. Waldir e D. Elza; e Sr. João e D. Geraldina.
Genial a comparação das jamantas – máquinas modernas – com os dinossauros da antiguidade, arrasando a vida por onde passam.
8- Eduardo: Trata-se do irmão do comunicante, entusiasta da aviação civil, a quem tantas vezes Henrique se dirigiu, nas páginas de Enxugando Lágrimas.
**
Para concluir este já longo arrazoado, procuremos, leitor amigo, reler o seguinte trecho antológico da mensagem, do ponto de vista doutrinário, constituindo-se, por isso mesmo, em verdade fria.
“Sabemos que a Lei é sempre Lei, e que ninguém foge ao que a Lei determina, no entanto, dói ver tantos amigos regressando por atritos das engrenagens do progresso, embora, por aqui, estejamos informados de que muita gente está voltando em plena juventude e em completa meninice, numerosos amigos a se prepararem, com mais suficiência, para as tarefas que o esperam no século próximo”.
“Sei que uma notícia dessa não reconforta mãe nenhuma e pai nenhum, ms a verdade é fria mesmo, e não podemos recusar-lhe pouso, sob pena de ficarmos na sombra de enganos que não devem permanecer”.
**
NOTA:
(1) – Francisco Cândido Xavier, Elias Barbosa e Espíritos Diversos, “Entre Duas Vidas”, CEC, 3a. Edição, Uberaba-MG, 1978, pp. 89-95.

Da Obra: “CLARAMENTE VIVOS” – ESPÍRITOS DIVERSOS.
Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER – Produção: Elias Barbosa

5 de dezembro de 2009

A CARIDADE MAIOR

EM LEMBRANÇA AOS 75 ANOS DE DESENCARNE DE HUMBERTO DE CAMPOS VERAS ( IRMÃO X), OCORRIDO EM 05.12.1934, NO RIO DE JANEIRO.

Ao Homem que alcançara o Céu, pedindo orientação sobre as tarefas de benemerência social que pretendia estender na Terra, o Anjo da Caridade falou compassivo:
– Volta ao mundo e cumpre, de boa vontade, as obrigações que o destino te assinalou!...
Para que te sintas de pé, cada dia, milhões de vidas microscópicas esforçam-se em tua carne, garantindo-te a bem-estar...
Cada órgão e cada membro de teu corpo amparam-te, abnegadamente, para que te facas abençoado discípulo da civilização.
Os olhos identificam as imagens que já podes perceber, livrando-te da desordem interior.
Os ouvidos selecionam sons e vozes para que não vivas desorientado.
A língua auxilia-te a expressar os pensamentos, enriquecendo-te de sabedoria.
As mãos realizam-te os sonhos, engrandecendo-te o caminho na ciência e na arte, no progresso e na indústria.
Os pés sustentam-te a máquina física para que te não arrojes à inércia.
A boca mastiga os alimentos para que te não condenes à inação.
Os pulmões asseguram-te o ar puro contra a asfixia.
O estômago digere as pegas com que nutrirás próprio sangue.
O fígado gera forças vitais que te entretêm a harmonia orgânica.
O coração movimenta-se sem parar, escorando-te a existência..
Vives da caridade de inúmera vidas inferiores que te obedecem a mente.
Torna, pois, ao lugar em que o Senhor te situou e satisfaze as tarefas imediatas que o mundo te reserva!...
Caridade é servir sem descanso, ainda mesmo quando a enfermidade sem importância te convoque ao repouso;
é cooperar espontaneamente nas boas obras, sem aguardar o convite dos outros ;
é não incomodar quem trabalha;
é aperfeiçoar-se alguém naquilo que faz para ser mais útil ;
e suportar sem revolta a bílis do companheiro;
é auxiliar os parentes, sem reprovação ;
é rejubilar-se com a prosperidade do próximo;
é resumir a conversação de duas horas em três ou quatro frases ;
é não afligir quem mos acompanha ;
é ensurdecer-se para a difamação;
é guardar o bom-humor, cancelando a queixa de qualquer procedência ;
é respeitar cada pessoa e cada coisa na posição que lhes é própria...
E por que o Homem ensaiasse inoportunas indagações, o Anjo concluiu:
– Volta ao corpo e age incessantemente no bem!...
Não percas um minuto em descabidas inquirições. Conduze os problemas que te atormentam o espírito ao teu próprio trabalho e o teu próprio trabalho liquida-los-á...
A experiência aclara o caminho de quantos lhe adquirem o tesouro de luz. Recolhe as crianças desvalidas, ampara os doentes, consola os infelizes e socorre os necessitados. Não olvides, pois, que a execução de teus deveres para com o próximo será sempre a tua caridade maior.

