24 de março de 2010

O CRIMINOSO NASCE NO LAR



Formação moral adquire solidez e vitalidade durante período educativo da infância
Violência, do latim violentia, é qualidade de violento; é constrangimento físico ou moral; uso da força; coação, diz o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda. Como a violência se apodera de uma pessoa fazendo-a insensível ante o sofrimento alheio? O que leva o ser humano ao crime? De que sentimentos ele se acha possuído quando usando de violência bate, tortura, mata, esquarteja um outro ser humano? Chegar a uma constatação requer muitos estudos, e inúmeros foram os estudiosos da criminologia, da psicologia, da sociologia, da psiquiatria, da antropologia que se entregaram com denodo na busca das respostas a tais indagações.
Como espíritas sabemos que a violência acha-se insculpida no espírito imortal, no ser psíquico, e investindo na educação deste se poderá aniquilar a violência, substituindo-a pela tolerância, compreensão, mansuetude. Ela não está fora do ser, mas dentro dele.
Toda pesquisa que se faça sobre psicologia criminal, fora do Espiritismo, deve ter seu início no estado psicológico do indivíduo. Infere-se daí o quanto é importante lograr-se conhecer a personalidade do delinqüente em todo o seu desenvolvimento psicológico, e também as circunstâncias em que se viu envolvido na vida desde o útero materno. Nós aprofundamos a questão, pois queremos saber sobre o seu passado espiritual.

Desatenção dos pais
Pais desavisados podem estar forjando um criminoso, sem proceder conscientemente.
Eles, em verdade, potencializam o que o espírito (filho) traz de bagagem moral/espiritual de outras reencarnações.
Como se pode, pois, engendrar um criminoso dentro de um lar? São muitos os motivos: dar ao filho tudo quanto quer, desde cedo, a começar na infância. Quando crescer acreditará que o mundo tem a obrigação de satisfazer-lhe as vontades, sem que para isso despenda o mínimo esforço. Quando ele, ainda criança, disser nomes feios ache graça, o que fará com que se sinta interessante. Quando puxar os cabelos de alguém, ache graça, diga “que bonitinho”! Fuja de dar-lhe uma orientação religiosa, deixando que depois de crescido ele próprio escolha. Apanhe, guarde e arrume tudo que ele for deixando jogado pelo chão, dentro de casa. Assim ele acreditará que os outros são os únicos responsáveis pela limpeza e arrumação do ambiente onde vive. Quer vê-lo discutindo, falando em alta voz com os outros, discuta na frente dele, xingue quem lhe contrarie numa discussão. Ponha-lhe ao alcance todo dinheiro que ele precisar. Ele achará que a vida tem de lhe endinheirar sem nada exigir, muito menos trabalhar, esforçar-se para possuir. Satisfaça-lhe todos os desejos, dando-lhe as melhores roupas, calçados, bebidas finas, comida refinadas. Ele se habituará a exigir sempre o melhor, e quando não obtiver... Tome sempre o seu partido quando entrar em choque com vizinhos, amigos, professores, etc. Os outros, para ele, serão sempre os implicantes, os errados. Quando ele se meter num sério problema policial contrate os melhores advogados e faça-lhe ver que é inocente. Culpados são os que o estão julgando. Ao tomar conhecimento de que ele foi visto drogando-se, não acredite. Tudo não passa de intriga dos despeitados. Faça mais e melhor: beba com ele, acompanhe-o ao barzinho da esquina e fique com ele e amigos até altas horas todos os finais de semana. Faça dele um alcoólatra. E não esqueça de ter em casa um bar muito bem provido de bebidas importadas. Compre para ele a moto do momento, a mais incrementada; ele sentir-se-á o “máximo”. Não o induza a respeitar os adultos, com isso ele começará por você, pela mãe e demais parentes. Matricule-o numa academia de lutas marciais dizendo-lhe que está ali para aprender a se defender, é verdade, mas também para bater nos outros. Não o quer ver chegar em casa machucado. Quando se envolver em brigas de gangue ache tudo normal, dê-lhe sempre razão. Ao perceber que ele anda faltando à escola, tirando notas baixas, sem nenhum interesse pelos estudos, considere normal; todo jovem é assim mesmo. Afinal de contas você não quer que ele passe pelo que você passou.

Deveres educacionais
É nos lares de hoje, sim, que se forjam os criminosos de amanhã, quando os pais deixam de cumprir com seus amplos e profundos deveres educacionais para com os filhos.
Em essência somos todos criminosos, assaltantes, ou seja, carregamos uma dose de criminalidade sem tomarmos parte direta, efetiva no assalto, no crime. Sabem quando? Quando deixamos de ajudar os mais pobres; quando nos mostramos orgulhosos, vaidosos e ambiciosos; quando desprezamos as crianças carentes e nada realizamos por elas; quando negamos a mão forte e amiga ao idoso que, fraco das pernas, deseja levantar-se; quando acostumamos nossos filhos com gritos e palavrões, desmerecendo-os diante de outros; quando nem nos tocamos sobre a necessidade de darmos um telefonema a alguém doente; quando não paramos nossas atividades para orar e agradecermos a Deus por tudo que Ele nos dá, e quando não temos tempo de apreciar as belezas da natureza.
Nos muitos instantes bonitos da vida que passam sem que a nossa sensibilidade sinta-se tocada por eles, estamos contribuindo para a criação de um delinqüente, colocando em suas mãos uma arma e em seus pensamentos a vontade de assaltar, roubar, violentar, matar... Toda vez que deixamos de viver o amor ao próximo estamos construindo pessoas frias, indiferentes, criminosas, cruéis... Toda vez que omitimos dizer “eu te amo” anulamos em nós e nos outros o despertar para uma convivência de paz, de solidariedade, da mais legítima fraternidade.
O mundo precisa de amor que partam de corações tangidos pelas suaves melodias encontradas na vivência do Evangelho de Jesus.

Fonte: O Clarim – nov/2005

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