26 de janeiro de 2012

MORTES PREMATURAS


Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem consideração os jovens em lugar dos velhos, dizeis freqüentemente: “Deus não é justo, pois sacrifica o que está forte e com o futuro pela frente, para conservar os que já viveram longos anos, carregados de decepções: leva os que são úteis e deixa os que não servem para nada mais; fere um coração de mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria”.

Criaturas humanas, é nisto que tendes necessidades de vos elevar, para compreender que o bem está muitas vezes onde pensais ver a cega fatalidade. Por que medir a justiça divina pela medida da vossa? Podeis pensar que o Senhor dos Mundos queira, por um simples capricho, infringir-vos penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, sempre encontraria nela a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam uma consideração secundária, que relegaríeis ao último plano.

Acreditai no que vos digo: a morte é preferível, mesmo numa encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis, ferem um coração de mãe, e fazem branquear antes do tempo os cabelos dos pais. A morte prematura é quase sempre um grande benefício que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra.

É uma terrível desgraça, dizeis, que uma vida tão cheia de esperanças seja cortada tão cedo! Mas de que esperanças quereis falar? Das esperanças da Terra onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Sempre essa visão estreita, que não consegue elevar-se acima da matéria! Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida tão cheia de esperanças, segundo entendeis? Quem vos diz que ela não poderia estar carregada de amarguras? Considerais como nada as esperanças da vida futura, preferindo as da vida efêmera que arrastais pela Terra? Pensais, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?

Regozijai-vos em vez de chorar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! Essa dor se concebe entre os que não têm fé e que vêem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós: sim, eles estão bem perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.

Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para abençoá-los, sentirá em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor.



SANSÃO

Antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863.

Texto retirado do “Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. V (Bem Aventurados os Aflitos)



LEIA O LIVRO DOS ESPÍRITOS

24 de janeiro de 2012

FALANDO DE FÉ


Na pequena assembleia de gestantes assistidas pela instituição, naquela tarde fria de inverno, uma se destacava.
Apresentava a barriga enorme, denunciando que logo mais daria à luz. E, contudo, mostrava sinais de inquietação no rosto.
Terminada a aula breve e fraterna, a atendente, que descobrira os traços de angústia naquela companheira, se aproximou, buscando saber das razões.
Foi então que a gestante lhe falou que nos próximos dias deveria ter o seu bebê e que estava apavorada. Durante todo o período da gestação se preparara para ter um parto normal.
Entretanto, há quinze dias, o médico lhe informara, depois de uma ecografia, que seu bebê estava sentado e que somente poderia nascer através de uma cesariana, marcando até a data.
Ela estava com muito medo. Tinha um terrível medo de cirurgia e, depois, ela desejava o parto normal, para poder atender mais cedo e melhor seus outros filhos menores.
A atendente a abraçou e conversou com ela longamente. Recordou-lhe as lições que já haviam tido, ali  mesmo, naquela instituição.
Lições que falavam da fé e do poder da oração. Que ela tentasse a oração, que falasse com seu bebezinho, pedindo que ele mudasse a posição.
Que falasse com Jesus, o Médico Divino, suplicando auxílio. A gestante olhou meio desconcertada e perguntou: Mas será mesmo que dará resultado?
Vamos orar juntas, desde agora? Convidou a assistente.
Naquele dia, quando se despediu para ir para casa, a gestante acariciou a barriga com carinho especial e sorriu, dizendo:
Eu vou tentar.
Uma semana depois, ela precisou ser levada às pressas para a maternidade. Na madrugada, a bolsa se rompeu e ela entrou em trabalho de parto, antes da hora assinalada pelo médico para a cesariana.
Ela teve medo. E agora? O que iria acontecer?
Chegando ao hospital, atendida de imediato, foi conduzida à sala de parto.
Para surpresa do médico e alívio da mãezinha, o bebê já mostrava a cabecinha despontando, prestes a nascer.
Entre risos e lágrimas de surpresa, gratidão e alívio, a gestante deu à luz a um belo garoto, por parto normal, sem dificuldades.

*   *   *

Nunca desacredites do amparo de Deus. Haja o que houver, permanece confiando.
Se tudo estiver contra ti, se o insucesso te ameaçar com o desespero, ainda aí espera a Divina ajuda.
A lei de Deus é de amor. E o amor tudo pode, tudo faz.
Quando pensares que o socorro não te chegará em tempo, se continuares esperando, descobrirás, alegre, que ele te alcançou minutos antes do desastre.
Ora, confia e não deixes de lutar. Deus vela por ti e guarda a tua vida.


Redação do Momento Espírita, com base em fato narrado por voluntária do grupo de gestantes do Centro Espírita Ildefonso Correia (Curitiba/PR), em reunião de avaliação ocorrida em 15.06.2000 e com pensamentos finais colhidos no cap. CXIII, do livro Vida feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

21 de janeiro de 2012

NEM CASTIGO, NEM PERDÃO


 Um dos maiores temores que vibram no coração do homem é o medo do castigo divino.