Livro Cartas e Crônicas - Espírito Irmão X - Psicografia Francisco C. Xavier.

3 de dezembro de 2009

COMPROMISSO COM A FÉ ESPÍRITA




Meus filhos,
Que Jesus nos abençoe!
Vivemos nos dias tormentosos anunciados pelas Escrituras. Experimentamos as glórias da Ciência e da Tecnologia, do pensamento e da arte. No entanto, caminhamos pela senda de espinhos que assinalam sofrimentos, reduzindo a criatura humana à violência, ao despautério, à loucura. Sem dúvida, as conquistas que anotamos em todo lugar, não lograram tornar a criatura humana interior mais feliz nem mais tranqüila, salvadas algumas exceções. São os instantes em que os cristãos novos estamos convocados a profundas reflexões. De todo lado, a angústia espreita, a perversidade agride e o desalinho conduz as massas. Homens e mulheres, sitiados no castelo do eu, desvairam, por que perderam contacto com o amor.
O amor é a resposta da Vida para o momento truanesco que atravessamos.
Vivenciá-lo na grandiosidade do pensamento cristão é um convite que a imortalidade nos faz através das vozes do céu, restaurando o pensamento de Jesus, que tem permanecido vestido de dogmas, de cerimônias e de fantasias.
Torna-se indispensável romper de maneira positiva com o ergástulo no qual ainda nos encontramos vitimados. Jesus é o libertador, e a Sua mensagem, quando aceita pela mente, será vivida pelo sentimento livre de toda e qualquer manifestação dogmatista e de delinqüência. Projetá-la de maneira consciente, para que a Ciência a exteriorize através do pensamento são, da palavra lúcida e das ações enobrecidas, é dever que não nos cabe postergar. Nesses conflitos, que nos desafiam a capacidade de discernimento e nos provocam tomadas de decisões, às vezes, apressadas, há convites para desvio da finalidade que abraçamos, do compromisso que temos para com a Doutrina dos Espíritos. Se é verdade que o espiritista não se pode marginalizar em torno dos acontecimentos que sacodem a sociedade, o planeta, não menos verdade é que, comprometido com o ideal espírita, possui, nos conteúdos doutrinários, os instrumentos hábeis para mudar a situação que vivemos, por intermédio da educação das gerações novas, da auto-educação, mediante a transformação moral que se deve impor e também dos esclarecimentos que, libertando a criatura humana das suas paixões primitivas, tornam-na capaz de mudar as estruturas perturbadoras da sociedade.
É necessário que tenhamos muito cuidado para não nos desviarmos dos objetivos essenciais da Doutrina, que se coloca acima das questões inquietadoras deste momento.
Viver espiriticamente é trabalhar sem desfalecimento pela construção de uma era nova sim, que deve começar no próprio indivíduo, na sua transformação interior.
Adversários de ontem que ressumam em forma de atavismos cruéis e as ações de hoje que nos convocam ao prazer com o desalinho do nosso comportamento constituem perigos muito graves. Aprendemos com Jesus, que muitas vezes é necessário perder em determinado momento para poder estar em paz a partir daí e de triunfar na glória desenhada pela verdade. A nossa preocupação de mudar o mundo não pode abandonar o compromisso da nossa mudança interior. O nosso compromisso com a fé espírita é de urgência e todos os esforços devem ser envidados para conseguirmos esta meta.
Não nos enganemos, evitando enganarmos aos outros. Jesus é o nosso líder insuperável e Allan Kardec tem-Lhe sido discípulo de escol, que nos pôde trazer a Sua palavra vestida de luz para clarear os caminhos do futuro.
Outros apóstolos que lhes foram fiéis desincumbiram-se a contento do ministério abraçado por que não negacearam, não negligenciaram com o dever, não se permitiram abraçar as propostas fascinantes que se constituem desvios dos objetivos essenciais, a fim de receber o aplauso do mundo e permanecer no pódio das considerações terrestres.
Nunca nos esqueçamos que o Mestre recebeu como tributo de gratidão da massa beneficiada a cruz de ignomínia que transformou em asas de luz.
Não fazemos apologia do masoquismo perturbador nem estabelecemos como fundamental o sofrimento, nada obstante, nele reconheçamos o melhor amigo do Espírito em processo de autoburilamento.
Sucede que a nossa proposta, pelas suas características de transformar a Terra, fere interesses individuais e coletivos, agride sistemas e organizações ultramontanos que têm permanecido na condição de dirigentes dos povos. E é natural que as reações individuais e coletivas se façam de imediato assustando-nos ou intimidando-nos.
Não temamos nunca aqueles que nada nos podem fazer ao Espírito, embora momentaneamente cerceem-nos os passos e gerem dificuldades para a execução dos nossos programas iluminativos. Evitemos compactuar com as suas pro- postas muito bem estabelecidas na forma, guardando a animosidade contra os objetivos que abraçamos.
O apoio de personalidades proeminentes e de organizações poderosas agrada-nos muito, mas não esqueçamos que o nosso trabalho-desafio é de demolir aquilo que se encontra ultrapassado, destruir as idéias esclerosadas, substituindo-as pelas novas que vieram do Mais Além e receberam a contribuição lúcida de homens e mulheres que se reencarnaram sob a égide do Espírito de Verdade para que o Paracleto pudesse expandir a palavra de Jesus de pólo a pólo.
Em nossas reuniões verdadeiramente cristãs, nas quais podemos expender as nossas idéias, apresentar os nossos pensamentos, discordar, mas não derrapar nas discrepâncias que nos afastem uns dos outros, gerando animosidades, mantenhamos o nosso objetivo que é servir a Jesus, sem outro e qualquer interesse.
Trabalhemos, então, unificados, amando-nos cada vez mais, para lograrmos alcançar o momento de plenitude com que o Amigo Incomparável de todos nós nos acena desde agora.
Permanecei fiéis, obreiros da última hora, que está assinalada pelas glórias e conquistas, pelas dores e hecatombes, construindo o Reino de Deus na grande transição que aguarda o Mundo de Regeneração.
Muita paz, meus filhos.
Que o Senhor nos abençoe, são os votos do companheiro amigo e paternal de sempre,

