22 de dezembro de 2010

NATAL, UM CONVITE A PAZ


Os povos sempre viveram, em todos os tempos, sob o jugo impiedoso dos poderosos, dos conquistadores terrenos implacáveis, fazendo com que as expectativas de paz e as necessidades de equilíbrio emocional/espiritual se constituíssem num dos maiores anseios do ser humano.
Paz é a palavra do momento e muitos movimentos estão sendo realizados por todo Brasil e por todo mundo, numa verdadeira rogativa para que haja na convivência humana pacificação, base fundamental para a fraternidade.
Saibamos, no entanto, que a paz não vem de fora para dentro, mas em sentido contrário, ou seja, de nós para a sociedade. Pacificando-nos contribuiremos para a pacificação da comunidade à qual pertencemos.
O povo judeu, que buscou a paz, não fugiria a esta verdadeira regra negra vigente na Humanidade.
Foi escravizado por largos períodos de miséria e aflição. É fora de dúvida que ninguém sofre por acaso.
Todavia, este povo nunca deixou de acalentar o sonho de libertação que lhe permitisse encontrar o ideal da vida – a felicidade sua e a de seus filhos, o que é muito natural.
Transformado em servo da situação infeliz, onde as mentes e os corações eram tangidos pelas paixões inferiores e inconfessáveis, este povo viu descaracterizados os seus sonhos de libertação e felicidade que tanto esperava, segundo afirmavam as profecias existentes nas velhas letras escriturísticas.
A dominação romana era tomada pelas dramáticas paixões morais, sombrias, em razão da ambição e da corrupção que se transformaram numa verdadeira epidemia, arrastando-se até hoje em todos os recantos do Planeta, levando as criaturas a viver dias de situações morais deploráveis.
As pessoas sofriam o abandono e a perseguição inclemente dos esbirros de ambos os lados, afligindo-as impiedosamente.
Foi exatamente nesse panorama nebuloso de sofrimentos que surgiu a figura incomum de Jesus, com Sua energia expressando brandura, Sua bondade sem mostrar pieguismo, Sua coragem vivida sem temor, Sua sabedoria irradiando-se sem constranger os menos cultos e Seu amor abrangendo todos os seres.
Muito complexo até hoje penetrar o pensamento de Jesus, entender-lhe a vida aqui na Terra, sua excruciante dor moral-espiritual ao dizer “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Que estaria sentindo o divino Mestre naquele momento terrível de Sua passagem pela Terra? Só Ele pode dizer.
Será que não haveria um outro modo d´Ele deixar sua mensagem sem passar pelo que passou? Precisaria deixar escorrer o Seu sangue, ser alvo de tanto escárnio, sofrer todos aqueles achincalhes e tipos de violência? Devem ser perguntas que fervilham nas mentes de muitos.
Só encontramos uma resposta: não. E por quê? Porque os seres humanos, daquela época, como os atuais e seguintes, somente através de exemplos tão marcantes e diferentes dos demais enviados a Terra por Deus poderiam sentir-se estigmatizados de forma indelével pelos exemplos deixados por Ele. Ele foi diferente, nunca nada nem ninguém se Lhe comparou. Outros vieram antes e depois de Jesus sem conseguirem marcar a vida do homem como só Ele o fez. A história do homem dividiu-se: antes e depois dEle.
Sua vida foi muito rica de exemplificações que agradavam ao Pai, Pai que O enviara para nos servir de Guia e Modelo. E Ele cumpriu até o último dos detalhes previstos para Aquele que seria o Enviado Divino. Queria, precisava ser reconhecido, em Sua época como agora. Submeteu-se a tudo por esta causa: ser identificado.
A Psicologia e todas as ciências da alma tardarão em compreendê-lO em Sua essencialidade de enviado de Deus, nosso Criador, mais ainda quando Ele foi taxativo em Suas metáforas: “Eu sou a porta...”, “Eu sou o pão da vida...”, “Eu sou o caminho...”, “Eu sou a luz do mundo...”, “Eu sou o bom pastor...”.
Temos a necessidade de ir até Ele, deixarmo-nos por Ele penetrar e procurarmos sentir no mais recôndito de nosso ser toda a Sua grandeza espiritual. Será o momento do nosso encontro com a Luz da Vida.
A melodia de Natal traz de novo a mensagem de Jesus aos nossos ouvidos espirituais, ela que é toda tecida de sabedoria, ternura, paz, fazendo com que a palavra do Mestre possa tornar-se na maior das conquistas a serem logradas em nossa caminhada evolutiva. Pobre de quem isto não reconhecer!
Inesquecível é a noite de Natal de Jesus, cuja lembrança leva os homens a se deixarem dominar pelos sentimentos mais nobres, bem acima das sombrias ânsias de dominação, pairando sobre todos a claridade de Seu amor.
Deixemo-nos levar pelos sentimentos de fraternidade e convertamos nossos atos em demonstrações de paz e amor, pois que estamos sob a égide do “amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”.
Deixamos algumas sugestões para o encontro da paz. Aceitemos a existência como nos foi programada por Deus; auxiliemos a todos sem absorver-lhes as responsabilidades; desinteressados e desorganizados, ajudemo-los sem violentar-lhes o livre-arbítrio; amemos os familiares sem querê-los como objetos em nossas mãos, reconhecendo-os como criaturas de Deus; não nos iludamos em querer mudar apressadamente as pessoas, porque também resistimos quando observados em erros; feridos, esqueçamos, lembrando-nos de quantas vezes também magoamo-nos; a felicidade obedece o ideal de cada um, não queiramos impor o nosso; respeitemos os pontos de vista contrários aos nossos, visto que somos diferentes; acatemos a fé dos outros, pois Deus oferece trilhas variadas para o acesso ao Reino do Céu; aprendamos aqui a ser cada dia melhores, acumulando tesouros imperecíveis, pois só levamos para o mundo espiritual os valores inapagáveis do Espírito; mantendo a consciência tranqüila, trabalhemos servindo sempre. Caso consigamos agir assim, mesmo sem perceber, estaremos dominados pela paz.

Feliz Natal, leitores! 
Tenham dias muito felizes, vocês e todos os seus entes queridos!

7 de dezembro de 2010

VER, OUVIR E ...CORRIGIR-SE

Disse Allan Kardec que “a misericórdia de “Deus é infinita, mas não é cega”. Enorme e pro­funda significação tem essa pequena frase do Codificador. Deve ela exigir demorada reflexão, para que se possa recolher a gama de valiosíssimos ensinamentos ali contidos. A misericórdia não exclui a responsabilidade, nem o perdão isenta o culpado do cumprimento da Lei Divina. É um perdão condicionado, uma espécie de sursis, que adverte o beneficiado de que o mal que praticou terá de ser ressarcido, para que se desfaçam os efeitos perniciosos que dele derivaram. É um perdão pronto a concretizar-se, desde que haja do faltoso empenho real em se recuperar. Se, beneficia­do, persistir no erro, reincidir na falta, sua responsabilidade é aumentada.
Emmanuel considerou que “todas as contas a resgatar pedem relação direta entre credores e devedores”. O perdão pode também significar uma oportunidade para que o decaído se erga, disposto ao esforço regenerativo. O essencial é que aprendamos esta verdade: ninguém progride sem ninguém, que vale pelas palavras do luminoso Espírito acima citado: “Ninguém progride sem alguém.” Na vida, somos todos solidários. Ninguém se basta a si mesmo, pois é necessário que encontremos quem partilhe da nossa caminhada, para que possamos avaliar o grau do procedimento que temos, não nos deixando influenciar pela vaidade, pela inveja, pela presunção de superioridade, pelo orgulho, etc... Tendo alguém conosco, melhor poderemos exercer a vigilância sobre nós mesmos, comparando o que fazemos com o que outros fazem, de maneira a julgarmos se estamos indo certos ou se, pelo contrário, estamos agravando a nossa situação moral. É verdade que isso costuma também ocorrer sem que nos apercebamos. Eis por que Emmanuel disse que “ninguém progride sem alguém”, reconhecendo, porém, que, “em toda parte, o verdadeiro campo de luta somos nós mesmos.
A Lei Divina, atenta, acompanha todos os nossos pensamentos, todos os nossos passos, pois “não é cega”. E se, perdoados, supomos que podemos reverter ao abuso, então será bem mais grave a responsabilidade contraída. Sofremos porque insistimos no desrespeito à Lei de Deus. A dor é o chicote que nos encaminha para a purificação moral e espiritual. É qual enérgico pastor, que procura evitar tresmalhemos e abandonemos o aprisco. Pode ser considerada, em determinadas circunstâncias, um sinal de alarme, para que, prevenidos, evitemos recair no erro. Muita gente, entretanto, considera a dor apenas como um fenômeno físico, quando, na realidade, ela tem uma função altamente regeneradora. Assim como a febre, para o médico, é um aviso de que há algo de irregular que altera o estado normal do individuo, a dor, para o entendimento do espírita, é, em grande número de casos, um chamado à reflexão, uma advertência para que, meditando, busquemos reexaminar a nossa vida até encontrarmos onde falhamos e como falhamos. Não há efeito sem causa, já se costuma dizer.
Para melhor se romper o nevoeiro que nos circunda na Terra, a melhor providência é a humildade. Não a humildade premeditada, oca, aparente, que pode iludir os homens, mas não engana a Deus. É preciso, contudo, que se limpe essa palavra de definições falsas. Ser humilde, do ponto de vista espírita, é ser simples, bom, prestativo, tolerante, mas precavido. É guardar o ânimo sereno, quando se veja envolvido em tribulações e mal-entendidos. O humilde não se arrasta servilmente no chão, não bajula, não se degrada. Veja-se o comportamento de Jesus em todas as passagens de sua curta peregrinação na Terra. Ele deve ser para nós o modelo da humildade. O verdadeiro humilde não se despoja da sua dignidade, mas também não confunde dignidade com orgulho. É paciente diante dos arrogantes, sereno diante dos impacientes, indulgente diante dos faltosos, sem, contudo, permitir que os seus sentimentos possam contribuir, malgrado seu, para agravar a situação daqueles que lhe cruzam o caminho.
Entretanto, o fundamental, o mais importante, por ser essencial, é que não tenhamos a pretensão de ser modelo para ninguém. “No estudo da perfeição, comecemos por vigiar a nós mesmos, corrigindo-nos em tudo aquilo que nos desagrada nos semelhantes.”