Convivendo com a possibilidade de que Deus possa se ofender e castiga-lo por suas faltas, o indivíduo sofre e se divide entre o amor e o temor de Deus.

Atribuindo ao Criador os mesmos vícios que ainda possui, o ser humano teme ser castigado a qualquer momento por um Deus caprichoso e cruel que está sempre à procura de defeitos para se vingar, impondo-nos sofrimentos.

Paulo, o apóstolo, se manifestou a respeito desse tema dizendo o seguinte:
"Gravitar para a unidade divina, eis o fim da humanidade.

Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a justiça, o amor e a ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça.

Pois bem! Digo-vos, em verdade, que mentis a estes princípios fundamentais, comprometendo a idéia de Deus, exagerando-lhe a severidade.

Duplamente a comprometeis, deixando que no espírito da criatura penetre a suposição de que há nela mais clemência, mais virtude, amor e verdadeira justiça, do que atribuis ao ser infinito.

Quem é, com efeito, o culpado? É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus-Cristo.

Que é o castigo? A conseqüência natural, derivada desse falso movimento; uma certa soma de dores necessária a desgosta-lo da sua deformidade, pela experimentação do sofrimento.

Assim, o que se chama castigo é apenas a conseqüência das leis naturais.
É graças à dor física que a criatura procura o remédio para sua enfermidade. É graças ao sofrimento moral que a alma busca a própria cura.

O sofrimento só tem por finalidade a reabilitação, o retorno do aprendiz ao caminho reto.

Como podemos perceber, o mal não é de essência divina, é gerado pelas criaturas, ainda imperfeitas.

O sofrimento não é imposto por Deus como castigo, é o efeito natural do falso movimento da criatura, e que a estimula, pela amargura, a se dobrar sobre si mesma, a voltar ao objetivo traçado pelas leis divinas, que é a harmonia.

E essas leis são justas, imparciais e amorosas. Um exemplo disso acontece quando um homem, enlouquecido, assassina várias pessoas, foge e, na fuga, se fere profundamente.

O que acontece com seu organismo? Suas células, obedecendo a lei natural, começam imediatamente a se movimentar para estancar o sangue, cicatrizar a ferida e expulsar os germes que causam infecção.

Se Deus quisesse castiga-lo, derrogaria suas próprias leis e faria com que as células desse indivíduo não trabalhassem a seu favor, mas se rebelassem e o deixassem morrer. Afinal, ele é um criminoso!

Mas não é isso que acontece. As leis divinas seguem naturalmente seu curso. O sol brilha, incansável, sobre justos e injustos, sem se importar com o que acontece sob sua luz.

A chuva cai sobre a mansão e sobre o casebre. O frio fustiga a pobres e ricos. As catástrofes naturais arrebatam sábios e ignorantes, velhos e crianças, fortes e fracos.

Por todas essas razões devemos entender que o Criador não derroga suas próprias leis para nos punir ou para nos premiar.

As nossas ações é que geram efeitos sobre essas leis. As boas ações geram efeitos positivos, e as infrações às leis geram efeitos desajustados.

Nada mais justo do que esta sentença: "a cada um segundo suas obras."

Nem castigo, nem perdão. Deus não castiga porque suas leis são de amor, e não perdoa porque jamais se ofende.

Pensemos nisso, e busquemos atender essas leis soberanas que estão inscritas em nossa própria consciência.

Autor: Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no item 1009 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

20 de janeiro de 2012

RADICALISMO RELIGIOSO


As religiões, entendidas como crenças na existência de seres superiores ou forças criadoras do Universo, e que devem ser adorados e obedecidos, criaram suas doutrinas, cada qual com seus preceitos ético-morais e reverências às coisas sagradas.

As religiões geram, em seus seguidores, sistemas de pensamentos que levam a posicionamentos filosóficos, éticos e metafísicos, influindo poderosamente na maneira individual e coletiva de agir.

Assim, quanto mais próximas estiverem as doutrinas religiosas da Verdade e da realidade, melhores serão suas influências sobre seus adeptos.

Hoje, à luz da Revelação Espírita, sabemos que todas as grandes religiões do mundo, desde as mais remotas eras, tiveram, em seus fundadores, os missionários encarregados de orientar e ajudar parcelas da Humanidade a progredir em conhecimentos e sentimentos.

Mas o auxílio do Alto nunca ultrapassou a capacidade de entendimento e absorção dos ensinos por parte daqueles aos quais era dirigido.

Esse fato explica a linguagem figurada, sujeita a interpretações e estudos mais aprofundados a respeito dos textos religiosos antigos.

Moisés, Maomé, Buda, Lao-Tsé e todos os demais enviados por Jesus, o Cristo – Governador da Terra – utilizaram linguagem inteligível à época em que cumpriram suas missões.

