27 de fevereiro de 2010

REFLEXÕES SOBRE O COTIDIANO

"Não pensem que vim trazer a paz sobre a Terra, mas a espada." Jesus, (Mateus, 10:34)

Na lIª Epístola aos Corínntios, capítulo 13, versículo 7, Paulo de Tarso diz textualmente: "Estamos orando a Deus para que não façais mal algum, não para que simplesmente pareçamos aprovados, mas para que façais o bem ... "
É interessante notar a postura que cada um de nós assume ante o compromisso de fazer o bem. Quase sempre desejamos que seja feito da forma como idealizamos e não se podendo executar dessa maneira, preferimos nada fazer.
Vaidade ou fuga? Presunção ou preguiça? Melhor será que, diante de tal situação, examinemos com juízo qual é o sentimento verdadeiro que nos move a ação. A transparência no julgamento íntimo é base fundamental para que possamos encarar as nossas imperfeições e fragilidades.
Tentar a fuga do compromisso, imaginando que o outro é o culpado pela nossa desistência é, no mínimo, uma atitude infantil. Pretender que somente a solução que temos para resolver a questão seja a única, por ser a melhor, e que, portanto, deve ser seguida por todos, mostra, certamente, quanto o egoísmo ainda se faz presente nas nossas atitudes, fazendo-nos imaginar que somos o centro do mundo, seja no círculo doméstico ou não.
A assertiva de Paulo nos propõe assim, um exame mais cuidadoso dessas nossas atitudes, frente às inúmeras oportunidades que temos para fazer o bem e não o fazemos.
Examinemos essa colocação por alguns instantes: estamos inseridos em um grupo familiar que é, na verdade, uma terra fértil a ser cultivada. Não ignoramos seja o lar a primeira escola de amor que freqüentamos na nossa jornada evolutiva e, portanto, torna-se fundamental que aprendamos a lutar para que a harmonia ali se instale - e permaneça - entre todos os seus membros. É imprescindível verificarmos o quanto cada um pode fazer pelos demais, colocados que estamos, todos, no mesmo cadinho, ajudando-nos mutuamente a crescer moralmente,
Ampliando um pouco mais essas relações humanas, encontramos nosso local de trabalho, não importando se é para o sustento material ou espiritual. Também ele é, sem sombra de dúvida, uma terra a ser tratada, na medida em que esses companheiros de jornada configuram-se como plantas a serem amparadas para que floresçam e produzam o melhor.
Mas também vivemos em sociedade, em comunidades maiores que com suas chagas sociais - compreensíveis numa coletividade de Espíritos imperfeitos - movimentam nossas emoções e nos oferecem imensas possibilidades de correção e aperfeiçoamento das nossas próprias mazelas, permitindo, a cada um de nós, um proceder honesto de apoio aos semelhantes com a força moral do bom exemplo. Não se resolve problema algum criticando a atitude do outro. Ensina-se com o exemplo. Aprende-se com ele.
Gostaríamos, sem dúvida, de secar as lágrimas de todos os sofredores da Terra; entretanto, isso não é possivel e, por causa disso, nada fazemos. Mas, será que não teriamos condição de atenuar o sofrimento de um amigo, de um vizinho, mostrando a ele que o amor não desapareceu do planeta e que a esperança deve persistir em seu coração? A pessoa, quando se sente só e desesperançada, não precisa de muito.
Bastam, às vezes, palavras de conforto, de confiança, de compreensão do seu problema. Ela necesssita, tão somente. compartilhar a sua dor, e essa atitude de solidariedade que podemos ter - e não nos custa nada e pode fazer toda a diferença para quem sofre.
Desejaríamos que nossos familiares não tivessem problemas, mas é impossivel evitá-los. Todavia, nada e nem ninguém nos impede de ajudar aquele mais necessitado: e mesmo nessa impossibilidade, é possível cooperar para que a tranqüilidade na casa possa ser instalada. Emmanuel alerta: "O Senhor nunca nos solicitou o impossível e nem nunca exigiu da criatura falivel espetáculos de grandeza compulsória."
Existem sobre o planeta, é verdade, inúmeros desertos, mas também encontramos pequeninas fontes, fecundando o chão por onde passam. Deus sabe das nossas limitações e não podemos ter a pretensão de ser Seus colaboradores nas grandes obras - isso Ele realiza sozinho - mas sim, de nos conscientizar de que somos peças fundamentais nas pequeninas coisas.
Meditemos: o que seria do mar se não fossem as pequenas fontes que correm em sua direção? "Não nos é facultado corrigir todos os erros e extinguir todas as aflições que campeiam nas trilhas da existência, mas todos podemos atravessar o cotidiano, melhorando a vida e dignificando-a, em nós e em torno de nós".

Leda Maria Flaborea - Jornal Espírita - setembro/07

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