30 de novembro de 2010

A BÊNÇÃO DAS LÁGRIMAS

Bendita a lágrima em que se cristaliza o cervo atroz de nossas dores e se dilui o negro fel de nossas mágoas.
Bendita a lágrima a cuja tona flutua farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas.
Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto e choram a desgraça de viverem sem pão.
Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de esposa.
Bendita a lágrima, desafogo amigo dos que são sós e consolo ardente dos que são tristes.
Bendita a lágrima dos que põem sobre os ombros a cruz de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência.
Bendita a lágrima dos que buscam errantes, o calor de um afeto e sòmente encontram o frio do desprezo.
Bendita a lágrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem e só colhem ingratidões pelo bem que semeiam.
Bendita a lágrima que erige no cérebro um templo à Verdade e converte coração num sacrário de Amor.
Bendita a lágrima que aflora escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção.
Bendita, enfim, a lágrima, gota de luz das auroras celestes e síntese terrena do orvalho divino.

Rubens C. Romanelli

29 de novembro de 2010

A DOUTRINA DO EGOÍSMO

“A humanidade passa por um período de transição, de gravidade considerável, só vislumbrado pelos mais maduros e principalmente pelos iniciados nas coisas do Espírito. O mal que se alastra de forma destruidora tem suas bases no orgulho e egoísmo, exacerbados escandalosamente pela doutrina da exaltação do ego, que contaminou os homens de forma avassaladora e terrível, envolvendo até os que se consideram eleitos de Deus.

O mal age com muita sutileza no coração dos incautos. Mostra-se de forma disfarçada, vestindo-se com a capa do Bem, para fazer-se aceito. Entre vós, espíritas, a doutrina do egoísmo encontrou porta aberta e campo fértil para alastrar-se tal qual um câncer, com seus tentáculos destruidores. É patente a forma equivocada com que a doutrina da exaltação da personalidade encontra guarida em vosso meio. O amar ao próximo como a si mesmo foi interpretado de forma errônea e a criatura busca amar a si mesmo antes, para depois então amar o próximo. Perde, com isso, tempo precioso em tolas preocupações e elucubrações sobre teses frágeis. Ora, mas a medida do amor está no outro e não em si próprio, pois o amor que se têm ao próximo é que demonstra a real capacidade de amar do ser.

A doutrina do ego faz adeptos também entre os que possuem a tarefa de edificar ao nível da Luz. Eivados de orgulho e vaidade muitos se perdem em busca do brilho do reconhecimento dos homens, embora o Mestre ensine que quem dá valor às honrarias do mundo, serve ao mundo e não a Deus. O mundo premia seus súditos. Ora, se a doutrina do mundo é contrária aos ideais de edificação da doutrina de Jesus, como justificar que seus adeptos sejam louvados pelo mundo? Só os tolos podem deixar-se envolver por esse espírito de honrarias e glorificação que envolve os premiados pelos valores transitórios.

Acautelai-vos em vossos postos. Não vos esqueçais de que Jesus, o Maior dentre os maiores, foi rechaçado pelos poderes mundanos. Não vos deixeis enganar pela euforia e hipocrisia das doutrinas do egoísmo e da vaidade. Lembrai-vos da advertência do Mestre de que até os eleitos seriam enganados. Situações muito constrangedoras surgirão em vosso meio e ferirão amargamente o vosso bom senso e vossos corações.

Os verdadeiros servos de Deus se mostrarão por suas obras. Aqueles que se travestem de ovelhas, mas que são na verdade lobos roubadores, também se mostrarão nos últimos dias. Suas obras serão desmascaradas e serão julgados pela Lei, na medida dos resultados de suas semeaduras. Atentai para isto. Cuidai de vossas tarefas e bendizei a Deus as vossas vidas e vossas responsabilidades assumidas diante d’Ele.

Entrareis em um novo tempo e novo trabalho vos chama. Precisareis de maturidade para perceber as novas exigências. Segui com fé e determinação e não deis ouvidos aos falsos mestres, que pululam em vosso meio. Que Deus vos abençoe e os Espíritos do Bem vos ampare e vos abrace na definitiva e luminosa estrada, abençoada pelo Santo Espírito”. – João de Arimatéia.

Espírito: João de Arimatéía
Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec

26 de novembro de 2010

A NOVA GERAÇÃO

Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela não seja povoada senão por bons Espíritos, encarnados e desencarnados, que não quererão senão o bem. Tendo chegado esse tempo, uma grande emigração se cumprirá entre aqueles que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, e que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque lhe trariam de novo a perturbação e a confusão, e seriam um obstáculo ao progresso. Eles irão expiar o seu endurecimento, uns nos mundos inferiores, os outros entre as raças terrestres atrasadas, que serão o equivalente de mundos inferiores, onde levarão os seus conhecimentos adquiridos, e terão por missão fazê-las avançar. Serão substituídos por Espíritos melhores, que farão reinar, entre eles, a justiça, a paz, a fraternidade.
A Terra, no dizer dos Espíritos, não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá gradualmente, e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas.
Tudo se passará, pois, exteriormente como de hábito, com esta única diferença, mas esta diferença é capital, que uma parte dos Espíritos que nela se encarnam não se encarnarão nela mais. Em uma criança que nasça, em lugar de um Espírito atrasado e levado ao mal, que se encarnaria, esse será um Espírito mais avançado e levado ao bem.
Trata-se, pois, bem menos de uma geração corpórea do que de uma nova geração de Espíritos, e é nesse sentido, sem dúvida, que o entendia Jesus quando dizia: "Eu vos digo, em verdade, que esta geração não passará sem que esses fatos tenham se cumprido." Assim, aqueles que esperarem ver a transformação se operar por efeitos sobrenaturais e maravilhosos, serão decepcionados.

