30 de setembro de 2010

PARÁBOLA DA FIGUEIRA ESTÉRIL


“Pela manhã, ao voltar Jesus à cidade, teve fome. E vendo uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e não achou nela senão folhas; e disse-lhe: Nunca jamais nasça de ti frutos, no mesmo instante secou a figueira. E vendo isto os seus discípulos maravilharam-se e perguntaram: Como é que repentinamente secou a figueira? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que se tiverdes fé e não duvidardes, fareis não só o que foi feito à figueira, mas até se disserdes a este monte: Levanta te e lança-te ao mar, isto será feito; e tudo o que, com fé, pedirdes em vossas orações, haveis de receber.”
(Mateus, XXI 18-22. – Lucas, XIII, 6-9.)

Magnífica parábola! Estupendo ensinamento! Qual lições aprendemos nestes poucos versículos do Evangelho!
Se encararmos a narrativa pelo lado científico, observaremos a morte de uma árvore em virtude de uma grade descarga de fluidos magnéticos, que imediatamente secaram a mesma.
A Psicologia Moderna, com suas teorias edificantes e substanciosas, e com seus fatos positivos, mostra-nos o poder do magnetismo que utiliza os fluidos do Universo para destruir, conservar e vivificar.
A cura das moléstias abandonadas pela Ciência Oficial e a mumificação de cadáveres, pelo magnetismo, se acham registrados nos anais da História, não deixando mais dúvida a esse respeito.
No caso da figueira não se trata de uma conservação mas, ao contrário, de uma destruição, semelhante à destruição das células prejudiciais e causadoras de enfermidades, como na cura dos dez leprosos, e outras narradas pelos Evangelhos.
A figueira não dava fruto porque sua organização celular era insuficiente ou deficiente, e Jesus, conhecendo se mal, quis dar uma lição a seus discípulos, não só para lhes ensinar a terem fé, mas também para lhes fazer ver que os homens e as instituições infrutíferas, como aquela árvore, sofreriam as mesmas conseqüências.
Pelo lado filosófico, realça da parábola a necessidade indispensável da prática das boas obras, não só pelas Instituições, como pelos homens.
Um indivíduo, por mais bem vestido e mais rico que seja, encaramujado no seu egoísmo, é semelhante a uma figueira, da qual, em nos aproximando, não vemos mais que folhas.
Uma instituição, ou uma associação religiosa, onde se faça questão de estatuto, de cultos, de dogmas, de mistérios, de ritos, de exterioridades, mas que não pratique a caridade, não exerça a misericórdia; não dê comida aos famintos, roupa aos nus, agasalho e trato aos doentes; não promova a propaganda do amor ao próximo, da necessidade do erguimento da moral, do estabelecimento a verdadeira fé, essa instituição ou associação, embora tenha nome de religiosa, embora se diga a única religião fora da qual não há salvação (como acontece com o Catolicismo de Roma), não passa de uma “figueira enfolhada, mas, sem frutos”
O de que precisamos da árvore são os frutos. O de que precisamos da religião são as boas obras.
Os dogmas só servem para obscurecer a inteligência; os sacramentos, para falsear os ensinos do Cristo; as festas, passeatas, procissões, imagens, etc., para consumir dinheiro em coisas vãs e iludir o povo, com um culto que foi condenado pelos profetas dos tempos antigos, no Velho Testamento, e por Jesus Cristo, no Novo Testamento.
A Religião do Cristo não é a religião das “folhas” mas, sim, a dos frutos!
A Religião do Cristo não consiste nesse ritual usado pelas religiões humanas.
A Religião do Cristo é a da Caridade, é a do Espírito é a da Verdade!
A fé que o Cristo preconizou, não foi, portanto, a fé em dogmas católicos ou protestantes, mas, sim, a fé na Vida Eterna, a fé na existência de Deus, a fé, isto é, a convicção da necessidade da prática da Caridade!
Aquele que tiver essa fé, aquele que souber adquiri-la, tudo o que pedir em suas orações, sem dúvida receberá, porque limitará seus pedidos àquilo que lhe for de utilidade espiritual, assim como se tornará apto a secar figueiras, dessas figueiras que perambulam nas ruas seguidas de meia dúzia de bajuladores; dessas figueiras, como as religiões sem caridade, que iludem incautos com promessas ilusórias, e com afirmações temerosas sobre os destinos das almas.
A figueira sem frutos é uma praga no reino vegetal, assim como os egoístas e avarentos são pragas na Humanidade, e as religiões humanas são pragas prejudicialíssimas à Seara do Senhor.
Não dão frutos; só contêm folhas.
Estudada pelo lado científico, a parábola é um portento, porque, de fato, Jesus, com uma palavra, fez secar a figueira. Nenhum sábio da Terra é capaz de imitar o Mestre!
Encarada pelo lado filosófico, a lição da figueira que secou é um aviso do que vai acontecer aos homens semelhantes à figueira sem frutos; e às religiões que igualmente só têm folhas!
Nesta Parábola aprende-se ainda que a esterilidade, parece, é mal inevitável! Em todas as manifestações da natureza aqui e ali, se vê a esterilidade como que desnaturando a criação ou transviando a obra de Deus!
Nas plantas, nos animais, nos humanos, a esterilidade e é a nota dissonante, que estorva a harmonia universal. Na Ciência, na Religião, na Filosofia, até na Arte e a Mecânica, o ferrete da esterilidade não deixa de gravar o seu sinal infamante!
Acontece, porém, que chegado o tempo propício, a obra estéril desaparece para não ocupar inutilmente o campo de ação onde se implantou.
A figueira estéril da Parábola é a exemplificação de todas essas manifestações anômalas que se desdobram às nossas vistas.
Para não sair do tema em que devemos permanecer constitui o objeto deste livro, vamos comparar a figueira estéril com as Ciências humanas e as religiões sacerdotais A primeira vista não parece ao leitor que a Parábola adapta perfeitamente a estas manifestações do pensamento absoluto e autoritário?
Vemos uma árvore, reconhecemos nessa árvore uma figueira; está bem entroncada, bem enfolhada, bem adubada, vamos procurar figos e nem uma fruta encontramos!
Vemos uma segunda “árvore”, que deve ser a da Vida, reconhecemos nela uma religião que já permanece há muitos anos e vem sendo transmitida de geração a geração; procuramos nela verdades que iluminem, consolos que fortifiquem, ensinos que instruam, fatos que demonstrem, e nada disso achamos, a despeito da grande quantidade de adubo que lançam em redor dessa mesma “árvore”!
O que falta ao Catolicismo Romano para assim se encontrar desprovido de frutos? Faltam- lhe porventura igrejas, fiéis, dinheiro, livros, sabedoria?
Pois não tem ele seus sacerdotes no mundo todo, suas catedrais pomposas, seus templos?
Não tem elo com o seu papa a maior fortuna que há no mundo, completamente estéril, quando deveria converter esses tesouros, que os ladrões alcançam, naquele outro tesouro do Evangelho, inatingível aos ladravazes e aos vermes? Não tem ele milhões e milhões de adeptos que sustentam toda a sua hierarquia?
Por que não pode a Igreja dar frutos demonstrativos do verdadeiro amor, que é imortal? Por que não pode demonstrar a imortalidade da alma, que é a melhor caridade que se pode praticar?
E o que diremos dos seus ensinos arcaicos e irrisórios, semelhantes às folhas enferrujadas de uma figueira velha? do seu dogma do Inferno eterno; do seu artigo de fé sobre a existência do Diabo; dos seus sacramentos e mistérios tão caducos e absurdos, que chegam a fazer de Deus um ente inconcebível e duvidoso?!
E assim como é a religião, é a ciência de homens, desses mesmos homens que, embora completamente divergentes dos ensinos religiosos dos padres, por preconceito e por servilismo andam com eles de braços dados, como se cressem na “fé” pregada pelos sacerdotes! Essa ciência terrena que todos os dias afirma e todos os dias se desmente!
Essa ciência que ontem negou o movimento da Terra e hoje o afirma; que preconizou a sangria para depois condená-la; que proclamou as virtudes do emético para anos depois execrá-lo como um deprimente; que hoje, de seringa em punho, transformou o homem num laboratório químico, para, amanhã ou depois, condenar como desumano esse processo!
E o que falta à Ciência para solucionar esse problema da morte, que lhe parece como fantasma funesto? Faltar-lhe-á “adubo”? Mas não estão aí tantos sábios? não tem ela recursos disponíveis para investigação e experiência? não lhe aparecem a todos os momentos fatos e mais fatos de ordem supra-materiais, meta-materiais para serem estudados com método?
Senhor! Está vencido o ano que concedeste para que cavássemos em roda da “árvore” e deitássemos adubo para alimentar e fortificar suas raízes! Ela não dá mesmo frutos e os adubos que temos gasto só têm servido para tornar a árvore cada vez mais frondosa e enfolhada, prejudicando assim o já pequeno espaço de terreno! Manda cortá-la e recomenda a teus servos que não só o façam, mas que também lhe arranquem as raízes! Ela ocupa terreno inutilmente.
Em três dias faremos nascer em seu lugar uma que preencha os seus fins, e tantos serão seus frutos que a multidão que nos rodeia não vencerá apanhá-los!
A esterilidade é mal incurável, que se manifesta nas coisas físicas e metafísicas. Há pessoas que são estéreis em sentimentos afetivos, outras em atos de generosidade, outras o são para as coisas que afetam a inteligência. Por mais que se ensinem, por mais que se exaltem, por mais que se ilustrem, as mesmas, permanecem como a figueira da Parábola: não há esterco, não há adubos, não há orvalho, não há água que as façam frutificar! Estas, só o fogo tem poder sobre elas!

