24 de fevereiro de 2010

A CARIDADE E O PORVIR

Afirmas que a caridade está a caminho do desaparecimento, pois que, em se elevando gradualmente o padrão da vida terrestre, dia virá no qual as populações não mais carecerão de assistência, de vez que o futuro lhes conferirá automaticamente a bênção do lar, a luz da escola, o alimento básico, o vestuário seguro, o transporte fácil e o trabalho compensador.
Sim, realmente este é o supremo anelo de todos nós quanto à vida material.
Contudo, a beneficência é simples faceta da caridade que, em si mesma, é o Sol do Divino Amor, a sustentar o Universo.
E o dia para a vitória do amor, entre os homens, ainda está longe de alvorecer.
Até lá, torna-se mister remediar os infortúnios e os males desvelados e ocultos que atormentam o Espírito humano, enleado na rede das provas necessárias e justas, seja por exigências da evolução, seja pelos impositivos de causa e efeito.
Importa observar que, na imensa luta por nossa libertação coletiva, se encontramos as sombras coaguladas na ignorância. surpreendemos também os perigosos desmandos da inteligência. Entre a rebeldia dos que não sabem e o orgulho dos que sabem, proliferam delitos e conflitos, junto dos quais é preciso ajudar e sofrer, se aspiramos a melhorar e servir.
Dominar o plano físico é tão-só controlar a veste.
Nós não somos daí.
Centralizemos a atenção na realidade maior. Os Espíritos não nascem na carne.
Dela se valem para a colheita de evolução, à maneira do lavrador que se utiliza do arado.
Nenhum de nós tem a sua eternidade ligada a panoramas terrestres. Demandamos a profundez do Infinito, no tempo e no espaço, obedecendo a programas de serviço e aperfeiçoamento que nos transcendem o quadro de todas as previsões.
Recordemos, assim, que o ato caritativo mais difícil de ser praticado gravita em órbita exclusivamente moral.
Muito fácil dar do que temos; muito difícil dar do que somos.
Com as dádivas para o corpo, estendamos as dádivas para o espírito, na certeza de que, ainda quando não mais houver na Terra desabrigados e analfabetos, subnutridos e desequilibrados, desnudos e desempregados, todos temos e teremos de viver no lar da compreensão verdadeira, cursar a escola da humildade, cultivar o perdão recíproco, agasalhar-nos em bons exemplos, atender espontaneamente ao concurso fraterno e transpirar na abnegação ...
Com Jesus, aprendemos que a caridade é semelhante ao ar que respiramos - agente da vida que atinge a tudo e a todos.
Saibamos, desse modo, afeiçoar-nos a ela, santificando sonhos e enobrecendo ações, iluminando idéias e burilando impulsos, servindo qual se estivéssemos sendo servidos e beneficiando a figurar-nos na posição daqueles que recebem auxílio. Isso porque a caridade, sendo amor puro, crescerá sempre em nós com o nosso próprio crescimento no amor puro, à feição de Luz imperecedoura renascendo das épocas que se foram e ultrapassando os evos que hão de vir.

Leopoldo Cirne

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