Fonte: Reformador – maio, 1977

2 de dezembro de 2010

DO MARAVILHOSO E DO SOBRENATURAL

"Para os que consideram a matéria a única potência da Natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso, ou sobrenatural, e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição".
"A explicação dos fatos que o espiritismo admite, de suas causas e conseqüências morais, forma toda uma ciência e toda uma filosofia, que reclamam estudo sério, perseverante e aprofundado". Allan Kardec. ( "O Livro dos Médiuns", Primeira Parte. Cap.II, Itens 10 e 14, n.º 7º)
Os fenômenos mediúnicos são de todos os tempos e estão em todas as raças. Ao longo da história dos povos a intervenção dos Espíritos é como um sopro forte, agitando, sacudindo, alterando o clima psíquico dos homens.
Essas presenças imateriais, constantes, vivas e atuantes entrevistas por muitos, pressentidas por outros, transformam-se, ao sabor das fantasias de mentes imaturas, em fatos maravilhosos e sobrenaturais coloridos com as tintas fortes da imaginação.
E à medida que o tempo avança a tradição oral se encarrega de transmitir os fatos maravilhosos de geração em geração, naturalmente acrescidos dos matizes regionais, o que depois veio a constituir-se no folclore característico de cada região. Muita coisa hoje considerada folclórica teve a sua origem em fatos mediúnicos, destes decorrendo superstições as mais diversas, profundamente enraizadas na alma do povo. Desde o feiticeiro, na mais antiga, remota e primitiva das aldeias indígenas, que pratica a sua medicina numa tentativa de esconjurar os maus Espíritos e atrair os bons, até o nosso sertanejo, o homem simples do povo, que e apega às simpatias e sortilégios para garantir a sua defesa contra os mesmos maus Espíritos e granjear a proteção dos bons, vemos o conhecimento espontâneo, intuitivo e natural que o ser humano tem da imortalidade da alma e da comunicabilidade entre os "mortos"e os vivos. Desta certeza originam-se, evidentemente, os cultos afros, tão difundidos em nosso país, mas herança de uma pátria distante, numa amálgama muito bem elaborada de religião e folclore.
Muitas lendas - algumas bem antigas - são até hoje bastante propaganadas em nosso sertão. É o caso, por exemplo, da "mula-sem-cabeça"que ainda prossegue apavorando, pois vez que outra a lenda se vitaliza com a notícia de novas aparições da monstruosa criatura. A lógica nos faz deduzir que tal lenda nasceu da aparição de algum Espírito zombeteiro e maldoso que se deixava ver nesta forma para aterrorizar as pessoas, com que se diverte e compraz. igualmente as aparições de lobisomens, sacis, boitatás, etc.
Allan kardec elucida a respeito, em "O Livro dos Médiuns".
"(...) Mas, também já temos dito que o Espírito, sob seu envoltório semimaterial, pode tomar todas as espécies de formas, para se manifestar. Pode, pois, um Espírito Zombeteiro aparecer com chifre e garras, se assim lhe aprouver, para divertir-se à custa da credulidade daquele que o vê, do mesmo modo que um Espírito bom pode mostrar-se com asas e com uma figura radiosa."(Cap. VI, Item 113-ª)
Embora muitas crendices tenham-se originado de fatos mediúnicos, há ainda uma enorme variedade de superstições que nada têm a ver com eles e são conseqüência da ignorância e do temor ante o desconhecido.
Em decorrência surgiram as fórmulas mágicas, as simpatias, os talismãs como recursos de defesa.
Assevera kardec:
"Assim, o Espiritismo não aceita todos os fatos considerados maravilhosos, ou sobrenaturais. Longe disso, demonstra a impossibilidade de grande número deles e o ridículo de certas crenças, que constituem a superstição propriamente dita". (Cap. II da Primeira Parte, Item 13. Ob. Cit.)
A Doutrina Espírita tem explicação lógica e racional para todas as coisas e situações da vida. lançando luz sobre problemas considerados inextricáveis, esclarece com raciocínio claro e insofismável tudo o que está ao alcance da mente humana. Essas explicações são simples e objetivas, despojadas de misticismo e quaisquer crendices. Não se justifica, portanto, que entre os espíritas sejam cultivadas certas crenças , sejam adotadas atitudes que constituem um misto de ritualismo superstições. É exatamente na prática mediúnica que mais se encontram estes resquícios.
A fé, sob o domínio do pensamento mágico, é novamente envolvida nos véus dos mistérios e, não sendo raciocinada, deixa de esclarecer e libertar.
Concessões vão sendo feitas, gradativamente, até que ao final já não exista quase nada que lembre a Doutrina Espírita qual a deturpação e práticas estranhas enxertadas.
Não se justifica que a mediunidade seja encarada em nosso meio como alguma coisa sobrenatural e os médiuns como pessoas portadoras de um dom maravilhoso que as torna seres da parte, diferentes dos demais. Tudo isto é fruto, unicamente da falta de estudo doutrinário. E quando a Codificação jaz esquecida e os postulados básicos da Doutrina Espírita sequer são conhecidos, restará apenas o mediunismo ou o sincretismo religioso. Neste campo o maravilhoso e o sobrenatural imperam.
A Doutrina Espírita não é isto. Não podemos contemporizar quanto ao nosso testemunho de fidelidade doutrinária. E este testemunho deve ser prestado, sobretudo, dentro da Casa Espírita, no seu dia-a-dia. Por essa razão não se pode postergar o estudo da obra de kardec, estudo este que deve ser metódico e constante.
Pode ser que assim, penetrando no sentido cada vez mais profundo do que seja o Espiritismo no seu todo global, abrangente, consigamos um pouco do bom senso, da lógica e da firmeza que eram apanágio do Codificador.

Suely Caldas Schuber

Revista REFORMADOR, abril de 1995, FEB.

1 de dezembro de 2010

ENCONTRO DE NATAL

Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção...
Percebes que o Céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo.
Entretanto, misturada ao regozijo que te acalenta a esperança, carregas a névoa sutil de recôndita angústia, como se trouxesse no peito um canteiro de rosas orvalhado de lágrimas!...
É que retratas no espelho da própria emoção o infortúnio de tantos outros companheiros que foram inutilmente convidados para a consagração da alegria. Levantaste no lar a árvore da ventura doméstica, de cujos galhos pendem os frutos do carinho perfeito; entretanto, não longe, cambaleiam seguidores de Jesus, suspirando por leve proteção que os resguarde contra o frio da noite; banqueteias-te, sob guirlandas festivas, mas, a poucos passos da própria casa, mães e crianças desprotegidas aguardando o socorro do Cristo, enlanguescem de fadiga e necessidade; repetes hinos comovedores, tocados pela serena beleza que dimana dos astros; no entanto, nas vizinhanças, cooperadores humildes do Mestre choram cansados de penúria e aflição; abraças os entes queridos, desfrutando excessos de reconforto; contudo, à pequena distância, esmorecem amigos de Jesus, implorando quem lhes dê a bênção de uma prece e o consolo de uma palavra afetuosa, nas grades dos manicômios ou no leito dos hospitais...
Sim, quando refletes na glória da Manjedoura, sentes, em verdade, a presença do Cristo no coração!
Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, através do eterno amor que se derramou das estrelas.
Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!...

Espírito: MEIMEI.
LIVRO ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL
Psicografia: Francisco Cândido Xavier

30 de novembro de 2010

A BÊNÇÃO DAS LÁGRIMAS

Bendita a lágrima em que se cristaliza o cervo atroz de nossas dores e se dilui o negro fel de nossas mágoas.
Bendita a lágrima a cuja tona flutua farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas.
Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto e choram a desgraça de viverem sem pão.
Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de esposa.
Bendita a lágrima, desafogo amigo dos que são sós e consolo ardente dos que são tristes.
Bendita a lágrima dos que põem sobre os ombros a cruz de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência.
Bendita a lágrima dos que buscam errantes, o calor de um afeto e sòmente encontram o frio do desprezo.
Bendita a lágrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem e só colhem ingratidões pelo bem que semeiam.
Bendita a lágrima que erige no cérebro um templo à Verdade e converte coração num sacrário de Amor.
Bendita a lágrima que aflora escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção.
Bendita, enfim, a lágrima, gota de luz das auroras celestes e síntese terrena do orvalho divino.

Rubens C. Romanelli

29 de novembro de 2010

A DOUTRINA DO EGOÍSMO

“A humanidade passa por um período de transição, de gravidade considerável, só vislumbrado pelos mais maduros e principalmente pelos iniciados nas coisas do Espírito. O mal que se alastra de forma destruidora tem suas bases no orgulho e egoísmo, exacerbados escandalosamente pela doutrina da exaltação do ego, que contaminou os homens de forma avassaladora e terrível, envolvendo até os que se consideram eleitos de Deus.

O mal age com muita sutileza no coração dos incautos. Mostra-se de forma disfarçada, vestindo-se com a capa do Bem, para fazer-se aceito. Entre vós, espíritas, a doutrina do egoísmo encontrou porta aberta e campo fértil para alastrar-se tal qual um câncer, com seus tentáculos destruidores. É patente a forma equivocada com que a doutrina da exaltação da personalidade encontra guarida em vosso meio. O amar ao próximo como a si mesmo foi interpretado de forma errônea e a criatura busca amar a si mesmo antes, para depois então amar o próximo. Perde, com isso, tempo precioso em tolas preocupações e elucubrações sobre teses frágeis. Ora, mas a medida do amor está no outro e não em si próprio, pois o amor que se têm ao próximo é que demonstra a real capacidade de amar do ser.

A doutrina do ego faz adeptos também entre os que possuem a tarefa de edificar ao nível da Luz. Eivados de orgulho e vaidade muitos se perdem em busca do brilho do reconhecimento dos homens, embora o Mestre ensine que quem dá valor às honrarias do mundo, serve ao mundo e não a Deus. O mundo premia seus súditos. Ora, se a doutrina do mundo é contrária aos ideais de edificação da doutrina de Jesus, como justificar que seus adeptos sejam louvados pelo mundo? Só os tolos podem deixar-se envolver por esse espírito de honrarias e glorificação que envolve os premiados pelos valores transitórios.

Acautelai-vos em vossos postos. Não vos esqueçais de que Jesus, o Maior dentre os maiores, foi rechaçado pelos poderes mundanos. Não vos deixeis enganar pela euforia e hipocrisia das doutrinas do egoísmo e da vaidade. Lembrai-vos da advertência do Mestre de que até os eleitos seriam enganados. Situações muito constrangedoras surgirão em vosso meio e ferirão amargamente o vosso bom senso e vossos corações.

Os verdadeiros servos de Deus se mostrarão por suas obras. Aqueles que se travestem de ovelhas, mas que são na verdade lobos roubadores, também se mostrarão nos últimos dias. Suas obras serão desmascaradas e serão julgados pela Lei, na medida dos resultados de suas semeaduras. Atentai para isto. Cuidai de vossas tarefas e bendizei a Deus as vossas vidas e vossas responsabilidades assumidas diante d’Ele.

Entrareis em um novo tempo e novo trabalho vos chama. Precisareis de maturidade para perceber as novas exigências. Segui com fé e determinação e não deis ouvidos aos falsos mestres, que pululam em vosso meio. Que Deus vos abençoe e os Espíritos do Bem vos ampare e vos abrace na definitiva e luminosa estrada, abençoada pelo Santo Espírito”. – João de Arimatéia.

