2 de junho de 2010

A MISÉRIA E A OPULÊNCIA

As desigualdades sociais nas civilizações, através da História, significam, para muitos, uma injustiça de Deus, que pretensamente estabelece privilégios para alguns, em detrimento dos aparentes méritos de outros. Ninguém é trazido às lides reencarnatórias na Terra para gozar dos prazeres ilícitos oferecidos pela vida material. Nosso planeta é uma escola e ao mesmo tempo um cadinho de purificação, onde Espíritos em experiências sucessivas buscam o próprio aperfeiçoamento através dos entrechoques na vida comunitária, com vistas à conquista das condições que lhes assegurem a felicidade, o poder e a liberdade na vida eterna, que é a vida espiritual.

A riqueza material é uma das mais difíceis provas por que poderão passar os Espíritos encarnados na Terra e da qual poucos saem vitoriosos; isto porque a tendência natural dos homens é usá-la a serviço de suas paixões, criando confortos sofisticados e amealhando haveres cada vez em maior quantidade, que longe de lhe propiciarem a felicidade desejada, tornam-se motivo de preocupações e aflições pela fictícia necessidade de preservá-los, constituindo-se em pesado fardo que, ao final da existência, inexoravelmente ficará aquém-túmulo, já que não pertencem à vida espiritual.

Falindo pelo egoísmo, vaidade e orgulho em que se deixam mergulhar, os homens não aplicam de maneira fraterna e caridosa aqueles valores conquistados e, assim, comprometem-se com a lei do progresso, retardando sobremaneira a felicidade perene e verdadeira, objetivo real a ser alcançado.

A grande lei, a lei de causa e efeito, preside à vida até nos mais insignificantes aspectos e detalhes; fomos, somos e seremos regidos pela profunda lógica que ela encerra e faz com que seja a nossa vida, por toda a eternidade, uma consequência de nós mesmos, pelo que pensamos, dizemos e fazemos. Será interessante observarmos que uma das mais importantes características dessa lei é o automatismo de sua ação! Uma vez deflagrada a causa, o efeito correspondente estará determinado e eclodirá no momento oportuno, quando as condições eletivas se reunirem para otimizar a ação útil no caminho evolutivo da criatura.

O determinismo divino é o bem!

Fomos criados pela infinita bondade de Deus para o bem! O amor, que é a sua mais generalizada expressão, é a única força edificadora da ventura em todos os seus múltiplos aspectos. Quando, em decorrência das imperfeições que nos caracterizam, violamos o determinismo divino, criamos automaticamente o determinismo humano, ou seja, a necessidade de reparação e resgate com que restabeleceremos o equilíbrio interrompido. Este objetivo será alcançado mediante as reencarnações sucessivas, em cujo programa preestabelecido inserem-se as necessidades retificadoras.

As considerações aqui estabelecidas nos auxiliam a compreender as situações de penúria em que encarnam alguns irmãos, representados pelos párias, mendigos, famintos, ou por aqueles aos quais faltem quaisquer recursos que lhes permitam ganhar o próprio sustento com o trabalho honesto e bem remunerado.

Jesus, em seu Evangelho, oferece aos homens a maneira exata como devem conduzir-se na vida de relação com os semelhantes, toda vez que nossa ação envolver os direitos e as necessidades daqueles que nos cercam: Nunca façamos a ninguém o que não quisermos para nós mesmos.

MAURO PAIVA FONSECA
Reformador Ago/09

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