A época atual é de transição; os elementos das duas gerações se confundem.
Colocados no ponto intermediário, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, e que cada uma se assinala já, no mundo, pelos caracteres que lhe são próprios.
As duas gerações que se sucedem têm ideias e vistas inteiramente opostas. À natureza das disposições morais, mas, sobretudo das disposições intuitivas e inatas, é fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.
A nova geração, devendo fundar a era do progresso moral, se distingue por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, unidas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é o sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior. Ela não será composta, pois, exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas daqueles que, tendo já progredido, estão predispostos a assimilar todas as ideias progressistas, e aptos a secundar o movimento regenerador.
O que distingue, ao contrário, os Espíritos atrasados é primeiro, a revolta contra Deus pela recusa de reconhecer algum poder superior à Humanidade; a propensão instintiva às paixões degradantes, aos sentimentos anti-fraternos do egoísmo, do orgulho, da inveja, do ciúme; enfim, o agarramento por tudo o que é material: a sensualidade, a cupidez, a avareza.
São esses vícios, dos quais a Terra deve ser purgada pelo afastamento daqueles que se recusam se emendar, porque são incompatíveis com o reino da fraternidade, e que os homens de bem sofrerão sempre por seu contato. Quando a Terra deles estiver livre, os homens caminharão sem entraves para um futuro melhor, que lhes está reservado neste mundo, por preço de seus esforços e de sua perseverança, esperando que uma depuração, ainda mais completa, lhes abra a entrada dos mundos superiores.

Por essa emigração dos Espíritos, não é necessário entender que todos os Espíritos retardatários serão expulsos da Terra, e relegados a mundos inferiores. Muitos, ao contrário, nele retornarão, porque muitos cederam ao arrastamento de circunstâncias e do exemplo; a aparência neles era pior do que o fundo. Uma vez subtraídos â influência da matéria e dos preconceitos do mundo corpóreo, a maioria verá as coisas de um modo muito diferente do que quando vivos, assim como temos disso numerosos exemplos.
Nisso, serão ajudados por Espíritos benevolentes que se interessam por eles, e que se apressam em esclarecê-los e mostrar-lhes o falso caminho que seguiram. Pelas nossas preces e nossas exortações, nós mesmos podemos contribuir para seu melhoramento, porque há solidariedade perpétua entre os mortos e os vivos.
A maneira pela qual se opera a transformação é muito simples, e, como se vê, ela é toda moral e em nada se desvia das leis da Natureza.

Que os Espíritos da nova geração sejam novos Espíritos melhores, ou os antigos Espíritos melhorados, o resultado é o mesmo; desde o instante que tragam melhores disposições, é sempre uma renovação. Os Espíritos encarnados formam, assim, duas categorias, segundo as disposições naturais: de uma parte, os Espíritos retardatários que partem, da outra os Espíritos progressistas que chegam. O estado dos costumes e da sociedade estará, pois, em um povo, em uma raça ou no mundo inteiro, em razão daquela das duas categorias que tiver a preponderância.

Uma comparação vulgar fará compreender melhor ainda o que se passa nesta circunstância. Suponhamos um regimento composto, em grande maioria, de homens turbulentos e indisciplinados: estes ali levarão sem cessar uma desordem que a severidade da lei penal terá frequentemente dificuldade para reprimir. Esses homens são os mais fortes, porque serão os mais numerosos; eles se sustentam, se encorajam e se estimulam pelo exemplo. Os que sejam bons são sem influência; seus conselhos são desprezados; são escarnecidos, maltratados pelos outros, e sofrem com esse contato.
Não está aí a imagem da sociedade atual?
Suponhamos que são retirados esses homens do regimento um por um, dez por dez, cem por cem, e que sejam substituídos na mesma medida por um número igual de bons soldados, mesmo por aqueles que foram expulsos, mas que se emendaram seriamente, ao cabo de algum tempo, ter-se-á sempre o mesmo regimento, mas transformado; a boa ordem ali terá sucedido à desordem. Assim o será com a Humanidade regenerada.

As grandes partidas coletivas não têm somente por objetivo ativar as saídas, mas transformar mais rapidamente o Espírito da massa, desembaraçando-a das más influências e dando mais ascendência às ideias novas.
É porque muitos, apesar de suas imperfeições, estão maduros para essa transformação, que muitos partem a fim de irem se retemperar numa fonte mais pura. Ao passo que se tivessem permanecido no mesmo meio e sob as mesmas influências, teriam persistido em suas opiniões e na sua maneira de ver as coisas. Uma permanência no mundo dos Espíritos basta para lhes abrir os olhos, porque ali veem o que não podiam ver sobre a Terra. O incrédulo, o fanático, o absolutista poderão, pois, retornar com ideias inatas de fé, tolerância e de liberdade. Em seu retorno, encontrarão as coisas mudadas, e suportarão o ascendente do novo meio onde terão nascido. Em lugar de fazer oposição às ideias novas, delas serão os auxiliares.

A regeneração da Humanidade não tem, pois, absolutamente necessidade da renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação nas suas disposições morais; esta modificação se opera em todos aqueles que a ela estão predispostos, quando são subtraídos à influência perniciosa do mundo. Aqueles que retornam, então, não são sempre outros Espíritos, mas, frequentemente, os mesmos Espíritos pensando e sentindo de outro modo.
Quando esse melhoramento é isolado e individual, passa despercebido, e sem influência ostensiva sobre o mundo.
O efeito é diferente quando se opera simultaneamente em grandes massas; porque, então, segundo as proporções, em uma geração, as ideias de um povo ou de uma raça podem ser profundamente modificadas.
É o que se nota quase sempre depois dos grandes abalos que dizimam as populações. Os flagelos destruidores não destroem senão o corpo, mas não atingem o Espírito; eles ativam o movimento de vai-e-vem entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual, e por consequência um movimento progressivo dos Espíritos encarnados e desencarnados. É de notar-se que, em todas as épocas da história, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso.