29 de setembro de 2010

A COLABORAÇÃO DOS ESPÍRITOS

Não se pode separar o conceito doutrinário do todo para uma das partes: ele vale, no caso do Espiritismo, para seu tríplice aspecto e, como Doutrina dos Espíritos, não há que duvidar que a unanimidade das informações que trazem até nós, em qualquer parte do mundo, é que fundamenta seus princípios e neles incluídos os religiosos.

A Codificação é única e fundamenta-se nas obras de Kardec. Qualquer inovação que não seja coerente com seus postulados e que se restrinjam a grupos, não representa o Espiritismo. Não se admitem diversificações como Espiritismo-cristão (o roustaingismo), Espiritismo Ciência, Espiritismo de Mesa, Alto Espiritismo – principalmente estes últimos, por serem aberrações – e que mais, com introdução de obras inovadoras que modifiquem seus conceitos ou que introduzam novas ideias que não tenham o amparo no fenômeno, na sua comprovação ou na razão.

Só há um e único Espiritismo, o codificado por Allan Kardec.

Também não é válido diversificar as partes do tríplice aspecto, moldando aquela que não agrade porque Doutrina é um todo sem mutilações. Até mesmo as presente s considerações estão sujeitas ao mesmo crivo.

Nenhuma corrente doutrinária anterior a Kardec pode ser tida como sua predecessora: o Espiritismo nasceu com Kardec e, pelo fato de ser mediunista, nenhuma outra similar poderá ser considerada espírita; este neologismo nasceu para definir apenas o que advém da análise do mestre lionês atualizado pelos novos conhecimentos que o homem adquira, sempre coerente com sua base e nunca diversificado dela. Portanto, não existe Espiritismo antes de Allan Kardec.

