30 de janeiro de 2010

TRÊS ALMAS

Na antecâmara do Céu, três almas se reuniam, à espera do anjo da Passagem, que, por fim, veio atende-las no etéreo limiar.
Uma em veste branca, outra em traje dourado e a última em roupagem escura.
A primeira, ostentando nívea túnica, ataviada de linfas guirlandas, erguia a desassombrada cabeça e dizia sem palavras: - “quem mostrará maior pureza que a minha?”.
O mensageiro acolheu-a com bondade e abriu-lhe a porta de acesso; contudo, ao transpô-la, como que aturdida por invisíveis raios, a entidade recuou, exclamando:
- Não posso! Não posso!...
Disparando interrogações ao vigilante fiscal, explicou-se este, afetuoso:
- Realmente, envergas o manto lirial, mas o teu coração permanece pesado e escuro. A beleza de tua veste não representa virtude, porque te acovardaste ante a luta. Salvaste as aparências, à custa do suor alheio. Outros choraram e sofreram, para que te mantivesses na pureza externa. Volta ao mundo e santifica o vaso do sentimento.
Adiantou-se a segunda entidade, exibindo dourada coroa na fonte. De aspecto grave, na bela túnica jalde em que se envolvia, pensava: - “quem saberá mais do que eu?”
Do sagrado pórtico, no entanto, retrocedeu, com expressão de terror, e, fazendo perguntas ao anjo, dele ouviu novos esclarecimentos:
- Mostras a glória do saber, mas o teu coração jaz inerte e enregelado. Adquiriste a palma da ciência; todavia, como pudeste esquecer o labor dos que padecem pela exaltação do bem? Torna à casa dos homens e acorda para a compaixão, para o auxílio e para a caridade.
- Logo após, a terceira aproximou-se hesitante, atendendo ao chamado que o emissário do alto lhe dirigia.
Trazia a fronte humilhada e a vestidura coberta de lama e cinza. Abeirou-se, em lágrimas, do milagroso portal, exclamando consigo: - “Senhor, que será de mim?”
Em se colocando, porém, à frente das forças que fluíam da abertura, claridade radiosa se fez em torno dela e o que era barro e fuligem transformou-se em luz que parecia nascer-lhe do peito, no imo do coração transformado em sol.
A alma extática e venturosa partiu, demandando os resplandecentes cimos.
E, porque as duas almas incapazes da subida lhe dirigissem novas inquirições, o funcionário angélico esclareceu:
- Vimos agora um coração diligente na obra do amor universal. Aquele viajante, que ora se dirige para o Trono Eterno, veio até nós em condições que nos pareciam desfavoráveis; no entanto, a lama que lhe extravasava das mãos e dos pés, a nuvem de pó que lhe cobria o rosto e os braços, enegrecendo-lhe as vestes, eram os remanescentes da calúnia, da ironia, da maldade e da ingratidão que lhe foram atiradas na Terra por muitos e que ele suportou, com paciência, durante longo tempo, na obra da fraternidade entre as criaturas. As úlceras que se lhe abriram na alma ditosa, porém, transubstanciaram-se em pontos de sintonia com a luz celestial, que nele se inflamou, vigorosa e sublime, descortinando-lhe o caminho da imortalidade. Determina a justiça receba cada um de acordo com as suas obras.
E enquanto o obreiro aprovado se elevava, célere, no Infinito, a alma branca e a alma dourada volviam ao mundo de matéria espessa, a fim de diplomarem, convenientemente, no aprendizado divino do “fazer e servir”.

Mâncio da Cruz
Livro “Falando à Terra” – Psicografia Francisco Candido Xavier – Espíritos Diversos

29 de janeiro de 2010

A REENCARNAÇÃO


A doutrina da reencarnação é uma descoberta recente do espírito humano?
- De forma alguma: a humanidade sempre acreditou nela; toda a Antigüidade a professou; os grandes iniciados a ensinaram ao mundo e Jesus mesmo a ela se referiu em seu Evangelho.

Temos provas da reencarnação dos Espíritos?
- Sim, primeiramente as que os próprios Espíritos nos trazem em suas revelações; em seguida, as aptidões inatas de cada indivíduo, que determinam sua vocação e lhe traçam neste mundo as grandes linhas de sua vida. Daí, as diferenças materiais, intelectuais e morais que distinguem entre si os homens na Terra e explicam as desigualdades sociais.

Onde o Espírito reencarna?
- Por toda parte no universo. Todos os mundos são destinados a receber a vida sob suas formas variadas e em todos os graus.

Onde estava a alma, antes de encarnar num corpo?
- No espaço. O espaço é o lugar dos Espíritos, como o mundo terrestre é o lugar dos corpos.

Que é o espaço?
- É a imensidade, isto é, o infinito onde se movem os mundos, a esfera sem limites, que nosso limitado pensamento não pode conceber nem definir.

Por que o Espírito que está no espaço encarna em um corpo?
- Porque é a lei de sua natureza, a condição necessária de seus progressos e de seu destino. A vida material, com suas dificuldades, precisa do esforço e o esforço desenvolve nossos poderes latentes e nossas faculdades em germe.

O Espírito só encarna uma vez?
- Não. Ele reencarna tantas vezes quantas sejam necessárias para atingir a plenitude de seu ser e de sua felicidade.

Mas, para atingir esse fim, a pluralidade das existências é então necessária?
- Sim, porque a vida do Espírito é uma educação progressiva, que pressupõe uma longa série de trabalhos a realizar e de etapas a percorrer.

Uma só existência humana, quando é muito boa e muito longa, não poderia bastar ao destino de um Espírito?
- Não. O Espírito só pode progredir, reparar, renovando várias vezes suas existências em condições diferentes, em épocas variadas, em meios diversos. Cada uma de suas reencarnações lhe permite apurar sua sensibilidade, aperfeiçoar suas faculdades intelectuais e morais.

Dissestes que o Espírito reencarna para reparar; então, ele praticou o mal em suas vidas precedentes?
- Sim. O Espírito praticou o mal, já que não fez todo o bem que devia ter feito. Existe aí uma lacuna que é necessário preencher.

Que é o mal?
- É a ausência do bem, como o falso é a negação do verdadeiro e a noite a ausência da luz. O mal não tem existência positiva; ele é negativo por natureza. A prática do bem engrandece o nosso Ser; a sua omissão o diminui.

Como as reencarnações nos permitem reparar as existências falhas?
- Da mesma forma como o operário recomeça a tarefa que fez mal, assim o Espírito refaz a vida em que falhou.

Já que vivemos várias vezes, como se explica que não guardamos nenhuma lembrança de nossas vidas passadas?
- Deus não o permite, porque nossa liberdade ficaria diminuída pela influência da lembrança do nosso passado. “O que põe a mão na charrua, se quer fazer bem seu trabalho, não deve olhar para trás.”

Por qual fenômeno o esquecimento de nossas vidas anteriores se produz assim entre nós?
- No momento em que o Espírito reencarna, isto é, toma um corpo, à medida que nele penetra, suas faculdades adormecem, uma após outra; a memória se apaga e a consciência adormece. No momento da morte se produz o fenômeno contrário: à medida que o Espírito desencarna, as faculdades se desprendem, uma após outra, a memória se liberta, a consciência desperta. Todas as vidas anteriores vêm, pouco a pouco, ligar-se à vida que o Espírito acaba de deixar.

É necessário que a vida atual seja suspensa, adormecida, para que as vidas anteriores se revelem?
- Sim, como é necessário que o sol se deite para que as estrelas, ocultas nas profundezas da noite, apareçam a nossos olhos.

Não existe algum meio de provocar momentaneamente a lembrança das vidas passadas?
- Sim. Pela hipnose ou sono artificial em diversos graus. Sábios contemporâneos fizeram e ainda fazem em nossos dias experiências concludentes, que comprovam a realidade das existências anteriores.

Como se fazem essas experiências?
- Quando um experimentador consciencioso e competente encontra um indivíduo apto a suportar sua influência magnética, ele o adormece. Graças a esse sono, a vida presente é momentaneamente suspensa: então, a lembrança das vidas anteriores, adormecida nas profundezas da consciência, desperta e o indivíduo hipnotizado revê e narra todo o seu passado. Foram escritos livros inteiros sobre essas revelações preciosas, que nos fazem conhecer as leis do destino.

Retirado do livro 'Síntese Doutrinária' – Léon Denis

28 de janeiro de 2010

PERANTE JESUS

ESTUDO EVANGÉLICO

PALAVRAS DE VIDA ETERNA – ESTUDO 13
Francisco C. Xavier – pelo Espírito Emmanuel

PERANTE JESUS
" Porventura sou eu, Senhor ? " ( Mateus, 26:22 )

No capítulo I, item 9 de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" encontramos especificada a missão de Jesus no nosso planeta: "O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélica cristã, que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que deve fazer brotar de todos os corações humanos a caridade e o amor ao próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum; de uma perfeita moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam". Desde o primeiro dia da Boa Nova, Jesus convida a perceber que a redenção procede do alto, que a libertação de cada um só se concretizará com a colaboração ativa dos corações de boa vontade.
Frente a grandeza da proposta, como hoje, nos posicionamos? Entendemos qual é a proposta, o que é necessário para coloca-la em prática, a que ela levará?
Trata-se de uma proposta de libertação mas, libertação de quem ?
Nas buscas com Jesus, chegaremos a perceber que o processo se resume na libertação de nós mesmos, das nossas inferioridades, de tudo quanto nos aguilhoa à retaguarda, sentimentos, pensamentos, comportamentos que repetimos ao longo das várias encarnações. Apesar de já conhecer Jesus mantemos esses entraves à libertação insistindo em alimentar sentimentos doentios, pensamentos mórbidos, atitudes duras em desamor.
Nesse sentido Emmanuel reflete que não temos condições morais para recriminar Judas em suas atitudes menos felizes para com Jesus, uma vez que inúmeras vezes, hoje, cada qual também repete velhos erros, detemo-nos em tantas viciações, tão irresponsáveis ou inferiores quanto as decisões de nosso infeliz irmão.
Emmanuel vai mais longe e lista algumas entre muitas situações nas quais repetimos o ato de Judas:

Na batalha da vaidade e do orgulho...
Nas exigências do prazer egoísta...
Na opressão da opinião...
Na crueldade confessa...
Na caça da fortuna material...
Na rebeldia destruidora...
No esquecimento dos nossos deveres...
Na desonra do nosso próprio trabalho...
Deserções, ingratidão, descasos perante Jesus, perante nós mesmos e nosso próximo...