É um desses movimentos gerais que se opera neste momento, e que deve trazer o remanejamento da Humanidade. A multiplicidade das causas de destruição é um sinal característico dos tempos, porque elas devem apressar a eclosão de novo germes.
São folhas de outono que caem, e às quais sucederão novas folhas cheias de vida, porque a Humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm suas idades. As folhas mortas da Humanidade caem levadas pelas rajadas e golpes de vento, mas para renascerem mais vivazes sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue, mas se purifica.

Para um materialista, os flagelos destruidores são calamidades sem compensações, sem resultados úteis, uma vez que, segundo ele, aniquilam os seres sem retorno. Mas para aquele que sabe que a morte não destrói senão o envoltório, eles não têm as mesmas consequências, e não lhe causam o menor medo; compreende-lhe o objetivo, e sabe também que os homens não perdem mais morrendo em conjunto do que morrendo isoladamente, uma vez que, de uma forma ou de outra, é necessário sempre lá chegar.
Os incrédulos rirão dessas coisas, e as tratarão por quimeras; mas digam o que disserem, eles não escaparão à lei comum; cairão a seu turno, como os outros, e, então, o que será deles? Eles dizem: “Nada!” Mas viverão a despeito de si mesmos, e serão, um dia, forçados a abrir os olhos.
Se servir de compensação, no mundo inferior que espera os indiferentes e para onde já estão sendo levados, também haverá sexo, pirâmides, choro e ranger de dentes.
Que saibamos escolher, enquanto há tempo.
Afinal, não é por falta de esforço do Criador, do Cristo e dos Espíritos amigos que ainda existe tanta lágrima nos olhos e nos corações da humanidade. É por causa de suas escolhas erradas.
Assim, relembremos os ditos de Jesus,
"Misericórdia quero, não o sacrifício!"
Brilhe vossa Luz
Muita paz!

Lucius
Trecho do livro: Despedindo-se da Terra

23 de novembro de 2010

ESTADOS DEPRESSIVOS

A depressão é uma doença psicossomática, que poderíamos dizer, mais detalhadamente, que é bio-psico-neuro-imuno-endócrina, pois que atinge a psique e desestrutura a mente, que, por sua vez, ao irradiar energia negativa, desequilibra os sistemas nervoso central, endócrino e imunológico, causando ao corpo variadas doenças.

Esse mal acompanha a espécie humana, ao longo dos tempos; porém, nunca tão intensamente, como neste final de século das luzes e da tecnologia.
É a depressão uma doença que traz intenso sofrimento psico-físico, podendo, inclusive, causar o suicídio inconsciente. É universal e atinge as pessoas, independente do status social, raça, sexo, nacionalidade, cultura, idade. Em suma, todos podem desenvolver essa patologia, que tanto sofrimento traz às pessoas dela portadoras.

Calcula-se que 10% da população mundial, dela sofre, hoje. É preciso não confundir depressão, nem com tristeza, que é algo normal, todo mundo sente e é passageira, nem com transtorno bipolar, que alterna episódios eufóricos (mania) com episódios depressivos. Esse transtorno bipolar, até pouco tempo, conhecido como psicose maníaco-depressiva ou PMD, é muito mais grave do que a depressão.

As repetições de episódios de depressão podem ocorrer, a partir de duas semanas depois que a doença se instala, e perdurar por dias, meses ou anos a fio. Uma crise depressiva pode durar minutos, horas ou o dia todo, constituindo o chamado transtorno depressivo recorrente ou depressão unipolar. É um estado de ânimo que deixa a pessoa freqüentemente desanimada, deprimida, de "moral baixa", apática, sem graça, sem energia ou motivação para coisa alguma. A pessoa torna-se insatisfeita, insegura, preocupada com tudo; é negativista.

Não devemos confundir quem está deprimido, com quem está triste, "em baixo astral", "na fossa", porque, momentos de tristezas, nas pessoas, é normal e passageiro. Como diferenciar, então, os dois estados d´ânimo? Simples! Os transtornos de humor variam mais e duram mais, no deprimido. A reação ao estresse é mais intensa, tudo é complicado e difícil de resolver. O deprimido vive, o tempo todo, se lamentando; em nada sente prazer e prefere ficar sozinho do que ter companhia. Já o tristonho normal, procura conversar, sair da rotina, ajudar-se, distrair-se e não quer ficar sozinho, buscando, sempre, a companhia de outras pessoas.

A depressão provoca mau humor, irritação, queda na concentração no trabalho, e na qualidade de vida e muito sofrimento. Ela vem se alastrando, no meio de nossa sociedade, dita moderna, ocidental, pela inversão dos valores morais, uma vez que o homem moderno deixa de privilegiar o "ser" em detrimento do "ter".

Sociedade, em que os valores materiais; o consumismo desenfreado; o "modus vivendi" e o " modus operandi" capitalista; a concorrência selvagem, às mais das vezes, imorais e ilegais, se sobrepõem aos valores individuais, familiares, coletivos, morais e espirituais de cada indivíduo.

Sociedade em que o homem não mais vê, no outro, um irmão de caminhada, mas um concorrente, que o faz dormir e acordar, com medo, para enfrentar o novo dia, devido à falta de segurança, gerada pelos desequilíbrios sócio-econômicos, baixos salários, medo do desemprego, frustrações, violência nas ruas. Esse modo desumano de vida, de sociedade, faz com que o indivíduo se sinta, sozinho, na multidão.

As pessoas vivem, sob de constante tensão, em angústia, inseguras, com medo, situações essas que, quando não são bem administradas, acabam, na melhor das hipóteses, gerando o estresse ou, ainda mais grave, produzindo a síndrome do pânico ou da depressão.

A depressão, por si só, pode provocar, no organismo da pessoa: insônia ou sonolência, dores musculares, queda no desempenho sexual, sudorese, esquecimento, palpitações cardíacas, falta de ar, dor no estômago, prisão de ventre, boca seca, pressão no peito, dor de cabeça constante, medo, vazio existencial e perda de sentido da vida, entre outros males.

