17 de março de 2010

CONSTRUTORES DO MUNDO INVISÍVEL

Já foi dito que, como na Terra, no Plano Espiritual existem casas, ruas, flores e quaisquer outros objetos dos concebidos, cultivados e construídos pelo homem encarnado. E todas essas notícias têm intrigado muita gente. Qual será, então, o processo utilizado pelos Espíritos desencarnados em suas a criações e construções? E Allan Kardec responde: é o manejo da vontade e do pensamento.

O pensamento é força criadora: a vontade é força propulsora. Por meio destas duas forças, os Espíritos constróem tudo o que desejam. O Universo é seu laboratório. O Espírito Silveira Sampaio, ao reatar suas observações do Mundo Espiritual, afirma que... -Há também a materialização rápida do nosso pensamento, livre das barreiras carnais. Na Terra, pensamos e não vemos de imediato a ação da nossa mente, mas aqui, ao pensar, já percebemos a materialização da idéia. (O Mundo em que Eu Vivo, de Zíbia M. Gasparetto)

Na Terra, antes de um artífice fabricar um objeto, concebe, no pensamento, a forma, a cor e as características desse mesmo objeto. Depois, reúne os nateriais necessários e parte para a realização da obra. No Plano Espiritual, o processo se dá de outra maneira. O Espírito pensa na forma, na cor e nas características do objeto que deseja construir e, impulsionando o pensamento com a sua vontade, terá o objeto pronto imediatamente, o qual será visto, não só pelo fabricante, como por todos os outros Espíritos. Os objetos assim criados parecerão aos outros Espíritos desencarnados, tão reais como reais são, para nós encarnados, os objetos que utilizamos na vida diária. Informa Allan Kardec em A Gênese:

Basta ao Espírito pensar alguma coisa para que esta se produza, assim como (. . .) basta modular uma ária, para que esta repercuta na atmosfera. Em reuniões de estudos fenomênicos, muitas vezes esse processo é utilizado, quando os Espíritos trazem aos laboratórios de pesquisa objetos, flores, frutos etc. O mesmo acontece nos fenômenos de aparição de Espíritos, quando desejam ser reconhecidos por parentes ou amigos e, assim, provar suas identidades, sem deixar dúvidas nos observadores.

Apresentam-se, então, com sinais exteriores inconfundíveis (cicatrizes, membros amputados) da encarnação anterior para qual se transporta em pensamento, e ainda cria, fluidicamente, objetos e acessórios que tinham o hábito de usar em vida (cachimbos, bengalas, armas e outros). Allan Kardec, em diversos trechos da bibliografia espírita que organizou, trata do tema pensamento, procurando demonstrar a sua importância para a existência do Espírito. E, do que se depreende dos seus ensinamentos, o pensamento é o Espírito. Eis uma de suas declarações:

Os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como o homem manipula os gases, mas com o auxílio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são para os Espíritos o que a mão é para o homem. Pelo pensamento, imprimem a esses fluidos tal ou qual direção; aglomeram-nos, combinam-nos e os dispersam; com eles formam conjuntos, tendo uma aparência, uma forma, uma cor determinadas; mudam as suas propriedades, como o químico muda as dos gases e de outros corpos, combinando-os segundo certas leis; são o grande atelier ou o laboratório da vida espiritual. (Revista Espírita, de Allan Kardec, n° 6, junho de 1868)

Esclarece, ainda, o Codificador, que os Espíritos, por terem passado por diversas encarnações, têm uma espécie de arquivo mnemônico no qual estão guardadas todas as aparências de outras vidas. Assim é que, a depender de suas possibilidades e de sua vontade, os Espíritos podem se apresentar...

(...) com a vestimenta, os sinais exteriores, enfermidades, cicatrizes, membros amputados etc, que tinham então; um decapitado apresentar-se-á sem a cabeça. Isso não quer dizer que tenha conservado estas aparências. Certo que não; porque, como Espírito, nem é coxo, nem maneta, nem caolho, nem decapitado, mas seu pensamento, reportando-se à época em que era assim, seu perispírito toma instantaneamente as aparências, que deixa instantaneamente, desde que o pensamento deixa de agir. (Id., ibid.)

