30 de maio de 2012

O MEIGO NAZARENO

“Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos. porque possuirão a Terra.” (Mateus, 5:5)

Foi Jesus Cristo um moço arrebatado, impulsivo e vibrante? Algumas obras afirmam que ele foi um rebelde e uma delas chegou a apregoar que ele foi “o maior dos anarquistas”.

Há pouco tempo escrevemos num prefácio de livro que ele foi o Meigo Nazareno, e conhecido escritor nos refutou, afirmando: “A marca do sectarismo está bem clara na referência a Jesus como sendo o Meigo Nazareno, uma forma estereotipada de alusão a Jesus, que se vulgarizou entre espíritas excessivamente místicos, em geral de origem e formação igrejeira. Os adeptos do Meigo Nazareno não podem admitir que o jovem e ardente carpinteiro empregasse palavras fortes e precisas nas suas pregações”.

Alguns escritores se empolgaram com a obra “Vida de Jesus”, escrita por

Ernest Renan — um pesquisador que no século passado andou pelas terras onde Jesus e os Apóstolos viveram. No entanto, apesar de a obra conter muitas verdades históricas, não deixa de apresentar um perfil desfigurado da personalidade do Mestre, moldado ao gosto do autor.

Renan chegou a afirmar, por exemplo, que “Jesus não é um espiritualista, desde que tudo para ele conduz a uma realização palpável, ele não tem a menor noção de uma alma separada do corpo”, acrescentando mais adiante que “Jesus e os apóstolos eram vivedores que não desdenhavam as boas mesas”, que “a religião por ele instaurada era um movimento de mulheres e crianças”, rematando com a afirmação seguinte: “Toda a história do Cristianismo nascente tornou-se assim uma deliciosa pastoral. Um Messias em repasto de bodas, a cortesã e o bom Zaqueu chamados a seus festins, os fundadores do reino do céu, como um cortejo de paraninfos, eis o que a Galiléia ousou e fez aceitar”.

O próprio Allan Kardec, na “Revista Espírita”, edição de junho de 1864, criticando a obra de Ernest Renan, sustenta: “Tudo se materializa no pensamento do Sr. Renan; em todas as palavras de Jesus não vê além do terra-a-terra, porque ele próprio nada vê além da vida material”, acrescentando o Codificador: “Eis o que o Sr. Renan intitula Origens do Cristianismo. Quem jamais teria acreditado que um bando de gozadores, uma multidão de mulheres, de cortesãs e de crianças, tendo à frente um idealista que não tinha a menor noção da alma, pudessem, auxiliados por uma utopia, a quimera de um reino celeste, mudar a face do mundo religioso, social e político?”

Uma outra obra, desta vez de origem mediúnica, denominada “A Vida de Jesus ditada por Ele mesmo”, também é bem aceita em alguns setores espíritas, notadamente nos países de fala castelhana.

Nela a personalidade do Cristo é apresentada de forma completamente distorcida: um homem eivado de fraquezas e propensões humanas, inclusive alimentando ciúmes contra seus próprios irmãos, negando a maior parte dos fatos evangélicos e até refutando que tenha sido o autor da “Oração Dominical”. Essa obra, de aberração em aberração, chega a afirmar que Jesus amava sua mãe e Maria Madalena mais do que tudo neste mundo.

A personalidade de Jesus Cristo, que deveria permanecer inatacável e inconfundível, tem sido objeto de controvérsias. Qualquer um se anima a traçar-lhe o perfil segundo a sua vontade, principalmente nos tempos atuais, quando a confusão anda solta em todos os setores de atividade humana.

Os homens se preocupam mais em descrever o Mestre, atribuir-lhe tendências que ele não possuía, deixando para segundo plano os seus ensinamentos e as suas palavras de vida eterna.

No Sermão da Montanha, Jesus fez a apologia da brandura, do pacifismo e da mansuetude, ao. proclamar que bem-aventurados seriam os que fossem dotados dessas qualidades.

Em outras partes do Evangelho, destacou a necessidade imperiosa de se conquistar tudo através de persuasão:

“Ao que te obrigar a caminhar cem passos, caminha com ele mais cem; “Ao que quiser tirar-te a túnica, dá-lhe também a capa; “Ao que te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda”.

Na realidade, Jesus Cristo era austero e severo, pronto para proferir palavras fortes e incisivas quando se dirigia a hipócritas e a pessoas que colocavam seus interesses acima das coisas de Deus, como foi o caso específico dos mercadores do templo, dos escribas e fariseus, dos pretensos sacerdotes; entretanto, ele era brando e suave no trato com os humildes, os pequeninos e os desprotegidos da sorte.

Tendo o Mestre sido um missionário na verdadeira acepção do vocábulo, apregoava a paciência, o amor, a resignação, chegando a recomendar que perdoássemos os nossos inimigos; não vemos razão por que não possamos atribuir-lhe o adjetivo de Meigo Nazareno.

