30 de setembro de 2011

CULPAS E DESCULPAS

 
Você já refletiu sobre o que representa a culpa em nossas vidas?
Não há dúvida de que o sentimento de culpa é um dos grandes responsáveis por nossa infelicidade.
Quando fazemos algo que nos causa um desconforto íntimo pertinaz, é bem provável que seja a culpa se instalando.
Mas o que fazer para que esse sentimento não se aloje em nossa intimidade e nos traga fortes dissabores?
Parece lógico que a melhor atitude é a que elimina, em definitivo, esse desconforto de nossa alma.
E que atitude poderia ser mais eficaz do que um sincero pedido de desculpas?
Todavia, pedir desculpas significa admitir que nos equivocamos, e isso mexe diretamente com nosso orgulho.
O que geralmente fazemos, então?
Ficamos remoendo o desconforto e buscamos alguém a quem culpar pela atitude que nossa consciência desaprova.
Não seria mais coerente pedir perdão?
Logicamente seria, mas o orgulho muitas vezes nos impede.
O que fazemos, então?
Preferimos nos punir de outra maneira. E geralmente optamos pelas enfermidades...
A consciência nos acusa, mas em vez de resolver a questão com a humildade de um aprendiz, preferimos a autopunição velada.
Em vez de pedir perdão, optamos pelo sofrimento. Em vez de aliviar a alma admitindo que somos frágeis e nos equivocamos, preferimos nos esconder sob a máscara de uma perfeição da qual ainda estamos distantes.
Por não admitir as nossas próprias fraquezas, também não às admitimos-nos outros, e agimos com um rigor desmedido, infelicitando-nos e infelicitando os que conosco convivem.
Mais sensato seria reconhecer que somos aprendizes da vida, e que todo aprendiz tem o direito de errar, mas tem também o dever de corrigir o passo e seguir em frente.
Como aprendizes da vida, não estamos isentos do erro, da queda, das fragilidades que caracterizam a nossa condição de alunos imperfeitos.
Assim sendo, vale a pena agir como quem deseja crescer, aprender, ser feliz. 
E para isso é preciso saber pedir perdão, saber perdoar, saber tolerar...
Só não admite erros à pessoa que se julga infalível, perfeita, acima do bem e do mal. E essa, certamente é uma pessoa infeliz.
Se quiser aprender a ser mais leves e menos presunçosos, observemos as crianças. Elas não têm vergonha de pedir desculpas, não guardam mágoa nem rancor.
Quando se machucam, elas choram... Pedem socorro, reconhecem sua fragilidade...
Se não conseguem alcançar algo, pedem ajuda. Para entender as coisas, perguntam várias vezes.
Quando sentem medo, admitem. Pulam no colo mais próximo ou se enroscam no pescoço do amigo ou irmão mais velho.
Isso se chama humildade, isso se chama pureza. Isso se chama sabedoria.
É por isso que as crianças aprendem. Elas não têm vergonha de ser aprendizes da vida.
 
Pense nisso!
 
O sentimento de culpa é um detrito moral que fustiga a alma. A pessoa que carrega esse fardo sofre e não admite ser feliz.
Assim sendo, se você não tem a pretensão de ser infalível, perdoe-se, peça perdão, liberte-se desse lixo chamado culpa, e siga em frente.
 
Equipe de Redação do Momento Espírita. 

25 de setembro de 2011

TRANSIÇÃO DO PLANETA

"Meus filhos:

Que Jesus nos abençoe

A sociedade terrena vive, na atualidade, um grave momento mediúnico no qual, de forma inconsciente, dá-se o intercâmbio entre as duas esferas da vida. Entidades assinaladas pelo ódio, pelo ressentimento, e tomadas de amargura cobram daqueles algozes de ontem o pesado ônus da aflição que lhes tenham proporcionado. Espíritos nobres, voltados ao ideal de elevação humana sincronizam com as potências espirituais na edificação de um mundo melhor. As obsessões campeiam de forma pandêmica, confundindo-se com os transtornos psicopatológicos que trazem os processos afligentes e degenerativos.

Sucede que a Terra vivencia, neste período, a grande transição de mundo de provas e de expiações para mundo de regeneração.

Nunca houve tanta conquista da ciência e da tecnologia, e tanta hediondez do sentimento e das emoções. As glórias das conquistas do intelecto esmaecem diante do abismo da crueldade, da dissolução dos costumes, da perda da ética, e da decadência das conquistas da civilização e da cultura...

Não seja, pois, de estranhar que a dor, sob vários aspectos, espraia-se no planeta terrestre não apenas como látego mas, sobretudo, como convite à reflexão, como análise à transitoriedade do corpo, com o propósito de convocar as mentes e os corações para o ser espiritual que todos somos.

Fala-se sobre a tragédia do cotidiano com razão.

As ameaças de natureza sísmica, a cada momento tornam-se realidade tanto de um lado como de outro do planeta. O crime campeia a solta e a floração da juventude entrega-se, com exceções compreensíveis, ao abastardamento do caráter, às licenças morais e à agressividade.

