31 de julho de 2010

UM PANORAMA ESPIRITUAL DA DEPRESSÃO

A depressão é uma doença da alma. Sendo assim, infelizmente, a ciência materialista pouco pode fazer a não ser minimizar os sintomas do doente para que este possa conviver socialmente. Com isso, o máximo que ela consegue é limitar-lhe a capacidade mental e volitiva, afetiva e de memória.
Estima-se que 20% da população do planeta sofre deste terrível mal. Dados levantados por pesquisadores indicam que a depressão é a segunda maior causa de ausência no trabalho e metade dos deprimidos param de trabalhar e ter uma vida social. Normalmente, é catalogada pela medicina como uma enfermidade cujo tratamento é para a vida inteira, com 50% de chances de recaída.
A pior conseqüência da doença é o suicídio, uma vez que 15% desses nossos irmãos cometem este ato extremo.
Os principais sintomas são: insônia, tristeza persistente, desânimo, alteração do apetite, falta de energia, baixa produtividade, perda de prazer. Persistindo esses sintomas por mais de duas semanas significa que o indivíduo encontra-se em estado de crise.

Influências espirituais
O espiritismo, que define o Espírito como a essência do próprio ser, explica a depressão como uma doença espiritual, uma fase avançada do processo obsessivo, resultante do assédio persistente de espíritos inferiores sobre a mente do homem e dos que o circundam. Portanto, quem não acredita no Espírito, ou ainda, pouco conhecimento tem sobre sua natureza, não está em condições de conhecer-lhe a causa e muito menos de tratá-la.
A verdade é que todos os seres humanos possuem uma certa sensibilidade mediúnica, ou seja, uma determinada e variável predisposição orgânica em ser "suscetível" ao mundo espiritual que o circunda. Essa suscetibilidade ocorre em nível mental-emocional, de inteligência para inteligência, em que predomina a lei de sintonia. O teor do pensamento determina o tipo da sintonia que estabelecemos, consciente ou inconscientemente, com homens ou espíritos.
A maioria das depressões nascem de um processo obsessivo, normalmente decorrente de uma fraqueza moral que abre campo para espíritos malfazejos e mal intencionados que passam a impor sua vontade sobre a vontade do deprimido.
Os espíritos ainda arraigados à materialidade precisam de alimento energético. Como ninguém gosta de cogitar sobre isso, ainda mais fácil se lhes torna o assédio.

O aflorar da mediunidade
Desde o tempo de Allan Kardec os bons espíritos afirmam que, independentemente de crer ou não crer, a humanidade está alcançando um patamar evolutivo em que a torna mais sensível ao contato com os campos espirituais circunvizinhos à Terra. Estamos esbarrando no mundo espiritual e ainda não percebemos isso.
Ora, como é a sintonia que determina o tipo de contato com as inteligências das dimensões espirituais, para que se supere a depressão é necessário que o doente mude a sintonia que vem sustentando.

Interferências espirituais nocivas
Os efeitos da obsessão instalada são óbvios: o próprio doente sente-se confuso em identificar a própria personalidade. Seus pensamentos tornam-se confusos e contraditórios, o que lhe gera insegurança e medo. Num quadro mais agravado observa-se a fraqueza crescente, que é a perda de energia vital. Por isso, em muitos casos, o deprimido sente fortes dores no estômago (perda de energia pelo plexo solar).
Todas as pessoas viciadas, por exemplo, são médiuns conscientes ou inconscientes.
As interferências espirituais nocivas, causadas pela presença atuante de espíritos malfazejos, nada mais fazem do que dinamizar a inconsistência moral sustentada imprudentemente pelo deprimido.

A porta da alma se abre pelo lado de dentro
Quem trabalha efetivamente na doutrina espírita e atua num centro bem orientado sabe que é perfeitamente possível libertar-se, em breve tempo, do terrível flagelo que é a depressão.
De acordo com os Evangelhos, Jesus, o divino Mestre, outra coisa não fazia senão redirecionar a sintonia de inúmeros doentes do corpo e da alma para as esferas superiores do sentimento, com isso, curou inúmeros "endemoninhados" e "lunáticos".
É dele a máxima preventiva: "Vigiai e orai!"
O que a vítima da depressão precisa compreender e assimilar é o fato de que ninguém pode abrir a porta de nossa alma, mesmo que force, porque a fechadura está do lado de dentro. Somente nós mesmos podemos abrir a porta para aquilo que nos convêm.

