11 de abril de 2011

CRIMINOSOS NUMA ANÁLISE ESPÍRITA


“Deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas que são de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos se se arrependerem” “É tanto vosso próximo {o criminoso}, como o melhor dos homens” (Evangelho Segundo o Espiritismo - XI,14.)

Num tempo em que são apresentadas como novidades as doutrinas sociais da inclusão isto é: inserir aqueles, que são excluídos, ou se auto excluíram por motivos vários, importa refletir à luz da Filosofia Espírita, sobre uma larga faixa daqueles, porque caídos nas malhas do crime, continuam detestados e, quiçá, para a populaça intolerante, melhor seria retirar esses criminosos para sempre do seio da sociedade.
O Espiritismo enquanto bênção dos céus, é a doutrina da modernidade por excelência, ao eleger como seu postulado principal a caridade, deixando o bem expresso no Evangelho Segundo o Espiritismo Capitulo XI na comunicação de Paulo- Paris 1860 que “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, propõe assim, a revolução do amor nos corações, para, que ninguém fique de fora da esperança e do amor do Pai, em que Jesus Cristo resumiu toda a sua doutrina, perpetuando no espaço e no tempo esse canto de beleza traduzido no:” Vinde a mim vós que sofreis eu vos aliviarei” ou “justiça quero e não violência” a fim de que, os caídos na desgraça não sejam aniquilados, mas conduzidos ao amor e ao perdão e, mesmo no extremo das suas dores, recebam sempre nova oportunidade de educação.

Léon Denis afirma que:
Todas as almas são perfectíveis e susceptíveis de educação; devem percorrer os mesmos caminhos e chegar da vida inferior à plenitude do conhecimento, da sabedoria e da virtude. Não são todas igualmente adiantadas, mas todas hão-de subir, cedo ou tarde, as árduas encostas que levam às radiosas eminências banhadas da eterna luz”.

