18 de abril de 2010

O LIVRO DOS ESPÍRITOS



EM 18 DE ABRIL É COMEMORADO O DIA DO LIVRO ESPÍRITA, DIA NACIONAL DO ESPIRITISMO E TAMBÉM COMEMORAMOS O ANIVERSÁRIO DA PUBLICAÇÃO DE “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” OCORRIDO NO ANO DE 1857.

A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, é o corpo doutrinário mais lógico e seguro conhecido pelos homens, no campo filosófico-religioso-moral.

Suas verdades lastreiam-se nas realidades imanentes do espírito e da matéria, os dois elementos do Universo.

A obra basilar da Doutrina – O Livro dos Espíritos – parte da idéia de Deus, o Criador, perlustra a criação, indo muito além do objeto da ciência terrena, que se tem ocupado somente com a matéria.

O mundo dos Espíritos, a Vida nos seus múltiplos desdobramentos, as leis morais decorrentes de princípios divinos, ou naturais, a evolução dos seres em demanda da perfeição, a conexão entre antigos conhecimentos de posse dos homens e novas revelações trazidas pelas “Virtudes dos Céus” demonstram que essa síntese admirável – a Doutrina do Consolador – é a marca de um novo tempo, prevista e enviada pelo Cristo de Deus, caracterizando uma Nova Era para a Humanidade.

Todo esse conjunto de conhecimentos, de princípios, de leis morais, de ciência abrangente e não restrita à matéria, de deduções filosóficas verdadeiras porque baseadas em fatos é o que se denomina a Terceira Revelação, resultado de um planejamento superior e do esforço comum de um grupo de Espíritos Superiores com seus instrumentos encarnados na Terra.

O Livro dos Espíritos tem sua origem nesse trabalho conjunto entre dois planos de vida.

A essência provém dos Espíritos Reveladores, à frente o Espírito de Verdade. A mediação, a forma, o método, a sistematização dos assuntos e das matérias, os comentários judiciosos constantes da obra são de seu autor, o Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail – Allan Kardec – que se apoiou em “mais de dez médiuns” para o trabalho de recepção.

Essa obra, que se apresenta aos homens sob a forma de um livro, tem uma significação transcendente para toda a Humanidade.

Seu aparecimento, nos meados do século XIX, é, na realidade, o marco inicial de uma Nova Era, que se vinha preparando no decorrer dos séculos anteriores.

O homem já conhece muitas verdades, a respeito de si mesmo e do mundo que o cerca, desde muitos milênios. São parcelas das realidades trazidas pelos emissários do Cristo, o Governador Espiritual deste Orbe, que deram origem às antigas religiões e a sistemas filosóficos.

A Mensagem do Cristo consolidou o que já havia de real, de verdadeiro na Revelação mosaica, retificando as distorções dos princípios do judaísmo, especialmente no tocante aos ensinos morais, que se tornaram os fundamentos do Cristianismo.

Mas a interpretação dos homens distorceu a Mensagem, dando-lhe sentido ao sabor dos interesses pessoais e institucionais das igrejas cristãs, a ponto de desvirtuá-la profundamente, com grave prejuízo da essência do Cristianismo primitivo.

Impunha-se, assim, a retificação dos enganos, a separação da dogmática criada à sombra dos princípios ensinados pelo Cristo mas com eles conflitantes, a retomada do caminho certo.

Essa retomada de rumos não se tornou possível senão dezoito séculos após a Grande Mensagem.

Enredou-se o mundo ocidental de tal sorte com os poderes políticos, feudais, da realeza e da autocracia, civil e religiosa, que se tornava praticamente impossível a reação e o retorno aos ensinos evangélicos na sua pureza primitiva.

Chegou-se ao ponto de utilizar a guerra e a violência em nome de Deus.

As Cruzadas e o Tribunal do Santo Ofício, com a Inquisição, de triste memória, atestam a impossibilidade do surgimento de uma retificação de enganos dos detentores do poder civil e religioso por muitos séculos.

Entretanto, a retomada do caminho certo estava prevista pelo Cristo, como prevista foi por Ele a deturpação de sua Mensagem.

A prova dessa antevisão está na promessa do envio do Consolador:

“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece (...) mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que eu vos disse.” (João, 14:16-26.)

Antes da vinda do Consolador era necessário que os homens pudessem recebê-lo.

Para tanto havia necessidade da derrubada da autocracia, do absolutismo, da imposição sistemática, da ausência da liberdade.

Do fim da Idade Média, símbolo histórico do atraso, da ignorância e da intolerância da Humanidade, até meados do século XIX, quando eclode a Doutrina Consoladora, decorreram mais de três séculos.

Nesse período de renovação e de transição para uma nova civilização, ocorrem a invenção da imprensa, os grandes descobrimentos marítimos, a Reforma, o Iluminismo e a Revolução Francesa, acontecimentos que transformaram o mundo, implantando a liberdade e pondo fim ao absolutismo político e religioso.