Sucede, meus filhos, que as regiões de sofrimento profundo estão liberando seus hóspedes que ali ficaram, em cárcere privado, por muitos séculos e agora, na grande transição, recebem a oportunidade de voltarem-se para o bem ou de optar pela loucura a que se têm entregado. E esses, que teimosamente permanecem no mal, a benefício próprio e do planeta, irão ao exílio em orbes inferiores onde lapidarão a alma auxiliando os seus irmãos de natureza primitiva, como nos aconteceu no passado.

Por outro lado, os nobres promotores do progresso de todos os tempos passados também se reencarnam nesta hora para acelerar as conquistas, não só da inteligência e da tecnologia de ponta, mas também dos valores morais e espirituais. Ao lado deles, benfeitores de outra dimensão emboscam-se na matéria para se tornarem os grandes líderes e sensibilizarem esses verdugos da sociedade.

Aos médiuns cabe a grande tarefa de ser ponte entre as dores e as consolações. Aos dialogadores cabe a honrosa tarefa de ser, cada um deles, psicoterapeutas de desencarnados, contribuindo para a saúde geral. Enquanto os médiuns se entregam ao benefício caridoso com os irmãos em agonia, também têm as suas dores diminuídas, o seu fardo de provas amenizadas, as suas aflições contornadas, porque o amor é o grande mensageiro da misericórdia que dilui todos os impedimentos ao progresso – é o sol da vida, meus filhos, que dissolve a névoa da ignorância e que apaga a noite da impiedade.

Reencarnastes para contribuir em favor da Nova Era.

As vossas existências não aconteceram ao acaso, foram programadas.

Antes de mergulhardes na neblina carnal, lestes o programa que vos dizia respeito e o firmastes, dando o assentimento para as provas e as glórias estelares.

O Espiritismo é Jesus que volta de braços abertos, descrucificado, ressurreto e vivo, cantando a sinfonia gloriosa da solidariedade.

Dai-vos as mãos!

Que as diferenças opinativas sejam limadas e os ideais de concordância sejam praticados. Que, quaisquer pontos de objeção tornemse secundários diante das metas a alcançar.

Sabemos das vossas dores, porque também passamos pela Terra e compreendemos que a névoa da matéria empana o discernimento e, muitas vezes, dificulta a lógica necessária para a ação correta. Mas ficais atentos: tendes compromissos com Jesus...

Não é a primeira vez que vos comprometestes enganando, enganado-vos. Mas esta é a oportunidade final, optativa para a glória da imortalidade ou para a anestesia da ilusão.

Ser espírita é encontrar o tesouro da sabedoria.

Reconhecemos que na luta cotidiana, na disputa social e econômica, financeira e humana do ganha-pão, esvai-se o entusiasmo, diminui a alegria do serviço, mas se permanecerdes fiéis, orando com as antenas direcionadas ao Pai Todo-Amor, não vos faltarão a inspiração, o apoio, as forças morais para vos defenderdes das agressões do mal que muitas vezes vos alcança.

Tende coragem, meus filhos, unidos, porque somos os trabalhadores da última hora, e o nosso será o salário igual ao do jornaleiro do primeiro momento.

Cantemos a alegria de servir e, ao sairmos daqui, levemos impresso no relicário da alma tudo aquilo que ocorreu em nossa reunião de santas intenções: as dores mais variadas, os rebeldes, os ignorantes, os aflitos, os infelizes, e também a palavra gentil dos amigos que velam por todos nós.

Confiando em nosso Senhor Jesus Cristo, que nos delegou a honra de falar em Seu nome, e em Seu nome ensinar, curar, levantar o ânimo e construir um mundo novo, rogamos a Ele, nosso divino Benfeitor, que a todos nos abençoe e nos dê a Sua paz.

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,



Bezerra."



Mensagem psicofônica de Bezerra de Menezes (espírito) transmitida por Divaldo Franco em 13.11.2010 – Los Angeles.

23 de setembro de 2011

COMO VIVER COM OS OUTROS

  