Acreditando sempre na educação, não duvidemos nós os espíritas do pensamento de Léon Dennis e perseveremos sempre na busca de maiores conhecimentos que, nos permitirão agir no seio da sociedade como colaboradores das almas, que desta ou daquela forma nos foram confiadas, ou conosco se cruzaram nesta reencarnação, tendo para com toda a compreensão. Quando as Ciências da Educação e o legislador penal estudarem com profundidade os postulados espíritas, serão confrontados com uma realidade que ignoram, o Espiritismo prevê toda uma política educacional e social, essencialmente preventiva.
São estas palavras de Allan Kardec, nos comentários pessoais, a respeito da “Lei do Trabalho”, questão nº 685 do L.E: Considerando-se o aluvião de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de espantar as consequências desastrosas que daí decorrem? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada (a educação) o homem terá no mundo hábitos de ordem e previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos penosamente os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Esse o ponto de partida, o elemento real do bem estar, o penhor da segurança de todos”.
A Filosofia Espírita, nunca leva a uma visão fatalista, prevê sempre a regeneração do espírito pela reforma moral, pela educação, pelo trabalho, pelo aperfeiçoamento das condições sociais. Daí, que em momento algum os Espíritos apresentaram a violência ou a força como solução para alguma coisa, mas sempre a educação, como fica bem expresso na questão 761. L.E: A lei de conservação dá ao homem o direito de preservar a sua própria vida; não aplica ele esse direito, quando elimina da sociedade um membro perigoso?
- Há outros meios de se preservar o perigo, sem matar. É necessário, aliás, abrir e não fechar ao criminoso a porta do arrependimento. O Espiritismo como corpo doutrinário organizado, propõe em todas as situações soluções modernas e avançadas, ainda não superadas pelas modernas Ciências Criminais, Ciências Sociais e Educacionais, oferecendo a todos os estudiosos sérios, um campo vasto de reflexão, para toda a problemática, que hoje convida à visão holística, ou no dizer do professor José Herculano Pires “cosmovisão”.
Se, os que não estudam o Espiritismo, sabem o, que ele não é nunca é demais dizer o que ele é para isso ninguém melhor que o Codificador Allan Kardec-(55) O que é o Espiritismo.
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; compreende todas as consequências morais, que dimanam dessas relações. Porque despida a roupagem carnal, o Eu individual não se extingue, e o espírito leva consigo toda a responsabilidade individual, fruto das suas ações nefastas, pela reencarnação, através das vidas sucessivas, volve ao palco educacional, como único meio de aperfeiçoamento espiritual, reencontrando-se com aqueles a quem prejudicou para reparação dos seus males.
“Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e as suas consequências. O Arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação” (O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. VII, item 16º).
Então, se com a morte do delinquente, o espírito imortal prossegue, o ódio acompanha o odiado e também não se extingue o sentimento de vingança para o futuro: qualquer extinção da vida do delinquente não passará apenas de uma perda de tempo e, de uma violência gratuita do estado para criar mais um revoltado na escola futura. Porque o fuzilamento, a cadeira eléctrica, a injeção letal ou, outras formas de eliminação legal, por mais modernas e poderosas, serão incapazes de destruir o espírito imortal, nunca apagarão, com esses métodos os ódios, as vinganças ou as perversidades.
“Para o criminoso, a presença incessante das vítimas e das circunstâncias do crime é um suplício cruel”. (O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap.VII, item 24). Aqueles, que eivados de uma visão materialista da vida e que em pleno século XXI, invocam como solução política de paz pública o saneamento dos criminosos, pela pena de morte ou outras formas de violência, apresentam uma solução negativa à Luz do Espiritismo.
As vinganças de ordem espiritual, que se abatem sobre as famílias, os povos ou as nações, tomando a forma de obsessões individuais ou coletivas, são o resultado das violências legais ou ilegais que, não souberam abrir a porta do amor e da regeneração pela educação do delinquente, que um dia também será anjo. A sociedade tem efetivamente de saber defender-se e preservar-se porque essa é uma condição de progresso individual e coletivo dos Espíritos: “O homem tem que progredir. Isolado não lhe é possível” {LE- Q. 768}“ Quis Deus que por essa forma {os laços sociais e de família} os homens aprendessem a amar-se como irmãos” (LE- Q. 774). Vide ainda {LE-Q.766,767,768}.
A Codificação explica como a organização social se deve defender dos criminosos. –“A Sociedade tem as suas exigências. São-lhe necessárias leis especiais” (LE-Q 794);_ “se {as imperfeições de uma pessoa} podem acarretar prejuízos a terceiros , deve-se atender, de preferência, ao interesse do maior número” (Evangelho Segundo o Espiritismo Capitulo - X, 21)- “Uma sociedade depravada certamente precisa de leis mais severas {…}” (LE –Q 796)- “A vida social outorga direitos e impõe deveres recíprocos” (LE- Q- 877);” Confiante na impunidade, o homem retardaria o seu avanço e, consequentemente, a sua felicidade futura” (EE-V,5).
-“ Com o atrativo de recompensas e temor de castigos, procura-se estimular o homem para o bem e desviá-lo do mal” (LE- Q 1009§ 9). “O castigo só tem por fim a reabilitação, a redenção” (LE- Q1009§ 7); -” as penas por temporárias, constituem concomitantemente castigos e remédios auxiliares à cura do mal” (CI-1º VII, 30)” Toda a imperfeição, assim como toda a falta que dela promana, traz consigo o próprio castigo, nas consequências naturais e inevitáveis “(CI 1ª, VII, 33, 2ª.)
A proposta penal da Filosofia Espírita, não esgota a sua ação na defesa social, não tem por fim último salvaguardar a coletividade, mas organizar-se esta de tal forma para fins superiores, que corrijam as imperfeições, que conduzem ao crime, tratando o delinquente e não o segregando ou eliminando-o, mas cuidando dessas almas doentes. - “Infelizmente essas leis {penais} mais se destinam a punir o mal, do que a lhe secar a fonte” (LE-Q. 796) e em jeito de conclusão e sentença deixa-nos o Mestre de Lyon, discípulo de Pestalozzi. “Só a educação poderá reformar os homens que, então, não precisarão de leis tão rigorosas (LE Q.796”.)
O Espiritismo não nos esclarece somente sobre o transcendente, oferece-nos noções claras a respeito de Deus, a Inteligência Suprema e sobre o Cristo Consolador. Dá-nos a conhecer muitas das leis divinas que já podemos compreender, a evolução contínua, as vidas sucessivas em mundos matérias como o nosso, a lei de causa e efeito, a eternidade do Espírito, leis de esperança que mostram ao ser humano as suas imensas possibilidades de crescimento, na proporção justa do seu esforço, do uso correto da sua inteligência e vontade e da liberdade que goza. Ensina-nos com clarividência que o homem, espírito encarnado neste mundo atrasado, vem ao longo dos milénios, cumprindo o seu fado, aprendendo as coisas rudimentares da vida, mas sempre se aperfeiçoando através das reencarnações, não ficando ninguém, excluído das soberanas leis do amor.
E porque somos ainda imperfeitos e precisamos da caridade dos luzeiros espirituais que nos guiam e nos e convidam permanentemente ao perdão, a sermos mais fraternos e solidários uns com os outros, mesmo sabendo das nossas seculares imperfeições, ou porque sabem que somos doentes e para isso precisamos do lar, adequado à nossa condição evolutiva, da escola ou do hospital mais capazes, jamais nós, espíritas, nos permitamos ser descaridosos para com os nossos semelhantes, nomeadamente, os caídos no vício da criminalidade porque, mesmo com esses podemos aprender onde já não estamos, nunca esquecendo o principio fundamental da doutrina espírita. “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO” permite Deus que entre vós se achem grandes criminosos, para que vos sirvam de ensinamentos.” (EE-XI, 14,§5.
Que nos Centros Espíritas, escolas fundamentais do Movimento Espírita, contribuamos pela nossa ação ativa a divulgar e exercitar esses e outros saberes, que chegaram até nós pela caridade do Amor infinito de Deus, ampliados pelo Espírito da Verdade, para melhor entendimento de Jesus, através das obras de Kardec, porque este sentimento religioso novo, ou Religião Natural do Amor, contribuirá ao maior respeito por todos os semelhantes, contribuindo para a verdadeira paz social.