Tratando-se, porém, da construção de objetos e criação de ambientes, afirma o Espírito David Hatch: Às vezes edificamos qualquer coisa a pouco e pouco, neste mundo da quarta dimensão, especialmente quando desejamos deixar uma obra para os outros verem e admirarem, quando queremos que essa obra seja de duração. (...) São mesmo raros os que progridem muito; porém o homem mais estúpido possui aqui uma coisa que em geral perdem na Terra, isto é — a fé nas criações do seu pensamento. (Cartas de um Morto Vivo, de Elsa Barker)

Sempre voltando ao assunto que reputava dos mais importantes para se entender o Mundo dos Espíritos, vejamos o que declarou Allan Kardec, em seu discurso pronunciado na Sociedade Espírita de Paris, a 2 de novembro de 1864, sobre o tema Comunhão do Pensamento: O pensamento é o atributo característico do ser espiritual; é ele que distingue o Espírito da matéria; sem o pensamento, o Espírito não seria Espírito.

A vontade não é um atributo especial do Espírito; é o pensamento chegado a um certo grau de energia; é o pensamento transformado em força motriz. É pela vontade que o Espírito imprime aos membros e ao corpo movimentos em um determinado sentido. Mas se tem a força de agir sobre os órgãos materiais, quanto maior não deve ser sobre os elementos fluídicos que nos rodeiam! O pensamento age sobre os fluidos ambientes, como o som sobre o ar; esses fluidos nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som.

Pode, pois, dizer-se, com toda verdade, que há nesses fluidos ondas e raios de pensamento que se cruzam sem se confundir, como há no ar ondas e raios sonoros. (Revista Espírita, de Allan Kardec, n° 12, dezembro de 1864) Daí o cuidado que os Espíritos, encarnados e desencarnados, devem ter com as idéias fixas e os maus pensamentos. Eles são vistos pelos habita­tes do Mundo Espiritual e, muitas vezes, dão causa a pertinazes obsessões.

1 - Laboratório do Universo

Allan Kardec fornece as bases para o estudo do processo de criação no Mundo Espiritual em O Livro dos Médiuns (cap. VIII - Do Laboratório do Mundo Invisível) e em A Gênese (cap. XIV - Ação dos Espíritos sobre os Fluidos - Criações Fluídicas - Fotografia do Pensamento)
Fato interessante sobre formação de objetos por um Espírito é o narrado em O Livro dos Médiuns (cap. VII - n9 116). Um Espírito encarnado se desdobra e, ao visitar uma senhora enferma, é visto por esta portando uma caixinha de rapé que costumava usar. O Espírito visitante sentou-se numa poltrona ao pé de sua cama, permaneceu silencioso durante todo o tempo e tomou várias pitadas de rapé.

A excepcionalidade dessa ocorrência se deve à questão de que o Espírito era encarnado. Allan Kardec observa a respeito que, nesse caso, trata-se, apenas, de uma aparência, de uma imitação do que existe realmente, uma vez que a verdadeira tabaqueira ficara em outro local. Por isso, ele chama a atenção para a impropriedade do termo criação para esses casos, e explicou o porquê:

O Espírito age sobre a matéria; tira da matéria cósmica universal os elementos necessários para formar, como quiser, objetos com a aparência dos diversos corpos da Terra. Pode também operar, pela vontade, sobre a matéria elementar, uma tranformação íntima que lhe dê certas propriedades. Essa faculdade é inerente à natureza do Espírito, que a exerce muitas vezes de maneira instintiva e portanto sem o perceber, quando se faz necessário. Os objetos formados pelo Espírito são de existência passageira que depende de sua vontade ou da necessidade; ele pode fazê-los e desfazê-los a seu bel-prazer.

Esses objetos podem, em certos casos, parecer para os vivos perfeitamente reais, tornando-se momentaneamente visíveis e mesmo tangíveis. Trata-se de formação e não de criação, pois o Espírito não pode tirar nada do nada. Sobre o processo de criação no Mundo Espiritual, concordam, por exemplo, os Espíritos Silveira Sampaio, Robert Hugh Benson e David Hacht: o homem na Terra usa a parcela mínima de criatividade no seu dia-a-dia, porque desconhece o verdadeiro potencial do ser individual.

No Além, entretanto, se o Espírito errante souber manipular suas próprias forças e direcioná-las para atividades construtivas, desde que respeite as leis sociais da comunidade e os direitos alheios, desfrutará de um mundo além da sua pobre imaginação. Por isso, o Espírito David Hacht declara, de acordo com as suas observações, que o homem na Terra perdeu a fé no seu poder de criar.

2 - As Vestimentas dos Espíritos

Uma questão que tem provocado a curiosidade de muita gente é o fato de os Espíritos se apresentarem aos videntes, trajando, muitas vezes, roupas estranhas às que costumavam usar, de épocas antigas ou, mesmo, com uma simples túnica. De acordo com Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, no Mundo Espiritual, o vestuário é um componente que integra o desencarnado, seja ele de qualquer faixa, inferior ou superior. Através da vidência, em raríssimas ocasiões, médiuns têm informado que as entidades se apresentam despidas. Em algumas sessões experimentais, Espíritos se apresentaram sem roupas.

