19 de dezembro de 2011

O NATAL DE CADA UM


Os Evangelhos não foram escritos com o objetivo de ser uma biografia de Jesus, mas para apresentar a sua filosofia e os seus ensinamentos. Nada obstante, os acontecimentos foram expostos atendendo uma ordem cronológica da sua vida. Assim, encontramos algumas lacunas, em especial na fase da sua juventude até o início do ministério público, dando margem às mais variadas hipóteses.
Entretanto, no livro “Boa Nova”, da lavra mediúnica de Chico Xavier e de autoria do Espírito Humberto de Campos, encontramos interessante e esclarecedor relato, que resumimos a seguir: “Após a famosa passagem do adolescente Jesus ser encontrado por Maria, no pátio das mulheres, a conversar com os admirados doutores da lei, os religiosos conversaram com José propondo que o notável menino fosse educado no Templo. Uma grande oportunidade, tendo em vista as dificuldades educacionais da época. Maria, na condição de mãe, ficou feliz com a oferta e foi consultar Jesus. O Mestre optou por permanecer trabalhando junto com José, no labor diário da carpintaria e nas tarefas de casa.”
O nascimento de Jesus também tem suscitado várias perguntas, numa curiosidade natural, cujas respostas são hipóteses respeitáveis de estudiosos e exegetas.
Tomando como base os relatos de Mateus e Lucas, podemos afirmar que o acontecimento mais importante para a humanidade foi descrito em poucas palavras, em sintonia com a simplicidade do evento e com a humildade de Jesus.
Embora não houvesse uma intencionalidade das criaturas na ocasião, simbolicamente os homens não deram pousada para Maria e seu futuro bebê em suas casas, significando que o Cristo não seria acolhido nos corações e acabaria crucificado entre dois ladrões.
Por outro lado, o Natal mostrou como o Salvador iria inverter os valores tradicionalmente cultuados no mundo. As milícias espirituais ao invés de anunciarem o nascimento para os sacerdotes no Templo, fizeram-no para humildes pastores, que ficavam à margem da estrutura social da época.
Ao invés de ser acolhido num berço, Maria utilizou uma manjedoura, onde os animais se alimentavam. Lição importante que ensina a necessidade de comermos o Pão da Vida, para vencermos os nossos instintos animalizados.
Outro detalhe que chama a atenção é a ligação de Jesus com a madeira. Ele entrou e saiu da Terra com a madeira nas costas e sua educação foi pautada no exemplo do trabalho, das mãos calosas e do suor do carpinteiro de Nazaré, José.
Entretanto, a questão mais intrigante, sem dúvida alguma, é a data do Natal. Hoje sabemos que muito provavelmente Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Isto porque, nesta época, na Palestina era inverno e certamente não havia pastores nos campos na noite fria.
Muitas hipóteses são levantadas pelos pesquisadores que se debruçam nos estudos do Novo Testamento. Entendemos que este mistério não será revelado, por uma razão muito simples: cada um tem uma data para o seu próprio Natal, pois o Cristo nasce dentro de nós em momentos diferentes.
Para o Apóstolo Pedro, o Cristo nasceu dentro de si quando o Mestre foi levado para as autoridades romanas em busca da autorização legal da sentença de morte, após o interrogatório das autoridades do Sinédrio, quando o galo cantou na manhã da sexta-feira da Páscoa do ano 33.
Para o grande Apóstolo Paulo de Tarso, nasceu quando estava a caminho de Damasco para encetar mais uma perseguição aos cristãos.
Para Santo Agostinho, no ano 386, num jardim em Milão, quando ouviu vozes de crianças a cantar: “Pega e lê, pega e lê”. Abrindo o Novo Testamento, na carta de Paulo aos Romanos, registrou a exortação do Apóstolo para a criatura revestir-se do Cristo, para conseguir superar os seus problemas interiores.
Para Francisco de Assis, nasceu quando andava a cavalo pelas planícies de Assis e encontrou um miserável leproso. Vencendo a repulsa, saltou do cavalo e abraçou afetuosamente o pobrezinho, que esperava apenas uma moeda...
Para Teresa de Calcutá, aconteceu quando estava a caminho de um retiro espiritual em Darjeeling, na Índia, num apinhado trem que embarcara em Calcutá.
Ao chegar na estação de destino, emocionada com o sofrimento à sua volta, dedicou-se integralmente aos filhos do calvário.
Evidentemente estamos falando de um Natal verdadeiro e profundo, com o inevitável comprometimento com as lições do Evangelho. Existe uma grande diferença entre o Cristianismo de epiderme ou social e aquele que brota em nosso mundo interior, no fundo da nossa alma. A partir deste nascimento sincero, quando a criatura cai em si, o Cristo cresce no nosso íntimo, inevitavelmente, a tal ponto, que poderemos afirmar como Paulo de Tarso na Epístola aos Gálatas: “Eu vivo. Mas não sou eu quem vive , mas o Cristo que vive em mim”.
De qualquer maneira comemoramos o Natal, coletivamente, no dia 25 de dezembro e a semelhança do primeiro Natal, quando a esfera crística aproximou-se das sombras do planeta pacificando os homens, na conhecida “Pax Romana”, experimentamos uma melhoria na psicosfera planetária, pois Jesus, apesar de todos os desvios comerciais, é relembrado mesmo por aqueles que se encontram Dele distante nos demais dias do ano.
Certamente em futuro próximo a humanidade não precisará de um dia especial para glorificar e lembrar Jesus, porque naturalmente estaremos em plena sintonia com Ele, permanecendo no seu amor e cumprindo os seus mandamentos, e poderemos vivenciar o que os anjos anunciaram para os pastores no primeiro Natal:
“Glória no mais alto dos céus! Paz na Terra aos homens de boa vontade!”
“Renovam-se no Natal as vibrações da Estrela do Amor, que exaltou com Jesus a glorificação a Deus e ao Reino da boa vontade entre os homens.”
“Antologia mediúnica do Natal” Emmanuel

Boletim SEI 2207

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