27 de junho de 2011

ARMAS

A violência em nosso país tem alcançado índices alarmantes. Não se passa um dia sequer em que o noticiário não divulgue chacinas, latrocínios, tiroteios e ações da mais extremada violência, sempre com vítimas fatais. As autoridades policiais não conseguem enfrentar devidamente esta situação e a população está à beira do pânico, vivendo confinada às suas casas e alvoroçadas ao menor ruído. Esta situação que já há muito acontece nas grandes cidades, tem alcançado também as cidades menores.
Muito se tem falado sobre o crescimento da violência em nossa sociedade, diga-se de passagem um fenômeno que acontece em todo o planeta, incluindo os países de primeiro mundo, mas muito pouco se tem feito efetivamente para combatê-la e vemos as nossas autoridades apenas assistirem o agravamento da situação.
Medidas urgentes precisam ser tomadas para que a situação possa ser controlada, a maioria estruturais, que darão resultado a médio e longo prazo. Mas uma medida que tem sido discutida no momento e que certamente contribuirá muito com a diminuição do nível de violência atual é a proibição pura e simples da venda de armas no varejo. Somente poderão adquiri-las os policiais civis e militares, as forças armadas e as empresas de segurança devidamente autorizadas, prevê um projeto de lei tramitando no Congresso.
Embora possa parecer óbvio e tenha cerca de 75% de aprovação da população, estranhamente esta proposta tem sido combatida por alguns segmentos da sociedade. O lobby tem sido tão grande que o projeto corre o risco de ser tão desfigurado que poderá ser mais uma lei inócua em meio à tantas já existentes em nossa legislação.
O maior argumento dos que são contrários à proibição da venda de armas é que a população tem o direito de se defender, uma vez que o estado não oferece as garantias necessárias de segurança. No entanto, levantamentos feitos pela própria polícia dão conta que cerca de 90% das vítimas de assaltos ou de ações de violência que portavam armas tiveram ferimentos fatais.
Já está mais do que comprovado que a violência só gera violência e que armas na mão de pessoas despreparadas e destreinadas só servem para armar ainda mais os marginais. Isso sem contar os riscos de acidentes envolvendo crianças dentro da própria casa. O descontrole emocional em que se encontram as pessoas, atualmente, em função dos problemas financeiros, do trânsito, conjugais e outros tantos, é um forte componente que poderá levar o indivíduo a desequilibrar-se e cometer atos insanos se de posse de uma arma, como comumente vemos nas manchetes dos jornais.
É evidente que só a proibição da venda de armas não acabará com os males da violência. Outras medidas terão que ser implementadas para que a sociedade possa viver mais tranquila, como o combate ao contrabando de armas e ao tráfico de drogas. O devido aparelhamento  dos órgãos de segurança, o treinamento dos policiais e o pagamento a estes de salários justos, também são medidas que ajudarão a diminuir a violência, haja visto o crescente envolvimento em crimes comuns daqueles que devem ser os defensores da lei.
O aperfeiçoamento dos aparelhos judiciais e das leis que proporcionem uma justiça mais ágil e que puna com rigor os infratores, além da reforma do nosso sistema penitenciário que  há muito não atende ao objetivo básico de reeducar o cidadão para o convívio na sociedade, são outras das tantas medidas necessárias e urgentes no combate à violência.
Mas a educação ainda é, sem dúvida, o principal investimento que qualquer governo pode e deve fazer para beneficiar a longo prazo a população, bem como o combate ao desemprego, salários dignos, uma melhor distribuição de renda, oportunidades iguais a todos os cidadãos, transporte, moradia, saúde, enfim todas aquelas medidas mínimas necessárias para que o cidadão tenha uma vida digna, o que lamentavelmente estamos ainda longe de alcançar.
Em meio a todas estas medidas e providências que a sociedade e os governos devem tomar visando o bem estar da população, a principal depende de cada um individualmente. É a espiritualização do ser. É preciso que o ser humano tenha consciência que é um Espírito habitando temporariamente um corpo material e que esta vida na matéria é apenas um degrau na sua caminhada evolutiva para a perfeição para a qual foi criado.
Enquanto a humanidade não mudar o foco de sua visão para a verdadeira vida, nosso mundo estará sujeito a todo tipo de violência e misérias características de um mundo ainda inferiorizado, como temos visto neste final de milênio.