O fundamento doutrinário do Espiritismo, sem dúvida está inserto no primeiro livro escrito pelo codificador, que é O Livro dos Espíritos (LE), um acervo geral que mostra, a partir de Deus e da Criação, todo o aspecto filosófico-religioso dos ensinamentos dos Espíritos.

Segue-se a ele O Livro dos Médiuns (LM) que contém os principais tópicos da fenomenologia e esgota o assunto com grande profundidade de conhecimento; é, assim, o segundo mais importante livro da codificação porque nos dá o conhecimento do processo de intercomunicação com o Além. Como tal, é, sem dúvida, o tratado científico da fenomenologia dita paranormal.

Contudo, o livro onde Kardec conceitua a doutrina dos espíritos é o mais ignorado por todos porque estabelece fundamentos que contrariam muita tendência religiosa existente. É ele O Que é o Espiritismo, onde define, sem contestações, o que vem a ser a obra por ele codificada, exemplificando sua explanação e estabelecendo seus princípios.

Reponde a uma série de indagações; nele, Kardec confirma a existência da parte religiosa, afirmando categoricamente, em diálogo com um padre, que a Codificação possui todos os fundamentos religiosos essenciais para substituir qualquer outra religião, como será dito adiante. E é, segundo o próprio Kardec, a principal obra dele, neste campo.

O quarto livro, sem ser considerado básico, O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), estuda um pouco da filosofia do Novo Testamento, mostrando a beleza dos ensinamentos de Jesus, chamando a atenção para algumas sérias contradições de prováveis interpolações havidas no interesse à manipulação dos que pregavam um Cristianismo conveniente a eles. É polêmico e diverge dos que aceitam a Bíblia na íntegra, sem qualquer análise. Este livro encerra, apenas parte da moral espírita, mas era por demais importante à época porque toda sociedade europeia estava enraizada nos fundamentos ditos cristãos e repudiaria qualquer outra ideia que não se estribasse nesses princípios. Além disso, nos fala do Cristo, nosso guia, a quem seguimos.

Contudo, até hoje, muitos adeptos ou possíveis seguidores do Espiritismo não conseguiram se libertar dos liames eclesiásticos e ainda mantêm a idéia do perjúrio e do pecado contra Deus o fato de divergir das Escrituras Sagradas. É o desconhecimento doutrinário.

Ainda, numa abordagem religiosa, vamos encontrar o quinto livro, O Céu e o Inferno, falando a respeito da Justiça de Deus sem as contrastantes conotações da Teodicéia e, apesar disso, é a obra menos conhecida pelos ardorosos adeptos da parte religiosa do Espiritismo, até mesmo nos que tentam transformar a Codificação em mais uma seita cristã, senão, estes tomariam uma outra posição, antagônica ao seu evangelhismo canônico.

Complementando a série de livros tem-se A Gênese, por demais polêmico e Obras Póstumas, como o próprio nome indica, publicada após o desencarne do seu autor.

Não para aí, contudo, o trabalho da Codificação. Kardec reformulou alguns pontos, ampliou outros através de uma série de artigos editados em vários periódicos, destacando -se a Revue Spirite que ele próprio geriu. E desses artigos, vários foram os livros editados, juntando assuntos, como é o caso do Desobsessão, impresso pela Federação Espírita da Bélgica.

É preciso que se conheça toda essa matéria para que se possa ter uma ideia do que seja a Codificação.

Assim nasceu o Espiritismo hoje acrescido de um sem número de depoimentos dos mais diversos observadores, alguns, até, inteiramente insuspeitos porque não eram seguidores de Kardec nem desejavam sê-lo. Só que nenhum deles conseguiu implantar novos princípios, até mesmo cientificamente, capaz de interferir nas bases doutrinárias; e note -se que, ao tempo de Kardec, segunda metade do século XIX, os ditos conhecimentos científicos eram parcos em relação ao que hoje se sabe; ainda se tinha a molécula como indivisível.

A comprovação dos fatos, a verdade de suas teses, o rigor da análise e uma fenomenologia que resiste às pesquisas até de fraudadores, formam o pedestal onde assentam os ensinamentos dos Espíritos e é nisso que reside a confiança de suas mensagens.

O mistificador por si só se trai e torna -se fácil bani-lo do meio.

Muita coisa já existia, quando Léon Hyppolite Denizard Rivail, o grande educador, discípulo emérito de Pestalozzi, foi convocado à sua missão na Terra. Ele era professor de renome, mestre em metodologia e autor da primeira gramática da língua sob forma didática, para sua aprendizagem. Não podia supor que acabasse se envolvendo com aqueles fenômenos de mesinhas girantes que possuíam personalidade, inteligência e capacidade informativa.

A pureza d’alma e a honestidade foram os predicados que levaram este mestre que adotou o pseudônimo de Allan Kardec a aceitar as comunicações mediúnicas e as determinações dos mentores espirituais atribuindo-lhe a função codificadora. A literatura a esse respeito é vasta.

Na época de Kardec, na Europa, imperava a Igreja, que ditava os princípios religiosos, do que, a sociedade não podia afastar. A Santa Inquisição deixara marcas indeléveis e não se podia fugir a seus princípios sem escandalizar a sociedade. A imagem de Jesus crucificado representava o Senhor na Terra, dogma que não podia ser contestado. E, apesar da liberté, egalité et fraternité, ainda, na França imperava ou crê ou morre, se não na fogueira, pela condenação social. Assim mesmo, este país é tido como o mais liberal entre os demais.

Jesus era Deus na Terra e seus signatários de alguns países europeus pregavam sua doutrina à moda de seus interesses, manipulando a lei de Deus de forma que fossem os grandes detentores das pseudodeterminações emanadas do Criador. Eram senhores absolutos da fé e da crença; mandavam no Céu e determinavam na Terra e o condenado não alçaria aos páramos celestes. E todos criam; e todos temiam. O medo ao desconhecido ajudava a impor esse regime.