Entretanto, transformadas as condições do mundo em que atuaram e deixaram suas mensagens e ensinos, pelo progresso natural, pelas modificações dos usos, costumes e leis humanas, pelos descobrimentos científicos e pela evolução geral do Planeta e de seus habitantes, são necessário que se interpretem os textos antigos dos livros sagrados das religiões em suas significações legítimas.

As interpretações literais de textos escritos há milênios, sem os cuidados naturais para se buscar a significação real, levam a enganos e erros como decorrências normais.

Há que se considerar também a evolução natural das línguas em que foram expressos os textos, entre as quais algumas estão extintas.

Outra dificuldade ocorrente é a das traduções dos textos originais para as línguas atuais, muito mais ricas que as antigas, nas quais um vocábulo tem hoje significações diversas. Daí a diversidade das traduções.

Essas considerações visam focalizar verdadeiros paradoxos que se observam no seio de determinadas religiões, os quais se tornam incompreensíveis ou inexplicáveis perante a finalidade visada pelos princípios religiosos, que é o da elevação dos sentimentos e dos conhecimentos da criatura humana.

Referimo-nos ao fanatismo, ao radicalismo e ao fundamentalismo que se observam em determinados movimentos religiosos, gerando consequências negativas e diversificadas no seio de grande parte da Humanidade.

O fanatismo é o procedimento, a qualidade e o caráter intolerante e cego do religioso.

Entusiasmado e apaixonado pelas ideias que aceitou, é incapaz de examinar qualquer pensamento, princípio, ou ideal que não estejam estritamente contidos na sua doutrina.

Sua vida de relação se faz extremamente difícil, em face da sua presunção de superioridade com referência a tudo que o cerca.

Próximo do fanatismo encontra-se o radicalismo daqueles cuja opinião ou comportamento os tornam inflexíveis, mesmo diante de evidências e provas contrárias ao ponto de vista que aceitaram.

Fanatismo e radicalismo são males que se enraízam nos movimentos religiosos, com graves prejuízos para os invigilantes que os aceitam e para aqueles que com eles se relacionam.

Aos prejuízos das interpretações literais do Velho e do Novo Testamentos somaram-se os equívocos das igrejas denominadas cristãs, com suas estruturas e hierarquias tradicionais, criando as organizações religiosas que se desviaram do Cristianismo autêntico, resultante dos ensinos do Cristo de Deus.

Os dogmas impróprios criados pelos diversos Concílios, desde os primeiros séculos do Cristianismo, desfiguraram a mensagem do Cristo de tal forma que se torna difícil identificá-la, na sua pureza, com as práticas e cultos exteriores das igrejas.

Não se ajustam os ensinos do Mestre Incomparável, resumidos por Ele mesmo no “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, com as ideias e as práticas resultantes da interpretação literal dos Evangelhos e do Velho Testamento.

A interpretação que se deu às palavras céu, inferno, anjos, demônios, penitência, dia do juízo e tantas outras constantes dos Evangelhos, na sua letra, sem se considerar que Jesus se dirigia a pessoas de parco entendimento e que sua linguagem tinha, tantas vezes, sentido figurado para ser entendida, levou as doutrinas católica e protestante a erros e enganos evidentes.

Céu e inferno, por exemplo, não podem ser considerados lugares determinados ao gozo eterno ou ao sofrimento eterno das almas, como entendem as igrejas, mas sim estados de alma, resultantes de seus pensamentos e ações no bem ou no mal.

Penitência não deve ter o sentido de simples castigo pelo mal feito, mas sim o de arrependimento, sem prejuízo da retificação necessária.

Anjos são Espíritos que já se encontram em avançados estágios evolutivos, mas que iniciaram sua trajetória como seres simples e ignorantes e não como criaturas especiais do Criador.

Demônios são Espíritos que se desviaram, comprazem-se no mal, mas que terão oportunidade de se redimir, dentro da lei de Deus, que é justa e equitativa para com toda a Criação.

O juízo não é um julgamento especial em um tempo indefinido dentro da eternidade, mas sim as consequências dos atos e pensamentos de cada ser pelo automatismo das leis divinas, às quais todas as criaturas estão sujeitas.

Essas noções retificadoras das doutrinas baseadas na literalidade das escrituras antigas foram trazidas pelo Consolador, prometido por Jesus, que sabia da necessidade futura do correto entendimento de seus ensinos, que se ajustam perfeitamente ao Amor, ao Poder e à Justiça de Deus.

A interpretação radical dos fundamentos, assim considerada a letra das escrituras, corresponde ao imobilismo de ideias superadas pelo progresso normal do mundo que habitamos resultante de novos conhecimentos oriundos das ciências e novas revelações.

O fundamentalismo resultante da interpretação literal, quando se junta à força do poder temporário, conduz povos, raças e nações à violência e às guerras como ocorreram no passado e ainda acontece no presente.