Esta educação espiritual é fundamental para a transformação de nossa sociedade e, em tese, deveria estar a cargo das religiões, mas o que temos visto é que o aumento da violência e dos desequilíbrios morais da humanidade têm coincidido com o aumento da frequência dos fiéis nas igrejas e templos, com o surgimento dos fenômenos carismáticos de oratória ou de outras formas de comunicação que mobilizam multidões.
Na verdade estes verdadeiros ídolos pops, quer sejam cantores ou inflamados oradores, trazem apenas mensagens vazias e superficiais que não levam as pessoas a refletirem, muito menos a mudarem suas perspectivas de vida, ao contrário, estimulam a busca da felicidade baseada nas coisas materiais em fragrante contradição com a mensagem de Jesus que nos diz que seu reino não é deste mundo.
É preciso desarmar o mundo dos instrumentos de violência e armar o Espírito com os conhecimentos das leis divinas para que possa sair das tribulações por que passa no momento e que possa vir com maior rapidez os tempos melhores que hão de vir.

Texto publicado no site em 18/06/99
Grupo Espírita Bezerra de Menezes

10 de junho de 2011

CIÊNCIA E RELIGIÃO

Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, faz judiciosas considerações a respeito da Ciência e da Religião, logo no primeiro capítulo dessa obra monumental.
Assinalando serem a Ciência e a Religião as duas alavancas de que dispõe a inteligência humana para devassar o mundo material e o mundo moral, torna evidente que ambas provêm da mesma fonte – as leis de Deus.
Assim, Ciência e Religião se completam pela origem comum, não podendo haver contradição e antagonismo entre elas.
Entretanto, o que se observa há séculos, no mundo, é a divisão, a incompatibilização dos dois campos do conhecimento, repelindo-se entre si.
A que se deve essa suposta incompatibilidade?
A Nova Revelação trazida pelos Espíritos Superiores à Humanidade aclarou a questão.
Dois são os elementos do Universo – matéria e espírito – ambos criação de Deus.
O Universo material e o Universo espiritual convivem dentro de leis eternas e imutáveis.
O que tem faltado aos homens é a compreensão necessária dos princípios comuns que regem um e outro.
A Ciência, cuidando da matéria, tornou-se exclusivista e materialista, negando-se a tomar conhecimento do elemento espiritual.
Por sua vez, a Religião não pode desconhecer a evidência da matéria e das leis que lhe dizem respeito.
Há necessidade de cooperação mútua, combinando Razão e Fé, Conhecimento e Sentimento, dentro de um Universo unificado.
Até os dias atuais não se tornou possível a cooperação, o entendimento franco e leal entre os cultores dos múltiplos conhecimentos científicos e os arraiais religiosos.
Predomina o espírito de sistema, inconciliável, exclusivista.
A Ciência, de um lado, irredutível no cultivo de suas tradições puramente materialistas, ou positivistas, no sentido de exclusão de tudo que estiver além dos sentidos físicos. E as Religiões presas aos mistérios e à dogmática criados por teólogos cuja visão não consegue romper os horizontes muito limitados de suas crenças tradicionais.
Após séculos de incompatibilidade, a Nova Luz evidencia os vínculos que unem as duas fontes do saber e dos sentimentos que proporcionam o progresso humano.
O Espiritismo, assentando-se nas próprias leis divinas ou naturais, vem aproximar a verdadeira Ciência, que está presente tanto no campo material quanto no espiritual, dos sentimentos simbolizados no coração do homem.
Conhecer e amar, eis os dois alicerces em que se assenta a evolução individual, como de toda a Humanidade.
Acima dos antagonismos, científicos e religiosos, algumas personalidades, em pleno século XX, notoriamente vinculadas aos meios científicos romperam velhos preconceitos e declararam-se convencidas da existência de um Poder criador e orientador de tudo que existe.
São os primeiros passos em direção da realidade imanente, que vai sendo percebida na medida do avanço do conhecimento. Preconceitos e ignorância vão cedendo terreno, pouco a pouco, a idéias e conceitos reais e verdadeiros.
Também as idéias religiosas, que acompanham o ser humano sob múltiplas formas, já cumpriram e percorreram ciclos inferiores de manifestação, de conformidade com as condições evolutivas dos habitantes deste Planeta.
Mesmo o Cristianismo, que trouxe à Humanidade os mais belos ensinos e preceitos morais, não resistiu à inferioridade humana, que o mesclou e o invadiu com dogmas e superstições deturpadores, incompatíveis com a Mensagem do Cristo.