A ciência mais difícil que até hoje encontramos foi a de viver em conjunto, e o mais interessante é que precisamos desse intercâmbio para viver. A lei nos condicionou a essas necessidades biológicas e espirituais.
A própria vida perde o sentido se nos isolarmos das criaturas. Elas têm algo que não possuímos e nós doamos a elas certos estímulos que a natureza lhes negou. Vemos nisto a presença de Deus, levando-nos ao amor de uns para com os outros. E assim aprendemos a amar por Amor.
A sociedade cada vez mais se aprimora, desde quando seus membros passam a se respeitar mutuamente, entrosando as qualidades e desfrutando da fraternidade na convivência. A sociedade é, pois, a flor do aprimoramento humano. No entanto, essa sociedade não pode existir sem o lar. Ela se desarmoniza se deixar de existir a família, que é o sustentáculo da harmonia que pode ser desfrutada pelos homens, em todos os rumos dos seus objetivos.
Se queres paz em teu lar, começa a respeitar os direitos dos que convivem contigo. Se romperes a linha divisória dos direitos alheios, afrontarás a tua própria paz.
Quem somente impõe suas idéias, passa a ser joguete dos pensamentos dos outros, às vezes, sem perceber. Estuda a natureza humana, pelos livros e pela observação, que a experiência te dirá os caminhos a tomar e a conduta a ser seguida. Vê como falas a quem te ouve e como ouves a quem te fala e, neste auto-aprendizado, as lições serão guardadas em lugares de que a vida sabe cuidar.
Não gastes teu tempo em palavras que desagradam, nem em horas de silêncio que desapontam. Procura usar as oportunidades no bom senso que equilibra a alma.
Procura conversar com os outros na altura que eles já atingiram. Isso não é disfarce, é respeito às sensibilidades, é sentir-te irmão de todos em todas as faixas da vida. Ao encontrares uma criança, não passas a ser outra para que ela te entenda? Assim deves fazer nas dimensões da vida humana em que te encontras.
A felicidade depende da compreensão, que gera Caridade, que gera Amor.
Conviver com os outros é, realmente, uma grande ciência, é a ciência da vida. Fomos feitos para viver em sociedade. Se recusarmos, atrofiamo-nos e disso temos provas observando as plantas que frutificam mais em conjunto; as pedras, que dão mais segurança quando amontoadas, e os animais, que sempre andam em convivência. Tudo se une para a maior grandeza da criação.
Essas lições não são somente para os encarnados. Os espíritos, na erraticidade, igualmente obedecem a essa grande regra de viver bem. Nós nos unimos em todas as faixas a que pertencemos, no entusiasmo do bem, que nos dá a vida. Aprendamos, pois, a conviver, a entender e respeitar os nossos irmãos que trabalham e vivem conosco, que tudo passará a ser, para nós, motivo de felicidade, onde enxergaremos somente o Amor.
Contrariar as leis que nos congregam é desagregar a nossa própria paz. E para aprender a viver bem com os outros, necessário se faz que nos eduquemos em todos os sentidos, que nos aprimoremos em todas as virtudes. Sem esse trabalho interior, será difícil alcançar a paz imperturbável no reino do coração.

Cirurgia Moral
João Nunes Maia
Espírito: Lancellin

19 de setembro de 2011

DO ALÉM TÚMULO


5 de agosto de 1935

Dizem que os fantasmas dos mortos têm preferência pelas sombras da noite, para trazerem aos vos um reflexo esbatido do mistério em que se lhes fecharam os olhos. Em todos os lugares, conhece-se a história das almas aflitas, que, agrilhoadas ao mundo pelo pensamento obsedante acerca dos que ficaram para trás, regressam dos orbes indevassados, onde quase todas as religiões colocaram o seu inferno e o seu céu.

Eu não venho, nessa "hora que apavora", copiando as deliberações das "damas brancas", que surgem nas casas solarengas como abantesmas de luar e de neblina, contrastando com a pesada escuridão da meia-noite.

É até muito cedo para que um "morto" apareça, contrariando as opiniões gerais. Ainda há réstias de sol evadindo-se entre os arvoredos, como as rolas morenas e ariscas fugindo à noite cheia de sombras. Há uma grandiosa placidez na paisagem que se aquieta como ovelha mansa para ouvir a voz carinhosa do pastor. Vem aos olhos do meu pensamento aquele quadro de há dois mil anos. Quando o Cristo pregou o Sermão da Montanha, especificando as bem-aventuranças celestes, devia ser assim o crepúsculo. A mesma paz evangélica, os mesmos perfumes entornando-se da taça imensa do céu, a mesma esperança florindo no coração atormentado dos homens, beduínos extenuados desses desertos. Um alvoroço suave de recordações me conduz ao passado. . .

É debalde, porém, essa tentativa de confinarmos a Palestina nas montanhas do sertão brasileiro. Se é verdade que os Espíritos sempre falaram sobre os pontos alcantilados da Terra, como no Sinai e no Tabor, nós não somos o. Divino Mestre. Há quem afirme que nós, os desencarnados, somos precursores, como João Batista. Mas, ainda não encontrei aqui viva alma nessa situação especialíssima. Corôo os que hoje andam aí atribulados com o progresso, estamos longe da época messiânica, em que os homens puros, para viverem sob a guarda de Deus, nada mais precisavam que um cântaro de mel.

Mas, não venho hoje para tecer considerações dentro da mística religiosa.

Venho para falar a quantos estranham as minhas palavras depois da morte, admirando-se, de que eu não apareça clamando perdão e misericórdia, penitenciando-me dos mais nefandos pecados.

Desejariam que o Senhor derramasse sobre mim todas as suas cóleras sagradas; todas as torturas do Averno seriam poucas para me consumir a alma. Os vermes que corroeram o corpo leproso do patriarca da Bíblia seriam, para as minhas culpas, como leves carícias.

Meus tormentos de Além-Túmulo deveriam exceder os de Tântalo. E tudo porque andei espalhando umas anedotas lidas pelas consciências que, condenando-me hoje lá das suas sacristias, vivem pensando no Céu, sentindo na boca um gosto rubro de pecado.

São as almas imaculadas que se esqueceram das minhas feições humanas, olvidando que os palhaços também divertem o público para conquistar os vinténs negros da vida. Se existem aí os que se confortam no luxo dos seus automóveis, deslizando no asfalto das avenidas, outros, para baterem à porta de uma padaria, é preciso que hajam passado através de um picadeiro.