Vejamos o que Léon Denis escreveu sobre o Messias: “Jesus é um desses divinos missionários e é de todos o maior. Destituído da falsa auréola da divindade, mais imponente nos parece ele. Seus sofrimentos, seus desfalecimentos, sua resignação, deixam-nos quase insensíveis, se oriundos de um Deus, mas tocam-nos, comovem-nos profundamente em um irmão. Jesus é, de todos os filhos dos homens, o mais digno de admiração. É extraordinário no Sermão da Montanha, em meio à turba dos humildes. É maior ainda no Calvário, quando a sombra da cruz se estende sobre o mundo, na tarde do suplício”.



Paulo Godoy

Padrões Evangélicos

29 de maio de 2012

PARA QUE ORAR?

A questão aqui formulada é a da finalidade, ou seja, o que deveremos almejar através da prece.

A três coisas podemos propor-nos por meio da prece: louvar, pedir e agradecer. (O Livro dos Espíritos, questão 659)

Independente do caráter particular que possamos dar à nossa prece, num dado momento, seja o louvor, a súplica ou a gratidão, os Espíritos nos quiseram mostrar, com a resposta que deram, que essas três motivações devem estar presentes num mesmo ato oracional, para que, efetivamente, este se complete e atenda as suas finalidades. Outro ensinamento importante é a ordem com que foram enunciadas, que é a natural e, portanto, a que deve ser seguida por todos nós. Primeiro, o louvor, porque somente com o coração pleno de deslumbramento, admiração e reverência pelo Ser Supremo, poderemos abrir-nos ao sol da Sua misericórdia para, confiantes, rogarmos o de que necessitamos, e, ato contínuo, passarmos à gratidão, expressando o nosso reconhecimento pelas dádivas recebidas.

Analisemos, agora, a estrutura da oração dominical, o Pai Nosso, e descubramos que há nela uma ordenação de fases na seqüência louvor - súplica - gratidão, conforme enunciaram os Espíritos.

Ela se inicia com um ato de louvor: "Pai Nosso... santificado seja..."; passa à súplica, formulando as necessidades fundamentais do homem: "o reino, o pão, o perdão das ofensas e as forças para resistir ao mal..." e termina com outra expressão de louvor: "pois Teu é o reino, o poder e a glória...", na qual está implícita a gratidão.

Sentimento espontâneo, a gratidão brota do âmago, independente das palavras, sempre que oramos com fervor e sinceridade. Revela-se muito mais nos atos da alma reconhecida que transforma a sua vida num evangelho de feitos.

Afirma V. Monod, em mensagem inserida em o O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XXVII:

"Não é ato de amor a Deus assistirdes os vossos irmãos numa necessidade, moral ou física? Não é ato de reconhecimento o elevardes a Ele o vosso pensamento, quando uma felicidade vos advém, quando evitais um acidente, quando mesmo uma simples contrariedade apenas vos toca a alma, desde que vos não esqueçais de exclamar: Sede bendito , meu Pai ?!"