Espírito: João de Arimatéía
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec

26 de novembro de 2010

A NOVA GERAÇÃO

Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela não seja povoada senão por bons Espíritos, encarnados e desencarnados, que não quererão senão o bem. Tendo chegado esse tempo, uma grande emigração se cumprirá entre aqueles que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque lhe trariam de novo a perturbação e a confusão, e seriam um obstáculo ao progresso. Eles irão expiar o seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, os outros entre as raças terrestres atrasadas, que serão o equivalente de mundos inferiores, onde levarão os seus conhecimentos adquiridos, e terão por missão fazê-las avançar. Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar, entre eles, a justiça, a paz, a fraternidade.
A Terra, no dizer dos Espíritos, não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.
Tudo se passará, pois, exteriormente como de hábito, com esta única diferença, mas esta diferença é capital, que uma parte dos Espíritos que nela se encarnam não se encarnarão nela mais. Em uma criança que nasça, em lugar de um Espírito atrasado e levado ao mal, que se encarnaria, esse será um Espírito mais avançado e levado ao bem.
Trata-se, pois, bem menos de uma geração corpórea do que de uma nova geração de Espíritos, e é nesse sentido, sem dúvida, que o entendia Jesus quando dizia: "Eu vos digo, em verdade, que esta geração não passará sem que esses fatos tenham se cumprido." Assim, aqueles que esperarem ver a transformação se operar por efeitos sobrenaturais e maravilhosos, serão decepcionados.

A época atual é de transição; os elementos das duas gerações se confundem.
Colocados no ponto intermediário, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, e que cada uma se assinala já, no mundo, pelos caracteres que lhe são próprios.
As duas gerações que se sucedem têm ideias e vistas inteiramente opostas. À natureza das disposições morais, mas, sobretudo das disposições intuitivas e inatas, é fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.
A nova geração, devendo fundar a era do progresso moral, se distingue por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, unidas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é o sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior. Ela não será composta, pois, exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas daqueles que, tendo já progredido, estão predispostos a assimilar todas as ideias progressistas, e aptos a secundar o movimento regenerador.
O que distingue, ao contrário, os Espíritos atrasados é primeiro, a revolta contra Deus pela recusa de reconhecer algum poder superior à Humanidade; a propensão instintiva às paixões degradantes, aos sentimentos anti-fraternos do egoísmo, do orgulho, da inveja, do ciúme; enfim, o agarramento por tudo o que é material: a sensualidade, a cupidez, a avareza.
São esses vícios, dos quais a Terra deve ser purgada pelo afastamento daqueles que se recusam se emendar, porque são incompatíveis com o reino da fraternidade, e que os homens de bem sofrerão sempre por seu contato. Quando a Terra deles estiver livre, os homens caminharão sem entraves para um futuro melhor, que lhes está reservado neste mundo, por preço de seus esforços e de sua perseverança, esperando que uma depuração, ainda mais completa, lhes abra a entrada dos mundos superiores.

Por essa emigração dos Espíritos, não é necessário entender que todos os Espíritos retardatários serão expulsos da Terra, e relegados a mundos inferiores. Muitos, ao contrário, nele retornarão, porque muitos cederam ao arrastamento de circunstâncias e do exemplo; a aparência neles era pior do que o fundo. Uma vez subtraídos â influência da matéria e dos preconceitos do mundo corpóreo, a maioria verá as coisas de um modo muito diferente do que quando vivos, assim como temos disso numerosos exemplos.
Nisso, serão ajudados por Espíritos benevolentes que se interessam por eles, e que se apressam em esclarecê-los e mostrar-lhes o falso caminho que seguiram. Pelas nossas preces e nossas exortações, nós mesmos podemos contribuir para seu melhoramento, porque há solidariedade perpétua entre os mortos e os vivos.
A maneira pela qual se opera a transformação é muito simples, e, como se vê, ela é toda moral e em nada se desvia das leis da Natureza.

Que os Espíritos da nova geração sejam novos Espíritos melhores, ou os antigos Espíritos melhorados, o resultado é o mesmo; desde o instante que tragam melhores disposições, é sempre uma renovação. Os Espíritos encarnados formam, assim, duas categorias, segundo as disposições naturais: de uma parte, os Espíritos retardatários que partem, da outra os Espíritos progressistas que chegam. O estado dos costumes e da sociedade estará, pois, em um povo, em uma raça ou no mundo inteiro, em razão daquela das duas categorias que tiver a preponderância.

Uma comparação vulgar fará compreender melhor ainda o que se passa nesta circunstância. Suponhamos um regimento composto, em grande maioria, de homens turbulentos e indisciplinados: estes ali levarão sem cessar uma desordem que a severidade da lei penal terá frequentemente dificuldade para reprimir. Esses homens são os mais fortes, porque serão os mais numerosos; eles se sustentam, se encorajam e se estimulam pelo exemplo. Os que sejam bons são sem influência; seus conselhos são desprezados; são escarnecidos, maltratados pelos outros, e sofrem com esse contato.
Não está aí a imagem da sociedade atual?
Suponhamos que são retirados esses homens do regimento um por um, dez por dez, cem por cem, e que sejam substituídos na mesma medida por um número igual de bons soldados, mesmo por aqueles que foram expulsos, mas que se emendaram seriamente, ao cabo de algum tempo, ter-se-á sempre o mesmo regimento, mas transformado; a boa ordem ali terá sucedido à desordem. Assim o será com a Humanidade regenerada.

As grandes partidas coletivas não têm somente por objetivo ativar as saídas, mas transformar mais rapidamente o Espírito da massa, desembaraçando-a das más influências e dando mais ascendência às ideias novas.
É porque muitos, apesar de suas imperfeições, estão maduros para essa transformação, que muitos partem a fim de irem se retemperar numa fonte mais pura. Ao passo que se tivessem permanecido no mesmo meio e sob as mesmas influências, teriam persistido em suas opiniões e na sua maneira de ver as coisas. Uma permanência no mundo dos Espíritos basta para lhes abrir os olhos, porque ali veem o que não podiam ver sobre a Terra. O incrédulo, o fanático, o absolutista poderão, pois, retornar com ideias inatas de fé, tolerância e de liberdade. Em seu retorno, encontrarão as coisas mudadas, e suportarão o ascendente do novo meio onde terão nascido. Em lugar de fazer oposição às ideias novas, delas serão os auxiliares.

A regeneração da Humanidade não tem, pois, absolutamente necessidade da renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação nas suas disposições morais; esta modificação se opera em todos aqueles que a ela estão predispostos, quando são subtraídos à influência perniciosa do mundo. Aqueles que retornam, então, não são sempre outros Espíritos, mas, frequentemente, os mesmos Espíritos pensando e sentindo de outro modo.
Quando esse melhoramento é isolado e individual, passa despercebido, e sem influência ostensiva sobre o mundo.
O efeito é diferente quando se opera simultaneamente em grandes massas; porque, então, segundo as proporções, em uma geração, as ideias de um povo ou de uma raça podem ser profundamente modificadas.
É o que se nota quase sempre depois dos grandes abalos que dizimam as populações. Os flagelos destruidores não destroem senão o corpo, mas não atingem o Espírito; eles ativam o movimento de vai-e-vem entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual, e por consequência um movimento progressivo dos Espíritos encarnados e desencarnados. É de notar-se que, em todas as épocas da história, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso.

É um desses movimentos gerais que se opera neste momento, e que deve trazer o remanejamento da Humanidade. A multiplicidade das causas de destruição é um sinal característico dos tempos, porque elas devem apressar a eclosão de novo germes.
São folhas de outono que caem, e às quais sucederão novas folhas cheias de vida, porque a Humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm suas idades. As folhas mortas da Humanidade caem levadas pelas rajadas e golpes de vento, mas para renascerem mais vivazes sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue, mas se purifica.

Para um materialista, os flagelos destruidores são calamidades sem compensações, sem resultados úteis, uma vez que, segundo ele, aniquilam os seres sem retorno. Mas para aquele que sabe que a morte não destrói senão o envoltório, eles não têm as mesmas consequências, e não lhe causam o menor medo; compreende-lhe o objetivo, e sabe também que os homens não perdem mais morrendo em conjunto do que morrendo isoladamente, uma vez que, de uma forma ou de outra, é necessário sempre lá chegar.
Os incrédulos rirão dessas coisas, e as tratarão por quimeras; mas digam o que disserem, eles não escaparão à lei comum; cairão a seu turno, como os outros, e, então, o que será deles? Eles dizem: “Nada!” Mas viverão a despeito de si mesmos, e serão, um dia, forçados a abrir os olhos.
Se servir de compensação, no mundo inferior que espera os indiferentes e para onde já estão sendo levados, também haverá sexo, pirâmides, choro e ranger de dentes.
Que saibamos escolher, enquanto há tempo.
Afinal, não é por falta de esforço do Criador, do Cristo e dos Espíritos amigos que ainda existe tanta lágrima nos olhos e nos corações da humanidade. É por causa de suas escolhas erradas.
Assim, relembremos os ditos de Jesus,
"Misericórdia quero, não o sacrifício!"
Brilhe vossa Luz
Muita paz!

Lucius
Trecho do livro: Despedindo-se da Terra

23 de novembro de 2010

ESTADOS DEPRESSIVOS

A depressão é uma doença psicossomática, que poderíamos dizer, mais detalhadamente, que é bio-psico-neuro-imuno-endócrina, pois que atinge a psique e desestrutura a mente, que, por sua vez, ao irradiar energia negativa, desequilibra os sistemas nervoso central, endócrino e imunológico, causando ao corpo variadas doenças.

Esse mal acompanha a espécie humana, ao longo dos tempos; porém, nunca tão intensamente, como neste final de século das luzes e da tecnologia.
É a depressão uma doença que traz intenso sofrimento psico-físico, podendo, inclusive, causar o suicídio inconsciente. É universal e atinge as pessoas, independente do status social, raça, sexo, nacionalidade, cultura, idade. Em suma, todos podem desenvolver essa patologia, que tanto sofrimento traz às pessoas dela portadoras.

Calcula-se que 10% da população mundial, dela sofre, hoje. É preciso não confundir depressão, nem com tristeza, que é algo normal, todo mundo sente e é passageira, nem com transtorno bipolar, que alterna episódios eufóricos (mania) com episódios depressivos. Esse transtorno bipolar, até pouco tempo, conhecido como psicose maníaco-depressiva ou PMD, é muito mais grave do que a depressão.

As repetições de episódios de depressão podem ocorrer, a partir de duas semanas depois que a doença se instala, e perdurar por dias, meses ou anos a fio. Uma crise depressiva pode durar minutos, horas ou o dia todo, constituindo o chamado transtorno depressivo recorrente ou depressão unipolar. É um estado de ânimo que deixa a pessoa freqüentemente desanimada, deprimida, de "moral baixa", apática, sem graça, sem energia ou motivação para coisa alguma. A pessoa torna-se insatisfeita, insegura, preocupada com tudo; é negativista.

Não devemos confundir quem está deprimido, com quem está triste, "em baixo astral", "na fossa", porque, momentos de tristezas, nas pessoas, é normal e passageiro. Como diferenciar, então, os dois estados d´ânimo? Simples! Os transtornos de humor variam mais e duram mais, no deprimido. A reação ao estresse é mais intensa, tudo é complicado e difícil de resolver. O deprimido vive, o tempo todo, se lamentando; em nada sente prazer e prefere ficar sozinho do que ter companhia. Já o tristonho normal, procura conversar, sair da rotina, ajudar-se, distrair-se e não quer ficar sozinho, buscando, sempre, a companhia de outras pessoas.