Entretanto, sinais positivos de compreensão e de evolução ocorrem ao fim de séculos de obscurantismo, com o reconhecimento de inúmeros erros e desvios, seguidos da confissão e pedidos de perdão de parte da autoridade máxima da Igreja Romana.
Esse gesto não deixa de ser um sinal de progresso da poderosa Instituição, reconhecendo seus próprios enganos.
Se as religiões assim procedem, é sinal de que a lei divina do progresso atinge a tudo e a todos. Podemos cultivar a esperança de que as religiões e cultos, desviados das leis superiores, expressões da vontade do Criador, retifiquem seus procedimentos, suas doutrinas, suas tradições. O determinismo da evolução é um fato e uma realidade inegáveis, resultante do aperfeiçoamento das idéias.
O mesmo ocorre no campo das ciências.
Conceitos tidos como verdades assentes, aceitas por séculos e milênios, são superados e substituídos por outros, apesar da oposição daqueles que se agarram às tradições.
Por mais poderoso que seja o passado, influindo sobre o presente e o futuro, as idéias evoluem e são substituídas por outras. Quando se descobre a realidade afastam-se as hipóteses e utopias.
Assim ocorreu com a teoria dominante por milênios de que a Terra era o centro do Universo e que o Sol girava em torno dela. Os conhecimentos astronômicos atuais substituíram inteiramente os antigos.
Na Física, as descobertas de Max Planck dão novo sentido à matéria, modificando radicalmente as teorias da Física clássica aceitas por séculos.
A Biologia, a Genética, a Medicina renovam-se continuamente com novos conhecimentos.
O fantástico século XX revolucionou os costumes, os hábitos, as organizações políticas e sociais com inúmeras descobertas científicas e com a aplicação de novas tecnologias nas atividades humanas.
As ciências e as religiões renovam-se sem dúvida, embora lentamente. Só permanecem os conceitos embasados nas realidades e verdades eternas, intemporais, como os ensinos de Jesus.
A Doutrina dos Espíritos, como Nova Revelação, vem ao Mundo em uma época em que grande parte da Humanidade encontra-se em condições de aceitar novas concepções, tanto no campo científico quanto no religioso.
Ela unifica os dois campos, do conhecimento e do sentimento, da ciência e da moral, da matéria e do espírito.
Além disso, o Espiritismo não comete o erro do passado das ciências e das religiões, cristalizando-se em concepções transitórias, com rejeição de novos conhecimentos. Pelo contrário, os Espíritos Reveladores alertaram o Codificador no sentido de que a Doutrina deixasse em aberto a possibilidade de incorporar novos descobrimentos, novas verdades, novas realidades, uma vez comprovados.
Esse caráter evolutivo da Doutrina Espírita, criteriosamente aplicado, sem as precipitações inconvenientes, garante-lhe permanente atualização perante os conhecimentos novos.
Sob a égide da novel Doutrina, a simples crença transforma-se em certeza, a fé conjuga-se à razão esclarecida, os princípios filosóficos são deduzidos dos fatos e não de hipóteses.
No terreno religioso, os Espíritos Superiores não deixaram a menor dúvida de que a Mensagem do Cristo de Deus já trouxera aos homens a moral mais pura e elevada de que se tem conhecimento em todos os tempos, baseada na lei de Amor e Justiça, síntese de todas as leis divinas.
Sobre essa base firme, que representa a Vontade Divina manifestada aos homens, Espíritos Superiores encarnados e desencarnados têm trazido sua contribuição, seja no campo experimental científico, seja no desdobramento ético-moral-religioso que há de constituir a Religião do futuro, para uma Humanidade liberta dos dogmas impróprios, dos preconceitos divisionistas, das superstições e das deduções teológicas eivadas de erros.
Objeta-se, por vezes, que pelo menos algumas das verdades do Espiritismo não são novidades, mas repetições de idéias e pensamentos já conhecidos no passado.
Não há dúvida de que a idéia reencarnacionista, a comunicação dos Espíritos com os homens, a moral do Cristo e outros ensinos da Doutrina vêm de um passado distante.
Essas idéias estão dispersas no Mundo, ora constituindo partes de religiões, ora como partes de sistemas filosóficos individuais.
Sócrates e Platão, Buda, Aristóteles, Immanuel Kant, René Descartes e tantos outros, desde a antiguidade até os dias atuais, têm manifestado suas idéias pessoais que muitas vezes contêm parcelas da Verdade.
O Espiritismo representa uma síntese das Verdades eternas, que são intemporais e que, embora parcialmente, foram vislumbradas por Espíritos missionários encarnados na Terra.