Tendo estado Jesus na função e objetivo de despertar, ainda hoje, muitas vezes, "fingimos" não entender a proposta, tentamos nos enganar achando que a proposta do Cristo serve para o outro e é dispensável para min.
No entanto é imprescindível inserir Jesus como padrão da vida, modelo de cada dia, de cada atitude, decisão ou ação.
Permanecer nas situações de erro ocasionarão sofrimentos e comprometimentos maiores, desgastando-se nos trabalhos de renovação individual, que encontra nas atitudes do Bem a própria sublimação.
Para colocar a proposta evangélica em prática é necessário após o conhecimento, a reflexão, acionar a vontade firme para o trabalho a ser feito.
Se cada homem indagasse quanto ao fundamento essencial de suas atividades na Terra, encontraria sempre no santuário interior, vastos horizontes para ilações de valor infinito, falando-lhe de valores, de horizontes cada vez mais amplos, já que como seres imortais, trazemos esse anseio, esse impulso de superação.
Tudo que representar esforço falará de realização no quadro de trabalhos permanentes do Cristo. O que efetuamos nos séculos constitui benefício ou ofensa a nós mesmos, na obra de libertação do ser em relação a si mesmo.
Trabalho digno é oportunidade que não se pode deixar despercebida perdendo-a pela inação.
Dentro dos círculos do serviço, cada esforço no Bem honrar-lhe-á a personalidade eterna.
No convite do tema, que percebamos a necessidade de em despertando forjar a vontade firme para, como Paulo de Tarso se erguer da estrada dos enganos, colocando-se a caminho da libertação.

Bibliografia.
Francisco Cândido Xavier. Na Presença do Cristo. In: Livro da Esperança. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Edição Comunhão Espírita Cristã. 9a Edição. 1987.
Francisco Cândido Xavier. Perante Jesus. Jesus para o Homem. In: Pão Nosso. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Federação Espírita Brasileira. 14a Edição. 1986.
Francisco Cândido Xavier. Que Fazemos do Mestre? In: ‘Vinha de Luz. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Federação Espírita Brasileira. 4a Edição. 1977.

27 de janeiro de 2010

A MORTE DIVIDE AS FASES DA NOSSA VIDA

"Necessário vos é nascer de novo" (Jesus a Nicodemos)

Entre inúmeros benefícios que decorrem do estudo e da assimilação da Doutrina Espírita, podemos indicar, sem dificuldade, aquele que orienta o homem acerca do milenário problema da Morte.
Inegavelmente, sem qualquer partidarismo, somos levados a compreender que só o Espiritismo estuda o velho problema, com riqueza de pormenores, uma vez que sobre tal assunto muito pouco, ou que nada, disseram as demais religiões, que se limitaram, simplesmente, a admitir e anunciar a existência do Mundo Espiritual.
Sem as consoladores luzes da nossa amada Doutrina, marcharia o homem para o túmulo - diremos melhor; para a Pátria da Verdade - sem idéia segura do que lhe acontecerá após o choque biológico do desenlace.
Nenhuma noção da morte.
Nenhum conhecimento das leis admiráveis que rege a vida no plano espiritual.
Nenhuma informação sobre o que sucede a ama durante e depois da desencarnação.
Em suma, verdadeiro cego, ante o mundo grandioso que o aguarda; um indígena, atônito, perplexo nos pórticos de estranha, quão maravilhosa civilização.
Essa ignorância, praticamente total, a respeito de tão importante problema, é a triste herança de velhas e novas religiões mestras no ocultar e fantasiar a realidade da vida além das fronteiras terrenas.
Religiões que procederam e procedem à maneira dos cronistas sociais modernas: depois eu conto¼
O Espiritismo é profundamente, intensamente realista, tanto nesse como em todos os assuntos de interesse da alma eterna.
Identificando a criatura, sem subterfúgio de qualquer espécie, com os seus postulados, fazendo-a absorver a parcela de verdade que ela suporta, torna-se tranqüila ante a perspectiva da desencarnação.
Não cremos, nem anunciamos um Céu grandioso, adquirível à custa de promessas, espórtulas, louvaninhas ou petitórios, nem um inferna tenebroso, eterno, de onde jamais sairemos.
O nosso conceito a respeito da morte e de suas conseqüências, se alicerça no Evangelho: "A cada um será dado de acordo com as suas obras".
Seria, naturalmente, leviandade afirmarmos que o Espiritismo já revelou, em toda a sua extensão e plenitude, a vida no plano extrafísico.
Expressando, todavia, a misericórdia divina, vem erguendo gradualmente, em doses nem sempre homeopáticas, a cortina que separa o mundo físico do mundo espiritual, consentindo estendamos o olhar curioso, indagativo, sobre o belo panorama da vida além da carne.
O espírita convicto não teme a morte, nem para si nem para os outros, mas procurar cumprir, da melhor maneira possível, apesar de suas imperfeições, imperfeições que não desconhece, os deveres que lhe cabem na erra, aguardando, assim, confiante, a qualquer tempo, hora e lugar, o momento da Grande Passagem.
Não a considera pavorosa, lúgubre, terrificante, tampouco a define por suave e milagrosa porta de redenção e felicidade.
O Espiritismo ensina, com apoio no Cristianismo, que não há das vidas, mas sim duas fases, que se prolongam, de uma só vida.
Se a Doutrina preleciona: "nascer, morre, renascer ainda, progredir continuamente" Jesus notifica a Nicodemos: "necessário vos é nascer de novo".
A uma daquelas fases, dá-se o nome de Etapa Corporal. Vai do berço ao túmulo. À outra, dá-se o nome de Etapa Espiritual. Vai do túmulo ao berço.
A nossa alma é como o Sol, que se esconde no horizonte, ao pôr de um dia, para, no alvorecer de novo dia, retornar pelo mesmo caminho.
A vida, em si mesma, é sublime cadeia de experiências que se repetem, séculos e mais séculos, até que obtenhamos a perfeição.
Maravilhosa cadeia, cujos elos se entrelaçam, se entrosam, se harmonizam, justapostos...
Pensando atuando dentro da conceituação, estranha para muitos, por enquanto, porém muito lógica e racional para nós, sabe o espírita, em tese, o que a Morte, como fenômeno simplesmente transitivo, lhe reservará.
Sabe que o sistema de vida adotado aqui na Terra, o seu comportamento ético, terá justa e equânime correspondência no mundo espiritual que é indefectivamente, um prolongamento do terráqueo.
Boas sementes, bons frutos produzem.
Más sementes, amargos frutos produzem.
Seremos, aqui e em qualquer parte, o resultado de nós mesmos, de nossos atos, pensamentos e palavras, sem embargo da generosas intercessões de amigos que se nos anteciparam na Grande Viagem.
Proporcionando alegria e amparo, alimento e instrução, aqui na Terra, aos nossos semelhantes, a Lei nos assegurará, no Plano Espiritual, instrução e alimento, amparo e alegria.
Tais noções, hauridas no Espiritismo, tornam o homem mais responsável e mais cuidadoso, mais esclarecido e mais consciente, compelindo-o a passos mais seguros, dentro da Vida - em suas duas faces - para que a Vida lhe sorria, agora e sempre.
Evidentemente, sem subestimar, nem sobreestimar a morte, o espírita caminha, luta, sofre, trabalha e evolui conscientemente, na direção do Infinito Bem, felicidade, os renas cimentos, sucessivos a que se referiu Jesus, no diálogo com Nicodemos.

Martins Peralva
(Transcrito de REFORMADOR, de Novembro de 1959).

26 de janeiro de 2010

A BAGAGEM



Existe um personagem de desenhos animados infantis que tem um certo toque de mistério e magia.
Seu nome é Gato Félix. A todo lugar que vá, ele leva a sua maleta. É uma maleta especial, pequena. E tudo o que ele deseja, tira da dita maleta.
Se for hora do lanche, ele encontra frutas, sanduíches e sucos. Se necessitar fazer um conserto, as ferramentas lá estão. Sempre as certas e precisas.
Se chover de repente, basta abrir a maleta para encontrar capa, guarda-chuva, botas. E assim em qualquer situação.
Cada um de nós também possui uma pequena mala de mão, em nossa vida, mais ou menos parecida com a do personagem infantil.
Quando a vida começa, temos em mãos a pequena mala. À medida que os anos passam, a bagagem, dentro dela, vai aumentando.
É que vamos colocando tudo o que recolhemos pelo caminho. Algumas coisas muito importantes. Outras, nem tanto. Muitas, dispensáveis.
Chega um momento em que a bagagem começa a ficar insuportável de ser carregada. Pesa demais.
Nesse momento, o melhor mesmo é aliviar o peso, esvaziar a mala.
Você examina o conteúdo e vai pondo para fora.
Amor, amizade. Curioso, não pesam nada.
Depois você tira a raiva. Como ela pesa! Na seqüência, você tira a incompreensão, o medo, o pessimismo.
Nesse momento, você encontra o desânimo. Ele é tão grande que, ao tentar tirá-lo, ele é que quase o puxa para dentro da mala.
Por fim, você encontra um sorriso. Bem lá no fundo, quase sufocado.
Pula para fora outro sorriso. E mais outro. Aí você encontra a felicidade.
Mas ainda tem mais coisas dentro da mala. Você remexe e encontra a tristeza.
É bom jogá-la fora.
Depois, você procura a paciência dentro da mala. Vai precisar bastante dela.
E também procura a força, a esperança, a coragem, o entusiasmo, o equilíbrio, a responsabilidade, a tolerância e o bom e velho humor.
A preocupação que você encontrar, deixe de lado. Depois você pensa no que fazer com ela.
Bem, agora que você tirou tudo da sua mala, deve arrumar toda a bagagem.
Pense bem no que vai colocar lá dentro de novo. Isso é com você.
E depois de toda a bagagem pronta, o caminho recomeçado, lembre de repetir a arrumação vez ou outra.
O caminho é longo até chegar ao final da jornada, e você terá que carregar a mala o tempo todo.
E quando chegar do outro lado, é bom que em sua bagagem tenha o máximo de coisas positivas, como boas obras, amizades, carinho, amor.
Porque isso tudo não pesa na sua bagagem, enquanto na terra. Mas quando for colocada na balança da justiça, para além da existência física, pesará e muito, positivamente.
A vida é uma grande viagem. Durante um tempo excursiona-se pelas paisagens terrenas.
É um período para estudar, trabalhar, progredir.
Um dia, retorna-se para a estação espiritual. É o momento de contar as conquistas e as perdas. Os erros e os acertos.
Que a nossa bagagem, nesse dia, possa estar repleta de virtudes, o bem praticado, afetos conquistados para nossa própria e grande felicidade.