Já tive ocasião de afirmar que não encontrei o paraíso muçulmano.

Encontrei, nesse "outro mundo", a minha própria bagagem. Meus pensamentos, minhas obras, frutos dos meus labores, da minha regeneração no sofrimento. Sem estar na beatitude do Céu, não conheço igualmente a topografia do inferno. Os uivos de Cérbero ainda não ecoaram aos meus ouvidos. O "nessun maggior dolore", que Dante escutou dos lábios de Francesca da Rimini, em sua peregrinação pelas masmorras do tormento, constituiu provavelmente um resultado da perturbação dos seus nervos auditivos, porque eu afirmo o contrário. Não há maior prazer que recordar, na paz daqui, as nossas dores na Terra.

E todos aqueles que vêm à ribalta, lamentando o meu relativo sossego, cuidem de conservar a sua pureza. A Terra é tão inçada de abismos que, às vezes, procurando olhar em excesso pelos que nos acompanham, costumamos cair neles.

Eu sou, de fato, grande culpado, não pelos meus esgares de caveira para arrancar o riso dos outros, mas diante da minha consciência, pela minha teimosia e incompreensão referentes aos problemas da Verdade. Todavia, Deus é a misericórdia suprema e, sem me acorrentar as colunas incandescentes, já prendeu meu coração de filho pródigo nas algemas suaves do seu amor.



Irmão X

Livro Crônicas de Além Túmulo

12 de setembro de 2011


PERGUNTA: Reconhecendo-se que os crimes do aborto provocado criminosamente surgem, em esmagadora maioria, nas classes mais responsáveis da comunidade terrestre, como identificar o trabalho expiatório que lhes diz respeito, se passam quase totalmente despercebidos da justiça humana?



RESPOSTA DE ANDRÉ LUIZ:

Temos no Plano Terrestre cada povo com seu código penal apropriado à evolução em que se encontra, mas, considerando o universo em sua totalidade como o Reino Divino, vamos encontrar o Bem do Criador para todas as criaturas, como Lei Básica, cujas transgressões deliberadas são corrigidas no próprio infrator, com o objetivo natural de conseguir-se, em cada círculo de trabalho no Campo Cósmico, o máximo de equilíbrio com o respeito máximo aos direitos alheios, dentro da mínima quota de pena.

Atendendo-se, no entanto, a que a Justiça Perfeita se eleva, indefectível, sobre o Perfeito Amor, no hausto de Deus "em que nos movemos e existimos", toda reparação, perante a Lei Básica a que nos reportamos, se realiza em termos de vida eterna e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na encarnação humana, porquanto, uma existência pode estar repleta de acertos e desacertos, méritos e deméritos e a Misericórdia do Senhor preceitua, não que o delinqüente seja flagelado, com extensão indiscriminada de dor expiatória, o que seria volúpia de castigar nos tribunais do destino, invariavelmente regidos pela Equidade Soberana, mas sim que o mal seja suprimido de suas vítimas, com a possível redução de sofrimento.

Desse modo, segundo o princípio universal do Direito Cósmico e expressar-se, claro, nos ensinamentos de Jesus que manda conferir "a cada um de acordo com as próprias obras", arquivamos em nós as raízes do mal que acalentamos para extirpá-las à custa do esforço próprio, em companhia daqueles que se nos afinem à faixa de culpa, com os quais, perante a Justiça Eterna, os nossos débitos jazem associados.

À face de semelhante fundamentos, certa romagem na carne, entremeada de créditos e dívidas, pode terminar com aparências de regularidade irrepreensível para a alma que desencarna, sob o apreço dos que lhe comungam a experiência, seguindo-se de outra em que essa mesma criatura assuma a empreitada do resgate próprio, suportando nos ombros as conseqüências das culpas contraídas diante de Deus e de si mesma, afim de reabilitar-se ante a Harmonia Divina, caminhando, assim, transitoriamente, ao lado de espíritos incursos em regeneração da mesma espécie.

É dessa forma que a mulher e o homem, acumpliciados nas ocorrências do aborto delituoso, mas principalmente a mulher, cujo grau de responsabilidade nas faltas dessa natureza é muito maior, à frente da vida que ela prometeu honrar com nobreza, na maternidade sublime, desajustam as energias psicossomáticas, com mais penetrante desequilíbrio do centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que frutescerão, mais tarde, em regime de produção a tempo certo.

Isso ocorre não somente porque o remorso se lhes entranhe no ser, à feição de víbora magnética, mas também porque assimilam, inevitavelmente, as vibrações de angústia e desespero e, por vezes, de revolta e vingança dos Espíritos que a Lei lhes reservara para filhos do próprio sangue, na obra de restauração do destino.

No homem, o resultado dessas ações aparece, quase sempre, em existência imediata àquela na qual se envolveu em compromissos desse jaez, na forma de moléstias testiculares, disendocrinias diversas, distúrbios mentais, com evidente obsessão por parte de forças invisíveis emanadas de entidades retardatárias que ainda encontram dificuldade para exculpar-lhes a deserção.