A depressão provoca mau humor, irritação, queda na concentração no trabalho, e na qualidade de vida e muito sofrimento. Ela vem se alastrando, no meio de nossa sociedade, dita moderna, ocidental, pela inversão dos valores morais, uma vez que o homem moderno deixa de privilegiar o "ser" em detrimento do "ter".

Sociedade, em que os valores materiais; o consumismo desenfreado; o "modus vivendi" e o " modus operandi" capitalista; a concorrência selvagem, às mais das vezes, imorais e ilegais, se sobrepõem aos valores individuais, familiares, coletivos, morais e espirituais de cada indivíduo.

Sociedade em que o homem não mais vê, no outro, um irmão de caminhada, mas um concorrente, que o faz dormir e acordar, com medo, para enfrentar o novo dia, devido à falta de segurança, gerada pelos desequilíbrios sócio-econômicos, baixos salários, medo do desemprego, frustrações, violência nas ruas. Esse modo desumano de vida, de sociedade, faz com que o indivíduo se sinta, sozinho, na multidão.

As pessoas vivem, sob de constante tensão, em angústia, inseguras, com medo, situações essas que, quando não são bem administradas, acabam, na melhor das hipóteses, gerando o estresse ou, ainda mais grave, produzindo a síndrome do pânico ou da depressão.

A depressão, por si só, pode provocar, no organismo da pessoa: insônia ou sonolência, dores musculares, queda no desempenho sexual, sudorese, esquecimento, palpitações cardíacas, falta de ar, dor no estômago, prisão de ventre, boca seca, pressão no peito, dor de cabeça constante, medo, vazio existencial e perda de sentido da vida, entre outros males.

O que se pode fazer para evitar esse terrível e angustiante mal?

A profilaxia do mal, só, depende de cada um de nós. Para evitá-lo, procuremos seguir as regras simples que se seguem:

* Tenha, sempre, uma ocupação em vez de preocupações. Não confunda preocupação com responsabilidade. Todos temos deveres e obrigações a cumprir, mas devemos ter responsabilidades e não preocupações.

* Evite todas as formas de desequilíbrios mentais, que podem levar aos distúrbios psíquicos, tais como: inveja, mentira, vaidade, orgulho, ódio, rancor, avareza, mágoa, ciúme, cobiça, amargura, indiferença, egoísmo, egocentrismo, pessimismo, ira, desespero, revolta. São portas que, abertas, podem dar passagem às doenças mentais, como a depressão, entre outras, que abrem sucessivas portas para as doenças do corpo, porque baixam as resistências do organismo quando atacam o sistema imunológico, produzindo doenças como a hipertensão arterial, as arritmias cardíacas, as úlceras e gastrites, as doenças alérgicas, as colagenoses como o lúpus e os reumatismos, as infecções, os diversos tipos de câncer e muitos outros males. As moléstias físicas resultam das mentais, que provêm das doenças espirituais, conhecidas, hoje, como espiritopatias, entre os médicos espíritas, ou doenças da alma, que são males do pretérito, auto-infligidos (Lei de Causa e Efeito) ou adquiridas (obsessões).

* Reconhecer, como nos ensina Joanna de Ângelis: "A depressão instala-se, pouco a pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental". "...Todos os males que infelicitam o homem procedem do espírito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável. Da alma procedem as realizações edificantes e os processos degenerativos que se exteriorizam no corpo".

* Não se lembre do ontem, mas pense no amanhã.

* Ande de frente para o sol, para que a sua sombra fique às suas costas.

* Aprenda a sorrir, pois infeliz é aquele que não tem mais um sorriso para dar.

* Qualquer que seja o problema, lembre-se que, na vida, tudo passa e isto, também, passará.

* Saia da depressão em que se encontra, e suba a montanha, pois, do alto, você será o primeiro a ver os raios do sol, quando nascer.

* Não viva na solidão. Abra, bem, os olhos e verá um mundo de gente amiga, ao seu redor.

* Procure participar, ajudando, somente, quem é solidário não é solitário.

* Recebemos o que damos. Colhemos o que plantamos.

* Distribua felicidades, pois a felicidade é algo que se multiplica, quando se divide.

Para finalizar, lembre-se: todos temos, dentro de nós, um médico interno, à nossa disposição. Só adoece quem quer!

Guilherme Travassos Sarinho
Associação de Medicina e Espiritismo da Paraíba

16 de novembro de 2010

UM DEVER DE CONSCIÊNCIA

O fato de médicos e hospitais de vários municípios do Rio Grande do Sul terem se recusado a fazer o abortamento em uma adolescente de 14 anos, apesar da autorização judicial que trazia consigo, foi manchete nas mídias, no ano de 2005.
Segundo as notícias, a jovem disse que sua gravidez foi fruto de estupro e obteve do juiz a permissão para realizar o aborto, isentando médicos e hospitais que se dispusessem a eliminar a vida que pulsava em seu ventre.
Embora o juiz tenha autorizado o aborto, não lhe caberia o direito de obrigar ninguém a realizar o feito, pois nem sempre a legalidade de um ato o torna moral.
O que vale ressaltar na atitude desses médicos, é a consciência do dever. O dever de defender a vida, assumido perante si próprios.
O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros.
Ao concluírem o curso os médicos fazem um juramento, o mesmo juramento feito por Hipócrates, um sábio grego que viveu no século V antes de Cristo, e é considerado o Pai da Medicina.
O juramento diz o seguinte:
Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei, como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados. Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção.
Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra.

Ao fazer tal juramento, o médico passa a ter um dever moral consigo mesmo. E, se o violar, estará ferindo a própria consciência.
Ao se comprometer com esse ideal, o médico também estabelece o dever para com os outros, que é o segundo passo do dever ético-moral.
Lamentável é que muitos desses homens e mulheres que juraram, solene e livremente, que manteriam o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção, usem seus conhecimentos médicos para eliminar a vida que pulsa no santuário do ventre materno.
Por outro lado, é admirável a coragem e a honra desses homens e mulheres que não se permitem sujar as mãos com sangue inocente, mesmo sob qualquer pressão.
Isso porque sabem que, se agirem em desacordo com o juramento feito por livre vontade, não terão como se olhar no espelho da consciência e enxergar um cidadão honrado.
O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados.
Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas.
O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.
O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.
O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
O dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da Humanidade.
Jamais cessa a obrigação moral da criatura para com Deus. Tem esta de refletir as virtudes do Eterno, que não aceita esboços imperfeitos, porque quer que a beleza da Sua obra resplandeça a seus próprios olhos.

Redação do Momento Espírita, com base no item 7 do cap. XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. Em 24.09.2009. 

15 de novembro de 2010

RECORDAÇÃO DO MASSACRE DE SÃO BARTOLOMEU

Um dos nossos assinantes nos traz uma carta de um de um de seus amigos, da qual extraímos o seguinte:

“Perguntastes a minha opinião, ou antes, se acredito na presença ou não, junto a nós, das almas dos que amamos. Pedis ainda explicações relativas à minha convicção de que nossas almas mudam de envoltório muito rapidamente.

Por mais ridículo que pareça, direi que minha convicção sincera é a de ter sido assassinado durante os massacres de São Bartolomeu. Eu era muito criança quando tal lembrança veio ferir-me a imaginação. Mais tarde, quando li essa triste página de nossa História, pareceu que muitos detalhes me eram conhecidos, e ainda creio que se a velha Paris fosse reconstruída eu reconheceria essa velha aléia sombria onde, fugindo, senti o frio de três punhaladas dadas pelas costas. Há detalhes desta cena sangrenta em minha memória e jamais desapareceram. Por que tinha eu essa convicção antes de saber o que tinha sido o São Bartolomeu? Por que, lendo o relato desse massacre eu me perguntei: é sonho, esse sonho desagradável que tive em criança, cuja lembrança me ficou tão viva? Por que, quando quis consultar a memória, forçar o pensamento, fiquei como um pobre louco ao qual surge uma idéia e que parece lutar para lhe descobrir a razão? Por que? Nada sei. Certo me achareis ridículo, mas nem por isso guardarei menos a lembrança, a convicção.

Se dissesse que tinha sete anos quando tive um sonho assim: Eu tinha vinte anos, era um rapaz bem posto, parece que rico. Vim bater-me em duelo e fui morto. Se dissesse que a saudação feita com a arma, antes de se bater, eu a fiz pela primeira vez que tive um florete na mão. Se dissesse que cada preliminar mais ou menos graciosa que a educação ou a civilização pôs na arte de se matar me era desconhecida antes de minha educação nas armas, certamente diríeis que sou louco ou maníaco. Bem pode ser; mas às vezes me parece que um clarão atravessa essa névoa e tenho a convicção de que a lembrança do passado se restabelece em minh’alma.

Se me perguntásseis se creio na simpatia entre as almas, em seu poder de se porem em contato entre ela, a despeito da distância, apensar da morte, eu vos responderia: Sim, e este sim seria pronunciado com toda a força de minha convicção. Aconteceu encontrar-me a vinte e cinco léguas de Lima, após vinte e seis dias de viagem, e despertar em lágrimas, com uma verdadeira dor no coração; uma tristeza mortal apoderou-se de mim todo o dia. Registei o fato em meu diário. Àquele hora, na mesma noite, meu irmão tinha sido atingido por um ataque de apoplexia, que comprometeu gravemente a sua vida. Confrontei o dia e a hora: tudo exato. Eis um fato; as pessoas existem. Direis que eu sou louco?

Não li qualquer autor tratando de tal assunto. Fá-lo-ei em minha volta. Talvez essa leitura lance alguma luz em mim.”

O Sr. V..., autor desta carta, é oficial de marinha e atualmente em viagem. Seria interessante ver se, evocando-o, confirmaria suas lembranças; mas haveria a impossibilidade de o prevenir de nossa intenção e, por outro lado, à vista de seus serviço, poderia ser difícil achar o momento propício. Contudo, disseram-nos que chamássemos o seu anjo da guarda, quando quiséssemos evocá-lo, e ele nos diria se poderíamos fazê-lo.

Evocação do anjo da guarda do Sr. V...

- Atendo ao vosso chamado.

Conheceis o motivo que nos leva a querer evocar o vosso protegido. Não se trata de satisfazer uma vã curiosidade, mas de constatar, se possível, um fato interessante para a ciência espírita, o da recordação de sua vida anterior.

- Compreendo o vosso desejo, mas no momento seu Espírito não está livre: está ativamente ocupado pelo corpo e numa inquietude moral que o impede de repousar.

Ainda está no mar?

- Está em terra. Mas poderei responder a algumas perguntas, porque aquela alma foi sempre confiada à minha guarda.

Desde que tendes a bondade de responder, perguntaremos se a lembrança que julga conservar de sua morte numa existência anterior é uma ilusão.

- É uma intuição muito real. Na época estava muito bem na Terra.

Por que motivo essa lembrança lhe é mais precisa do que para outros? Há nisso alguma causa fisiológica ou alguma utilidade particular para ele?

- Essas lembranças vivas são muito raras. Deve-se um pouco ao gênero de morte que de tal modo o impressionou que está, por assim dizer, encarnado em sua alma. Contudo, muitas outras pessoas tiveram morte tão terrível e não lhes ficou a lembrança. Só raramente Deus o permite.

