24 de maio de 2010

MORTE DO CORPO FÍSICO

O fato mais temido pela grande maioria dos homens durante suas vidas aqui neste planeta é justamente aquele que apresenta condição irrefutável à nossa realidade, a morte.

Indivíduos cujos credos são baseados na inexistência de uma força suprema, criadora da vida e de todas as coisas, tendem ao sentimento de desespero face à aproximação da morte, uma vez que, para estes, o fim da vida corpórea significa, realmente, o fim de absolutamente tudo. Realmente, analisando este ponto de vista com frieza seria verdadeiramente desesperador a aproximação da morte física, já que representaria, em si própria, o término completo da existência do indivíduo.

Não é incomum tomarmos conhecimento de pessoas que, tendo sido condenadas pela medicina humana a um tempo determinado de vida, entregam-se inteiramente a excessos inimagináveis, que muitas vezes causam prejuízos irreparáveis a terceiros. Para esses indivíduos, como não existe nada após a morte do corpo físico, e sabendo que sua hora se aproxima, não há mais a necessidade de preocupações com ações e suas consequências. O único objetivo dessas pessoas neste momento é o de aproveitar ao máximo, os dias que lhes sobram de existência, muitas vezes mergulhando em prazeres mundanos. A outras resta, na maioria das vezes, a revolta, quando entes que lhes são queridos se deparam com o sono final. Muitas, nunca recuperam seu equilíbrio durante o restante de suas vidas, quando pessoas que são do seu círculo de afeição rompem o laço da encarnação. Podemos realmente entender o terror que estes indivíduos possuem da morte, quando a perspectiva que possuem da vida é a que foi apresentada acima.

Outro grupo de indivíduos que merece análise é aquele formado por pessoas que creem na existência de vida após a morte do corpo físico, mas, acredita também que existe apenas uma vida corpórea, a presente. Para estas, também não é incomum o sentimento de revolta, ante a perda de entes amados, uma vez que, de acordo com seu credo, nunca mais desfrutarão de sua companhia. Analisemos agora, neste grupo, aqueles que acreditam na clássica divisão entre inferno, purgatório e céu, para a vida pós-túmulo. Imaginem o desespero ao aproximar-se a morte, quando percebem que passaram a vida praticando ações que os condenariam a torturas inimagináveis e eternas no chamado inferno, sem a possibilidade de resgate de suas falhas? E o que falar do estado mental de criaturas de bem que perderam entes queridos para a morte corpórea, sendo estes últimos, pessoas condenadas ao inferno infinito? Como conseguiriam continuar sua caminhada se acreditam que aquele ser que amaram tanto, está condenado ao fogo insuportável do inferno, para toda sua eternidade? Teriam estes realmente paz de espírito, para quando sua hora também chegar, simplesmente abraçar a contemplação beatífica do céu prometido, sabendo que pessoas às quais amaram tanto, durante sua passagem pela vida, sofrem eternamente no inferno?

Analisemos agora, aqueles indivíduos que acreditam na vida após a morte, e também na reencarnação. Para eles, a vida corpórea nada mais é que estado temporário, e curto, que serve apenas como mais uma fase do seu estado evolucionário. A vida física, mesmo sendo o bem mais precioso que possuem durante esse período, uma vez que possibilita fonte de aprendizado valiosíssimo para a caminhada evolutiva, é encarada de forma menos material por eles, e a consequente morte, nada mais é que uma mudança de estado físico.

Mantendo este ponto de vista em mente, é realmente reconfortante sabermos que aqueles que nos são queridos, que agora partem para a grande viagem, não estarão inacessíveis ao nosso convívio no futuro, e que também poderemos novamente desfrutar de sua companhia quando as circunstâncias assim o permitirem. A saudade que nos toma de rompante, devido à distância colocada entre os estados físicos; encarnado e desencarnado, nada mais é que temporária, uma vez que poderemos, novamente, estar com eles em futuro próximo, na vida além túmulo.

