10 de janeiro de 2010

"QUANDO"

Quando, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: eu sou aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas;
Quando te julgares incompreendido pelos que te circundam e vires que em torno a indiferença, recrudesce a cerca de mim: eu sou a luz, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos;
Quando se te extinguir o ânimo, as vicissitudes da vida e te achares na eminência de desfalecer, chama-me: eu sou a força capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidades do mundo;
Quando, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de mim: eu sou o refúgio, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu Espírito;
Quando te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te julgares incapaz de conservar a serenidade de Espírito, invoca-me: eu sou a paciência que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis;
Quando te abateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por mim: eu sou o bálsamo que te cicatriza as chagas e te minora os padecimentos;
Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a mim: eu sou a sinceridade, que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à excelsitude de teus ideais;
Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por mim: eu sou a alegria, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior;
Quando, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para mim: eu sou a esperança, que te robustece a fé e acalenta os sonhos;
Quando a impiedade se recusar a revelar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: eu sou o perdão que eleva o ânimo e promove a reabilitação de teu Espírito;
Quando duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o ceticismo te avassalar a alma, recorre a mim: eu sou a crença, que te inunda de luz o entendimento e te reabilita para a conquista da felicidade;
Quando já não aprovares a sublimidade de uma afeição sincera e te desiludires do sentimento de seu semelhante, aproxima-te de mim: eu sou a renúncia, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo;
Quando, enfim, quiseres saber quem eu sou, pergunta ao riacho que murmurra e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Eu sou a dinâmica da vida e a harmonia da natureza; chamo-me amor, o remédio para todos os males que te atormentam o Espírito.
Estende-me, pois, a tua mão... alma filha de minha alma que eu te conduzirei, numa sequência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do infinito, sob a luz brilhante da eternidade.

Rubens Romanelli
Coletânea de textos do Boletim Alma - Grupo Fraterno Luz Acima

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