Pobre Jesus, que veio ensinar o bem, o amor e a misericórdia, transformado em aval ao despotismo.

Tornava-se preciso que surgisse algo sem ferir tais preceitos, que fosse capaz de abalar a sociedade, chamando sua atenção para a verdade das coisas o que talvez tenha levado Kardec a acomodar certos pontos doutrinários.

O ranço do falso cristianismo imposto pelas castas dominantes que acabaram se transformando em religiosas, legando-nos o que hoje existe, foi tão prepotente que impôs à razão os seus preceitos e que imperam até então. As palavras de Jesus foram modificadas, em parte, pela conveniência, outras foram devidamente supressas e algumas que mais acrescentadas para que o Cristianismo pudesse representar os interesses das castas dominantes e que acabaram se tornando as senhoras poderosas da religião.

A Igreja de Pedro, inicialmente condenada às catacumbas, tendo seus adeptos perseguidos pelos poderosos, foi assimilada por Constantino, o grande, de Naissus (306), imperador romano que a adaptou às necessidades do império, em vez de transformar seu poder público pelas benesses dos ensinos legados pelo Mestre da Galiléia.

Enfim, a deturpação tomando conta da ideia, daí a necessidade do Consolador Prometido, para reconstituir a verdadeira doutrina do Cristo e essa reconstrução veio através das mensagens mediúnicas e dos ensinamentos através delas trazidos pelos grandes mentores.

E esses Espíritos Superiores falam de Jesus como luminar e como mensageiro do Alto para ensinar o amor às criaturas, como mentor em quem se inspiram e a quem servem como discípulos na Espiritualidade. Esse, porém, é o lado filosófico da nossa existência.

É o que muitos chamam de “Cristianismo redivivo”.

A confusão religiosa não tem limites: várias são as correntes de pensadores dentro de um mesmo grupo ou linha de pensamento e cada qual, julgando -se infalível, tenta impor sua “verdade” como absoluta, do que não escapa o meio espírita. Dentro dele vamos encontrar os que combatem a parte científica, alegando que a era da fenomenologia espírita já passou; esquecem-se de que os fenômenos existem, existiam e existirão por toda a eternidade da nossa vida, independentemente da sua natureza e os paranormais não fazem exceção.

Além disso, o progresso caminha a passos largos e as descobertas no campo espirítico nos são deveras favoráveis, ampliando os conhecimentos e, cada vez mais, comprovando os estudos do mestre lionês.

Outros são radicais e querem banir a parte religiosa do Espiritismo, alegando (ou confundindo) que religião seja uma seita com dogmas, rituais, cultos, sacerdotes, infalibilidades, enfim, tudo aquilo que Kardec provou que não tem fundamento nem necessidade para se compreender Deus, não pelo lado filosófico da vida, mas por sua Criação e interligá-Lo a ela, o que nem a ciência nem a filosofia o fazem.

Portanto, a religião é, sem dúvida uma parte integrante do tríplice aspecto do Espiritismo e é este o campo que será desenvolvido no presente trabalho, mostrando sua facetas na tentativa de banir as incoerências, e purificar os conceitos pelo conhecimento da Verdade.

Eis, pois, o motivo pelo qual a parte religiosa do Espiritismo existe sem dogmas, sem mentores absolutos, sem infalibilidades, residindo na coerência das informações e na sua universalidade. Não é uma religião estruturada, senão, uma parte correlata com o estudo relativo ao Criador, sua obra e seus fundamentos.

Essa parte religiosa do Espiritismo não é o evangelhismo que muitos tentam impor, nem tampouco tem fundamento nesse Cristianismo como é infligido por herança dos imperadores através das Igrejas tradicionalistas ou mesmo, as transformadas que insistam em se manterem no mesmo pedestal estabelecido pelos antigos Poderes constituídos em Estados. Não parte da premissa de que Cristo seja Deus nem que Jesus seja o filho de Deus na Terra, formando com um Espírito Santo uma santíssima trindade na qual uma só pessoa é verdadeira, ferindo todos os princípios matemáticos existentes.

Contudo, o que advém dos ensinamentos evangélicos, verdadeiramente cristãos, está contido no livro de Kardec, com toda sua pureza, com toda sua beleza, expressando uma filosofia de vida, como já foi dito, mas que só fala em parte nos preceitos religiosos por nós adotados.

Esta é a contribuição dos Espíritos; cabe agora, a nós, que também somos espíritos só que encarnados, dar prosseguimento à nossa parte porque nós, encarnados, é que somos os grandes responsáveis pelos acontecimentos terrenos e, como tal, pelo conhecimento doutrinário.

E é bom lembrar que o processo encarnatório é uma necessidade: para uns como resgate de seus erros, para outros, missão; de uma forma ou de outra, cada qual dá sua contribuição à formação social do mundo e é responsável pelo seu progresso.

É preciso que se pense nisso antes de achar que, sendo a Doutrina dos Espíritos, só eles sejam os responsáveis pelo seu progresso e capazes de ditar seus preceitos.

A verdade será sempre a verdade.

Carlos Imbassahy E... Deus Existe?