O que se pode fazer para evitar esse terrível e angustiante mal?

A profilaxia do mal, só, depende de cada um de nós. Para evitá-lo, procuremos seguir as regras simples que se seguem:

* Tenha, sempre, uma ocupação em vez de preocupações. Não confunda preocupação com responsabilidade. Todos temos deveres e obrigações a cumprir, mas devemos ter responsabilidades e não preocupações.

* Evite todas as formas de desequilíbrios mentais, que podem levar aos distúrbios psíquicos, tais como: inveja, mentira, vaidade, orgulho, ódio, rancor, avareza, mágoa, ciúme, cobiça, amargura, indiferença, egoísmo, egocentrismo, pessimismo, ira, desespero, revolta. São portas que, abertas, podem dar passagem às doenças mentais, como a depressão, entre outras, que abrem sucessivas portas para as doenças do corpo, porque baixam as resistências do organismo quando atacam o sistema imunológico, produzindo doenças como a hipertensão arterial, as arritmias cardíacas, as úlceras e gastrites, as doenças alérgicas, as colagenoses como o lúpus e os reumatismos, as infecções, os diversos tipos de câncer e muitos outros males. As moléstias físicas resultam das mentais, que provêm das doenças espirituais, conhecidas, hoje, como espiritopatias, entre os médicos espíritas, ou doenças da alma, que são males do pretérito, auto-infligidos (Lei de Causa e Efeito) ou adquiridas (obsessões).

* Reconhecer, como nos ensina Joanna de Ângelis: "A depressão instala-se, pouco a pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental". "...Todos os males que infelicitam o homem procedem do espírito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável. Da alma procedem as realizações edificantes e os processos degenerativos que se exteriorizam no corpo".

* Não se lembre do ontem, mas pense no amanhã.

* Ande de frente para o sol, para que a sua sombra fique às suas costas.

* Aprenda a sorrir, pois infeliz é aquele que não tem mais um sorriso para dar.

* Qualquer que seja o problema, lembre-se que, na vida, tudo passa e isto, também, passará.

* Saia da depressão em que se encontra, e suba a montanha, pois, do alto, você será o primeiro a ver os raios do sol, quando nascer.

* Não viva na solidão. Abra, bem, os olhos e verá um mundo de gente amiga, ao seu redor.

* Procure participar, ajudando, somente, quem é solidário não é solitário.

* Recebemos o que damos. Colhemos o que plantamos.

* Distribua felicidades, pois a felicidade é algo que se multiplica, quando se divide.

Para finalizar, lembre-se: todos temos, dentro de nós, um médico interno, à nossa disposição. Só adoece quem quer!

Guilherme Travassos Sarinho
Associação de Medicina e Espiritismo da Paraíba

16 de novembro de 2010

UM DEVER DE CONSCIÊNCIA

O fato de médicos e hospitais de vários municípios do Rio Grande do Sul terem se recusado a fazer o abortamento em uma adolescente de 14 anos, apesar da autorização judicial que trazia consigo, foi manchete nas mídias, no ano de 2005.
Segundo as notícias, a jovem disse que sua gravidez foi fruto de estupro e obteve do juiz a permissão para realizar o aborto, isentando médicos e hospitais que se dispusessem a eliminar a vida que pulsava em seu ventre.
Embora o juiz tenha autorizado o aborto, não lhe caberia o direito de obrigar ninguém a realizar o feito, pois nem sempre a legalidade de um ato o torna moral.
O que vale ressaltar na atitude desses médicos, é a consciência do dever. O dever de defender a vida, assumido perante si próprios.
O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros.
Ao concluírem o curso os médicos fazem um juramento, o mesmo juramento feito por Hipócrates, um sábio grego que viveu no século V antes de Cristo, e é considerado o Pai da Medicina.
O juramento diz o seguinte:
Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade.
Darei, como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade.
A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação.
Respeitarei os segredos a mim confiados. Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos.
Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes.
Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção.
Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza.
Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra.

Ao fazer tal juramento, o médico passa a ter um dever moral consigo mesmo. E, se o violar, estará ferindo a própria consciência.
Ao se comprometer com esse ideal, o médico também estabelece o dever para com os outros, que é o segundo passo do dever ético-moral.
Lamentável é que muitos desses homens e mulheres que juraram, solene e livremente, que manteriam o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção, usem seus conhecimentos médicos para eliminar a vida que pulsa no santuário do ventre materno.
Por outro lado, é admirável a coragem e a honra desses homens e mulheres que não se permitem sujar as mãos com sangue inocente, mesmo sob qualquer pressão.
Isso porque sabem que, se agirem em desacordo com o juramento feito por livre vontade, não terão como se olhar no espelho da consciência e enxergar um cidadão honrado.
O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados.
Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas.
O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.
O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.
O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
O dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da Humanidade.
Jamais cessa a obrigação moral da criatura para com Deus. Tem esta de refletir as virtudes do Eterno, que não aceita esboços imperfeitos, porque quer que a beleza da Sua obra resplandeça a seus próprios olhos.

Redação do Momento Espírita, com base no item 7 do cap. XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. Em 24.09.2009. 

15 de novembro de 2010

RECORDAÇÃO DO MASSACRE DE SÃO BARTOLOMEU

Um dos nossos assinantes nos traz uma carta de um de um de seus amigos, da qual extraímos o seguinte:

“Perguntastes a minha opinião, ou antes, se acredito na presença ou não, junto a nós, das almas dos que amamos. Pedis ainda explicações relativas à minha convicção de que nossas almas mudam de envoltório muito rapidamente.

