14 de outubro de 2011

O LIVRE ARBÍTRIO


Que é o livre-arbítrio?
Abrindo “O Livro dos Espíritos”, vamos encontrar no Capítulo X - Da Lei de Liberdade -, 3ª Parte da obra, oito questões relacionadas com o assunto livre-arbítrio (Questões 843 a 850), nas quais os Espíritos superiores instruem-nos a respeito.
Logo na Questão 843, indaga o Codificador se o homem tem o livre-arbítrio de seus atos. E os Espíritos respondem que se tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar, porquanto, sem o livre-arbítrio ele seria máquina.
Em resposta à Questão 845, os Espíritos afirmam que conforme se trate de Espírito mais ou menos adiantado, as predisposições instintivas podem arrastá-lo a atos repreensíveis, porém não existe arrastamento irresistível.
Basta que o Espírito (encarnado ou desencarnado), sendo consciente do mal a que esteja ou se sinta arrastado, utilize a vontade no sentido de a ele resistir.

Verificamos, no contexto geral das Questões acima referidas, que não há desculpa óbvia para o mal que o homem venha a praticar, uma vez que ele, por mais imperfeito que seja, tem a consciência do ato que pratica - se é bom ou se é mau.

O livre-arbítrio é uma faculdade indispensável ao ser humano, não nos resta qualquer dúvida, pois, sem ele, já foi dito, o ser espiritual seria simples máquina ou robô, sem qualquer responsabilidade dos atos que viesse a praticar.
É justamente a faculdade do livre-arbítrio que empresta ao homem certa semelhança com o Pai soberano do Universo. E constitui desiderato pleno desse Pai magnânimo que os Espíritos, seus filhos, cresçam para a glória eterna, iluminando-se na prática da sabedoria e do bem.
A prática do mal pelo Espírito, encarnado ou desencarnado, não tem qualquer justificativa porque ele sabe quando obra indevidamente. Caim, no exemplo bíblico, ao matar Abel, tinha plena consciência do que fazia tanto que o fez às escondidas. O que faltou a Caim foi a compreensão de que nada há oculto aos olhos de Deus!
Pode-se, verdadeiramente, lesar os homens, pode-se até mesmo lesar-se a si próprio, mas nunca lesará alguém a magnânima justiça de Deus.
Esclarece-nos a Revelação da Revelação, ou “Os Quatro Evangelhos”, que o Espírito antes de encarnar toma resoluções quanto ao gênero das provações, quanto à extensão e ao termo delas, até mesmo quanto à duração da existência bem como quanto aos atos que praticará durante a mesma, no entanto, o em­prego, o uso ou o abuso que ele faz da vida terrena muitas vezes o impedem de atingir o limite e o bom cumpri­mento daquela resolução (lº Volume, pág. 139, 7ª edição FEB).
No caso enfocado, o Espírito teve o livre-arbítrio de programar o que seria a sua encarnação, no entanto, em função do próprio livre-arbítrio, por usá-lo mal ou dele abusar, estragou um bom programa de vida. Há, porém, aqueles que procuram justificar-se com fundamento no esquecimento produzido pelo véu da carne.
Os Espíritos, todavia, em resposta à Questão 392 de “O Livro dos Espíritos”, explicam que “não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro.” E concluem: “Esquecido de seu passa­do ele é mais senhor de si.”
Vejamos, por exemplo, uma situação em que determinado indivíduo houvesse sido homicida em sua última encarnação e tivesse programado para a atual existência a quitação desse delito. Não obstante a desnecessidade de desencarnar assassinado, ele não teria paz até o dia de seu retorno à vida espírita. Estaria sempre sobressaltado e na expectativa da presença de alguém que lhe viesse sub­trair a vida física, se recordasse sua transgressão anterior.
O esquecimento do passado é necessário, misericordioso, e justifica perfeitamente a prova ou provas a que todos estamos natural­mente submetidos, pois essa é uma das funções da vida corporal.

