5 de janeiro de 2011

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Na segunda metade do século 19, época do surgimento do Espiritismo por meio da obra de Allan Kardec, a medicina oficial ainda era bastante primitiva. Os médicos discutiam, por exemplo, a eficácia ou não das sangrias. Essa equivocada prática era o método terapêutico mais utilizado desde a antiguidade. Supondo um excesso de sangue, ou a presença de sangue enfermo, os médicos retiravam consideráveis quantidades dele do paciente, utiliizando estiletes ou sanguessugas. Era reecomendada para inflamações, dor de garganta e outras moléstias.
Alguns médicos a indicavam até para as pessoas sadias! A medicina moderna teve início apenas no último século. Apesar de o enxerto de pele ter sido descrito pelo suíço Jacques Reverdin em 1869, foi necessária a invenção dos rins artificiais para dar impulso no desenvolvimento dos transplantes de órgãos nas décadas de 50 e 60. Nesse período começaram a surgir as soluções para a rejeição, do organismo do paciennte, dos órgãos. Nos anos 80, centenas de enfermos estavam sendo conduzidos para operações de transplante.
Mas o aparecimento dos transplantes de órgãos trouxeram uma diversidade de questões éticas e legais para a medicina. Até então, a morte era constatada pela parada da respiração. Era um hábito as pessoas aproximarem um pequeno espelho à boca e ao nariz do enfermo se não surgissem pequenas gotículas de vapor significava a extinção da respiração e a morte se confirmava. O avanço, na utilização de equipamentos artificiais mantenedores das funções vitais, permitia preservar a vida mesmo depois de extintas as funções cerebrais, possibilitando o transplantes de órgãos como rins e coração. Assim, a comprovação do óbito mudou de parada respiratória para morte cerebral.
Os critérios iniciais para constatar a morte cerebral foram estabelecidos em 1968 por um comitê da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Entre os médicos, essa comissão tinha um teólogo e um historiador. No ano anterior, Christian Barnard tinha realizado, na África do Sul, o primeiro transplante de coração. No entanto, por incrível que pareça, apesar da morte cerebral ser cientificamente comprovada, ainda "não existem fundamentos científicos para o diagnóstico clínico de morte encefálica" com precisão, afirmou o médico Cícero Galli Coimbra (do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia Universidade Federal de São Paulo).
Portanto, o diagnóstico de morte cerebral, além de ser bastante recente, é controverso no meio médico. "O debate em torno da validade e do uso prático dos critérios utilizados hoje em vários países para diagnosticar a morte cerebral é intenso, ainda mais quando se leva em conta que a retirada dos órgãos de um paciente para transplantes depende desse diagnóstico. A polêmica envolve temas abstratos como vida e morte", explicou o médico Flávio Freinkel Rodrigues (da Universidade Federal do Rio de Janeiro). A questão filosófica da definição da vida e da morte torna-se fundamental para conciliar moral e ciência. Podemos afirmar que o Espiritismo, pesquisando o fenômeno da morte de forma positiva, é a melhor resposta para atender essa questão.
O dogma religioso define que a alma se confunde com a vida orgânica. Segundo essa definição, um corpo vivo, apesar da morte cerebral, estaria sempre ligado à alma. Cria-se um impasse entre religião e ciência. Para o Espiritismo, entretanto, o fenômeno da morte não é uma questão abstrata. A fisiologia do espírito evidencia a existência do corpo espiritual: o perispírito. A morte está relacionada com o desligamento completo entre perispírito e corpo físico. A vida orgânica é mantida pelo fluido ou princípio vital (veja matéria nesta edição). Portanto, um corpo humano pode continuar vivo quando o espírito, com seu perispírito, já tiver se desligado completamente. A vida orgânica, mantida pelo fluido vital, pode existir independente da alma.
Essa explicação está bastante evidente na questão 136 de O Livro dos Espíritos. "A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica". O diagnóstico preciso da morte está relacionado com a ligação entre perispírito (substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao espírito) e corpo (ser material análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital).

O QUE É MORTE ENCEFÁLICA?
No indivíduo sadio, a pressão normal no crânio permite a passagem do sangue impulsionado pela pressão sanguínea (há até espaço livre, preenchido por líquido). No indivíduo com trauma craniano severo, ocorre o edema (inchaço) progressivo do cérebro. Como esse órgão se situa dentro do crânio, uma estrutura óssea rija e inextensível, o edema causa a elevação gradual da pressão intracraniana. Dessa maneira, os vasos sanguíneos internos são comprimidos, podendo levar, em horas ou dias, a suspensão completa da circulação local, caracterizando-se a morte encefálica, que é irreversível.
Quando a medicina estiver aliada à ciência espírita, os médicos e pesquisadores terão evidências positivas da ética e da moral. Então, não haverá limites para se alcançar a saúde integral do homem.

Revista Universo Espírita

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