3 de setembro de 2011

O VERDADEIRO RECOLHIMENTO


Sociedade de Paris, 16 de outubro de 1868; médium Sr. Bertrand.)

Se pudésseis ver o recolhimento dos Espíritos de todas as ordens que assistem às vossas sessões, e isto durante a leitura de vossas preces, não só serieis tocados, mas ficaríeis envergonhados de ver que o vosso recolhimento, que eu qualifico somente de silêncio, está bem longe de se aproximar do dos Espíritos, dos quais um bom número vos são inferiores. O que chamais vos recolher durante a leitura de vossas belas preces é observar um silêncio que ninguém perturba; mas se vossos lábios não se movimentam, se vosso corpo está imóvel, vosso Espírito vagueia e deixa de lado as sublimes palavras que deveríeis pronunciar do mais profundo de vosso coração, em vo-las assimilando pelo pensamento.
Vossa matéria observa o silêncio; certamente, seria vos fazer injúria em dizer o contrário; mas vosso Espírito tagarela não o observa, e perturba, nesse instante, por vossos pensamentos diversos, o recolhimento dos Espíritos que vos cercam. Ah! se os visse prosternados diante do Eterno, pedindo o cumprimento de cada uma das palavras que ledes, vossa alma com isto estaria emocionada, e lamentaria a sua pouca atenção passada, faria um retorno sobre si mesma, e pediria a Deus, de todo o coração, o cumprimento dessas mesmas palavras que ela não pronunciava senão com os lábios.
Pediríeis aos Espíritos para vos tornar dóceis aos seus conselhos, e eu, Espírito que vos fala, depois da leitura de vossas preces, e das palavras que venho de repetir, que eu poderia assinalar mais de um que continuaria todo ainda pouco dócil aos conselhos que acabo de dar, e com sentimentos todo ainda pouco caridosos para seu próximo.
Sem dúvida, sou um pouco duro; mas creio não sê-lo senão para aqueles que o merecem e cujos mais secretos pensamentos não podem ser ocultados aos Espíritos. Eu não me dirijo, pois, senão àqueles que vêm aqui pensando em toda outra coisa do que nas lições que devem aqui vir procurar e nos sentimentos que devem aqui trazer. Mas aqueles que oram do fundo de sua alma pedirão também, depois da leitura de minha comunicação, por aqueles que vêm aqui e daqui partem sem terem orado.
Qualquer que o seja peço àqueles que consentiram me emprestar um ouvido atento, de continuarem a pôr em prática os ensinos e os conselhos dos Espíritos; a isto os convido em seu interesse, porque não sabem tudo o que podem perder em não fazê-lo.
DECOURSON.
Revista Espírita Setembro de 1868

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