25 de fevereiro de 2012

CONFLITOS E PERFEIÇOAMENTO INTERIOR

No processamento de aperfeiçoamento interior, defrontamo-nos muitas vezes com pensamentos, emoções e comportamentos negativos que nos geram conflitos, pois nos percebemos muito distantes do ideal de perfeição que almejamos para a nossa vida.

É como se vivêssemos em uma dualidade. Em uma parte está a pessoa nova que queremos ser, repleta de valores nobres, e em outra a pessoa velha, que ainda se compraz nos velhos hábitos. Muitos de nós, devido a essa questão, entramos em conflito entre esses dois “eu”. Alguns chegam inclusive a travar uma guerra surda entre as duas personalidades em busca da tão propagada reforma íntima

O resultado de tudo isso é a criação de um bloqueio que impede o próprio aperfeiçoamento interior.

É fundamental que reflitamos que a construção de um novo eu demanda tempo e deve ser um trabalho com suavidade e leveza, conforme nos recomenda Jesus quando nos fala do jugo suave e do fardo leve a ser carregado.

Façamos uma análise do processo de aperfeiçoamento interior conforme nos recomenda Jesus em seu Evangelho.

Comecemos com a passagem anotada por João em 8:32 “... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Podemos refletir, a partir deste versículo, que existem duas verdades a ser conhecidas por nós para a nossa libertação.

A primeira é a Verdade Universal da qual o Evangelho de Jesus é a perfeita síntese, assim como tantas outras obras que nos orientam á verdade. Conhece-la é fundamental para o aperfeiçoamento interior, pois nos dá da diretriz segura para desenvolvermos o bem, o bom e o belo em nossas vidas. Essa verdade contida nos livros sagrados e em outras obras como as de Alan Kardec que dão base à Doutrina Espírita, bem como as complementares idôneas é a verdade que está fora de nós, nas obras que nos orientam para a prática da mudança interior.

Além dessa verdade que está fora, é necessário que conheçamos uma segunda verdade; a verdade que está dentro de nós, isto é, tudo que existe em nosso interior, pensamentos, sentimentos, emoções, comportamentos tanto os equilibrados, quanto os negativos.

Para conhecer a verdade só existe um caminho: o autoconhecimento, o mergulho interior conforme nos orienta Santo Agostinho na questão 919 e 919-A de O Livro dos Espíritos.

Muito de nós utilizamos o processo de conhecer essa verdade que está dentro para gerar conflitos, ao invés de nos libertamos deles, conforme deveria acontecer.

Por que isso acontece?

Porque queremos que a verdade que está dentro espelhe fielmente a Verdade Universal que está nas obras, especialmente no Evangelho. Por já conhecermos a verdade libertadora, queremos que esta verdade já seja sentida e vivenciada como num passe de mágica.

O resultado dessa atitude é a intensificação de conflitos desnecessários, pois não é possível nos auto decretarmos a mudança interior, simplesmente por já conhecermos a verdade.

Jesus diz de forma muita clara “... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Percebamos que não é o conhecimento que liberta, mas a verdade. Para que possamos internalizar a verdade libertadora o caminho acontece em três etapas: a primeira é o conhecimento, isto é, estudar, refletir sobre a verdade existente no Evangelho e outras obras.

A partir desses estudos e reflexão somos convidados a iniciar a segunda etapa – internalizar, através do sentimento, a verdade estudada e refletida. Vejamos que é Jesus que nos oferece esse caminho: “e aprendei comigo, que manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). Quando Ele nos diz que o aprendizado se faz com o coração, está nos demonstrado que não basta conhecer com o cérebro, é necessário sentir no coração, aprender com o cérebro é relativamente fácil, basta estudar e refletir, já sentir no coração é uma tarefa muito mais difícil e de demorada, requerendo muitos exercícios de mansidão e humildade.

A terceira etapa é a libertação pela verdade que se dá pelo vivenciamento. O ato de vivenciar é a síntese do saber e sentir. Ao fazermos exercícios para saber e sentir, vamos automaticamente vivenciando a verdade.

Portanto, quando nos exigimos sentir e vivenciar algo que apenas conhecemos, entraremos em conflitos desnecessários que não geram crescimento, apenas estagnação.

Como podemos evitar esses conflitos?

Recorramos novamente a Jesus quando diz: “vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mateus 26:41). Com a postura de auto exigência para viver uma perfeição da qual estamos ainda muito distantes, transformamos a vigilância em policiamento e repressão.

A vigilância, conforme proposta cristã é fruto de uma auto-observação amorosa de nós mesmos, realizada com suavidade e leveza, como recomenda Jesus: “porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”. (Mateus 11:30).

Sempre teremos, em relação aos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, três escolhas para lidar com eles, duas desequilibradas e uma equilibrada.

Podemos dar guarida a essas negatividades e vivenciá-las, abdicando de todo conhecimento da verdade que já detemos. Ao escolhermos essa alternativa, entramos em conflitos, pois aquele que detém a verdade dentro de si, mesmo que apenas no cérebro, já tem despertada a consciência e, ao agir de forma contrária a esta, o resultado é um conflito interior.

A pessoa tenta abafara consciência da verdade que já possui para vivencia pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, mas como a consciência é a Lei de Deus ínsita em nós o resultado disso é o aprisionamento a conflitos, que já temos condição de transformar.