Nas mulheres, as derivações surgem extremamente mais graves. O aborto provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se matematicamente seguido por choques traumáticos no corpo espiritual, tantas vezes quantas se repetir o delito de lesa-maternidade, mergulhando as mulheres que o perpetram em angústias indefiníveis, além da morte, de vez que, por mais extensas se lhe façam as gratificações e os obséquios do Espíritos Amigos e Benfeitores que lhe recordam as qualidades elogiáveis, mais se sentem diminuídas moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e infeliz, assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante, carregando uma chaga que a todo instante se denuncia.

Dessarte, ressurgem na vida física, externando gradativamente, na tessitura celular de que se revestem, a disfunção que podemos nomear como sendo a miopraxia do centro genésico atonizado, padecendo, logo que reconduzidas ao curso da maternidade terrestre, as toxemias da gestação.

Dilapidado o equilíbrio do centro referido, as células ciliadas, mucíparas e intercalares não dispõe da força precisa na mucosa tubária para a condução do óvulo na trajetória endossalpingeana, nem para alimentá-lo no impulso da migração por deficiência hormonal do ovário, determinando não apenas os fenômenos da prenhez ectópica ou localização heterotópica do ovo, mas também certos síndromes hemorrágicos de suma importância, decorrentes da nidação do ovo fora do endométrio ortotópico, ainda mesmo quando este já esteja acomodado na concha uterina, trazendo habitualmente os embaraços da placentação baixa ou a placenta prévia hemorragía para que constituem, na parturição, verdadeiro suplício para as mulheres portadoras do órgão germinal em desajuste.

Enquadradas na arritmia do centro genésico, outras alterações orgânicas aparecem, flagelando a vida feminina, , como sejam o descolamento da placenta eutópica, por hiperatividade histolítica da vilosidade corial; a hipocinesia uterina, favorecendo a germicultura do estreptococo ou do genococo, depois das crises endometríticas puerperais, a salpingite tuberculosa, a degeneração cística do cório; a salpigooforite, em que o edema e o exsudato fibrinosos provocam a aderência das pregas da mucosa tubária, preparando campo propício às grandes inflamações anexiais, em que o ovário e a trompa experimentam a formação de tumores purulentos que os identificam no mesmo processo de desagregação; os síndromes circulatórios da gravidez aparentemente normal, quando a mulher, no pretérito, viciou também o centro cardíaco, em conseqüência do aborto calculado e seguido por disritmia das forças psicossomáticas que regulam o eixo elétrico do coração, ressentindo-se, como resultado, na nova encarnação e em pleno surto de gravidez, da miopraxia do aparelho cardiovascular, com aumento da carga plasmática na corrente sanguínea, por deficiência no orçamento hormonal, daí resultando graves problemas da cardiopatia conseqüente.

Temos ainda a considerar que a mulher sintonizada com os deveres da maternidade na primeira ou, às vezes, até na segunda gestação, quando descamba para o aborto criminoso, na geração dos filhos posteriores, inocula, automaticamente no centro genésico e no centro esplênico do corpo espiritual as causas sutis de desequilíbrio recôndito, a se lhe evidenciarem na existência próxima pela vasta acumulação do antígeno que lhe imporá as divergências sanguíneas com que asfixia, gradativamente, através da hemólise, o rebento de amor que alberga carinhosamente no próprio seio, a partir da segunda ou terceira gestação, porque as enfermidades do corpo humano, como reflexos das depressões profundas da alma, ocorrem dentro de justos períodos etários.

Além dos sintomas que abordamos em sintética digressão na etiopatogenia das moléstias do órgão genital da mulher, surpreenderemos largo capítulo a ponderar no campo nervoso, à face da hiperexitação do centro cerebral, com inquietantes modificações da personalidade, a raiarem, muitas vezes, no martirológico da obsessão, devendo-se ainda salientar o caráter doloroso dos efeitos espirituais do aborto criminoso, para os ginecologistas e obstetras delinqüentes.

 Para melhorar a própria situação, que deve fazer a mulher que se reconhece, na atualidade, com dívidas no aborto provocado, antecipando-se, desde agora, no trabalho de sua própria melhoria moral, antes que a próxima existência lhe imponha as aflições regenerativas?



ANDRÉ LUIZ:



Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias. Quem ontem abandonou os próprios filhos pode hoje afeiçoar-se aos filhos alheios, necessitados de carinho e abnegação.

O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro (I Pedro, 4:8), adverte-nos quanto à necessidade de cultivarmos ardente carinho uns para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de nossos males.



 Evolução em Dois Mundos, Parte II, caps. X e XI, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)

11 de setembro de 2011

A CURA DE DOIS CEGOS


Mateus 9:27-31 
27   Seguiram a Jesus que saia de lá, dois cegos, gritando e dizendo: "Compadece-te de nós, Filho de David".
28   E entrando em casa, vieram a ele os cegos; e Jesus disse-lhes: "Credes que posso fazer isso"? Responderam-lhe: "Sim, Senhor".
29   Então tocou-lhes nos olhos, dizendo: "Seja feito a vós, conforme vossa fé".
30   E abriram-se seus olhos. Jesus ameaçou-os, dizendo: "Vede, ninguém sabia!"
31   Eles, porem, saindo, fizeram-no conhecido em toda aquela terra.