Esta vertente também nos tranquiliza com relação às nossas próprias falhas. A certeza de que teremos outras oportunidades de aprendizado e resgate de nossas imperfeições, as outras encarnações, aquece nossos corações de otimismo, mesmo com proximidade do longo sono. Nesta corrente, o inferno não é mais caracterizado como o lugar no qual sofreremos torturas eternas, mas um estado também transitório, do qual poderemos a certo momento, sair, para mais uma encarnação, que mais uma vez nos possibilitará oportunidade para nossa melhora interior, de forma que não precisemos retornar a este estado mental no futuro. Utilizando-se do mesmo raciocínio para com os nossos entes queridos, é realmente reconfortante sabermos que, mesmo que eles se encontrem em estado de sofrimento após a morte do corpo, como consequência da vida que levaram quando encarnados na matéria, este estado também é temporário, e a felicidade certamente lhes chegará no futuro; felicidade esta que está intimamente relacionada com suas próprias ações.

O outro lado da moeda para esse reconforto é o fato de que todas as ações praticadas por indivíduos que, direta ou indiretamente, causaram dor e tristeza aos seus semelhantes, serão, em tempo, resgatadas, durante a encarnação atual, ou em próximas. O fato de que toda causa gera um efeito, é uma das leis do Universo. Nenhum indivíduo está imune a ela. A conhecida expressão “Aqui se faz, aqui se paga.”, possui caráter muito mais abrangente do que poderíamos inicialmente prever. Em tempo, à medida que, determinado indivíduo praticante desse tipo de ação, chega a um nível de entendimento que lhe permite compreender que sua infelicidade é diretamente relacionada à infelicidade que ele, agora ou no passado, impôs a semelhante, ele sabe que passará por situação semelhante, quando encarnado, que lhe proporcionará ferramenta valiosíssima de aprendizado.

O Mestre Jesus nos ensinou que o perdão é uma condição fundamental para a nossa felicidade. Entendendo-se o conceito de causa e efeito, e o de reencarnação, torna-se simples a compreensão desta afirmação. Nós também, como seres imperfeitos, seja durante a encarnação atual, seja em uma passada, certamente tomamos atitudes que trouxeram pesar para nosso próximo, as quais, em tempo, reconheceremos como uma das fontes da nossa infelicidade. A felicidade gerada por conquistas materiais é efêmera. Ditado como “O quanto mais se tem, mais se quer.”; ilustra essa efemeridade. Indivíduos que atingem sucesso financeiro continuam sua procura cada vez mais por bens materiais, uma vez que não reconhecem que essa busca contínua pelo algo mais, indica que, o que intimamente procuram não pode ser encontrado nas finanças.

Entenderemos que o perdão concedido pelo semelhante recipiente de nossas atitudes impensadas nos trará a paz de espírito necessária para que continuemos nossa luta a caminho da felicidade verdadeira. Da mesma forma como precisaremos contar com o perdão de nossos semelhantes para nossas falhas, outros que nos afligiram, ou recentemente ou em pretérito distante, também contam com nossa capacidade de perdoar, para que eles também possam continuar nas suas próprias caminhadas. Sentimentos menos dignos, como a vingança, nada mais são que entraves para a nossa própria evolução, uma vez que são contrários à lei de causa e efeito. A máxima “É perdoando que se é perdoado.”; também carrega muito peso, e vai muito mais além que um simples dogma quando nos diz que devemos perdoar nossos agressores. O perdão é uma verdadeira necessidade, a partir da lei de causa e efeito, que no determinado tempo, aprenderemos a reconhecer e abraçar.

Todos, independentemente de credo, desenvolvimento intelectual, cultural ou religioso, nutrem dentro de si, sentimento de auto preservação que, uma vez posto à prova, em face de situações que apresentem ameaças reais à continuação da vida, gera sentimentos diversos, que, como foi explicado, variam dependendo do grau de evolução e entendimento em que cada indivíduo se encontra.