Allan Kardec, inspirado nos ensinos recebidos do Alto, já advertira que a Revelação Espírita tem caráter divino e humano e que muitas de suas verdades, baseadas em antigos conhecimentos, conjugam-se com outros provindos da Espiritualidade, na Era atual.
As comunicações entre os dois mundos sempre existiram. Esse fato está patente em todos os livros sagrados das religiões.
A partir de determinado momento da história humana, após preparo de séculos por precursores, eclode o mundo invisível através de inúmeros seres, que entram em comunicação com os homens.
Toda essa fenomenologia obedece a uma planificação superior, que hoje podemos perceber.
Os precursores, o Codificador e seus cooperadores, a planificação da obra monumental a ser entregue aos homens fazem parte dos desígnios do Governo Espiritual da Terra, em favor de toda a Humanidade.
Estamos convencidos de que esse plano não se resume na manifestação maciça dos gênios espirituais, da qual resultou a Revelação Espírita, superiormente sistematizada pelo missionário Allan Kardec.
Ele se desdobra no tempo para que possa produzir os efeitos desejados pela Providência.
Os conhecimentos trazidos pela Doutrina Consoladora precisam ser difundidos por todas as latitudes do globo terrestre.
Há uma obra gigantesca a ser enfrentada pelos homens, os incumbidos de levá-los a toda parte.
As ciências do mundo precisam das luzes da ciência integral, que abrange os conhecimentos relativos à matéria e ao espírito.
As religiões diversificadas necessitam das certezas proporcionadas pelos
Espíritos Superiores, universais e impessoais, que são aceitas pela razão esclarecida e que independem de dogmas e de imposições para se firmarem no imo dos seres.
Os ensinos do Cristo de Deus, que estão no Mundo há dois milênios, agora serão entendidos na sua essência, que se conjuga inteiramente com a Nova Revelação.
O compromisso dos espíritas sinceros é, pois, em primeiro lugar o de assimilar a Doutrina Esclarecedora e Consoladora e, em segundo lugar, o de vivenciá-la e divulgá-la, multiplicando sua influência como base para a transformação do mundo.
Essa tarefa compete a todos nós, espíritas de hoje e de amanhã, unidos pelo sentimento da legítima fraternidade.


4 de junho de 2011

PREFÁCIO DO LIVRO: TRANSIÇÃO PLANETÁRIA


Vive-se na Terra, o momento da grande transição de mundo de provas e expiações, para mundo de regeneração.
As alterações que se observam são de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento para melhor, alterando os hábitos viciosos, a fim de que se instalem os paradigmas da justiça, do dever, da ordem e do amor.
Anunciada essa transformação que se encontra ínsita no processo da evolução, desde o SERMÃO PROFÉTICO anotado pelo evangelista Marcos, no capitulo XVIII do seu livro, quando o Divino Mestre apresentou os sinais dos futuros tempos após as ocorrências dolorosas que assinalariam os diferentes períodos da evolução.
Sendo o ser humano um Espírito em processo de crescimento intelecto-moral, atravessa diferentes níveis nos quais estagia, a fim de desenvolver o instinto, logo depois a inteligência, a consciência, rumando para a intuição que será alcançada mediante a superação das experiências primevas, que o assinalam profundamente, atando-o, não raro, à sua natureza animal em detrimento daquela espiritual que é a sua realidade.
Mediante as reencarnações, etapa, dá-se lhe processo de eliminação das imperfeições morais, que se transformam em valores relevantes, impulsionando-o na direção da plenitude que esta destinada.
Errando e corrigindo-se, realizando tentativas de progresso e caindo para logo levantar-se, esse é o método de desenvolvimento que a todos propele na direção da sua felicidade plena.
Herdeiro dos conflitos em que estorcegava nas fases iniciais, deve enfrentar os condicionamentos enfermiços, trabalhando pela aquisição de novas experiências que lhe constituíam diretrizes de segurança para o avanço.
Em face das situações criticas pelo carreiro carnal, gerando complicações afetivas, porque distante das emoções sublimes do amor, agindo mais pelos instintos, especialmente aqueles que dizem respeito à preservação da vida, à sua reprodução, à violência para a defesa sistemática da existência corporal, agride quando deveria dialogar, acusa, no momento em que lhe seria licito silenciar a ofensa ou a agressão, dando lugar aos embutes infelizes geradores do ressentimento, do ódio, do desejo de desforço, esses filhos inconsequentes do ego dominador.
