6 de dezembro de 2009

REENCONTRO NA FRONTEIRA DE DOIS MUNDOS

“Veia” querida, auxilie-me com sua bênção.
É isso aí.
Dois anos.
Tempo rápido com tantas realizações que eu não esperava. Realizações das melhores. Minha volta aos braços do pai Gastão, e nosso encontro em nível diferente Reencontro na fronteira de dois mundos.
Se alguém supôs que eu estava caído para sempre na roleta da vida, enganou-se de todo, porque a zebra não me apareceu.
Reergui-me do corpo horizontalizado com a íntima alegria de não haver diretamente provocado a ocorrência que nos separou e nos reuniu ao mesmo tempo, mais ainda.
Se eu pudesse, Mamãe, secaria todas as suas lágrimas com os meus beijos de gratidão. Afinal, o choro é também meu, mas a porteira que atravessei continua aberta e, por ela seu coração está no meu, tanto quanto conservo o seu comigo.
Quem diz que há cercas eternas?
A morte é apenas um sono profundo no corpo de que o interessado se retira, tão acordado quanto se achava antes de dormir.
Peço-lhe. Não guarde qualquer impressão negativa. O que passou, passou. Deus permanece. E Deus está no amor com que nos amamos.
Já sei que se cometi alguma leviandade, entregando-me ao jogo que terminou com as perdas de meu lado, o seu carinho já me perdoou aquelas setenta vezes sete vezes. E o seu perdão é ainda maior do que supunha conseguir encontrar em seu devotamente.
Conheço as horas em que você se põe a raciocinar, situando-se no lugar das mães e cujos filhos se atribui essa ou aquela culpa na Terra, e compreendo a extensão da bondade com que você reconhece comigo que o lado da cruz é sempre o melhor, especialmente para aqueles que confiam na Providência Divina.
Agradeço as suas lágrimas que me falam sem palavras da sua ternura imensa, mas registro igualmente a minha profunda gratidão pelos pensamentos de paz que você irradia na direção de quantos se envolveram naquela liquidação de débitos em que me vi, naquele dez de fevereiro de dois anos passados.
Agora, é aquele momento em que você nos comunicava a sua opinião, quando lhe expúnhamos algum assunto triste:
- “Deixem isso pra lá”.
Pois é.
Deixemos pra lá o que já se foi, e rendamos graças a Deus por termos saído de tantos grudes e sem teias de aranha na cabeça.
Você pode continuar com suas tarefas de operária do bem com tranquilidade, e seu filho também com tranquilidade consegue agir e aprender a servir em planos diferentes.
Continue, “Véia querida”.
Seu esforço é base para muita construção de seus filhos. Eduardo, Ângela e Márcia com este seu Henrique de trabalhadeira, devem aos seus exemplos o que jamais conseguiremos resgatar.
A existência do mundo é uma caminhada que a pessoa realizada julgando-se num lugar único. Muita gente se apega tanto ao que acredita ser e ao que imagina possuir, que acaba na posição da criatura repentinamente desapropriada pela morte de todos os pertencer a que inutilmente se agarra, candidatando-se a longos tratamentos da saúde mental. Mas você caminha, porque aqueles que agem a benefício dos outros, estão marchando para frente.
Creia que não estou a paparica-la com medalhas que você não precisa e nem pede. Externo apenas o meu carinhoso reconhecimento. Pensando bem, se nós, os filhos, não demonstrarmos gratidão e amor às nossas mães e pais, quem fará isso por nós?
Quem nos terá suportado a infância chorosa e doente nos braços; quem terá velado conosco nos grandes momentos da bronquite e do sarampo? Quem nos terá ensinado a recordar as primeiras palavras e a repetir o nome de Deus?
Se existe um tributo de pessoa humana que somente a Infinita Bondade do Pai Misericordioso consegue pagar, esse é o imposto bendito que devemos aos pais que nos recolheram no mundo.
Deste “outro lado”, penso muito nisto. A dívida cresce quando a consciência se ilumina. E agradeço a Deus o coração de Mãe que me guardou íntegro e fiel a mim mesmo no melhor que pude sentir e trazer.
Nossa festa de aniversário está orvalhada de prantos, porque é diferente. É o meu nascimento em outra vida em que o amor é mais forte e mais belo.
Com os amigos presentes, temos conosco alguns dos companheiros mais queridos que vieram para cá de modo mais apressado, isto é, sem a preparação de colher, remédio, aflição e leito.
Vejamos: do que se acham em nossa companhia, enumerá-los-ei por ordem de chegada:
O primeiro da turma de hoje, foi o Jurandir Nascimento, que regressou em maio de 70; o segundo foi o Izídio, em 74; em seguida estou eu, o seu filho Henrique, e, em quarto lugar, temos o nosso Maurício Vieira, que atualmente é quase um rapaz pela maturidade espiritual que já atingiu.
