23 de agosto de 2010

POLÍTICA À LUZ DO ESPIRITISMO


Votemos conscientes...

Aurélio Buarque de Holanda, no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa, nos diz que "política é o ramo das ciências sociais que trata da organização e do governo dos estados"; "é ciência ou arte de dirigir os negócios públicos".
Allan Kardec, em Obras Póstumas (Cap. Credo Espírita), assegura que "a doutrina espírita não se limita a preparar o homem para o futuro, forma-o também para o presente, para a sociedade; melhorando-se moralmente, os homens prepararão na Terra o reinado da paz e da fraternidade".
Os Espíritos afirmam, na q.573 do Livro dos Espíritos, que a nossa missão enquanto espíritos encarnados é "instruir os homens, ajudá-los a avançar, melhorar as suas instituições, por meios diretos e materiais".
Conseqüentemente, mediante uma análise mais aprofunda e isenta de preconceitos, percebe-se o quanto existe de afinidade entre a filosofia política e a filosofia espírita.
A 3a. parte do Livro dos Espíritos, que Kardec classificou como Leis Morais, é um claro, transparente e fraterno código de direitos e deveres entre criaturas, quando, por exemplo, detalha as leis de sociedade, de igualdade, de liberdade, de conservação, de reprodução, do trabalho, de justiça, amor e caridade etc; leis que uma vez assimiladas e postas em prática estabelecerão efetivamente entre nós o "reinado da solidariedade e da fraternidade, que será forçosamente o da justiça para todos; e o da justiça será o da paz e da harmonia entre os indivíduos, as famílias, os povos e as raças" (O.P. - Cap. Questões e Problemas).
Na verdade, a doutrina espírita é, sem dúvida, basicamente educativa e esclarecedora; não nos vende ilusões nem formula falsas promessas ou alimenta esperanças infundadas. Demonstra claramente que, embora amparados pelos bons amigos espirituais, somos responsáveis pelas nossas escolhas e atitudes delas decorrentes.
Por isso, Kardec ainda afirma que "por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhe desfigurarão o espírito para a explorarem em proveito próprio. Quando os homens forem bons, organizarão boas instituições (...) A questão social está toda no melhoramento moral dos indivíduos e das massas (...) Aí está a verdadeira chave da felicidade humana, porque então os homens não mais cogitarão de se prejudicarem reciprocamente. Não basta se cubra de verniz a corrupção, é indispensável extirpá-la" (O.P. - Cap.Credo Espírita).
Que atualidade constatamos nesses esclarecimentos! E muitos e muitos outros ainda poderiam ser citados comprovando a interrelação entre os princípios espiritistas e os princípios ético-fraternos que devem reger não só a ciência política, mas todas as outras que atuam e influenciam nossa vida social. Hoje (felizmente) já podemos tomar conhecimento abertamente, através de diversos meios de comunicação, de tantos atos arbitrários e inescrupulosos cometidos no decorrer de tantos anos por pessoas que outrora eram símbolo de respeitabilidade - juízes, desembargadores, fiscais, políticos, médicos, religiosos...
Essa devassa, exposta muitas vezes de forma contundente, dando a impressão de que regredimos moralmente em lugar de avançar, é que nos permitirá a "extirpação da corrupção", o saneamento de sentimentos inferiores a serviço do personalismo e de interesses pessoais excusos. Na q.789 do Livro dos Espíritos, os Espíritos nos encorajam explicando acerca do momento em que "o excesso do mal nos faz compreender a necessidade do bem e das reformas".
Portanto, nós espíritas, assim como todos os demais cidadãos que almejam condições sociais adequadas, não podemos simplesmente dizer (como tantas vezes acontece em todos os meios) que"política é coisa ruim", que "nenhum político presta" e, a partir daí, nos omitirmos, deixando de cumprir com a nossa "missão de espíritos encarnados".
Aproxima-se mais um ano de eleições, mais uma oportunidade de utilizarmos um "meio direto e material", ou seja, o nosso voto, para auxiliar o progresso geral e a implantação do "reinado da justiça". Vamos começar a observar agora (se ainda não o fazemos) o comportamento e as ações daqueles ora imbuídos de poder executivo e legislativo, a fim de passarmos a nossa procuração (porque na verdade é isso o nosso voto - uma procuração para alguém agir em nosso nome a benefício da coletividade) de forma consciente e esclarecida; a fim de realizar o nosso dever sócio-político de cidadãos, de "homens de bem", em conformidade com os princípios regidos pelas Leis Morais, que em suma são as Leis Divinas.

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