José Esteves Teiga
Federação Espírita Portuguesa

Referências bibliográficas:
- Ney Lobo,
- Léon Denis,
- Allan Kardec,
- Céu e Inferno.
- Deolindo Amorim,
- Livro dos Espíritos;
- O Que é o Espiritismo;
- Espiritismo e Criminologia;
- Os Criminosos na visão Espírita;
- Filosofia Espírita da Educação-3.
- Evangelho Segundo O Espiritismo;
- O Porquê do Ser, do Destino e da Dor.
- 2 8 - R e v i s t a d e E s p i r i t i s m o
  29 - R e v i s t a d e E s p i r i t i s m o 

O ESPIRITISMO SEM O CRISTO PERDE O RUMO


Ainda encontramos irmãos "espíritas" que questionam o aspecto cristão da Terceira Revelação. Negam a excelsitude de Jesus Cristo com evidente e enfermo descontrole emocional, referindo-se ao Mestre como se Ele fosse um homem vulgar. Para esses seres atoleimados em suas fanfarras imaginárias, alertamos o seguinte: Espiritismo é CRISTÃO, Sim!

O grande mestre espiritual Emmanuel elucida a questão dizendo que "somente o Cristianismo restaurado pode salvar o mundo que se perde. Nossa missão é essencialmente cristã, na restauração da fé viva e na revivência das tradições simples dos tempos apostólicos. Não temos a presunção de pedir o atestado de óbito das escolas religiosas, nem desejamos estabelecer a luta dogmática e o sectarismo. Desejamos tão-só reavivar a crença pura, a fim de que o homem, na qualidade de herdeiro divino, possa entrar na glória espiritual da compreensão de Jesus Cristo".

Se aceitamos os preceitos da Doutrina Espírita, não podemos negar-lhes fidelidade. Prevendo esses indesejáveis movimentos em nossas hostes, as falanges das trevas tem se organizado e investido duro contra o Espiritismo Cristão. Os gênios das sombras do além desejam desintegrar o Cristo e o Cristianismo do contexto Espírita. Não podemos permitir isso JAMAIS. Têm surgido, ultimamente, muitas práticas absurdas no movimento espírita e precisamos orar e vigiar mais. Espiritismo sem o Cristo perde o sentido como projeto de evangelização humana.

O Espiritismo sem o cristo perde o rumo. O iluminado Chico Xavier advertiu: "Se tirarmos o Cristo do Espiritismo, vira comédia. Se tirarmos o aspecto cristão do Espiritismo, vira um negócio. A Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião. Se tirarmos a religião, o que é que fica? Jesus está na nossa vivência diária, porquanto em nossas dificuldades e provações, o primeiro nome de que nos lembramos, capaz de nos proporcionar alívio e reconforto, é JESUS.".

