3 de fevereiro de 2012

ALMA PENADA


Você acredita em alma penada?
Sabe de onde surgiu essa expressão?
Será que não passa de um Espírito sofredor ou o que ele quer mesmo é assombrar as pessoas?

No imaginário popular origina-se esta curiosa expressão: "alma penada". Simboliza, assim, aqueles Espíritos que deixaram o mundo dos vivos, mas que por diversos motivos, em razão da relativa perturbação em que se encontravam, permanecem "assombrando" lugares e pessoas. Alguém muito rico e avaro, por exemplo, se recusa a deixar um casarão, um castelo, ou a sede de suas empresas. Um outro, ciumento ao extremo, não se submete a ter que deixar sua antiga amada à mercê de outros envolvimentos amorosos. Uma terceira, vaidosa e elegante, não admite a idéia de ter seu corpo desfigurado pela ação dos germens, e decide permanecer por aqui, imaginando conservar sua bela e marcante aparência. Outros, ainda, imaginam não ter feito tudo o que queriam ou deviam, e querem ter nova chance de fazê-lo.

O adjetivo "penada" tem a ver com pena, uma condenação ou castigo a que tais seres, na consideração do vulgo, estariam sujeitos. Algo como se a presença (por certo tempo) do Espírito de alguém morto entre nós significasse motivo de sofrimento e, até, de ensinamento para o mesmo. A filosofia espírita, no entanto, rechaça completamente esta explicação, pois destrói os dogmas religiosos de todos os tempos, entre os quais a idéia de "penas e castigos eternos", simbolizada no Céu e no Inferno das religiões tradicionais. Isto, é claro, sem falar no Purgatório. Para o Espiritismo, ninguém fica temporária ou definitivamente "condenado" a permanecer aqui ou em qualquer outro lugar "espiritual" do Universo. Vigora, pois, a lei de liberdade e, nela, o amplo direito de ir e vir, condicionado, tão-somente, pelo grau de evolução espiritual dos seres. Assim, quanto mais desenvolvido, mais liberdade de freqüentar quaisquer lugares, independentemente se mais atrasados ou mais avançados. Contudo, nenhum ser fica "algemado" ou "sujeito" a permanecer no mundo dos vivos, estando morto.

 


AS VERDADEIRAS PENAS


O que acontece, em síntese, é que a grande parte das pessoas, seja por que não recebe as adequadas informações acerca da vida espiritual (não sabe ou tem idéias errôneas sobre o "outro lado"), ou por que ainda cultiva sentimentos inferiores, como alguns daqueles descritos no início deste texto (avareza, cobiça, orgulho, egoísmo, usura, paixões doentias, ódio, etc.), deseja permanecer "entre os vivos".

Estudando os vícios humanos e as relações que se formam entre "vivos" e "mortos" - todos espíritos, evidentemente -, sabemos que se formam "consórcios" vibratórios entre os encarnados e os desencarnados, de modo que um indivíduo que fumou durante 50/60 anos, deseje, do "outro lado" da vida, ainda sentir as sensações, os efeitos, o prazer derivado do uso do fumo. Um alcoólatra, um sexólatra, um avarento, idem...

Deste modo, nós mesmos é que franqueamo-nos a paz de consciência ou a tortura do remorso. A alegria do dever cumprido, ou a tristeza de ter errado mais e mais. A satisfação de ter vivido ou a agonia de ter perdido tantas oportunidades, seja vivendo do passado seja esperando pelo futuro.

Assim, penas e recompensas, muito além de lugares específicos no plano espiritual, são estados de Espírito, situações que experimentamos todos os dias. A nós compete nutrir bons sentimentos, manter boas vibrações e ser feliz, o quanto possível, sempre lembrando que, na trajetória espiritual, o porvir nos acena com a ampla possibilidade de sermos melhores, muito melhores, do que já somos.

Não sejamos "almas penadas". Sejamos espíritos gratos a Deus por existirmos...

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