13 de novembro de 2011

ALMAS EM PRECE


 
       Não podemos entender serviço mediúnico sem noção de responsabilidade individual.

       É inconcebível se promova o intercâmbio com a Es­piritualidade sem que haja, da parte de cada um e de todos, em conjunto, aquela nota de respeito e veneração que nos faz servir, «espiritualmente ajoelhados», às ta­refas mediúnicas.

       Os Amigos Espirituais consagram tanto respeito ao setor mediúnico que o Assistente Áulus, ao se dirigir para a sala das reuniões, teve as seguintes palavras que, de maneira expressiva e singular, traduzem a maneira como encaram o serviço:

       «Vemos aqui o salão consagrado aos ensinamen­tos públicos. Todavia, o núcleo que buscamos (sala das sessões mediúnicas) jaz em reduto íntimo, assim como o coração dentro do corpo. »

       E, referindo-se à preparação dos encarnados, antes do início dos trabalhos, reporta-se a quinze minutos de prece, quando não sejam de pa­lestra ou leitura com elevadas bases morais».

       Não se justifica, realmente, que, antes das reuniões, demorem-se os encarnados em conversações inteiramente estranhas às suas finalidades.

       Não se justificam a conversação inadequada e o am­biente impregnado de fumo, numa ostensiva desatenção a respeitáveis entidades e num desapreço aos irmãos sofredores trazidos aos Centros a fim de que, em am­biente purificado, sejam superiormente atendidos.

Há grupos em que os encarnados se comprazem, inclusive, em palestras desaconselháveis que estimulam paixões, tais como, política, negócios e alusões a companheiros ausentes, numa prova indiscutível de que não colaboram para que os recintos reservados às tarefas espirituais adquiram a feição de templos iluminativos.

Salientando o sentimento de responsabilidade dos dez companheiros do grupo visitado, Áulus esclarece:

«Sabem que não devem abordar o mundo espi­ritual sem a atitude nobre e digna que nos outor­gará a possibilidade de atrair companhias edificantes, e, por esse motivo, não comparecem aqui sem trazer ao campo que lhes é invisível as sementes do melhor que possuem.»

É oportuno ressaltar que os componentes do grupo, embora criaturas humanas e sujeitas às mesmas lutas com que se defrontam todas as almas em processo de regeneração, através do trabalho e do estudo, compare­cem ao Centro e nele se conduzem como se estivessem num santuário celeste.

Não são almas santificadas.

São criaturas de boa vontade que transitam normal­mente pelo mundo, cada uma ocupada com as obrigações que a vida lhe impõe: trabalham, comem, vestem-se e distraem-se na recreação edificante.

Todavia, a sinceridade de propósito e a fé, o devo­tamento e a veneração ao serviço asseguram o êxito das tarefas e garantem-lhes magnífica assistência espiritual.

Vejamos como André Luiz, usando o psicoscópio, observa os irmãos profundamente concentrados na prece:

«Detive-me na contemplação dos companheiros encarnados que agora pareciam mais estreitamente associados entre si, pelos vastos círculos radiantes que lhes nimbavam as cabeças de opalino esplendor.

Tive a impressão de fixar, em torno do apagado bloco de massa semi-escura a que se reduzira a mesa, uma coroa de luz solar, formada por dez pontos característicos, salientando-se no centro de cada um deles o semblante espiritual dos amigos em oração.»

O quadro observado por André Luiz é deveras to­cante.

Com a atenção presa “ao círculo dos rostos fulgu­rantes, visivelmente unidos entre si, à maneira de dez pequeninos sóis, imanados uns aos outros”, verifica An­dré Luiz que, sobre cada um dos encarnados em prece, «se ostentava uma auréola de raios quase verticais, fulgentes e móveis, quais se fossem diminutas antenas de ouro fumegante”.

Qualquer grupo mediúnico que funcionar na base da harmonia, do entendimento e da sinceridade obterá, sem dúvida, essa mesma defesa maravilhosamente observada e descrita por André Luiz.

Tendo Jesus-Cristo afirmado que estaria sempre «onde duas ou três pessoas se reunissem em seu nome», estamos convictos de que, onde o trabalho se realizar sob a inspiração do seu Amor, num palacete ou num casebre, a Sua Divina Presença se fará por meio de ilu­minados mensageiros.

Como e porque duvidarmos disso, se temos certeza de que a misericórdia do Senhor não se circunscreve a grupos ou pessoas, mas se estende, abundantemente, a to­dos quantos, na execução de tarefas em seu Nome Augus­to, servem, incondicionalmente, ao Bem!

Quanto nos seja possível, por amor à Causa, falemos e escrevamos sempre concitando, moderada e fraternal­mente, à nossa querida família espírita a dignificar o serviço mediúnico, oferecendo-lhe, agora e sempre, o me­lhor de nosso coração, de nossa alma, de nossa inteligencia.

Fora disso, haverá sempre escolhos e incertezas...





ESTUDANDO A MEDIUNIDADE

MARTINS PERALVA

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