Depois dessa morte no São Bartolomeu teve ele outras existências?

- Não.

Que idade tinha quando morreu?

- Uns trinta anos.

Pode-se saber o que era ele?

- Ligado à casa de Coligny.

Se tivéssemos podido evocá-lo teríamos perguntado se recorda o nome da rua onde foi assassinado, a fim de ver se, indo a esse lugar, quando voltar a Paris, a lembrança da cena lhe é ainda mais precisa.

- Foi no cruzamento de Bucy.

A casa onde foi morto ainda existe?

- Não: foi reconstruída.

Com o mesmo objetivo teríamos perguntado se recorda o nome que tinha.

- Seu nome não é conhecido na História, pois era simples soldado. Chamava-se Gaston Vincent.

Seu amigo, aqui presente, desejaria saber se recebeu suas cartas.

- Ainda não.

Éreis então o seu anjo da guarda?

- Sim: então e agora.

OBSERVAÇÃO: Céticos, antes mais trocistas do que sérios, poderiam dizer que o anjo da guarda o guardou mal e perguntar por que não desviou a mão que o feriu. Posto uma tal pergunta mereça apenas uma resposta, talvez algumas palavras a respeito sejam úteis.

Para começar diremos que, se o morrer pertence à natureza humana, nenhum anjo de guarda tem o poder de opor-se ao curso das leis da Natureza. Do contrário, razão não haveria para que não impedissem a morte natural, tanto quanto a acidental. Em segundo lugar, estando o momento e o gênero de morte no destino de cada um, é preciso que se cumpra o destino. Diremos, por fim, que os Espíritos não encaram a morte como nós: a verdadeira vida é a do Espírito, da qual as várias existências corpóreas não passam de episódios. O corpo é um invólucro que o Espírito reveste momentaneamente e deixa como uma roupa usada ou rasgada. Pouco importa, pois, que se morra um pouco mais cedo ou mais tarde, de uma ou de outra maneira, pois que, em definitivo, sempre é preciso chegar à morte, que longe de prejudicar o Espírito, pode ser-lhe útil, conforme a maneira por que se realiza. É o prisioneiro que deixa a prisão temporária pela liberdade eterna. Pode ser que o fim trágico de Gaston Vincent lhe tenha sido uma coisa útil, como Espírito, o que o seu anjo da guarda compreende melhor que ele, porque um só vê o presente, ao passo que o outro vê o futuro. Espíritos retirados deste mundo por uma morte prematura, na flor da idade, por vezes nos responderam que era um favor de Deus, que assim os havia preservado dos males aos quais, sem isto, estariam expostos. (Allan Kardec - R. E. 1860).

14 de novembro de 2010

O DEBOCHE

A escolha dos bons autores é muito útil e os que exercem autoridade sobre vós, excitando-vos a imaginação por loucas paixões humanas, apenas corrompem o coração e o espírito. Com efeito, não é entre os apologistas da orgia, do deboche, da volúpia, entre os que preconizam os prazeres materiais, que se podem aproveitar lições de melhoramento moral. Pensai pois, meus amigos, que se Deus vos deu paixões foi com o fito de voz fazer concorrer para os seus desígnios e não para as satisfazer como um animal. Sabei que se gastardes a vossa vida em loucos prazeres que não deixam senão remorsos e o vazio no coração, não agireis segundo os desígnios de Deus. Se vos é dado reproduzir a espécie humana, é que milhares de Espíritos errantes esperam no espaço a formação dos corpos de que necessitam para recomeçar suas provas e que usando as vossas forças em ignóbeis volúpias, ides contra a vontade de Deus e vosso castigo será grande. Assim, bani essas leituras, das quais não tirais nenhum fruto, nem para a inteligência, nem para o aperfeiçoamento moral. Que os escritores sérios de todos os tempos e de todos os países vos façam conhecer o belo e o bem; que elevem a vossa alma para o encanto da poesia e vos ensinem o útil emprego das faculdades com que vos dotou o Criador.

Espírito de Felícia - Revista Espírita de 1861


Obs.: Não existe algo de profundo e de sublime nessa idéia que dá à reprodução do corpo um objetivo tão elevado? Os Espíritos errantes esperam esses corpos, de que necessitam para o seu próprio adiantamento, e que os espíritos encarnados estão encarregados de reproduzir, como o homem espera o produto da reprodução de certos animais para vestir-se e alimentar-se.
Ressalta outro ensinamento de alta significação. Se não se admite que a alma já tenha vivido, é absolutamente necessário que seja criada no momento da formação e para o uso de cada corpo; de onde se segue que a criação da alma por Deus estaria subordinada ao capricho do homem e na maioria das vezes é o resultado do deboche. Como! Todas as leis religiosas e morais condenam a depravação dos costumes, e Deus se aproveitaria disto para criar almas! Perguntamos a todo homem de bom senso se é possível que Deus se contradiga a tal ponto? Não seria glorificar o vício, desde que serviria à realização dos mais elevados desígnios do Todo-Poderoso: a criação das almas? Que nos digam se tal não seria a conseqüência da formação simultânea das almas e dos corpos; e seria pior ainda se se admitisse a opinião dos que pretendem que o homem procria a alma ao mesmo tempo que o corpo. Admitam, ao contrário, a preexistência da alma, e toda contradição cessa. O homem não procria senão a matéria do corpo; e a obra de Deus, a criação da alma imortal, que um dia dele se deve aproximar, não mais está submetida ao capricho do homem. É assim que, fora da reencarnação, surgem a cada passo dificuldades insolúveis e que se cai na contradição e no absurdo quando se quer explicá-las. Assim, o princípio da unicidade da existência corpórea, para decidir sem retorno os destinos futuros do homem, diariamente perde terreno e partidários. Então podemos dizer com segurança que, em pouco, o princípio contrário será universalmente admitido como único lógico, o único conforme à justiça de Deus, e proclamado pelo próprio Cristo, quando disse: “Eu vos digo que é necessário nascer muitas vezes antes de entrar no reino dos céus”
Allan Kardec.

13 de novembro de 2010

DEBILIDADE MENTAL

Nossa colega, Sra. Costel, tendo feito uma excursão à parte dos Alpes em que o cretinismo parece ter estabelecido um dos seus principais focos, ali recebeu, de um de seus Espíritos habituais, a seguinte comunicação:

"Os cretinos são seres punidos na Terra pelo mau uso feito de poderosas faculdades. Sua alma está aprisionada num corpo cujos órgãos impotentes não podem exprimir seu pensamento. Esse mutismo moral e físico é uma das mais cruéis punições terrestres. Por vezes é escolhida pelos Espíritos arrependidos que querem resgatar suas faltas. A prova não é estéril, porque o Espírito não fica estacionário na prisão da carne; os olhos embrutecidos vêem; o cérebro deprimido concebe, mas nada pode ser traduzido pela palavra ou pelo olhar e, salvo o movimento, estão moralmente no estado dos letárgicos e dos catalépticos, que vêem e ouvem o que se passa ao seu redor sem poderem exprimi-lo. Quando, em sonho, tendes esses terríveis pesadelos, nos quais quereis fugir de um perigo, quando soltais gritos para pedir socorro, enquanto a língua fica presa ao palatino e os pés ao solo, experimentais num instante aquilo que o cretino experimenta sempre: paralisia do corpo ligada á vida do Espírito.

Assim, quase todas as enfermidades têm sua razão de ser; nada se faz sem causa, e o que chamais injustiça da sorte é a aplicação da mais alta justiça. A loucura também é uma punição pelo abuso de altas faculdades. O louco tem duas personalidades; a que extravasa e a que tem consciência de seus atos, sem os poder dirigir. Quanto aos cretinos, a vida contemplativa e isolada de suas almas, sem as distrações do corpo, pode ser tão agitada quanto as existências mais complicadas pelos acontecimentos; alguns se revoltam contra o seu suplício voluntário; lamentam tê-lo escolhido e experimentam um furioso desejo de voltar a uma outra vida, desejo que lhes faz esquecer a resignação na vida presente e o remorso da vida passada, que têm na consciência, porque os cretinos e os loucos sabem mais que vós, e na sua impossibilidade física oculta-se uma força moral da qual não fazeis a mínima idéia. Os atos de furor ou de imbecilidade a que seus corpos se entregam são julgados pelo ser interior, que sofre e se envergonha com eles. Assim, troçar, injuriá-los, e até os maltratar, como deles fazem por vezes, é aumentar-lhes o sofrimento porque os faz sentir mais duramente sua fraqueza e sua abjeção; e, se eles pudessem, acusariam os que assim fazem de covardia, pois sabem que suas vítimas não se podem defender.

O cretinismo não é uma lei de Deus e a Ciência pode fazê-lo desaparecer, pois é o resultado material da ignorância, da miséria e da sujeira. Os novos meios de higiene, que a Ciência, tornada mais prática, pôs ao alcance de todos, tendem a destruí-lo. Sendo o progresso condição expressa da humanidade, as provas impostas modificar-se-ão e seguirão a marcha dos séculos; tornar-se-ão todas morais; e quando a vossa Terra, ainda jovem, tiver realizado todas as fases de sua existência, tornar-se-á um lugar de felicidade, como outros planetas mais adiantados."

Espírito de Pierre Jouty - Revista Espírita de 1861.

11 de novembro de 2010

REPREENSÃO

Ninguém sendo perfeito, não se segue que ninguém tem o direito de repreender o próximo?
Certamente que não, pois cada um de vós deve trabalhar para o progresso de todos, e sobretudo dos que estão sob a vossa tutela. Mas isso é também uma razão para o fazerdes com moderação, com uma intenção útil e não, como geralmente se faz, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a censura é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda cumprir com todas as cautelas possíveis; e ainda assim, a censura que se faz a outro deve ser endereçada também a nós mesmos, para vermos se não a merecemos. (Espírito São Luís - 1860).

Será repreensível observar as imperfeições dos outros, quando disso não possa resultar nenhum benefício para eles, mesmo que não as divulguemos?
Tudo depende da intenção. Certamente não é proibido ver o mal, quando o mal existe. Seria mesmo inconveniente ver-se por toda parte somente o bem: essa ilusão prejudicaria o progresso. O erro está em fazer essa observação em prejuízo do próximo, desacreditando-o sem necessidade na opinião pública. Seria ainda repreensível fazê-la com um sentimento de malevolência e de satisfação por encontrar os outros em falta. Mas dá-se inteiramente o contrário, quando, lançando um véu sobre o mal, para ocultá-lo do público, nos limitamos a observá-lo para proveito pessoal, ou seja, para estudá-lo e evitar aquilo que censuramos nos outros. Essa observação, aliás, não é útil ao moralista? Como descreveria ele as extravagâncias humanas, se não estudasse os seus exemplos? (Espírito São Luís - 1860).

Há casos em que seja útil descobrir o mal alheio?
Esta questão é muito delicada e precisamos recorrer à caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só prejudicam a ela mesma, não há jamais utilidade em divulgá-las. Mas se elas podem prejudicar a outros, é necessário preferir o interesse do maior número ao de um só. Conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é melhor que um homem caia do que muitos serem enganados e se tornarem suas vítimas. Em semelhante caso, é necessário balancear as vantagens e os inconvenientes.