Podemos, como alternativa, escolher reprimir os pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, devido à auto exigência de se vivenciar a verdade que conhecemos no cérebro, a qualquer custo. Quando fazemos criamos pensamentos, sentimentos e comportamentos pseudopositivos. Desenvolvemos máscaras das virtudes e não as virtudes que libertam, pois a libertação somente ocorre quando a verdade conhecida é sentida no coração. O resultado é que ficamos aprisionados a uma atitude de pseudoperfeição que gera estagnação.

Só há uma alternativa equilibrada em relação às negatividades que trazemos - a transformação desses pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos em amigos evolutivos, que estarão nos auxiliando o processo de amadurecimento e libertação pela verdade conhecida, sentida e vivenciada.

Novamente é Jesus que nos recomenda a maneira como nos libertaremos, quando diz: “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade de digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil” (Mateus 5:25 e 26).

Analisemos estes versículos, em uma perspectiva psicológica profunda, dentro da questão da libertação de conflitos e aperfeiçoamento interior.

Vimos que a única forma de nos libertarmos de nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos negativos, os nossos adversários internos, é a partir da transformação, evitando dar guarida a eles e reprimi-los. Isso somente acontecerá pela conciliação, transformando o adversário em amigo.

Vejamos que Jesus nos dá um caminho perfeitamente possível de ser seguido. Quando Ele nos diz “Concilia-te depressa com o teu adversário enquanto estás no caminho com ele” nos conclama a buscar a reconciliação, aqui e agora, já com a negatividade enquanto ela esta se manifestando para que não entremos na tentação de dar guarida ou reprimi-la, pois se o fizermos seremos colocados na prisão, seja do conflito de consequência por ter vivenciado a negatividade ou do mascaramento desta, que por mais que seja o caminho mais fácil sempre trará o desconforto de uma prisão sem grades.

Não sairemos dali enquanto não tivermos a atitude de humildade de reconhecer que estamos muito distantes da perfeição e que tanto a identificação com uma negatividade, quanto o seu mascaramento, imposto pela repressão nos aprisiona em muitos conflitos desnecessários, que seriam perfeitamente evitados se buscássemos sempre a vigilância, a conciliação e a oração como instrumentos amorosos de aperfeiçoamento interior.

Quando nos dispomos a utilizar esses três instrumentos de transformação, estaremos sempre vigilantes às nossas tendências inferiores e ao perceber um pensamento, sentimento ou comportamento negativo faremos a conciliação no momento da sua manifestação (“enquanto estás no caminho com ele”), de modo a que utilizemos esse movimento egóico como um amigo evolutivo que está contra nós, mas que é apenas manifestação da ignorância que ainda existe em nós.

É importante que tratemos essa ignorância como adversária, mas como instrumento de aperfeiçoamento interior. A oração será sempre amiga que nos auxiliará no trabalho de conciliação, pois quando percebermos que as nossas forças fraquejam no sentido de dar guarida ou reprimir, lembremo-nos de Jesus e de Deus, e roguemos forças para que possamos conciliar com aquele adversário que se manifesta, transmutando-o num amigo e façamos esse exercício de conciliação, tantas vezes forem necessárias até a completa iluminação interior.



Retirado da revista Presença Espírita

22 de fevereiro de 2012

ENFERMIDADES: LIÇÕES VALIOSAS PARA OS QUE AS ADQUIREM


Ouvindo isso, seus discípulos, muito espantados, perguntaram: Quem pode então ser salvo? Jesus, fitando neles o olhar, disse: Impossível é isto para os homens, mas para Deus tudo é possível. (Mateus, 19:25-26.)



O diálogo destacado acima, entre Jesus e seus seguidores, também registrado por Marcos (10:26-27) e Lucas (18:26-27), enaltece a essência da misericórdia divina ao dizer que para Deus tudo é possível; confere-nos a certeza de que todos os recursos indispensáveis, para nossa edificação espiritual, serão oferecidos por Ele, facultando-nos condições para vencermos todos os óbices que precisamos superar em nossa marcha evolutiva na Terra. A passagem evangélica nos traz infinitas esperanças e convida-nos a meditar sobre o tema.

As doenças físicas são contingência natural da maioria dos seres reencarnados em processo de aprendizado no orbe terreno.

Decorreriam elas dos reflexos das mentes que se desajustam? Esses transtornos da mente seriam capazes de impor ao veículo orgânico efeitos doentios indefiníveis, que lhe propiciariam a derrocada ou a morte?

Dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz (1853-1937), distinto médico e denodado batalhador do Espiritismo, em estudos espirituais sobre o assunto, elucida:

Todos os nossos pensamentos definidos por vibrações, palavras ou atos, arrojam de nós raios específicos.

Assim sendo, é indispensável curar de nossas próprias atitudes, na autodefesa e no amparo aos semelhantes, porquanto a cólera e a irritação, a leviandade e a maledicência, a crueldade e a calúnia, a irreflexão e a brutalidade, a tristeza e o desânimo, produzem elevada percentagem de agentes [...], de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós [...], suscetíveis de fixar-nos, por tempo indeterminado, em deploráveis labirintos da desarmonia mental.

Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a nossa enfermidade, tanto quanto o nosso comportamento pode representar a nossa restauração e a nossa cura. (1)

Igualmente, o Espírito Emmanuel, em análise sobre o problema, observa que “ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental”, mas garante “que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças”, (2) e reconhece que os descontroles psíquicos geram “zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência”. (3)

Donde se conclui que os pensamentos residem na base de todas as nossas ações. Os médicos, a partir dos avanços científicos obtidos, no decorrer dos séculos, associaram certas doenças, a exemplo do câncer, às causas psíquicas. (4)

Ao nos depararmos com o surgimento da doença, somos tomados por sentimentos de incertezas e dúvidas, não querendo aceitar a difícil realidade que nos aguarda, sobretudo nos processos de tratamento indispensáveis para eliminar os seus efeitos e sintomas.