Geralmente, os Espíritos desencarnados trazem consigo os complementos de sua indumentária ou objeto de que faziam uso, habitualmente, em vida, como óculos, bengalas e adereços. Na obra Evolução em Dois Mundo, o Espírito André Luiz observa que, em se tratando da aparência dos desencarnados, como roupas, calçados e peças protéticas, tudo é confeccionado por eles próprios, estejam eles em qualquer das faixas evolutivas do Mundo Espiritual. Entretanto, em algumas ocasiões, conforme declarações suas e de outros Espíritos comunicantes, os produtos da criação são encontrados já fabricados, podendo ser utilizados por qualquer desencarnado que deles necessite, como alimentos, roupas, prédios etc.

Na Revista Espírita, n° 8, de agosto de 1859, Allan Kardec comenta a respeito das roupagens com que os Espíritos se revestem e se refere à capacidaque estes têm de mudar sua aparência com acessos de toalete diversos. Cita ele, na oportunidade, duas aparições de que teve notícia, em que uma a um cachimbo que produzia fumaça e a outra e tomava pitadas de rapé, já citada anteriormente. Como sempre, há os que escarnecem daquilo que não podem ou não querem compreender. A presunção da maioria das pessoas de que tudo sabem, as leva a julgar que tais crenças são ridículas, pois nada existe após a morte, mas os testemunhos fornecidos Espíritos se têm multiplicado através dos tempos.

Em Cartas de um Morto Vivo, o Espírito David ïatch, em diálogo com a médium Elsa Barker, declara: Parecer-lhe-á absurdo se eu lhe disser que usamos roupa, tal qual como na Terra, mas em menos quantidade. Ainda não vi malas; porém, é preciso que se note que ainda estou cá há pouco tempo. Mais tarde, o mesmo Espírito retorna e acrescenta:

Uma das coisas que tornam este país muito interessante é a falta de convenções. Não há duas pessoas vestidas da mesma maneira — não é bem isto que eu pretendia dizer; muitos andam vestidos dum modo tão excêntrico, que constituem um conjunto extremamente variado. O meu traje é bem semelhante ao que usava na Terra, porém, quando me transporto pelo pensamento a uma das Linhas vidas anteriores, tenho feito a experiência de enxergar os trajes daquela época. Reporta-se ele, então, ao caso da Toga Romana.

Certa feita, encontrou um Espírito de aspecto feminino vestido à grega. Curioso, perguntou onde tinha arranjado aquele traje. Respondeu que ela mesma o confeccionara. Ainda neófito, o Espírito David lacht, indagou de que maneira e ela disse:-Ora essa, basta idealizar o modelo no meu espírito para logo o ter a minha disposição. -E coseu tudo, ponto por ponto? -Não procedi da mesma maneira como teria feito na Terra.

Diante dessa explicação, tentou ele mesmo confeccionar uma toga romana para seu uso, mas não conseguiu, pois não se lembrava, de forma nenhuma, do modelo exato. Indagou, mais tarde, a seu Mestre, de como vencer essa dificuldade. Este mostrou-lhe cuidadosamente o processo: (. . .) devia fixar o modelo e formá-lo nitidamente no meu espírito, vê-lo no meu íntimo e, em seguida, atrair, pelo poder do desejo, a matéria sutil do mundo do pensamento em torno do modelo, formando, assim, a toga.

Assim procedeu o Espírito David Hacht e conseguiu confeccionar a toga. Por causa dessa vestimenta, um Espírito recém-chegado à Colônia julgou que ele fosse César, o imperador romano.Outra informação interessante sobre o vestuário do Além nos dá o Espírito Johannes, no livro Rumo às Estrelas, de Herbert Dennis Bradley, que, em outras palavras, resume tudo o que foi dito, até agora, das vestimentas dos Espíritos:

Algumas criaturas estúpidas pensam que a alma é um fluido sem forma a flutuar de um lado para o outro. Absurdo. Cada alma tem sua forma adquirida na vida terrena e conservada aqui. O aspecto que apresentamos é o de homens e mulheres como na Terra; usamos indumentária que nos dá a nós a mesma impressão que aí recebeis da indumentária terrena. São simples véus para a parte mental, algo que cobre e dá aparência à forma mental; (. . .). Essa indumentária não procede de oficinas, como as vossas; procede da idéia do indivíduo. Contribui para mostrar a mente. Com o que concorda inteiramente o Espírito David Hacht.

