19 de abril de 2012

JESUS - CORPO FLUÍDICO

Lembrai-vos destas palavras de Jesus, aludindo, antes e depois do sacrifício do Gólgota, à sua missão terrena e a este sacrifício, referentes essas palavras ao corpo que ele revestira e que constituía sua vida aos olhos dos homens: "Deixo a vida para a retomar; ninguém ma tira; sou eu que por mim mesmo a deixo; tenho o poder de a deixar e tenho o poder de a retomar"(João, X, v. 18).

Jesus houvera podido, unicamente por ato exclusivo da sua vontade, atraindo a si os fluidos ambientes necessários, constituir o perispírito ou corpo fluídico tangível que vestiu para surgir no vosso mundo sob o aspecto de uma criancinha. Maria, porém, antes da sua encarnação, pedira, por devotamento e por amor, a graça de participar da obra de Jesus, atraindo, pela emanação de seus fluidos perispiríticos, os fluidos ambientes necessários a constituição daquele perispírito. Dessa maneira se tinha que verificar a sua cooperação, mas de forma para ela inconsciente, porquanto o estado de encarnação humana lhe não permitia lembrar-se. Assim, ao aproximar-se o momento final da sua gravidez aos olhos dos homens, ela, inconscientemente, mas ardendo no desejo de cumprir a missão que o Senhor lhe revelara por intermédio do anjo ou Espírito superior que lhe fora enviado, estabeleceu, pela emanação dos fluidos do seu perispírito, uma irradiação simpática, que atraiu os fluidos necessários à formação do corpo fluídico de Jesus. Nenhum efeito, entretanto, teria produzido a ação inconsciente de Maria, sem a intervenção da vontade daquele que ia descer ao vosso mundo. Jesus, pois, constituiu, ele próprio, pela ação da sua vontade, o perispírito tangível e quase material, que se tornou, tendo-se em vista o planeta em que habitais, um corpo relativamente semelhante ao vosso.

Falando desse invólucro fluídico, a que chamamos, para sermos percebidos pelo vosso entendimento humano, perispírito tangível, dissemos: e quase material. Era quase material, no sentido de que Jesus assimilara, para formá-lo, os fluidos ambientes que servem à formação dos vossos seres.

Não esqueçais que o Espírito assimila seu perispírito às regiões que percorre; que a terra é um dos mundos inferiores e que, por conseguinte, os elementos de tangibilidade podem aí reunir-se tanto mais facilmente, quanto mais poderosa seja a vontade do Espírito.

A ciência humana acha cômodo rir toda vez que é incapaz de compreender. Sim, o perispírito do homem, sobretudo no estado de tangibilidade, é semi-material. A ciência já encontrou porventura meio de comparar o ambiente que vos cerca com os dos outros planetas? Já pôde acaso o sábio descer aos planetas inferiores, para sentir que o ar que os envolve o sufocaria pelo seu peso, lhe toldaria a vista pela sua espessura e se lhe afiguraria um véu estendido por sobre tudo o que em torno dele se encontrasse? Já subiu às regiões superiores, a fim de experimentar a vertigem que lhe causaria a sutileza do ar? Já sentiu seus olhos se dilatarem com o auxílio das camadas de ar superpostas e, varando distâncias para ele incomensuráveis, ir a sua vista perceber objetos em dimensões tais, que os vossos telescópios não lograriam divisar? Qual a razão dessas diferenças? É que as camadas de fluidos são apropriadas às vossas necessidades. Vós o sabeis e dizeis, mas não compreendeis as causas e não procurais compreender os efeitos. O perispírito humano, como perispírito tangível, com relação a vós, é semimaterial, assim como o vapor é semilíquido e a fumaça semi-aérea.

Relativamente à natureza que vos é peculiar, o corpo dos habitantes dos mundos superiores, bem como o perispírito humano do vosso planeta, é um corpo fluídico. Quando vos é dado vê-lo, tem toda a aparência de material.

O corpo perispirítico de Jesus era mais material do que o corpo perispirítico do Espírito superior, nenhuma comparação podendo, entretanto, ser estabelecida a esse respeito. Maior ainda era a diferença entre esse corpo de Jesus e os vossos corpos de lama. Aquele participava em grande escala do corpo do homem nos mundos superiores, por isso que se compunha dos mesmos elementos, mas modificado, solidificado por meio dos fluidos humanos ou animalizados, de modo a manter-se, segundo a vontade do Mestre e as necessidades da sua missão terrena, visível e tangível para os homens, com todas as humanas aparências corporais do vosso planeta.

Que o homem não se insurja contra a possibilidade desses fatos, por não poder ainda compreender e explicar uma composição que se efetua fora das leis materiais da sua natureza.

Não diremos, como os que, por estas palavras: "Tudo é possível a Deus", explicam o que não compreendem. Dizemos ao contrário: o que o homem, na sua ignorância, considera uma derrogação das leis imutáveis não é, sequer, um deslocamento das leis universais; é, sim, uma aplicação delas. Quando ele tenha vencido as dificuldades que o impedem de se elevar no espaço, quando tiver chegado a decompor as camadas de ar superpostas nas alturas que um dia atingirá, quando compreender as propriedades e os efeitos dos fluidos, o uso que deles pode fazer, verá que o que hoje provoca a zombaria da ignorância e da incredulidade se tornará um fato patente, analisado, decomposto pela ciência, que se admirará de que tão poderosos agentes não hajam estado sempre submetidos ao seu império, como se admira de não ter empregado sempre a eletricidade, cujos efeitos visíveis admite, mas cujas causas ainda não determinou. A cada dia basta o seu labor.



OS QUATRO EVANGELHOS

J.B. ROUSTAING

TOMO 1

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