O impositivo do progresso, porém é inarredável, apresentando-se como necessidade de libertação das amarras vigorosas que o retém na retaguarda, ante o deotropismo que o fascina e termina por arrebata-lo.
Colocado, pela força do determinismo, na conjuntura do livre-arbítrio, nem sempre lógico, somente ao impacto do sofrimento desperta para compreender quão indispensável lhe é a aquisição da paz, a conquista do bem-estar... Nesse comenos, dá-se conta dos males praticados, dos prejuízos causados a outros, nascendo-lhe o anelo de recuperar-se, auxiliando aqueles que foram prejudicados pela sua inépcia ou primitivismo em relação aos deveres que fazem parte dos soberanos códigos de ética da vida.
Atrasando-se ou avançando pelas sendas libertadoras, desenvolve os tesouros adormecidos na mente e no sentimento, que aprende a colocar a serviço do progresso, avançando consciente das próprias responsabilidades.
Infelizmente, esse despertar da consciência tem-se feito muito lentamente, dando lugar aos desmando que se repetem a todo momento, às lutas sangrentas terríveis.
Predominam, desse modo, as condutas arbitrárias e perversas, na sociedade hodierna, em contraste chocante com as aquisições tecnológicas e cientificas logradas na sucessão dos tempos.
Observam-se amiúde os pródromos dos sentimentos bons, quando alguém é vitima de uma circunstância aziaga, movimentando grupos de socorro, ao tempo que outras criaturas se transformam em seres-bomba, assassinando, fanática e covardemente outros que nada tem a ver com as tragédias que pretendem remediar por meios mais funestos e inadequados do que aquelas que pretendem combater...
Movimentos de proteção aos animais sensibilizam muitos segmentos da sociedade, no entanto, incontáveis pessoas permanecem indiferentes a milhões de crianças, anciãos e enfermos que morrem de fome cada ano, não por falta de alimento que o planeta fornece, mas por ausência total de compaixão e de solidariedade...
Fenômenos sísmicos aterradores sacodem o orbe com frequência, despertando a solidariedade de outras nações, em relação àquelas que foram vitimadas, enquanto, simultaneamente, armas ditas inteligentes ceifam outras centenas e milhares de vidas, a serviço da guerra, ou de revoluções intermináveis, ou crimes trabalhados por organizações dedicadas ao mal...
 São esses paradoxos da vida em sociedade que a grande transição que ora tem lugar no planeta irá modificar.
As criaturas que persistem na acomodação perversa da indiferença pela dor de seu irmão, que assinalarem a existência  pela criminalidade conhecida ou ignorada, que firmarem pacto de adesão à extorsão, ao suborno, aos diversos comportamentos delituosos do denominado colarinho branco, mantendo conduta egoísta, tripudiando sobre as aflições do próximo, comprazendo-se na luxúria e na drogadição, na exploração indébita de outras vidas, por um largo período não disporão de meios de permanecer na Terra, sendo exilados para mundo inferiores, onde irão ser úteis limando as arestas das imperfeições morais, a fim de retornarem, mais tarde, ao seio generoso da mãe-Terra que hoje não quiseram respeitar.
O egrégio codificador do Espiritismo, assessorado pelas Vozes do Céu, deteve-se, mais de uma vez, na análise dos trágicos acontecimentos que sacudiram a Terra e os seus habitantes, a fim de despertar os últimos para as responsabilidades para consigo mesmos e em relação à primeira.
Em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, no capitulo dedicado à Lei de destruição, o insigne mestre de Lyon estuda as causas e razões dos desequilíbrios que se dão no planeta com frequência, ensejando as tragédias coletivas, bem como aquelas produzidas pelo ser humano, e constata que é necessário que tudo se destrua, a fim de poder renovar-se. A destruição, portanto, é somente produzida para a transformação molecular da matéria, nunca atingindo o Espírito, que é imortal.
Desse modo, as grandes calamidades de uma ou de outra procedência tem por finalidade convidar a criatura humana à reflexão em torno da transitoriedade da jornada carnal em relação à imortalidade.