26 de setembro de 2010

NOTICIAS DE ENTES QUERIDOS DESENCARNADOS

“Caros irmãos! Estou aqui para tentar esclarecer alguns pontos.
Muitos andam em busca de notícias dos entes amados que já não se encontram mais entre vós e sim entre nós. Muitos colocam toda a sua fé numa linha que seja e que os façam reconhecer o ser amado.
Mas, nem sempre ela vem. Nem sempre temos notícias de quem se foi. E isso depende muito de vários fatores. Depende de merecimento, de condições psíquicas, de condições de saber como lidar com esta notícia.
Muitos procuram sem jamais encontrá-la. Pois, por algum motivo que não nos é revelado, não nos é permitido acesso a tais revelações. Será que todos estaríamos em condições de saber a verdade ? Notícias que faramn bem a uns, não seriam bem interpretadas por outros.
Deus em sua grande misericórdia e bondade, sabe a quem e porque deveria uma mensagem chegar.
Já nos bastaria crer que há vida após a morte. Que a morte não existe, que tudo continua e que é chegada a hora da colheita de tudo o que foi semeado. Muitos só acreditam quando algo concreto lhes é apresentado.
Feliz daquele que crê sem ter visto, sem ter provas disto. Oremos e levemos o pensamento até o ser que sentimos saudades. Troquemos com este ente amor, carinho e afeto e isso já faz a ligação entre os dois mundos, entre as duas almas.
Nossas ligações durante o sono ou não deixam uma sensação de bem estar. Muitas vezes não temos notícias simplesmente porque nosso afeto já retornou (já reencarnou) e às vezes está mais próximo do que imaginamos. Os laços afetivos, as afinidades e o amor conquistados com o espírito nunca se rompem. São eternos. Todos os espíritos são irmãos antes de serem genitores, tios, avós ou a pessoa amada.
Não é errado querer saber de quem já não está entre nós, mas isso não pode ser levado como uma simples curiosidade. Se a notícia não trouxer nada que acrescente além de matar a curiosidade, de que ela servirá ?! Tudo na vida só tem um fundamento se acrescenta, se faz bem; caso contrário, melhor que continue no esquecimento.
Nem sempre somos merecedores, nem sempre o ente tem condições de dar notícias, nem sempre essa comunicação traz paz e conforto. Portanto, amigos, confiemos na bondade do Pai Maior e deixemos que seja feita a vontade Dele, pois esta não corre o risco jamais de estar errada... Nossas vontades, muitas vezes, se realizadas, nada de bom trariam ao coração.
Oremos, acreditemos e esperemos com resignação notícias de nossos irmãos amados, sem, contudo, atrapalhar-lhes a evolução e o trabalho a que se prestam deste outro lado. Deus Nosso Pai sabe da necessidade de cada um de nós e nos dá de acordo com nosso merecimento e para o nosso bem.
Se nos é permitido mandar notícias, mandamos; se sois merecedores, recebereis. Mas tudo na vida tem um porque. Nada se faz sem propósito. E peçamos a Deus entendimento necessário para a falta de notícias ou pela não realização de todas as nossas vontades, que, por certo, são para o nosso bem.
Fiquem em paz e que o Mestre Querido conforte vossos corações e abrande a saudade. Uma noite de muitas paz e um sono tranqüilo a todos que, durante o sono, as saudades possam ser amenizadas.”

Assinado : Irmão Otávio

11 de setembro de 2010

VOTEM: NOSSO LAR E CHICO XAVIER PODEM REPRESENTAR O BRASIL NO OSCAR 2011.

NOSSO LAR e CHICO XAVIER podem ser indicados para representar o Brasil no Oscar 2011.

Em uma iniciativa inédita, o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, abre, de 8 a 20 de setembro, a votação pública para a sugestão do filme brasileiro a ser indicado para concorrer ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2011.

Os filmes estão listados no link abaixo, e você poderá escolher.


10 de setembro de 2010

O ADVERSÁRIO INVISÍVEL

À frente do Senhor, nos arredores de Sídon, quatro dos discípulos, após viagem longa por diferentes caminhos, a serviço da Boa Nova, relatavam os sucessos do dia, observados pelo Divino Amigo, em silêncio:
- Eu – dizia Pedro sob impressão forte -, surpreendido por quadro constrangedor. Impiedoso capataz batia, cruel, sobre o dorso nu de três mães escravas, cujos filhinhos choravam, estarrecidos. Um pensamento imperioso de auxílio dominou-me. Quis correr, sem detença, e, em nome da Boa Nova, socorrer aquelas mulheres desamparadas. Certo, não entraria em luta corporal com o desalmado fiscal de serviço, mas poderia, com a súplica, ajudá-lo a raciocinar. Quantas vezes, um simples pedido que nasce do coração aplaca o furor da ira?
O apostolo fixou um gesto significativo e acentuou:
- No entanto, tive receio de entrar na questão, que me pareceu intrincada...Que diria o perverso disciplinador? Minha intromissão poderia criar dificuldades até mesmo para nós...
Silenciando Pedro, falou Tiago, filho de Zebedeu:
- No trilho de vinda para cá, fui interpelado por jovem mulher com uma criança ao colo. Arrastava-se quase, deixando perceber profundo abatimento... Pediu-me socorro em voz pungente e, francamente, muito me condoí da infeliz, que se declarava infortunada viúva dum vinhateiro. Sem dúvida, era dolorosa a posição em que se colocara e, num movimento instintivo de solidariedade, ia oferecer-lhe o braço amigo e fraterno, para que se apoiasse; mas, recordei, de súbito, que não longe dali estava uma colônia de trabalho ativo...
O companheiro interrompeu-se, um tanto desapontado, e prosseguiu:
- E se alguém me visse em companhia de semelhante mulher? Poderiam dizer que ensino os princípios da Boa Nova e, ao mesmo tempo, sou motivo de escândalo. A opinião do mundo é descaridosa...
Outro aprendiz adiantou-se.
Era Bartolomeu, que contou, espantadiço:
- Em minha jornada para cá, não me faltou desejo à sementeira do bem. Todavia, que querem? Apenas lobriguei conhecido ladrão. Vi-o a gemer sob duas figueiras farfalhudas, durante longos minutos, no transcurso dos quais me inclinei a prestar-lhe assistência rápida... Pareceu-me ferido no peito, em razão do sangue e porejar-lhe da túnica; mas tive receio de inesperada incursão das autoridades pelo sítio e fugi... Se me pilhassem, ao lado dele, que seria de mim?
Calando-se Bartolomeu, falou Filipe:
- Comigo, os acontecimentos foram diversos... Quase ao chegar a Sídon, fui cercado por uma assembléia de trinta pessoas, rogando conselhos sobre a senda de perfeição. Desejavam ser instruídas quanto às novas idéias do Reino de Deus e dirigiam-se a mim, ansiosamente. Contemplavam-me, simples e confiantes; todavia, ponderei as minhas próprias imperfeições e senti escrúpulos... Vendo-me roído de tantos pecados e escabrosos defeitos, julguei mais prudente evitar a critica dos outros. A ironia é um chicote inconsciente. Por isso, emudeci e aqui estou.
Continuava Jesus silencioso, mas Simão Pedro caminhou para ele e indagou:
- Mestre, que dizes? Desejamos efetivamente praticar o bem, mas como agir dentro das normas de amor que nos traças, se nos achamos, em toda parte do mundo, rodados de inimigos?
O Amigo Celeste, porém, considerou, breve:
- Pedro, todos os fracassos do dia constituem a resultante da ação de um só adversário que muitos acalentam. Esse adversário invisível é o medo. Tiveste medo da opinião dos outros, Tiago sentiu medo da reprovação alheia, Bartolomeu asilou o medo da perseguição e Felipe guardou o medo da crítica...
Aflito, o pescador de Cafarnaum interrogou:
- Senhor, como nos livraremos de semelhante inimigo?
O Mestre sorriu compassivo e respondeu:
- Quando o tempo e a dor difundirem, entre os homens, a legítima compreensão da vida e o verdadeiro amor ao próximo, ninguém mais temerá.
Em seguida, talvez porque o silêncio pesasse em excesso, afastou-se sozinho, na direção do mar.