Bezerra.
(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião do Conselho Federativo Nacional, na sede da FEB, em Brasília, no dia 10 de novembro de 2002.)
Nota: Texto revisado pelo médium e pelo Autor espiritual

2 de dezembro de 2009

AÇÃO DO PENSAMENTO



Todo pensamento cultivado se incorpora à conduta do homem.
O pensamento é força que plasma desejos cuja consistência varia de acordo com a incidência da idéia geradora.
O mundo parafísico é constituído de energia mento-neuro-psíquica maleável à vontade que age sobre ela, elaborando as formas nas quais o indivíduo se aprisiona ou com elas se liberta.
A conduta mental responde pelo comportamento físico e moral.
Hábito é vida, na ação do dia-a-dia.
O ódio contumaz atira dardos destruidores como o ouriço irritado lança espículos ferintes.
A mágoa constante intoxica e enferma, à semelhança do pântano que exala miasma venenoso.
A revolta contínua alucina, tanto quanto a serpente agressiva pica e mata.
A inveja permanente desarticula a capacidade de julgamento equilibrado, qual ocorre com o ciúme que se atormenta e persegue com desatino.
Os lobos caem nas armadilhas para lobos.
Quem semeia desequilíbrio, defronta tempestades.
A amizade pura exterioriza simpatia afável como a violeta, o perfume agradável.
O amor irradia beleza, da mesma forma que a terra cultivada oferta o pão.
A bondade natural cativa o próximo, como a paisagem iluminada ganha a emoção superior.
O perdão indistinto aureola de paz que contagia, à semelhança da luz que penetra e aquece.
Cordeiros pastam com cordeiros.
A vida responde conforme a proposta da questão.
Quem esparge esperança recolhe bênçãos.
O homem é a sua vida mental, que lhe cumpre educar e movimentar a bem de si próprio e do progresso geral, co-construtor que é, consciente ou inconscientemente, na obra da divina Criação.