Não temos suficiente serenidade para analisar a própria situação e, segundo as leis que nos regem, para vivenciar provas e sofrimentos apropriados às nossas necessidades de melhoria espiritual.

O filósofo espírita León Denis (1846-1927), defensor ardoroso na luta em proveito da causa do Espiritismo, identifica na dor “uma lei de equilíbrio e educação”. (5) Diz ele:

[...] Sem dúvida, as falhas do passado recaem sobre nós com todo o seu peso e determinam as condições de nosso destino.

O sofrimento não é, muitas vezes, mais do que a repercussão das violações da ordem eterna cometidas, mas sendo partilha de todos, deve ser considerado como necessidade de ordem geral, como agente de desenvolvimento, condições do progresso.

Todos os seres têm de, por sua vez, passar por ele. Sua ação é benfazeja para quem sabe compreendê-lo, mas somente podem compreendê-lo aqueles que lhe sentiram os poderosos efeitos. [...] (5).

As provas desenvolvem a inteligência e nos ensinam a exercitar a paciência e a resignação. Ao considerarmos as enfermidades como formas de retificação dos comportamentos desequilibrados, devemos, portanto, aceitar os sofrimentos sem nos lamentar e lutar para suplantar as dificuldades que surgem dos graves problemas de saúde, que não nos sejam possíveis evitar. Algumas vezes, podem ser provas buscadas pelo Espírito com o intuito de ativar o seu progresso espiritual, suportando, sem esmorecer, os reveses da vida material.

Hermínio C. Miranda (2008), em seus estudos espíritas, centrado, sobretudo, na análise das curas promovidas pela homeopatia, desenvolve interessante tese sobre a importância da dor, tanto nos males físicos como nos espirituais, e considera que “as mais esclarecidas correntes da medicina moderna admitem hoje a origem psicossomática de inúmeras doenças”. (6)

É pertinente ressaltar algumas de suas anotações sobre o assunto:

Assim como a doença orgânica resulta de abusos que geram desarmonias ou desafinamentos no sistema biológico, assim também as dissonâncias e desarmonias espirituais criam doenças mentais e emocionais gravíssimas resultantes de abusos de natureza ética. [...]

No caso das mazelas espirituais, o “tratamento”, às vezes um tanto rude, mas sempre justo, que as leis divinas nos prescrevem, consiste em nos fazer experimentar dores, angústias, aflições e carências que impusemos ao semelhante. Somente assim estaremos em condições de avaliar com lucidez a extensão e profundidade do sofrimento que causamos ao nosso irmão, ou seja, sentindo-o na “própria pele”. [...] (7).

O autor, contudo, admite que os mecanismos das leis espirituais não exigem o sofrimento a qualquer preço, tornando-se inclementes e inflexíveis. Ao contrário, a comiseração divina haverá de favorecer-nos em todas as ocasiões, concedendo-nos meios de sobrepujar infortúnios e angústias.

A carne não prevalece sobre o Espírito, a quem cabe a responsabilidade moral de todos os atos.

Os abusos são decorrentes das tendências nocivas que passamos a cultivar ao longo de nossas intermináveis reencarnações, transigindo com os vícios e excessos de toda ordem, em prejuízo do veículo físico. Não devemos, pois, maldizer as doenças do corpo; elas servem para sarar as nossas almas, de modo a não reincidirmos nos mesmos erros cometidos.

Além disso, é possível buscar todos os recursos ao nosso alcance para o equilíbrio orgânico, sem prescindir dos médicos e demais equipes da área de saúde, submetendo-nos às orientações clínicas, cirúrgicas ou terapêuticas. O importante é não nos entregarmos ao desânimo, apegados, erroneamente, a um determinismo irremediável, não aceitando as soluções da medicina que nos proporcionariam alívio e bem-estar. Façamos fervorosas preces suplicando a assistência dos benfeitores espirituais para que se tornem conselheiros e mestres dos esculápios terrenos, permitindo-lhes as condições necessárias para bem interpretar as intuições que advenham do Plano Maior, estando aptos, conforme o conhecimento científico que conquistaram, para agirem com competência no tratamento das doenças que adquirimos e, dessa maneira, diminuir ou extinguir os padecimentos que ainda não conseguimos afastar.

É preciso desenvolver o nosso esforço, tendo como recurso de êxito, em benefício da cura, o exercício equilibrado do livre-arbítrio.

Deus zela por nós; e tudo é possível para aquele que crê na sua infinita compaixão!



Reformador Março 2010



Referências:

1XAVIER, Francisco C. Instruções psicofônicas. Por diversos Espíritos. 9. ed. 3. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 19, p. 98-99.

2______. Pensamento e vida. 18. ed. 1. reimp. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Cap. 28.

3Idem, ibidem. Cap. 15, p. 65-66.

4SERVAN-SCHREIBER, Davi. Anticâncer: prevenir e vencer usando nossas defesas naturais. Trad. Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 164.

5DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2009. P. 3, As potências da alma, item 27, p. 520.

6MARCUS, João (pseudônimo de Hermínio C. Miranda). Candeias na noite escura. 4. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 39, p. 202.

7______. ______. p. 202-203.

20 de fevereiro de 2012

A FÉ HUMANA E A DIVINA

No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade.

Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exalçou como poderosa alavanca e porque o têm considerado apenas como chefe de uma religião. Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação. Também os apóstolos não operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo?

Ora, que eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas causas os homens de então desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão completamente compreensíveis?

A fé é humana ou divina, conforme o homem aplica suas faculdades à satisfação das necessidades terrenas, ou das suas aspirações celestiais e futuras. O homem de gênio, que se lança à realização de algum grande empreendimento, triunfa, se tem fé, porque sente em si que pode e há de chegar ao fim colimado, certeza que lhe faculta imensa força. O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há maus pendures que se não chegue a vencer.

O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.

Repito: a fé é humana e divina. Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas.



Um Espírito Protetor. (Paris, l863.)

Evangelho Segundo o Espiritismo

18 de fevereiro de 2012

PÁGINA DE ALERTA

Meu amigo – Enquanto esperar pelo socorro do alto há no alto quem aguarda a movimentação de tuas possibilidades para que o Reino Divino se estabeleça nas regiões menos felizes da vida.

Procuremos o apoio do Céu, mas não nos esqueçamos do antigo dever de ajudar a Terra.

Muitos alongam o olhar pelas nuvens distantes e olvidam o campo que lhes retribui a mil por um, nas menores atividades da sementeira.

Inúmeros exibem a pequenina alfinetada que lhes fere a epiderme, diante da Providência Divina, entre apelos gritantes da aflição desmedida, contudo, ignoram deliberadamente que, às vezes, o irmão mais próximo carrega fardos de angústia sobre o coração, sem uma queixa, esperando por alguma distraída migalha dos banquetes de facilidade e conforto dos quais se rodeia.

Muitos suplicam revelações da vida espiritual, condicionando a própria fé às dádivas que receberem, entretanto, não se lhes dá que o vizinho desespere à míngua de uma palavra de incentivo e de amor.

Não poucos tecem hinos de rogativa ao Senhor, diariamente, entre a abastança excessiva e a cultura dilatada, vestindo-se indebitamente, na expressão de grandes sofredores, sem atinar com a fileira compacta dos nossos companheiros ignorantes, que aguardam leve centelha de luz.

Se acordares para as claridades da Boa Nova, edifica-te nas graças recolhidas, cultive a oração e santifica o ideal que te enobrece a mente, mas não abandones o lugar de servidor.

Em casa, na paisagem do serviço comum, na via pública, nos parques festivos, nas mansardas da provação, nos círculos da caridade, nas escolas, nas instituições edificantes, há sempre irmãos esperando por nós, situações e problemas que nos solicitam cooperação, ajuda e entendimento.

Fortalece-te no contato com a fé e prossegue no serviço que te cabe.

Trabalha sem esmorecer, dá de ti mesmo, liberta o coração prisioneiro de enganos mil, através dos raios benditos do suor, na felicidade dos semelhantes. E, se nos orientarmos em tais normas, guardemos a convicção de que, um dia, as portas da divina imortalidade ser-nos-ão abertas no eterno e glorioso caminho.



Emmanuel

Psicografia em Reunião Pública. Data – 7-8-1950.

Local – Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas.

15 de fevereiro de 2012

CARNAVAL



 Chegou a hora de um novo carnaval, mas este que vai começar agora não será como os outros. Desta vez, a festa da carne já não será tão caracterizada pelo disfarce das fantasias, com as quais as potências malignas sempre se esmeraram em camuflar e colorir os seus mais temíveis propósitos. As máscaras não são mais tão necessárias, nem mesmo desejáveis. Agora a nudez é a norma, com toda a sua agressiva desfaçatez. Não apenas a nudez de corpos frenéticos, a nudez da carne soberana e sem freios, mas sobretudo a nudez dos pensamentos que se descobrem, acintosamente, sem qualquer pudor, na ostensiva clareza das pretensões mais abjetas.

Neste fim de tempos, com a permissão divina, para a necessária triagem, que vai finalmente separar o joio do trigo, o mal dispensa as velhas armaduras e não teme mostrar-se na completa arrogância da sua fria crueza.

O crime não escolhe mais nem hora, nem meios, nem ambientes, nem vitimas.

A festa que se prenuncia é de carne, mas de carne sangrenta, sofrida e humilhada, de carne em processo de franca decomposição, ainda antes do processo da morte física.

A violência já armou o seu cenário no grande palco do mundo e a função não tardará a começar, Nos bastidores da realidade, já começou, e dentro em pouco a cortina das conveniências será rasgada, para que o drama vingue, infrene, em toda a sua arrasadora plenitude.

A subida dos infernos é como o levantar-se do lodo dos abismos, que tolda todas as águas, antes de cristalina aparência. Não se poderia, no entanto, purificar verdadeiramente os mananciais, sem que o lodo do fundo fosse antes trazido à superfície, para ser então coado.

Os espíritos prevenidos, que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, agirão como aquelas criaturas prudentes a que os Evangelhos se referem, ao invés de deixar-se arrastar pela correnteza das aluviões sem freio e sem rumo.

Depois das orgias e dos excessos, das violências e dos enganosos triunfos da força humana, virão as lágrimas redentoras e as penas merecidas, mas a noite se escoará, com todas as suas amarguras, nas claridades sublimes e definitivas da Nova Era Cristã.

É bem de ver que, para os discípulos leais a Jesus, as horas que se aproximem, tão ansiosamente aguardadas pelos gozadores e pelos velhacos, não serão de festa, mas de vigília, de jejum e de oração, de testemunhos de renúncia e de coragem.