Por mais ridículo que pareça, direi que minha convicção sincera é a de ter sido assassinado durante os massacres de São Bartolomeu. Eu era muito criança quando tal lembrança veio ferir-me a imaginação. Mais tarde, quando li essa triste página de nossa História, pareceu que muitos detalhes me eram conhecidos, e ainda creio que se a velha Paris fosse reconstruída eu reconheceria essa velha aléia sombria onde, fugindo, senti o frio de três punhaladas dadas pelas costas. Há detalhes desta cena sangrenta em minha memória e jamais desapareceram. Por que tinha eu essa convicção antes de saber o que tinha sido o São Bartolomeu? Por que, lendo o relato desse massacre eu me perguntei: é sonho, esse sonho desagradável que tive em criança, cuja lembrança me ficou tão viva? Por que, quando quis consultar a memória, forçar o pensamento, fiquei como um pobre louco ao qual surge uma idéia e que parece lutar para lhe descobrir a razão? Por que? Nada sei. Certo me achareis ridículo, mas nem por isso guardarei menos a lembrança, a convicção.

Se dissesse que tinha sete anos quando tive um sonho assim: Eu tinha vinte anos, era um rapaz bem posto, parece que rico. Vim bater-me em duelo e fui morto. Se dissesse que a saudação feita com a arma, antes de se bater, eu a fiz pela primeira vez que tive um florete na mão. Se dissesse que cada preliminar mais ou menos graciosa que a educação ou a civilização pôs na arte de se matar me era desconhecida antes de minha educação nas armas, certamente diríeis que sou louco ou maníaco. Bem pode ser; mas às vezes me parece que um clarão atravessa essa névoa e tenho a convicção de que a lembrança do passado se restabelece em minh’alma.

Se me perguntásseis se creio na simpatia entre as almas, em seu poder de se porem em contato entre ela, a despeito da distância, apensar da morte, eu vos responderia: Sim, e este sim seria pronunciado com toda a força de minha convicção. Aconteceu encontrar-me a vinte e cinco léguas de Lima, após vinte e seis dias de viagem, e despertar em lágrimas, com uma verdadeira dor no coração; uma tristeza mortal apoderou-se de mim todo o dia. Registei o fato em meu diário. Àquele hora, na mesma noite, meu irmão tinha sido atingido por um ataque de apoplexia, que comprometeu gravemente a sua vida. Confrontei o dia e a hora: tudo exato. Eis um fato; as pessoas existem. Direis que eu sou louco?

Não li qualquer autor tratando de tal assunto. Fá-lo-ei em minha volta. Talvez essa leitura lance alguma luz em mim.”

O Sr. V..., autor desta carta, é oficial de marinha e atualmente em viagem. Seria interessante ver se, evocando-o, confirmaria suas lembranças; mas haveria a impossibilidade de o prevenir de nossa intenção e, por outro lado, à vista de seus serviço, poderia ser difícil achar o momento propício. Contudo, disseram-nos que chamássemos o seu anjo da guarda, quando quiséssemos evocá-lo, e ele nos diria se poderíamos fazê-lo.

Evocação do anjo da guarda do Sr. V...

- Atendo ao vosso chamado.

Conheceis o motivo que nos leva a querer evocar o vosso protegido. Não se trata de satisfazer uma vã curiosidade, mas de constatar, se possível, um fato interessante para a ciência espírita, o da recordação de sua vida anterior.

- Compreendo o vosso desejo, mas no momento seu Espírito não está livre: está ativamente ocupado pelo corpo e numa inquietude moral que o impede de repousar.

Ainda está no mar?

- Está em terra. Mas poderei responder a algumas perguntas, porque aquela alma foi sempre confiada à minha guarda.

Desde que tendes a bondade de responder, perguntaremos se a lembrança que julga conservar de sua morte numa existência anterior é uma ilusão.

- É uma intuição muito real. Na época estava muito bem na Terra.

Por que motivo essa lembrança lhe é mais precisa do que para outros? Há nisso alguma causa fisiológica ou alguma utilidade particular para ele?

- Essas lembranças vivas são muito raras. Deve-se um pouco ao gênero de morte que de tal modo o impressionou que está, por assim dizer, encarnado em sua alma. Contudo, muitas outras pessoas tiveram morte tão terrível e não lhes ficou a lembrança. Só raramente Deus o permite.

Depois dessa morte no São Bartolomeu teve ele outras existências?

- Não.

Que idade tinha quando morreu?

- Uns trinta anos.

Pode-se saber o que era ele?

- Ligado à casa de Coligny.

Se tivéssemos podido evocá-lo teríamos perguntado se recorda o nome da rua onde foi assassinado, a fim de ver se, indo a esse lugar, quando voltar a Paris, a lembrança da cena lhe é ainda mais precisa.

- Foi no cruzamento de Bucy.

A casa onde foi morto ainda existe?

- Não: foi reconstruída.

Com o mesmo objetivo teríamos perguntado se recorda o nome que tinha.

- Seu nome não é conhecido na História, pois era simples soldado. Chamava-se Gaston Vincent.

Seu amigo, aqui presente, desejaria saber se recebeu suas cartas.

- Ainda não.

Éreis então o seu anjo da guarda?

- Sim: então e agora.

OBSERVAÇÃO: Céticos, antes mais trocistas do que sérios, poderiam dizer que o anjo da guarda o guardou mal e perguntar por que não desviou a mão que o feriu. Posto uma tal pergunta mereça apenas uma resposta, talvez algumas palavras a respeito sejam úteis.

Para começar diremos que, se o morrer pertence à natureza humana, nenhum anjo de guarda tem o poder de opor-se ao curso das leis da Natureza. Do contrário, razão não haveria para que não impedissem a morte natural, tanto quanto a acidental. Em segundo lugar, estando o momento e o gênero de morte no destino de cada um, é preciso que se cumpra o destino. Diremos, por fim, que os Espíritos não encaram a morte como nós: a verdadeira vida é a do Espírito, da qual as várias existências corpóreas não passam de episódios. O corpo é um invólucro que o Espírito reveste momentaneamente e deixa como uma roupa usada ou rasgada. Pouco importa, pois, que se morra um pouco mais cedo ou mais tarde, de uma ou de outra maneira, pois que, em definitivo, sempre é preciso chegar à morte, que longe de prejudicar o Espírito, pode ser-lhe útil, conforme a maneira por que se realiza. É o prisioneiro que deixa a prisão temporária pela liberdade eterna. Pode ser que o fim trágico de Gaston Vincent lhe tenha sido uma coisa útil, como Espírito, o que o seu anjo da guarda compreende melhor que ele, porque um só vê o presente, ao passo que o outro vê o futuro. Espíritos retirados deste mundo por uma morte prematura, na flor da idade, por vezes nos responderam que era um favor de Deus, que assim os havia preservado dos males aos quais, sem isto, estariam expostos. (Allan Kardec - R. E. 1860).

