29 de julho de 2010

A REVELAÇÃO PROGRESSIVA

Tudo aparece na ocasião própria. A planta não nasce sem que a semente germine; a árvore não dá frutos antes da florescência; o progresso não chega sem que a Humanidade tenha atravessado as fases indispensáveis à maturidade da inteligência, em que o Espírito começa a indagar o porquê das coisas e a examinar o que o rodeia.

No tempo de Moisés o povo judaico não podia compreender o que compreendemos hoje; por isso o grande legislador hebreu escreveu a sua Gênese de forma mais compreensível e impressionante aos seus seguidores, sem aprofundar questões que só depois, com o cultivo do Espírito, poderiam ser resolvidas. E sabido o atraso intelectual e moral das gentes daquele tempo, em que predominava a lei do "dente por dente".

Em virtude de toda essa falta de compreensão, e havendo necessidade de traçar as primeiras linhas da Gênese, Moisés fez a raça humana proceder de um único casal, cuja lenda servia para embalar a imaginação infantil do seu povo, que, como a das crianças (e até a de muitos velhos) se satisfazia com a imagem que lhe era apresentada, prevalecendo essa estória fantástica para dar solução provisória à questão que começava a ser ventilada pelos Espíritos mais elevados daquele tempo.

E como poderia Moisés, o inspirado divino, mesmo que soubesse a estória da criação, ensiná-la a um povo de dura cerviz e que, depois de tantos prodígios operados pelos Espíritos para sua libertação do jugo dos egípcios, despojou-se das suas jóias para o fabrico do Bezerro de Ouro, ao qual adoraram como sendo o verdadeiro Deus?

Pois se no século dos aeroplanos, automóveis, telegrafia e telefonia, ainda encontramos muita gente de burel e de mitra, muitos literatos de borla e capelo, que repudiam com todas as suas forças o transformismo, a evolução pela escala zoológica, como poderiam os pobres escravos dos egípcios, que tinham acabado naquele instante de obter sua carta de liberdade, receber a Gênese tal como ela é?

A lenda adâmica estava muito bem para aqueles que começavam a festejar a sua libertação.

Somente duas raças eram conhecidas: a sua e a egípcia. Os Israelitas seriam os "primogênitos", descendentes diretos de Adão e Eva; os egípcios descenderiam de Caim (?), que, condenado por Deus, tornou-se progenitor daquele povo que depois as escravizou; e assim ficava tudo explicado para quem não podia compreender outra explicação.

Quanto à origem dos animais, se eles tiveram também o seu Adão e Eva, os hebreus não trataram de inquirir, e os nossos católicos e protestantes também não cogitam disso. Contentam-se em "saber" o que o texto bíblico diz: "No 5.° dia disse Deus: haja peixes e aves; e no 6.° dia: produza a Terra animais de toda a casta".



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A Revelação é a base, é o fundamento sólido da Religião e da Ciência; e a Revelação é sucessiva, é gradativa. Na esfera religiosa, a Revelação é o grande ascensor da Humanidade para o progresso intelectual, moral e espiritual.

Foi sobre esta pedra que o Cristo fundou a sua Igreja. Desde os tempos patriarcais até a nossa época distinguimos quatro grandiosas revelações, que se vêm completando e explicando.

A primeira de todas foi a Revelação Abraâmica, na qual o Espírito Mensageiro do Alto se limitou a anunciar a existência de um só Deus, sem prescrever outra obrigação a não ser a do reconhecimento dessa verdade, de que fora portador.

Cerca de dois mil anos mais tarde, Moisés recebe, de um Eloin, Jeová, as Tábuas da Lei, com os Mandamentos do Decálogo, que constituem o começo do Código Divino.

Outros dois mil anos depois, vem Jesus, não mais falando a uma família, como aconteceu na Revelação Abraâmica, que se restringia à gente de Abraão, de Isaac e de Jacó; nem como na de Moisés, que se restringia aos Israelitas, mas estendendo o Mestre a sua Palavra, a sua ação, o seu Verbo à Humanidade toda, confraternizando-a sob a Paternidade de Deus!

Agora, após outros dois mil anos, vem o Espiritismo, que, reproduzindo a Palavra de Jesus; explica-a, amplia-a, como o Mestre havia prometido!

A Primeira, a Segunda e a Terceira Revelações são pessoais, quer dizer, foram dadas por intermédio de Pessoas, de indivíduos: a 1.ª por Abraão, a 2.ª é por Moisés, a 3.ª por Jesus.

A última Revelação, a Espírita, a Revelação das Revelações, é coletiva, e os representantes dessa coletividade que a acionam, são os próprios Espíritos, Mensageiros de Deus, que, sob a direção de Jesus Cristo, fazem prevalecer a Lei da Fraternidade, que eles assentam no fundamento sólido da Imortalidade.

Esta Revelação está destinada a fazer lembrar tudo o que Jesus ensinou e a guiar os homens, "ensinando-lhes todas as coisas" (João XIV, 26).

Sua base, como dissemos, é a Imortalidade, e o fim a que ela nos conduz é a Vida Eterna.

A Revelação Espírita brilhará sempre como luz de primeira grandeza, porque elas não limita à Terra a sua ciência, os seus ensinamentos. Vencendo as trevas da "morte", apresenta aos nossos olhos os inumeráveis mundos que caminham no infinito, as inumeráveis esferas fluídicas que serão nossas futuras habitações, onde recebemos, como prêmio dos nossos trabalhos, lições cada vez mais edificantes e substanciosas, para nossa completa felicidade!

Cairbar Schutel
A Gênese da Alma

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