Momento Espírita

25 de janeiro de 2010

RESGATE COLETIVO NO HAITI, BREVE REFLEXÃO ESPÍRITA


Para todos os fenômenos da vida humana, há sempre uma razão de ser. No dicionário Espírita, não deve constar a palavra “acaso”, ainda que as situações se nos afigurem insuportáveis. A tragédia do Haiti nos expõe, de maneira evidente, um episódio de resgate coletivo. Qual o significado dos milhares de seres que foram esmagados pelo terremoto? Catástrofe, cujas dimensões deixaram o mundo inteiro consternado? Para as tragédias coletivas, a Doutrina Espírita tem as explicações prováveis, considerando que, nos Estatutos de Deus, não há espaço para injustiça.
Segundo os Espíritos, “se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há, também, aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, os flagelos naturais.” (1)
Pela reencarnação e pela destinação da Terra - como mundo expiatório - são compreensíveis as anomalias que o planeta apresenta quanto à distribuição da ventura e da desventura neste planeta. Aliás, anomalia só existe na aparência, quando considerada, tão-só, do ponto de vista da vida presente. “Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à idéia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (2)
Em verdade, "as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”. (3)
É bem verdade que as catástrofes naturais ou acidentais, como a do Haiti, vitimam milhares de pessoas. Nesses episódios, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido forte, o drama inenarrável de inúmeras pessoas, enquanto a população recolhe o que sobrou e chora seus mortos.
Os flagelos destruidores ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa. A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo grau de perfeição. "Esses transtornos são, freqüentemente, necessários para fazerem com que as coisas cheguem, mais prontamente, a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.” (4) Dessa maneira, esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, "pois eles modificam, algumas vezes, o estado de uma região; mas o bem, que deles resulta, só é, geralmente, sentido pelas gerações futuras.” (5)
Antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, muitas vezes, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, depende de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e "o amor cobre uma multidão de pecados.” (6)
Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria lei se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido" - disse o Mestre. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, Cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento porque se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, freqüentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento." (7)

De: Jorge Hessen

Bibliografia:
(1) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. V
(2) idem Cap. V
(3) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989, Cap. IX
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737
(5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 739
(6) Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8
(7) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989, Cap. V

24 de janeiro de 2010

COMO VIVER COM OS OUTROS

A ciência mais difícil que até hoje encontramos foi a de viver em conjunto, e o mais interessante é que precisamos desse intercâmbio para viver. A lei nos condicionou a essas necessidades biológicas e espirituais.
A própria vida perde o sentido se nos isolarmos das criaturas. Elas têm algo que não possuímos e nós doamos a elas certos estímulos que a natureza lhes negou. Vemos nisto a presença de Deus, levando-nos ao amor de uns para com os outros. E assim aprendemos a amar por Amor.
A sociedade cada vez mais se aprimora, desde quando seus membros passam a se respeitar mutuamente, entrosando as qualidades e desfrutando da fraternidade na convivência. A sociedade é, pois, a flor do aprimoramento humano. No entanto, essa sociedade não pode existir sem o lar. Ela se desarmoniza se deixar de existir a família, que é o sustentáculo da harmonia que pode ser desfrutada pelos homens, em todos os rumos dos seus objetivos.
Se queres paz em teu lar, começa a respeitar os direitos dos que convivem contigo. Se romperes a linha divisória dos direitos alheios, afrontarás a tua própria paz.
Quem somente impõe suas idéias, passa a ser joguete dos pensamentos dos outros, às vezes, sem perceber. Estuda a natureza humana, pelos livros e pela observação, que a experiência te dirá os caminhos a tomar e a conduta a ser seguida. Vê como falas a quem te ouve e como ouves a quem te fala e, neste auto-aprendizado, as lições serão guardadas em lugares de que a vida sabe cuidar.
Não gastes teu tempo em palavras que desagradam, nem em horas de silêncio que desapontam. Procura usar as oportunidades no bom senso que equilibra a alma.
Procura conversar com os outros na altura que eles já atingiram. Isso não é disfarce, é respeito às sensibilidades, é sentir-te irmão de todos em todas as faixas da vida. Ao encontrares uma criança, não passas a ser outra para que ela te entenda? Assim deves fazer nas dimensões da vida humana em que te encontras.
A felicidade depende da compreensão, que gera Caridade, que gera Amor.
Conviver com os outros é, realmente, uma grande ciência, é a ciência da vida. Fomos feitos para viver em sociedade. Se recusarmos, atrofiamo-nos e disso temos provas observando as plantas que frutificam mais em conjunto; as pedras, que dão mais segurança quando amontoadas, e os animais, que sempre andam em convivência. Tudo se une para a maior grandeza da criação.
Essas lições não são somente para os encarnados. Os espíritos, na erraticidade, igualmente obedecem a essa grande regra de viver bem. Nós nos unimos em todas as faixas a que pertencemos, no entusiasmo do bem, que nos dá a vida. Aprendamos, pois, a conviver, a entender e respeitar os nossos irmãos que trabalham e vivem conosco, que tudo passará a ser, para nós, motivo de felicidade, onde enxergaremos somente o Amor.
Contrariar as leis que nos congregam é desagregar a nossa própria paz. E para aprender a viver bem com os outros, necessário se faz que nos eduquemos em todos os sentidos, que nos aprimoremos em todas as virtudes. Sem esse trabalho interior, será difícil alcançar a paz imperturbável no reino do coração.

livro: Cirurgia Moral
Lancellin

23 de janeiro de 2010

VISÃO ESPÍRITA DO HOMEM

EM HOMENAGEM AOS 102 ANOS DE NASCIMENTO DE DEOLINDO AMORIM

Já se sabe que o perispírito não é uma invenção do Espiritismo, como não é um conceito abstrato. É um elemento real, que tem propriedades e toma formas visíveis. Com o Espiritismo, entretanto, em virtude das experiências mediúnicas que já se acumularam até hoje, o estudo desse “corpo intermediário” necessariamente se tornou mais específico, permitindo que se lhe reconheçam propriedades relevantes no mecanismo psico-fisiológico. Além de outros autores, considerados clássicos na literatura espírita, Gabriel Delanne dedicou boa parte de seus trabalhos ao perispírito, e trouxe, por isso mesmo, uma contribuição significativa e ainda válida em toda a plenitude. Estudou ele, por exemplo, as “Provas da existência do perispírito - sua utilidade - seu papel”, no alentado livro O Espiritismo perante a Ciência. E, assim, em toda a obra de Delanne, realmente portentosa, há o que se estudar e pensar a respeito do perispírito. Não se precisaria fazer referência a outros, aliás bastante conhecidos no meio espírita, porque não temos objetivo de erudição nesta breve crônica jornalística. Queremos acentuar, sim, o perispírito ou mediador fluídico tem funções próprias no composto humano, não é uma criação imaginária...
Na antigüidade oriental, como na grega, como entre doutores da Igreja, admitiu-se claramente a existência de uma “substância”, um corpo, um elemento equivalente, afinal de contas, entre as duas realidades fundamentais: a matéria e o Espírito. Os nomes são diversos e, por isso, há uma infinidade de expressões para traduzir a significação do perispírito (terminologia do Espiritismo) no conjunto psicossomático. Existem até uns tantos preciosismos de linguagem, verdadeiras sutilezas verbais para dizer o que seja, no fundo, esse “corpo bioplásmico”, segundo a moderníssima denominação resultante de experiências realizadas na Rússia. Há contextos espiritualistas em que se encontra o perispírito, dividido ou apresentado sob outras rubricas, com as especificações que lhe são atribuídas. Mas o que é fundamental no caso é a existência, necessária, de um elemento que se interpõe no binômio corpo-espírito. A Doutrina Espírita prefere chamá-lo simplesmente de perispírito, com explicações acessíveis a todos os níveis de instrução.
Sob o ponto de vista histórico, entretanto, além do que já se encontra em velhas fontes orientais, como noutros ramos da literatura antiga, convém considerar que na Escolástica primitiva, muito influenciada por Platão e Agostinho, também se admitiu a constituição trinária do ser humano:

1) a alma habita numa casa que lhe é essencialmente estranha; o corpo é o albergue, o hábito, o recipiente, o invólucro da alma; além de semelhante imagem, é também usada a do matrimônio.
2) o corpo e a alma estão unidos por um “spiritus physucys”, que serve de intermediário;
3) corpo e alma estão unidos pela personalidade como em uma espécie de união hipostática.
(Barnarco Bartmann - “Teologia Dogmática” - I vol., Edições Paulinas)
Tão forte lhe parece a união da alma com o corpo, com a intercalação desse - “spiritus physucus”, que funciona como intermediário, que o Autor chega a compará-la a uma espécie de união hipostática, isto é, união do Verbo divino com a natureza humana. A idéia de um “invólucro” ou “intermediário”, uma vez que o Espírito precisa de um revestimento para que possa conviver com o corpo, faz parte dos contextos espíritas, sejam quais forem os nomes que se lhe dêem. É o persipírito, sem tirar nem por.
Como o perispírito, a reencarnação, por sua vez, também já teve adeptos na Igreja, embora contra ela se tenha pronunciado e firmado sentença o Concílio de Constantinopla. Mas o certo é que Orígenes, teólogo e exegeta, defendeu a tese da preexistência, o que, aliás, é fato muito citado. Outros teólogos, como se sabe, adotaram a tese “criacionista”, isto é, a criação da alma com o corpo ou para o corpo. Justamente nesse ponto, um dos maiores doutores de sua época - Santo Agostinho - se defrontou com dificuldades para conciliar a criação da alma com o “pecado original”. Quem o diz é ainda Bartmann, na mesma obra (já referida), e ele próprio, o autor de “Teologia Dogmática”, também encontra obscuridade. Vejamos: Se é incompreensível que a alma derive do ato corpóreo da geração, todavia também o criacionismo apresenta não pequenas dificuldades. Já Santo Agostinho não sabia explicar como a alma, criada por Deus, podia nascer com o pecado original. A dificuldade conserva seu valor também para nós. Outra dificuldade pode surgir da consideração de uma criação contínua até o fim do mundo, de um número incalculável de atos diretos de Deus. mas o ponto-chave do problema, como denuncia o Autor, está justamente nesta decorrência da tese “criacionista”: Pareceria, por fim, necessário admitir uma cooperação imediata de Deus, nas numerosas gerações manchadas pela culpa. Não se pode responder à primeira dificuldade senão recorrendo ao mistério do pecado original. E no mistério esbarra tudo, não há mais saída para o raciocínio...
Contrapondo-se à idéia da criação do Espírito juntamente com o corpo, a Doutrina Espírita propõe outra análise do problema, nestes termos:
“Donde vem a aptidão extranormal que muitas crianças em tenra idade revelam, para esta ou aquela arte, para esta ou aquela ciência, enquanto outras se conservam inferiores ou medíocres durante a vida toda?”
“Donde, em certas crianças, o instinto precoce que revelam para os vícios ou para as virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, contrastando com o meio em que elas nasceram?” (O Livro dos Espíritos - questão 222).
Se, realmente, o Espírito fosse criado por Deus no ato do nascimento, seria o caso de admitir, ainda que por absurdo, criação de indivíduos que nascem com tendências para a perversão ou para a delinqüência. Seria obra de Deus?!...
A tese da preexistência explica as inclinações inatas para o bem ou para o mal, embora a Doutrina Espírita não negue a influência fortíssima da educação, do meio social, da cultura e de outros fatores contingentes. Mas o Espírito, ao voltar à Terra, pela reencarnação, traz certa bagagem de conhecimentos, virtudes ou vícios, responsáveis pelo curso de sua existência, com todos os altos e baixos deste mundo. Deus não iria criar para a vida um Espírito que já estivesse marcado com as paixões inferiores. Todos começam “simples e ignorantes” - ensina a Doutrina - mas o próprio arbítrio, que é indispensável à experiência individual, pode desviar o Espírito da rota mais justa e levá-lo aos despenhadeiros morais. “Simples e ignorantes” é a expressão textual da Doutrina “O Livros dos Espíritos - questões 115-121-133-634. É o ponto de partida. Daí por diante, cada qual adquire sua experiência através das vidas sucessivas. É um princípio que nos faz compreender a responsabilidade individual, ao passo que, se admitíssemos a criação juntamente com o corpo, chegaríamos a esta conclusão a fatal: se a criatura é má, se abusa de suas faculdades ou de seus recursos para dar expansão a tendências viciosas, não é responsável por seu procedimento, uma vez que nasceu assim, foi criada assim por Deus, colocada no corpo, ao nascer, com todas as suas mazelas morais. No entanto, o princípio da responsabilidade individual é válido no tempo e no espaço, segundo o Espiritismo.
Outra, portanto, é a perspectiva da reencarnação, que já teve defensores no seio da Igreja, embora condenada, mais tarde, como heresia. O desenvolvimento do Espírito modifica o perispírito, e este, pela ação plasmadora, tem influência sobre o corpo. Como já vimos, não apenas Platão, luminar da constelação grega da antigüidade, esposou a concepção trinária do homem, mas entre escolásticos também houve partidários dessa concepção. O homem tríplice não desagrega a unidade básica do EU. Com esta visão antropológica, a Doutrina Espírita situa o homem na Terra, em relação ao presente e ao passado, apontando-lhe o caminho do futuro, sem ilusões nem quimeras.

Deolindo Amorim
Obreiros do Bem - Agosto de 1976

22 de janeiro de 2010

GOSTAR DO QUE SE FAZ: UMA MANEIRA DE PREVENÇÃO!

“Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido (...) (grifos originais.) (“O Livro dos Espíritos”) (1)

Examinando a problemática do suicídio, somos forçados a pensar nos fatores considerados como indutores (suicidógenos) a tão funesto ato. Partindo do aval dos Espíritos da Codificação (2) e reforçando a argumentação por constatações as mais diversas, encontramos na ociosidade um dos mais arraigados fatores predisponentes ao auto-aniquilamento. É sobre esse, mesmo sabendo que muitos outros fatores também implicam diretamente na questão em foco, que iremos tratar.
Consultando o Aurélio (3), temos por definição de ociosidade a “qualidade ou estado de ocioso, de quem gasta o tempo inutilmente; inatividade (...) Podemos daí inferir que a inutilidade de nosso tempo, quer por preguiça, mau uso ou incompatibilidade com nosso potencial, determina em nós um certo “estado de ociosidade”(4). É comum ouvirmos pessoas dizerem que estão com preguiça, sem que sejam, necessariamente, preguiçosas; que criaturas existem usando mal seu tempo sem que tenham, obrigatoriamente, se envolvido com atividades más, embora improdutivas ou pouco produtivas; por fim, há indivíduos que se perturbam muito, mesmo produzindo o bom e o bem, em decorrência de estarem agindo sem a satisfação que se adquiro quando “se faz o que gosta”ou “se gosta do que faz”.
Afirma um ditado popular que “em cabeça vazia só entra o que não presta”. Apesar da generalização ser muito forte, é certo que os maus pensamentos encontram numa mente ociosa ambiente propício para se instalarem e se desenvolverem, criando verdadeiras ‘‘colônias’’ mentomagnéticas de atração pulsantemente (auto) obsessiva. O cuidado por bem ocupar a mente deve ser tomado com a dimensão que o sentido implica, pois, por mente ociosa, não se deve entender apenas aquela que não está voltada a uma atividade qualquer, mas o mau uso ou o uso indevido dos recursos mentais pode (e deve) ser igualmente catalogado como uso ocioso.
Como não pretendemos escrever um tratado sobre o assunto, mesmo porque não nos sentimos capacitados para tal desiderato, tomaremos tão somente as três situações acima colocadas, as quais, acreditamos, englobam um universo muito vasto de casos afins.
A preguiça, pernicioso elemento de personalidades ainda fragilizadas ante a necessidade de evoluir, induz o homem a um imobilismo degradante, já que se insurge contra a lei natural que nos sugere o “movimento”, a ação. Sua presença de uma forma mais constante na vida de uma criatura propicia uma visão distorcida da realidade, fazendo-a observar a agilidade, o trabalho e a produção como um erro da Natureza. Desse estado facilmente chega à ira contra os “sistemas”, os ativos e os capazes; por se sentir “por fora”, inativo e incapaz, distorce os fatos e vê na necessidade de agir uma imposição descabida, na ajuda que se lhe queira dar, uma intromissão indevida, e na realização dos outros um menosprezo vaidoso. Sentir-se cansado e parar para um repouso é parte da própria Lei Natural; parar para não fazer nada e depois deitar-se para descansar do cansaço produzido pelo nada feito é malbaratar a vida.
Usar mal o tempo, ainda que obtendo satisfações de apetites menos felizes, também repercute desastrosamente na personalidade humana, posto que O sentido de ser útil é necessidade básica de todos. Quando voltado apenas à satisfação pessoal, arroja-se à saciedade, outro fator suicidógeno; se praticado por desatenção ou irreflexão, a produtividade final sai comprometida, deixando a desagradável sensação de “tarefa não cumprida” ou “obrigação mal feita”. Repercutindo no psiquismo mais profundo do ser - onde não se consegue mentir para si mesmo, corre o risco de se sentir inútil, desnecessário, dispensável. Ou seja: abrem-se comportas à obsessão, ou auto-obsessão, dando fácil guarida às idéias suicidas.
Mas algumas criaturas ativas e dispostas, que usam bem seu tempo, também se vêem às turras com um sentido de ociosidade, mesmo quando trabalham tanto que mal lhes sobra tempo para o descanso diário recomendado. São os que estão na labuta honesta, produtiva, mas não satisfatória. Falta-lhes o prazer do “fazer aquilo que gosta ou gostaria”. Sofrem sem saber por que, ou quando sabem, por se sentirem incapazes de mudar. E dessa forma se entregam, desesperadamente, a um trabalho que não dá satisfação e, embora comumente elogiados, se deprimem.
Se juntarmos os três fatores citados, veremos que estão intimamente interligados, sendo que na base vige a falta de satisfação real. Basta olhemos os exemplos diários que a vida nos apresenta e reconheceremos antigas fortunas hoje em situação modesta, mas realizadas; senhores em anterior posição de mando, atualmente serventes, porém, com sorrisos nos lábios; criaturas antes indolentes e pessimistas, agora ativas e harmonizadas. Qual o ponto em comum nesses exemplos? Tão somente a descoberta da satisfação de se fazer o que se gosta. Mas, poder-se-ia perguntar: seria isso tudo? Estaria aí a solução de tão intrincado problema? É óbvio que não. Mesmo porque o fazer o que se gosta também está subordinado a outros fatores, alguns deles por vezes intransponíveis numa determinada reencarnação. Contudo, se o fazer o que se gosta é possível, não compromete moralmente o indivíduo e o faz render o falado “algo mais”, não nos cabe opor obstáculos; ao contrário, é dever nosso descobrir e apresentar as oportunidades.
Muitas vezes, as idéias suicidas podem ser combatidas apenas com o preenchimento do vazio que habita o tendencioso ao ato, e esse vazio é comumente nutrido pela falta de satisfação pessoal - no nosso ver, uma das variantes do ócio. Falamos de satisfação pessoal no sentido nobre do termo, aquela satisfação que, encontrada em todos os povos, lugares e condições, está à disposição de todas as criaturas, desde que se disponham a fazer o que gostam ou aprendam a gostar do que fazem. Para tanto, basta buscar agir e se desenvolver, de forma e com fim útil, nas “aptidões naturais”, como, de ordinário, sugerem os Bons Espíritos da codificação do Espiritismo. A despeito de adquirir-se novos hábitos ser, por vezes, dificultoso, se o objetivo é pretendido e valioso - e como a própria vida é e deve ser dos mais valiosos objetivos do homem - tudo nos impele, de forma natural, às adaptações necessárias; ou seja: quando se quer fazer o que se gosta, busca-se solução; quando não encontrada, faz-se a adaptação para que aquilo que se faz, faça-se com prazer. Assim agindo, muitas idéias suicidas não resistirão, por lhes faltar o “clima” gerado pelo ócio.


