10 de junho de 2011

CIÊNCIA E RELIGIÃO

Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, faz judiciosas considerações a respeito da Ciência e da Religião, logo no primeiro capítulo dessa obra monumental.
Assinalando serem a Ciência e a Religião as duas alavancas de que dispõe a inteligência humana para devassar o mundo material e o mundo moral, torna evidente que ambas provêm da mesma fonte – as leis de Deus.
Assim, Ciência e Religião se completam pela origem comum, não podendo haver contradição e antagonismo entre elas.
Entretanto, o que se observa há séculos, no mundo, é a divisão, a incompatibilização dos dois campos do conhecimento, repelindo-se entre si.
A que se deve essa suposta incompatibilidade?
A Nova Revelação trazida pelos Espíritos Superiores à Humanidade aclarou a questão.
Dois são os elementos do Universo – matéria e espírito – ambos criação de Deus.
O Universo material e o Universo espiritual convivem dentro de leis eternas e imutáveis.
O que tem faltado aos homens é a compreensão necessária dos princípios comuns que regem um e outro.
A Ciência, cuidando da matéria, tornou-se exclusivista e materialista, negando-se a tomar conhecimento do elemento espiritual.
Por sua vez, a Religião não pode desconhecer a evidência da matéria e das leis que lhe dizem respeito.
Há necessidade de cooperação mútua, combinando Razão e Fé, Conhecimento e Sentimento, dentro de um Universo unificado.
Até os dias atuais não se tornou possível a cooperação, o entendimento franco e leal entre os cultores dos múltiplos conhecimentos científicos e os arraiais religiosos.
Predomina o espírito de sistema, inconciliável, exclusivista.
A Ciência, de um lado, irredutível no cultivo de suas tradições puramente materialistas, ou positivistas, no sentido de exclusão de tudo que estiver além dos sentidos físicos. E as Religiões presas aos mistérios e à dogmática criados por teólogos cuja visão não consegue romper os horizontes muito limitados de suas crenças tradicionais.
Após séculos de incompatibilidade, a Nova Luz evidencia os vínculos que unem as duas fontes do saber e dos sentimentos que proporcionam o progresso humano.
O Espiritismo, assentando-se nas próprias leis divinas ou naturais, vem aproximar a verdadeira Ciência, que está presente tanto no campo material quanto no espiritual, dos sentimentos simbolizados no coração do homem.
Conhecer e amar, eis os dois alicerces em que se assenta a evolução individual, como de toda a Humanidade.
Acima dos antagonismos, científicos e religiosos, algumas personalidades, em pleno século XX, notoriamente vinculadas aos meios científicos romperam velhos preconceitos e declararam-se convencidas da existência de um Poder criador e orientador de tudo que existe.
São os primeiros passos em direção da realidade imanente, que vai sendo percebida na medida do avanço do conhecimento. Preconceitos e ignorância vão cedendo terreno, pouco a pouco, a idéias e conceitos reais e verdadeiros.
Também as idéias religiosas, que acompanham o ser humano sob múltiplas formas, já cumpriram e percorreram ciclos inferiores de manifestação, de conformidade com as condições evolutivas dos habitantes deste Planeta.
Mesmo o Cristianismo, que trouxe à Humanidade os mais belos ensinos e preceitos morais, não resistiu à inferioridade humana, que o mesclou e o invadiu com dogmas e superstições deturpadores, incompatíveis com a Mensagem do Cristo.
Entretanto, sinais positivos de compreensão e de evolução ocorrem ao fim de séculos de obscurantismo, com o reconhecimento de inúmeros erros e desvios, seguidos da confissão e pedidos de perdão de parte da autoridade máxima da Igreja Romana.
Esse gesto não deixa de ser um sinal de progresso da poderosa Instituição, reconhecendo seus próprios enganos.
Se as religiões assim procedem, é sinal de que a lei divina do progresso atinge a tudo e a todos. Podemos cultivar a esperança de que as religiões e cultos, desviados das leis superiores, expressões da vontade do Criador, retifiquem seus procedimentos, suas doutrinas, suas tradições. O determinismo da evolução é um fato e uma realidade inegáveis, resultante do aperfeiçoamento das idéias.
O mesmo ocorre no campo das ciências.
Conceitos tidos como verdades assentes, aceitas por séculos e milênios, são superados e substituídos por outros, apesar da oposição daqueles que se agarram às tradições.
Por mais poderoso que seja o passado, influindo sobre o presente e o futuro, as idéias evoluem e são substituídas por outras. Quando se descobre a realidade afastam-se as hipóteses e utopias.
Assim ocorreu com a teoria dominante por milênios de que a Terra era o centro do Universo e que o Sol girava em torno dela. Os conhecimentos astronômicos atuais substituíram inteiramente os antigos.
Na Física, as descobertas de Max Planck dão novo sentido à matéria, modificando radicalmente as teorias da Física clássica aceitas por séculos.
A Biologia, a Genética, a Medicina renovam-se continuamente com novos conhecimentos.
O fantástico século XX revolucionou os costumes, os hábitos, as organizações políticas e sociais com inúmeras descobertas científicas e com a aplicação de novas tecnologias nas atividades humanas.