Havia, portanto, no século XIX, condições para a eclosão da Nova Luz.

A liberdade de pensamento e de sua expressão garantia, na Europa e na América, como em todos os países civilizados, apesar da resistência de setores retrógrados das sociedades humanas, a manifestação de novas idéias, proporcionando largo avanço das ciências e do conhecimento em geral.

Nessas condições é que começam as manifestações espíritas, nos Estados Unidos da América e na Europa, numa clara demonstração de que os tempos do Consolador eram chegados.

Hoje, podemos perceber o planejamento espiritual para a vinda da Nova Luz.

O missionário maior da Nova Revelação estava à espera da grande missão, para a qual renasceu em 1804.

Os fatos inusitados das manifestações espirituais chamaram a atenção dos americanos.

As mesas girantes e falantes tornaram-se comuns nos salões europeus.

Era o prelúdio e os fundamentos fáticos do fenômeno espírita, largamente observados por quem tivesse “olhos de ver” mais profundamente o que significavam.

O Professor Rivail observou os fenômenos, estudou-os profundamente, tirou conclusões lógicas, usando o método experimental e a razão, os conhecimentos que detinha e o bom-senso, eliminando tudo que conduzisse à ingenuidade e à credulidade excessiva.

De seu trabalho metódico e inteligente, usando o nome de sua antiga personalidade druida – Allan Kardec – surgiu o monumental O Livro dos Espíritos, sob a orientação do Espírito de Verdade.

...

A obra fundamental do Espiritismo foi lançada em 18 de abril de 1857, em sua feição original, posteriormente revista e reestruturada, sempre com a supervisão do Espírito de Verdade, resultando na segunda edição, definitiva, lançada a 16 de março de 1860.

A Doutrina Espírita está sintetizada nesse livro, que inaugura a Era Espírita neste Orbe.

Tanto a Lei antiga no que diz respeito a verdades incontestes, quanto os ensinos do Cristo, escoimados das deturpações humanas, somam-se às novas revelações do Mundo Espiritual.

Todo esse imenso cabedal de conhecimentos representa um vasto universo de difícil apreensão pelo homem, não fosse contornada a dificuldade pela Espiritualidade Superior, resumindo todo o acervo intelecto-moral no livro-síntese que é O Livro dos Espíritos.

Esse livro é, pois, alimento permanente para a inteligência e o sentimento humanos. Fala-nos silenciosamente sobre múltiplos assuntos, dirime nossas dúvidas, chama-nos a atenção para a vida que nos envolve e que se desdobra em mil formas, à nossa volta.

Ensina-nos a melhor compreender Deus, mas sobretudo senti-lO como o Criador, a Inteligência Suprema e causa primária de todas as coisas.

Revela-nos o sentido espiritual da vida, com sua progressão contínua dentro da Lei de Evolução, ora ligada à matéria, ora em estado livre.

Mostra-nos serem infinitos os Universos material e espiritual, criação de Deus.

Esclarece a tormentosa questão do Bem e do Mal e relaciona as Leis Morais de forma didática e simples para a compreensão das inteligências comuns.

Combate o materialismo, em suas diferentes faces, mostrando sua incongruência diante da realidade patente da existência de Deus, de suas leis, e do Espírito imortal.

Indica a realidade das vidas sucessivas na Terra, dando um novo e correto entendimento à antiga doutrina da reencarnação do Espírito, retificando os desvios e enganos das velhas concepções.

Coloca em evidência o caráter religioso da Doutrina dos Espíritos, escoimada dos cultos exteriores das diversas denominações religiosas, mostrando que a verdadeira adoração ao Criador há que partir do coração da criatura, de seus sentimentos e não de atos exteriores.

Este pequeno resumo mostra-nos a abrangência das matérias, das questões e das orientações dos Espíritos constantes do livro fundamental da Doutrina Espírita.

Mas estamos longe de alcançar, nesse resumo, o poder de síntese dos Espíritos Reveladores.

Por isso, cumpre a todo espírita sincero estudar sempre o livro-base da Doutrina.

Sua importância é tal que os próprios Autores Espirituais consideraram necessário o seu desdobramento, sem modificação do original. Desse entendimento resultaram as demais obras da Codificação Kardequiana, cada qual estendendo e desenvolvendo partes do livro-síntese: O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

Os próprios Espíritos Reveladores fizeram preceder ao corpo da obra de que foram autores duas observações que vamos transcrever aqui, por sua importância na elucidação de diversas dúvidas que assaltam os que se iniciam no estudo da Doutrina.

Eis os textos:

“As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas.Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.”

“Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de Sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.”
(Prolegômenos, p. 48, 80. ed. FEB.)

JUVANIR BORGES DE SOUZA

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