3 de abril de 2010

UM HOMEM BOM

Em O Evangelho segundo o Espiritismo encontramos a informação de que os homens de bem ignoram que são virtuosos.
Eles deixam-se ir ao sabor de suas aspirações e praticam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
Pessoas assim existem muitas espalhadas por esse imenso mundo de Deus. Em todas as épocas, em todas as nações.
Longe, muito longe. E bem perto de nós. Por isso, prestemos atenção para não perdermos a chance de nos mirarmos em seu exemplo.
Assim era com Hans. Um pintor de paredes no século XX. Um homem simples que morava numa rua pobre, perto de Munique, na Alemanha.
Ele fora convocado para a Primeira Guerra Mundial. E voltara para casa, ileso.
Agora, a Segunda Guerra Mundial batia às portas e apertava o cerco a cada dia. Como uma megera que avançasse, penosamente se movimentando, entre as brumas do medo e da insegurança.
Quando a perseguição aos judeus se estabeleceu, ele perdeu muitos clientes. Afinal, os judeus tinham posses e, até há pouco, eram seus melhores clientes.
Agora, eles eram os indesejados sobre a face da Terra. Ao menos naquele pedaço de terra governado pela loucura daqueles dias.
Então, veio o aviso de que as bombas estavam chegando sempre mais próximas. Havia quem não acreditasse que aquela cidadezinha dos arredores de Munique pudesse constituir um alvo.
Mas os abrigos foram marcados e as janelas tinham que passar pelo processo de escurecimento para as horas noturnas.
Para Hans, foi uma oportunidade de trabalho. As pessoas tinham venezianas que precisavam ser pintadas. De preto.
Verdade que a tinta logo se esgotou. Mas ele pegou pó de carvão e foi misturando. Foram muitas as casas de todas as regiões de Molching das quais ele confiscou dos olhos inimigos a luz das janelas.
Muitas vezes, na volta para casa, mulheres que nada tinham além de filhos e miséria, corriam para ele e imploravam que pintasse suas janelas.
Ele poderia sugerir que elas utilizassem cobertores para pendurar nas janelas.
No entanto, sabia que eles seriam necessários quando chegasse o inverno.
Desculpe, não me sobrou tinta preta. – Dizia ele. Amanhã bem cedo. – Marcava.
E lá estava ele, na manhã seguinte, pintando as tais janelas. Por nada. Ou por um biscoito e uma xícara de chá quente.
Por vezes, uma conversa, no degrau da frente desta ou daquela casa. E o riso se erguia da conversa, antes de partir para o trabalho seguinte.
Um homem bom. Pobre, servia a quem mais pobre fosse. E servia com alegria.
A bondade é assim: espalha a sua graça, deixa as suas benesses, enquanto o doador segue adiante, para continuar a distribuí-la a mãos cheias.

Redação do Momento Espírita, com base no item 8 do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb e na pt. 7 do livro A menina que roubava livros, de  Markus Zusak, ed. Intrínseca.

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