Falo aqui somente dos companheiros acidentados, mas temos amigos outros que nos honraram com a incumbência de faze-los presentes à lembrança dos familiares queridos.
De todos, pelo imenso amor à família, devo salientar o pedido de nosso irmão Vladimir Casagrande, que nos recomenda dizer à companheira Dona Maria Aparecida Geraldes Casagrande, que ele vai seguindo bem, fazendo quanto pode a fim de adaptar à nova ordem das cousas a que a desencarnação nos compele, e solicita aos filhos queridos – Casagrande Júnior, Walmir e Mônica – prosseguiram auxiliando a mamãe, com a certeza de que a morte não lhe extinguiu o carinho e a presença.
O amigo médico – Dr. Raul Briquet – pede muita serenidade à esposa Dona Cecília, esclarecendo que ambos prosseguem juntos.
E um amigo, que se faz conhecer por Irmão Tostes, roga às nossas irmãs D. Maria de Lourdes Tostes Aquino Leite e Tahis Scaglia auxiliarem ao jovem Fernando que as deixou na Terra, há alguns dias, numa provação em que se cumpriram desígnios do passado.
Diz nosso Irmão para que a mãezinha dele – Dona Maria de Lourdes -, tanto quanto lhe seja possível, procure consolar-se no clima da religião, sem perder a fé em Deus e sem desejar seguir o filho querido para a região em que nos achamos, pois os sofrimentos dela o alcançam, de maneira dolorosa, de vez que ele lhe escuta os apelos e as palavras de angústia sem poder ainda articular qualquer resposta.
Entendemos isto.
A dor dos que nos amam nos segue nos primeiros tempos do Além-Morte, qual se fosse uma sobretaxa de aflição, às vezes maior do que a própria aflição que nos toma o espírito inexperiente.
Peçamos a bênção de Jesus e sigamos ao encontro da Vida, porque a Vida é de Deus, e devemos obedecer aos Planos Divinos, conquanto na Terra sejam eles traduzidos em linguagem de sofrimento.
Minhas possibilidades de escrever estão terminando, mas não posso esquecer o seu pedido nas preces últimas – aquele que se refere às notícias do Maninho, do Wade e o Hermilon, que vieram para cá, em novembro passado.
Mãe querida; console os pais que ficaram desolados.
Tenho visto o Maninho e os companheiros. Peço dizer aos nossos amigos, Sr. Lúcio e Dona Maria, que ele está sempre melhor.
O mesmo ocorre com o Wade e com o Hermilon – três valorosos soldados da esperança, que viviam unidos no estudo e no trabalho, e que juntos voltaram integrados na mesma abençoada amizade que os reúne ainda e sempre.
Se possível “Véia”; conduza este correio aos nossos amigos Sr. João e Dona Geraldina, Sr. Waldir e Dona Elza -, não sei se estou acertando nomes, pois, ultimamente, somente vi as famílias dos amigos aqui recém-chegados, no Jardim, de Campinas, depois das botas de elefante da jamanta que liquidou com o Opala, como se as máquinas por aí fossem dinossauros da antiguidade, arrasando a vida por onde passam.
Sabemos que a Lei é sempre Lei, e, que ninguém foge ao que a Lei determina, no entanto, dói ver tantos amigos regressando por atritos das engrenagens do progresso, embora, por aqui, estejamos informados de que muita gente está voltando em plena juventude e em completa meninice, numerosos amigos a se preparem, com mais suficiência, para as tarefas que os esperam no século próximo.
Sei que uma notícia dessa não reconforta mãe nenhuma e pai nenhum, mas a verdade é fria mesmo, e não podemos recusar-lhe pouso, sob pena de ficarmos na sombra de enganos que não devem permanecer.
Nosso querido Maurício beija os pais queridos e a querida vovó Augusta, e declara que está cooperando pela tranquilidade geral, notificando ainda ao nosso amigo Dr. José Vieira, que vem fazendo o possível por auxiliar o vovô Vieira nestes dias, algo mais abatido fisicamente.
Agora, é impossível continuar.
O meu plá ficou numa quilometragem de pasmar, no entanto, embora assim tão grande, está ainda muito longe do tamanho do meu amor e do meu reconhecimento ao seu coração de mãe, sempre mais querido.
Num alô para o Eduardo, peço a ele cuidado com a vida.
Mocidade verde pede amparo dos maduros.
Nosso Eduardo não deve andar tão depressa com as aquisições profissionais, a ponto de parecer que está decolando em tudo. Deus se contenta com a marcha do mundo em nos de trinta horas por dia-noite, e o trânsito em nossas estradas do “por aí” traça um limite aos oitenta. Em vôo, não sei a conta porque não entendi de pilotos, mas deve existir um padrão para aqueles que estão escalando os céus com o corpo mesmo.
Aqui, Mamãe querida, um ramo de flores com a música do meu coração, que é seu.
Receba-o com muitas lembranças a todos os nossos entes queridos e com todo o amor de seu filho, sempre seu companheiro do coração.
Henrique
-O abraço de meu pai Gastão, em nossa festa.
(H.)
Henrique Emmanuel Gregoris