Isso será, porém, altamente compensador, porque é vindo o momento anunciado em que os habitantes dos "vales" devem fugir para os "montes".

Em face da turbulência que se avizinha, nós vos almejamos muita paz ao coração. E enquanto os tambores, os clarins, as balas e os impropérios estiverem poluindo o ar da Terra, que haja no íntimo de nossas almas, a ecoar como música celeste, o som excelso das promessas de amor de Nosso pai.



CORREIO ENTRE DOIS MUNDOS – Hernani T Santana - Áureo(Espírito) 

5 de fevereiro de 2012

DEPOIMENTOS DE SUICIDAS



MESMO DESILUDIDOS, É PRECISO VIVER

NO HOSPITAL DE MARIA, NO PLANO ESPIRITUAL

Não existe olhar mais tristonho que o de remorsos, e por ali era só o que víamos. Aproximei-me de uma jovem que se havia atirado do alto de um edifício. Ela caminhava devagar; observando-a, pareceu-me estranha: era como se ela fosse de porcelana e houvesse trincado. Nas partes em que sofrera fratura no corpo físico, apresentava ainda dificuldade de movimentos.

Sorri. Meio envergonhado, retribuiu-me o sorriso, iniciando a conversação:

- És suicida?

- Não, não sou. Aqui me encontro em estudo.

Com triste expressão, falou:

- Deve ser muito bom vir até aqui na condição de estudante.

- Por que se suicidou?

- Fui abandonada pelo namorado e julguei que sem ele não suportaria viver.

- Irmã, há quanto tempo isso aconteceu?

- Há dez anos. O remorso me corrói o espírito. Muitas vezes me apalpo, procurando em mim algo que possa interromper a vida. Parece-me que desde aquele terrível dia jamais minha mente cessou de trabalhar; é um desespero constante. Por mais que eu receba ajuda, sinto-me consciente a cada momento do meu gesto impensado. Como é mesmo o teu nome?

- Luiz Sérgio – falei, estendendo minha mão em sinal de sincera amizade.

- Luiz Sérgio, não sei por que não existe na Terra campanhas de esclarecimento sobre o suicídio.

Fala-se tanto em aborto, em assassinato, em furto, mas ninguém se lembra de alertar sobre o pior dos crimes. Vamos até o jardim, sinto-me ainda muito cansada, lá saberás tudo.

Bem alojados sob um belo caramanchão florido, esperei pacientemente que ela iniciasse o relato:

- Tinha eu quinze anos quando conheci Alexandre. Foi amor à primeira vista: apaixonamo-nos, um pelo outro. Inebriante, entregamos-nos intimamente e, quando percebi, eu não era mais a querida namorada e sim a mulher da qual ele vinha se cansando. Fui ficando ciumenta, desesperada, insegura, e as minhas reclamações o cansavam cada vez mais. Um dia ameacei-o de contar tudo a meu pai. Olhando- me firmemente, redarguiu: “Não foste forte e cuca livre para assumir um caso? Então, tem agora dignidade pra compreender que tudo acabou. Foi belo enquanto durou”. Nem podes, Luiz, imaginar o que me aconteceu.

Ele tinha razão: eu não estava preparada para uma entrega tão íntima. Qualquer mulher, quando chega a uma situação como essa, precisa estar despojada de preconceitos e eu sempre sonhara entrar de braços dados com meu pai em uma igreja florida e o meu príncipe me esperando no altar com o olhar de homem apaixonado.

- Então, por que você iniciou essa aventura?

- Paixão e falta de coragem para negar.

- Mas hoje, Lucy, as menininhas estão indo nessa e, muitas se casando apenas por casar. Nem sempre a orientação sobre liberdade é a correta e assim vários jovens estão se vendo presos em uma rede de remorsos. Mas e depois? Conte minha irmã, eu a interrompi.

- Alexandre começou a me evitar. Bastava eu chegar onde ele estivesse, para que se retirasse. Um dia fui procurá-lo em sua casa e lá encontrei uma jovem de minha idade, que me foi apresentada como sua noiva. Abafei um grito em meu peito, tal a minha dor. Quando de lá saí, só desejava morrer. Chegando a casa, tomei a decisão e saltei, à procura da morte. Mas ela não existe e me vi estirada, toda moída, lá no asfalto. Perdi a noção do tempo; lembro-me apenas que uma velhinha sempre ficava ao meu lado, dando-me forca através da prece: era minha avozinha. Muitas vezes desejei levantar, mas podes imaginar alguém todo quebrado? Assim era a minha realidade. Pensei demais, ate que um dia minha avó ajudou-me a me erguer e, com dificuldade, conseguimos dali sair, chegando até um centro espírita. Graças às preces aos suicidas, recebemos um cartão que nos permitia um tratamento na própria casa. O meu sofrimento só cessaria quando eu tivesse setenta e cinco anos, época em que estava programado o meu desencarne natural.

- Irmã, por que tudo isso? Temos presenciado suicidas já conscientes, que não padeceram tanto.

- Luiz, muitos aprenderam a desencarnar, e depois, cada caso é um caso.

- E daí, Lucy? Pode continuar...