14 de novembro de 2010

O DEBOCHE

A escolha dos bons autores é muito útil e os que exercem autoridade sobre vós, excitando-vos a imaginação por loucas paixões humanas, apenas corrompem o coração e o espírito. Com efeito, não é entre os apologistas da orgia, do deboche, da volúpia, entre os que preconizam os prazeres materiais, que se podem aproveitar lições de melhoramento moral. Pensai pois, meus amigos, que se Deus vos deu paixões foi com o fito de voz fazer concorrer para os seus desígnios e não para as satisfazer como um animal. Sabei que se gastardes a vossa vida em loucos prazeres que não deixam senão remorsos e o vazio no coração, não agireis segundo os desígnios de Deus. Se vos é dado reproduzir a espécie humana, é que milhares de Espíritos errantes esperam no espaço a formação dos corpos de que necessitam para recomeçar suas provas e que usando as vossas forças em ignóbeis volúpias, ides contra a vontade de Deus e vosso castigo será grande. Assim, bani essas leituras, das quais não tirais nenhum fruto, nem para a inteligência, nem para o aperfeiçoamento moral. Que os escritores sérios de todos os tempos e de todos os países vos façam conhecer o belo e o bem; que elevem a vossa alma para o encanto da poesia e vos ensinem o útil emprego das faculdades com que vos dotou o Criador.

Espírito de Felícia - Revista Espírita de 1861


Obs.: Não existe algo de profundo e de sublime nessa idéia que dá à reprodução do corpo um objetivo tão elevado? Os Espíritos errantes esperam esses corpos, de que necessitam para o seu próprio adiantamento, e que os espíritos encarnados estão encarregados de reproduzir, como o homem espera o produto da reprodução de certos animais para vestir-se e alimentar-se.
Ressalta outro ensinamento de alta significação. Se não se admite que a alma já tenha vivido, é absolutamente necessário que seja criada no momento da formação e para o uso de cada corpo; de onde se segue que a criação da alma por Deus estaria subordinada ao capricho do homem e na maioria das vezes é o resultado do deboche. Como! Todas as leis religiosas e morais condenam a depravação dos costumes, e Deus se aproveitaria disto para criar almas! Perguntamos a todo homem de bom senso se é possível que Deus se contradiga a tal ponto? Não seria glorificar o vício, desde que serviria à realização dos mais elevados desígnios do Todo-Poderoso: a criação das almas? Que nos digam se tal não seria a conseqüência da formação simultânea das almas e dos corpos; e seria pior ainda se se admitisse a opinião dos que pretendem que o homem procria a alma ao mesmo tempo que o corpo. Admitam, ao contrário, a preexistência da alma, e toda contradição cessa. O homem não procria senão a matéria do corpo; e a obra de Deus, a criação da alma imortal, que um dia dele se deve aproximar, não mais está submetida ao capricho do homem. É assim que, fora da reencarnação, surgem a cada passo dificuldades insolúveis e que se cai na contradição e no absurdo quando se quer explicá-las. Assim, o princípio da unicidade da existência corpórea, para decidir sem retorno os destinos futuros do homem, diariamente perde terreno e partidários. Então podemos dizer com segurança que, em pouco, o princípio contrário será universalmente admitido como único lógico, o único conforme à justiça de Deus, e proclamado pelo próprio Cristo, quando disse: “Eu vos digo que é necessário nascer muitas vezes antes de entrar no reino dos céus”
Allan Kardec.

13 de novembro de 2010

DEBILIDADE MENTAL

Nossa colega, Sra. Costel, tendo feito uma excursão à parte dos Alpes em que o cretinismo parece ter estabelecido um dos seus principais focos, ali recebeu, de um de seus Espíritos habituais, a seguinte comunicação:

"Os cretinos são seres punidos na Terra pelo mau uso feito de poderosas faculdades. Sua alma está aprisionada num corpo cujos órgãos impotentes não podem exprimir seu pensamento. Esse mutismo moral e físico é uma das mais cruéis punições terrestres. Por vezes é escolhida pelos Espíritos arrependidos que querem resgatar suas faltas. A prova não é estéril, porque o Espírito não fica estacionário na prisão da carne; os olhos embrutecidos vêem; o cérebro deprimido concebe, mas nada pode ser traduzido pela palavra ou pelo olhar e, salvo o movimento, estão moralmente no estado dos letárgicos e dos catalépticos, que vêem e ouvem o que se passa ao seu redor sem poderem exprimi-lo. Quando, em sonho, tendes esses terríveis pesadelos, nos quais quereis fugir de um perigo, quando soltais gritos para pedir socorro, enquanto a língua fica presa ao palatino e os pés ao solo, experimentais num instante aquilo que o cretino experimenta sempre: paralisia do corpo ligada á vida do Espírito.