Educando a sensibilidade
Uma das sustentações doutrinárias do espiritismo é fazer com que o ser humano se esforce para não entrar em sintonia com as faixas inferiores da vida. Ao contrário, sintonizar-se com as faixas superiores.
Para isso é fundamental aprender a discernir o próprio pensamento do pensamento invasor. Fatores que aborrecem devem ser vencidos. Trata-se de lutar ou se entregar, forçar resistência ao aparentemente irresistível componente depressivo. Reconhecer a própria força de vontade -normalmente, subjugada pela vontade do agente perturbador- e novamente fortalecê-la.
Pedir auxílio ao Criador é o segredo. Assumir, com humildade e confiança, a condição de necessitados espirituais que somos, reconhecendo o poder soberano da luz divina que nos abençoa constantemente e, para a qual estamos temporariamente impermeáveis, em função de nosso arbitrário acrisolamento na dor.
Não aceitar a tristeza em hipótese alguma. Nem a mágoa, nem a autopiedade, nem a busca de isolamento ou de fuga excessivas.

A depressão cessa com a mudança da sintonia espiritual
Muitos médiuns que hoje militam com segurança nas casas espíritas, equilibrados e sem alarde na mediunidade com Jesus, chegaram sob os mais constrangedores sinais de depressão. Alguns, com passagens em clínicas ou sanatórios para doentes mentais. Ainda assim, através da ajuda que permitiram a si mesmos, aproveitaram a boa acolhida dos benfeitores da casa, esforçaram-se no estudo edificante, na prece, na meditação, absorveram confiantes as energias revitalizadoras do passe e puderam "sentir a paz" proveniente dos bons espíritos que os assistem em nome de Deus.
Assim, uma vez reequilibrados, integraram-se no serviço de auxílio aos semelhantes, encaixaram-se nos trabalhos assistenciais e espirituais da casa mudando, conseqüentemente, a sintonia mental-emocional antes adotada para uma outra elevada e moralizada.
Isto é um fato muito comum não apenas no meio espírita e passível de comprovação.
Portanto, para superar a depressão é necessário mudar a sintonia espiritual. Como os bons espíritos que nos assistem não fazem outra coisa a não ser o bem, é imprescindível que, de nossa parte, aprendamos também a fazê-lo, o que, certamente, assegurará sua proteção e a possibilidade do desabrochamento seguro de nossas potencialidades latentes como filhos de Deus.

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Obras consultadas:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, tradução de J. Herculano Pires, EME Editora
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, tradução de Guillon Ribeiro, FEB
A Obsessão, de Allan Kardec, tradução de Wallace Leal Rodrigues, Editora O Clarim
Depressão, Cura-te a ti Mesmo, de Salvador Gentile, IDE

29 de julho de 2010

A REVELAÇÃO PROGRESSIVA

Tudo aparece na ocasião própria. A planta não nasce sem que a semente germine; a árvore não dá frutos antes da florescência; o progresso não chega sem que a Humanidade tenha atravessado as fases indispensáveis à maturidade da inteligência, em que o Espírito começa a indagar o porquê das coisas e a examinar o que o rodeia.

No tempo de Moisés o povo judaico não podia compreender o que compreendemos hoje; por isso o grande legislador hebreu escreveu a sua Gênese de forma mais compreensível e impressionante aos seus seguidores, sem aprofundar questões que só depois, com o cultivo do Espírito, poderiam ser resolvidas. E sabido o atraso intelectual e moral das gentes daquele tempo, em que predominava a lei do "dente por dente".

Em virtude de toda essa falta de compreensão, e havendo necessidade de traçar as primeiras linhas da Gênese, Moisés fez a raça humana proceder de um único casal, cuja lenda servia para embalar a imaginação infantil do seu povo, que, como a das crianças (e até a de muitos velhos) se satisfazia com a imagem que lhe era apresentada, prevalecendo essa estória fantástica para dar solução provisória à questão que começava a ser ventilada pelos Espíritos mais elevados daquele tempo.

E como poderia Moisés, o inspirado divino, mesmo que soubesse a estória da criação, ensiná-la a um povo de dura cerviz e que, depois de tantos prodígios operados pelos Espíritos para sua libertação do jugo dos egípcios, despojou-se das suas jóias para o fabrico do Bezerro de Ouro, ao qual adoraram como sendo o verdadeiro Deus?