(Espírito de São Luís - 1860).

10 de novembro de 2010

SUBLIME UNIVERSO

As faculdades da alma são forças poderosas e tão variadas como variadas são as suas aspirações e vontades, e tão intensas e sutis como as próprias vibrações espalhadas pelo Universo. Nas almas elevadas, essas faculdades, por muito trabalhadas, aprimoradas e adestradas à Lei divina, atingem a plenitude de um fastígio, de um esplendor vertiginoso, que o homem hodierno sentirá dificuldades de conceber, tornando-se, então, esse esplendor a glória da sua imortalidade, visto que lhes permite a plena comunhão de vibrações com a Suprema Divindade, daí se derivando o seu estado paradisíaco ou celeste, a sua glória, o seu triunfo absoluto, fruto ou aquisição abendiçoada do seu próprio esforço e boa vontade através dos milênios. Chegada a esse pináculo, a alma colabora plena e extensivamente na obra da Criação, uma vez que já poderá refletir a imagem e semelhança do Criador. Tão gloriosa ela se sente, possuidora de tantos poderes, que deseja irradiar para mais além os valores das suas próprias conquistas imortais. Então se desdobra em múltiplas atividades, cooperando com o Todo-Poderoso no aprimoramento do Universo, presidindo ao nascimento e crescimento de mundos e sistemas siderais sob o harmonioso império das leis supremas, expandindo-se em amor e auxílio aos seus irmãos de Humanidade, imolando, muitas vezes, as alegrias da vida celeste que lhe são naturais, a fim de beneficiar povos e Humanidades com o deslumbramento da sua presença em globos materiais onde estagiam almas irmãs em labores evolutivos - tal como Jesus, o Cristo de Deus, o fez entre os homens deste planeta. É próprio da natureza da alma que atingiu a glorificação da unidade com o Criador dilatar-se em abnegação por outrem, ou seja, pelas Humanidades... da mesma forma que é do feitio dos caracteres nobres encarnados na Terra dedicar-se lealmente ao ser amado, à família, ao ideal constituído no coração... Ela o faz, porém, sorridente e feliz, retirando inefáveis alegrias, pelo bem que pratica, dos próprios sacrifícios a que se entrega, sem que por isso se diminua ou sofra tal como entendem os homens o sofrimento sobre a Terra... Sim, porque a alma que plenamente conseguiu conjugar vibrações com o seu Criador torna-se a estruturação do próprio Amor Divino. Ela compreende o Amor Divino, o Amor Universal, e sabe amar! E quem ama harmonizando sentimentos com o Amor Divino não poderá padecer a inferioridade de um sofrimento, visto que o Amor é fonte de delícias e, sendo a plenitude da felicidade eterna, não se mesclará nas amarguras que são a conseqüência de um estado inferior. O Amor absorve-a, impregna-a das suas divinas vibrações, tornando-a radiosa de uma ventura imortal, ainda que se encontre envolvida em circunstâncias críticas, mesmo dolorosas, como foi a do nosso Divino Mestre entre as peripécias da sua paixão na Terra. Mas, os homens somente compreenderão com justeza tais sutilezas das faculdades da alma eleita, no dia em que, igualmente, também eles, que são almas encarnadas, souberem amar com aquele Amor Divino de que Jesus foi o esplendente modelo. As almas normais, como as medíocres, em marcha evolutiva, possuem da mesma forma faculdades que lhes fornecem poderes, sempre relativos, no entanto, ao grau de evolução que atingiram. Assim, também, as inferiores e criminosas, que dos seus poderes mentais se utilizam para a própria consciência nublarem com os feitos da delinqüência.

É certo, portanto, que todos os homens, ou todas as almas, possuem em estado latente e relativo os esplendores que em grau supremo a Divindade Criadora possui, cumprindo a elas, por isso mesmo, se esforçar pelo progresso próprio, evoluírem, tocarem-se de glórias até refletirem em si mesma a semelhança do Ser Todo-Poderoso que lhes forneceu a Vida. Daí os complexos das Humanidades, suas lutas, suas ânsias pelo Ideal, seus desfalecimentos e vigores em busca de um bem que se dilata sempre mais à proporção que se elevam através dos progressos realizados, seu trabalho perpétuo para colher os triunfos imortais cujos germens estagiam dentro do seu próprio ser - partículas que são todas do Supremo Ser Divino. E, possuindo todos nós os mesmos princípios, as mesmas capacidades, somos suscetíveis de realizar os mesmos feitos, sejam psíquicos, no mundo espiritual, ou físicos, nos globos materiais, dependendo a boa ou má qualidade desses feitos, sua grandeza, sua eficácia e perfeição somente do progresso já realizado pelo nosso Espírito. Por isso, as incessantes advertências dos mestres espirituais no sentido de as criaturas procurarem conhecer a si mesmas, o valor que encerram, as energias e virtudes latentes de que são por natureza dotadas, a glória que carregam em si, reeducando-se sob os raios do Sol da Verdade e do Amor, a fim de mais facilmente atingirem a finalidade, no estado celeste que não está aqui nem além, mas na intensidade das faculdades vibratórias de cada ser - de cada universo pessoal, pois será bom recordar que um Espírito é um pequeno, porém, sublime universo!

Espírito de Charles

1 de novembro de 2010

NADA DE EXORCISMO

No Espiritismo não se usa o "exorcismo”, segundo a acepção comum desta palavra, isto é, não se realizam cerimônias especiais para expulsar espíritos inferiorizados, inadequadamente designados demônios.

De acordo com a Doutrina Espírita, Deus não criou, não cria e jamais criará seres eternamente voltados para o mal.

O Espiritismo entende que pessoas perversas, desencarnando, podem assediar e prejudicar os homens, produzindo fenômenos de obsessão, possessão ou subjugação, corporal ou moral. Quando j as casas espíritas são procuradas para socorrer criaturas nestes estados, o que é comum, recorrer-se à oração, a fim de que a entidade atormentadora, esclarecida com amor e benevolência, do mal que está praticando, afaste-se de sua vítima.

Nos Centros Espíritas não há pessoas especialmente encarregadas do serviço de orientação a entidades perversas, que pudessem ser classificadas como exorcistas, sendo oportuno, entretanto, notar que as pessoas de boa moral e sentimentos puros exercem benéfica autoridade sobre tais espíritos perturbadores.

O pensamento espírita a respeito dos "demônios" está explicitado na questão 131 de "O Livro dos Espíritos", a primeira obra da Codificação Kardequiana, e que elucida a contento sobre tantas questões que vêm levando milhares de criaturas a procurarem soluções esdrúxulas e perigosas aos seus problemas de natureza espiritual. Vejamos o que Allan Kardec diz sob a sábia orientação do mundo espiritual:

Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus seria justo e bom

Lacreando seres infelizes, eternamente voltados ao mal? Se há demônios, eles encontra-se no mundo inferior em que habitais e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo e que julgam agradá-lo por meio de abominações que praticam em seu nome. A palavra demônio não implica a idéia de Espírito mau, a não ser na sua acepção moderna, porque o termo grego daimon, de que ela deriva, significa gênio, inteligência, e se aplicou aos seres incorporados, bons ou maus, sem distinção. Os demônios, segundo a significação vulgar do termo, seriam entidades essencialmente malfazejas; e seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Mas Deus, que é eternamente justo e bom, não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua própria natureza, e condenados pela eternidade. Se não fossem obras de Deus, seriam eternos como ele, e nesse caso havia muitas potências soberanas “. Não pretendemos nos alongar neste assunto, que sinceramente nos soa como de uma puerilidade a toda prova. Em épocas passadas, quando a Comunicação não tinha o atual impacto sobre as massas, o” exorcismo “não teria alcançado esta repercussão. É um simples ritual da igreja Católica visando afugentar o Diabo. O livro e o filme que tratam do assunto são os maiores responsáveis por esta onda. São, aliás, verdadeiro atentado ao bom‑senso. Há obras editadas no Espiritismo dissecando perfeitamente a questão, entre elas” Nos Bastidores da Obsessão “, psicografada por Divaldo Pereira Franco. Cuidado, leitor, com este carnaval que se faz em torno do pobre demônio. Muita gente poderá ir parar no hospício pela demasiada preocupação com o mitológico inimigo, e depois ainda vão dizer que a culpa é do Espiritismo...

Revista O Semeador – Abril de 1981

28 de outubro de 2010

A HORA FINAL

Que se passa no momento da morte e como se desprende o Espírito da sua prisão material? Que Impressões, que sensações o esperam nessa ocasião temerosa? É isso o que interessa a todos conhecer, porque todos cumprem essa jornada. A vida foge-nos a todo instante: nenhum de nós escapará à morte.

Ora, o que todas as religiões e filosofias nos deixaram ignorar os Espíritos, em multidão, no-lo vêm ensinar. Dizem-nos que as sensações que precedem e se seguem à morte são infinitamente variadas e dependentes sobretudo do caráter, dos méritos, da elevação moral do Espírito que abandona a Terra. A separação é quase sempre lenta, e o desprendimento da alma opera-se gradualmente. Começa, algumas vezes, muito tempo antes da morte, e só se completa quando ficam rotos os últimos laços fluídicos que unem o perispírito ao corpo. A impressão sentida pela alma revela-se penosa e prolongada quando esses laços são mais fortes e numerosos. Causa permanente da sensação e da vida, a alma experimenta todas as comoções, todos os despedaçamentos do corpo material.

Dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar silencioso. O desprendimento é fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. Há, ao contrário, luta, agonia prolongada no Espírito preso à Terra, que só conheceu os gozos materiais e deixou de preparar-se para essa viagem.

Entretanto, em todos os casos, a separação da alma e do corpo é seguida de um tempo de perturbação, fugitivo para o Espírito justo e bom, que desde cedo despertou ante todos os esplendores da vida celeste; muito longo, a ponto de abranger anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de fluídos grosseiros. Grande número destas últimas crê permanecer na vida corpórea, muito tempo mesmo depois da morte. Para estas, o perispírito é um segundo corpo carnal, submetido aos mesmos hábitos e, algumas vezes, às mesmas sensações físicas como durante a vida terrena.

Outros Espíritos de ordem inferior se acham mergulhados em uma noite profunda, em um completo Insulamento no seio das trevas. Sobre eles pesa a Incerteza, o terror. Os criminosos são atormentados pela visão terrível e incessante das suas vítimas.

A hora da separação é cruel para o Espírito que só acredita no nada.

Agarra-se como desesperado a esta vida que lhe foge; no supremo momento insinua-se-lhe a dúvida; vê um mundo temível abrir-se para abismá-lo, e quer, então, retardar a queda. Daí, uma luta terrível entre a matéria, que se esvai, e a alma, que teima em reter o corpo miserável. Algumas vezes, ela fica presa até à decomposição completa, sentindo mesmo, segundo a expressão de um Espírito, “os vermes lhe corroerem as carnes”.

Pacífica, resignada, alegre mesmo, é a morte do justo, a partida da alma que, tendo muito lutado e sofrido, deixa a Terra confiante no futuro.