Assim, quase todas as enfermidades têm sua razão de ser; nada se faz sem causa, e o que chamais injustiça da sorte é a aplicação da mais alta justiça. A loucura também é uma punição pelo abuso de altas faculdades. O louco tem duas personalidades; a que extravasa e a que tem consciência de seus atos, sem os poder dirigir. Quanto aos cretinos, a vida contemplativa e isolada de suas almas, sem as distrações do corpo, pode ser tão agitada quanto as existências mais complicadas pelos acontecimentos; alguns se revoltam contra o seu suplício voluntário; lamentam tê-lo escolhido e experimentam um furioso desejo de voltar a uma outra vida, desejo que lhes faz esquecer a resignação na vida presente e o remorso da vida passada, que têm na consciência, porque os cretinos e os loucos sabem mais que vós, e na sua impossibilidade física oculta-se uma força moral da qual não fazeis a mínima idéia. Os atos de furor ou de imbecilidade a que seus corpos se entregam são julgados pelo ser interior, que sofre e se envergonha com eles. Assim, troçar, injuriá-los, e até os maltratar, como deles fazem por vezes, é aumentar-lhes o sofrimento porque os faz sentir mais duramente sua fraqueza e sua abjeção; e, se eles pudessem, acusariam os que assim fazem de covardia, pois sabem que suas vítimas não se podem defender.

O cretinismo não é uma lei de Deus e a Ciência pode fazê-lo desaparecer, pois é o resultado material da ignorância, da miséria e da sujeira. Os novos meios de higiene, que a Ciência, tornada mais prática, pôs ao alcance de todos, tendem a destruí-lo. Sendo o progresso condição expressa da humanidade, as provas impostas modificar-se-ão e seguirão a marcha dos séculos; tornar-se-ão todas morais; e quando a vossa Terra, ainda jovem, tiver realizado todas as fases de sua existência, tornar-se-á um lugar de felicidade, como outros planetas mais adiantados."

Espírito de Pierre Jouty - Revista Espírita de 1861.

11 de novembro de 2010

REPREENSÃO

Ninguém sendo perfeito, não se segue que ninguém tem o direito de repreender o próximo?
Certamente que não, pois cada um de vós deve trabalhar para o progresso de todos, e sobretudo dos que estão sob a vossa tutela. Mas isso é também uma razão para o fazerdes com moderação, com uma intenção útil e não, como geralmente se faz, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a censura é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda cumprir com todas as cautelas possíveis; e ainda assim, a censura que se faz a outro deve ser endereçada também a nós mesmos, para vermos se não a merecemos. (Espírito São Luís - 1860).

Será repreensível observar as imperfeições dos outros, quando disso não possa resultar nenhum benefício para eles, mesmo que não as divulguemos?
Tudo depende da intenção. Certamente não é proibido ver o mal, quando o mal existe. Seria mesmo inconveniente ver-se por toda parte somente o bem: essa ilusão prejudicaria o progresso. O erro está em fazer essa observação em prejuízo do próximo, desacreditando-o sem necessidade na opinião pública. Seria ainda repreensível fazê-la com um sentimento de malevolência e de satisfação por encontrar os outros em falta. Mas dá-se inteiramente o contrário, quando, lançando um véu sobre o mal, para ocultá-lo do público, nos limitamos a observá-lo para proveito pessoal, ou seja, para estudá-lo e evitar aquilo que censuramos nos outros. Essa observação, aliás, não é útil ao moralista? Como descreveria ele as extravagâncias humanas, se não estudasse os seus exemplos? (Espírito São Luís - 1860).

Há casos em que seja útil descobrir o mal alheio?
Esta questão é muito delicada e precisamos recorrer à caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só prejudicam a ela mesma, não há jamais utilidade em divulgá-las. Mas se elas podem prejudicar a outros, é necessário preferir o interesse do maior número ao de um só. Conforme as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é melhor que um homem caia do que muitos serem enganados e se tornarem suas vítimas. Em semelhante caso, é necessário balancear as vantagens e os inconvenientes.

(Espírito de São Luís - 1860).

10 de novembro de 2010

SUBLIME UNIVERSO

As faculdades da alma são forças poderosas e tão variadas como variadas são as suas aspirações e vontades, e tão intensas e sutis como as próprias vibrações espalhadas pelo Universo. Nas almas elevadas, essas faculdades, por muito trabalhadas, aprimoradas e adestradas à Lei divina, atingem a plenitude de um fastígio, de um esplendor vertiginoso, que o homem hodierno sentirá dificuldades de conceber, tornando-se, então, esse esplendor a glória da sua imortalidade, visto que lhes permite a plena comunhão de vibrações com a Suprema Divindade, daí se derivando o seu estado paradisíaco ou celeste, a sua glória, o seu triunfo absoluto, fruto ou aquisição abendiçoada do seu próprio esforço e boa vontade através dos milênios. Chegada a esse pináculo, a alma colabora plena e extensivamente na obra da Criação, uma vez que já poderá refletir a imagem e semelhança do Criador. Tão gloriosa ela se sente, possuidora de tantos poderes, que deseja irradiar para mais além os valores das suas próprias conquistas imortais. Então se desdobra em múltiplas atividades, cooperando com o Todo-Poderoso no aprimoramento do Universo, presidindo ao nascimento e crescimento de mundos e sistemas siderais sob o harmonioso império das leis supremas, expandindo-se em amor e auxílio aos seus irmãos de Humanidade, imolando, muitas vezes, as alegrias da vida celeste que lhe são naturais, a fim de beneficiar povos e Humanidades com o deslumbramento da sua presença em globos materiais onde estagiam almas irmãs em labores evolutivos - tal como Jesus, o Cristo de Deus, o fez entre os homens deste planeta. É próprio da natureza da alma que atingiu a glorificação da unidade com o Criador dilatar-se em abnegação por outrem, ou seja, pelas Humanidades... da mesma forma que é do feitio dos caracteres nobres encarnados na Terra dedicar-se lealmente ao ser amado, à família, ao ideal constituído no coração... Ela o faz, porém, sorridente e feliz, retirando inefáveis alegrias, pelo bem que pratica, dos próprios sacrifícios a que se entrega, sem que por isso se diminua ou sofra tal como entendem os homens o sofrimento sobre a Terra... Sim, porque a alma que plenamente conseguiu conjugar vibrações com o seu Criador torna-se a estruturação do próprio Amor Divino. Ela compreende o Amor Divino, o Amor Universal, e sabe amar! E quem ama harmonizando sentimentos com o Amor Divino não poderá padecer a inferioridade de um sofrimento, visto que o Amor é fonte de delícias e, sendo a plenitude da felicidade eterna, não se mesclará nas amarguras que são a conseqüência de um estado inferior. O Amor absorve-a, impregna-a das suas divinas vibrações, tornando-a radiosa de uma ventura imortal, ainda que se encontre envolvida em circunstâncias críticas, mesmo dolorosas, como foi a do nosso Divino Mestre entre as peripécias da sua paixão na Terra. Mas, os homens somente compreenderão com justeza tais sutilezas das faculdades da alma eleita, no dia em que, igualmente, também eles, que são almas encarnadas, souberem amar com aquele Amor Divino de que Jesus foi o esplendente modelo. As almas normais, como as medíocres, em marcha evolutiva, possuem da mesma forma faculdades que lhes fornecem poderes, sempre relativos, no entanto, ao grau de evolução que atingiram. Assim, também, as inferiores e criminosas, que dos seus poderes mentais se utilizam para a própria consciência nublarem com os feitos da delinqüência.

