24 de março de 2011

SUICÍDIO E LOUCURA

"Há uma conseqüência à qual o suicida não pode escapar: é o desapontamento."1
Em mensagem inserta no livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo cinco, item vinte e cinco, François de Genève narra o seguinte:
"Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera de vossos corações e vos leva a considerar amarga a Vida? É que vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia, e vos julgais infelizes.
Crede-me, resisti com energia a essas impressões que vos enfraquecem a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma Vida melhor; mas não as busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que Lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que Ele vos reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantém cativo o Espírito. Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes de desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos a vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo-provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos...          
A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Entretanto, por que não se tem esse direito? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta, somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que, nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos a que ele nos põe sob as vistas.1
"O Homem carnal, mais preso à Vida corpórea do que à Vida espiritual, tem, na Terra, penas e gozos materiais.
O Homem moral, que se colocou acima das necessidades factícias criadas pelas paixões, já neste mundo experimenta gozos que o homem material desconhece. A moderação de seus desejos lhe dá ao Espírito a calma e serenidade. Ditoso pelo bem que faz, não há para ele decepções e as contrariedades lhe deslizam por sobre a alma, sem nenhuma impressão dolorosa deixarem."2
"(...) Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da Vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
Ora, encarando as coisas deste mundo da maneira por que o Espiritismo faz que ele as considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, lhe preserva de abalos a razão, os quais, se não fora isso, a conturbariam."3
Profunda conhecedora da alma humana, Joanna de Ângelis consegue acoplar as mais recentes conquistas da psicologia com os milenares ensinamentos de Jesus, e, partindo dessas premissas, logra atingir apodíctico silogismo que, não deixando em absoluto, margens a dúvidas, dado à racionabilidade de seus critérios, leva-nos, também ao mesmo patamar de compreensão.
Acompanhemos, pois, seu raciocínio, ao fazer uma análise dos fatores predisponentes ao suicídio e à loucura, ao mesmo tempo em que relaciona, na seqüência a profilaxia ideal a ser adotada no combate às sementes da angústia que são nutridas pela tristeza, mágoa, rebeldia sistemática 4:
"A tristeza que agasalhas, levando-te à mortificação interior, de que não te consegues libertar, é fator destrutivo nos alicerces da personalidade.
A mágoa, que conservas como ácido que te corrói os tecidos do sentimento, constitui morbo que em breve terminará por vencer as tuas resistências.
A rebeldia sistemática, a que te agrilhoas, transformará as tuas aspirações duramente acalentadas em resíduos de infelicidade e tormento infindável.
Defrontas os problemas que se manifestam no teu dia-a-dia entre a irritação e o desespero, estabelecendo matrizes de aflições que te conduzirão ao auto-aniquilamento.
Essa melancolia que te penetra a mente, tecendo as malhas da depressão, é sinal de alarme que não podes desconsiderar.
Essa aflição que se agiganta, dominando-te o equipamento nervoso, convida-te a uma mudança de atitude, que não deves postergar. Isto que te consome, desaparecendo e ressurgindo em roupagens de configuração nova, é desafio que deves enfrentar com estoicismo, para saires da desarmonia.
Sejam quais forem os fatores afligentes ou depressivos que te cheguem, invitando-te ao cultivo do pessimismo ou da irritabilidade, não devem encontrar guarida nos teus painéis mentais.
Problemas e dificuldades representam prova com que crescemos na direção da Vida. Desse modo, realiza a assepsia mental pela preservação do otimismo e da irrestrita confiança em nosso Pai Celestial.
Quando a Vida te parecer sem objetivos e estiveres a ponto de cair, renova os teus conceitos e ora, buscando a divina inspiração, haurindo, então, a força que te propiciará sair do ocaso emocional e transformará os teus problemas em ação de benemerência para os teus irmãos, descobrindo, por fim, que a linguagem universal do bem é a terapia preventiva e curadora para o suicídio e a loucura."
1 - Kardec, A. in "O Livro dos Espíritos" - Questão 957
2 - Kardec, A. in "O Livro dos Espíritos" - Questão
3 - Kardec, A. in "O Evangelho Segundo o Espiritismo" - capítulo V, item 4 e 14
(5) 4 - Joanna de Ângelis/Franco, D.P. in "Alerta" - Capítulo 10. 

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