Autor: Carneiro de Campos
Psicografia de Divaldo Franco. Do livro: Seara do Bem

1 de dezembro de 2009

ORAÇÃO DE NATAL



Senhor Jesus.
Há quase dois milênios, estabelecias o Natal com tua doce humildade na manjedoura, onde te festejaram todas as harmonias da Natureza.
Reis e pastores vieram de longe, trazendo-te ao berço pobre o testemunho de sua alegria e de seu reconhecimento.
As estrelas brilharam com luz mais intensa nos fulgores do céu e uma delas destacou-se no azul do firmamento, para clarificar o suave momento de tua glória.
Desde então, Senhor, o mundo inteiro, pelos séculos afora, cultivou a lembrança da tua grande noite, extraordinária de luz e de belezas diversas.
Agora, porém, as recordações do Natal são muito diferentes.
Não se ouvem mais os cânticos dos pastores, nem se percebem os aromas agrestes da Natureza.
Um presepe do século XX seria certamente arranjado com eletricidade, sobre uma base de bombas e de metralhadoras, onde aquela legenda suave do "Gloria in excelsis Deo" seria substituída por um apelo revolucionário dos extremismos políticos da atualidade.
As comemorações já não são as mesmas.
Os locutores de rádio falarão da tua humildade, no cume dos arranha-céus, e, depois de um programa armamentista, estranharão, para os seus ouvintes, que a tua voz pudesse abençoar os pacíficos, prometendo- lhes um lugar de bem-aventurados, embora haja isso ocorrido há dois mil anos.
Numerosos escritores falarão, em suas crônicas elegantes, sobre as crianças abandonadas, estampando nos diários um conto triste, onde se exalte a célebre virtude cristã da caridade; mas, daí a momentos, fecharão a porta dos seus palacetes ao primeiro pobrezinho.
Contudo, Senhor, entre os superficialismos desta época de profundas transições, almas existem que te esperam e te amam.
Tua palavra sincera e branda, doce e enérgica, lhes magnetiza os corações, na caprichosa e interminável esteira do Tempo.
Elas andam ocultas nas planícies da indiferença e nas montanhas de iniqüidade deste mundo.
Conservam, porém, consigo a mesma esperança na tua inesgotável misericórdia.
É com elas e por elas que, sob as tuas vistas amoráveis, trabalham os que já partiram para o mundo das suaves revelações da Morte.
É com a fé admirável de seus corações que semeamos, de novo, as tuas promessas imortais, entre os escombros de uma civilização que está agonizando, à mingua de amor.
É por essa razão que, sem nos esquecermos dos pequeninos que agrupavas em derredor da tua bondade, nos recordamos hoje, em nossa oração, das crianças grandes, que são os povos deste século de pomposas ruínas.
Tu, que és o Príncipe de todas as nações e a base sagrada de todos os surtos evolutivos da vida planetária; que és a Misericórdia infinita, rasgando todas as fronteiras edificadas no mundo pelas misérias humanas, reúne a tua família espiritual, sob as algemas da fraternidade e do bem que nos ensinaste!...
Em todos os recantos do orbe, há bocas que maldizem e mãos que exterminam os seus semelhantes.
Os espíritos das trevas fazem chover o fogo de suas forças apocalípticas sobre as organizações terrestres, ateando o sinistro incêndio das ambições na alma de multidões alucinadas e desvalidas.
por toda parte, assomam os falsos ídolos da impenitência do mundo e místicas políticas, saturadas do vírus das mais nefastas paixões, entornam sobre os espíritos o vinho ignominioso da Morte.
Mas, nós sabemos, Senhor, como são falazes e enganadoras as doutrinas que se afastam da seiva sagrada e eterna dos teus ensinos, porque dissipas misericordiosamente a confusão de todas as almas, ainda que os seus arrebatamentos se apoiem nas paixões mais generosas.
