17 de maio de 2010

VARIADAS DE APTIDÕES



QUESTÃO 366 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Parte Segunda
Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos
CAPÍTULO VII
DA VOLTA DO ESPÍRITO À VIDA CORPORAL
Faculdades morais e intelectuais do homem
366. Que se deve pensar da opinião dos que pretendem que as diferentes faculdades intelectuais e morais do homem resultam da encarnação, nele, de outros tantos Espíritos, diferentes entre si, cada um com uma aptidão especial?
“Refletindo, conhecereis que é absurda. O Espírito tem que ter todas as aptidões. Para progredir, precisa de uma vontade única. Se o homem fosse um amálgama de Espíritos, essa vontade não existiria e ele careceria de individualidade, pois que, por sua morte, todos aqueles Espíritos formariam um bando de pássaros escapados da gaiola. Queixa-se, amiúde, o homem de não compreender certas coisas e, no entanto, curioso é verse como multiplica as dificuldades, quando tem ao seu alcance explicações muito simples e naturais. Ainda neste caso tomam o efeito pela causa. Fazem, com relação à criatura humana, o que, com relação a Deus, faziam os pagãos, que acreditavam em tantos deuses quantos eram os fenômenos no Universo, se bem que as pessoas sensatas, com eles coexistentes, apenas viam em tais fenômenos efeitos provindos de uma causa única - Deus.”
A.K. O mundo físico e o mundo moral nos oferecem, a este respeito, vários pontos de semelhança. Enquanto se detiveram na aparência dos fenômenos, os cientistas acreditaram fosse múltipla a matéria. Hoje, compreende-se ser bem possível que tão variados fenômenos consistam apenas em modificações da matéria elementar única.
As diversas faculdades são manifestações de uma mesma causa, que é a alma, ou do Espírito encarnado, e não de muitas almas, exatamente como diferentes sons do órgão, os quais procedem todos do ar e não de tantas espécies de ar, quantos os sons. De semelhante sistema decorreria que, quando um homem perde ou adquire certas aptidões, certos pendores, isso significaria que outros tantos Espíritos teriam vindo habitá-lo ou o teriam deixado, o que o tornaria um ser múltiplo, sem individualidade e, conseguintemente, sem responsabilidade. Acresce que o contradizem numerosíssimos exemplos de manifestações de Espíritos, em que estes provam suas personalidades e identidade.



COMENTÁRIOS DE MIRAMEZ
Os que acreditam que cada faculdade do ser humano tem um Espírito que lhe corresponde estão enganados, como estavam iludidos os que no passado acreditavam em vários deuses, apontando em cada fenômeno da natureza um Deus que seria a fonte do acontecimento.

Essa tese hoje caiu no esquecimento, anotando os mais entendidos que os deuses dos povos antigos eram Espíritos sob o comando do Pai Celestial.

A ciência divina nos mostra que todas as aptidões que o homem pode mostrar, em se movendo no corpo da carne, são qualidades da alma que se desenvolvem nas bênçãos do tempo, por vontade do Deus verdadeiro imortal. Compreende-se portanto, que o homem somente tem um Espírito com variadas manifestações dos seus dons, como sendo talentos espirituais, oferta do Senhor ao seu coração.

Cabe-nos buscar na própria matéria a realidade do que falamos: a ciência achava que a matéria era diversificada na sua estrutura, e a razão do equívoco são as suas modalidades diferentes. Hoje o homem inteligente reconhece que as expressões diferentes da matéria provêm da unidade da mesma, que em se movimentando, mostra diferenciações inúmeras; a matéria provém de um só elemento primitivo, assim como o Espírito, com todas as suas nuances de vida, de uma só fonte de vida – Deus.

A Doutrina do Espíritos tem a missão de nos levar a Deus pela sabedoria e pelo amor, porque o Senhor tem todas as aptidões na amplitude dos Seus poderes, e os Seus filhos trazem a sua semelhança, com dilatados poderes menores, que crescem de acordo com o tempo, nas bênçãos do espaço, somadas em esforço próprio, na dimensão exata do amor.

As afirmativas de que o homem é dotado de vários Espíritos devem ser ignoradas, porque a consciência em Cristo não dá crédito às ilusões desta forma, que fazem perder tempo no tempo que passa.

Certamente que o homem caminha e com ele muitos Espíritos que com ele afinam, sendo guias espirituais, ou inimigos com os mesmos sentimentos, mas que não estão ligados ao corpo desse homem pela lei da reencarnação.

É preciso compreender bem esse posicionamento teológico: um comandante de um exército, de um navio ou de um país é somente um, mas nem por isso ele deixa de ter muitos cooperadores, para que a harmonia se instale nas tropas, no barco e mesmo na nação.

Se tivéssemos muitos Espíritos para dirigir um corpo sequer, e quando eles entrassem em desacordo? Não é lógico pensar desta forma; são idéias soltas sem base na verdade, que o tempo faz desaparecer. Como na direção de cada planeta existe somente um diretor que, no caso da Terra, é Jesus Cristo. No entanto, os auxiliares são sem conta, para que a obra se aperfeiçoe. Se a Terra precisasse de um Espírito para encarnar nela, este seria o Cristo, responsável pela sua marcha em ascensão à vida superior.

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