Pois se no século dos aeroplanos, automóveis, telegrafia e telefonia, ainda encontramos muita gente de burel e de mitra, muitos literatos de borla e capelo, que repudiam com todas as suas forças o transformismo, a evolução pela escala zoológica, como poderiam os pobres escravos dos egípcios, que tinham acabado naquele instante de obter sua carta de liberdade, receber a Gênese tal como ela é?

A lenda adâmica estava muito bem para aqueles que começavam a festejar a sua libertação.

Somente duas raças eram conhecidas: a sua e a egípcia. Os Israelitas seriam os "primogênitos", descendentes diretos de Adão e Eva; os egípcios descenderiam de Caim (?), que, condenado por Deus, tornou-se progenitor daquele povo que depois as escravizou; e assim ficava tudo explicado para quem não podia compreender outra explicação.

Quanto à origem dos animais, se eles tiveram também o seu Adão e Eva, os hebreus não trataram de inquirir, e os nossos católicos e protestantes também não cogitam disso. Contentam-se em "saber" o que o texto bíblico diz: "No 5.° dia disse Deus: haja peixes e aves; e no 6.° dia: produza a Terra animais de toda a casta".



*



A Revelação é a base, é o fundamento sólido da Religião e da Ciência; e a Revelação é sucessiva, é gradativa. Na esfera religiosa, a Revelação é o grande ascensor da Humanidade para o progresso intelectual, moral e espiritual.

Foi sobre esta pedra que o Cristo fundou a sua Igreja. Desde os tempos patriarcais até a nossa época distinguimos quatro grandiosas revelações, que se vêm completando e explicando.

A primeira de todas foi a Revelação Abraâmica, na qual o Espírito Mensageiro do Alto se limitou a anunciar a existência de um só Deus, sem prescrever outra obrigação a não ser a do reconhecimento dessa verdade, de que fora portador.

Cerca de dois mil anos mais tarde, Moisés recebe, de um Eloin, Jeová, as Tábuas da Lei, com os Mandamentos do Decálogo, que constituem o começo do Código Divino.

Outros dois mil anos depois, vem Jesus, não mais falando a uma família, como aconteceu na Revelação Abraâmica, que se restringia à gente de Abraão, de Isaac e de Jacó; nem como na de Moisés, que se restringia aos Israelitas, mas estendendo o Mestre a sua Palavra, a sua ação, o seu Verbo à Humanidade toda, confraternizando-a sob a Paternidade de Deus!

Agora, após outros dois mil anos, vem o Espiritismo, que, reproduzindo a Palavra de Jesus; explica-a, amplia-a, como o Mestre havia prometido!

A Primeira, a Segunda e a Terceira Revelações são pessoais, quer dizer, foram dadas por intermédio de Pessoas, de indivíduos: a 1.ª por Abraão, a 2.ª é por Moisés, a 3.ª por Jesus.

A última Revelação, a Espírita, a Revelação das Revelações, é coletiva, e os representantes dessa coletividade que a acionam, são os próprios Espíritos, Mensageiros de Deus, que, sob a direção de Jesus Cristo, fazem prevalecer a Lei da Fraternidade, que eles assentam no fundamento sólido da Imortalidade.

Esta Revelação está destinada a fazer lembrar tudo o que Jesus ensinou e a guiar os homens, "ensinando-lhes todas as coisas" (João XIV, 26).

Sua base, como dissemos, é a Imortalidade, e o fim a que ela nos conduz é a Vida Eterna.

A Revelação Espírita brilhará sempre como luz de primeira grandeza, porque elas não limita à Terra a sua ciência, os seus ensinamentos. Vencendo as trevas da "morte", apresenta aos nossos olhos os inumeráveis mundos que caminham no infinito, as inumeráveis esferas fluídicas que serão nossas futuras habitações, onde recebemos, como prêmio dos nossos trabalhos, lições cada vez mais edificantes e substanciosas, para nossa completa felicidade!