É certo, portanto, que todos os homens, ou todas as almas, possuem em estado latente e relativo os esplendores que em grau supremo a Divindade Criadora possui, cumprindo a elas, por isso mesmo, se esforçar pelo progresso próprio, evoluírem, tocarem-se de glórias até refletirem em si mesma a semelhança do Ser Todo-Poderoso que lhes forneceu a Vida. Daí os complexos das Humanidades, suas lutas, suas ânsias pelo Ideal, seus desfalecimentos e vigores em busca de um bem que se dilata sempre mais à proporção que se elevam através dos progressos realizados, seu trabalho perpétuo para colher os triunfos imortais cujos germens estagiam dentro do seu próprio ser - partículas que são todas do Supremo Ser Divino. E, possuindo todos nós os mesmos princípios, as mesmas capacidades, somos suscetíveis de realizar os mesmos feitos, sejam psíquicos, no mundo espiritual, ou físicos, nos globos materiais, dependendo a boa ou má qualidade desses feitos, sua grandeza, sua eficácia e perfeição somente do progresso já realizado pelo nosso Espírito. Por isso, as incessantes advertências dos mestres espirituais no sentido de as criaturas procurarem conhecer a si mesmas, o valor que encerram, as energias e virtudes latentes de que são por natureza dotadas, a glória que carregam em si, reeducando-se sob os raios do Sol da Verdade e do Amor, a fim de mais facilmente atingirem a finalidade, no estado celeste que não está aqui nem além, mas na intensidade das faculdades vibratórias de cada ser - de cada universo pessoal, pois será bom recordar que um Espírito é um pequeno, porém, sublime universo!

Espírito de Charles

1 de novembro de 2010

NADA DE EXORCISMO

No Espiritismo não se usa o "exorcismo”, segundo a acepção comum desta palavra, isto é, não se realizam cerimônias especiais para expulsar espíritos inferiorizados, inadequadamente designados demônios.

De acordo com a Doutrina Espírita, Deus não criou, não cria e jamais criará seres eternamente voltados para o mal.

O Espiritismo entende que pessoas perversas, desencarnando, podem assediar e prejudicar os homens, produzindo fenômenos de obsessão, possessão ou subjugação, corporal ou moral. Quando j as casas espíritas são procuradas para socorrer criaturas nestes estados, o que é comum, recorrer-se à oração, a fim de que a entidade atormentadora, esclarecida com amor e benevolência, do mal que está praticando, afaste-se de sua vítima.

Nos Centros Espíritas não há pessoas especialmente encarregadas do serviço de orientação a entidades perversas, que pudessem ser classificadas como exorcistas, sendo oportuno, entretanto, notar que as pessoas de boa moral e sentimentos puros exercem benéfica autoridade sobre tais espíritos perturbadores.

O pensamento espírita a respeito dos "demônios" está explicitado na questão 131 de "O Livro dos Espíritos", a primeira obra da Codificação Kardequiana, e que elucida a contento sobre tantas questões que vêm levando milhares de criaturas a procurarem soluções esdrúxulas e perigosas aos seus problemas de natureza espiritual. Vejamos o que Allan Kardec diz sob a sábia orientação do mundo espiritual:

Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus seria justo e bom

Lacreando seres infelizes, eternamente voltados ao mal? Se há demônios, eles encontra-se no mundo inferior em que habitais e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo e que julgam agradá-lo por meio de abominações que praticam em seu nome. A palavra demônio não implica a idéia de Espírito mau, a não ser na sua acepção moderna, porque o termo grego daimon, de que ela deriva, significa gênio, inteligência, e se aplicou aos seres incorporados, bons ou maus, sem distinção. Os demônios, segundo a significação vulgar do termo, seriam entidades essencialmente malfazejas; e seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Mas Deus, que é eternamente justo e bom, não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua própria natureza, e condenados pela eternidade. Se não fossem obras de Deus, seriam eternos como ele, e nesse caso havia muitas potências soberanas “. Não pretendemos nos alongar neste assunto, que sinceramente nos soa como de uma puerilidade a toda prova. Em épocas passadas, quando a Comunicação não tinha o atual impacto sobre as massas, o” exorcismo “não teria alcançado esta repercussão. É um simples ritual da igreja Católica visando afugentar o Diabo. O livro e o filme que tratam do assunto são os maiores responsáveis por esta onda. São, aliás, verdadeiro atentado ao bom‑senso. Há obras editadas no Espiritismo dissecando perfeitamente a questão, entre elas” Nos Bastidores da Obsessão “, psicografada por Divaldo Pereira Franco. Cuidado, leitor, com este carnaval que se faz em torno do pobre demônio. Muita gente poderá ir parar no hospício pela demasiada preocupação com o mitológico inimigo, e depois ainda vão dizer que a culpa é do Espiritismo...

Revista O Semeador – Abril de 1981