15 de maio de 2012

COM A MEDIDA COM QUE MEDIRDES


“Não julgueis para que não sejais julgados, Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados. e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” - (Mateus, 7:1-2)



A citação evangélica que encima esta crônica, por si só, revela toda a amplitude do ensinamento que Jesus pretendeu transmitir.

Certa vez, fazendo as suas costumeiras pregações, o Mestre defrontou-se com um homem que lhe suplicou: Senhor, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe respondeu: Homem, quem me instituiu a mim por juiz ou repartidor entre vós? (Lucas, 12:13-14).

O Meigo Nazareno — a despeito da grandiosidade do seu Espírito — relutou e não concordou em exercer o papel de juiz. Esse exemplo nos leva a pensar duas vezes antes de querer exercer um papel dessa natureza, pois, indubitavelmente, somos ainda criaturas imperfeitas e eivadas de parcialidade, de paixões, de egoísmo, e jamais poderíamos julgar alguém de forma reta e irrepreensível.

A máxima: Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós, além de ser incisiva e endereçada a todos nós, encerra os esclarecimentos mais sérios, no tocante à aplicação do nosso juízo, quando nos defrontamos com problemas alheios.

No âmbito da lei de causas e efeitos, o preceito exarado por Jesus não invalida outro mais ou menos semelhante: Quem com ferro fere, com ferro será ferido, o que significa dizer que, no âmbito da justiça divina seremos bitolados com o mesmo gabarito que empregarmos no trato dos nossos irmãos, no desenrolar do nosso aprendizado terreno.

Se o nosso juízo for unilateral quando julgarmos as atitudes e os atos do nosso próximo, como pretender um julgamento equitativo e reto para com as nossas próprias ações? O nosso falso juízo, prejudicando alguém, faz com que surja a necessidade de um reajuste, do qual o nosso Espírito passa a ser réu, uma vez que não existe causa que não conduza a um efeito.

Os preceitos de Jesus Cristo não se aplicam apenas aos indivíduos, mas também abrangem as instituições e as coletividades. A História nos tem ensinado os duros reveses experimentados por grandes e poderosas nações, porque o orgulho fez com que seus governantes não aplicassem o critério de uma justiça reta aos olhos de Deus.

O antigo povo de Israel nos serve de paradigma para uma demonstração clara e positiva: Apesar de se considerar um povo eleito e se julgar preferido por Deus para colimar os objetivos mais relevantes, essa comunidade alimentava sentimentos de conquista e julgava os demais povos pelo limite acanhado de suas leis religiosas. Por isso a justiça divina fez com que experimentasse dolorosos resgates, através de duros e prolongados cativeiros, nas mãos dos babilônicos, dos caldeus, dos egípcios e dos romanos. Os seus homens e mulheres foram perseguidos, escravizados, aprisionados, mortos e dispersos. A velha e orgulhosa Jerusalém, que matava os profetas e os sábios que lhe eram enviados pelo Alto, que foi palco de um dos mais incríveis julgamentos da História, assistindo impassível à crucificação do Ungido de Deus, teve suas casas destruídas, seus filhos massacrados e o seu precioso templo destruído, dele não restando pedra sobre pedra.

O profeta Elias usou a medida da violência, ordenando a decapitação de centenas de sacerdotes de Baal. Reencarnado na pessoa de João Batista, também foi degolado por ordem de Herodes.

Os espíritas sabem, melhor do que ninguém, as conseqüências funestas dos juízos apressados e dos atos maldosos. A lei da reencarnação é inexorável, e, através dela, os Espíritos pecaminosos experimentam duros ciclos expiatórios.

Pôncio Pilatos mediu Jesus Cristo pelo gabarito dos seus interesses políticos, permitindo que um justo fosse crucificado por temer descoJ1tentar um poder terreno transitório.

Judas Iscariotes mediu Jesus pelos seus interesses financeiros, denunciando um missionário a troco de trinta moedas de prata. Por isso o remorso, o suicídio e as terríveis expiações na vida espiritual foram o corolário de sofrimento que experimentou.

Os homens sempre julgam de modo unilateral, colocando em primeiro plano as suas conveniências mais imediatas, conseqüentemente, assim como a justiça divina caiu pesadamente sobre os Espíritos de Pilatos, de Judas e de muitos outros homens do passado, ela cairá também sobre todos aqueles que não sabem usar um sentimento retilíneo no trato com os interesses de seus semelhantes.

Esse foi o motivo primário que levou Jesus Cristo a sentenciar o Amai ao vosso próximo como a vós mesmos, pois todo aquele que assim proceder, jamais usará de juízo apressado e iníquo para com o seu irmão.

Por isso disse o Mestre: Se alguém vos obrigar a caminhar mil quilômetros, caminhe com ele mais mil, pois é provável que, nessa segunda caminhada, o seu próximo será visto com mais amor, com menos ódio, e então o seu julgamento será muito mais equitativo.



Paulo Alves Godoy

Livro: Os Padrões Evangélicos

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