O sentimento de auto-preservação vem de um conhecimento íntimo que temos, que nos diz, todos os dias, o quanto nossa vida é preciosa ferramenta de aprendizado e resgate. Por isso que atitudes como o suicídio, em tempo, causam arrependimento na vida pós-túmulo, uma vez que esta prática, por qualquer motivador que seja, abrevia a nossa própria oportunidade de aprendizado e evolução. O Espiritismo prega que cada indivíduo é o senhor de sua própria felicidade, e que toda causa carrega um efeito. Atitudes de caridade e desprendimento para com nossos semelhantes trazem os frutos benéficos da simpatia e amizade dos nossos irmãos para conosco. Ao mesmo tempo, ações que infligem dor e tristeza, trazem a seu tempo, arrependimento e remorsos arrebatadores, que se transformam em infelicidade.

O corpo físico deve realmente ser tratado como verdadeiro templo, pois é o veículo que nos permite a vida encarnada, que como já discutimos, é um dos mais importantes instrumentos de aprendizado e evolução. A preocupação vaidosa com o corpo, é sentimento fútil, pois a verdadeira beleza se encontra no âmago dos sentimentos; mas, devemos cuidar do envoltório físico como cuidaríamos de uma máquina de valor incalculável, pois ela, como foi explicado, é de fato essa máquina. Pode-se dizer que o ditado “Corpo são, mente sã”; possui raízes no conceito da lei de causa e efeito, já que sabemos que o corpo é ferramenta fundamental para o nosso caminho evolutório, que é basicamente o nosso campo mental, e como tal, deve ser preservado com o melhor de nossas habilidades.

Com esses conceitos em mente, pode-se agora concluir o processo da morte do corpo físico propriamente dito. Como já foi explicado anteriormente, o espírito é o centro de individualidade que é mantido após a morte do corpo físico. Durante a vida corpórea, este espírito, então encarnado, permanece ligado ao corpo por intermédio do perispírito. Também foi explicado que as funções dos órgãos vitais estão diretamente ligadas ao chamado fluido vital.

Portanto, é natural entendermos que a morte do corpo físico se dá, primeiramente, pela interrupção do funcionamento destes órgãos vitais, o que é causada pelo esgotamento do fluido vital.

O esgotamento do fluido vital e a interrupção total do funcionamento dos órgãos do corpo ocasionam o desprendimento da ligação do perispírito com o corpo. Uma vez que este desligamento está completo, o espírito se encontra totalmente liberto do corpo físico, o que caracteriza então, a morte do corpo físico e a passagem de estado do espírito, de encarnado para espírito errante.

Os famosos milagres reportados no Evangelho, nos quais o Mestre Jesus trouxe pessoas de volta à vida, depois de consideradas mortas, podem ser explicados à luz da ciência Espírita.

Nessas pessoas, ainda que seus órgãos tenham parado de funcionar e tenham sido declaradas como mortas à luz da ciência material, seus fluidos vitais ainda não se encontravam totalmente esgotados, e, consequentemente, seus perispíritos ainda estavam ligados ao corpo físico. O ato de “ressurreição” praticado por Nosso Senhor pode ser entendido como uma revigoração do fluido vital dos enfermos, efetuado pelo Mestre, que proporcionou a volta do funcionamento dos órgãos, e consequentemente o reinício de suas funções motoras. Como foi mencionado anteriormente, o termo sobrenatural muito utilizado pelos homens, nada mais é que fatos além do nosso conhecimento, que ainda engatinham, sobre as leis naturais. O “milagre” da ressurreição de mortos praticados pelo Mestre, seguiu as leis da física Universal, que ainda não é totalmente dominada pela ciência humana.

Livro: Espiritismo: Filosofia, Ciência e Religião
Espíritos: Camile Flammarion e Jose de Anchieta

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