O local geográfico do episódio não é citado. Alguns hermenautas o situam em Cafarnaum, em vista de estar, em Mateus, logo a seguir à ressurreição da filha de Jairo, e se dividem quanto à "casa" a que se refere o narrador, que diz apenas "entrando em casa" (elthónti eis tên oikían). Loisy ("les Évangiles Synoptiques") supõe, como em geral, ser casa de Pedro, mas Lagrange ("Évangile selon St. Matthieu", pág. 189) acha que é a casa de Mateus, o que é aceito por Durand ("Évangile selon St. Matthieu", Paris, 1924); Pirot (o.c., vol. 9, pág. 122) opina que "Jesus alugara um apartamento para si, independente, para ter a liberdade de movimento indispensável a um ministério como o seu". E essa dedução é feita porque em Mat. 8:14 é dito "foi à casa de Pedro", e em Mat. 13:1 "saiu de casa" ou "voltou a casa" (Mat. 13:36 e 17:25). Logo é a "sua casa". Não cremos haja Jesus abandonado a casa de Pedro, nem para trocá-la por uma mais rica (a de Mateus), nem para um apartamento próprio, onde teria o problema de quem lhe cuidasse das coisas, o que não faltava, com todo o amor, na casa de Pedro, com as esposas dele e de André, suas filhas e a própria sogra de Pedro, que fora curada por Jesus.

Pela cronologia geralmente aceita, a cura foi efetuada na Transjordânia, em sua estada depois da festa da dedicação.

Os cegos acompanham Jesus "que vai saindo de lá", e vão "gritando" (krázontes, como são sempre apresentados os cegos nos Evangelhos). O título "Filho de David" designava o messias (cfs. Salmo 17:23, etc) e já fora empregado pela Cananéia (vol. 4o., pág. 18). Não é plausível que eles soubessem que se tratava do messias. Mais viável que, desejando um favor, atribuíssem interessadamente, um título que honrava a pessoa: bem David. É mais da psicologia humana, não só daquele tempo, como de hoje: elogiar aquele de quem esperamos um favor.

Jesus primeiro pergunta se eles acreditam que Ele tenha a força (dynamis) de fazer isso. A resposta é singela: "Sim, Senhor" (em grego, kyrie, em aramaico, mari, "meu senhor", cujo feminino é marta, veja atrás pág. 20).

Em resposta, Jesus lhes diz: "faça-se (genêthêto) a vós segundo a vossa crença", e lhes toca os olhos, recuperando eles imediatamente a visão. Depois adverte-os (o verbo grego embrimaómai, só usado aqui e em João, 11:33 e 38, mas com outro sentido, é de difícil tradução: "roncar, fremir, zangar-se") que ninguém saiba. Mas bastava olharem para eles, para verificar que haviam recuperado a visão, e eles tornam Jesus conhecido (diephêmisan autón) em toda a região.

Este episódio abre também nossos olhos para revelações dignas de registro.

Notemos que os cegos são dois. Ora, já vimos (vol. 2o., pág. 40 e vol. 3o., pág. 121 e 166) que o "dois" exprime a receptividade passiva feminina. Há, portanto, nessa súplica vibrante e veemente de luz ("gritando") um espírito pronto para a iluminação, com a receptividade perfeita.

Ora, esse espírito segue Jesus (a individualidade) quando "sai de lá" (paránonti ekeíthen) e quando "entra em casa" (elthónti eis tên oikían), isto é, quando peregrina partindo da Luz e faz seu caminho na "casa" de seus veículos físicos. Acompanha-a dentro da "casa" (coração) "gritando" por "misericórdia" (eléêson), para receber a iluminação.

O pedido é feito ao "Filho de David". Realmente, vimos eu David significa "o Amado",  e simboliza o Cristo Cósmico, o terceiro aspecto da Divindade. Ora, o espírito se dirige ao "filho" de  David, ou seja, à Centelha Crística, que proveio (é filha) do Cristo Cósmico, e é essa Centelha ou Eu Profundo que ele segue até dentro de casa.

A persistência, essa ânsia em "mendigar o espírito" (ptôchoí tôi pneúmati, Mat. 5:3; vol. 2o, pág. 121), esse preparo comprovado pela receptividade perfeita ("dois") vão merecer resposta favorável. É quando o Cristo Interno indaga se ele tem fé (emoções) e se confia (intelecto) que Ele tenha a força (dynamis) de realizar a iluminação. A resposta é "sim".

Diante dessa garantia, vem o deferimento ao pedido, com a ordem de que "seja feita" ou "ele evolua" (genêthêto, de gínomai) de acordo exatamente com a fidelidade (sintonia vibratória espiritual) que tiver. Isso porque ninguém recebeu nem receberá jamais por favoritismos nem privilégios; a única medida do que se recebe é a capacidade intrínseca do receptor, nem mais nem menos.

E isso é medido pela frequência vibratória do SER (não do "fazer", nem do "saber", nem do "crer", nem do "falar").