- Sim, faz-me muito bem recordar, principalmente os tratamentos nos grupos especializados. Ah, isso é ótimo! Gostaria de relatar. Éramos levados até o grupo mediúnico, pois que internados nos encontrávamos naquele Centro. Quando entrávamos na sala, muitos sentiam o odor forte, nós, principalmente, éramos atormentados com o cheiro dos nossos próprios corpos putrificados e, muitas vezes, tínhamos a impressão de que os vermes nos corroíam. O grupo mediúnico que prestava auxilio era composto de pessoas muito equilibradas, já que nós nos perdêramos por fraqueza. Não podes imaginar o alivio que experimentava o espírito de um suicida ao contato com um médium amoroso. Quando o mentor nos aproximava do médium, era como se o nosso espírito adormecesse, anestesiado pelos fluídos bons do encarnado, afastando-se de nós aquela desagradável sensação que vínhamos experimentando desde o instante do ato impensado. Muitos choravam quando eram retirados de juntos do médium; era como se nos tirassem o oxigênio. Luiz Sérgio existe tão poucos grupos que prestam ajuda aos suicidas! Para esses grupos, não são necessários médiuns de psicofonia, pois muitas vezes o suicida não deseja falar, almeja, apenas, deixar de sentir o desespero. Enganam-se aqueles que organizam grupo de auxilio ao suicida, somente com os chamados médiuns de incorporação. Os encarregados devem aproveitar aqueles que são ótimos auxiliares do Cristo, mas ainda esquecidos na Doutrina – os médiuns doadores. Só o contato do doente com um médium equilibrado já o beneficia. E ali, Luiz Sérgio, permaneci muitos meses, até que um dia fui trazida até aqui, onde já me sinto curada. Sei, entretanto, que levarei de volta, quando reencarnar, um corpo doente, porque eu mesma o destruí e só o meu coração regenerado poderá curar-me.

Esforçava-se para não chorar. Segurei a mão de Lucy e, com os olhos orvalhados de lágrimas, falei-lhe:

- Minha querida irmã, jamais a esquecerei; sempre que eu puder, virei revê-la. Você representa também para mim uma mão estendida. Mão esta que precisou ser marcada pela dor, para voltar à vida.

- Obrigada, Luiz Sérgio, fico contente por ter-te conhecido. És muito bacana; a tua alegria me fez lembrar o passado, quando eu sonhava em ser feliz.

- Sonhava não, Lucy, sonha, porque como diz Ocaj: “Não assassinemos as nossas realidades para não distanciarmos nossos sonhos”.

Ela me fitou e pela primeira vez vi a esperança naqueles belos olhos azuis. Apertando bem forte sua mão, despedi-me. Caminhei, pensando: “Deus, como sois poderoso em tão bem nos compreender. Se hoje nada desejamos, amanhã, em busca de algo nos encontraremos e assim, Pai, ides compreendendo as nossas fraquezas e não nos ofertando por ofertar e sim, quando , quando já adultos, soubermos o que desejamos. Hoje, Senhor, peço-Vos por todos aqueles que vivem duras e cruéis realidades e estão em vias de deixar tudo para trás através do suicídio. Fortalecei, Senhor, os Seus protetores para que possam segurar bem firme essas almas em desespero”.

Que estas linhas possam chegar às mãos de todos aqueles que desesperados se encontram e que eles saibam que deste lado do horizonte existe alguém que todos os dias pede a Deus muita paz e muito amor para todos os seus irmãos.

“Eu amos todos vocês, meus queridos amigos”.



Mãos Estendidas – Luiz Sérgio – cap. V – pág. 29

4 de fevereiro de 2012

DIFERENÇA ENTRE RELIGIÃO E ESPIRITUALIDADE

A religião alimenta a mente; a espiritualidade, a alma!!

As Diferenças entre Religião e Espiritualidade religião não é apenas uma, são centenas.

A espiritualidade é apenas uma.

A religião é para os que dormem.

A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.

A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.

A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.

A espiritualidade lhe dá Paz Interior.

A religião fala de pecado e de culpa.

A espiritualidade lhe diz: “aprenda com o erro”.

A religião reprime tudo, te faz falso.

A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!

A religião não é Deus.

A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa.

A espiritualidade descobre.

A religião não indaga nem questiona.

A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.

A espiritualidade é Divina, sem regras.

A religião é causa de divisões.

A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.

A espiritualidade você tem que buscá-la.

A religião segue os preceitos de um livro sagrado.

A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.

A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.

A religião faz viver no pensamento.

A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.

A espiritualidade se ocupa com Ser.

A religião alimenta o ego.

A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.

A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.

A religião é adoração.

A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.

A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.

A religião vive no passado e no futuro.

A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.

A espiritualidade liberta nossa Consciência.

A religião crê na vida eterna.

A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.

A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

3 de fevereiro de 2012

ALMA PENADA


Você acredita em alma penada?
Sabe de onde surgiu essa expressão?
Será que não passa de um Espírito sofredor ou o que ele quer mesmo é assombrar as pessoas?

No imaginário popular origina-se esta curiosa expressão: "alma penada". Simboliza, assim, aqueles Espíritos que deixaram o mundo dos vivos, mas que por diversos motivos, em razão da relativa perturbação em que se encontravam, permanecem "assombrando" lugares e pessoas. Alguém muito rico e avaro, por exemplo, se recusa a deixar um casarão, um castelo, ou a sede de suas empresas. Um outro, ciumento ao extremo, não se submete a ter que deixar sua antiga amada à mercê de outros envolvimentos amorosos. Uma terceira, vaidosa e elegante, não admite a idéia de ter seu corpo desfigurado pela ação dos germens, e decide permanecer por aqui, imaginando conservar sua bela e marcante aparência. Outros, ainda, imaginam não ter feito tudo o que queriam ou deviam, e querem ter nova chance de fazê-lo.