Tu, que andavas descalço pelos caminhos agrestes da Galiléia, faze florescer, de novo, sobre a Terra, o encanto suave da simplicidade no trabalho, trazendo ao mundo a luz cariciosa de tua oficina de Nazaré!...
Tu, que és a Essência de nossos pensamentos de verdade e de luz, sabes que todas as dores são irmãs umas das outras, bem como as esperanças que desabrocham nos corações dos teus frágeis tutelados, que vibram nos mesmos ideais, aquém ou além das linhas arbitrárias que os homens intitularam de fronteiras! Todas as expressões da filosofia e da ciência dos séculos terrenos passaram sobre o mundo, enchendo as almas de amargosas desilusões.
Numerosos políticos te ridiculizaram, desdenhando as tuas lições inesquecíveis; mas, nós sabemos que existe uma verdade que dissimulaste aos inteligentes para a revelares às criancinhas, encontrada, aliás, por todos os homens, filhos de todas as raças, sem distinção de crenças ou de pátrias, de tradições ou de família, que pratiquem, a caridade em teu nome...
Pastor do rebanho de ovelhas tresmalhadas, desde o primeiro dia em que o sopro divino da vontade do Nosso Pai fez brotar a erva tenra, no imenso campo da existência terrestre, pairas acima do movimento 31 vertiginoso dos séculos, acima de todos os povos e de suas transmigrações incessantes, no curso do tempo, ensinando as criaturas humanas a considerar o nada de suas inquietações, em face do dia glorioso e infinito da Eternidade!...
Agora, Senhor, que as línguas da impiedade conclamam as nações para um novo extermínio, manifesta atua bondade, ainda uma vez, aos homens infelizes, para que compreendam, a tempo, a extensão do seu ódio e de sua perversidade.
Afasta o dragão da guerra de sobre o coração dilacerado das mães e das crianças de todos os países, curando as chagas dos que sangram de dor selvagem à beira dos caminhos.
Revela aos homens que não há outra força além da tua e que nenhuma proteção pode existir, além daquela que se constitui da segurança de tua guarda! Ensino aos sacerdotes de todas as crenças do globo, que falam em teu nome, o desprendimento e a renúncia dos bens efêmeros da vida material, afim de que entendam as virtudes do teu Reino, que ainda não reside nas suntuosas organizações dos Estados deste mundo!
Tu, que ressuscitaste Lázaro das sombras do sepulcro, revigora o homem modesto, no túmulo das vaidades apodrecidas!
Tu, que fizeste com que os cegos vissem, que os mudos falassem, abre de novo os olhos rebeldes de tuas ovelhas ingratas e desenrola as línguas da verdade e do direito, que o medo paralisou, nesta hora torva de penosos testemunhos! Senhor, desencarnados e encarnados, trabalhamos no esforço abençoado de nossa própria regeneração, para o teu serviço divino! Nestas lembranças do Natal, recordamos a tua figura simples e suave, quando ias pelas aldeias que bordavam o espelho claro das águas do Tiberíades!...
Queremos o teu amparo, Senhor, porque agora o lago de Genesaré é a corrente represada de nossas próprias lágrimas.
Pensamos ainda ver-te, quando vinhas de Cesaréia de Felipe para abençoar o sorriso doce das criancinhas...
De teus olhos misericordiosos e compassivos, corria uma fonte perene de esperanças divinas para todos os corações; de tua túnica humilde e clara, vinha o símbolo da paz para todos os homens do porvir e, de tuas palavras sacrossantas, vinha a luz do céu, que confunde todas as mentiras da Terra!...
Senhor, estamos reunidos em teu Natal e suplicamos a tua bênção!...
Somos as tuas crianças, dentro da nossa ignorância e da nossa indigência!...
Apiada-te de nós e dize-nos ainda:
-- "Meus filhinhos..."

Humberto de Campos
Do livro "Novas Mensagens", de Humberto de Campos, psicografado por Francisco Cândido Xavier,