Em Memórias de um Suicida, romance psicografado pela médium Yvonne A. Pereira e, segundo consta, de autoria do Espírito Camilo Castelo Branco (escritor português), tem-se a informação de que os Espíritos recém-chegados da Terra, através de atos tresloucados em que tiraram a própria vida física, apresentam roupas andrajosas, sujas e fétidas, revelando o estado de angústia e desespero em que se encontram. Os baixos níveis mentais de vibração de tais Espíritos refletem o ambiente trevoso de suas pobres almas; uma falange de réprobos em estado lastimável...

(. . .) trajando todos vestes como que empastadas do lodo das sepulturas, com feições alteradas e doridas, estampando os estigmas de sofrimentos cruciantes! Pesquisando sobre a questão das vestimentas espirituais, Allan Kardec solicita do Espírito que em vida ficou conhecido como São Luís, um esclarecimento, e ele respondeu: R-(...) O Espírito tem sobre os elementos materiais disseminados em todo espaço, na nossa atmosfera, um poder que estais longe de suspeitar. Pode ele, à vontade, concentrar esses elementos e lhes dar uma forma aparente, adequada aos seus projetos.

P-Faço novamente a pergunta de maneira categórica, a fim de evitar qualquer equívoco: as roupas com que se cobrem os Espíritos são alguma coisa?
R-Parece que a minha resposta anterior resolve a questão. Não sabeis que o próprio perispírito é alguma coisa?
Daí, concluirmos que os Espíritos transmitem às suas vestes o seu estado mental. Elas demonstram à condição de cada um. Nesse caso, também o pensamento é de suma importância. Tudo o que lhes vai nos pensamentos transparece nas vestimentas que usam.

3 - Arquitetura das Cidades Espíritas

Assunto dos mais polêmicos é o que trata da construção de prédios e cidades no Mundo Espiritual. As informações se multiplicam, uma vez que infinitos são os Espíritos e locais onde estes habitam. Excetuando alguns aspectos concordantes, inúmeras informações individuais a respeito de minúcias sobre estilos e móveis são fornecidas pelos Espíritos comunicantes, de acordo com o aprendizado e experiências por que passaram.

A ação dos Espíritos sobre os fluidos tem a mesma força criadora na construção das Cidades Espirituais, com suas casas, palácios e jardins, resultando em um mundo invisível aos olhos carnais, todavia bastante intenso e vibrante aos de seus habitantes. Empregando o pensamento e a vontade, os Espíritos atuam sobre os elementos materiais espalhados por todo o espaço e lhes imprimem a direção desejada, exatamente como os encarnados fazem com as mãos ao construir qualquer objeto.

Baseado em suas observações pessoais, explica o Espírito Silveira Sampaio, na obra O Mundo em que Eu Vivo Assim, os que já desenvolveram o senso da beleza, e usufruíram de dinheiro da Terra, morando em residências bem decoradas, aqui construíram suas habitações com gosto e requinte. Vestem-se com apuro e bom gosto, e procuram ocupar-se com tarefas intelectuais ou condizentes com sua maneira de ser. E há os que ao contrário, tendo tido suas últimas encarnações na pobreza ou ocupando posições mais humildes na sociedade, constróem suas casas sobriamente, com poucas acomodações e procuram trabalhar nas ocupações mais modestas, que requerem menos esforço mental.

Em A Vida Além do Véu, de George Vale Owen, o Espírito comunicante descreve sua casa como...(...) bem acabada interna e externamente. Dentro, possui banheiro, um salão de música e aparelhos registradores do nosso trabalho. É um edifício amplo. Segundo declarações do Mundo Espiritual, os tamanhos e tipos de imóveis variam de acordo com a importância do trabalho desempenhado pelos Espíritos que os ocupam e segundo seus caracteres. Há, mesmo, verdadeiros palácios com grandes torres, altas abóbadas, grandes cúpulas e praças públicas ou reservadas. Os templos destinados às religiões, imitando os gostos terrenos, são, geralmente, suntuosos, verdadeiras catedrais cujas torres se perdem nas alturas.

Em A Vida nos Mundos Invisíveis, o Espírito Monsenhor Robert Hugh Benson se dedica a relatar como se processou a sua morte e as subsequentes viagens através de várias regiões do Mundo Espiritual. De suas experiências, oferece informações sobre os fascinantes aspectos da vida dos Espíritos. Sobre a estrutura das Cidades Espirituais e estruturas das moradias, diz ele:

Ao nos aproximarmos da cidade, foi possível avaliar a sua enorme extensão. Nem preciso dizer que era totalmente diversa de tudo que jamais víramos. Consistia de grande número de majestosos edifícios, rodeados de magníficos jardins e árvores, onde brilhavam, aqui e acolá, espelhos de água, límpida como cristal, refletindo, além das cores já conhecidas na Terra, outras mil tonalidades jamais vistas.