O adjetivo "penada" tem a ver com pena, uma condenação ou castigo a que tais seres, na consideração do vulgo, estariam sujeitos. Algo como se a presença (por certo tempo) do Espírito de alguém morto entre nós significasse motivo de sofrimento e, até, de ensinamento para o mesmo. A filosofia espírita, no entanto, rechaça completamente esta explicação, pois destrói os dogmas religiosos de todos os tempos, entre os quais a idéia de "penas e castigos eternos", simbolizada no Céu e no Inferno das religiões tradicionais. Isto, é claro, sem falar no Purgatório. Para o Espiritismo, ninguém fica temporária ou definitivamente "condenado" a permanecer aqui ou em qualquer outro lugar "espiritual" do Universo. Vigora, pois, a lei de liberdade e, nela, o amplo direito de ir e vir, condicionado, tão-somente, pelo grau de evolução espiritual dos seres. Assim, quanto mais desenvolvido, mais liberdade de freqüentar quaisquer lugares, independentemente se mais atrasados ou mais avançados. Contudo, nenhum ser fica "algemado" ou "sujeito" a permanecer no mundo dos vivos, estando morto.

 


AS VERDADEIRAS PENAS


O que acontece, em síntese, é que a grande parte das pessoas, seja por que não recebe as adequadas informações acerca da vida espiritual (não sabe ou tem idéias errôneas sobre o "outro lado"), ou por que ainda cultiva sentimentos inferiores, como alguns daqueles descritos no início deste texto (avareza, cobiça, orgulho, egoísmo, usura, paixões doentias, ódio, etc.), deseja permanecer "entre os vivos".

Estudando os vícios humanos e as relações que se formam entre "vivos" e "mortos" - todos espíritos, evidentemente -, sabemos que se formam "consórcios" vibratórios entre os encarnados e os desencarnados, de modo que um indivíduo que fumou durante 50/60 anos, deseje, do "outro lado" da vida, ainda sentir as sensações, os efeitos, o prazer derivado do uso do fumo. Um alcoólatra, um sexólatra, um avarento, idem...

Deste modo, nós mesmos é que franqueamo-nos a paz de consciência ou a tortura do remorso. A alegria do dever cumprido, ou a tristeza de ter errado mais e mais. A satisfação de ter vivido ou a agonia de ter perdido tantas oportunidades, seja vivendo do passado seja esperando pelo futuro.

Assim, penas e recompensas, muito além de lugares específicos no plano espiritual, são estados de Espírito, situações que experimentamos todos os dias. A nós compete nutrir bons sentimentos, manter boas vibrações e ser feliz, o quanto possível, sempre lembrando que, na trajetória espiritual, o porvir nos acena com a ampla possibilidade de sermos melhores, muito melhores, do que já somos.

Não sejamos "almas penadas". Sejamos espíritos gratos a Deus por existirmos...

2 de fevereiro de 2012

ABORTO


PERGUNTA: Reconhecendo-se que os crimes do aborto provocado criminosamente surgem, em esmagadora maioria, nas classes mais responsáveis da comunidade terrestre, como identificar o trabalho expiatório que lhes diz respeito, se passam quase totalmente despercebidos da justiça humana?

 RESPOSTA DE ANDRÉ LUIZ:

Temos no Plano Terrestre cada povo com seu código penal apropriado à evolução em que se encontra, mas, considerando o universo em sua totalidade como o Reino Divino, vamos encontrar o Bem do Criador para todas as criaturas, como Lei Básica, cujas transgressões deliberadas são corrigidas no próprio infrator, com o objetivo natural de conseguir-se, em cada círculo de trabalho no Campo Cósmico, o máximo de equilíbrio com o respeito máximo aos direitos alheios, dentro da mínima quota de pena.

Atendendo-se, no entanto, a que a Justiça Perfeita se eleva, indefectível, sobre o Perfeito Amor, no hausto de Deus "em que nos movemos e existimos", toda reparação, perante a Lei Básica a que nos reportamos, se realiza em termos de vida eterna e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na encarnação humana, porquanto, uma existência pode estar repleta de acertos e desacertos, méritos e deméritos e a Misericórdia do Senhor preceitua, não que o delinqüente seja flagelado, com extensão indiscriminada de dor expiatória, o que seria volúpia de castigar nos tribunais do destino, invariavelmente regidos pela Equidade Soberana, mas sim que o mal seja suprimido de suas vítimas, com a possível redução de sofrimento.

Desse modo, segundo o princípio universal do Direito Cósmico e expressar-se, claro, nos ensinamentos de Jesus que manda conferir "a cada um de acordo com as próprias obras", arquivamos em nós as raízes do mal que acalentamos para extirpá-las à custa do esforço próprio, em companhia daqueles que se nos afinem à faixa de culpa, com os quais, perante a Justiça Eterna, os nossos débitos jazem associados.

À face de semelhante fundamentos, certa romagem na carne, entremeada de créditos e dívidas, pode terminar com aparências de regularidade irrepreensível para a alma que desencarna, sob o apreço dos que lhe comungam a experiência, seguindo-se de outra em que essa mesma criatura assuma a empreitada do resgate próprio, suportando nos ombros as conseqüências das culpas contraídas diante de Deus e de si mesma, afim de reabilitar-se ante a Harmonia Divina, caminhando, assim, transitoriamente, ao lado de espíritos incursos em regeneração da mesma espécie.

