26 de dezembro de 2011

CAUSAS PRIMÁRIAS DAS ENFERMIDADES


Há uma gama incontável de hipóteses, desde que o homem racional existe neste planeta, acerca de quais seriam as causas primárias das enfermidades. Todos os conhecimentos sistematizados, particularmente a Ciência, a Filosofia e a Teologia, têm emitido e continuam emitindo mais hipóteses, por se tratar de um fato humano inquestionavelmente vivencial.
Esse artigo propõe mais uma hipótese sobre o assunto, hipótese essa que não é uma novidade nem uma originalidade do autor; no máximo é uma nova exposição na forma da sua atual percepção.
O primeiro pressuposto: a sanidade ou a sua ausência, convencionalmente chamada de enfermidade, é de única e exclusiva responsabilidade do espirito humano, portanto do ser pensador, como conseqüência natural de seu currículo de vida milenar, independentemente de ele estar conscientizado ou não sobre essa auto-responsabilidade.
O segundo pressuposto: qualquer enfermidade, com relação às causas primárias, é uma determinação por algum nível consciencial, mais profundo, desequilibrando o estado mental e/ou emocional e/ou fisico. Com outras palavras, a enfermidade é uma auto-limitacão compulsória que a consciência mais profunda obriga a consciência racional a retificar concepções de vida não naturais e/ou conflitos íntimos
E quais são as concepções de vida naturais? São aquelas que não contrariam a ética universal, estabelecida pelas Leis Universais que estão esculpidas na consciência humana e que regem tudo o que existe no Universo. O fato é que a consciência humana sabe perfeitamente quais as concepções de vida naturais, mas a consciência racional, geralmente motivada por alguma ilusão, pode vivenciar uma concepção de vida não natural. Aí, instala-se o conflito consciencial. A correção parte de um nível mais profundo, "consciente" de quais são as concepções de vida naturais, freqüentemente usando o recurso da enfermização, em qualquer dos estados da vida encarnada (mental e/ou emocional e/ou físico), resultando na privação da sanidade, mas visando levar a consciência racional a uma auto-reflexão e conseqüente retificação conceptual.
É claro que a maioria do nós ignora esse processo de enfermização. Por quê?
Porque, quando estamos no estado de consciência usual ou consciência intra-cerebral ou consciência física, cuja predominância é do nível consciencial racional, não é possível, apenas a partir dele, "saber" ou "imaginar" qual a ação de níveis conscienciais mais profundos. Ora, esse é o fato: a ignorância da existência dos multiníveis conscienciais, que só podemos saber através de experiências vivenciais, e poucas pessoas de fato sabem, é o motivo pelo que ignoramos a causa primária das enfermidades. Essa é a explicação por que a maioria das hipóteses sobre as causas das enfermidades são fundadas nas causas "visíveis" que são secundárias, terciárias etc..., como desequilíbrio bioquímico, hereditariedade, microorganismos, imunopatias, outros agentes externos etc. porque as causas primárias são "invisíveis" e têm a ver com o motivo da encarnação do espirito.
 O terceiro pressuposto: toda enfermidade antes de ser física é emocional, e antes de ser emocional é mental. E o que é o mental? O mental é basicamente o nosso pensamento e a nossa imaginação, ou seja, a fundamentação das nossas concepções de vida. Esse é um ponto vital para se compreender o processo de geração de nossas enfermidades, porque nas nossas concepções de vida, crenças e mitos, é que se fundam nossas atitudes, comportamentos e reações emocionais, naturalmente em correspondência com o grau evolutivo individual.
De modo geral, a mentalidade da maioria da Humanidade lida com muito apego à materialidade e pouca vivência de espiritualidade. Por isso ela não sabe do real propósito da encarnação neste planeta. E que esse propósito tem a ver com uma programação individual de expiação e/ou provação e/ou missão, sem, contudo, prejudicar o relativo livre arbítrio individual. Daí, as pessoas no seu estado de consciência usual, terem dificuldade de aceitarem, com naturalidade, a realidade humana tal como se apresenta aqui, agora. O resultado é uma reação emocional com mágoa, ressentimento, cobrança, . revolta etc.
Vivemos, então, mergulhados em apegos e cobranças a nós mesmos e/ou a outrem. Essa condição mental gera muitos conflitos internos e externos que, enquanto não forem solucionados pela própria pessoa, poderão gerar, por sue vez, um desequilíbrio emocional, em si mesmo adoentógeno. No curso do tempo, o estresse emocional crônico pode bombardear o equilíbrio físico dando origem às enfermidades físicas.
Vou dar um exemplo do processo de enfermização: o fato da infidelidade conjugal. O cônjuge que se sente traído, geralmente não aceita, com naturalidade, essa realidade humana porque sua relação é de forte apego e dependência, por ignorar a finalidade fundamental de sue encarnação neste planeta, cuja concretização só poderá ser realizada por si mesmo: jamais por pais, cônjuge, filhos etc. Trata-se de uma experiência pessoal, assim como o é a do nascimento e a da morte. Ai, o que é que acontece com o cônjuge que se sente traído? A idéia de fidelidade conjugal entra em choque com o fato real da infidelidade, originando um conflito mental, que, se não for solucionado a tempo, pode evoluir com emoções fortes de mágoa, ressentimento, cobrança, revolta etc. A duração prolongada deste estado emocional pode levar ao adoecimento físico, pela alteração da homeostase física, tornando-se vulnerável ao desequilíbrio bioquímico, hereditariedade, microorganismos, imunopatias, outros agentes externos etc.
Qual seria a concepção de vida natural que o nível consciencial mais profundo está obrigando a consciência racional a retificar-se? Basicamente seria instrui-la quanto a aprender a relacionar-se com pouco ou nenhum apego a quem quer que seja, mesmo se tratando de ente querido.
Esta atitude não significa indiferença afetiva mas, sim, compreensão profunda de que a necessidade pessoal nem sempre coincide com a necessidade alheia, e que somente a Justiça Divina, geralmente representada pela consciência mais profunda de cada espirito, poderá devidamente fazer o julgamento do cônjuge infiel, apenando-o em momento oportuno, dentro de uma programação especifica para a auto-retificação, visando unicamente evolui-lo intelectual e moralmente. Essa compreensão profunda abortará a mágoa, 0 ressentimento, a cobrança, a revolta etc., que, por sue vez, não alterarão o equilíbrio físico evitando o risco de enfermização.

( Mensagem extraída da Revista Espirita Allan Kardec, ano IX, no 36) 

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