Alguns confrades descomprometidos com a reforma moral, que se vangloriam de seus dúcteis e frágeis conhecimento acadêmicos, que se autointitulam laicos (“kardequólogos, phd’s espíritas”) , distantes de quaisquer argumentos racionais e/ou inteligíveis, persistem em disseminar a cansativa cantilena de que se é preciso fugir do Cristianismo (ou Espiritismo-Cristão), do religiosismo, do igrejismo na Doutrina Espírita. Insistem e querem fundar um “Espiritismo”acadêmico composto de “notáveis” da ilusão. Que me perdoem os leitores!

Sob o viés dessa sandice conceitual sobre o mestre lionês, escrevem livros, artigos, fazem “congressos”, palestras, invariavelmente escravizados aos impulsos telepáticos dos "gênios das trevas". Destarte, pela tendência desses chamados "espíritas laicos", percebe-se que o Cristianismo, redivivo no Espiritismo, ainda encontrará, por algum tempo, a resistência das mentes vulcanizadas na prepotência, da má-fé, da arrogância, apesar de O Evangelho representar a grande síntese de todas as propostas filosóficas que visam aprimorar o homem. Os “gênios desmemoriados”, arautos de idéias primárias, esquecem-se de que o Cristo é o modelo de virtudes sobre-humanas. Nada se compara à dedicação e a santidade que o Mestre Maior dispensa à Humanidade.

Nós, que ainda estamos mergulhados no vício da corrupção, alertam os Benfeitores, não temos parâmetros para avaliarmos a Sua magna importância para o Espiritismo, porque a Sua perfeição se perde na noite indevassável dos séculos.O Espiritismo sem o Cristo pode alcançar as melhores expressões acadêmicas, mas não passará de atividade destinada a modificar-se ou desaparecer, como todas as conquistas transitórias do mundo. E o espírita, que não cogitou da sua iluminação com o Evangelho do Príncipe da Paz, pode ser um intelectual, um doutor e um filósofo, com as mais elevadas aquisições culturais, mas estará sem bússola e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação.