Pelo espírito: Irmão X

Livro: Pontos e Contos Psicografia Francisco Cândido Xavier

6 de setembro de 2010

IDIOTIA


Tema – Lesões cerebrais irreversíveis

Surge, aqui e ali, quem pergunte por eles, os tiramos que ensoparam o mundo de lágrimas, conhecidos por lamentáveis fazedores de guerra.
Apropriavam-se da autoridade e comandavam o extermínio das cidades que se lhes rendiam sem restrições; passavam, quais ciclones pestilentos, incendiando sítios prósperos, aniquilando homens dignos, abatendo enfermos, desrespeitando mulheres, empalando fugitivos ou decepando os braços de crianças inermes; apareciam por empreiteiros da demolição e do sarcasmo, organizando o cativeiro de povos livres ou formando, em nome da prepotência, as inquisições políticas, nas quais o abuso do poder consagrava a felonia e a traição por bases de governança, a fim de que os quadrilheiros das trevas operassem, impunes; salientavam-se por mandantes dos choques de violência em que os fracos eram irremediavelmente impelidos à queda ou espoliados sem remissão...Entretanto, nas seges purpuradas e nos palácios faustosos em que transitavam sorridentes, na direção do sepulcro, repontavam, sem que eles mesmos percebessem, as maldições dos sacrificados, o choro das viúvas e dos órfãos, os gritos de horror dos perseguidos quando traspassados pelos últimos golpes, as chamas das fogueiras destruidoras, o sofrimento dos mutilados, as pragas dos feridos agonizantes largados à ventania da noite, o sangue dos campos recobertos de cadáveres insepultos, o frio das necrópoles encharcadas de pranto, o infortúnio dos lares vazios, o protesto das escolas arrasadas, a dor silenciosa dos templos derruídos, os adeuses e os soluços dos mortos.
E ao deixarem o corpo físico, muitas vezes com as honras tributadas aos grandes chefes, no próprio catafalco resplendente de lumes, de permeio com os cânticos e as orações, nos quais se lhe homenageavam os restos, passaram a escutar, terrificados e indefesos, o vozerio de condenação e a algazarra do desespero com que eram recebidos em novo nível de consciência.
Atormentados, então, por muitas das vítimas que não lhes desculpavam a crueldade, humilhados e desditosos, suplicaram da Providência Divina a própria internação provisória em celas de esquecimento e renasceram na esfera do raciocínio deformado e entenebrecido.
*
Quando passes diante de um irmão torturado por lesões cerebrais irreversíveis, não lhe voltes o rosto, nem recorras à eutanásia inconsciente. Quase sempre, o companheiro situado na provação temporária da idiotia é um gênio fulgurante, reencarnado na sombra, a estender-te o pensamento aflito e mudo, necessitado de compaixão.