E a luz flui da força potencial (dynamis) simbolizada pela "mão" que toca os "olhos”, ou seja, os órgãos da compreensão, o intelecto, que se abre para deixar penetrar a flux os raios luminosos do Cristo. Com a força crística atuante, a luz é feita de imediato. Não mais necessidade de testemunhos alheios, de pesquisas, de estudos, de raciocínios: é a intuição instantânea que tudo clareia a visão objetiva que tudo vê, a mente aberta para o infinito, o Espírito que se incendeia no Cosmo, a Luz que tudo ilumina.

O Cristo "freme" ou "murmura" (aqui podemos entender o pleno sentido e o porquê do emprego de enbrimêthê, do verbo embrimáomai:  "roncar" ou "fremir", isto é, fazer sentir vindo de dentro, sem palavras) que  "ninguém tenha conhecimento" (ginôskétô) do que se passou.

No entanto, não houve desobediência como pensam os profanos. Como criaturas "preparadas", nada foi dito. O segredo foi mantido. Mas, assim como a própria presença de um cego conhecido que recupera a visão atesta o que com ele se passou, assim também a simples presença  da criatura iluminada pelo Encontro , mesmo sem palavras, "torna o Cristo conhecido" a todos os que dela se aproximam. O Cristo transparece através daqueles que tiveram a felicidade indescritível de a Ele unificar-se.

Extraído do Livro "Sabedoria do Evangelho" - Carlos Torres Pastorino

5 de setembro de 2011

CONSTRUINDO CATEDRAIS


As belas catedrais europeias são, sem dúvida, um grande legado arquitetônico para a Humanidade.
Ganharam os céus, vencendo os desafios tecnológicos e as capacidades construtivas de uma época, sem os conhecimentos atuais da Engenharia Civil, sem o auxílio dos cálculos matemáticos apurados, sem recursos de computadores ou outro aparato tecnológico qualquer.
Suas imensas torres a rasgar os céus, suas paredes bordadas em pedra, seus vitrais filtrando em cores os raios solares que os transpassam, fazem-nas belezas imensas nas paisagens de velhas cidades.
Mas, em todas elas, se se tentar saber quem são seus construtores, encontram-se imensas dificuldades. Essas construções levavam séculos para serem concluídas. E o trabalho de muitos, que dedicavam toda sua vida para construí-las, perdia-se no tempo.
Os sacrifícios para que essas imensas naves fossem erguidas, vencendo os séculos com altivez e beleza, perderam-se na História.
Posto que a construção durava mais do que uma vida humana, eram as vidas de muitos que se somavam para que esses templos ganhassem forma, em um trabalho anônimo, desconhecido.
Não é diferente do que ocorre conosco em nossa caminhada. Muitos de nossos sacrifícios, de nossos esforços passam despercebidos por todos.
Poucos dão-se conta do trabalho anônimo da mãe no lar, preparando as refeições, consertando roupas, pregando um botão ou passando uma camisa, para que filhos e esposo se apresentem impecáveis.
Ninguém percebe quantas vezes alguém se cala para que uma discussão não ganhe proporções indesejadas. Ou quando avança horas na noite, a velar o sono de um enfermo.
Ficam perdidas no anonimato as boas ações como quando, mesmo sem tempo, nos dispomos a ouvir alguém, a ceder a vez para o outro em uma fila, a fazer um favor que nos foi solicitado.
Poucos aquilatam as longas horas de trabalho do professor a corrigir textos, analisar trabalhos, varando madrugadas, a fim de que possa conhecer mais intimamente seus educandos, entendendo suas mentes e suas almas, para melhor colaborar com sua formação.
No entanto, Deus está vendo. Ele percebe nossas intenções e compreende que todas essas ações contribuem para a construção de nossa catedral íntima.
Assim, jamais desanimemos pelo não reconhecimento da sociedade ou da família, frente aquilo que fazemos.
Trabalhemos e vivamos oferecendo o que temos de melhor, na nossa vida familiar, nas lides profissionais ou na convivência social.
É verdade que, muitas vezes, criamos expectativas de que alguém reconheça e valorize o que fazemos.
Porém, mesmo se isso não ocorrer, mesmo assim, nosso trabalho nunca será anônimo.
Afinal, é Deus quem nos cuida e vê cada ação nossa, o esforço que fazemos para erigir a catedral de virtudes e valores nobres em nossa intimidade.
Como os construtores de outrora, toda uma vida de sacrifício será válida se pensarmos que Deus estará sempre vendo o que realizamos.

Redação do Momento Espírita, com base em vídeo de Nicole Johnson.
Em 02.03.2011.

3 de setembro de 2011

O VERDADEIRO RECOLHIMENTO


Sociedade de Paris, 16 de outubro de 1868; médium Sr. Bertrand.)