Sentimos a importância do livre-arbítrio quando somos levados a tomar decisões que incomodam a consciência... Isto significa quanto o Pai celestial é bom, nos ama e se preocupa com o nosso progresso. Concede-nos o livre-arbítrio, mas concede-nos igualmente a consciência, espécie de censor natural, que nos alerta quando dele pretendemos abusar.
A propósito queremos fazer um paralelo entre duas informações ou elucidações em torno do livre-arbítrio e as conseqüências de sua errônea utilização. Uma se encontra em “Os Quatro Evangelhos” ou Revelação da Revelação (lº Vol. pág. 299, 7ª edição FEB), nos seguintes termos:
“Esses Espíritos presunçosos e revoltados, cuja queda os leva às condições mais materiais da Humanidade, são então humanizados, isto é, para serem domados e progredirem sob a opressão da carne, encarnam em mundos primitivos, ainda virgens do aparecimento do homem, mas preparados e prontos para essas encarnações” (grifos da obra).
A outra se encontra em “O Evangelho segundo o Espiritismo” (Capítulo III, Item 16, edição FEB), nos termos seguintes:
“Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colo­cada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos re­velou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! Há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.”
Em ambas as elucidações, vê-se que o livre-arbítrio é um dom de que o Espírito pode abusar, mas terá sempre de enfrentar as conseqüências desse abuso, sofrendo encarnações destinadas a purificá-lo, transformá-lo, regenerá-lo, o que não deixa de ser pena de efeito verdadeira­mente misericordioso.
Os itens 16 e 17 desse capítulo de “O Evangelho segundo o Espiritismo” são constituídos de uma mensagem de Santo Agostinho, que deve ser lida atenciosamente pelo espírita estudioso. Pois a questão livre-arbítrio confunde bastante aqueles que a conhecem apenas superficialmente, literariamente, sem analisar-lhe a profundidade científico-filosófica.
Há, ainda, aqueles que confundem livre-arbítrio com direito, quando são duas coisas diferentes. No livre-arbítrio temos uma ação voluntariosa de escolha entre alternativas diferentes em que o ator é responsável pelas conseqüências do seu ato. Na ciência do direito a responsabilidade do ato praticado decorre da lei humana.
A Doutrina Espírita exerce, por­tanto, considerável papel em sua função de Consolador prometido pelo Cristo de Deus: o de alertar as almas que atingiram determinado degrau da escala evolutiva, em que a alegação de ignorância já não atenua determinados erros cometidos em função do livre-arbítrio. No que diz respeito aos habitantes de um mundo em vias de mudança para estágio de regeneração, vale acentuar ainda, conforme vimos acima, a função da consciência como faculdade de alertamento no processo optativo das alternativas para a ação.
A Doutrina está no mundo para todos. Ela não pertence aos espiritistas. Enviou-a Jesus à Humanidade. Os espiritistas somos apenas seus instrumentos de exemplificação e divulgação sem qualquer outro “privilégio” além da consciência do livre-arbítrio.

Fonte: Reformador nº1984 – Julho/1994

2 comentários:

  1. O texto postado é bastante interessante e nos conduz a várias reflexões, dentre elas:
    . Somos livres para agir, temos o livre arbítrio, que é em sua essência, diferente de direito.
    . Pela bondade divina temos o exato conhecimento do que é bom e do que nos conduz a um caminho de dificuldades, através o nosso “censor natural”.
    Se assim viemos, já cientes de nossa missão (apesar do véu do ocultamento), livres para agir e consciente das consequências dos caminhos que podemos adotar, concluímos, que Deus é sempre maravilhoso e perfeito em suas obras: nos deixa cientes de nossas faltas e em que precisamos melhorar, logo, nos permite reencarnar para o aprimoramento do nosso espírito; nos disponibiliza anjos protetores para nos orientar, se hesitarmos em agir, eles sempre estarão lá para nos auxiliar, basta mantermos a nossa ligação; e nos ensina como manter tudo isso em sintonia: buscando sempre o AMOR, como base de todas as nossas ações!
    E ainda, nos dota exatamente do que precisamos. Nada temos a mais ou de menos, temos o suficiente para as nossas necessidades, sejam elas, físicas, econômicas, sociais ou espirituais. Se sentimos que algo nos falta, podemos não estar empregando tudo que temos para o bem , ou se sentimos que temos algo em fartura, podemos estar negligenciando em nossa missão para o bem. Temos tanto e nos doamos tão pouco...

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  2. O texto postado é bastante interessante e nos conduz a várias reflexões, dentre elas:
    . Somos livres para agir, temos o livre arbítrio, que é em sua essência, diferente de direito.
    . Pela bondade divina temos o exato conhecimento do que é bom e do que nos conduz a um caminho de dificuldades, através o nosso “censor natural”.
    Se assim viemos, já cientes de nossa missão (apesar do véu do ocultamento), livres para agir e consciente das consequências dos caminhos que podemos adotar, concluímos, que Deus é sempre maravilhoso e perfeito em suas obras: nos deixa cientes de nossas faltas e em que precisamos melhorar, logo, nos permite reencarnar para o aprimoramento do nosso espírito; nos disponibiliza anjos protetores para nos orientar, se hesitarmos em agir, eles sempre estarão lá para nos auxiliar, basta mantermos a nossa ligação; e nos ensina como manter tudo isso em sintonia: buscando sempre o AMOR, como base de todas as nossas ações!
    E ainda, nos dota exatamente do que precisamos. Nada temos a mais ou de menos, temos o suficiente para as nossas necessidades, sejam elas, físicas, econômicas, sociais ou espirituais. Se sentimos que algo nos falta, podemos não estar empregando tudo que temos para o bem , ou se sentimos que temos algo em fartura, podemos estar negligenciando em nossa missão para o bem. Temos tanto e nos doamos tão pouco...

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