Jacob Melo
 Fonte: Reformador nº1976 – Novembro/1993

NOTAS:

1 - KARDEC, Allan - Desgosto da vida. Suicídio. In: “Livro dos Espíritos”, Parte 4ª, Cap. 1, Questão 943, pág. 439, 73ª ed., abril 1993, FEB-Rio/RJ.
2 - Ver toda a Questão 943 reproduzida na página seguinte.
3 - FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. In: “Novo Dicionário da Língua Portuguesa”, pág. 1212, 2ª ed., 1986. Editora Nova Fronteira - Rio/RJ.
4 - A expressão é valida, posto que não convém confundirmos ser ocioso com estar ocioso.

21 de janeiro de 2010

QUEIXAS

No hodierno mundo em que vivemos, experimentamos as dolorosas crises da intransigência decorrentes do exacerbado egoísmo das criaturas preocupadas, exclusivamente, com os interesses transitórios da matéria, fazendo pulular a violência em todo o planeta.
Dessa conduta de desamor pelo próximo, como verdadeiro afastamento às leis de Deus (Leis de Justiça, Amor e Caridade), emerge naturalmente a dor, como impositivo do Alto que nos direciona ao caminho do bem.
Nesta árdua época, onde os relacionamentos mais simples se desnaturam, criando focos de desequilíbrio e dor e onde presenciamos o aumento vertiginoso da violência, temos que nos agarrar à âncora salvadora do Mestre Jesus que nos permite passar pelo vórtice das aflições, com a certeza inquebrantável de que não existem dores eternas, e que a Justiça de Deus, o Criador Misericordioso, é absoluta.
Para isso, contudo, mister se faz que cada um se disponha a trabalhar pela paz de todos, perseverando no trabalho diário e constante da reforma íntima, refletindo sobre os pontos obscuros que, ainda, toldam a visão, já obnubilada, desse viajor eterno de multifárias existências.
A doutrina espírita, que é o Consolador prometido pelo Divino Mestre, nos dá os esclarecimentos necessários para a obtenção da fé raciocinada, livrando-nos da ignorância derivada das equivocadas interpretações das Leis de Deus, que se traduzem na fé cega e que só faz precipitar o desavisado ser no abismo do desespero, já que não entende porque sofre.
Todos, indistintamente, recebem o amparo bendito de Jesus, através dos bondosos mensageiros de Sua infinita caridade, entretanto, poucos conseguem apreender esses benfazejos eflúvios que os abnegados trabalhadores do Cristo nos dispensam.
Nem todos percebem porque gastam o tempo com lamúrias e queixumes infindos, animando ainda mais a fogueira do mal, olvidando-se de que, pela lei de afinidade, andamos sempre em companhia dos que nos são afins.
Sobre o queixumeiro renitente cabe lembrar a lição do Iluminado Espírito de EMMANUEL, no livro Vinha de Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ao comentar Tiago, 5:9, esclarecendo que: "A queixa é um vício imperceptível que distrai pessoas bem-intencionadas da execução do dever justo. Existem obrigações pequeninas e milagrosas que, levadas a efeito, beneficiariam grupos inteiros; todavia, basta um momento de queixa para que sejam irremediavelmente esquecidas"sic
O hábito de queixar-se sobre tudo, e contra todos, se traduz em autêntica demonstração de egoísmo da criatura que, na maioria das vezes, ignora as dores dos demais irmãos, estas, quase sempre, superlativas em relação àquela alegada dor do queixoso.
É, também, demonstração da falta de fé na justiça absoluta do Criador, olvidando-se que neste planeta nada é absoluto, exceto Deus.
Sendo todos, ainda, imperfeitos, resulta claro que todos temos o que resgatar neste orbe, que é o santo educandário, onde os que aqui estagiam devem aprender a viver com o Mestre da Vida Eterna, que é Nosso Senhor Jesus Cristo.
O teimoso queixumeiro costuma reclamar por ter acordado mais cedo; ora por ter acordado mais tarde; implicando porque o dia amanheceu ensolarado, ou em razão de ser um dia chuvoso. Lamenta-se, também, da alegria do vizinho, queixando-se do pranto do outro vizinho. Enfim, como esclareceu o Iluminado Espírito de Emmanuel, o queixumeiro renitente tem o vício, para ele imperceptível ,de reclamar, que acaba por lhe provocar o estacionamento no caminho da evolução.
Ora, se o desavisado ser traz em seu espírito as chagas do mal, que foram adquiridas durante séculos de reencarnações, comprazendo-se com esses erros, só poderá atrair para si, como conseqüência natural, mais dívidas e dores.
É que o pertinaz queixoso olvida que cada um deve colher o que efetivamente plantou, sendo, pois, justa a colheita. Encontramos em o Livro dos Espíritos a resposta à pergunta 946, de que ora transcrevo parte, a saber: As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar (g.n.), porque serão recompensados, esclarecendo da necessidade de cada criatura ter coragem de arrostar as vicissitudes da vida,com resignação, buscando forças em Jesus.
O Divino Mestre da Vida, Jesus Cristo, nos ensinou que a cada um será dado segundo as suas obras, o que significa que cada criatura deverá receber o de que necessitar, já que sabemos que a semeadura é livre e que, porém, a colheita é obrigatória.
Assim sendo, se plantamos dores, deveremos ceifar dores. É da Lei de Justiça.
Devemos, assim, nos esforçar por realizar uma boa plantação (de Justiça, Amor e Caridade), para que um dia possamos colher bons frutos, da árvore de vida eterna que é Nosso Senhor Jesus Cristo.
Com o Divino Mestre encontraremos forças para suportarmos, resignados, todas as dores que apareçam em nossos caminhos, sabendo que estamos resgatando dívidas desta e de anteriores encarnações, podendo, assim, progredir espiritualmente.
Que a PAZ de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, nos felicite a todos.

César Luiz de Almeida – Grupo Espírita Fraternidade de Mogi das Cruzes.