As dores que defluem desses fenômenos denominados como flagelo destruidores, objetivam fazer a “HUMANIDADE PROGREDIR MAIS DEPRESSA. JÁ NÃO DISSEMOS SER A DESTRUIÇÃO UMA NECESSIDADE PARA REGENERAÇÃO MORAL DOS ESPÍRITOS, QUE, EM CADA NOVA EXISTÊNCIA, SOBEM UM DEGRAU NA ESCALA DO APERFEIÇOAMENTO? PRECISO É QUE SE VEJA O OBJETIVO, PARA QUE OS RESULTADOS POSSAM SER APRECIADOS. SOMENTE DO VOSSO PONTO DE VISTA PESSOAL OS APRECIAIS; DAÍ VEM QUE OS QUALIFICAIS DE FLAGELOS, POR EFEITO DO PREJUÍZO QUE VOS CAUSAM. ESSAS SUBVERSÕES, PORÉM, SÃO FREQUENTEMENTE NECESSÁRIAS PARA QUE MAIS PRONTO DE DÊ O ADVENTO DE UMA MELHOR ORDEM DAS COISAS E PARA QUE SE REALIZE EM ALGUNS ANOS O QUE TERIA EXIGIDO MUITOS SÉCULOS”.  (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, Parte 3. Capitulo VI, questão 737, 29 edição FEB.)
Eis, portanto, o que vem ocorrendo nos dias atuais.
As dores atingem patamares quase insuportáveis e a loucura que toma conta dos arraias terrestres tem caráter pandêmico, ao lado dos transtornos depressivos, da drogadição, do sexo desvairado, das fugas psicológicas espetaculares, dos crimes estarrecedores, do desrespeito às leis e à ética, da desconsideração pelos direitos humanos, animais e da Natureza...
Chega-se ao máximo desequilíbrio, facultando a interferência divina, a fim de que se opere a grande transformação de que todos temos necessidade urgente.
Contribuindo na grande obra de regeneração da Humanidade, Espíritos de outra dimensão estão mergulhando nas sombras terrestres, a fim de que, ao lado dos nobres missionários do amor e da caridade, da inteligência e do sentimento, que protegem os seres terrestres, possam modificar as paisagens aflitivas, facultando o estabelecimento do REINO DE DEUS nos corações.
Reconhecemos que essa nossa informação poderá causar estranheza em alguns estudiosos do Espiritismo, e mesmo reações mais severas noutros... Nada obstante, permitindo-nos a licença de apresentar o nosso pensamento após a convivência com nobres mentores que trabalham no elevado da grande transição...
Equipes de apóstolos da caridade no plano espiritual também descem ao planeta sofrido, a fim de contribuir em favor das mudanças que devem operar-se, atendendo aqueles que se encontram excruciados pela desencarnação violenta, inesperada, ou padecendo o jugo de obsessões cruéis, ou fixados em revolta injustificável, considerando, considerando-se adversários da Luz, membros da sanha do mal, a fim de melhorar a psicosfera vigente, desse modo, facilitando o trabalho dos Mensageiros de Jesus.
Na presente obra, apresentamos três fases distintas, mas que se interpenetram, em torno do trabalho a que fomos convocado, mercê da compaixão do Amor, de modo a acompanharmos as ações de enobrecimento de dignos e valorosos Benfeitores, vinculados ao programa em desenvolvimento a respeito da transição planetária que se vem operando desde há algum tempo...
Não temos outro objetivo, senão estimular os servidores do Bem a prosseguirem no ministério, a qualquer custo, sem desânimo nem contrariedade, permanecendo certos de que se encontram amparados em todas as situações, por mais dolorosas se lhes apresentem.
Procuramos sintetizar as operações de socorro aos desencarnados vitimados pelo tsunami ocorrido no Oceano Índico, devastador e de consequências graves, que permanece ainda gerando sofrimento e desconforto, especialmente porque sucedido de outros tantos que prosseguem ocorrendo com frequência assustadora...
Logo após, referimo-nos ao contributo especial dos Espíritos dedicados às tarefas de reencarnação dos novos obreiros, terrestres ou voluntários de outra dimensão cósmica, passando à análise dos tormentos que invadem a Terra, assim como da interferência dos Espíritos infelizes, que se comprazem em manter o terrível estado atual de aturdimento.
Nada obstante, em todos os momentos, procuramos demonstrar a providencial misericórdia de Jesus, sempre atento com os Seus mensageiros a todas as ocorrências planetárias, minimizando as aflições humanas e abrindo espaço ao dia radioso de amanhã, que se aproxima, rico de bênçãos e de plenitude.
Agradecendo ao Senhor de nossas vidas e aos Espíritos superiores investidos da sublime tarefa da grande transição planetária, por haver-nos concedido a honra do trabalho ao seu lado, sou o servidor devotado de sempre.


Salvador, 09 de Abril de 2010.
Manoel Philomeno de Miranda