Manoel Philomeno de Miranda

Livro: Consciência e Mediunidade

17 de maio de 2012

COMPORTAMENTO DO ESPÍRITA NO VELÓRIO



 Recentemente, fomos a um velório e nos vimos constrangidos a ouvir um "pastor", pregando a insustentável tese da unicidade das existências. Aliás, assunto inoportuno para a ocasião. O religioso, sempre com a bíblia de folhas desgastadas debaixo do braço, umedecido de suor, certamente, foi convidado a falar sobre o tema por solicitação da família do desencarnante. Detalhe: tais parentes "crentes", do "morto", sabiam que espíritas estariam presentes no local. Ao revés, poderiam ter aproveitado a oportunidade do sepultamento para orar ou discorrer, sem afetação, sobre a imortalidade da alma (como ensinou Jesus) e sobre o valor da existência humana. Porém, infelizmente, para esses cristãos, narcotizados pela idéia de "salvação" e que pensam poder comprar a "felicidade eterna" através dos dez por cento "doados" para a igreja, "a morte ainda exprime realidade quase totalmente incompreendida na Terra". (1)
Em outra ocasião, fui informado, por uma grande amiga, líder espírita no DF, de que um irmão, também espírita conhecido na cidade, solicitara-lhe um espaço no salão de palestras, para velar um corpo (o desencarnado era endinheirado). Velório (2), no centro espírita? Rimos, eu e ela, muito embora, lamentando o triste episódio.
É óbvio que a solicitação do imaturo confrade lhe fora negado.
Velórios! Eis o nosso tema. Essa celebração se desviou, e muito, do sentido religioso, pois, acima das emoções justificáveis, por parte dos parentes e amigos, ostenta-se um funeral por despesas excessivas com flores, santinhos, escapulários, velas [o uso de velas não tem valia para o espírita, pois só imprime um aspecto mais lúgubre à morte], etc., etc. A eventual preocupação com a conservação dos túmulos, que, normalmente, só são lembrados no dia consagrado aos mortos, no mês de novembro, respondem por um protocolo social, também, extravagante. Não devemos converter as necrópoles vazias em "salas de visita do além", qual recorda o escritor Richard Simonetti, (3) até porque, há locais mais indicados para expressarmos o nosso sentimento aos que já desencarnaram. Não aprovamos, nem reprovamos, intransigentemente, as homenagens fúnebres, em memória de alguém, pois, "são justas e de bom exemplo". (4) Todavia, a Doutrina Espírita revela que o desejo de perpetuar a lembrança que as pessoas deixam de si, nos imponentes mausoléus, vem do derradeiro ato de orgulho. "A suntuosidade dos monumentos fúnebres, determinada por parentes que desejam honrar a memória do falecido, e não por este, ainda faz parte do orgulho dos parentes, que querem honrar-se a si mesmos. Nem sempre é pelo morto que se fazem todas essas demonstrações, mas por amor-próprio, por consideração ao mundo e para exibição de riqueza ."(5)
Devemos sempre dispensar, nos funerais, as honrarias materiais exageradas e as encenações, pois, considerando que, "nem todo Espírito se desliga prontamente do corpo" (6), urge que lhe enviemos cargas mentais favoráveis de bênçãos e de paz, através da oração sincera, principalmente, nos últimos momentos que antecedem ao enterramento ou à cremação. Oferenda de coroas e flores deve transformar-se "em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário". (7)
Pasmem! Já, até, inventaram o velório virtual (visualização à distância) das cerimônias fúnebres de entes queridos e o encaminhamento de condolências via e-mail.
Salas de velório foram equipadas com câmeras que permitem, em tempo real, uma visão geral do público e da pessoa que está sendo velada. Nesses casos, parentes e amigos podem enviar as mensagens de condolências para a família por meio de um link por site que oferece técnicas de preparação de corpos como a tanatopraxia (8) e a necromaquiagem, além de produtos como, urnas, mantos, vestuário etc. Sobre isso, sabemos que, quando comparecemos a um velório, cumprimos sagrado dever de solidariedade, oferecendo conforto à família.
"Infelizmente, tendemos a fazê-lo pela metade, com a presença física, ignorando o que poderíamos definir por compostura espiritual, a exprimir-se no respeito pelo ambiente e no empenho de ajudar o morto". (9)
Analisemos o fato recente de desencarnação do cantor e ator, Michael Jackson.
Mais de meio milhão de admiradores, de todo o mundo, já solicitaram entradas para o serviço fúnebre de seu corpo, agendado para os próximos dias. O nosso irmão, "rei do pop", certamente, está na mais atroz penúria na dimensão póstuma, devido à tresloucada emanação de energias mentais desfavoráveis dos "fãs". Em razão disso, admitimos que, nesse caso, felizes são os obscuros indigentes, porque são velados nas câmeras dos institutos médico-legais, posto que o velório e o sepultamento são, quase sempre, mais um motivo de sofrimento para o desencarnante. É óbvio que as preces, pelos Espíritos que acabam de deixar a Terra, têm por fim, não apenas, proporcionar-lhes uma prova de simpatia, mas, sobretudo, ajudá-los a se libertarem das ligações terrenas, abreviando a perturbação que, normalmente, ocorre após a separação do corpo, e tornando mais tranqüilo o seu despertar. (10) No caso em tela, os idólatras transmitem emoções angustiantes em face da saudade, razão pela qual suas súplicas desconexas têm alcance limitado.
Imaginemos a situação desconfortante do Espírito, ainda ligado ao corpo, mergulhado num oceano de vibrações heterogêneas emitidas por pessoas, em nome da admiração, mas agem como indisciplinados espectadores a dificultar a tarefa de diligente equipe de socorro, no esforço por retirar um ferido dos escombros de uma casa que desabou. "Contribuição" lamentável, essa! "Preso à residência temporária, transformada em ruína pela morte, o desencarnante, em estado de inconsciência, recebe o impacto dessas vibrações desajustantes que o atingem penosamente, particularmente as de caráter pessoal. Como se vivesse terrível pesadelo ele quer despertar, luta por readquirir o domínio do corpo, quedando-se angustiado e aflito". (11)
São muitos os que, a título de se despedirem do "defunto", fazem do cemitério uma extensão a mais do barzinho da esquina, discutindo assuntos triviais como política, negócios e futebol - quando não, coisas piores. Isso, obviamente, tornará mais penosa a travessia entre os dois mundos. Mais do que nunca, o desencarnado precisa de vibrações de harmonia, que só se formam através da prece sincera e de ondas mentais positivas. Em o livro Conduta Espírita, o Espírito André Luiz adverte: "proceder corretamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé do corpo inerte. O companheiro recém-desencarnado pede, sem palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se." (12) É importante expulsar de nós "quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários impróprios nos enterros a que comparecermos". (13) Até porque, a "solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade humana". (14)
Lamentavelmente, "poucos se dão ao trabalho sequer de reduzir o volume da voz, numa zoeira incrível, principalmente ao aproximar-se o horário do sepultamento, quando o recinto acolhe maior número de pessoas". (15) Temos motivos de sobra para o comedimento. Por isso, cultivemos o silêncio, conversando, se necessário, em voz baixa, de forma edificante. Falemos no morto com discrição, evitando pressioná-lo com lembranças e emoções passíveis de perturbá-lo, principalmente, se forem trágicas as circunstâncias do seu falecimento. Oremos muito em seu benefício, porque, morre-se como se vive. Se não conseguirmos manter semelhante comportamento, melhor será que nos retiremos do ambiente, evitando engrossar o barulhento coro de vozes e vibrações desrespeitosas, que tanto atormentam o desencarnado, quanto aos que lá comparecem com objetivos nobres de captar energias dos planos superiores, do foco causal, em favor do próximo que parte para outra dimensão.
É oportuno também explicar ao amigo leitor que a perturbação que se segue à morte nada tem de, insuportavelmente, dolorosa para o justo, aquele que esteve na Terra, sintonizado com o bem. Todavia, para os que viveram presos ao egoísmo, escravos dos vícios e ambições mundanas, a morte é uma noite, cheia de horrores, ansiedades e angústias, apesar de essa perturbação ser considerada o estado normal no instante da morte e perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos. Em algumas pessoas, ela é de curtíssima duração, quase imperceptível, e nada tem de dolorosa - poderia ser comparada como um leve despertar. No entanto, para outras, o estado de perturbação pode durar muitos anos, até séculos, e pode configurar um quadro de sofrimento severo, com angústia e temores acerbos. Alguns Espíritos mergulham em sono profundo e, nesse estado, ficam durante um tempo muito variável. "O conhecimento que nos tiver sido possível adquirir das condições da vida futura exerce grande influência em nossos últimos momentos; dá-nos mais segurança; abrevia a separação da alma." (16)
O equilíbrio mental dos familiares, ante o desencarne, será de fundamental importância na recuperação do Espírito. Pensamentos de revolta e desespero o atingem como dardos mentais de dor e angústia, dificultando a sua recuperação. A atitude inconformista da família pode criar "teias de retenção", prendendo o Espírito ao seu corpo. É natural que muitos chorem na hora da morte, porém, contendo o desespero. É mister que nos resignemos diante desse fenômeno natural da vida, ainda que, por vezes, inesperado, vendo, nisso, a manifestação da Sábia Vontade que nos comanda os destinos. Em verdade, as lágrimas podem, até, aliviar-nos o coração, entretanto, a atitude do espírita deve ser de compreensão e oração. O dia que tivermos certeza de que o que enterramos não é este ou aquele ser, mas um corpo que serviu para a valorização existencial de alguém que amamos, e que esse alguém estará sempre presente em nossa memória, pois que, experimentamos, apenas, um intervalo momentâneo, se comparado à eternidade, nosso comportamento será outro, muito mais harmonioso com esse fenômeno biológico, a que denominamos "morte".
Jorge Hessen