20 de janeiro de 2010

FAMÍLIA


São as grandes forças da gravitação e do magnetismo que organizam na família a base estrutural de tudo quanto existe. Os astros se movem no espaço em sistemas solares, e os sistemas solares se agrupam em galáxias e aglomerados, que são famílias siderais, regidas por suas estrelas solares. Toda matéria inerte é compacta família de moléculas interligadas. Todo tecido vivo é conjunto de células que se interagem. Tudo o que existe na Natureza integra-se em alguma família de seres ou de coisas. O próprio universo é imensa família, a grande família de Deus.
As famílias se formam no enlace inicial de dois seres, ou de duas coisas, que se atraem pela força natural de um magnetismo irresistível que impele à agregação. Essa conjugação gera núcleos que se desdobram em novos núcleos, multiplicando-se em processos de infindável crescimento.
No seio fecundo das famílias eclode a vida. No turbilhão das nebulosas surgem constelações. Na espessura das sementes guardam-se frutos futuros. Na tessitura dos ninhos aves preparam novas asas para novos vôos. Cardumes vencem correntezas em rios encachoeirados, para a festa de novas procriações.
No recesso dos lares, mães em potencial alimentam nos úteros crianças do amanhã.
Famílias se multiplicam e se sucedem, forjando povos e civilizações, na progressão incessante do porvir.
Nada existe isolado ou vazio no universo. Tudo é comunhão, família.
Famílias reunidas compõem comunidades, e as comunidades se estendem, multifárias, na Natureza. Peixes reúnem-se em cardumes; e vegetais, em florestas. Grãos de areia alongam-se em dunas e praias. Minerais erigem-se em montanhas e pedreiras. Animais juntam-se em manadas, enxames e colmeias.
Gotas de vapor d’água desenham nuvens na atmosfera. Move-se o ar em aragens, lufadas e furacões. Grânulos de terra compactam-se em planícies e planaltos. Fluxos oceânicos produzem correntes e ondas. Cristais de gelo engendram icebergs e calotas. Micróbios ligam-se em colônias, e as estrelas do céu moldam constelações.
Costuma-se definir componentes da família humana os pais, os filhos, seus ancestrais e descendentes, e os colaterais, como primos, sobrinhos, cunhados, genros, sogros, noras, e também, de certo modo, pessoas afins, como padrinhos, madrinhas, padrastos, madrastas, compadres, e amigos íntimos de longa data.
Leis, tradições e usos estabelecem, em cada país, os direitos e deveres nas relações familiares, mas o instinto natural prevalece em toda parte, garantindo a sobrevivência das espécies. Basta ver com que cuidado, dedicação e coragem os animais alimentam e defendem suas crias. Vegetais produzem sementes, mudas, flores e frutos, buscando reproduzir-se. Até os minerais resistem a mutilações em sua integridade, como pedreiras e jazidas, cuja exploração pelo homem só se processa pela força de picaretas e explosões.
As crianças do sexo masculino nascem dotadas, pela Natureza, de características especiais, para o futuro exercício das elevadas funções da paternidade responsável. Seu organismo infantil possui, desde o berço, as condições necessárias para o vindouro desenvolvimento de forte musculatura, ossada resistente e bolsa escrotal apta para armazenar e fornecer, na forma e nas circunstâncias apropriadas, o sêmen fecundante, capaz de produzir filhos saudáveis. Seu preparo educacional compete, normalmente aos seus tutores familiares e sociais, mas o homem precisa preparar-se desde a juventude para o seu magno destino. Sonhará, decerto, com formosos castelos de amor, nas florações da adolescência, mas importa não permitir que ideários desrespeitosos e malsãos envenenem a dignidade dos seus sentimentos, ou que suas energias vitais se prostituam nos lamaçais da promiscuidade irresponsável. Nasceu para ser pai, e ser pai significa, antes de tudo, ser o iniciador, chefe e guardião de uma nova família humana, o forte, corajoso e dedicado companheiro da mulher que eleger par ser a mãe dos seus filhos.
A mulher-mãe é o fulcro magnífico para o qual tudo converge e do qual tudo se irradia. Ela é o poder moderador do reino familiar, o esteio amoroso do companheiro, a administradora providencial dos recursos do lar. Amamentando os filhos, não só os alimenta, também os vacina contra numerosos perigos que possam afetar-lhes a saúde. Será sempre, para eles, a conselheira afetuosa e confiável, diligente e acolhedora.
Os filhos devem aos seus pais não apenas a herança corporal, mas o amor incomparável que nada neste mundo pagará. Seu procedimento na vida poderá ser, para eles, a pior das tristezas ou a maior das alegrias.
A família humana é o fundamento de todas as comunidades sociais, a semente da qual nascem, com seus defeitos e virtudes, os povos e as nações.
Mas a família verdadeira, a família real, não se restringe aos laços corporais de carne e sangue. Além dos sistemas solares e dos sistemas atômicos, existem os sistemas anímicos, as famílias espirituais, estruturadas nos evos insondáveis do espaço e do tempo, imorredouras na sua infinita progressão. As forças de coesão que ligam as moléculas nos blocos de pedra não se dissolvem no tempo. Assim como as nuvens de gás turbilhonam em nebulosas e explodem nos vórtices que geram as estrelas, assim também os remoinhos da evolução ligam para sempre, nas tensões dos esforços ascensionais compartilhados, as almas imortais que avançam juntas, nos trilhos milenares das experiências vitais, consolidando liames indeléveis de amor indestrutível nos Espíritos imortais que ascendem, interligados, nas lides de crescer e amadurar para glória da vida.
Essas famílias espirituais são como sistemas solares, que também se aglutinam com outros sistemas semelhantes, formando galáxias e constelações espirituais nos universos infinitos da Criação Divina. Refere Emmanuel que o nosso Cristo, governador espiritual do orbe terráqueo, integra a Comunidade dos Espíritos Puros que governa o nosso sistema solar.
As famílias humanas crescem, mas o seu crescimento é limitado, porque depende de condicionamentos restritivos para a procriação dos seus membros componentes, e seus registros quase sempre se perdem no tempo, como se confirma nas chamadas “árvores genealógicas”. Ao contrário, o crescimento das famílias espirituais é ilimitado e constante, porque os Espíritos se relacionam incessantemente uns com os outros, forjando múltiplos e vigorosos laços de interesses e afetividade. Isso os leva a integrar-se também noutras greis familiares, sem perder os liames ancestrais que lhes são próprios.
Além disso, o contato forte e permanente com inúmeras vidas inferiores faculta aos Espíritos o apadrinhamento de muitos seres ainda em, vias de espiritualização, dentro dos mecanismos divinos de co-criação, no dilargamento da fraternidade universal. Têm o mais alto sentido as palavras do Mestre, registradas por Mateus. Disse Jesus: “Não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque vos afirmo que os seus anjos, nos céus, vêemincessantemente a face de meu Pai”.
Na verdade, todo ser vivente integra-se em alguma família, e cada família espiritual se estende dos círculos mais recônditos até os píncaros dos céus.
Numerosos relatos divulgados em nossa literatura mediúnica dão notícias comovedoras de mães, esposas, pais, filhos e avós desencarnados capazes de superar com heroísmo todas as dificuldades, e sacrificar meritórias conquistas pessoais, para socorrer e salvar seres amados em aflitiva situação. São eloqüentes testemunhos de renúncia e abnegação das famílias espirituais, cujo amor tudo vence, além do espaço e do tempo, da morte e da dor.
Nem sempre, porém, o lar da família é um ninho acolhedor de amor e paz, entendimento e ventura. Nele podem entrechocar-se, muitas vezes, inimigos ferrenhos de outras eras, sedentos de vingança, antigos credores prejudicados que exigem reparações. Quem tirou a vida de outrem pode receber, inconscientemente, como filhos, no recesso do seu próprio lar, aqueles que assassinou, para devolver-lhes os corpos ceifados. Quem lançou pessoas à desgraça pode ser forçado, sem saber, a cuidá-las sacrificialmente no seio de sua própria família, para estituir-lhes a alegria de viver. Quem levou alguém à depravação e à delinqüência terá de reconduzi-lo à senda do bem, por mais que isso lhe custe. Quem desmantelou lares alheios precisará esforçar-se bastante para reconstruir seu próprio lar.
Sempre se recolhe na vida o que se planta, porque a justiça perfeita é lei divina. Não é por castigo que se sofre, e sim para que se recomponha a harmonia da vida. A família também é, portanto, bendita escola onde se aprende o abecedário do amor, um campo de provas onde se exercitam, na prática, a ciência e a arte de viver, e uma sagrada oficina onde se forja, no dia-a-dia, a grandeza do futuro. .

HERNANI T. SANT’ANNA
Reformador Jan.99

19 de janeiro de 2010

ROTEIRO PARA REALIZAÇÃO DO "CULTO DO EVANGELHO NO LAR"


1º) Escolher um dia e uma hora da semana em que seja possível a presença de todos os elementos da família, ou da maior parte deles. Observar rigorosamente, o dia e hora da reunião para facilitar a assistência espiritual.

2º) Iniciar a reunião com uma prece, simples e espontânea, em que, mais que as palavras, tenham valor os sentimentos, evitando, portanto preces decoradas.

3º) Fazer a leitura metódica e seqüente, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e leitura de mensagens de obras subsidiárias.

4º) Fazer comentários breves sobre os trechos lidos, buscando sempre a essência dos ensinamentos de Jesus, para a sua aplicação na vida diária. A reunião poderá ser dirigida pelo chefe da casa, ou pela pessoa que tiver maiores conhecimentos doutrinários, a qual deverá incentivar a participação de todos os presentes, colocando as lições ao alcance de menor compreensão.

5º) Fazer radiações pelo lar onde o Evangelho está sendo estudado, para os presentes, seus parentes, amigos, etc...

6º) Relembrar sempre que é dever de todos os que procuram viver o Evangelho, concorrer, sem esmorecimento:
a) para a paz na Terra;
b) para a implantação e a vivência do Evangelho em todos os lares;
c) para o entendimento fraternal entre todas as religiões;
d) para a cura ou melhora de todos os enfermos, do corpo ou da alma, minorando seus sofrimentos e suas vicissitudes;
e) para o incentivo dos trabalhadores do Bem e da Verdade.

7º) Fazer a prece de encerramento.

8º) Duração da reunião é relativo a cada família, no entanto é recomendado o período de 30 minutos a uma hora, no máximo.

9º) A presença de visitas não deverá ser motivo para a não realização do Culto, convidando-se os visitantes a dele participarem;

10º) Se de imediato você não encontrar a compreensão de todos os familiares para a realização do Culto, não se aflija e nem recrimine, faça sozinho, se for necessário, porque somente o seu exemplo de amor e tolerância será capaz de conquistar os corações daqueles que ainda não podem compreender os seus elevados ideais.

18 de janeiro de 2010

PRECE PELOS DESENCARNADOS HAITIANOS


Senhor onipotente, que a tua misericórdia se estenda sobre os nossos irmãos haitianosque acabam de deixar a Terra! Que a tua luz brilhe para eles! Tira-os das trevas; abre-lhes os olhos e os ouvidos! Que os bons Espíritos os cerquem e lhes façam ouvir palavras de paz e de esperança!



Senhor, ainda que muito indignos, ousamos implorar a tua misericordiosa indulgencia para estes irmãos nosso que acaba de ser chamado do exílio. Faze que o seu regresso seja o do filho pródigo. Esquece, ó meu Deus, as faltas que haja cometido, para te lembrares somente do bem que haja praticado. Imutável é a tua justiça, nós o sabemos; mas, imenso é o teu amor. Suplicamos-te que abrandes aquela, na fonte de bondade que emana do teu seio.

