9 de janeiro de 2011

A VITÓRIA SOBRE A MORTE

Com o advento do Espiritismo, os segredos da morte foram desvendados em grande parte e fatos dos mais importantes, sobre o assunto, são revelados pelos próprios Espíritos desencarnados, o que vem transformar de forma edificante não somente muitos aspectos da vida humana, mas também os conceitos sobre as conseqüências da própria morte.
Cremos que, hoje em dia, pelo menos no Brasil, qualquer que seja a religião que se professe, um interesse encantador é despertado em todos os corações, pelos acontecimentos de Além-Túmulo. Todos desejam saber o que desejam as almas dos mortos ao concederem suas mensagens aos médiuns, o que narram sobre a vida espiritual, quais as suas impressões ao atingirem o outro plano da vida.
Basta que um espírita mais loquaz se proponha a ferir o assunto, em qualquer ambiente em que se encontre, para que a maior parte do auditório demonstre interesse em ouvi-lo, passando a fazer indagações por vezes curiosas e inteligentes, atestando a ânsia do coração de cada um pela posse de um ideal que palpita nos refolhos de sua alma.
A influência da Doutrina Espírita na renovação do caráter humano, porém, e, portanto, na reforma dos costumes e, conseqüentemente, na melhoria da sociedade, faz-se notável pelo que vemos suceder nos agrupamentos espíritas que se vão formando: - por toa à parte, indivíduos preocupados em se corrigirem de defeitos e vícios graves, interessados em servir o próximo desta ou daquela forma, aliviando-lhe as misérias físicas ou as amarguras morais. A maioria, desinteressada já das futilidades e ilusões da sociedade, prefere preocupações nobilitantes, que estão a atestar a excelência da moral que vem aprendendo na Doutrina dos Espíritos. Outros, atingindo mesmo a abnegação, no cumprimento de tarefas com que se comprometeram ao reencarnar, colocam-se a frente de obras de assistência social, cujo padrão de fraternidade é incontestável. Por isso mesmo, o espírita poderá não ser um homem virtuoso, na expressão literal do termo, mas o que se observa é que todos são, não obstante, homens honestos, de boa vontade e já incapazes de praticar o mal!
“Conhece-se a verdadeira religião pelo número de homens de bem que será capaz de produzir” – disse, em outras palavras, o insigne Codificador do Espiritismo, Allan Kardec. Isso, nos dias atuais, quando a Humanidade se debate diante do espectro dos flagelos que ameaçam cair sobre a Terra, afim de sacudi-la, despertando a atenção dos seus habitantes para a prática do Bem e da Justiça, é consolador para os espíritas, que encontram na magnitude da Doutrina a própria redenção de faltas passadas e o reconforto de amarguras antes julgadas insolúveis.
Não se diga, porém, que tais fenômenos, mais importantes do que presumimos somente se verificam entre brasileiros. Como adepto do Esperanto que também somos obtendo noticiário do movimento espírita em alguns países estrangeiros, temos verificado certa preocupação em se iniciarem obras de alívio ao sofredor, através dos aspectos da caridade material e moral. E, se no seio de muitas agremiações espíritas estrangeiras os livros de Allan Kardec ainda não foram devidamente adotados, observamos que valiosos livros espíritas já correm o mundo, traduzido para o Esperanto pela FEB, e que os Mentores Espirituais, que por lá se comunicam, também ensinam, Como aqui, com outras palavras, que – Fora da Caridade não há Salvação – e que desde os tempos de Moises já era dito que não é possível amar a Deus sem servir ao próximo.
Tais divagações acudiram espontaneamente ao nosso cérebro ao lermos certo trecho da excelente obra de Ernesto Bozzano, “A Crise da Morte”, livro fecundo em lições sobre as primeiras impressões de um Espírito recém-desencarnado. Vamos encontrar ali, no Décimo Caso, o relato de uma entidade espiritual que nos oferece ensinamento profundo, concorrendo para uma outra feição de reeducação necessária ao adepto do Espiritismo, muito embora este aspecto de ensinamento seja conhecido desde os primeiros anos da Codificação. Diz o comunicante, entre outros pontos interessantes do seu ditado:
- “Concinto, pois, os vivos, que percam alguns dos seus parentes – qualquer que possa ser -, a que, a todo custo, se mostrem fortes, abafando toda manifestação de mágoa e apresentando-se de aspecto calmo nos funerais. Comportando-se assim determinarão considerável melhoria na atmosfera que os cerca, porquanto a aparência de serenidade nos corações e nos semblantes das pessoas que nos são caras emite vibrações luminosas, que nos atraem como, à noite, a luz atrai a borboleta. Por outro lado, a mágoa dá lugar a vibrações sombrias e prejudiciais a nós outros vibrações que tomam aspecto de tenebrosa nuvem a envolver aqueles a quem amamos. Não duvideis de que somos muito sensíveis às impressões vibratórias que nos chegam por efeito da dor dos que nos são caros.”.
Assim sendo, necessariamente teremos de medir diferença existente entre essa encantadora Doutrina Espírita e as antigas crenças que emprestavam ao fenômeno natural, que é a morte, um aparato de tal forma lúgubre, um noticiário de tal forma desolador para os que ficavam que o desconsolo, o desespero e até desgraças, como a loucura e o suicídio, se sucediam em face da partida, para o Além de ser amado. A Doutrina Espírita, devassando ao homem a vida do Além-Túmulo, não só concorre para o seu progresso moral, infiltrando-lhe o desejo sublime do aperfeiçoamento indispensável a um estado feliz depois da morte, como, acima de tudo, o leva a convicção de que a morte não existe, pois no seio de Universo palpitante de vida eterna não existirá local para qualquer espécie de aniquilamento. Confirma-se assim a observação do apóstolo Paulo na sua 1 ª Epístola aos Coríntios:
“Porque importa que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade; e que este corpo mortal se revista da imortalidade”. E quando este corpo mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura:
_ “Tragada foi à morte na vitória. Onde está ó morte, a tua vitória? Onde está ó morte, o teu aguilhão?” Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei¹. Porém rendamos graças a Deus, que nos deu a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, estais firmes e constantes, crescendo sempre na obra do Senhor, sabendo que vosso trabalho não é vão no Senhor.” (Cap. 15. vv. 53 a 58).

Yvonne A. Pereira

Livro: A Luz do Consolador



1. A lei da reencarnação para as almas culpadas, morte temporária do espírito.

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