Cairbar Schutel
A Gênese da Alma

28 de julho de 2010

A FUNÇÃO DA DOR

“Mas se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.”
– Pedro (I Pedro, 4: 16)

Deus ama a todos os Seus filhos igualmente, mas, é justamente por amar, que Ele permite a dor para que a evolução se realize.
A dor traz despertamento interior, levando o ser, em qualquer estágio evolutivo em que se encontre, a buscar corrigir em si próprio aquilo que precisa ser melhorado.
Ninguém veio a este mundo para sofrer. Contudo, se passas por momentos dolorosos ou se tens uma existência repleta de dificuldades ou de aflições, naturalmente é por resultado da tua própria imperfeição.
Deus, na Sua Onipotência e Onisciência, jamais condenaria um filho Seu ao sofrimento, apenas com o intuito de puni-lo. Ninguém em sã consciência, castigaria uma criança por ainda não saber agir como um adulto. Cada um a seu tempo e do modo que puder, conseguirá aos poucos, renovar-se para melhor e vencer as próprias fraquezas, inseguranças e outras imperfeições.
A dor é o santo remédio que o Pai da Vida, por Sua Misericórdia, a todos nós oferece para que tenhamos “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, diante das situações da vida que nos impulsionem a uma renovação de atitudes e, conseqüentemente, a um crescimento interior.
A evolução do espírito se faz de lutas, de esforço constante, de superação das dificuldades, mas também de aquisição de virtudes, a fim de que se consiga transformar em bem, o que estaria sendo um mal dentro de nós mesmos.
Não te atormentes pois, filho querido, se a vida hoje para ti se faz tão difícil! Seca as tuas lágrimas, apazigua o teu coração, reveste-te de paciência e coragem e, buscando dentro de ti mesmo uma vontade imensa de crescer, encontrarás a humildade suficiente para tudo saberes aceitar e suportar sem revolta, mas confiante de que tudo são nuvens passageiras em tua vida. Reconhecerás, com certeza, que a dor que hoje possas estar atravessando, são ensinamentos preciosos que te proporcionarão uma vida futura melhor.
Algo certamente, ainda precisas aprender. Analisa a ti mesmo e perceberás o que em ti precisa ser modificado. E, acima de tudo reconhecerás que a função maior da dor, é a de ensinar-nos a amar.

Irmã Maria do Rosário – médium: Lucia Cominatto

24 de julho de 2010

ELUCIDANDO

Admira-se você de que a Doutrina Espírita recrute, por vezes, criaturas de escassa instrução intelectual, para os seus misteres, e acentua quase sarcástico: -“Porque não aconselham vocês, os desencarnados, mais ampla cultura aos que se proponham ministrar os talentos espíritas? É estranho possa qualquer um ainda mesmo os que até ontem hajam manchado a própria vida com faltas confessas, penetrar-lhe as fileiras é atender-lhe as atividades!...”

E, no mesmo tom, misturando ironia e veemência, você suspira por uma organização primorosamente talhada, em que doutrinadores e médiuns se obriguem a exibir diplomas de especialização acadêmica, a fim de se consagrarem ao socorro dos semelhantes.

Creia que em nossa resposta não vai a mínima dose de menosprezo ao doutorado terrestre, nem julgue desconheçamos o valor de companheiros ilustres que militam no campo do Espiritismo.

São eles professores distintos, médicos respeitáveis, advogados e engenheiros, administradores e industriais. Surgem, prestimosos e dignos dos mais altos ministérios da vida pública, dos santuários da educação, dos quartéis da ordem, dos caminhos da arte e dos círculos da finança...

Entretanto, porque isso aconteça, não podemos esquecer que a Doutrina Espírita, revivendo o Evangelho, é o Cristianismo em ação por instituto de todos.

E o Cristianismo, exaltando embora a grandeza do cérebro, fala primeiramente às forças do coração.

Nesse sentido, recorde você, versado qual se mostra em letras sagradas, a atitude do Cristo nos alicerces da Boa Nova.

Lembrar-se-á, facilmente, de que o Senhor procurou, no início do apostolado, os doutores do Templo para entregar-lhes à ideação fulgurante aos tesouros do amor de que se fazia intérprete.

Decerto que os preclaros rabinos entraram em longas cogitações, acerca da verdade que lhes ouviam da boca, e tudo indica que o mestre esperou quase vinte anos pelos maiorais de Israel, todos eles chumbados ao vale da indecisão.

Entretanto, porque o demorado concurso não viesse da inteligência aperfeiçoada, procurou demandar o coração generoso. E vêmo-lo desistir da aristocrática hierosolimita para buscar a humildade dos Galileus.