Brilhe a luz para os teus olhos, irmãos haitianos que vens de deixar a Terra! Que os bons Espíritos de ti se aproximem, te cerquem e ajudem a romper as cadeias terrenas! Compreende e vê a grandeza do nosso Senhor: submete-te, sem queixumes, à sua justiça, porém, não desesperes nunca da sua misericórdia. Irmão! que um sério retrospecto do teu passado te abra as portas do futuro, fazendo-te perceber as faltas que deixas para trás e o trabalho cuja execução te incumbe para as reparares! Que Deus te perdoe e que os bons Espíritos te amparem e animem. Por ti orarão os teus irmãos da Terra e pedem que por eles ores.

17 de janeiro de 2010

O OUTRO LADO DA FESTA


Os preparativos para a grande festa estão sendo providenciados há meses.

As escolas de samba preparam, ao longo do ano, as fantasias com que os integrantes irão desfilar nas largas avenidas, em meio às arquibancadas abarrotadas de espectadores.

Os foliões surgem de diversos pontos do planeta, trazendo na bagagem um sonho em comum: “cair na folia”.

Pessoas respeitáveis, cidadãos dignos, pessoas famosas, se permitem “sair do sério”, nesses dias de carnaval.

Trabalhadores anônimos, que andam as voltas com dificuldades financeiras o ano todo, gastam o que não têm para O sentir o prazer efêmero de curtir dias de completa insanidade.

Malfeitores comuns se aproveitam da confusão para realizar crimes nefastos, confundidos com a massa humana que pula freneticamente.

Jovens e adultos se deixam cair nas armadilhas viscosas das drogas alucinantes.


Esse é o lado da festa que podemos observar deste lado da vida. Mas há outro lado dessa festa tão disputada: o lado espiritual.

Narram os Espíritos superiores que a realidade do carnaval, observada do além, é muito diferente e lamentavelmente mais triste. Multidões de Espíritos infelizes também invadem as avenidas num triste espetáculo de grandes proporções. Malfeitores das trevas se vinculam aos foliões pelos fios invisíveis do pensamento, em razão das preferências que trazem no mundo íntimo.

A sintonia, no Universo, como a gravitação, é lei da vida. Vive-se no lugar e com quem se deseja psiquicamente. Há um intercâmbio vibratório em todos e em tudo. E essa sintonia se dá pelos desejos e tendências acalentados na intimidade do ser e não de acordo com a embalagem exterior.

E é graças a essa lei de afinidade que os espíritos das trevas se vinculam aos foliões descuidados, induzindo-os a orgias deprimentes e atitudes grotescas de lamentáveis conseqüências.

Espíritos infelizes se aproveitam da onda de loucura que toma conta das mentes, para concretizar vinganças cruéis planejadas há muito tempo.

Tramas macabras são arquitetadas no além túmulo e levadas a efeito nesses dias em que momo reina soberano sobre as criaturas que se permitem cair na folia.

Nem mesmo as crianças são poupadas ao triste espetáculo, quando esses foliões das sombras surgem para festejar momo.

Quantos crimes acontecem nesses dias...quantos acidentes, quanta loucura...

Enquanto nossos olhos percebem o brilho dos refletores e das lantejoulas nas avenidas iluminadas, a visão dos espíritos contempla o ambiente espiritual envolto em densas e escuras nuvens criadas pelas vibrações de baixo teor.

E as conseqüências desse grotesco espetáculo se fazem sentir por longo prazo. Nos abortos realizados alguns meses depois, fruto de envolvimentos levianos, nas separações de casais que já não se suportam mais depois das sensações vividas sob o calor da festa, no desespero de muitos, depois que cai a máscara...

Por todas essas razões vale a pena pensar se tudo isso é válido. Se vale a pena pagar o alto preço exigido por alguns dias de loucura.

Os noticiários estarão divulgando, durante e após o carnaval, a triste estatística de horrores, e esperamos que você não faça parte dela.

Você sabia?

Você sabia que muitas das fantasias de expressões grotescas são inspiradas pelos espíritos que vivem em regiões inferiores do além?

É mais comum do que se pensa, que os homens visitem esses sítios de desespero e loucura durante o sono do corpo físico, através do que chamamos sonho.

Enquanto o corpo repousa o espírito fica semiliberto e faz suas incursões no mundo espiritual, buscando sempre os seres com os quais se afina pelas vibrações que emite.

Assim, é importante que busquemos sintonizar com as esferas mais altas, onde vivem espíritos benfeitores que têm por objetivo nos ajudar a vencer a difícil jornada no corpo físico.

Equipe de redação do Momento Espírita, baseado nos capítulos 6 e 23 do livro “Nas Fronteiras da Loucura”, ed. Leal.

www.momento.com.br

16 de janeiro de 2010

ESTÁ FALTANDO SOLIDARIEDADE

Meus caros irmãos,
Quando Jesus citou a parábola do bom samaritano, dizia Ele que o samaritano vinha de Jerusalém para Jericó e encontrou um homem ferido na estrada. Antes de esse bom samaritano passar, havia passado o sacerdote vindo de Jerusalém, palco marcante de religião, centro de todas as orações, berço, realmente, do judaísmo. Esse sacerdote, passando pelo homem, nada fez. O levita, vindo, também, de Jerusalém, com todo o status social, com toda a sua importância, ele nada fez.
Mas, veio um samaritano, viu aquele homem, ferido, sozinho, colocou-o em seu cavalo, pagou as suas despesas e foi em direção ao seu destino, que era Jericó. Todos tinham saído de uma cidade grande, todos tinham contato com a religião, com o poder público. Menos o bom samaritano, que era, de todos eles, quem menos se sobressaía, quem, pelo parecer de todos que conheciam o sacerdote levita, devia ter menos bênçãos de Deus sobre a sua cabeça. No entanto, foi a única pessoa que demonstrou estar com Deus, através das suas ações, através da sua caridade, da sua bondade, de perceber a dor do outro e minorá-la.
Não adianta nos arvorarmos em grandes conhecedores do evangelho se nós não exemplificarmos esses conhecimentos que caem soltos dos lábios. Claro que vocês não vão recolher pelas estradas criaturas que, na verdade, vocês nem sabem se estão feridos ou se estão armando situações difíceis, mas pedirão socorro, naturalmente. Ou, se viram acontecer algo, naquele instante, claro que todos irão socorrer.
Mas existem essas dores que não estão tão à mostra, que não são acidentes de percurso, mas que são, lamentavelmente, dores que passam pelo nosso caminho, pedindo apoio, solidariedade, amor, um sorriso, compreensão e que não vão nos expor, pelo contrário, são pessoas que necessitam extremamente de um coração amigo e que podem, em segurança, caminhar a partir do instante em que tiverem confiança em alguém.
Falta, atualmente, no mundo, essa confiança mútua. Podemos confiar em quem sorri para nós? Podemos confiar naqueles que convivem conosco? Podemos confiar naqueles que caminham na estrada? Naqueles que nos escrevem? Naqueles que nos falam? Existe, em todo o orbe, uma permanente desconfiança de irmão para irmão, porque, cada vez mais, as criaturas se distanciam da sinceridade, da bondade, da solidariedade. Esse processo vai crescendo à medida em que os problemas de transição da sociedade também crescem, numa seleção natural e necessária.
Se tudo aquilo que Jesus disse se cumpriu, a seleção do joio e do trigo também será cumprida. Se ele disse que veio para se cumprisse o que estava escrito, muito mais vai se cumprir aquilo que Ele escreveu, com seus atos, com a sua reforma de época, porque Jesus realmente marcou, de forma incontestável, os destinos da humanidade.
Nós devemos, nesse caminhar, porque ninguém para, sermos mais solidários. Porque, se o plano espiritual superior, regido por Jesus, não cessa o seu auxílio, nós temos que estar onde Ele está, se quisermos fazer jus à proteção, à misericórdia. Porque não é se afastando do mestre que se consegue obter dos seus ensinamentos a bênção da luz que redime.
Que o Mestre nos ampare

Christopher Smith
Mensagem recebida por psicofonia, pela médium Shyrlene Soares Campos, dia 04/03/2000,
no Núcleo Servos Maria de Nazaré.

