22 de dezembro de 2010

NATAL, UM CONVITE A PAZ


Os povos sempre viveram, em todos os tempos, sob o jugo impiedoso dos poderosos, dos conquistadores terrenos implacáveis, fazendo com que as expectativas de paz e as necessidades de equilíbrio emocional/espiritual se constituíssem num dos maiores anseios do ser humano.
Paz é a palavra do momento e muitos movimentos estão sendo realizados por todo Brasil e por todo mundo, numa verdadeira rogativa para que haja na convivência humana pacificação, base fundamental para a fraternidade.
Saibamos, no entanto, que a paz não vem de fora para dentro, mas em sentido contrário, ou seja, de nós para a sociedade. Pacificando-nos contribuiremos para a pacificação da comunidade à qual pertencemos.
O povo judeu, que buscou a paz, não fugiria a esta verdadeira regra negra vigente na Humanidade.
Foi escravizado por largos períodos de miséria e aflição. É fora de dúvida que ninguém sofre por acaso.
Todavia, este povo nunca deixou de acalentar o sonho de libertação que lhe permitisse encontrar o ideal da vida – a felicidade sua e a de seus filhos, o que é muito natural.
Transformado em servo da situação infeliz, onde as mentes e os corações eram tangidos pelas paixões inferiores e inconfessáveis, este povo viu descaracterizados os seus sonhos de libertação e felicidade que tanto esperava, segundo afirmavam as profecias existentes nas velhas letras escriturísticas.
A dominação romana era tomada pelas dramáticas paixões morais, sombrias, em razão da ambição e da corrupção que se transformaram numa verdadeira epidemia, arrastando-se até hoje em todos os recantos do Planeta, levando as criaturas a viver dias de situações morais deploráveis.
As pessoas sofriam o abandono e a perseguição inclemente dos esbirros de ambos os lados, afligindo-as impiedosamente.
Foi exatamente nesse panorama nebuloso de sofrimentos que surgiu a figura incomum de Jesus, com Sua energia expressando brandura, Sua bondade sem mostrar pieguismo, Sua coragem vivida sem temor, Sua sabedoria irradiando-se sem constranger os menos cultos e Seu amor abrangendo todos os seres.
Muito complexo até hoje penetrar o pensamento de Jesus, entender-lhe a vida aqui na Terra, sua excruciante dor moral-espiritual ao dizer “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Que estaria sentindo o divino Mestre naquele momento terrível de Sua passagem pela Terra? Só Ele pode dizer.
Será que não haveria um outro modo d´Ele deixar sua mensagem sem passar pelo que passou? Precisaria deixar escorrer o Seu sangue, ser alvo de tanto escárnio, sofrer todos aqueles achincalhes e tipos de violência? Devem ser perguntas que fervilham nas mentes de muitos.
Só encontramos uma resposta: não. E por quê? Porque os seres humanos, daquela época, como os atuais e seguintes, somente através de exemplos tão marcantes e diferentes dos demais enviados a Terra por Deus poderiam sentir-se estigmatizados de forma indelével pelos exemplos deixados por Ele. Ele foi diferente, nunca nada nem ninguém se Lhe comparou. Outros vieram antes e depois de Jesus sem conseguirem marcar a vida do homem como só Ele o fez. A história do homem dividiu-se: antes e depois dEle.
Sua vida foi muito rica de exemplificações que agradavam ao Pai, Pai que O enviara para nos servir de Guia e Modelo. E Ele cumpriu até o último dos detalhes previstos para Aquele que seria o Enviado Divino. Queria, precisava ser reconhecido, em Sua época como agora. Submeteu-se a tudo por esta causa: ser identificado.
A Psicologia e todas as ciências da alma tardarão em compreendê-lO em Sua essencialidade de enviado de Deus, nosso Criador, mais ainda quando Ele foi taxativo em Suas metáforas: “Eu sou a porta...”, “Eu sou o pão da vida...”, “Eu sou o caminho...”, “Eu sou a luz do mundo...”, “Eu sou o bom pastor...”.
Temos a necessidade de ir até Ele, deixarmo-nos por Ele penetrar e procurarmos sentir no mais recôndito de nosso ser toda a Sua grandeza espiritual. Será o momento do nosso encontro com a Luz da Vida.
A melodia de Natal traz de novo a mensagem de Jesus aos nossos ouvidos espirituais, ela que é toda tecida de sabedoria, ternura, paz, fazendo com que a palavra do Mestre possa tornar-se na maior das conquistas a serem logradas em nossa caminhada evolutiva. Pobre de quem isto não reconhecer!
Inesquecível é a noite de Natal de Jesus, cuja lembrança leva os homens a se deixarem dominar pelos sentimentos mais nobres, bem acima das sombrias ânsias de dominação, pairando sobre todos a claridade de Seu amor.
Deixemo-nos levar pelos sentimentos de fraternidade e convertamos nossos atos em demonstrações de paz e amor, pois que estamos sob a égide do “amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”.
Deixamos algumas sugestões para o encontro da paz. Aceitemos a existência como nos foi programada por Deus; auxiliemos a todos sem absorver-lhes as responsabilidades; desinteressados e desorganizados, ajudemo-los sem violentar-lhes o livre-arbítrio; amemos os familiares sem querê-los como objetos em nossas mãos, reconhecendo-os como criaturas de Deus; não nos iludamos em querer mudar apressadamente as pessoas, porque também resistimos quando observados em erros; feridos, esqueçamos, lembrando-nos de quantas vezes também magoamo-nos; a felicidade obedece o ideal de cada um, não queiramos impor o nosso; respeitemos os pontos de vista contrários aos nossos, visto que somos diferentes; acatemos a fé dos outros, pois Deus oferece trilhas variadas para o acesso ao Reino do Céu; aprendamos aqui a ser cada dia melhores, acumulando tesouros imperecíveis, pois só levamos para o mundo espiritual os valores inapagáveis do Espírito; mantendo a consciência tranqüila, trabalhemos servindo sempre. Caso consigamos agir assim, mesmo sem perceber, estaremos dominados pela paz.

Feliz Natal, leitores! 
Tenham dias muito felizes, vocês e todos os seus entes queridos!

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