Para esta, a morte é a libertação, o fim das provas. Os laços enfraquecidos que a ligam à matéria, destacam-se docemente; sua perturbação não passa de leve entorpecimento, algo semelhante ao sono.

Deixando sua residência corpórea, o Espírito, purificado pela dor e pelo sofrimento, vê sua existência passada recuar, afastar-se pouco a pouco com seus amargores e ilusões; depois, dissipar-se como as brumas que a aurora encontra estendidas sobre o solo e que a claridade do dia faz desaparecer. O Espírito acha-se, então, como que suspenso entre duas sensações: a das coisas materiais que se apagam e a da vida nova que se lhe desenha à frente.

Entrevê essa vida como através de um véu, cheia de encanto misterioso, temida e desejada ao mesmo tempo. Após, expande-se a luz, não mais a luz solar que nos é conhecida, porém uma luz espiritual, radiante, por toda parte disseminada. Pouco a pouco o inunda, penetra-o, e, com ela, um tanto de vigor, de remoçamento e de serenidade. O Espírito mergulha nesse banho reparador. Aí se despoja de suas incertezas e de seus temores. Depois, seu olhar destaca-se da Terra, dos seres lacrimosos que cercam seu leito mortuário, e dirige-se para as alturas. Divisa os céus Imensos e outros seres amados, amigos de outrora, mais jovens, mais vivos, mais belos que vêm recebê-lo, guiá-lo no seio dos espaços. Com eles caminha e sobe às regiões etéreas que seu grau de depuração permite atingir. Cessa, então, sua perturbação, despertam faculdades novas, começa o seu destino feliz.

A entrada em uma vida nova traz impressões tão variadas quanto o permite a posição moral dos Espíritos. Aqueles — e o número é grande — cujas existências se desenrolam indecisas, sem faltas graves nem méritos assinalados, acham-se, a princípio, mergulhados em um estado de torpor, em um acabrunhamento profundo; depois, um choque vem sacudir-lhes o ser. O Espírito sai, lentamente, de seu invólucro: como uma espada da bainha; recobra a liberdade, porém, hesitante, tímido, não se atreve a utilizá-la ainda, ficando cerceado pelo temor e pelo hábito aos laços em que viveu. Continua a sofrer e a chorar com os entes que o estimaram em vida. Assim corre o tempo, sem ele o medir; depois de muito, outros Espíritos auxiliam-no com seus conselhos, ajudando a dissipar sua perturbação, a libertá-lo das últimas cadeias terrestres e a elevá-lo para ambientes menos obscuros.

Em geral, o desprendimento da alma é menos penoso depois de uma longa moléstia, pois o efeito desta é desligar pouco a pouco os laços carnais. As mortes súbitas, violentas, sobrevindo quando a vida orgânica está em sua plenitude, produzem sobre a alma um despedaçamento doloroso e lançam-na em prolongada perturbação. Os suicidas são vítimas de sensações horríveis.

Experimentam, durante anos, as angústias do último momento e reconhecem, com espanto, que não trocaram seus sofrimentos terrestres senão por outros ainda mais vivazes.

O conhecimento do futuro espiritual, o estudo das leis que presidem à desencarnação são de grande importância como preparativos à morte. Podem suavizar os nossos últimos momentos e proporcionar-nos fácil desprendimento, permitindo mais depressa nos reconhecermos no mundo novo que se nos desvenda.

Léon Denis

27 de outubro de 2010

BENS VERDADEIROS

Os verdadeiros bens são aquêles que têm caráter inalienável. O que transita não constitui posse, antes é mordomia. Nesse particular, os tesouros terrenos valem pela tônica que lhes emprestamos, caracterizados pelas paixões que envilecem, aquêles que os dominam parcialmente ou pela dinâmica do trabalho valioso que fomentam.
A posse monetária, no entanto, em si mesma não é responsável pelos bens que produz nem pelos males que gera.
Manipulando a posse encontra-se sempre o espírito, que a faz nobre ou perniciosa.
O dinheiro, de tão desencontradas conceituações, não é o responsável direto pela miséria social nem o autor das glórias culturais.
A moeda que compra consciências é a mesma que adquire leite para a orfandade; o dinheiro que entorpece o caráter é aquêle que também salva uma vida, doando sangue a alguém que esteja à beira da desencarnação; o numerário que corrompe moçoilas invigilantes, fascinadas pelo momentâneo ouropel da glória social, faculta igualmente sucesso às grandes conquistas do conhecimento.
Se êle favorece o tráfico de entorpecentes e narcóticos, a prostituição e rapina, também estimula o progresso entre as Nações, drena as regiões pantanosas e transforma os desertos em abençoados pomares, educa...
Em mãos abençoadas pela caridade, êle dá lume e pão, distribui reconfôrto e alegria, difunde o alfabeto e a arte, amplia a fraternidade e o amor, atenuando as asperezas da senda. por onde transitam os infelizes.
Movimentado por ociosos consome-se na usura e, insensatamente, vai conduzindo para perverter, malsinando vidas e destroçando-as.
As legítimas fortunas são as que têm fôrça indestrutível.
Valem muitas vêzes menos, porque desconsideradas pelo egoísmo geratriz dos males que infestam os espíritos multimilenarmente. Raros as disputam. São os valôres morais.
*
Certamente a ganância, resultante da má educação religiosa e social do homem, fomenta os crimes que são catalogados como conseqüências das riquezas mal dirigidas. A ganância. de uns engendra a miséria de muitos e a ambição desmedida de poucos faz-se a causa da ruína generalizada que comanda multidões.
O Evangelho de Jesus, no entanto - inapreciável fortuna de paz e amor ao alcance de todos -, possui a solução para o magno problema da riqueza e da pobreza, em se referindo às leis do amor e da caridade que um dia. unirão todos os homens como verdadeiros irmãos.
E o Espiritismo, confirmando as lições do Senhor, leciona, soberano, graças à informação dos imortais, que o mau uso da riqueza impõe o recomeço difícil na miséria, àquele que a tenha malbaratado.
Multiplica, então, os bens verdadeiros de que disponhas nas leiras do amor e reparte os valôres transitórios de que te faças detentor na seara da Caridade para que tranqüilos sejam os teus dias no Orbe e feliz o teu renascimento futuro, quando de volta à Terra
*
"Vendei o que possuís e dai esmolas. fazei para vós bolsas que não envelheçam, um tesouro inexaurível nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça roi". Lucas: capítulo 12º, versículo 33.
*
"O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo". Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 16º - Item 9.

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Florações Evangélicas. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

BEM AVENTURADOS OS SIMPLES

Caíra a noite e o viajante pedia socorro a Deus.
Sentia-se doente.
Longa fora a caminhada.
Doía-lhe o corpo.
Estava exausto.
Orando sempre, encontrou árvore acolhedora que lhe pareceu agasalhante refúgio.
No pé do tronco anoso, grande cova caprichosamente forrada de raízes era leito ao luar.
- Oh! - suspirou o viajor fatigado - Deus ouviu-me! Afinal, o repouso!
Ajoelhou-se e ia estender o manto roto no chão, quando verdadeira nuvem de maruins surgiu no assalto.
Picadas na cabeça, no rosto, nas mãos, nos pés...
E eram tantos os dardos vivos e volantes em derredor que o pobre recuou espavorido, para dormir ao relento, entre as pedras e espinheiros da retaguarda.
De corpo dorido, pensava desalentado:
- Tolo que sou de acreditar na oração! Estou sozinho! Nada de Deus!
Na manhã seguinte, porém, retomando a marcha, voltou à árvore do caminho e, somente aí, reconheceu, admirado, que a grande cova de que fora obrigado a afastar-se era a moradia de vários escorpiões.
*
Não descreia da prece em tempo algum. E nos casos em que você encontre empecilhos para possuir o a que mais aspira, guarde, entre aborrecimentos e provações, a certeza de que, muitas vezes, o que lhe parece uma situação invejável não passa de ninho enganador, onde se ocultam os lacraus da morte.

Vieira, Waldo. Ditado pelo Espírito Valérium.

26 de outubro de 2010

O CULTO AOS MORTOS NUMA VISÃO KARDECISTA


O Homem só começa a ser Homem, quando começa a enterrar seus mortos, diz-nos o historiador Aníbal de Almeida Fernandes, em "A Genealogia como fator básico na formação da Civilização", e conclui: É o marco divisório entre o animal e o primeiro homem, e ocorreu há cerca de 40.000 anos com o Homo Sapiens e o Homo Neanderthal, antes mesmo da agricultura, e é o início da história humana. O sentimento de cultuar os mortos foi moldado, pois, a partir de época bem remota e está sedimentado em quase todas as tendências religiosas.

As comunidades primitivas, peninsulares, agropastoris, inclinadas ao culto agrícola e ao culto da fertilidade, acreditavam, originariamente, que, em sepultando seus mortos nas proximidades dos campos agrícolas, os espíritos desses cadáveres ressurgiriam à vida com mais vigor, quais sementes plantadas em solo fértil, mas criam que isso se daria como algo secreto e misterioso. Com essa crença, reverenciavam-se os mortos próximos às tumbas, com festas e, sobretudo, com muita alegria, prática que se estendeu viva em algumas culturas contemporâneas.

Os costumes dos povos primitivos foram se modificando devido à influência de outros, vindos, provavelmente, do norte da África (os Iberos) e do centro da Europa (os Celtas).

Veja-se o que nos revela um dos expoentes da Doutrina Espírita: "É dos gauleses que vem a comemoração dos mortos, (...) só que, em vez de comemorar nos cemitérios, entre túmulos, era no lar que eles celebravam a lembrança dos amigos afastados, mas não perdidos, que eles evocavam a memória dos espíritos amados que algumas vezes de manifestavam por meio das druidisas e dos bardos inspirados". (1)

Ressalte-se, aqui, que os gauleses evocavam os ancestrais mortos (divindades) nos recintos de pedra bruta. As druidisas (sacerdotisas) e os bardos (poetas e oradores inspirados) eram verdadeiros "médiuns" e somente eles tinham consentimento para consultarem os oráculos (na Antigüidade, resposta de uma divindade a quem a consultava).

Os gauleses, portanto, não veneravam os restos cadavéricos, mas a alma sobrevivente, e era na intimidade de cada habitação que celebravam a lembrança de seus mortos, longe das catacumbas, diferentemente dos povos primitivos. A Festa dos Espíritos era de suma importância para eles, pois homenageavam Samhain, "O Senhor da Morte", festividade, essa, iniciada sempre na noite anterior a 1º de novembro, ou seja, no dia 31 de outubro. Essa celebração marcava o fim do verão e o fim da última colheita do ano. Acreditavam que os espíritos dos mortos, nos meses de inverno, sairiam dos túmulos gelados para visitarem suas antigas moradias aquecidas e orientar seus familiares. Os bons, supostamente, os protegeriam, mas, para confundirem os maus espíritos, vestiam-se de fantasias, o que deu origem à tradicional festa de Halloween dos nossos dias.

