20 de abril de 2010

PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS

“(...) Como pode um homem nascer já estando velho?
Pode tornar ao ventre de sua mãe para nascer outra vez?”
Nicodemos.(Jo..3:4.)

Com razão afirma Kardec que só a reencarnação explica o que sem ela, se mantém inexplicável; que é altamente consoladora e conforme à mais rigorosa justiça; que constitui para o homem a âncora de salvação que Deus, por misericórdia, lhe concedeu.

As próprias palavras de Jesus não permitem dúvida a tal respeito, mas hoje, como ontem, existem muitos “mestres” que invectivam contra a palingenesia.

Observamos que a resposta de Jesus a Nicodemos foi precedida por aquelas célebres palavras tão comuns aos orientais quando desejam enfatizar algo: “Em verdade, em verdade te digo que, se um homem não renascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino dos Céus”.

Jesus chama a atenção do vaidoso doutor para o ensinamento novo...

Em verdade, em verdade significa: preste atenção, aguce os ouvidos, é importante!...

Na verdade o homem não prestou atenção e desse diálogo, em vez de aprender a respeito da reencarnação, na sua ignorância ele inventou o batismo, como se um pouco de água derramada na cabeça de alguém pudesse transformar ou limpar algo além das sujidades exteriores.

Kardec continua seu lúcido raciocínio:

“(...) Em suma, como quer que opinemos acerca da reencarnação, quer a aceitemos, quer não, isso não constituirá motivo para que deixemos de sofre-la, desde que ela exista, mau grado a todas as crenças em contrário. O essencial está em que o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apoia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo. Logo, não é anti-religioso.

Temos raciocinado, abstraindo, como dissemos, de qualquer ensinamento espírita que, certas pessoas, carece de autoridade. Não é somente porque veio dos Espíritos que nós e tantos outros nos fizemos adeptos da pluralidade das existências. É porque essa doutrina nos pareceu a mais lógica e porque só ela resolve questões até então insolúveis.

Ainda quando fosse da autoria de um simples mortal, tê-la-íamos igualmente adotado e não houvéramos hesitado um segundo mais em renunciar às idéias que esposávamos. Em sendo demonstrado o erro, muito mais que perder do que ganhar tem o amor próprio, com o se obstinar na sustentação de uma idéia falsa. Assim também, tê-la-íamos repelido, mesmo que provindo dos espíritos, se não parecera contrária à razão, como repelimos muitas outras, pois sabemos, por experiência, que não se deve aceitar cegamente tudo o que venha deles, da mesma forma que se não deve adotar às cegas tudo o que procedera dos homens.

O melhor título que, ao nosso ver, recomenda a idéia da reencarnação é o de ser, antes de tudo, lógica. Outro, no entanto, ela apresenta: o de a confirmarem os fatos, fatos positivos e por bem dizer, materiais, que um estudo atento e criterioso revela a quem se dê ao trabalho de observar com paciência e perseverança e diante dos quais não há mais lugar para a dúvida. Quando esses fatos forem conhecido, como os da formação e do movimento da Terra forçoso será que todos se rendam à evidência e os que se lhes colocaram em posição ver-se-ão constrangidos a desdizer-se.

(...) Ensinando acerca da pluralidade das existências corporais, os Espíritos renovam uma doutrina que teve origem nas primeiras idades do mundo e que se conservou no íntimo de muitas pessoas, até aos nossos dias.

Simplesmente, eles a apresentam de um ponto de vista mais racional, mais acorde com as leis progressivas da Natureza mais de conformidade com a sabedoria do Criador, despindo-a de todos os acessórios da supertição. Circunstância digna de nota é que não só neste livro os Espíritos a ensinaram no decurso dos últimos tempos: já antes da sua publicação, numerosas comunicações da mesma natureza se obtiveram em vários países, multiplicando-se depois, consideravelmente.

(...) Muitos repelem a idéia da reencarnação pelo só motivo de ela não lhes convir. Dizem que uma existência já lhes chega de sobra e que, portanto, não desejariam recomeçar outra semelhante. De alguns sabemos que saltam em fúria só com o pensarem que tenham de voltar à Terra. Perguntar-lhes-emos apenas se imaginam que Deus lhes pediu o parecer, ou consultou os gostos, para regular o Universo.

Uma de duas: ou a reencarnação existe, ou não existe; se existe, nada importa que os contrarie; terão que a sofrer, sem que para isso lhes peça Deus permissão. Afiguram-se-nos os que assim falam um doente a dizer: Sofri hoje bastante, não quero sofrer mais amanhã. Qualquer que seja o seu mau-humor, não terá por isso que sofrer menos no dia seguinte, nem nos que se sucederem, até que se ache curado. Conseguintemente, se os que de tal maneira se externam tiverem que viver de novo, corporalmente, tornarão a viver, reencarnarão. Nada lhes adiantará rebelarem-se quais crianças que não querem ir para o colégio, ou condenados, para prisão. Passarão pelo que têm de passar.

São demasiado pueris semelhantes objeções, para merecerem exames mais sérios. Diremos, todavia, aos que as formulam que se tranqüilizem, que a Doutrina Espírita, no tocante à reencarnação, não é tão terrível como a julgam; que, se a houvessem estudado a fundo, não se mostrariam tão aterrorizados; saberiam que deles dependem as condições da nova existência, que será feliz ou desgraçada, conforme ao que tiverem feito neste mundo; que desde agora poderão elevar-se tão alto que a recaída no lodoçal não lhes seja mais de temer”.

Em verdade, em verdade te digo!...

Acre Espírita 

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