http://jorgehessen.net
 
Fontes:
(1) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed FEB, 1999
(2) Segundo Aulete: "Vigília a defunto". Ato de velar com outros um morto; de passar a noite em claro onde se encontra exposto um morto.
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Perg. 824.)
(5) idem, Pergs. 823 e 823a.
(6) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed FEB, 1999
(7) idem
(8) Nos dias de hoje essa denominação representa a prática de uma técnica, já desenvolvida há muitos anos em outros países, utilizando meios modernos para a preparação de corpos humanos, vitimados das mais variadas formas de óbitos. Corresponde a aplicação correta de produtos químicos em corpos falecidos, visando à desinfecção e o retardamento do processo biológico de decomposição, permitindo a apresentação dos mesmos em condições surpreendentemente melhores para o velório.
(9) Simonetti Richard. Quem tem medo da morte?, 22ª edição, São Paulo: Gráfica São João, 1995
(10) ESE-cap XXVIII it 59]
(11) Richard. Quem tem medo da morte?, 22ª edição, São Paulo: Gráfica São João,1995
(12) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed FEB, 1999
(13) idem
(14) idem
(15)______ Richard. Quem tem medo da morte?, 22ª edição, São Paulo: Gráfica São João, 1995
(16) Denis, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor, RJ: Ed FEB, 1993

15 de maio de 2012

COM A MEDIDA COM QUE MEDIRDES


“Não julgueis para que não sejais julgados, Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados. e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” - (Mateus, 7:1-2)



A citação evangélica que encima esta crônica, por si só, revela toda a amplitude do ensinamento que Jesus pretendeu transmitir.

Certa vez, fazendo as suas costumeiras pregações, o Mestre defrontou-se com um homem que lhe suplicou: Senhor, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe respondeu: Homem, quem me instituiu a mim por juiz ou repartidor entre vós? (Lucas, 12:13-14).