Se pudésseis ver o recolhimento dos Espíritos de todas as ordens que assistem às vossas sessões, e isto durante a leitura de vossas preces, não só serieis tocados, mas ficaríeis envergonhados de ver que o vosso recolhimento, que eu qualifico somente de silêncio, está bem longe de se aproximar do dos Espíritos, dos quais um bom número vos são inferiores. O que chamais vos recolher durante a leitura de vossas belas preces é observar um silêncio que ninguém perturba; mas se vossos lábios não se movimentam, se vosso corpo está imóvel, vosso Espírito vagueia e deixa de lado as sublimes palavras que deveríeis pronunciar do mais profundo de vosso coração, em vo-las assimilando pelo pensamento.
Vossa matéria observa o silêncio; certamente, seria vos fazer injúria em dizer o contrário; mas vosso Espírito tagarela não o observa, e perturba, nesse instante, por vossos pensamentos diversos, o recolhimento dos Espíritos que vos cercam. Ah! se os visse prosternados diante do Eterno, pedindo o cumprimento de cada uma das palavras que ledes, vossa alma com isto estaria emocionada, e lamentaria a sua pouca atenção passada, faria um retorno sobre si mesma, e pediria a Deus, de todo o coração, o cumprimento dessas mesmas palavras que ela não pronunciava senão com os lábios.
Pediríeis aos Espíritos para vos tornar dóceis aos seus conselhos, e eu, Espírito que vos fala, depois da leitura de vossas preces, e das palavras que venho de repetir, que eu poderia assinalar mais de um que continuaria todo ainda pouco dócil aos conselhos que acabo de dar, e com sentimentos todo ainda pouco caridosos para seu próximo.
Sem dúvida, sou um pouco duro; mas creio não sê-lo senão para aqueles que o merecem e cujos mais secretos pensamentos não podem ser ocultados aos Espíritos. Eu não me dirijo, pois, senão àqueles que vêm aqui pensando em toda outra coisa do que nas lições que devem aqui vir procurar e nos sentimentos que devem aqui trazer. Mas aqueles que oram do fundo de sua alma pedirão também, depois da leitura de minha comunicação, por aqueles que vêm aqui e daqui partem sem terem orado.
Qualquer que o seja peço àqueles que consentiram me emprestar um ouvido atento, de continuarem a pôr em prática os ensinos e os conselhos dos Espíritos; a isto os convido em seu interesse, porque não sabem tudo o que podem perder em não fazê-lo.
DECOURSON.
Revista Espírita Setembro de 1868

2 de setembro de 2011

DIFERENÇA ENTRE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE


A religião alimenta a mente; a espiritualidade, a alma!!

As Diferenças entre Religião e Espiritualidade religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.

A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.

A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: “aprenda com o erro”.

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.

A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.

A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.

A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.

A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.

A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.

A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

1 de setembro de 2011

REFLEXÕES SOBRE A MORTE


Cidadão da eternidade, o homem convive, simultaneamente, com o mundo físico e o espiritual. Durante o sono, verifica-se a separação provisória entre a alma e o corpo. Enquanto este dorme, o Espírito semiliberto, envolto em seu corpo fluídico, ou perispírito, pode adentrar o mundo invisível, em excursão de aprendizagem ou em tarefa de ajuda aos mais necessitados nos dois planos da vida.
Na morte, porém, a libertação é definitiva: a vida, no corpo espiritual, desabrocha intensa e livre, pois “semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual” (Paulo, I Cor. 15:44). Por outro lado, o nascimento na Terra é como uma morte para o Espírito: este é encerrado em um “túmulo de carne”, no dizer de Léon Denis. O mesmo se infere do conselho de Jesus ao homem que queria segui-Lo: “A outro disse: - Segue-me”. “Mas ele disse: - Senhor, permite-me que eu vá primeiro sepultar meu pai”- “Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; quanto a ti, vai anunciar o reino de Deus” (Lucas, 11:59-60).
É evidente que Jesus não censurava a preocupação piedosa do filho: providenciar o sepultamento de seu pai. A lição que se infere dessa passagem evangélica é que a vida real, intensa e bela, é a vida espiritual, natural ao ser; havia, pois, urgência em proclamá-la.
Toda morte é um renascimento: o despertar da vida em sua plenitude.
Assim como morre a feia lagarta para surgir a borboleta multicolor, assim também desagrega-se o invólucro material para libertar o Espírito que, em sua roupagem diáfana, flutua rumo ao verdadeiro lar, em busca de novos compromissos.
No dia de Finados, uma multidão de pessoas comparece aos cemitérios, cumprindo a tradição do culto aos mortos. As necrópoles ficam em festa, numa profusão de flores e velas, com direito à cobertura da mídia. Respeitamos aqueles que assim o fazem; no entanto, somos levados a refletir sobre o fato à luz dos ensinamentos da Doutrina Espírita.
Não é no silêncio frio das sepulturas que vamos encontrar os nossos entes queridos que partiram. Dos tristes despojos muitas vezes, resta apenas pó. Não raro, os amores por que choramos e vamos procurar no cemitério estão ao nosso lado, velando por nós. Às vezes sofrem e perturbam-se, angustiados com o nosso sofrimento.
Em “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec pergunta: (323) – “ A visita de uma pessoa a um túmulo causa maior contentamento ao Espírito, cujos despojos corporais aí se encontrem, do que a prece que por ele faça essa pessoa em sua casa?
“Aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo.
Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração.”
Convocados pelo pensamento, os finados comparecem ao triste local, em atenção aos seus familiares e amigos que lá se encontram. Tal, porém, poderia ser feito no recesso do lar, quando, em demonstração de saudade e carinho, fosse-lhes oferecida cariciosa vibração de uma prece. .
MARIA NAZARÉ DE C. LAROCA