Fundamentalismo tornou-se sinônimo de radicalismo. Suas consequências são incompatíveis com os objetivos das religiões, que visam o progresso moral e intelectual do homem, na busca da felicidade das criaturas de Deus.

O fundamentalismo não ficou adstrito a determinados movimentos religiosos denominados cristãos.

Fenômeno semelhante ocorre no movimento islâmico, com base na interpretação literal e radical de seu livro sagrado.

Como o Alcorão foi escrito no século VII da Era Cristã, quando o mundo era ainda muito mais atrasado que na atualidade, torna-se evidente a necessidade do ajustamento de suas normas e regras às novas condições de conhecimentos e de sentimentos alcançados pelo gênero humano, que conduzem ao Bem.

Também no islamismo ou em qualquer outro movimento religioso não se justificam os fundamentos interpretados literalmente.

Devem ser considerados os mandamentos, a letra, à luz da razão, da justiça e do entendimento superior, sem o que os resultados interpretativos levam a verdadeiros absurdos, como é exemplo a condição da mulher, colocada em posição de inferioridade injustificada, atendendo a costumes de um passado superado.

Apesar do progresso alcançado pela Humanidade, em pleno século XXI subsistem tendências relativistas, utilitaristas e subjetivistas difundidas nas sociedades atuais, com pretensões de legitimidade social, cultural e religiosa.

O Espiritismo, a Terceira Revelação nos tempos modernos, oriundo da Espiritualidade superior, vem mostrar, aos homens que despertam a realidade da vida e sua continuidade infinita, procurando retificar tendências e erros provenientes do passado milenar.

Não se justifica o relativismo diante da lei moral superior do Amor, que promana do Criador do Universo e foi ensinada pelo Cristo.

O fundamentalismo, o utilitarismo, o subjetivismo e o materialismo são desvios perigosos de vivência e de interpretações infelizes, com consequências sérias para quem os aceita, contra os quais estão sempre presentes a mensagem do Cristo e a Doutrina Consoladora por Ele prometida e enviada.

Não é fácil para os que se encontram reencarnados em um mundo material como a Terra, com inúmeras obrigações perante a vida física, lembrarem-se permanentemente de que são, antes de tudo, seres espirituais em trânsito por este mundo.

Essa é a condição de toda a população terrena: Espíritos eternos, ligados a corpos materiais perecíveis, em busca do aperfeiçoamento.

As religiões auxiliam esse entendimento lembrando-nos do que somos em essência.

Mas as religiões não dispõem de todo o conhecimento, estando sujeitas a desvios, como os fatos o comprovam.

Daí o auxílio do Alto, que se manifestou em todas as épocas, através de emissários e missionários do Cristo, com o objetivo de esclarecer parcelas da Humanidade e anular as influências inferiores.

A vida em mundos de expiações e provas, como o nosso, apresenta as dificuldades naturais do campo material, reclamando esforço de aprendizagem, trabalho e dedicação, na vasta lavoura terrena, além dos serviços necessários à aquisição dos valores espirituais que representam o verdadeiro progresso da alma.

São de Bittencourt Sampaio, o lúcido Espírito, que militou nas hostes da Federação Espírita Brasileira nos fins do século XIX, as observações seguintes:

Nos dias correntes, epílogo de um ciclo planetário vasculha--se os umbrais da Espiritualidade inferior, reformando-se os museus de sofrimentos purgatórias, forjados através de milênios inumeráveis.

E no nosso mundo, o que notamos?

Apesar do ingente esforço renovador dos arautos das letras do Evangelho, mais da metade da população terrestre ainda nem ouviu falar de Jesus, o Sublime Governador da Terra; esmagadora maioria ainda nem sequer pensou no intercâmbio entre os dois mundos; grande parte da Humanidade cultua doutrinas clara e confessadamente materialistas.

Por toda parte: delitos passionais, rebeliões, suicídios, terrorismo, fanatismos, obsessão, loucura, guerras.

Tal fato não deve, entretanto, desanimar, mas deve constituir chamamento para mais dedicação ao trabalho perseverante.

Notadamente à minoria espírita cristã, pequena minoria num mundo de desesperançados, cabe à tarefa de ir prevenindo os erros seculares, que desfiguram a existência, consomem o equilíbrio, vacinando tanto quanto se puder as consciências com a fé raciocinada, apoiada nos fatos, acendendo no semelhante à luz da certeza na imortalidade, à força da palavra e à custa do exemplo.

A tarefa é enorme, mas não impossível.

É necessário perseverança.

Nessa síntese, formulada com realismo e clareza por quem viveu as experiências espiritistas em um período difícil para a afirmação da Doutrina Consoladora no “Coração do Mundo”, vemos traçadas as linhas gerais de um mundo confuso, atrasado e desesperançado.

É nessa esfera de provas e expiações que os espíritas, pequena minoria da população global, são chamados a atuar numa tarefa ingente, difícil, mas não impossível.