O Meigo Nazareno — a despeito da grandiosidade do seu Espírito — relutou e não concordou em exercer o papel de juiz. Esse exemplo nos leva a pensar duas vezes antes de querer exercer um papel dessa natureza, pois, indubitavelmente, somos ainda criaturas imperfeitas e eivadas de parcialidade, de paixões, de egoísmo, e jamais poderíamos julgar alguém de forma reta e irrepreensível.

A máxima: Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós, além de ser incisiva e endereçada a todos nós, encerra os esclarecimentos mais sérios, no tocante à aplicação do nosso juízo, quando nos defrontamos com problemas alheios.

No âmbito da lei de causas e efeitos, o preceito exarado por Jesus não invalida outro mais ou menos semelhante: Quem com ferro fere, com ferro será ferido, o que significa dizer que, no âmbito da justiça divina seremos bitolados com o mesmo gabarito que empregarmos no trato dos nossos irmãos, no desenrolar do nosso aprendizado terreno.

Se o nosso juízo for unilateral quando julgarmos as atitudes e os atos do nosso próximo, como pretender um julgamento equitativo e reto para com as nossas próprias ações? O nosso falso juízo, prejudicando alguém, faz com que surja a necessidade de um reajuste, do qual o nosso Espírito passa a ser réu, uma vez que não existe causa que não conduza a um efeito.

Os preceitos de Jesus Cristo não se aplicam apenas aos indivíduos, mas também abrangem as instituições e as coletividades. A História nos tem ensinado os duros reveses experimentados por grandes e poderosas nações, porque o orgulho fez com que seus governantes não aplicassem o critério de uma justiça reta aos olhos de Deus.

O antigo povo de Israel nos serve de paradigma para uma demonstração clara e positiva: Apesar de se considerar um povo eleito e se julgar preferido por Deus para colimar os objetivos mais relevantes, essa comunidade alimentava sentimentos de conquista e julgava os demais povos pelo limite acanhado de suas leis religiosas. Por isso a justiça divina fez com que experimentasse dolorosos resgates, através de duros e prolongados cativeiros, nas mãos dos babilônicos, dos caldeus, dos egípcios e dos romanos. Os seus homens e mulheres foram perseguidos, escravizados, aprisionados, mortos e dispersos. A velha e orgulhosa Jerusalém, que matava os profetas e os sábios que lhe eram enviados pelo Alto, que foi palco de um dos mais incríveis julgamentos da História, assistindo impassível à crucificação do Ungido de Deus, teve suas casas destruídas, seus filhos massacrados e o seu precioso templo destruído, dele não restando pedra sobre pedra.

O profeta Elias usou a medida da violência, ordenando a decapitação de centenas de sacerdotes de Baal. Reencarnado na pessoa de João Batista, também foi degolado por ordem de Herodes.

Os espíritas sabem, melhor do que ninguém, as conseqüências funestas dos juízos apressados e dos atos maldosos. A lei da reencarnação é inexorável, e, através dela, os Espíritos pecaminosos experimentam duros ciclos expiatórios.

Pôncio Pilatos mediu Jesus Cristo pelo gabarito dos seus interesses políticos, permitindo que um justo fosse crucificado por temer descoJ1tentar um poder terreno transitório.

Judas Iscariotes mediu Jesus pelos seus interesses financeiros, denunciando um missionário a troco de trinta moedas de prata. Por isso o remorso, o suicídio e as terríveis expiações na vida espiritual foram o corolário de sofrimento que experimentou.

Os homens sempre julgam de modo unilateral, colocando em primeiro plano as suas conveniências mais imediatas, conseqüentemente, assim como a justiça divina caiu pesadamente sobre os Espíritos de Pilatos, de Judas e de muitos outros homens do passado, ela cairá também sobre todos aqueles que não sabem usar um sentimento retilíneo no trato com os interesses de seus semelhantes.

Esse foi o motivo primário que levou Jesus Cristo a sentenciar o Amai ao vosso próximo como a vós mesmos, pois todo aquele que assim proceder, jamais usará de juízo apressado e iníquo para com o seu irmão.

Por isso disse o Mestre: Se alguém vos obrigar a caminhar mil quilômetros, caminhe com ele mais mil, pois é provável que, nessa segunda caminhada, o seu próximo será visto com mais amor, com menos ódio, e então o seu julgamento será muito mais equitativo.



Paulo Alves Godoy

Livro: Os Padrões Evangélicos

14 de maio de 2012

O CALICE DA AMARGURA


“Prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja feito como eu quero, mas  como tu queres.” - (Mateus, 26:39)

Afirma o evangelista Mateus que Jesus Cristo formulou veemente rogativa a Deus no sentido de passar dele a necessidade de tragar o cálice de amargura, simbolizado no sacrifício que se cumpriria no alto do Calvário. Após repetir a sua prece por três vezes consecutivas, não houve um deferimento favorável, e o drama da crucificação se cumpriu em todos os detalhes.