Jorge Hessen
Retirado do site: http://www.adde.com.br/

9 de abril de 2011

A LUZ QUE VEM DO CÉU

Não te esquives, se a luz que vem do Céu te atinge; abra teu plano mental e deixe-a fluir, por entre os teus pensamentos.
Repara a supremacia do seu volume. Cada fóton que sobre ti se projeta, procura um átimo precioso do teu pensar, para a ele se agregar e fazê-lo mais intenso em sua vontade. Torná-lo expansivo, a tal ponto, que venha a atingir tuas ações, por mínimas que sejam.
A luz que vem do Céu sobre ti se infunde porque encontra escaninhos capazes de abrigá-la e promovê-la. A tua recepção aconchegante e terna fará com que sejas mais virtuoso, para ajudares nesses momentos pelos quais o mundo atravessa.
Deus alarga as Suas vontades sobre aqueles capazes de levarem adiante os tons que despertam para as leis maiores que regem o Universo.
Quando vibra no Ser o sentido indefinível do progresso contínuo, raiam sobre ele todas as benesses do Poder Divino, levando-o a ter como direção e sentido unicamente o Vetor Amor.
As bifurcações vão acontecendo, paulatinamente, endossando as nascentes virtuosas que passam a florescer no indivíduo e, aos poucos, vai encaminhando-o para os patamares sublimes dos pensamentos exclusivamente nobres e o convertendo num Seareiro ferrenho do Evangelho do Cristo.
Depois de banhar-se com a luz que emana do Céu, o Ser inteligente renova-se, e sua roupagem desvincula-se dos sonhos mundanos; passa, então, a vestir-se com a envolvente fluidez dos “Pobres de Espírito”¹, conforme classificou Jesus aqueles que não se compraziam com os prazeres da carne.
A luz que vem do Céu é disponibilizada para todos. Todavia, para ela se acoplar, faz-se imprescindível o receptáculo do “amar ao próximo como a si mesmo”²; o qual, inúmeras vezes, encontra-se praticamente empanado pelo distúrbio da posse, envolvido por radical negritude, irradiada pelo fervilhar do egoísmo.
Passa-nos despercebido, entretanto, que somos, a todos os instantes, acariciados pela iluminação Divina, manifestando-se em clima de compreensão, tolerância, paciência, misericórdia e outras necessidades que carecemos, a cada momento.
Impressionados, quase sempre, pelas constantes e implacáveis atrações materiais, nos debilitamos diante das cargas obstinadamente prazerosas, inflamadas de substâncias inferiores, que nos arrastam para o vértice das banalidades, projetando-nos na lama pútrida das mórbidas ilusões.
Questionados, muitas vezes, pela própria consciência, e sem razões viáveis para respondermos com a naturalidade esperada pelos bons termos da vida, escapulimos, através dos desvios das justificativas, tentando imputar a uma série de obstáculos os feitos indevidos concretizados, como se os empecilhos não fossem produtos da própria orquestração.
Normalmente, quando verificamos o corpo suado e empoeirado pelas sujidades que pairam no ar, providenciamos o asseio, a fim de nos sentirmos organicamente bem, pois a impregnação da poeira aderida ao corpo nos causa desconforto.
Por analogia e usando os mesmos princípios, sentimos o incômodo espiritual; é ele devido ao acúmulo de cargas fluídicas perniciosas que, atraídas, imantam-se ao perispírito, criando os reflexos devidos, no corpo físico, e até se somatizam, caso essas cargas tenham um longo tempo de manutenção.
Estabelece-se, dessa forma, com tais situações, um desconforto ininterrupto, levando o Espírito a manter-se constantemente apreensivo e desconfiado da sombra do próprio corpo físico. Encontra-se ele sem a mínima claridade para observar que é o próprio autor do estado inquieto e perturbador vivenciado.
Essas arquiteturas, de tão intensas, quase sempre se tornam agasalhos, pelas 24 horas de quem as usa. Eis porque se constata o alarmante número de desencarnados à procura da luz. A maior parte impulsionada pela própria consciência, cansada de viver mergulhada no caos de pensamentos plasmados pela malignidade nas quais se colocaram e, ainda, de certa forma, caminham.
É tamanho o percentual de projetos mentais fertilizados pela inoperância de amor, que os lumens de uma candeia, para os assim implicados, resplandeceriam como o Sol.
Não te permitas ignorar, principalmente, as luzes que se acendem, hoje, na tua trajetória, e aquelas luminescentes espalhadas sobre toda a plataforma da Terra, propiciando a cada terráqueo a orientação perfeita a seguir, independente do nível intelectual e moral em que se encontre.
A Misericórdia Divina tudo oferece, para que ascendamos patamares mais altos de atitude e comportamento, na linha da evolução.
Aquele que desejar adentrar o rumo onde se fazem presentes as diretrizes do bem, bastante é acionar os germens das virtudes, colocados por Deus, no seu íntimo, quando o criou.
Conceda-te a oportunidade abençoada de vires a navegar em mares mais calmos, onde as ondas mansas acariciam o invólucro que usas como veículo, para te locomoveres sobre o abençoado solo que pisas.
A fração do tempo que te está sendo oferecida é única, no mundo pelo qual transitas. Então, não faças de ti um instrumento inoperante para o próprio soerguer.
Aciona as tuas luzes interiores, por menor brilho que tenham, e faça-as iluminarem as leituras que precisas enxergar e que estão latentes na consciência, e depararás, nas pautas lá existentes, com o chamamento proferido, em tempos idos, pelo Irmão Jesus, convidando-te a ires até Ele: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.”³
Este é o grande momento – inadiável no Planeta Terra – de aliviados pela resplandecência do Evangelho Vivo do Mestre Jesus, para sacarmo-nos das expiações e introduzirmo-nos no berço da Regeneração, a caminho da luz...



1- Mateus, 5:3 – Ler Capítulo VII, Bem-aventurados os pobres de espírito, em O Evang. segundo o Espiritismo - Allan Kardec.
2- Mateus, 22:39.
3- Mateus, 11:28.

4 de abril de 2011

A INFLUÊNCIA DOS SERES INVISÍVEIS NA VIDA HUMANA

A crença na influência de seres invisíveis na vida dos homens existe desde os princípios da história. Os povos antigos, como os romanos, gregos e egípcios acreditavam em deuses de forma humana, que interferiam diretamente em suas ações. Com o passar dos tempos, outras crenças se foram difundindo, como as figuras dos anjos e santos, capazes de promoverem os milagres e protegerem as pessoas, e o chamado diabo, feitor das tentações e do sofrimento da humanidade.