É a luta por um ideal superior na difusão da Verdade para toda a Humanidade.

Se o progresso é lei divina para todas as criaturas, o conhecimento de nós mesmos impõe-nos deveres diversos, inclusive o de auxiliar nossos semelhantes.



Juvanir Borges de Souza

Reformador Mar. 2010

19 de janeiro de 2012

O CARNAVAL À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA


Salomão em Eclesiastes (Velho Testamento) afirma que “Não há nada de novo debaixo do sol”. Essa afirmativa, que é perfeita à luz da Doutrina Espírita, deixa claro que a Lei de Deus é sempre a mesma e o que muda é a nossa compreensão dessa Lei através da evolução espiritual da criatura, abrangendo tanto os avanços morais como os avanços intelectuais. Obviamente, essa análise ganha um significado muito mais profundo quando compreendemos que as oportunidades reencarnatórias vão permitindo aos mesmos Espíritos do passado reaprender velhos conceitos e renovar propostas existenciais com novos aprendizados.

Se, portanto, sabemos que as Leis Universais sempre foram as mesmas, as palavras de Jesus quando afirma que “O sábado foi criado para o homem e não o homem para o sábado” ganham um sentido ainda mais abrangente, pois muito antes de existir um dia terráqueo chamado “sábado” (que é um dia da semana de uma definição temporal que só serve para o planeta Terra, e não para as “Outras Moradas da Casa do Pai”), já existiam o homem, Deus, e suas leis. Dito isso, as chamadas datas comemorativas e até mesmo os conhecidos “Dias Santos” não apresentam em sua essência um significado mais profundo já que todos os dias são santos em vista de sempre sermos convidados pela Lei de Amor a realizar a nossa parte na Obra da Criação. Esta participação na Obra de Deus é um dos principais objetivos da reencarnação como está registrado em O Livro dos Espíritos, nas questões 132 e 133. Aliás, definir um dia ou um local como sagrado não deixa de ser uma arrogância do homem, pois Deus construiu toda uma Obra de Amor que é inteira sagrada. 

A presente análise pode chocar alguns, mas é algo perfeitamente lógico. O próprio “Sábado”, a que Jesus se refere, foi trocado pela Igreja Católica para homenagear o dia da ressurreição do Mestre que teria sido em um Domingo. Ora, os “Dez Mandamentos” não são taxativos quanto ao Sábado?! É uma boa oportunidade para lembrar-se do Apóstolo Paulo que asseverava que “A letra mata e o espírito vivifica”. Infere-se daí que se eu quiser “guardar” a Quinta-feira, tudo bem. E se eu quiser guardar 1 hora em cada dia da semana?! Tudo certo. Enfim, o ideal seria que mantivéssemos o “Vigiai e Orai” continuamente, mesmo durante as atividades mais relacionadas à vida material, que é o verdadeiro sentido do famigerado “Guardar o Sábado”.

Neste contexto, o Espiritismo como grande libertador das consciências obnubiladas por séculos e séculos de lavagem cerebral no campo religioso vem desmitificar e desmistificar lendas, convencionalismos, tradicionalismos, condicionamentos, rituais, magias e mistérios que não apresentem uma justificativa racional para existir. Assim sendo, “O Consolador Prometido por Jesus”, nos propondo uma visão racional e profunda dos verdadeiros significados da Vida e do Tempo, nos desperta a responsabilidade perante todas as oportunidades com que o Pai nos favorece sempre.

Portanto, se não podemos nos isentar dessa análise crítica quanto aos chamados “Dias Santos”, o que diremos de feriados dedicados ao culto de vícios e orgias de todos os teores que infelizmente são considerados por instituições ditas religiosas, como datas “importantes” no calendário cristão?!

Indiscutivelmente, o chamado “Carnaval” de longe é a maior aberração em matéria de datas “religiosas”. Aliás, “Carnaval” significa “Festa da Carne”, o que é uma expressão deveras contundente, uma vez que o próprio Jesus, advertindo os apóstolos no Getsêmani, dissera: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.