As ciências e as religiões renovam-se sem dúvida, embora lentamente. Só permanecem os conceitos embasados nas realidades e verdades eternas, intemporais, como os ensinos de Jesus.
A Doutrina dos Espíritos, como Nova Revelação, vem ao Mundo em uma época em que grande parte da Humanidade encontra-se em condições de aceitar novas concepções, tanto no campo científico quanto no religioso.
Ela unifica os dois campos, do conhecimento e do sentimento, da ciência e da moral, da matéria e do espírito.
Além disso, o Espiritismo não comete o erro do passado das ciências e das religiões, cristalizando-se em concepções transitórias, com rejeição de novos conhecimentos. Pelo contrário, os Espíritos Reveladores alertaram o Codificador no sentido de que a Doutrina deixasse em aberto a possibilidade de incorporar novos descobrimentos, novas verdades, novas realidades, uma vez comprovados.
Esse caráter evolutivo da Doutrina Espírita, criteriosamente aplicado, sem as precipitações inconvenientes, garante-lhe permanente atualização perante os conhecimentos novos.
Sob a égide da novel Doutrina, a simples crença transforma-se em certeza, a fé conjuga-se à razão esclarecida, os princípios filosóficos são deduzidos dos fatos e não de hipóteses.
No terreno religioso, os Espíritos Superiores não deixaram a menor dúvida de que a Mensagem do Cristo de Deus já trouxera aos homens a moral mais pura e elevada de que se tem conhecimento em todos os tempos, baseada na lei de Amor e Justiça, síntese de todas as leis divinas.
Sobre essa base firme, que representa a Vontade Divina manifestada aos homens, Espíritos Superiores encarnados e desencarnados têm trazido sua contribuição, seja no campo experimental científico, seja no desdobramento ético-moral-religioso que há de constituir a Religião do futuro, para uma Humanidade liberta dos dogmas impróprios, dos preconceitos divisionistas, das superstições e das deduções teológicas eivadas de erros.
Objeta-se, por vezes, que pelo menos algumas das verdades do Espiritismo não são novidades, mas repetições de idéias e pensamentos já conhecidos no passado.
Não há dúvida de que a idéia reencarnacionista, a comunicação dos Espíritos com os homens, a moral do Cristo e outros ensinos da Doutrina vêm de um passado distante.
Essas idéias estão dispersas no Mundo, ora constituindo partes de religiões, ora como partes de sistemas filosóficos individuais.
Sócrates e Platão, Buda, Aristóteles, Immanuel Kant, René Descartes e tantos outros, desde a antiguidade até os dias atuais, têm manifestado suas idéias pessoais que muitas vezes contêm parcelas da Verdade.
O Espiritismo representa uma síntese das Verdades eternas, que são intemporais e que, embora parcialmente, foram vislumbradas por Espíritos missionários encarnados na Terra.
Allan Kardec, inspirado nos ensinos recebidos do Alto, já advertira que a Revelação Espírita tem caráter divino e humano e que muitas de suas verdades, baseadas em antigos conhecimentos, conjugam-se com outros provindos da Espiritualidade, na Era atual.
As comunicações entre os dois mundos sempre existiram. Esse fato está patente em todos os livros sagrados das religiões.
A partir de determinado momento da história humana, após preparo de séculos por precursores, eclode o mundo invisível através de inúmeros seres, que entram em comunicação com os homens.
Toda essa fenomenologia obedece a uma planificação superior, que hoje podemos perceber.
Os precursores, o Codificador e seus cooperadores, a planificação da obra monumental a ser entregue aos homens fazem parte dos desígnios do Governo Espiritual da Terra, em favor de toda a Humanidade.
Estamos convencidos de que esse plano não se resume na manifestação maciça dos gênios espirituais, da qual resultou a Revelação Espírita, superiormente sistematizada pelo missionário Allan Kardec.
Ele se desdobra no tempo para que possa produzir os efeitos desejados pela Providência.
Os conhecimentos trazidos pela Doutrina Consoladora precisam ser difundidos por todas as latitudes do globo terrestre.
Há uma obra gigantesca a ser enfrentada pelos homens, os incumbidos de levá-los a toda parte.
As ciências do mundo precisam das luzes da ciência integral, que abrange os conhecimentos relativos à matéria e ao espírito.
As religiões diversificadas necessitam das certezas proporcionadas pelos
Espíritos Superiores, universais e impessoais, que são aceitas pela razão esclarecida e que independem de dogmas e de imposições para se firmarem no imo dos seres.
Os ensinos do Cristo de Deus, que estão no Mundo há dois milênios, agora serão entendidos na sua essência, que se conjuga inteiramente com a Nova Revelação.
O compromisso dos espíritas sinceros é, pois, em primeiro lugar o de assimilar a Doutrina Esclarecedora e Consoladora e, em segundo lugar, o de vivenciá-la e divulgá-la, multiplicando sua influência como base para a transformação do mundo.
Essa tarefa compete a todos nós, espíritas de hoje e de amanhã, unidos pelo sentimento da legítima fraternidade.


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