É dessa forma que a mulher e o homem, acumpliciados nas ocorrências do aborto delituoso, mas principalmente a mulher, cujo grau de responsabilidade nas faltas dessa natureza é muito maior, à frente da vida que ela prometeu honrar com nobreza, na maternidade sublime, desajustam as energias psicossomáticas, com mais penetrante desequilíbrio do centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que frutescerão, mais tarde, em regime de produção a tempo certo.

Isso ocorre não somente porque o remorso se lhes entranhe no ser, à feição de víbora magnética, mas também porque assimilam, inevitavelmente, as vibrações de angústia e desespero e, por vezes, de revolta e vingança dos Espíritos que a Lei lhes reservara para filhos do próprio sangue, na obra de restauração do destino.

No homem, o resultado dessas ações aparece, quase sempre, em existência imediata àquela na qual se envolveu em compromissos desse jaez, na forma de moléstias testiculares, disendocrinias diversas, distúrbios mentais, com evidente obsessão por parte de forças invisíveis emanadas de entidades retardatárias que ainda encontram dificuldade para exculpar-lhes a deserção.

Nas mulheres, as derivações surgem extremamente mais graves. O aborto provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se matematicamente seguido por choques traumáticos no corpo espiritual, tantas vezes quantas se repetir o delito de lesa-maternidade, mergulhando as mulheres que o perpetram em angústias indefiníveis, além da morte, de vez que, por mais extensas se lhe façam as gratificações e os obséquios do Espíritos Amigos e Benfeitores que lhe recordam as qualidades elogiáveis, mais se sentem diminuídas moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e infeliz, assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante, carregando uma chaga que a todo instante se denuncia.

Dessarte, ressurgem na vida física, externando gradativamente, na tessitura celular de que se revestem, a disfunção que podemos nomear como sendo a miopraxia do centro genésico atonizado, padecendo, logo que reconduzidas ao curso da maternidade terrestre, as toxemias da gestação.

Dilapidado o equilíbrio do centro referido, as células ciliadas, mucíparas e intercalares não dispõe da força precisa na mucosa tubária para a condução do óvulo na trajetória endossalpingeana, nem para alimentá-lo no impulso da migração por deficiência hormonal do ovário, determinando não apenas os fenômenos da prenhez ectópica ou localização heterotópica do ovo, mas também certos síndromes hemorrágicos de suma importância, decorrentes da nidação do ovo fora do endométrio ortotópico, ainda mesmo quando este já esteja acomodado na concha uterina, trazendo habitualmente os embaraços da placentação baixa ou a placenta prévia hemorragía para que constituem, na parturição, verdadeiro suplício para as mulheres portadoras do órgão germinal em desajuste.

Enquadradas na arritmia do centro genésico, outras alterações orgânicas aparecem, flagelando a vida feminina, , como sejam o descolamento da placenta eutópica, por hiperatividade histolítica da vilosidade corial; a hipocinesia uterina, favorecendo a germicultura do estreptococo ou do genococo, depois das crises endometríticas puerperais, a salpingite tuberculosa, a degeneração cística do cório; a salpigooforite, em que o edema e o exsudato fibrinosos provocam a aderência das pregas da mucosa tubária, preparando campo propício às grandes inflamações anexiais, em que o ovário e a trompa experimentam a formação de tumores purulentos que os identificam no mesmo processo de desagregação; os síndromes circulatórios da gravidez aparentemente normal, quando a mulher, no pretérito, viciou também o centro cardíaco, em conseqüência do aborto calculado e seguido por disritmia das forças psicossomáticas que regulam o eixo elétrico do coração, ressentindo-se, como resultado, na nova encarnação e em pleno surto de gravidez, da miopraxia do aparelho cardiovascular, com aumento da carga plasmática na corrente sanguínea, por deficiência no orçamento hormonal, daí resultando graves problemas da cardiopatia conseqüente.

Temos ainda a considerar que a mulher sintonizada com os deveres da maternidade na primeira ou, às vezes, até na segunda gestação, quando descamba para o aborto criminoso, na geração dos filhos posteriores, inocula, automaticamente no centro genésico e no centro esplênico do corpo espiritual as causas sutis de desequilíbrio recôndito, a se lhe evidenciarem na existência próxima pela vasta acumulação do antígeno que lhe imporá as divergências sanguíneas com que asfixia, gradativamente, através da hemólise, o rebento de amor que alberga carinhosamente no próprio seio, a partir da segunda ou terceira gestação, porque as enfermidades do corpo humano, como reflexos das depressões profundas da alma, ocorrem dentro de justos períodos etários.

Além dos sintomas que abordamos em sintética digressão na etiopatogenia das moléstias do órgão genital da mulher, surpreenderemos largo capítulo a ponderar no campo nervoso, à face da hiperexitação do centro cerebral, com inquietantes modificações da personalidade, a raiarem, muitas vezes, no martirológico da obsessão, devendo-se ainda salientar o caráter doloroso dos efeitos espirituais do aborto criminoso, para os ginecologistas e obstetras delinqüentes.

 Para melhorar a própria situação, que deve fazer a mulher que se reconhece, na atualidade, com dívidas no aborto provocado, antecipando-se, desde agora, no trabalho de sua própria melhoria moral, antes que a próxima existência lhe imponha as aflições regenerativas?



ANDRÉ LUIZ:



Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias. Quem ontem abandonou os próprios filhos pode hoje afeiçoar-se aos filhos alheios, necessitados de carinho e abnegação.

O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro (I Pedro, 4:8), adverte-nos quanto à necessidade de cultivarmos ardente carinho uns para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de nossos males.



 Evolução em Dois Mundos, Parte II, caps. X e XI, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)