Entende-se, então, com os espíritos simples, totalmente arredados da casuística, indenes de preconceitos sociais e dúvidas filosóficas.

Pretendia a libertação do povo cativo às trevas do mal e, por isso, importava, antes de tudo, o bem puro a fazer.

É assim que ergue da ignorância e do anonimato o rude agente de impostos que seria mais tarde o evangelista Mateus; o temperamento agressivo de Simão Pedro, que se transforma em timoneiro da fé; o bisonhice de Tiago, filho de Zebedeu, que se converteu em heroísmo na resistência moral, e a juventude ingênua de João, que se faz patrimônio de luz para a Humanidade.

Ele, que honorificou a mulher, integrando-a no respeito devido, não tem o beneplácito das herdeiras de Ester, a sobrinha de Mardoqueu que obteve perdão de Assuero para os judeus perseguidos, ou o destemor das sucessoras de Judite, a viúva famosa, que defendeu a raça hebréia, na luta contra os generais de Nabucodonosor, todas elas irrepreensíveis e imaculadas no fausto de vivendas floridas e suntuosas; mas encontra na pobre filha de Magdala, obsediada de sete gênios infernais, a mensageira da ressurreição, e nas mulheres sem nome, de Jerusalém, as companheiras fiéis de sua dor sob a cruz da morte, endereçando à posteridade Cristã o testemunho da compaixão feminina.

No quadro de Jesus, meu amigo, não falta nem mesmo Judas, o negociante que aspirava a ser bom, recebido por Ele com extremado carinho, mas que subitamente se vê sem forças para segui-lo, com a pureza de amor da primeira hora.

Como vê, a cooperação popular nas obras do Espiritismo não é assunto novo para quem se dedique ao exame do Testamento Divino.

Em problemas de espírito, nem sempre avançam na dianteira os que se vinculam à eminência no mundo.

E esteja convicto de que, se ao nosso lado respiram muitas almas, inclusive o pobre escriba desencarnado que lhe escreve esta carta, que até ontem mancharam a própria vida com faltas confessas, segundo a sua expressão feliz, é porque os chamados puros da Terra, quase sempre, no estojo tranquilo da suposta virtude, se recebem o apelo ao suor e à aflição, em serviço dos outros, raramente se animam a responder.

Livro Relatos da Vida - Psicografia Francisco C. Xavier - Espírito Irmão X

5 de julho de 2010

PESSIMISMO

Vez ou outra uma onda de pessimismo varre o País.

Fala-se em crise, crise muito séria, e a onda vai contaminando as pessoas.

Entra-se no Supermercado e escuta-se a reclamação dos preços. "Já não se pode comprar nada. O dinheiro não dá."

Mas quem assim fala não sai de mãos vazias. Ao contrário, sai com pacotes, pacotinhos e até sacolas.

"O salário está uma miséria."

Que ele anda defasado, está correto. Mas miséria é exagero.

O que ocorre é que se está pintando com tintas muito negras o céu do presente.

Tudo isso nos recorda de uma história que colhemos em revista de grande circulação nacional.

Um homem vivia na beira da estrada e vendia cachorro-quente.

Não tinha rádio e não lia jornais. Em compensação, seu cachorro-quente era muito especial.

Ele resolveu colocar um cartaz na beira da estrada, anunciando a sua mercadoria.

As pessoas paravam e compravam.

Então, ele aumentou o pedido de pão e salsichas, e acabou construindo uma mercearia.

O negócio cresceu. Ele resolveu chamar o filho que estudava na Universidade, para ajudá-lo a tocar o negócio.

O filho chegou e disse ao pai: "Papai, o senhor não tem ouvido rádio? Não tem lido jornais? Não sabe que há uma crise no País e que a situação internacional é muito perigosa?”.

Diante disso, o pai pensou: "Meu filho estudou na Universidade, ouve rádio e lê jornais. Ele deve saber o que está dizendo.”.

Então, reduziu os pedidos de pão e salsichas, tirou o cartaz da beira da estrada e não ficou mais por ali apregoando os seus cachorros-quentes.

As vendas caíram do dia para a noite.

Convencido, o pai disse ao filho: "Você tinha razão, meu filho, a crise é muito séria.”.