Comparados com as estruturas terrenas, os edifícios não eram muito altos, mas apenas extremamente amplos. E impossível descrever de que materiais se compunham, por serem essencialmente espirituais. A superfície é lisa como mármore, e tem a delicada consistência e a transparência do alabastro, ao mesmo tempo que cada prédio emite uma corrente de luz da mesma pálida tonalidade. No caso de uma obra complexa e importante como a formação das Colônias Espirituais Socorristas, informam alguns Espíritos comunicantes que a tarefa é confiada às falanges de Espíritos que nisso se especializaram.

Os Espíritos, após o sono reparador que se segue à desencarnação, chegam às Colônias Socorristas e encontram casas e hospitais confortáveis, lindos jardins e espaços acolhedores. Os sanatórios são luminosos e belos. Tudo construído pelos Espíritos que os precederam.

Quanto às residências, consta, das mensagens oriundas do Outro Mundo, que qualquer Espírito errante, desde que tenha desenvolvido capacidade para tal, poderá construir seu lar, atendendo às comodidades e estilo do que deixou na Terra. Se não consegue construir um por si mesmo, usará um construído por outro Espírito que dele não mais necessite. Os Espíritos são unânimes em afirmar que a estrutura urbana é das mais harmoniosas que já viram. O Espírito Irmão Jacob, por exemplo, testemunha, na obra Voltei, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, que, nas Colônias Espirituais que visitou:

Os domicílios não se torturavam uns aos outros como nas grandes cidades terrestres; ofereciam espaços regulares entre si, como a indicar que naquele abençoado reduto de fraternidade e auxílio cristão há lugar para todos. Não vi estabelecimentos comerciais, mas, em compensação, identifiquei grande número de instituições consagradas ao bem coletivo.

Percebe-se que, por serem criadas há muitos anos, o estilo que predomina nas Cidades Espirituais, segundo as descrições que de lá nos chegam, é o antigo; os prédios de paredes alvas e estilo clássico. Curiosamente, as preferências recaem nos modelos grego, romano e egípcio. Extensas e formosas avenidas, ladeadas de vegetação caprichosa e bela que colabora na criação de ambiente agradável e humanizado.

Entretanto, é bom observar que as mensagens sobre arquitetura espiritual divergem, algumas vezes: enquanto alguns Espíritos descrevem prédios suntuosos e belos, outros os caracterizam como simples e acolhedores, atendendo aos objetivos, caprichos e vontade de quem os construiu. Então, vejamos o que diz o cientista espírita Léon Denis a respeito de assunto, em seu livro Depois da Morte:

O Espírito, pelo poder da sua vontade, opera sobre os fluidos do Espaço, os combina e os dispõe a seu gosto, dá-lhes as cores e as formas que convêm ao seu fim. E é por meio desses fluidos que se executam obras que desafiam toda comparação e análise. Construções aéreas, de cores brilhantes, de zimbórios resplandescentes: circos imensos onde se reúnem em conselho os delegados do Universo; templos de vastas proporções, donde se elevam acordes de uma harmonia divina; quadros variados, luminosos: reproduções de vidas humanas, vidas de fé e de sacrifício, apostolados dolorosos, dramas do infinito.

Esclareça-se, entretanto, que o aspecto do ambiente variará, segundo a condição moral daqueles que ele se acham. Os habitantes das trevas ocupam, e acordo com informação de alguns Espíritos errantes, cavernas lúgubres à semelhança das habitadas por animais ferozes. Exatamente como qualquer outra necessidade que os Espíritos errantes acreditem que devam ser atendidas, o abrigo nada mais é do que um condicionamento da vida terrena.

Na Terra, temos de nos abrigar das intempéries, as tempestades, do sol escaldante, dos ventos e dos rumais ferozes, além de preservar a intimidade da homília. No Mundo Espiritual, o ambiente difere totalmente do planeta, pois lá, como descrevem os Espíritos comunicantes, não há frio nem calor excessivos, não há terremotos nem tempestades, a luz do sol é agradável e reconfortante. As paredes não se constituem em barreiras para o desencarnado.

De tudo o Espírito usufrui quando não se encontra envolvido no emaranhado de suas paixões ou ainda ligado às sensações terrenas. Daí concluirmos que os Espíritos superiores, tendo superado essa fase, não mais precisem de qualquer habitação para seu uso exclusivo ou de seus familiares.

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