Com a chegada da Doutrina Espírita, uma nova interpretação foi colocada sobre os seres invisíveis. Ensina o Espiritismo que os homens que viveram na Terra, ao deixarem o corpo físico através da morte, continuam a viver num outro plano, chamado mundo espiritual, onde habitam as almas. Jesus sustenta esta tese quando afirma ser a verdadeira morada do espírito a vida espiritual.

Naquele lado invisível, as almas, ou espíritos, levam o que tiverem acumulado de virtudes ou defeitos adquiridos durante a existência material, ou encarnação. Os homens bons trazem consigo a caridade que praticavam a paz de espírito e a benevolência. Vivem em um lugar feliz e trabalham constantemente pelo progresso de nosso planeta. Podem ajudar as pessoas encarnadas que lhes pedem auxílio. São o que o povo chama de anjos, santos ou simplesmente Espíritos bons ou superiores.

Quando dirigimos preces a Deus, Ele nos atende através desses seres bondosos, inspirando-nos coragem na vida, fortalecendo-nos nos bons propósitos e, às vezes, trazendo-nos a cura para uma doença ou desequilíbrio psíquico.

Já os homens que quando encarnados, se detiveram na prática do mal, levam para o plano espiritual suas más tendências. Continuam sua atividade perniciosa, inspirando naqueles que continuam na vida material, todos os vícios e defeitos que ainda estão apegados. São os chamados diabos, demônios ou simplesmente maus Espíritos. Podem, com sua maldade e ódio, atrapalhar a vida dos homens, perturbando o sono, a vida familiar, profissional e até causar doenças. Entre a classe dos bons e dos maus Espíritos está a categoria de Espíritos comuns. São seres que quando encarnados não se detinham nem muito no bem, nem tanto no mal. São em maior quantidade, já que assim age a maioria dos homens. Esta classe de Espíritos quase que não tem influência sobre os encarnados. Todo homem sofre constantemente as influências dos bons ou dos maus Espíritos. Porém, cada um tem a liberdade de ceder ou não às boas ou más inspirações. Depende do indivíduo, com seu livre-arbítrio, dar vazão à interferência dos Espíritos na sua vida. Aqueles que procuram fazer o bem, evitar o vício, praticar a caridade e, principalmente, cultivar bons pensamentos estão mais facilmente ligados aos bons Espíritos. Vivendo dessa forma, dificilmente um Espírito maldoso poderá prejudicá-lo. No entanto, aqueles que convivem normalmente em ambientes viciosos, com o excesso de bebida, cigarro, drogas, sexo desregrado, que se satisfazem na ociosidade terão mais afinidade com seres espirituais atrasados, apropriados a esses vícios materiais. Essas entidades poderão, inclusive, influenciá-los em defeitos mais graves, como o crime, a desonestidade, o adultério, a mentira, enfim, tudo o que leva o homem ao caminho da ruína. Palavras e pensamentos perniciosos, falta de apego a uma religião, o desinteresse pelos problemas alheios, o pessimismo, o orgulho são formas mentais que atraem interferências negativas. Com elas, o desequilíbrio espiritual e material não tardará a acontecer.

Quando temos esse posicionamento incorreto frente à vida, dificilmente os anjos, ou bons Espíritos, conseguem nos ajudar, por mais que tentem. Tudo é uma questão de afinidade. Se insistirmos em manter nossos pensamentos voltados para os vícios e prazeres exagerados estaremos impedindo que as boas influências cheguem até nossas mentes. Diante deste mecanismo de intercâmbio entre o visível e o invisível, onde cada um recebe de acordo com sua conduta diária, precisamos buscar a mudança de nosso comportamento, caso queiramos receber as boas inspirações do mais alto. Não precisamos, nem conseguiremos transformarmo-nos em "santos" do dia para a noite. Imperfeições todos temos. Deus conhece nosso íntimo e sabe o quanto é difícil livrarmo-nos delas. Porém, para que estejamos aptos a ter a companhia dos bondosos amigos espirituais devemos nos pautar pelas orientações do Evangelho de Jesus Cristo, cultivar amizades sadias, sermos úteis à comunidade da qual fazemos parte e lutarmos contra os maus pensamentos que às vezes tentam nos levar as atitudes incorretas. Agindo assim, com certeza não deixaremos que influências espirituais perniciosas possam prejudicar nossas vidas.