Crise se combate com trabalho, com bom ânimo, com esperança. Esperança de dias melhores.

Por mais semelhantes que sejam os dias não são iguais.

A chuva que ontem caiu não é a mesma de hoje, pois as gotas são outras.

O sol que ontem brilhou não o faz hoje da mesma forma.

A árvore da rua já não está com o mesmo número de folhas de ontem. O vento arrancou algumas outras caíram por si mesmas.

Há uma flor no jardim por onde você passa. Flor que ontem era só botão.

As pessoas que você encontra no ônibus, na rua não são exatamente as mesmas.

Já observou que nessas pequenas coisas está a mensagem de Deus de que nada se repete exatamente igual?

Cada dia é um novo dia.

Oportunidades novas, chances que se apresentam.

O sol que se mostra espancando as trevas da noite que teima em ficar é a mensagem do bom ânimo.

Sol, claridade, novo dia! Espanque as brumas do pessimismo com o sol do seu sorriso, com sua disposição de vencer!

Hoje é um dia sem igual! Horas como as de hoje nunca as tivemos antes.

Ânimo! Hoje é dia de vencer, de triunfar!

Tornemos o nosso fardo leve, com Jesus no coração e muita disposição para vencer. O cristão nasceu para ser um triunfador!

Você sabia?

...que Abraão Lincoln, o décimo sexto presidente dos Estados Unidos da América do Norte, se candidatou para a Câmara e para o Senado duas vezes e perdeu às duas vezes?

Durante a Guerra de Secessão perdeu diversas e importantes batalhas e perdeu a popularidade também.

E você sabia que ele nunca se mostrou pessimista e é considerado uma das mais notáveis personalidades da História da Humanidade?


Redação do Momento Espírita.

4 de julho de 2010

MAS O QUE É OBSESSÃO?

A Obsessão é um dos graves problemas que infelicitam a humanidade.

Ela pode afetar a qualquer um, em qualquer lugar do planeta.

Quando consegue atingir suas vítimas produz estragos sem conta.

Mas o que é a Obsessão?

Na doutrina espírita denominamos obsessão a toda influencia maléfica exercida por um espírito sobre um encarnado, ou exercida por um encarnado sobre um espírito, um encarnado sobre outro encarnado, e finalmente um espírito sobre outro espírito.

No presente exame vamos nos ater somente a obsessão de um espírito sobre um encarnado, porque é a forma que nos interessa de perto e não é diagnosticável pela ciência médica terrena.

Essa obsessão é difícil de ser percebida dado que o espírito é invisível para o encarnado e para as demais pessoas que são procuradas para auxiliá-lo. Daí a dificuldade de ser combatida.

A obsessão se dá quando um espírito por alguma razão busca prejudicar o encarnado. Os motivos podem ser os mais variados, mas os mais comuns são: ódio e vingança, ciúme, despeito, trabalhos de magia, vampirização, e atração por afinidade vibratória.

As motivadas pelo ódio são, obviamente, as reações de parte de quem sofreu agressões. A pessoa que sofre um malefício, uma agressão ou maldade e não perdoa o agressor, pode voltar-se contra ele buscando vingança. Esta obsessão é pérfida porque o obsessor escondido em sua invisibilidade pode atuar com liberdade junto ao encarnado pelo tempo que quiser. Assim ele procura insuflar pensamentos que visam perturbar o encarnado, podendo levá-lo a desesperação, depressão, confusão mental, doenças e até a morte. A par com a irradiação de pensamentos ruins e forças magnéticas constritoras, a sua proximidade causa penosa impressão no encarnado que lhe sente as emanações de ódio.

O processo de obsessão tem muitas facetas e formas de ser implantado, mas um dos recursos cruéis usados pelos obsessores é colocar junto ao encarnado, imantado a ele, um espírito infeliz, geralmente dementado, para manter o obsediado em permanente estado depressivo.

Quanto às obsessões causadas pelo ciúme, dão-se quando uma pessoa desencarnada não consegue se afastar da pessoa a quem ama, e se lança contra aqueles que dele ou dela se aproximam para um relacionamento. De outras vezes é quando o desencarnado vê que o seu amor que ficou aqui na Terra não se mantêm fiel “até a morte” como ele (ou ela) desejaria, e lança-se contra o seu antigo amor cobrando fidelidade. Ainda pode ocorrer que um espírito reencontra um ser amado após muito tempo, séculos, e que não se conforma de ver que o outro (ou a outra) segue sua vida, com outro amor. Estes são apenas alguns exemplos de casos de obsessão causados por ciúme, mas muitas outras formas podem existir na manifestação deste vicio moral que nos institue como “donos” daqueles a quem amamos.