“O LADO DA CRUZ É SEMPRE MELHOR”

Tanto na mensagem anterior, quanto na que ora analisamos, recebida pelo médium Xavier, no Grupo Espírita da Prece, na noite de 10 de fevereiro de 1978, Henrique se refere à porteira, batendo na tecla da alegria, ao recordar a toada que cantava no recesso do lar, nos tempos da vida terrestre.
Mais uma vez, volta o Espírito a afirmar “não haver diretamente provocado a ocorrência”, que o reconduziu à vida Espiritual, admitindo, porém, ter cometido “alguma leviandade, entregando-me ao jogo que terminou com as perdas de meu lado”.
E se rejubila com o perdão materno.
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Autêntico repórter da Espiritualidade Maior; enumera Henrique os companheiros por ordem de chegada, colocando-se em terceiro lugar.
1- Jurandir Nascimento: Amigo desencarnado em acidente, em 1970.
2- Izídio: Trata-se de Izídio Inácio da Silva, desencarnado a 26 de fevereiro de 1974, sobre quem falamos na mensagem “Pedaço de Terra para Cultivar Esperanças/O Esporte da Beneficência”.
3- Maurício Vieira: “que atualmente é quase um rapaz pela maturidade espiritual que já atingiu”. O Espírito se refere a Maurício Xavier de Vieira, desencarnado a 17 de maio de 1976, (veja mensagem “O Céu é o Amor com que nos queremos uns aos outros”), em consequência de queimaduras, por acidente.
A propósito do crescimento do Espírito em termos de estatura, sugerimos a consulta aos Capítulos 29 e 30 de Entre Duas Vidas (1), onde Rosângela, a jovem desencarnada, defronta-se com Tomé, o irmão que partira criança para o Além e já se encontra praticamente adulto, na Espiritualidade.
4- Vladimir Casagrande: Importante o fato de o Espírito de Henrique declinar os nomes de todos os elementos da família Casagrande, residentes à Rua Chile, em Votuporanga, Estado de São Paulo, a pedido do chefe desencarnado.
5- Dr. Raul Briquet: Confortadora a recomendação da entidade espiritual, através de Henrique, à sua esposa, D. Cecília, presente à reunião.
6- Irmão Tostes: Refere-se a Fernando que, com efeito, desencarnou em acidente.
Lourdes Tostes Aquino Leite e Tahis Scaglia – residentes em Brasília – Distrito Federal.
Oportuno o lembrete endereçado à D. Maria de Lourdes: “tanto quanto lhe seja possível, procure consolar-se no clima da religião”.
7- Maninho, Wade e Hermilon: Amigos de Henrique, desencarnados juntos, em novembro de 1977.
São seus pais, respectivamente: Sr. Lúcio e D. Maria; Sr. Waldir e D. Elza; e Sr. João e D. Geraldina.
Genial a comparação das jamantas – máquinas modernas – com os dinossauros da antiguidade, arrasando a vida por onde passam.
8- Eduardo: Trata-se do irmão do comunicante, entusiasta da aviação civil, a quem tantas vezes Henrique se dirigiu, nas páginas de Enxugando Lágrimas.
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Para concluir este já longo arrazoado, procuremos, leitor amigo, reler o seguinte trecho antológico da mensagem, do ponto de vista doutrinário, constituindo-se, por isso mesmo, em verdade fria.
“Sabemos que a Lei é sempre Lei, e que ninguém foge ao que a Lei determina, no entanto, dói ver tantos amigos regressando por atritos das engrenagens do progresso, embora, por aqui, estejamos informados de que muita gente está voltando em plena juventude e em completa meninice, numerosos amigos a se prepararem, com mais suficiência, para as tarefas que o esperam no século próximo”.
“Sei que uma notícia dessa não reconforta mãe nenhuma e pai nenhum, ms a verdade é fria mesmo, e não podemos recusar-lhe pouso, sob pena de ficarmos na sombra de enganos que não devem permanecer”.
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NOTA:
(1) – Francisco Cândido Xavier, Elias Barbosa e Espíritos Diversos, “Entre Duas Vidas”, CEC, 3a. Edição, Uberaba-MG, 1978, pp. 89-95.

Da Obra: “CLARAMENTE VIVOS” – ESPÍRITOS DIVERSOS.
Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER – Produção: Elias Barbosa

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