Realmente, essa festa se constitui em quatro dias das mais devassas manifestações, seguida pela chamada “Quaresma”, que, a princípio, seriam 40 dias de sofrimento, jejum, oração e choradeira para lembrar os 40 dias em que Jesus, supostamente, houvera passado no deserto, sendo achincalhado pelo Diabo. Essa interpretação literal dos textos bíblicos, em pleno século XXI, chega a ser ridícula. Para começo de conversa, Jesus não teria descambado na bagunça quatro dias, para ficar choramingando 40 sob a companhia do Demônio. Primeiro, porque Jesus, sendo “o Espírito mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir de modelo e guia”, conforme questão 625 de O Livro dos Espíritos, não iria nem cair na bagunça quatro dias nem entrar em depressão, sendo obsidiado por mais quarenta dias. Segundo, porque o Demônio não existe, e mesmo que existisse não teria condições de se aproximar de Jesus para “tentá-lo”, pois nós só somos influenciados através das tendências que já trazemos em gérmen dentro de nós, ou seja, “a nossa própria concupiscência” nas palavras do Apóstolo Paulo. O próprio Jesus disse: “O Reino dos Céus está dentro de vós” e vários autores espíritas costumam completar “... e o inferno também!”, já que o inferno é um estado consciencial, como fica evidente na questão 621 de O Livro dos Espíritos, que afirma que “A Lei de Deus está escrita na consciência” de cada criatura. Ademais, toda a obra O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, consiste em um extraordinário compêndio para abordar essa questão do inferno interno dos Espíritos perturbados. Assim sendo, todas as criaturas são responsáveis pelos seus atos independentemente das influências a que estavam submetidas (“A cada um segundo suas obras” e “Reconhece-se a árvore pelos frutos” – são aforismos atribuídos a Jesus).

Logo, a conduta espírita deve contemplar uma perfeita harmonia entre equilíbrio, moral e alegria. “A virtude está no meio termo” é um ensino comum tanto a Aristóteles como a Sidharta Gautama, o Buda. 

Na excelente obra Nas Fronteiras da Loucura, de Manoel Philomeno de Miranda, pela psicografia do admirável médium Divaldo Pereira Franco, a falência espiritual especialmente atingida durante o Carnaval é discutida em detalhes, através do trabalho do Venerando Espírito Dr. Bezerra de Menezes, relatado com muita eloqüência pelo referido autor espiritual. De fato, fica evidente através desta obra que o Carnaval se constitui em um verdadeiro processo de Obsessão Coletiva, afetando profundamente o estado espiritual dos incautos. 

Divaldo Franco costuma dizer de forma muito inspirada que “Aquele que se respeita não faz a sós o que não tem coragem de fazer em público, justamente porque se respeita”. O cidadão espírita é responsável pelos seus atos, assim como acontece com todas as demais criaturas, em todos os momentos da Vida, mas possui um conhecimento profundo que esses irmãos estão longe de possuir. Não seria coerente que demonstrássemos a excelência da Doutrina que esposamos pelo menos com pequenas atitudes de equilíbrio, serenidade e espiritualidade?!

O vulgo costuma dizer equivocadamente: “A ocasião faz o ladrão”, mas, de nossa parte, à luz da Doutrina Espírita, diríamos: “O ladrão faz a ocasião”, porque quem já adquiriu valores éticos sólidos não vai se deixar levar por qualquer tipo de obsessão coletiva, já que não será “tentado” por álcool, drogas, bagunça e orgias sexuais, pois está em outro patamar de ideais e propostas existenciais. 

Vale lembrar os famosos critérios socráticos: bondade, utilidade e verdade. Se nossas atitudes não são aprovadas por tais crivos, nossa consciência espírita não respaldará tais ações, porquanto, submeter-se docilmente a este tipo de subjugação é escolha nossa, pois o livre-arbítrio é alicerce da Lei de Deus.

O Apóstolo Paulo asseverava: “Porque manifesto é que cada um dará conta de si mesmo a Deus”. Portanto, eu não preciso saber se tal dia é santo para avaliar se devo seguir ou não o Evangelho, porque Ele, O Evangelho, é “Guia de Vidas” para todos os dias, locais e circunstâncias. Além disso, a Lei de Causa e Efeito também engloba e Lei de Probabilidades e, em uma sociedade violenta como a que vivemos, é um perigo totalmente desnecessário se submeter a esse ambiente carnavalesco, correndo o risco de sofrer conseqüências drásticas, para dizer o mínimo.

Logo, aproveitar o Carnaval, do ponto de vista espírita, é ocupar esses quatro dias de uma forma prazerosa, mas também útil e espiritualizada, que não deixa de ser um exercício para que busquemos superar “a predominância da natureza animal sobre a espiritual e a satisfação das paixões”, conforme nos ensina a questão 742 de O Livro dos Espíritos. Ler um livro espírita, estudar, trabalhar, ajudar alguém e até mesmo descansar com a família para recomeçar os trabalhos na chamada “Quarta-feira de Cinzas” são atividades muito mais coerentes para quem já se sensibilizou pela mensagem do Mestre.

Joanna de Ângelis divinamente inspirada nos ensina: “Tudo procede do pensamento; todo pensamento pode ser substituído”. Logo, é uma questão de escolha ratificar as práticas inferiores do mundo ou ajudar Jesus na implantação do Reino dos Céus na Terra. A escolha é de cada um de nós! 

