1 de novembro de 2010

NADA DE EXORCISMO

No Espiritismo não se usa o "exorcismo”, segundo a acepção comum desta palavra, isto é, não se realizam cerimônias especiais para expulsar espíritos inferiorizados, inadequadamente designados demônios.

De acordo com a Doutrina Espírita, Deus não criou, não cria e jamais criará seres eternamente voltados para o mal.

O Espiritismo entende que pessoas perversas, desencarnando, podem assediar e prejudicar os homens, produzindo fenômenos de obsessão, possessão ou subjugação, corporal ou moral. Quando j as casas espíritas são procuradas para socorrer criaturas nestes estados, o que é comum, recorrer-se à oração, a fim de que a entidade atormentadora, esclarecida com amor e benevolência, do mal que está praticando, afaste-se de sua vítima.

Nos Centros Espíritas não há pessoas especialmente encarregadas do serviço de orientação a entidades perversas, que pudessem ser classificadas como exorcistas, sendo oportuno, entretanto, notar que as pessoas de boa moral e sentimentos puros exercem benéfica autoridade sobre tais espíritos perturbadores.

O pensamento espírita a respeito dos "demônios" está explicitado na questão 131 de "O Livro dos Espíritos", a primeira obra da Codificação Kardequiana, e que elucida a contento sobre tantas questões que vêm levando milhares de criaturas a procurarem soluções esdrúxulas e perigosas aos seus problemas de natureza espiritual. Vejamos o que Allan Kardec diz sob a sábia orientação do mundo espiritual:

Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus seria justo e bom

Lacreando seres infelizes, eternamente voltados ao mal? Se há demônios, eles encontra-se no mundo inferior em que habitais e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo um Deus mau e vingativo e que julgam agradá-lo por meio de abominações que praticam em seu nome. A palavra demônio não implica a idéia de Espírito mau, a não ser na sua acepção moderna, porque o termo grego daimon, de que ela deriva, significa gênio, inteligência, e se aplicou aos seres incorporados, bons ou maus, sem distinção. Os demônios, segundo a significação vulgar do termo, seriam entidades essencialmente malfazejas; e seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Mas Deus, que é eternamente justo e bom, não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua própria natureza, e condenados pela eternidade. Se não fossem obras de Deus, seriam eternos como ele, e nesse caso havia muitas potências soberanas “. Não pretendemos nos alongar neste assunto, que sinceramente nos soa como de uma puerilidade a toda prova. Em épocas passadas, quando a Comunicação não tinha o atual impacto sobre as massas, o” exorcismo “não teria alcançado esta repercussão. É um simples ritual da igreja Católica visando afugentar o Diabo. O livro e o filme que tratam do assunto são os maiores responsáveis por esta onda. São, aliás, verdadeiro atentado ao bom‑senso. Há obras editadas no Espiritismo dissecando perfeitamente a questão, entre elas” Nos Bastidores da Obsessão “, psicografada por Divaldo Pereira Franco. Cuidado, leitor, com este carnaval que se faz em torno do pobre demônio. Muita gente poderá ir parar no hospício pela demasiada preocupação com o mitológico inimigo, e depois ainda vão dizer que a culpa é do Espiritismo...

Revista O Semeador – Abril de 1981

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