O Mestre, que havia preceituado: “Pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis e batei e abrir-se-vos-á” ali estava advogando o cancelamento ao martírio na cruz, entretanto não deixou de condicionar a sua vontade à soberana vontade de Deus. Nos desígnios do Pai o sacrifício do Calvário era um imperativo, sem o qual a doutrina que o Mestre viera trazer, não triunfaria na face da Terra, a ponto de, em três séculos apenas, causar a derrocada do Paganismo, solapando as precárias bases em que se fundamentava a religião dos povos mais poderosos da Terra.

Devemos nos lembrar que todos nós, em maior ou menor escala, temos um Calvário em nossa vida, por isso também em relação a nós o Criador não modifica a cada instante os seus desideratos superiores. Muitas das rogativas que erguemos a Deus não são aceitas porque assumimos compromissos espirituais importantes antes da nossa encarnação terrena, e se Deus for modificando o curso da nossa vida ao sabor da nossa vontade, é óbvio que ocorreria uma estagnação e dificilmente colimaríamos o nosso aprimoramento espiritual.

O advento de Jesus Cristo na Terra indubitavelmente exigiu intensa preparação espiritual, principalmente nos séculos que antecederam a sua integração no ambiente terreno. Se João Batista foi o seu precursor imediato, lembremo-nos de que muitos profetas de Israel também cooperaram para a sua vinda, fornecendo detalhes minuciosos sobre a sua inconfundível personalidade e esboçando, em linhas gerais, a razão primária da sua missão no seio da Humanidade.

A tarefa desenvolvida entre nós por Jesus Cristo não foi mera caminhada pelas estradas da Galiléia. Não foi também uma peregrinação com o objetivo de curar alguns paralíticos, restaurar a vista a alguns cegos, limpar alguns leprosos ou expelir alguns maus espíritos. O advento de Jesus foi algo de mais sublime, pois ele trouxe para a Humanidade uma mensagem de vida eterna, uma doutrina suscetível de impulsionar o gênero humano para os seus verdadeiros objetivos um código de moral que serviria de fundamento para a reforma moral dos indivíduos. O Messias veio para curar os doentes da alma e levantar aqueles que estão alquebrantados pelas tribulações da vida terrena. Veio também para convocar aqueles que malbarataram os valores que Deus, por excesso de misericórdia, lhes concedeu, despertando-os de uma inércia incompatível com a necessidade de reforma interior.

Se a missão desempenhada por Jesus Cristo demandou séculos de preparação, devemos também convir que a tarefa de muitos Espíritos que encamam na Terra, também exige preparação, planejamento e, sobretudo, obedecem a desígnios superiores, previamente estabelecidos.

Deste modo, podemos afirmar que nem todos os nossos apelos dirigidos ao Alto podem ser atendidos, uma vez que qualquer desvio em nossa vida poderá representar séculos de retardamento. A satisfação dos nossos desejos representaria a postergação de fatores que são imprescindíveis à nossa reforma espiritual.

Sendo a Terra uma imensa escola, na qual os nossos Espíritos se aprimoram, despojando-se de suas imperfeições, é lógico que deveremos assimilar todas as lições que nos são propiciadas, pois, se protelarmos o nosso aprendizado, além de adiarmos a nossa evolução, estaremos também contribuindo para o atravancamento do progresso espiritual da Humanidade, causando o retardamento no advento de uma nova era, quando o mundo será mais espiritualizado, mais moralizado e, sobretudo, mais evangelizado.



Paulo Godoy

Livro: Os Padrões Evangélicos

9 de maio de 2012

RELIGIÃO É VIDA



"Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”.  Jesus (João, 14:6).

Você é convocado para uma nova ideia de Religião.

Não se trata de mera inovação humana. É o retorno ao sentido legítimo de Religião.

Certo é que Você terá visto muita gente fazendo do templo de fé o local da prática religiosa.

Templo, porém, é escola do coração.

Ali se aprende.

A prática dos ensinamentos morais do Cristianismo puro, contudo, pede por palco a própria vida.

Nada de locais restritos e especiais.

É junto de seus familiares, ao lado de seus amigos, no encontro com seus desafetos, que Religião alcança a sua dinâmica de "ligação com Deus".

Jesus viveu religiosamente em toda parte.

Jamais fugiu do mundo.

 Você é chamado para isso: para viver no campo do amor ao próximo, ajudando a construir um mundo novo a partir das fronteiras de seu próprio mundo íntimo.

Evangelho é mensagem de Vida.

A sua presença, no cotidiano, corresponde a um abrir de olhos, a uma visão mais ampla da existência, permitindo que Você se coloque corajosamente diante de Você mesmo.

A Boa Nova é o caminho.

Os Espíritos, rompendo com as barreiras do Além, vêm convocá-la para rasgar os horizontes de novas esperanças.

