11 de dezembro de 2009

ALIENAÇÃO EXISTENCIAL


Mais lamentável que a alienação mental, que atinge Espíritos encarnados e desencarnados, é alienação existencial que lhe dá origem.
É o viver sem noção dos porquês da existência.
De onde viemos, o que estamos fazendo na Terra, para onde vamos?
Fiz certa feita uma pesquisa junto a colegas de trabalho, com destaque para a seguinte pergunta: QUAL O OBJETIVO DA VIDA?
Pasmem amigos! A maioria, mesmo dentre os que se diziam religiosos, não souberam responder!
Agora, pergunto-lhe: Como pode alguém viver de forma disciplinada, corajosa, espiritualizada, se não sabe o que veio fazer na Terra?
Por isso as pessoas desajustam-se diante das vicissitudes, ficam doentes, atribuladas, infelizes, nervosas, desembocando, não raros, nos transtornos mentais que podem culminar na alienação.
Princípios religiosos tradicionais nos dizem que nossa alma foi criada por Deus no momento da concepção e que a felicidade futura vai depender de cumprirmos o que Deus espera de nós. Num espaço de alguns meses para alguns ou decênios para outros, decidiremos o nosso futuro para sempre.
É complicado, porque não somos todos iguais.
Não temos o mesmo caráter.
Não temos as mesmas disposições.
Não temos a mesma inteligência.
Não temos as mesmas virtudes.
Não temos a mesma compreensão.
Há gente boa e gente ruim.
Há gente inteligente e gente obtusa.
Há gente religiosa e gente materialista.
Há gente virtuosa e gente viciosa.
Há gente altruísta e gente egoísta.
Há gente perfeita e outras não.
Será que Deus nos fez assim, com tão gritantes diferenças, como se tivesse criado uns para salvação e outros para perdição?
Tais dúvidas induzem ao amornamento da crença e, não raro, à descrença.
Por isso, habituam-se as pessoas a viver sem questionamentos, preferindo o imediatismo terrestre às cogitações celestes.
O Espiritismo nos ajuda a superar a alienação existencial, a partir da fé racional, como propõe Kardec, compromissada com a lógica e o bom senso.
Somos Espíritos imortais.
Já vivemos múltiplas existências no passado e continuaremos a viver no futuro, desdobrando experiências de aprendizado e aprimoramento.
Cada um de nós tem uma idade espiritual, e nossa personalidade, com nossas facilidades e limitações, com nossas tendências boas ou más, é o somatório de nossas experiências do passado, do que fizemos.
As vicissitudes da Terra, os problemas e dissabores que enfrentamos guardam relação também com o nosso passado.
Tanto melhor os enfrentaremos quanto maior a nossa confiança em Deus e disposição de lutarmos contra nossas imperfeições, buscando fazer o melhor.
Perfeito! Encarar os desafios do caminho, na jornada da vida, com as lentes do Espiritismo, é a melhor maneira de não tropeçarmos na alienação.
Pode parecer um exagero o receber mesmo com alegria, os reveses e as decepções...
Difícil rir na dor ou festejar na frustração.
Mas não seria essa postura lógica de alguém que resgata uma divida? Se chorar diante do credor, não haverá de ser pela euforia de liquidar o debito?
E se difícil nos parece chegar a tanto, diante da adversidade, que pelo menos preservemos a sanidade física e espiritual, cultivando bom ânimo.
Realmente, a lei da reencarnação é a única que responde às perguntas: de onde vim, para onde vou, porque estou na Terra. É a única que justifica todas as anomalias e todas as injustiças aparentes da vida.
Sem a reencarnação, Deus perde a característica da perfeita justiça, deixando de ser Deus.
Só a reencarnação explica as desigualdades morais, sociais, econômicas existentes em nosso mundo.
Somente a reencarnação dá aos homens condições e estímulos para continuar trabalhando no desenvolvimento do bem em si e na Terra, na certeza de que a humanidade de hoje, constituída de espíritos milenares, rebeldes, tornar-se-á um dia uma humanidade melhor, mais justa, e que vale a pena esse esforço no sentir, pensar e fazer o bem.

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