15 de janeiro de 2010

EM HOMENAGEM AOS 149 ANOS DE LANÇAMENTO DO LIVRO DOS MÉDIUNS



O Livro dos Médiuns


Revista Espírita, janeiro de 1861

Esta obra, anunciada há muito tempo, mas cuja publicação foi retardada pela sua importância, aparecerá de 5 a 10 de janeiro, na cada dos Srs. Didier & Cia., livreiros editores, cais dos Augustins, no 35 (1-(1) Encontra-se igualmente no escritório da Revista Espírita, rua Sainte-Anne n' 59, passagem Sainte-Anne. Um volume grande in-18 de 500 páginas, Paris, 3 fr.50, franco para o correio. 4 fr.). Ela forma o complemento de O Livro dos Espíritos e encerra a parte experimental do Espiritismo, como o primeiro contém a sua parte filosófica.
Procuramos, nesse trabalho, fruto de uma longa experiência e de laboriosos estudos, esclarecer todas as questões que se prendem à prática das manifestações; ele contém, segundo os Espíritos, a explicação teórica dos diversos fenômenos e das condições nas quais podem se produzir; mas a parte concernente ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade foi, sobretudo, de nossa parte, o objeto de uma atenção toda especial.
O Espiritismo experimental está cercado de muito mais dificuldades do que se crê geralmente, e os escolhos que aí se encontram são numerosos; é o que causa tantas decepções entre aqueles que dele se ocupam sem terem a experiência e os conhecimentos necessários. Nosso objetivo foi de premunir contra esses escolhos, que não são sempre sem inconvenientes para quem se aventure com imprudência sobre este terreno novo. Não poderíamos negligenciar um ponto tão capital, e o tratamos com um cuidado igual à sua importância.
Os inconvenientes nascem, quase sempre, da leviandade com que se trata uma questão tão séria. Os Espíritos, quaisquer que sejam, são as almas daqueles que viveram, e no meio dos quais estaremos, infalivelmente, de um instante para outro; todas as manifestações Espíritas, inteligentes ou outras, têm, pois, por objeto nos colocar em relação com essas mesmas almas; se respeitamos os seus restos mortais, com mais forte razão devemos respeitar o ser inteligente que sobreviveu, e que lhe é a verdadeira individualidade; se fazer um jogo das manifestações é faltar com esse respeito que reclamaremos, talvez, para nós mesmos amanhã, e que jamais se viola impunemente.
O primeiro momento da curiosidade causada por esses fenômenos estranhos passou; hoje que se lhe conhece a fonte, guardemo-nos de profaná-la com divertimentos inoportunos, e esforcemo-nos para neles haurir o ensinamento próprio para assegurar a nossa felicidade futura; o campo é bastante vasto, e o objetivo bastante importante, para cativar toda a nossa atenção. E para fazer o Espiritismo entrar neste caminho sério que todos os nossos esforços tenderam até este dia; se esta nova obra, em fazendo-o melhor compreendido ainda, pode contribuir para impedir de desviá-lo de sua destinação providencial, estaremos largamente pagos pelos nossos cuidados e nossas vigílias.
Este trabalho, não o dissimulamos, levantará mais de uma crítica de parte daqueles a quem constrange a severidade dos princípios, e daqueles que, vendo a coisa de um outro ponto de vista, já nos acusam de querer fazer escola no Espiritismo. Se fazer escola é procurar nesta ciência um objetivo útil e aproveitável para a Humanidade, teremos motivo para nos lisonjearmos com essa censura; mas uma tal escola não tem necessidade de outro chefe senão do bom senso das massas e da sabedoria dos bons Espíritos, que a criariam sem nós;

14 de janeiro de 2010

MORRER É VOLTAR PARA CASA

Você está preparado para morrer? Você se sente amadurecido para receber a notícia que seus dias de vida na terra estão contados? Este é o tema que o médico Dráuzio Varela discorre no seu novo livro "Por um Fio". A tese central que ele defende é a de que a notícia da morte iminente opera transformações inesperadas nas pessoas a ponto de tornar alguns pacientes mais felizes do que nunca. Experiência para afirmar isso Dráuzio Varela possui, afinal, acompanhou, em trinta anos de carreira, doentes sem chances de cura. Ele conta que as reações diante do fim anunciado são as mais diversas. Uns se revoltam, outros se sentem surpresos, alguns têm uma aceitação passiva, muitos choram convulsivamente e há aqueles que até riem. A reação para a notícia da própria morte - ou a dos outros - está diretamente relacionada ao conceito particular que se tem sobre o assunto.
A morte representa o abandono do corpo físico pelo espírito, à medida que o corpo físico não apresenta mais condições vitais adequadas para sua manifestação. Morrer, portanto, é um ato de libertação para a verdadeira vida, a vida espiritual. Esta é a perspectiva fundamental a ser compreendida: somos seres espirituais que vestimos temporariamente um corpo físico e não seres carnais que temos um espírito. Não temos um espírito, somos um espírito. O corpo físico, na realidade, é uma roupa emprestada que, com o uso, necessita ser devolvida a sua origem. A dimensão verdadeira de todos nós não é a material, mas a espiritual. Daí chegar-se rapidamente a conclusão de que morrer, na prática, é voltar para casa, o nosso habitat primário.
A inexistência da morte fez desenvolver-se um outro termo mais consentâneo com o que na prática acontece: desencarnar. Desencarnação, no significado etimológico da palavra, é a ação de sair do corpo de carne. É um fenômeno, porém, que exige desprendimento psicológico. Explico melhor. Há pessoas que são demasiadamente apegadas às coisas materiais e que ao "morrer" continuam num estado psicológico, mesmo na condição espiritual, presas a realidade terrena como se vivo na carne estivesse no seu relacionamento com o meio ambiente. Morrer, diria, é um fenômeno físico, porém, desencarnar é um fenômeno mental. Assim, poder-se-ia chegar a conclusão de que muitas pessoas morrem, mas não desencarnam.
Ao desencarnar, voltando a sua condição fluídica, o ser passa por um período de adaptação, mais ou menos longo, dependendo exatamente de seu estágio mental e sentimental. No mundo espiritual, somos avaliados pela qualidade da nossa última encarnação, se evoluímos moralmente, se aumentamos a nossa bagagem de virtudes ao retornar ao nosso lar. Desta forma, a Lei das Afinidades atuará irremediavelmente de acordo com as nossas tendências. Os iguais, na dimensão do espírito, se atraem mutuamente.
Próximo ao desencarne, diluindo-se gradativamente as ligações vitais, o ser começa a vislumbrar a espiritualidade - ambiência espiritual - e a se relacionar com aqueles que vê, geralmente parentes e amigos que já retornaram antecipadamente e vem ajudar ao "moribundo" na sua reentrada ao mundo dos vivos sem corpos de carne.
Oportunamente, o tema de abertura da atual novela da Rede Globo de Televisão, Senhora do Destino, de autoria de Milton Nascimento e Fernando Brant, expressa com sabedoria esta rotina: "todos os dias é um vai-e-vem, a vida se repete na estação (da terra). Tem gente que chega pra ficar, tem que gente que vai pra nunca mais. (...). E assim, chegar e partir, são só dois lados da mesma viagem (encarnação e desencarnação). O trem (espírito) que chega é o mesmo trem da partida. A hora do encontro é também despedida".
Até mais e uma boa morte a todos!

Carlos Pereira

13 de janeiro de 2010

O QUE É A REFORMA ÍNTIMA

A Reforma Íntima é um processo contínuo de auto conhecimento da nossa intimidade espiritual, modelando-nos progressivamente na vivência evangélica, em todos os sentidos da nossa existência. É a transformação do homem velho, carregado de tendências e erros seculares, no homem novo, atuante na implantação dos ensinamentos o Divino Mestre, dentro e fora de si.
 
Por que a Reforma Íntima?
Porque é o meio de nos libertarmos das imperfeições e de fazermos objetivamente o trabalho de burilamento dentro de nós, conduzindo-nos compativelmente com as aspirações que nos levam ao aprimoramento do nosso espírito.

Para que a Reforma Íntima?
Para transformar o homem e a partir dele, toda a humanidade, ainda tão distante das vivências evangélicas. Urge enfileirarmo-nos ao lado dos batalhadores das ultimas horas, pelos nossos testemunhos, respondendo aos apelos do Plano Espiritual e integrando-nos na preparação cíclica do Terceiro Milênio.

Onde fazer a Reforma Íntima?
Primeiramente dentro de nós mesmos, cujas transformações se refletirão depois em todos os campos de nossa existência, no nosso relacionamentos com familiares, colegas de trabalho, amigos e inimigos e, ainda, nos meios em que colaborarmos desinteressadamente com serviços ao próximo.
 
Quando fazer a Reforma Íntima?
O momento é agora e já; não há mais o que esperar. O tempo passa e todos os minutos são preciosos para as conquistas que precisamos fazer no nosso íntimo.
 
Como fazer a Reforma Íntima?
Ao decidirmos iniciar o trabalho de melhorar a nós mesmos, um dos meios mais efetivos é uma Escola de Aprendizes do Evangelho, cujo objetivo central é exatamente esse. Com a orientação dos dirigentes, num regime disciplinar, apoiados pelo próprio grupo e pela cobertura do Plano Espiritual, conseguimos vencer as naturais dificuldades de tão nobre empreendimento, e transpomos as nossas barreiras. Daí em diante o trabalho continua de modo progressivo, porem com mais entusiasmo e maior disposição. Mas, também, até sozinhos podemos fazer a nossa Reforma Íntima, desde que nos empenhemos com afinco e denodo, vivendo coerentemente com os ensinamentos de Jesus.
 
Extraído do manual Prático do Espírita

12 de janeiro de 2010

O HÓSPEDE

Quando você se prepara, a fim de receber um hóspede estimado em seu reduto doméstico, organiza o que lhe é possível e da melhor maneira, de modo a oferecer o que guarda de bom, de mais especial.
Por isso, alimpa e aromatiza o seu lar; enfeita suas peças com flores risonhas; faz silêncio para não perturbar-lhe o repouso, não permitindo o alvoroço ao redor, através de observações cuidadosas;
desdobra-se nas atenções devidas aos alimentos a servir; substitui as expressões do seu vocabulário trivial por outras mais polidas e agradáveis; não há gritos, nem semblantes carregados.
Tudo se torna envolvimento carinhoso para que seu hóspede esteja á vontade em seu lar.

* * *

Imão-amigo, há um Hóspede ansioso por penetrar-lhe a casa interna, para levar-lhe felicidade.
Há alguém que tem caminhado de um para outro lado, nas calçadas de sua vivenda emocional, diariamente, insinuando-se para que você tome a iniciativa de convidá-lo.

Com certeza, Ele conhece-lhe o íntimo atormentado, os sentimentos feridos, a alegria ansiosamente buscada, a saúde esperada,as esperanças acalentadas... Ele há de ter-lhe seguido nos corredores da solidão, quanto na algaravia da qual não participa em virtude de conduzir o coração amargurado e triste.
Quem sabe, ainda hoje, você O possa convidar?!

Inicie a higienização das peças interiores de sua alma, coloque perfume em sua casa íntima, envolva cada compartimento interno com o necessário silêncio para que ele se faça o mais suave Hóspede da sua vida, dela jamais, então, se apartando.

De quem se trata? Por ventura ainda não se apercebeu que lhe estou falando de Jesus?
Convide-O, pois, sem mais demora, e Hospede-O para sempre!

Rosângela - Psicografia de J. Raul Teixeira