Eles e Você estão juntos.

O grande desafio, que abala os orgulhosos e confunde os egoístas, é para que Você tenha a coragem de amar, de querer paz, de construir e reconstruir o seu destino.

A serenidade é o salário do Bem.

 J.  Alexandre 

Reformador (FEB)  em Jan 1974

8 de maio de 2012

ANJOS DA GUARDA. ESPÍRITOS PROTETORES


 LIVRO DOS ESPÍRITOS QUESTÃO:

495. PODERÁ DAR-SE QUE O ESPÍRITO PROTETOR ABANDONE O SEU PROTEGIDO, POR SE LHE MOSTRAR ESTE REBELDE AOS CONSELHOS?

 “Afasta-se, quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte é, no seu protegido, a decisão de submeter-se à influência dos Espíritos inferiores. Mas, não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então o homem quem tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame. “É uma doutrina, esta, dos anjos guardiães, que, pelo seu encanto e doçura, devera converter os mais incrédulos. Não vos parece grandemente consoladora a idéia de terdes sempre junto de vós seres que vos são superiores, prontos sempre a vos aconselhar e amparar, a vos ajudar na ascensão da abrupta montanha do bem; mais sinceros e dedicados amigos do que todos os que mais intimamente se vos liguem na Terra? Eles se acham ao vosso lado por ordem de Deus. Foi Deus quem aí os colocou e, aí permanecendo por amor de Deus, desempenham bela, porém penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco. Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos a quem não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhes ouve os ponderados conselhos.

“Ah! se conhecêsseis bem esta verdade! Quanto vos ajudaria nos momentos de crise! Quanto vos livraria dos maus Espíritos! Mas, oh! Quantas vezes, no dia solene, não se verá esse anjo constrangido a vos observar: “Não te aconselhei isto? Entretanto, não o fizeste. Não te mostrei o abismo? Contudo, nele te precipitaste! Não fiz ecoar na tua consciência a voz da verdade? Preferiste, no entanto, seguir os conselhos da mentira!” Oh! Interrogai os vossos anjos guardiães; estabelecei entre eles e vós essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos. Não penseis em lhes ocultar nada, pois que eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. Pensai no futuro; procurai adiantar-vos na vida presente. Assim fazendo, encurtareis vossas provas e mais felizes tornareis as vossas existências. Vamos, homens, coragem! De uma vez por todas, lançai para longe todos os preconceitos e idéias preconcebidas. Entrai na nova senda que diante dos passos se vos abre. Caminhai! Tendes guias, segui-los, que a meta não vos pode faltar, porquanto essa meta é o próprio Deus.

“Aos que considerem impossível que Espíritos verdadeiramente elevados se consagrem a tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que nós vos influenciamos as almas, estando embora muitos milhões de léguas distantes de vós. O espaço, para nós, nada é, e não obstante viverem noutro mundo, os nossos Espíritos conservam suas ligações com os vossos. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas ficai certos de que Deus não nos impôs tarefa superior às nossas forças e de que não vos deixou sós na Terra, sem amigos e sem amparo. Cada anjo de guarda tem o seu protegido, pelo qual vela, como o pai pelo filho. Alegra-se, quando o vê no bom caminho; sofre, quando lhe ele despreza os conselhos. “Não receeis fatigar-nos com as vossas perguntas. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco. Sereis assim mais fortes e mais felizes. São essas comunicações de cada um com o seu Espírito familiar que fazem sejam médiuns todos os homens, médiuns ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e se espalharão qual oceano sem margens, levando de roldão a incredulidade e a ignorância. Homens doutos, instruí os vossos semelhantes; homens de talento, educai os vossos irmãos. Não imaginais que obra fazeis desse modo: a do Cristo, a que Deus vos impõe. Para que vos outorgou Deus a inteligência e o saber, senão para o repartirdes com os vossos irmãos, senão para fazerdes que se adiantem pela senda que conduz à bem-aventurança, à felicidade eterna?”  São Luís, Santo Agostinho.



 COMENTÁRIO DE A.K.: Nada tem de surpreendente a doutrina dos anjos guardiães, a velarem pelos seus protegidos, mau grado à distância que medeia entre os mundos. É, ao contrário, grandiosa e sublime. Não vemos na Terra o pai velar pelo filho, ainda que de muito longe, e auxiliá-lo com seus conselhos correspondendo-se com ele? Que motivo de espanto haverá, então, em que os Espíritos possam, de um outro mundo, guiar os que, habitantes da Terra, eles tomaram sob sua proteção, uma vez que, para eles, a distância que vai de um mundo a outro é menor do que a que, neste planeta, separa os continentes? Não dispõem, além disso, do fluido universal, que entrelaça todos os mundos, tornando-os solidários; veículo imenso da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o da transmissão do som?