18 de janeiro de 2012

CARNAVAL


CARNAVAL
Plenamente cientes de que a encarnação na Terra não é uma colônia de férias, mas um estágio de aprendizado e crescimento espiritual, os Espíritos Superiores, em diversas oportunidades, tem revelado a real face do carnaval.
Mostram eles que, apesar de ser uma festa popular, presente ainda, embora de forma declinante, na cultura brasileira, o carnaval, nem por isso, deixa de ser um poderoso gerador de energias deletérias, capazes de contaminar até mesmo os que nele tomam parte sem sentido outro que não o da simples diversão. Os Espíritos amigos mostram também como os dias de Momo atraem, das regiões mais obscuras do mundo espiritual, entidades enfermas, vinculadas à sexolatria e a diversos outros tipos de desequilíbrio, as quais vêm à Terra na ânsia de vampirizar os que se deixam envolver por suas sugestões inferiores.
Entre algumas dessas mensagens amigas vale destacar aqui, como exemplo, uma de Emmanuel, psicografada por Chico Xavier em julho de 1939, publicada na revista “Reformador”, da Federação Espírita Brasileira, de fevereiro de 1987:
“Nenhum espírito equilibrado em face do bom-senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas”.
É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização. Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.
Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.
Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos na assistência social aos necessitados de pão e de carinho.
Ao lado dos mascarados da pseudoalegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem?
Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.
É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de sua miséria moral.”
 Revista SEI 2174

11 de janeiro de 2012

A MAGNITUDE DA FÉ EM NOSSAS VIDAS.


Quando Ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos aos seus pés, disse:

Senhor tem piedade de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois cai muitas vezes no fogo e, muitas vezes, na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar.

Jesus respondeu, dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui este menino.

E, tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são.

Os discípulos, então, vieram ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio?

Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria e nada vos seria impossível. (Mateus,17:14-20.)

Muito significativa essa passagem de Jesus.

A parábola da figueira que secou é outra demonstração deixada por Jesus para refletirmos seriamente sobre a fé, encontrada em Lucas (13:6-9). Nela, passamos a ver o homem na figueira que foi plantada, mas que não frutificou. Assim é o religioso que se diz cristão, mas em verdade, não mostra seus “frutos”.

Todos os homens, deliberadamente inúteis por não terem posto em ação os recursos que traziam consigo, serão tratados como a figueira que secou.

Pedro, ao não conseguir andar sobre as águas, mereceu de Jesus uma advertência quanto à sua falta de fé, em Lucas (8:25). Quantos de nós não nos amedrontaríamos como o fez Pedro, e também afundaríamos!?

Tomé, em João (20:24), não acreditou no reaparecimento de Jesus após a sua crucificação. Tornou-se, por isso mesmo, até hoje, um símbolo da falta de fé. Essa passagem é sempre lembrada por todos quantos desejam enfatizar a ausência da fé na criatura.

Jesus, em várias de suas lições, querendo destacar a significativa importância da fé, mostrou, com sua exemplificação, que será necessário ao homem acreditar nas próprias forças, o que o tornará capaz de executar certos feitos materiais. Quem duvida é um pessimista e se vê impossibilitado de crescimento moral. Se não acreditarmos que somos capazes de amar até os inimigos, de que adianta afirmar que acreditamos em Jesus? Estabeleceria, por acaso, Jesus um objetivo educativo para nós impossível de ser alcançado?

Como ficaria sua condição de Mestre dos mestres?

Tiago, em sua Carta (2:14), foi extraordinário quando se referiu à associação que deve existir entre a fé e as ações da criatura, ao afirmar que “[...] nenhum proveito existe, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras. Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”.

Uma realidade fica patente: da fé vacilante resulta a incerteza, a dúvida; já a fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, nas grandes como nas pequenas tarefas.

Quem acredita no tratamento a que está submetido – dizem os entendidos – está com meio caminho andado para curar-se. Todavia, quem não acredita...

Inquestionavelmente, são a fé e o amor os dois fundamentais instrumentos de trabalho do espírita.

“A fé é a garantia do que se espera a prova das realidades invisíveis”, testificou Paulo, em Carta aos Hebreus (11:1). E ele sabia, perfeitamente, do que falava, pois sem essa virtude, teria fracassado em sua missão de ser o maior divulgador do Cristianismo nascente.

A força e o poder da fé se transmitem à prece, enunciada com emoção e sinceridade. A prece é a manifestação mais pura do diálogo entre o homem e Deus.

A fé sincera e verdadeira é sempre calma, facultando a paciência que sabe esperar.

A confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si.

Aqui, porém, unicamente no sentido moral se devem entender tais palavras. As montanhas que a fé, exaltada por Jesus, desloca, são as dificuldades, as resistências, a má vontade; em suma, tudo com que se depara da parte dos homens, ainda quando se trate das melhores coisas.

Como se adquire a fé inabalável?

Através do conhecimento que se obtém com o estudo dos postulados da Doutrina Espírita, que não arregimenta, em suas fileiras, crentes devotos, mas homens de fé raciocinada.

Seja, portanto, inabalável a nossa fé, alicerçada nos postulados fundamentais do Espiritismo:

Deus, Espírito, imortalidade da alma, reencarnação, mediunidade, pluralidade dos mundos habitados, lei de ação e reação, lei da evolução, prática da caridade, vivência do Evangelho de Jesus, e outros.

