16 de dezembro de 2011

EM TORNO DA NATIVIDADE

O tempo natalino é feliz oportunidade que se renova, a cada ano, para meditarmos em torno da Natividade. De fato, nenhum outro evento suplanta, em sua dinâmica espiritual, as singelas ocorrências verificadas naquela modesta Belém de Judá, cuja maior glória, até então, tinha sido a lembrança do encantador idílio vivido por Rute, a suave e fiel moabita, e o excelente Boaz, cuja descendência abrigaria aquele poderoso “tronco de Jessé”, a que se filiava a família de Jesus.
Aqueles acontecimentos, hoje, fazem parte de nossa civilização. Ela não seria a mesma sem a constante evocação da gruta que, à falta de melhor abrigo, acolheu o jovem casal de Nazaré; da manjedoura que recebeu, no aconchego da palha, e envolto em faixas, o recém-nascido; dos animais que aqueciam o ambiente com suas presenças e que, segundo os evangelhos apócrifos, foram testemunhas mudas da natureza ante a magia daquelas horas; das vozes das milícias celestiais, anunciando o acontecimento tão esperado nos arcanos do tempo; dos pastores que, transidos de frio e emoção, vieram saudar o Salvador e, mais tarde, daqueles misteriosos magos, vindos do Oriente para presentear e adorar o “rei do judeus”, prenunciado por uma estrela.
E a evocação de tais quadros, que dormem nos refolhos de nossas mais caras lembranças, feita a cada festa de Natal, tem o singular poder de, pelo dom da alegria, apaziguar os corações e reconciliar as criaturas, mesmo aquelas para quem o Nascido nada representa, todas envolvidas pelas dulçurosas vibrações de amor e esperança que descem sobre a Terra desde o episódio de Belém. Este o mistério do Natal. Este o espírito do Natal. Este espírito que tantos corações têm captado com as cordas da sensibilidade ou pelos caminhos da intuição, presenteando-nos com suas observações recamadas de poesia e ricas de conteúdo.
Mas, através de Lucas – o “escriba da mansuetude do Cristo” – verificamos que os primeiros a interpretar este espírito do Natal foram os anjos do Senhor que, naquela noite, anunciaram-se à visão e à audição dos pastores que guardavam seus rebanhos. Primeiro, um espírito nimbado de luz, falou-lhes: “Não temais, pois vos trago uma boa nova de grande alegria, que será para todo o povo...”, definindo, assim, o anúncio da vinda do Cristo-Senhor pela alegria, este precioso dom de Deus a se realizar entre os homens. E, logo após, em apoteose de júbilo e cânticos, uma falange celestial se manifesta para entoar seus louvores, proclamando: “Glória a Deus nas maiores alturas e paz na Terra aos homens de boa-vontade”.
Estes felizes augúrios, estas suaves consolações, são os veículos desta inefável alegria que traduz o espírito do Natal, dardo de luz com que o Senhor atinge todos os corações.
E, então, somos levados a pensar nos muitos Natais que temos comemorado, sempre voltados para a exterioridade das coisas, embora comoventes, sem termos a necessária coragem de penetrar na gruta das profundezas de nosso ser, para o necessário encontro com o Cristo.
Quanto mais felizes seriam os nossos Natais se promovêssemos a natividade do Cristo em nós! Quantos Natais ainda passaremos jungidos às nossas conveniências, que são os tortuosos caminhos de nosso egoísmo? Quando celebraremos um Natal com natividade?
Utilizando inúmeros recursos e sutilíssimos argumentos, temos retardado o momento deste encontro, que se impõe a cada um segundo os imperativos da evolução.
O Cristo espera por nós em sua infinita tolerância e com sua segura certeza da vitória do bem.
E podemos entrever este “espírito de Natal”, o significado deste supremo júbilo, reportando-nos ao apóstolo Paulo, para quem o Cristo nasceu, realmente, às portas de Damasco; e que, mesmo em meio às mais duras provações, soube guardar e recomendar a permanente alegria, aquela alegria que caracteriza o verdadeiro seguidor do Cristo; aquela alegria que se supera para poder afirmar, como o apóstolo dos gentios, “eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é o Cristo que vive em mim”.
Estes, os ébrios de Deus, vivem o permanente Natal, para o qual nós somos os esperados convivas.
“Jesus foi a manifestação do amor de Deus, a personificação de sua bondade infinita”
– Emmanuel.
“Antologia mediúnica do Natal”

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