Porém, uma densa bruma desceu sobre a terra das Gálias, através do tacão de Roma, que expulsou os druidas e impôs o Cristianismo clérico. Esse período histórico de frenética agitação, mais tarde foi mutilado pelos bárbaros, sobrevindo uma madrugada de dez séculos (a obscura Idade Média), que proscreveu o espiritualismo e entronizou a superstição, o sobrenatural, o milagre, a beatificação, a santificação e a definitiva narcotização da consciência humana, levando-a ao analfabetismo espiritual.

A história oficial da Igreja registra que foi no Mosteiro beneditino de Cluny, no sul da França, no ano de 998, que o Abade Odilon promovia a celebração do dia 2 de novembro, em memória dos mortos, dentro de uma perspectiva catolicista. Pela influência que esse Mosteiro, então, exercia na Europa setentrional, propagou-se com rapidez a nova celebração, até porque veio de encontro aos costumes já arraigados em todas as culturas, cada qual com seu entendimento e sua prática, obviamente, quanto a cultuar os mortos. Somente em 1311 foi sancionada, em Roma, oficialmente, a memória dos falecidos, mas foi Bento XV quem universalizou tal celebração, em l915, dentre os católicos, cuja expansão da religião auxiliou, ainda mais, a difusão desse costume.

A legislação vigente chega a declarar o dia 2 de novembro como feriado nacional, com o objetivo de as pessoas poderem homenagear seus parentes e amigos falecidos. Nós, os espíritas, somos questionados sobre o tema: como o Espiritismo analisa o dia dos mortos? Respondemos a essa questão, da seguinte maneira: as religiões falham, excessivamente, no que tange aos ensinos das essenciais noções sobre a imortalidade da alma, muito embora haja uma ou outra que já tenha alguma noção do que seja. Mesmo assim, ainda insigne, se comparada aos ensinamentos de luz, ditados a Allan Kardec, e contidos em "O Livro dos Espíritos". Daí a razão pela qual, no dia dos finados, as pessoas se dirigem aos "campos santos", como se o cemitério fosse a morada eterna daqueles que desencarnam. "O Livro dos Espíritos" nos ensina o respeito aos desencarnados como um impositivo de fraternidade, sem que materializemos esse sentimento frente aos túmulos, nem que tais lembranças ou homenagens sejam realizadas em um dia especial, oficialmente estabelecido.

Nos dias de hoje, essa celebração se desviou, e muito, do ritual religioso, transportando-se do foco sentimental e emocional para o comercial, uma vez que a mercantilização de flores, velas, santinhos, escapulários, e a eventual preocupação para a conservação dos túmulos (normalmente, só são lembrados em novembro) respondem por esse protocolo social. O zelo com que são cuidados os túmulos só tem algum sentido para os encarnados, que, aliás, devem se precaver para não criarem um estranho tipo de culto. Não devemos converter as necrópoles vazias em "salas de visita do além", como diz Richard Simonetti, (2) até porque, há locais mais indicados para nos lembrarmos daqueles que desencarnaram.

Ainda que não reprovemos, de maneira absoluta, as pompas fúnebres, pois a homenagem à memória de um homem de bem, "são justas e de bom exemplo" (3), o Espiritismo revela que o desejo de perpetuar a própria memória nos monumentos fúnebres vem do derradeiro ato de orgulho . "A suntuosidade dos monumentos fúnebres determinada por parentes que desejam honrar a memória do falecido, e não por este, ainda faz parte do orgulho dos parentes, que querem honrar-se a si mesmos. Nem sempre é pelo morto que se fazem todas essas demonstrações, mas por amor-próprio, por consideração ao mundo e para exibição de riqueza ."(4) A tumba é o lugar-comum de encontro de todos os homens e nela se findam, impiedosamente, todas as distinções sociais. Em face disso, é inútil o rico tentar perpetuar a sua memória por meio de faustosos monumentos. Os anos os destruirão, assim como o seu próprio corpo. Essa é a Lei da natureza. A recordação das boas e más ações será menos perecível que o seu túmulo. A pompa dos funerais não o deixará limpo de suas torpezas e não o fará ascender sequer um degrau na hierarquia espiritual.(5)

Procuramos, mais, o lado cômodo, arraigando-nos ao formalismo material e desprezamos a essencialidade do ser, motivo pelo qual obrigou Jesus a se expressar aos escribas e fariseus da sua época: " sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de cadáveres e de toda espécie de podridão".(6)

Da questão 320 à 329 do Livro matriz, que deu origem ao Espiritismo, recebemos lições de extrema importância sobre funerais e celebração em memória dos "mortos", vejamos: os Benfeitores afirmam que os chamados "mortos" são sensíveis à saudade dos que os amavam na Terra e que, de alguma forma, " a sua lembrança aumenta-lhes a felicidade, se são felizes, e se são infelizes, serve-lhes de alívio."(7) Porém, em se referindo ao dia dos "finados", atestam que é um dia como outro qualquer, até porque os espíritos são sensíveis aos nossos pensamentos, não às solenidades humanas. No dia dos finados eles só " reúnem-se em maior número, porque maior é o número de pessoas que os chamam. Mas cada um só comparece em atenção aos seus amigos, e não pela multidão dos indiferentes."(8)

Não podemos desconhecer que o pensamento é uma força e que é o atributo característico do ser espiritual; "é ele que distingue o espírito da matéria; sem o pensamento o espírito não seria espírito. (...)se tem a força de agir sobre os órgãos materiais, quanto maior não deve ser sobre os elementos fluídicos que nos rodeiam! O pensamento age sobre os fluídos ambientes, como o som sobre o ar; esses fluidos nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som. Assim, pela comunhão de pensamentos, os homens se assistem entre si e, ao mesmo tempo, assistem os Espíritos e são por estes assistidos ".(9)

A tradicional visita ao túmulo, em massa, não significa que venha trazer satisfação ao "morto", até porque uma prece feita em sua intenção vale mais. É bem verdade que a " visita ao túmulo é uma maneira de manifestar que se pensa no Espírito ausente: é a exteriorização desse fato (...) mas é a prece que santifica o ato de lembrar; pouco importa o lugar se a lembrança é ditada pelo coração. "(10) Conhecemos pessoas (aliás muitas delas) que solicitam, antes mesmo de morrerem, que sejam enterradas em tal ou qual cemitério. Essa atitude, sem sombra de dúvida, demonstra inferioridade moral. "O que representa um pedaço de terra, mais do que outro, para o Espírito elevado?"(11)

Quanto às honras que tributam aos despojos mortais de parentes e amigos, o Espiritismo esclarece que no momento em que o Espírito chega a um certo grau de perfeição não tem mais a vaidade da sociedade humana e compreende a futilidade de tais solenidades, Contudo, faz uma ressalva sobre alguns, pois há "Espíritos que, no primeiro momento da morte, gozam de grande satisfação com as honras que lhes tributam, ou se desgostam com o abandono a que lançam o seu envoltório, pois conservam ainda alguns preconceitos deste mundo."(12)

O defunto assiste ao seu enterro? "Muito freqüentemente o assiste"(13). Esclarecem os Benfeitores - "algumas vezes não percebe o que se passa, se ainda estiver perturbado" (14) - complementam.

Muitas vezes o falecido presencia seus herdeiros em reuniões de partilhas, engalfinhando-se quais chacais em disputa pela herança. "Nessa ocasião que [o falecido] vê quanto valiam os protestos que lhe faziam. Todos os sentimentos se tornam patentes, e a decepção que experimenta, vendo a rapacidade dos que dividem o seu espólio"(15).

Reflitamos juntos: o dia 02 de novembro é consagrado aos falecidos libertos ou aos mortos que ainda estão jungidos à vida material? Existem duas possibilidades de mortos: os que se sentem totalmente livres do arcabouço carnal, porém "vivos" para uma vida espiritual plena, e os que permanecem com a sensação de que, ainda, estão encarnados, porém "mortos" para a vida física, pois somente vivenciam, na espiritualidade, a vida animal. " Para o mundo, mortos são os que despiram a carne; para Jesus, são os que vivem imersos na matéria, alheios à vida primitiva que é a espiritual. É o que explica aquele célebre ensinamento evangélico, em que a pessoa prontificou-se a seguir o Mestre, mas antes queria enterrar seu pai que havia falecido, e Jesus conclamou" (16)- "Deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos, tu, porém, vai anunciar o Reino de Deus".(17)

A visitação aos túmulos é um ato exterior, que evoca a lembrança dos entes queridos desencarnados e é a maneira de as pessoas demonstrarem a saudade e o carinho que sentem por eles, mas só terá o seu devido valor, se essa atitude for realizada com subida intencionalidade. Não deve, portanto, representar um compromisso social e nem ser eivada de manifestações de desespero, de cobranças, de acusações, como sói ocorre em muitas ocasiões. Em verdade, se a visitação aos túmulos não é condenável, ela é totalmente desnecessária, até porque o falecido não se encontra no cemitério, podendo ser lembrado e homenageado através da prece, a qualquer momento e em qualquer lugar. Portanto, nossos entes queridos já falecidos podem ser lembrados na própria intimidade e aconchego do lar, ao invés da frieza dos cemitérios e catacumbas.

É óbvio que "faz sentido rememorar com alegria e não lastimar os que já partiram, e que estão plenamente vivos. Finados é uma mistura de alegria e dor, de presença-ausência, de festa e saudade. Aos que ficamos por aqui, cabe-nos refletir e celebrar a vida com amor e ternura, para depois, quiçá, não amargar no remorso. Aos que partiram, nossa prece, nossa gratidão, nossa saudade, nosso carinho, nosso amor!" (18)

Se formos capazes de orar, com serenidade e confiança, transformando a saudade em esperança, sentiremos a presença dos parentes e amigos desencarnados entre nós, envolvendo-nos o coração com alegria e paz. Por esta razão e muitas outras, façamos do dia 2 de novembro um dia de reverência à vida, lembrando carinhosamente os que nos antecederam de retorno à pátria espiritual, e também os que conosco ainda jornadeiam pelos caminhos da existência terrena.

Este artigo está disponível no site do autor (http://meuwebsite.com.br/jorgehessen).

 
REFERÊNCIAS CONSULTADAS
(1) Denis, Leon. O gênio céltico e o mundo invisível. Rio de Janeiro: Ed.CELD. 1995. p. 180
(2) Disponível em http://comunidadeespirita.com.br/Imortalidade/quemtemmedo/estranho%20culto.htm
(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Perg. 824.)
(4) _________ Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Pergs. 823 e 823a.
(5) Idem (Ver item 320 e seguintes)
(6) (Mateus 23:27)
(7) _________ Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Perg 320
(8) Idem pergunta321-a
(9) Kardec, Allan. Revista Espírita, dezembro de 1864 – "Da Comunhão do pensamento"
(10) Idem pergunta323
(11) Idem pergunta325
(12) Idem pergunta326
(13) Idem pergunta327
(14) Idem pergunta328
(15) Artigo de João Demétrio intitulado: Finados a Luz do Espiritismo, disponível no site < (16) http://www.feal.com.br/colunistas.php?art_id=6&col_id=9> acessado em 26/10/07
(17) (Lucas 9, 51-62)
(18) Editorial do Jornal Mundo Espírita – novembro.2006