A “preceterapia” é hoje testada por estudiosos do assunto, renomados homens de ciência. Servindo-se de um número de pacientes portadores da mesma enfermidade, chegaram à conclusão de que em dois grupos, um com 192 enfermos e outro com 214, o número maior dos que apresentaram resultados positivos, após tratamento, foram justamente os que nele acreditavam, e, consequentemente na cura. O mais importante de tudo: igual tratamento foi dispensado a todos.

Relevante é “[...] não confundir a prece com a presunção. A verdadeira fé se conjuga à humildade [...].” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX – que serviu de base para este artigo –, item 4.) Aquele que a tem deposita mais confiança em Deus do que em si mesmo, porque sabe que nada lhe é possível sem a ação de Deus.

Com a fé pulsante em seu interior, o homem movimenta seu magnetismo atuando sobre o fluido, o agente universal, modificando-lhe as qualidades e lhe dando uma impulsão irresistível. É sempre a fé dirigida para o bem que podem operar os chamados, equivocadamente, “milagres”.

A fé pode ser raciocinada ou cega. A espírita é raciocinada. A fé cega, levada ao excesso, conduz ao fanatismo, ao “homem-bomba”.

A fé cega imposta é sinal de confissão de impotência para demonstrar que se está de posse da verdade. A fé não se prescreve nem se impõe.

A fé não procura ninguém, é ao homem que compete buscá-la, encontrá-la. Quem a procurar sinceramente não deixará de encontrá-la. Ensina Allan Kardec:

A resistência do incrédulo, devemos convir, muitas vezes provém menos dele do que da maneira por que lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender.

A fé cega já não é deste século [...]. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 7.) A criatura deve crer, porque tem certeza, apoiando-se nos fatos e na lógica. Somente tem certeza porque compreendeu.

“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”, é o que encontramos no livro acima citado.

Sob o título “A fé: mãe da esperança e da caridade”, o Espírito protetor José afirma:

Para ser proveitosa, a fé tem de ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus cumpre-lhe velar atentamente pelo desenvolvimento dos filhos que gerou.

A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma [...]. (Op. cit., item 11).

Preguemos pelo exemplo de nossa fé.

Não admitamos a fé sem comprovação: fé cega é filha da cegueira.

Amemos a Deus, mas sabendo por que o amamos; acreditemos em suas promessas, mas sabendo por que acreditamos; sigamos os seus conselhos, mas compenetrados do fim que nos é apontado e dos meios que nos são trazidos para atingi-lo.

Precisamos colocar a vontade a serviço dessa força que todos trazemos – a fé, que é ainda tão pouco utilizada.

A fé é humana e divina.

Se todos nos achássemos persuadidos da força que em nós trazemos, e se quiséssemos pôr a vontade a serviço dessa força, seríamos capazes de realizar o que hoje é considerado prodígios mas que, no entanto, não passa de um natural desenvolvimento das faculdades humanas.

A certeza na obtenção de algo é resultado da vontade de querer e a certeza de que esta vontade pode obter satisfação.

É a fé que conduz a Deus. Deve ser, portanto, ativa para ser proveitosa.

Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade. Assim, preconizar a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão.

Pondera o Codificador:

[...] A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo. (Op. cit., cap. XIX, item 3.)

A fé, saibamos em definitivo, não se impõe nem se prescreve.

Ela é adquirida e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários.

Hoje ou amanhã, nesta ou noutra encarnação, todos a possuirão.

Adésio Alves Machado
Reformador Fev.08

1 de janeiro de 2012

ANO VELHO, ANO NOVO – HOMEM VELHO, HOMEM NOVO


O tempo sempre é o mesmo. Ele que tudo renova de maneira irreversível, não conhece nada velho e nem deixa nada envelhecer, de vez que tudo esta sujeito a sua ação transformadora.
Na sua química prodigiosa, renovam-se mundos e seres.
Assim sendo, passado e futuro, estão no seu eterno presente, e vez, nós é que passamos pelo tempo, não este por nós.
Homem Novo é aquele que substitui os hábitos inferiores pelas nobres qualidades de caráter; é aquele que abandona as paixões e os desencantos de ontem, pelo amor puro, adquirindo assim, uma nova visão da vida.
O tempo que viu a transformação de Saulo de Tarso em Paulo e de Zaqueu, o usurário, em homem de bem, é o mesmo de hoje. Nem sempre nós temos a
coragem de nos renovar, dia-a-dia na riqueza do tempo, que é dádiva de DEUS comum a nós.
O ANO VELHO continuará o mesmo para aquele que não se renova e o ANO NOVO será sempre dádiva e benção para todos quantos se deixa renovar, pela divina influência do CRISTO de DEUS.
Texto de Jerônimo Mendonça.