Emmanuel
Livro Encontro Marcado - Francisco Cândido Xavier

2 de setembro de 2010

REAJUSTEMO-NOS SEMPRE


NÃO IMPORTA QUE OS ALTOS E baixos acidentes da existência terrena coloquem o homem, às vezes, em dificuldades para discernir o que de melhor possa realizar para não se deixar mistificar diante do chamamento superior. O que urge fazer em todas as circunstâncias é procurar a mais acertada maneira de condicionar-se, predispondo-se invariavelmente ao reajuste sublime sob o influxo generoso da Vontade Divina. Nunca, porém, o desânimo pelas consequências de nossa invigilância, pois, todas as formas de vivência experimental que o Pai nos propicia são planos de trabalho evolutivo, degraus úteis e indispensáveis, onde a alma se exercita, preparando-se para vôos mais altos dentro do círculo de simpatia preferido.
Em qualquer ângulo de serviço para que formos atraídos, reajustemo-nos, dentro dele, aos ensinamentos do Cristo, pois o desempenho de uma tarefa, qualquer, por mais insignificante que seja, pede-nos, não somente entusiasmo e convicção, mas, acima de tudo, fidelidade aos compromissos morais que esposarmos.
Com entusiasmo e convicção poderemos entregar-nos aos labôres das nossas inclinações, sentindo a amplitude, a alegria do trabalho e a certeza de nosso desejo de servir naquilo em que pudermos colaborar.
Mas, entusiasmo e convicção, por mais sinceros que sejam não se sustentam por si e podem esboroar-se, como a mais efêmera miragem, ao primeiro contato real com o serviço, afastando do trabalho idealístico até mesmo aqueles que pareciam tão otimistas.
Eis por que o tarefeiro necessita não somente daquelas duas qualidades para iniciar-se na Seara do Bem, mas, principalmente porque se lhe torna indispensável a fidelidade aos compromissos morais que houver assumido para sentir-se forte no amparo que receber para o prosseguimento, pois, nessa condição, não raro se apercebe de que «... toda idéia nova forçosamente encontra oposição e nenhuma há que se implante sem lutas. Ora, nesses casos, a resistência é sempre proporcional à importância dos resultados previstos, porque, quanto maior ela é, tanto mais numerosos são os interesses que fere. Se for notoriamente falsa, se for tida por inconsequente, ninguém se alarma; deixam-na todos passar, certos de que lhe falta vitalidade. Se, porém, é verdadeira, se assenta em sólida base, se lhe prevêem futuro, um secreto pressentimento adverte os seus antagonistas de que constitui um perigo para eles e para a ordem de coisas em cuja manutenção se empenham. Atiram-se, então, contra ela e contra os seus adeptos. Assim, pois, a medida da importância e dos resultados de uma idéia nova se encontra na emoção que o seu aparecimento causa, na violência da oposição que provoca, bem como no grau e na persistência da ira de seus adversários. . .» (1).
E, como idéia nova, o Esperanto também tem sentido a resistência que lhe vêm antepondo aqueles que ainda desconhecem a verdadeira finalidade da sua missão entre os homens.
Zamenhof, o genial criador do Idioma Internacional, não legou ao mundo somente mais uma forma de cultura caracterizada pelo verniz superficial tão a gosto das convenções dispensáveis, nem tentou melhorar o número estatístico dos milhares de idiomas e dialetos já existentes. Pelo contrário, dotando o homem desse meio fácil de se poder comunicar, emoldurou a sua mensagem em têrmo de fraternidade, criando mais um recurso espiritual superior como denominador comum, neutro, para aproximação dos povos que mantêm filosofia diferente entre si, cultivam religiões opostas e usam da ciência para fins diversos, os quais, por outros meios, nunca se confraternizariam.
O Espiritismo eleva instruindo, esclarecendo e confortando. O Esperantismo aproxima, destruindo fraternalmente a barreira linguística, nivelando o pensamento, predispondo os corações ao equilíbrio mínimo necessário para a serenidade do diálogo e da inter-comunicação.
Emmanuel, através de Francisco Cândido Xavier, dirigindo-se ao saudoso Ismael Gomes Braga, pela primeira vez referindo-se à grande missão do Esperanto, numa mensagem toda carinho e simpatia pelo trabalho de Zamenhof, escrevera, entre outras frases:
“... também o Esperanto, amigos, não vem destruir as línguas utilizadas no mundo, para o intercâmbio dos pensamentos. A sua missão é superior, é a da união e da fraternidade, rumo à unidade universalista. Seus princípios são os da concórdia e seus apóstolos são igualmente companheiros de quantos se sacrificaram pelo ideal divino da solidariedade humana, nessas ou dade humana, nessas ou naquelas circunstâncias. A língua auxiliar é um dos mais fortes brados pela fraternidade, que ainda se ouve nesse planêta empobrecido de valôres espirituais.. . » (2).
Muitos que combateram o Espiritismo nos primórdios de seu aparecimento já desapareceram e, possivelmente, reajustando-se na erraticidade, hoje, alegremente, reencarnados entre nós, iniciam a jornada idealistica com entusiasmo e convicção, lutando pacificamente para a implantação da filosofia religiosa que anteriormente combateram com tanto ardor.
O mesmo acontece com o Esperanto. Como elemento propiciador do impulso evolutivo do homem, tem sofrido o impacto nobilitante do apupo e da dor, da incompreensão e da injustiça, conquistando, porém, apesar de tudo, passo a passo, o lugar definitivo de destaque entre os fatores idealísticos que aureolam os estágios de progresso das raças e dos povos.
Passados 84 anos de sua criação, o Idioma Auxiliar é conhecido, hoje, em quase noventa países e falado por mais de 72 milhões de pessoas.
Assim, pois, convenhamos que o entusiasmo e a convicção nos auxiliam poderosamente a penetrar na tarefa para a prova do reajuste, mas somente a fidelidade, a obstinação e a paciência, nos promovem recursos suficientes para que a tarefa penetre em nós, reajustando-nos sempre.