A obsessão causada pelo despeito é quando um desencarnado não suportando ver o sucesso de alguém, moído de inveja lança-se contra o encarnado visando derrubá-lo de sua atual situação. Seja por motivo de sucesso financeiro, seja de uma conquista amorosa, ou por uma posição de destaque ou poder, e até do sucesso que alguém faz na conquista da sua elevação moral e espiritual.

A obsessão causada por “trabalhos de magia”, são os ataques de espíritos que foram requisitados por outros – geralmente encarnados – mediante pagamento, para perturbar algum encarnado. O objetivo pode ser para afastar um concorrente do seu caminho na conquista de uma promoção no emprego, na concorrência de negocios, na conquista de um amor, ou qualquer outro motivo em que uma pessoa deseja o que outro tem ou que poderá obter em seu lugar. Às vezes também é somente para fazer alguma maldade a alguém de quem não se goste.

Quanto a vampirização, trata-se da obsessão de um desencarnado sobre um encarnado que busca se aproveitar do vicio deste para satisfazer as suas paixões, visto que não tendo corpo físico, não tem como desfrutá-los senão por intermédio de uma ligação mental com uma pessoa encarnada. Assim, aqueles encarnados que se comprazem no consumo do álcool, da gula, das drogas, do fumo, do vicio do jogo, da maledicência, do sexo desregrado ou desnaturado, taras, e de qualquer outro desvio de comportamento que interesse a um desencarnado, pode considerar-se como potencial vitima de uma vampirização. Mas o que é isso? Vampirização é quando um desencarnado liga-se a um encarnado através dos seus fios mentais, quase que numa incorporação mediúnica. O desencarnado, por desejar cada vez mais locupletar-se, procura induzir o encarnado mais profundamente no vicio, levando-o muitas vezes a graves viciações que poderão redundar em perigosas enfermidades e até na morte.

E por fim, a obsessão por afinidade vibratória é quando uma pessoa vibrando negativamente por qualquer motivo, atrai por semelhança vibracional espíritos na mesma faixa de sintonia. Assim, como uma pessoa muito lamurienta e queixosa, que vive a dizer que é a ultima das criaturas, a mais sofrida, etc. poderá atrair espíritos que pensam da mesma maneira agravando um o estado do outro por uma simbiose nefasta. Outros que desconfiam sistematicamente do próximo, ou pensam sempre o pior das outras pessoas, tem comportamento raivoso e irado, impaciência crônica, crêem-se melhor do que os outros, querem mandar em tudo e em todos, que procuram trabalhos de magia, etc., podem atrair espíritos que concordam com sua forma de ser e sentindo-se bem ao lado desses encarnados, passam sem querer a ser seus obsessores involuntários, apoiando suas ações, num conúbio prejudicial a ambos.

O processo obsessivo é uma nefasta influencia que começa devagar e vai se consolidando na medida em que o encarnado não lhe opõe resistência, ou não busca socorro.

As pessoas que ouvem falar sobre a obsessão pela primeira vez, costumam se perguntar por que simplesmente o encarnado não repele o obsessor, ou porque Deus permite que tal violência seja cometida. Na verdade, o encarnado tem dificuldade de rechaçar tal influencia pelos seguintes motivos: no caso de vingança, ele tem a consciência pesada pelo crime que cometeu. Vê na pessoa do seu atual verdugo, a sua vitima do passado que vem cobrar desforra, e seu sentimento de culpa lhe dificulta ignora-lo e se afastar de sua perseguição. Em momentos do sono noturno, quando o espírito pode se afastar um pouco do corpo físico, o encarnado entra em contato com o mundo espiritual, e vê o seu obsessor cara a cara, sentindo muitas vezes extremo pavor, sendo isto causa de maior infortúnio e sofrimento.

Nos casos de ciúme é porque a vitima de qualquer forma tem uma ligação anterior com o obsessor e a dificuldade em afasta-lo(a) é a mesma que uma pessoa tem de afastar um assédio deste tipo aqui na Terra, com o agravante de que quem assedia está invisível.