COMENTÁRIO DE MIRAMEZ

NA REBELDIA

Quando o anjo-guardião percebe que o seu protegido está sendo rebelde aos seus conselhos, ele insiste de todas as formas, para que o renitente compreenda os objetivos da sua permanência ao seu lado, e se esse fecha os olhos, tampa os ouvidos à ajuda espiritual, dá-se, por amor, o afastamento. O que se fez surdo deve sofrer as conseqüências da sua ignorância, no sentido de aprender a verdade pelos processos da dor.

O afastamento é referente à transmissão dos conselhos, e não. desligamento das responsabilidades espirituais. Os Espíritos superiores já passaram por essa fase em que se encontra seu tutelado, e sabem, por experiência, que o despertamento dos valores espirituais vêm gradativamente. Toda violência faz estragos no comportamento, no campo da intimidade da criatura. Nunca podes te comparar com alguns grandes santos que modificaram de momento para outro a sua vida. A explicação é que esses Espíritos já tinham bagagem espiritual para suportar as mudanças, porque Deus não coloca fardos pesados em ombros frágeis. Todos os estudantes da verdade conhecem essa lei.

Quando o encarnado reconhece o erro e volta a pedir proteção ao seu anjo-guardião, este está disposto a ajudá-lo com todo o seu amor e carinho, e sente-se feliz quando o tutelado abre as portas do coração para ouvir os conselhos do bem. O benfeitor sempre usa a mansuetude como canal de educar, mas, quando necessário, a energia não falta. Usa igualmente o sono para instruir seu protegido. Este ouve sua voz e nem sempre vê seu protetor, mas sabe que alguém o acompanha e orienta, pelo que ouve do seu coração, indicando-lhe os caminhos a seguir. O discípulo rebelde, quando reconhece o erro e volta a chamar seu protetor, é comparado ao filho pródigo, voltando à casa paterna. Ele é recebido com festas, onde a alegria esplende em amor e o amor faz abrir os braços de todos os companheiros espirituais que o cercam, no contentamento que os faz ajudar mais, pois, encontrando as portas abertas, eles entram em nome do Mestre, para fazer com que ele sinta Deus na consciência e Cristo no coração.

A doutrina dos anjos-guardiães nos dá esperança, por sabermos que existem guias espirituais nos acompanhando e nos dirigindo por determinação de Deus. Quando somos conscientes dessa verdade, a nossa fé se modifica; da posição de fé cega, esta passa a ser raciocinada. Ela vê a realidade e a confiança aumenta em todas as dimensões, para nos dar mais esperança na vida que contínua em todas as direções do Universo.

As páginas que escrevemos, por misericórdia de Jesus, são um alerta aos encarnados, para que se liguem mais aos conselhos dos anjos-guardiães. Observa os pensamentos nobres que chegam aos teus como amálgama divino, sentindo felicidade no coração por serem eles procedentes da luz. As companhias espirituais são de acordo com os teus sentimentos. Aprimora-os, ou pelo menos esforça-te para tal, que o mundo espiritual não esquece de ajudar-te nas lutas internas de melhorar moralmente.

Não sejas rebelde aos conselhos espirituais que vêm ao teu encontro até por intermédio de amigos. Os protetores espirituais usam todos os meios para chegarem ao objetivo de educar e instruir os seus tutelados, sem esquecerem o amor, força divina.

Os Espíritos, quanto mais elevados, mais trabalham por amor e com amor. Os mínimos trabalhos, para eles, proporcionam a mesma alegria que os grandes. Que Deus nos abençoe, para melhor compreendermos os segredos do Criador, porque todos eles são em favor da paz de todas as coisas e para a felicidade dos Seus filhos.

1 de maio de 2012

EURÍPEDES BARSANULFO



Nascido em 1º de maio de 1880, na pequena cidade de Sacramento, Estado de Minas Gerais, e desencarnado na mesmo cidade, aos 38 anos de idade, em 1o. de novembro de 1918.
Logo cedo manifestou- se nele profunda inteligência e senso de responsabilidade, acervo conquistado naturalmente nas experiências de vidas pretéritas.
Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre- escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou- se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu- se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida.
Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.
Despertado e convicto, converteu- se sem delongas e sem esmorecimentos, identificando-se plenamente com os novos ideais, numa atitude sincera e própria de sua personalidade, procurou o vigário da Igreja matriz onde prestava sua colaboração, colocando à disposição do mesmo o cargo de secretário da Irmandade.
Repercutiu estrondosamente tal acontecimento entre os habitantes da cidade e entre membros de sua própria família. Em poucos dias começou a sofrer as conseqüências de sua atitude incompreendida.
Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer- lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.
Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando- se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando- o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.
A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando- se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.
Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais.
Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social.
Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.
Em 1o. de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.
Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem- se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores.
Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia- se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.
Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.
No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.
A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.
O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.
Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo- o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.
Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou- se dele e abraçou- o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.
Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.
Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres. Havia chegado ao término de sua missão terrena. Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1o. de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos.
Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou- lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais sublime.