Revista: Reformador, número 1, Janeiro 1972

1 de setembro de 2010

JUSTIÇA HUMANA E JUSTIÇA DIVINA


Disse Jesus: “Não penseis que vim destruir a Lei ou os Profetas; não vim destruí-los, mas cumpri-los; porque em verdade vos digo que o Céu e a Terra não passarão sem que tudo na Lei seja cumprido perfeitamente até o último jota e o último ponto.” (Mateus, Capítulo V, Vv. 17, 18.)
Assim, não viera Jesus para desfazer as leis, mas sim dar-lhes cumprimento. Referia-se ele nessa passagem às Leis de Deus e explica que sua vinda destinava-se a desenvolver a legislação divina, dar-lhe seu verdadeiro sentido e adequá-la ao grau de adiantamento dos homens.
Contudo, as leis de Moisés foram profundamente modificadas por Jesus, quer na forma como no fundo. Combateu, principalmente, o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, reformulando as leis moisaicas radicalmente.
Leis são normas ou conjunto de regras de conduta. Os homens precisam organizar sua legislação para possibilitar a vida em sociedade. Nas leis humanas procura-se estabelecer os direitos e os deveres do cidadão, registrando as respectivas punições para seus transgressores.
A Lei de Deus está formulada nos Dez Mandamentos. É a Lei de todos os tempos e de todos os seres, e é uma Lei que não sofre modificações. Jesus, fundamentando sua doutrina nos deveres para com Deus, resumiu essa Lei em um só mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.”
As leis humanas estão sujeitas a modificações no tempo e no espaço, conforme o conceito de Justiça de cada época e de cada lugar, conforme o grau de conhecimento do povo e seu conceito de Moral. Sendo imperfeitos e limitados, não podem fazer leis perfeitas e sumamente justas.
Assim, as leis dos homens são variáveis e, como não poderia deixar de ser, a justiça humana está sujeita às falhas e imperfeições próprias da natureza do Homem. As leis terrenas podem, também, sofrer influências externas que fazem pender o prato da balança segundo as conveniências e o peso do poder econômico, do prestígio político e da posição social dos réus.
Tanto é falha a justiça dos homens que pune simplesmente a crueldade manifesta, os atos que afetem o interesse público, quando há destruição da vida ou assalto ao patrimônio coletivo ou particular.
Os erros judiciários são comuns, em que inocentes são condenados injustamente, enquanto os verdadeiros culpados ficam isentos da correspondente punição. Também os braços da justiça humana não são suficientemente longos para alcançar ricos e poderosos.
A Justiça Divina atinge a todos os culpados indistintamente, punindo pelo mecanismo de ação e reação até mesmo os crimes que já foram julgados e condenados pela legislação terrena.
A Justiça de Deus é infalível, perfeita, imutável, imparcial e nada lhe escapa: nas Leis Divinas sempre cada qual recebe de acordo com suas próprias obras, atos, sentimentos ou atitudes. Pela Lei de Causa e Efeito, toda ação praticada recebe o retorno correspondente no devido tempo.
É por isso que se pode afirmar ser todo e qualquer indivíduo, no exercício de seu livre-arbítrio, o autêntico construtor de seu próprio destino. De nada adianta, portanto, jogar sobre ombros alheios a responsabilidade de tudo o que nos acontece!
Existe uma ação solidária entre as leis naturais: umas são decorrentes das outras. E esse encadeamento, essa interdecorrência dos princípios que regem a obra da Criação, sob o imperativo do progresso e da evolução contínua, a tudo tange para o supremo objetivo que é a Perfeição.
Do rudimentar para o complexo, do primário para o sumamente elaborado, do limitado para o mais amplo dimensionamento, da ignorância e da simplicidade para a Sabedoria e para a Moralidade, do falho e do imperfeito ao íntegro, tudo evolui no Universo por determinação do Criador.
E entre o ponto de partida e a estação terminal, intermediando as extremidades da escala evolutiva, há uma longa e árdua travessia a ser cumprida por to¬dos os seres. No exercício de sua individualidade, sob sua responsabilidade e risco, devendo conquistar o galardão máximo que lhe está destinado, evolve sempre a criatura por seus próprios recursos e méritos. Não há privilégios na Justiça Divina.

Assim, causas e efeitos, ação e reação, conhecimento e responsabilidade, reprodução, conservação e destruição, tudo se encadeia entre si, todos os princípios estão inter-relacionados e decorrem uns dos outros. As sábias, perfeitas e imutáveis leis da Natureza foram criadas por Deus para instrumentalizar o Plano da Criação que tem o progresso como fator onipresente e a Perfeição como meta final, sendo que o livre-arbítrio atua como agente de opção e de auto-responsabilidade.
Deus nunca se engana. O Homem, que traz a Lei de Deus impressa em sua consciência, só é infeliz quando a transgride ou dela se afasta.
As leis divinas da Criação precisam estar entrelaçadas umas às outras para que o supremo desiderato seja cumprido. Assim, tanto o Criador estabeleceu a Lei de Conservação, que é o apego instintivo à vida, porque todos devem colaborar nos desígnios da Providência, como criou a Lei de Destruição que visa a estabelecer o índice populacional, manter a Lei de Re¬produção nos limites do indispensável equilíbrio. E como conseqüência do uso do livre-arbítrio, há a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Ação e Reação.
A Natureza, manifestando a vontade divina, coloca lado a lado os meios de conservação e os agentes de destruição. E o remédio junto ao mal, o pronto-socorro que impede a destruição antecipada e indiscriminada.
É da lei natural que tudo seja destruído para renascer e se regenerar. No entanto, como os homens não têm condição de bem interpretar os desígnios divinos, rotulam de destruição o que tem por finalidade apenas a renovação e a melhoria.
O acaso não existe, tudo o que acontece é interdecorrente e tem sua razão de ser. Não há efeito sem a causa que lhe deu origem. Todavia, não existe um determinismo absoluto, mas reações em cadeia em resposta às ações desencadeantes.
Pela Lei de Causa e Efeito, colhe-se simplesmente o que é plantado. A semeadura é livre, porém a colheita é imperativa.
Quem semeia ventos, colhe tempestades. Os homens agridem a Natureza com poluição, desmatamentos indiscriminados, queimadas criminosas, explosões atômicas, desastres radiativos, desequilibrando e desafiando as leis naturais.
Contudo, em obediência à Lei de Ação e Reação, recebe em troca portentosas enchentes e secas arrasadoras, catástrofes, abalos sísmicos, tempestades e ciclones, convulsões da Natureza traduzidas por incontroláveis fenômenos que reduzem ou elevam a temperatura do meio ambiente a níveis aniquilantes.
Castigos de Deus? Não, simplesmente a aplicação das leis naturais, pois que para toda ação praticada corresponde a devida reação.

Fonte: Reformador – agosto, 1989