Por despeito e trabalhos de magia, a dificuldade de se auto proteger reside simplesmente na invisibilidade do obsessor e no desconhecimento da maioria das pessoas sobre esses assuntos, o que as leva a atribuírem o desconforto a causas terrenas, e assim não combatem ou reagem contra a verdadeira causa de seus males.

Nos casos de vampirização, o desvio de conduta parte antes do próprio encarnado, que pelas suas preferências e ações atrai os espíritos que acabam por incomoda-lo(a) ou obsedia-lo(a).

Nos casos de afinidade vibratória, novamente a atração parte dos encarnados e a presença de espíritos perturbadores é mera conseqüência de sua forma de ser ou de agir.

E quanto à outra indagação – porque Deus permite – não é que Deus permita ou não tal maldade, é porque simplesmente a Lei de Causa e Efeito está se manifestando. A lei foi instituída por Deus e visa guiar-nos para a evolução, dando a cada um o fruto de seus atos. Como as criaturas ainda não aprenderam a comportar-se somente na diretriz do bem, e cometem faltas contra o próximo e contra si mesmas, colhem naturalmente as conseqüências de seus atos, e isso pode significar a presença de obsessores influenciando estes resgates ou desvios de comportamento. Portanto, não é uma sentença divina, mas reação natural a uma ação atual ou pregressa. Não se trata de Deus permitir ou não, mas simplesmente o resultado natural da nossa imprevidência.

Mas se é assim, por que se procura afastar o obsessor, já que ele está de certa forma cumprindo a lei de reação? Por três motivos muito importantes.

Primeiro: para evitar que o mal se perpetue. Quando um se vinga, pode induzir o outro a se vingar por sua vez, e mais adiante este um se vingará de novo do outro, que mais a frente se vingara do um, num moto continuo que só se desfazerá no dia que um deles vier a perdoar.

Segundo: para livrar o obsessor de penas futuras, pois o ato de vingança ou assedio não tem justificativa e gera um novo carma que deverá ser resgatado. Então, nos casos de vingança, aquele que se vinga porque sofreu – sofrimento este que serviu para resgatar um debito do seu passado – estará criando um novo debito para si mesmo no futuro. E nos outros casos porque qualquer perturbação que se faz aos outros ser-nos-a causa de sofrimentos no futuro.

Terceiro: para que o resgate ou aprendizado do encarnado se cumpra de forma natural, e não induzida por um espírito.

O espírito que busca vingança está agindo incorretamente, pois está querendo fazer justiça pelas próprias mãos. A ninguém é dado tomar a justiça de Deus em suas mãos. Nem na lei terrena se admite isso. O homem aqui na Terra não pode se vingar do seu adversário. Ele pode somente denuncia-lo as autoridades para que a lei dos homens aja e se faça a justiça. Também na lei de Deus é assim.

E os espíritos que perturbam os encarnados sob qualquer pretexto estão na verdade perturbando a ordem das coisas e sofrerão as conseqüências.

Mas como lutar contra este terrível mal que é a Obsessão?

A medicina e a psicologia terrena não conseguem ajudar, porque desconhecem a parte espiritual do problema. Ou seja, desconhecem a verdadeira causa. Tratando desses obsidiados como doentes comuns conseguem apenas classifica-los nas patologias mentais corriqueiras, tratando-os com medicamentos calmantes ou anti-ansioliticos, quando não terminam por interná-los em clinicas psiquiátricas. Em outras palavras, nada conseguem fazer.

O caminho mais adequado para se obter a cura desse mal é através da identificação da sua verdadeira causa, e do tratamento conveniente dessa causa. Para identificá-lo e trata-lo é necessário conhecer-se o mundo espiritual na sua verdadeira expressão, e sabemos que atualmente somente a Doutrina Espírita esclarece como é o mundo espiritual e suas manifestações. Portanto, somente numa casa espírita poderá um obsediado encontrar o adequado tratamento.

Assim, caso você sinta um desconforto renitente e não identifique o porque, desconfie de uma obsessão. Caso se defronte com um caso similar em um familiar ou em um amigo, ou em si mesmo, não vacile! Procure o mais rapidamente possível o socorro numa casa espírita, sabendo que a obsessão se torna mais grave com o passar do tempo e, portanto fica mais difícil de ser tratada, como qualquer doença.